História Surrogacy ( Mpreg) - Capítulo 5


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Categorias EXO
Tags Chanbaek, Chenmin, Hunhan, Kaisoo, Menção!namjin, Menção!taekook, Sulay, Xiuchen
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Palavras 7.050
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Ficção Científica, Lemon, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi Meus Amores!!
Que saudades que eu estava!!!
****GENTE HOJE É MEU ANIVERSÁRIO!!! MAS O PRESENTE É DE VOCÊS!!****

Boa Leitura!!!

Capítulo 5 - Capitulo- 05.


O dia amanheceu nublado com nuvens pesadas encobrindo o brilho dos raios solares, e as bolsas arroxeadas embaixo dos olhos cansados e vazios sem esperança, evidenciavam claramente que o primeiro-cavalheiro nem se quer havia conseguido dormir na noite anterior.  Ele desesperou-se quando seu filho não respondeu aos seus chamados e entrou no cômodo encontrando algumas roupas faltando no closet - assim como uma mochila -, Baekhyun certamente atordoado fez a pior escolha optando pela fuga sem testemunhas, os empregados e seguranças não tinham noção de onde o garoto estaria, aquela sensação o angustiava profundamente deixando que um sentimento de culpa o tomasse.

Luhan sentia a incapacidade lhe algemar naquele quarto com decoração adolescente, os objetos deixavam explícitos os gostos do menino de sorriso faceiro. As lágrimas teimosas acumulando-se nos cílios escorrendo até o queixo fino, o rosto de traços belos agora perdia o viço da beleza arrebatadora, trocando o posto por uma expressão exausta observando uma fotografia onde eles dois foram retratados num abraço invejável na imagem capturada pela câmera - num aniversário realizado na residência do melhor amigo do filho.  Ele talvez pudesse ter evitado toda aquela confusão, mas temia represálias do marido autoritário que governava a vida de todos eles como nos tempos do regime militar, impondo regras que fossem de acordo com suas questionáveis conveniências.

— Acho melhor você sair daqui, ficar se torturar não vai mudar nada! — O prefeito imperou, desabotoando os botões pretos do terno suntuoso que vestia, ostentando uma face inabalável; nem um furacão tiraria a serenidade impregnada ali. — Ele não foi muito longe, os policiais o encontraram cedo ou tarde... — Disse despreocupado.

— Como você consegue ser tão tranquilo? Até parece que estamos tendo uma agradável conversa durante um chá da tarde, e não falando do nosso filho desaparecido. — Indignou-se revoltado falando entre dentes, lançando um olhar assassino em sua direção.

— Ele foi embora com as próprias pernas, ninguém o arrastou! — Beomkye rebateu abanando a mão, fazendo pouco caso, pois preocupava-se mais que a história acabasse vazando na mídia. — Quando aquele moleque aparecer, nós vamos aproveitar a prisão daquele aproveitador de menores para fazer o que seja necessário. — Comunicou, parecendo imparcial imitando os jornalistas ao darem noticias ruins nos telejornais usando um sorriso forçado.

— O Chanyeol está preso? — Luhan afastou-se da cama sobressaltado. — Você enlouqueceu... Como teve coragem? — Indagou assustado, vendo que seu esposo cumpria com as ameaças feitas.

— Desde ontem, o promotor é meu amigo e me devia alguns favores, eu apenas cobrei do jeito certo. Tome como lição meu amor! — Existia uma intimidação disfarçada de ironia nas frases proferidas, misturada com o escárnio presente dançando no rosto conservado. — Não queira ser o próximo alvo... — Estavam num conflito de interesses, ele almejava ser primeiro-ministro e estava disposto a fazer qualquer coisa pelo alto cargo; até sacrificar quem atrapalhasse.  

