História Surrender - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Gravity Falls
Personagens Bill Cipher, Dipper Pines, Personagens Originais, Stanford "Ford" Pines, Stanley "Stan" Pines
Tags Bill Cipher, Billdip, Kill Cipher, Will Cipher, Willdip
Visualizações 138
Palavras 4.561
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Lemon, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


ლ (❤ ʚ ❤ ლ) Boa leitura.
Todas as informações adicionais estarão nas notas finais ❤

Capítulo 3 - Se o universo é um holograma, eu sou uma ilusão mal feita.


 

Capítulo 03 — Se o universo é um holograma, eu sou uma ilusão mal feita.

 

— Reverse Falls —

Entenda uma coisa: a minha marca jamais deixara você.

 

Will já estava acostumando com as constantes torturas de seus mestres, principalmente de Mabel, mas daquela vez, quando voltou para sua dimensão depois de apenas um dia fora, encontrou Dipper Gleeful com seu humor ferino, negro e sombrio.

Aquele olhar era mortal, mas havia algo que o demônio das estrelas não sabia distinguir, porém sentia que era algo intenso e profundo, cogitou que talvez fosse um ódio profundo por ele, afinal, era difícil ler as entrelinhas de seu mestre.

— Diga-me demônio benevolente, o que eu devo fazer com você? — Perguntou enrolando o chicote azul neon em sua mão com certa força, seus olhos raivosos ainda estava sobre o encolhido servo.

Will engoliu seco, se não disse iria apanhar e se disse iria apanhar também, nas duas maneiras iria sair ferido dessa história.

— O que o senhor quiser mestre. — Disse baixo, mas alto o suficiente para Dipper ouvir.

Dipper riu seco, quase sardônico e isso fez a situação ficar ainda mais tensa. Eram raras as vezes que seu mestre ria dessa maneira e quando isso acontecia alguém sempre morria de uma forma cruel.

— O que eu quiser... — Estalou a língua em ironia. O Gleeful começou a andar de um lado para o outro vagarosamente, meticuloso com seus passos e pensamentos, organizando e criando novas ideias para a punição de Will.

No entanto, a porta do quarto é aperta quase que abruptamente, fazendo Dipper olhar ferinamente para a pessoa que ousará interromper seus pensamentos. Mabel tampouco se importou com aquele olhar e mantinha o seu prontamente astuto para com o irmão.

— O que quer Mabel? Seja breve. — Disse o irmão rispidamente.

— Quero Will. Preciso dele para ontem. — Respondeu com ar de serenidade, mas com um leve toque de desafio.

Dipper riu incrédulo.

— Eu não terminei com ele ainda.

— Agora terminou. Eu conheço seu estilo de punição, posso fazer isso e talvez pior, você sabe disso! E eu preciso dele mais que você. — Sua voz era firme, não demostrando qualquer tipo de medo para com o gêmeo que lhe fuzilava com olhos tão sombrios quanto à própria escuridão.

Dipper voltou-se para Will e lhe deu um demorado olhar, e suspirou logo em seguida. O problema de debater com a Mabel era sua irritante persistência e dependendo do caminho da conversa, sua manipulação chega a ser estonteante. Ele conhecia sua irmã, sabia de seus métodos e linha de pensamento.

Era desagradável ceder aos caprichos da irmã, mas seu amor fraternal para com ela sobressaia.

— É todo seu. — Disse por fim, voltando para sua poltrona e se concentrando na paisagem que a janela lhe proporcionava.

A morena sorriu vitoriosa e olhou sugestivo para Will, que rapidamente se levantou indo para perto dela.

— Will terá o castigo que lhe merece, eu lhe prometo. — Esclareceu antes de sair do cômodo com seus passos firmes.  O demônio das estrelas estremeceu quando ouviu tais palavras, mas antes de se retirar e acompanhar a mestra, ele se curvou graciosamente e saiu sem olha-lo, pois sabia que ele também não lhe olhava e naquele momento não queria ver seu rosto.

Assim que alcançou Mabel, seu olhar foi para o chão.

— Considere divida paga.  — Comentou abrindo as portas de seu quarto, permitindo o servo adentrar no ambiente.

— Sim senhorita. — Assim que fechou as portas, Will foi para o canto mais afastado do cômodo, pois era assim que ela gostava. — Permita-me perguntar uma coisa senhorita.