— Seja prefeito, ou a porra que você quiser. Mas sozinho, porque quando o meu filho for encontrado eu vou embora dessa casa! — Sentenciou perdendo o medo, soltando as amarras que prendiam sua vida a um casamento infeliz. — Procure outra pessoa que possa pousar ao seu lado nos eventos para as fotos, estou oficialmente me separando de você hyung. Já chega!

— Pode ir, é problema seu afinal, mas se você for, Baekhyun fica comigo. — Vociferou ameaçador.

— Você não tem direito nenhum sobre ele! — Xiao retorquiu furioso enfrentando-lhe pela primeira vez. — Estou protegendo a minha cria, e te aconselho a não ficar no meu caminho... Você quer saber a verdade? Então vou te contar... Eu te enganei todos esses anos... Quando nos casamos, eu estava com praticamente dois meses de gestação. Baekhyun não é seu filho! — Disse secamente revelando seu maior segredo, tendo um fardo retirado da consciência. Observou-o perder a empáfia habitual encarando vagamente o chão, sabendo que atingirá seu ponto fraco, mas não esperou por suas reações e lhe deu as costas, deixando o prefeito sozinho meio perdido para trás, tentando processar aquela informação. 

 

(...)

Os passos apressados invadiram o extenso corredor repleto de celas onde os presos temporários, ou somente detidos eram colocados, esperando que o delegado responsável chegasse para ocupar o turno do antecessor, e serem interrogados prestando esclarecimentos sobre suas acusações na presença de um advogado particular, ou defensor público.

Ele comprimiu os dedos nas alças metálicas da maleta que levava com os documentos necessários no interior dela, até eles ficarem brancos nas dobras, o engenheiro meteu-se numa complicação sem tamanho, e o ligou logo cedo pedindo ajuda porque eventualmente tinha direito de fazer uma ligação, o filho mais velho dos Kim como o advogado extremamente requisitado que era, atuava em várias áreas, mas criminalística sempre fora seu forte, então fazer defesas primorosas tornou-se uma de suas especialidades para sorte do grandão.

— Jongin graças aos céus que você veio, eu estou mofando aqui dentro! — Chanyeol lhe cumprimentou sorrindo aliviado, enlaçando as grandes mãos pálidas nas grades geladas de ferro escuro que tinham a pintura descascando. Seu amigo franziu as sobrancelhas diante da cena deplorável observando a camisa amarrotada do outro.

— Claro que viria hyung, eu jamais abandonaria você nesse momento difícil, Amigos servem nas boas e más circunstancias. — Finalizou solidário, um laço fraterno inquebrável os unia; indo muito além de uma mera amizade.

— Pelo o que eu entendi... A denúncia foi feita pelo promotor Seo aquele homem é unha e carne com o prefeito, Beomkye encabeçou essa prisão, tenho certeza absoluta disso, mas eles não disseram qual acusação afinal, eu só poderei falar na presença do advogado! — O Park explicou aflito.

— Estupro de vulnerável, ou seja, estamos em maus lençóis porque Baekhyun desapareceu, e ninguém encontrou seu garoto até agora! — Jongin não pretendia espalhar o pânico, todavia, era direito dele saber toda a verdade sem panos quentes. — Passei no fórum no caminho entrando com um pedido de habeas corpus liberatório. Você é réu primário, tem bons antecedentes e residência fixa, e não existem provas contundentes que resultem numa possível condenação, o juiz pode expedir a qualquer instante, mas um depoimento da “vitima” ao seu favor ajudaria extremamente, serviria como sua tabua de salvação agora. 

— Que merda... Espero que ele esteja bem, e o meu filho também. — Murmurou pensativo crispando os lábios naturalmente avermelhados, sem forças suficientes nas longas pernas esguias ele sentou na cama improvisada da cela.

— Entendo sua preocupação, por que vou ser pai muito em breve. A inseminação deu certo, o garoto engravidou! — Soltou tentando segurar o sorriso atrevido e feliz que consequentemente rasgou seu rosto, afinal seria impossível impedir aquele ato.   