Mabel sentou-se na penteadeira e pegou a escova cara e cheia de detalhes em toda sua extensão, apontou o objeto para o demônio que logo entendeu o recado. Will se aproximou dela e pegou a escova, começou a escovar os cabelos longos de sua mestra carinhosamente, enquanto ela mantinha um olhar desconexo no espelho.

 — O que quer saber? — Perguntou com sua voz baixa.

— O que aconteceu naquele dia? — Will a questionou com seu tom mais amável que conseguia.

Mabel sorriu triste e fechou os olhos, aproveitando o carinho em seus cabelos sedosos. Um silêncio reinou no ambiente, não era ruim, mas triste, consolativo e acalento.

— Eu desisti. — Falou depois de vários minutos calada, fazendo o demônio se surpreender com a notícia.

— A senhorita nunca desiste. — Comentou Will, observando através do espelho o rosto pálido e entristecido da morena.

— Pensei que eu fosse indomável, sem limites... Intocável. — Mabel umedeceu seus lábios carmesins. — Mas tudo não passou de uma ilusão criada de uma imaginação cruel.

— Ilusões são partes de uma mente que anseia acreditar em algo, não é errado e tampouco um crime cria-las.  — O demônio das estrelas disse enquanto fazia duas tranças se cruzarem.

— Eu criei as ilusões, eu acreditei nelas e as alimentei Will. Isso foi um pecado incorrigível. — Embora tentasse a todo custo prender as lágrimas que se formavam em seus olhos, era difícil. Não queria borrar o que restava da sua dignidade.

— Ela recusou. — Will murmurou baixo, sentindo a tristeza que sua mestra pelas suas palavras.

— Recusou? — Riu secamente. — Se fosse somente isso eu estaria tão feliz, Will. Ela me humilhou de um jeito que ninguém ousou fazer.

Demônios não podem amar. — O demônio dos sonhos comentou.

Mabel limpou rapidamente uma lágrima fugitiva que escorregada pela sua bochecha, nunca sentiu a vontade de chorar tampouco acho que um dia iria. Achava-se que fosse tão gélida quanto à neve, porém, mal sabe ela que a neve é o elemento mais fácil de derreter.

— Eu sou um demônio, não sou?  — Sua voz estava trêmula, assim como suas mãos. Seus olhos se enxiam cada vez mais de lágrimas e sabia que não poderia segura-las por muito tempo.

Will girou a cadeira da penteadeira para si, ajoelhou-se e pegou as delicadas mãos inquietas da Gleeful.

— Você não é um demônio, você é um ser humano que está tentando encontrar um motivo para suportar suas dores e eu sei que um dia irá encontrar.

Mabel sorriu fraco, as lágrimas que tanto reprimia acabou deixando transbordar, borrando sua alma com cores escuras. Ela acreditava sim que era um demônio, pois o ser que se considerava um tinha mais humanidade que jamais teria.

— Agora eu sei como se sente em relação ao meu irmão. — Disse baixo, evitando gaguejar por conta do choro silencioso.

— O que? — Will não estava acreditando no que estava ouvindo.

— Ah, por favor, Will, pensa que eu não vejo como você olha para o Dipper? Seu olhar o denuncia, e já adianto, ele comentou inúmeras vezes comigo sobre isso.

As bochechas do demônio das estrelas ganharam um tom carmesim, ele sabia que o seu mestre tinha conhecimento dos seus sentimentos, mas jamais imaginou que isso estaria em uma conversa dos gêmeos.

— Nem adianta ficar vermelhinha, ele não disse coisas boas sobre isso. — Revelou limpando os rastros de lágrimas que tinham em suas bochechas e controlou-se para parar de chorar, preferiria se lamentar sozinha encolhida na cama.

Will sorriu fraco.

— Eu sei que quando falam sobre mim nunca é uma coisa boa, mas ao menos, o mestre Dipper fala sobre mim.

A morena gira sua cadeira novamente para o espelho e observa como seu rosto estava abatido, pálido mesmo com a maquiagem. Era patético aquele estado, mas precisava se recompor, não por ela mesma, mas sim para seu tio-avô que iria chegar a poucos dias e se a visse dessa maneira iria ser severamente reprendida.

Os gêmeos foram criados e orientados para serem os melhores, e para que isso acontecesse, quaisquer tipos de sentimentos que interferissem nos objetivos maquiavélicos eram destruídos.

— Sofremos por amor. — Comentou Will baixo, melancólico.

— Amor nada mais é que uma sentença de morte, Will. — Falou Mabel, com uma amargura quase palpável.

A morena se levantou e foi para sua cama, deitou-se encolhida e ordenou para o demônio das estrelas se aproximar-se.

— Senhorita, permita-me ir à cidade hoje. — Pediu acariciando algumas mechas do cabelo sedoso de sua mestra.

— O que vai fazer?

— Preciso esclarecer algumas dúvidas para assim poder diminuir suas mágoas. — Respondeu meigamente. O que ele não fazia por seus mestres?

Mabel ficou um tempo em silêncio, pensando se deveria ou não deixar, afinal, tinha falando que iria castigar Will. Não gostava de mentir para Dipper, mas estava constantemente escondendo inúmeras verdades do irmão e talvez mais uma não fizesse diferença.

— Eu permito, finja que foi procurar algo em meu nome. Mas antes, conte-me uma história, preciso dormir.

— Como quiser senhorita.

 

— Fight Falls —

Às vezes uma ovelha pode se perder no vasto campo imaginário da mente.

 

Dipper despertava gradualmente, sentia-se enjoado, tonto, mas acima de tudo, destroçado. Jamais se sentiu assim, nem mesmo quando brigava de socos e chutes com Kill se sentia tão quebrado como agora.

Era como se parte da sua alma tivesse sido arrancada sem seu consentimento e perfurada inúmeras vezes sobre seu olhar desesperado para que parasse com aquela tortura. Levou uma de suas mãos até seu coração e apertou o tecido da camiseta, como se aquele gesto fizesse sua dor diminuir, mas era em vão.

Ao longe escutava seu nome ser repetido várias vezes, porém, não conseguia se concentrar e encontrar a pessoa que o chamam persistentemente. Seus olhos estavam abertos, mas desfocados, olhava para o teto na esperança que aquilo que estava sentindo não passasse de um pesadelo e que em breve acordaria e riria da própria estupidez de ser tão fraco, mas no fundo, sabia que aquilo era bem real.

— Dipper, olhe para mim. — A voz arrasada da irmã se fez presente em sua mente e como um click o fez voltar para realidade.

O moreno encarou os olhos entristecido da irmã, era difícil vê-la daquele jeito e foi impossível se sentir culpado por aquele olhar.

— Hey. — Disse tentando sorrir.

— Hey idiota.  Será que terá um dia que ficará longe de encrencas? — Perguntou em desdém, sabia que a resposta seria negativa.

Dipper suspirou e tentou se sentar, mas como se sentia fraco teve dificuldade, então Mabel lhe ajudou com o ato.

— Olha, eu não sei como começar a lhe contar isso. — Suas mãos brincavam com as folhas do jornal, apertando-as fortemente e depois as soltando. — E também não sei se é uma boa hora, mas como estamos no hospital acredito que é um bom lugar para te contar.

— Contar o quê?

Mabel o encarava com um misto de raiva e apreensão em seus orbes. Não queria ser a ceifadora da felicidade de seu irmão, porém, cedo ou tarde ele saberia a verdade. Com um das mãos, a morena estende o jornal para Dipper pegar e ler a notícia que estava na primeira folha.

Ela se levantou e foi até a janela, cruzando os braços e apertando seus olhos fortemente. O seu tivô havia saído pouco antes de Dipper despertar, talvez não quisesse ficar para ver o sofrimento que aquela mensagem traria, poderia até se considerar covarde, mas tinha bons motivos para se ausentar naquele momento.

Dipper encarou aquelas letras sem conseguir processar seu significado.

Uma terrível tragédia.

Vários orfanatos espalhados pelo Estado foram massacrados, destruídos e consumidos pelo fogo. As vítimas, em sua maioria crianças, foram brutalmente assassinadas antes de serem carbonizadas pelo fogo.

Não houve sobreviventes nesses ataques e o número atual de vítimas ainda é desconhecido. Quem é o culpado por tamanha crueldade?

Os suspeitos ainda são desconhecidos, mas a polícia está trabalhando arduamente para pegar essas pessoas em forma de demônios que andam pela terra e matam crianças inocentes.

Qual o motivo desses massacres? A população está indignada e terrivelmente sedenta por vingança e justiça.

O moreno leu umas três vezes antes de entender realmente a notícia. Na manchete havia uma foto e se prestasse a atenção veria que havia um símbolo bem conhecido, mas sua mente recusava a acreditar que aquilo tivesse alguma ligação.

Simplesmente se recusava a acreditar.

— O que você quer dizer com isso Mabel?

A gêmea não acreditava naquelas palavras, virou-se para questionar o irmão e viu que ele estava pálido, seu olhar tinha perdido o brilho.

— Você sabe muito bem quem fez isso.

— Não sei não. — Murmurou jogando o jornal no chão.

Mabel riu em puro sarcasmo.

— Tem certeza? Aquele triângulo com um olho no meio nas chamas não é nada? — Perguntou se aproximando e pegando o jornal do chão, mostrando aquele símbolo que conhecia tão bem. — Isso não te lembra de ninguém?

Dipper não disse nada, apenas olhou para suas mãos trêmulas, mas elas estavam começando a ficar embaçadas devido às lágrimas que enchiam seus olhos rapidamente.

— Não foi ele. — Murmurou.

— Como não? Ele é um demônio Dipper. Quantas vezes eu te disse isso? Quantas vezes eu te implorei para não apegar-se a ele? Mas não, você sempre ignorou o que eu falava e olhe agora, a verdadeira face aparece e você ainda diz que não foi ele?

NÃO FOI ELE.  — Gritou sem conter as lágrimas.

Mabel se assustou com aquilo, não pensava que seu irmão estivesse tão profundamente amarrado a um demônio que matou crianças inocentes para saciar sua própria sede por sangue e alimentar seu ego.

— A quem você está querendo enganar?  — Perguntou baixo, sabia que o gêmeo não tinha resposta para aquela pergunta.

Os fragmentos de sua alma tornaram-se mais numerosos.

— Preciso ficar sozinho. — Revelou mais calmo, deitou-se novamente na cama e passou um dos braços sobre seus olhos, mordendo fortemente o lábio inferior para não chorar.

A irmã suspirou alto enquanto coçava os cabelos de sua nuca, não queria deixar o outro sozinho, mas não adiantaria nada ela ficar e brigar novamente. Talvez um pouco de solidão clareasse a cabeça insana de Dipper.

Sem falar mais nada, andou em direção à saída, olhou uma última vez para o gêmeo e saiu. Assim que ouviu a porta de fechar, retirou o braço que mantinha em seus olhos e olhos para o teto.

Ficou um bom tempo pensando no nada e pensando em muita coisa. Não acreditava na notícia porque sabia que Kill não era tão cruel a esse ponto, sentiu raiva, ódio pelo ruivo, mas logo esses sentimentos ruins foram embora, deixando somente o sentimento de entender o que motivou o outro a acometer essas atrocidades.

Sinta vontade de chorar, mas ele era Dipper, o único que batia de frente com o demônio da discórdia e chorar não mudaria as coisas, tampouco esclareceria suas dúvidas e apaziguarias mágoas.

Precisava conhecer e entender Kill novamente.

Dipper estava ferido, estava tão terrivelmente abatido e magoado, mas ele já fraquejou de mais. Não era assim tão fraco e inútil, até porque se fosse Kill não teria conversando longas horas consigo e apanhando em vários momentos.

Sentou-se novamente na cama e olhou ao redor, embora estivesse fraco de corpo, sua mente não o deixaria em paz até encontrar a verdade por detrás daquele massacre. Olhou para suas pernas e implorou para que elas fossem resistentes o suficiente para andar; descobriu-se e desceu suas pernas até o chão gélido do hospital.

Um calafrio percorreu seu corpo fortemente ao chocar sua pele quente no piso gelado, engoliu seco e avançou para frente, mantendo-se de pé e tentando não ficar enjoado ou tonto. A carga emocional que passara foi grande o suficiente para seu corpo reagir de formas preventivas, o desmaio foi um modo que seu corpo achou para que não surtasse, mas agora, visto que colocou algo determinante em mente, seu corpo estava se adaptando gradualmente.

Para sua sorte o hospital não tinha colocado aquelas roupas — de vergonha alheia — esterilizadas para pacientes, isso facilitaria sua escapatória daquele lugar terrivelmente branco.

Dipper sabia que kill estava na cabana de madeira feito por eles no meio da floresta. Era um lugar sagrado para ambos, pois depositaram muitas horas construindo-a. Não sabia dizer como sabia disso, mas sentia que havia uma ligação entre eles, um pacto não dito entre ambas as partes.

Não foi fácil andar pelos corredores do hospital, porém, como havia muitas pessoas sendo atendidas naquela hora na recepção, foi mais tranquilo se misturar e sair sem que ninguém percebesse.

— Você me deve bons argumentos Kill. — Murmurou enquanto se encaminhava para a floresta.

Estava escurando e Dipper precisava andar mais depressa se quisesse chegar à cabana antes da luz do sol se extinguisse no horizonte.

 

Sua respiração estava ofegante, seu coração batia fortemente no peito enquanto encarava aquela cabana rustica sem uma iluminação visível. Sentia que Kill estava por perto e sentia que precisava de sua ajuda, pois uma parte da dor do ruivo estava chegando até ele.

Respirou fundo e rumou até a porta de entrada, colocou a mão na maçaneta e a girou, abriu sem problemas, até imaginou que estaria trancada. O ambiente estava escuro, mas como decorou cada canto daquela cabana sabia onde encontrar uma lamparina; tateou com cuidado o objeto e a acendeu, iluminando o cômodo devastado.

Aquele lugar estava uma desordem, não sabia dizer como não tropeçou em nada.

Ao que parece, Kill descontou boa parte de sua raiva nos pobres objetos que se encontravam pela cabana. Dipper suspirou novamente, aquele acesso de raiva não era normal nem mesmo para o ruivo.

Seguindo a diante sem tropeçar em nada, o moreno foi até a porta do quarto de Kill, afinal, aquela cabana era um refugio para o demônio que outrora não tinha uma casa própria. Segurou a maçaneta e a girou, porém, dessa vez, a porta não se abriu.

Estava trancada.

— Abre a porta Kill. — Disse alto.

Silêncio.

— Eu não vou sair daqui até você abrir essa porta. — Serrou o punho e bateu forte na madeira. — Eu preciso de resposta Kill.

Odiava saber que sua voz estava arrasada, embora tentasse permanecer firme, estando tão perto dele seu coração murchava, secava e definhava aos poucos.

Bateu novamente, mas nada aconteceu. Encostou sua testa na porta e começou a falar:

— Sabe, eu te odiei por saber das suas atrocidades, odeie mesmo. Não estava acreditando que você seria capaz de umas coisas dessas... Eram apenas crianças. — Sorriu fraco. — Mas como um passe de mágica esse sentimento desapareceu, senti que você estava desesperado, como se sua vida dependesse disso. Não sei explicar sabe, mas sinto que você precisa de mim.

Silêncio.

— Eu não sei o que te motivou a fazer aquilo, eu não quero saber se não quiser contar... Eu... Só quero te ajudar. — Dipper se sentou no chão e repousou suas costas na porta, deixou a lamparina entre suas pernas e se perdeu naquelas chamas.

Silêncio.

Dipper voltou a falar.

— Se lembra de quando fizemos essa cabana? Você não tinha nada e dormia nas árvores. Tivô e Mabel nunca o deixaram ficar em casa, tinham medo que você pudesse fazer algo ruim contra nós, então sugeri que fizéssemos uma cabana para você. Não aguentava te ver na chuva, todo molhado como um cachorro sem dono, tremendo como um condenado e ardendo em febre.

... Eu briguei feio com a Mabel para te trazer para casa naquele dia, até mesmo briguei sua teimosia! Eu não sei dizer quem de nós é o mais teimoso. Você insistia em dizer que estava tudo bem, que não estava ardendo em febre, mas seu rosto e temperatura corporal te denunciavam. Naquele dia você não tinha comido nada, preparei uma sopa de legumes e te obriguei a comer, afinal, Kill Cipher odeia legumes.

Dipper estava certo, Kill estava naquela cabana, mas precisamente trancado no quarto que o mesmo tentara entrar. A posição que se encontrava era a mesma que o Pines, só tirando o fato que o ambiente que estava era preenchido com a escuridão da noite e que suas mãos estavam apertando fortemente seu rosto, abafando o choro de angustia que estava tendo naquele momento.

Maldito Pinetree.” — Amaldiçoou Kill.

Por que aquelas palavras perfuravam dolorosamente o seu peito?

— Cuidar de você não foi fácil, à noite inteira ficou se remexendo por causa da febre. Sabia que você murmurava meu nome várias vezes? Até parecia que era uma mantra para te proteger. Naquela noite dormi com você... Credo até parece contos de gays!

O moreno limpou uma lágrima que escorria pela sua bochecha, era estranho contar aquilo, não sabia por quê.

Kill odiava com todas as suas forças aquele dia, porque foi quando o Pines cuidou tão zelosamente de si, que percebeu que sentia algo diferente por ele e Kill amaldiçoou aquele sentimento ferozmente.

Dipper girou metade de seu corpo e encostou a palma de sua mão na porta de madeira, acariciando-a levemente.

— Eu não sei se seria egoísmo meu, mas... Se tivesse um jeito de pegar toda a sua dor e transferi-la para mim, não pensaria duas vezes.

O moreno ouviu uma movimentação do outro lado da porta e sentiu seu coração palpitar mais forte ao ouvir um click vindo da maçaneta. Dipper quase foi para o chão quando a porta foi brutalmente aberta, revelando Kill com uma expressão assassina no rosto, mas seus orbes escarlates estavam preenchidos por um misto de sentimentos amargos que Dipper lutava para decifrar cada um.

— Eu disse para nunca mais me procurar. — A voz insana do ruivo fez o corpo inteiro de Dipper estremecer.

Os olhos castanhos do moreno desceram para uma coisa brilhante nas mãos de Kill e viu que havia uma faca muito bem afiada em seus dedos, voltou seu olhar para o demônio e antes mesmo que pudesse falar algo, Kill avançou sobre ele prendendo-o no chão.

 

— Gravity Falls —

Seguir em frente nem sempre é o caminho mais fácil.

Dipper parou o carro logo no começo da cidade de Gravity Falls, saiu do veículo e inspirou aquele ar puro, limpo, completamente diferente daquele montueiro de prédios que atualmente estava morando. Aquele lugar era sua paz, impressionante como uma cidade do interior podia ter tanto poder sobre aquelas pessoas que realmente precisavam de descanso.

Era muito bom estar ali de novo. Tantas aventuras que teve quando era somente uma criança ficou gravado em sua memória, até mesmo Bill Cipher era lembrado, afinal, ele foi um vilão magnífico e realmente determinado sobre seus ideais.

Voltou para o carro e seguiu para a Cabana de Mistérios, era uma pena não ter chegado mais cedo, quando o sol ainda iluminava aquele lugar tão espetacular, mas de qualquer modo, estava contente por estar ali.

Não se arrependeu por não ter se mudado para Gravity Falls, embora seja o seu lugar predileto em toda a face da terra, aquela pequena cidade não tinha recursos para dar continuidade a sua carreira profissional. De fato ela cresceu consideravelmente, mas ainda não o suficiente para poder se mudar completamente.

Não demorou muito e logo avistou a Cabana que tanto tinha afeição, foi impossível conter um sorriso de nostalgia, até parecia que fazia anos que não via aquela construção.

O dono da Cabana apareceu na porta, sua expressão era séria, mas logo suavizou ao ver seu sobrinho/neto sair do carro — que por sinal era um dos tops de linha daquele ano — e caminhar em sua direção com aquele sorriso largo nos lábios.

— Oi tivô. — Falou Dipper abraçando-o fortemente sendo retribuído quase que instantaneamente.

— Oi. Nem parece que se passou um ano, você cresceu. — Comentou se separando brevemente.

— Só se for para os lados! — Disse apertando as poucas gordurinhas que ganhou nesse último ano.

Stanford o olhou com admiração, mas também com preocupação.

— Venha, preciso lhe contar uma história.

— Eu não sou mais crianças para ouvir historinhas. — Alfinetou brincalhão, mas logo esse tom mudou completamente ao ver o semblante do mais velho. — O que houve?

— Essa história irá te trazer velhas lembranças.

Dipper franziu o cenho, sentiu que algo não estava nada bem.

 

 

— Deixa-me ver se entendi direito... — Dipper anunciou após ouvir toda a história do que aconteceu hora antes. — Você conhecia Will Cipher, irmão mais ‘novo’ de Bill, quando ficou preso nas dimensões, confere?

— Sim.

— Ele veio até Gravity Falls para ‘ressuscitar’ seu irmão, porque os guardiões das dimensões lhe deram permissão. Confere?  

— Sim.

— Bill Cipher agora está lá em cima — Apontou para cima. — No quarto que compartilhava com a Mabel, depressivo?

— Exatamente.

— Depressivo? — Insistiu.

— Sim. É um pouco difícil de acreditar, mas ele está. Will disse que os sentimentos de demônios são mais ‘intensos’ do que os humanos.

— Realmente é um pouco difícil de acreditar que um demônio estaria com depressão. — O Pines menor sentou-se novamente na cadeira da mesa e focou em algum ponto de sua mão, estava tentando digerir tudo isso.

Stanford o olhou curioso.

— Pensei que fosse ficar com raiva, ou até mesmo tentando a matar Bill, mas você está tão calmo, centrado...

Dipper voltou seu olhar para seu tivô e sorriu.

— Não guardo mágoas do passado Stanford! Sei que deveria odiar Bill por tudo que ele fez a nossa família, mas simplesmente não consigo. Não quero ficar preso ao passado, você sabe que eu sofri muito com vários acontecimentos ao decorrer dos anos.

— Eu sei, mas...

— Nós temos uma vida muito curta para ficar odiando algo ou alguém, Bill está pagando pelos seus crimes, todos merecemos uma segunda chance, então por que ele também não pode ter uma chance de fazer algo que valha a pena?

Stanford desviou o olhar envergonhado. Seu sobrinho/neto realmente era um homem digno e com uma pureza de dar inveja aos anjos, riu ao perceber que Will sempre esteve certo.

— Desculpe. — Disse sincero.

— Relaxa, não estou te julgando. — Comentou sorridente. — Agora precisamos pensar em um plano anti-depressição para o Bill. ‘Tô pensando seriamente em ir lá em cima e arrancar ele de lá... Ele saiu de lá alguma vez?

— Não, está tão calmo que às vezes penso que está morto.

Dipper se levantou abruptamente.

— Ele comeu algo? — Sua voz transmitia preocupação.

— Não.

O Pines mais novo suspirou pesadamente. Sabia como a depressão era uma doença corrosiva, afinal, ele passou vários anos em sua companhia e por isso precisava agir o mais rápido possível.

— Faz um favor para mim? — Stanford anuiu. — Faça uma sopa leve, enquanto isso vou tentar convencer o Bill a tomar um banho e comer um pouco, não posso deixa-lo em um estado tão catastrófico.

— Dipper, como está fazendo isso?

O moreno mais novo olhou para o teto e sorriu, logo seus olhos se cruzaram novamente.

— Depois de entender o contexto dessa história, pensei comigo: se os sentimentos dos demônios são mais intensos do que nós, será que Bill já teve alguém pelo qual se importou? Então decidi que, Bill precisa de uma orientação e atenção. Precisa entender que todo ser vivo é uma joia preciosa e que ele faz parte dessa joia.

Stanford sentiu seus olhos se encherem de lágrimas em pura admiração, realmente aquele garoto cresceu e se tornou um homem maravilho, Safira tinha muita sorte em tê-lo conhecido.

— Faço a sopa sim, não se preocupe. Vai lá enfrentar a fera depressiva.

— Valeu tivô.

Dipper quase correu escada acima, sentia que precisava ajuda-lo e que ele queria ser salvo, não sabia como explicar essa ligação que tinha com o demônio dos sonhos.

Abriu a porta abruptamente e logo o calor daquele quarto abafado bateu em sua pele, viu uma silhueta em sua cama, se não fosse a respiração que movimentava seu tórax, podia jurar que estava morto.

Em passos rápidos foi até a janela e a abriu, deixando aquele ar puro e fresco entrar no ambiente. Bill murmurou algumas palavras em latim e logo se virou para o visitando rude.

— Mas que porra Stanford... — Cortou sua fala assim que percebeu que não era o Pines mais velho que adentrara no quarto e sim aquele que tanto sonhava e aclamava para ir ao encontro. — Pinherinho?

— E aí Bill, há quanto tempo não?


Notas Finais


Oiê, e aí como vão?

Aeee finalmente consegui trazer mais um capítulo, peço desculpas pelo enorme período sem postar XD MAS CÁ ESTAMOS!!!!

Espero que tenham gostado! Dipper de Gravity e Fight são os melhores❤ Né não? Tem como não amar eles?
No próximo capítulo terá mais interações de BillDip, KillDip e o motivo de Will querer ir à cidade! Mabel não está tão cruel aqui ❤

Muito obrigada pelos comentários e favoritos, fico extremamente alegre em recebe-los ❤❤❤❤
Desculpe pelos eventuais erros :c

Enfim, espero profundamente que tenham gostado e gostaria de saber quais sãos suas teorias a partir desse capítulo XD
Até o próximo~❤
~sweet


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