— Parabéns, eu fico feliz de verdade... Pelo menos uma noticia boa para animar meu primeiro dia como futuro presidiário... — Ironizou rindo sem humor da conotação cômica que deu a frase, o moreno apenas revirou as orbes acastanhados, ambientado com seu temperamento, porque o maior tinha o péssimo habito de debochar da própria desgraça.

— Seja menos dramático por obsequio! — Pediu torcendo o nariz fazendo cara de tédio.

— Ninguém usa mais esse tipo de palavra atualmente, você é um idoso na alma senhor Kim... — Devolveu sarcástico erguendo as sobrancelhas.

— Cala a boca hyung! — Jongin mandou descontraído, esperariam até serem chamados para prestar esclarecimentos, pelo que percebeu, o principal acusado parecia menos tenso que ele próprio.

 

(...)

Sehun usou inúmeros argumentos e artifícios que o fizessem mudar de ideia, mas infelizmente o adolescente mostrou-se irredutível, pois escutou sua conversa no telefone com o delegado que ficara no plantão, e quase desmaiou ao ouvir o nome do amado sendo citado pelo homem como acusado de estupro. Baekhyun bateu o pé insistindo até o platinado desistir esgotado, concordando apenas por não encontrar alternativas, depois que tomaram café da manhã as pressas saíram rumo à delegacia.

— Eu deixei que você viesse comigo, mas obviamente com uma condição. — O mais velho ditou recebendo um bufar contrariado. — Ligue agora mesmo para o seu responsável, não posso levar-lo de volta para meu apartamento. Se alguém descobrir pode interpretar de forma errada, posso acabar sendo afastado do meu posto, os policiais em geral são naturalmente desconfiados. — Finalizou lhe passando seu aparelho celular, retirando-se do interior do veículo encaminhando-se para a recepção, dando privacidade ao menor que conversava com algum dos seus genitores -, fora simples deduzir por que ele chorava pedindo desculpas por ter sumido sem avisar.

— Pronto agora você pode autorizar minha entrada? — Perguntou passando o Iphone ao dono, lançando um olhar esperançoso. — Meu omma está vindo! — Informou arrumando as mangas da camisa impaciente.

— Vem comigo... — Sehun chamou passando um dos braços ao seu redor, assim ninguém faria perguntas inapropriadas incomodando-os sem necessidade. A maçaneta foi destrancada relevando um homem de cabelos numa tonalidade rosada, acompanhado obviamente do advogado que usava algum terno de marca famosa, ambos com suas atenções voltadas ao delegado, mas foram eventualmente interrompidos, quando o homem alto abraçou calorosamente seu baixinho, ignorando os olhos alheios sobre eles trocando selinhos apaixonados no processo.

— Isso aqui não é um motel, então recomponham-se agora mesmo. — O delegado Kim Namjoon mandou, revirando os olhos por presenciar tal cena, recordando quantas vezes algo semelhante havia acontecido em sua sala. — O que está fazendo aqui Sehun, essa não é sua jurisdição, e a policia civil trabalha com investigações, porque está acompanhando a suposta vitima desse caso? 

— Sinto muito hyung, essa é uma longa história, mas simplificando ele apenas me pediu ajuda, não tenho nenhum envolvimento legal nisso, estou somente cumprindo meu papel como cidadão. — Explicou-se evitando criar problemas, conhecendo o forte temperamento do homem.

— Podemos continuar senhor delegado? O senhor Park é meu cliente, como mencionei anteriormente, ele vai responder todas as perguntas que forem necessárias, mas espero que aceite o depoimento do menor para ser anexado aos autos da defesa, contudo, estamos esperando o habeas corpos... — Jongin avisou de antemão, iniciando em seguida um dialogo enfadonho, usando aqueles termos complicados de entender durante a conversa deles, dando introdução aquela típica linguagem que apenas os estudados em direito sabem utilizar.

— O menor será ouvido! Considerando sua competência, eu presumo que esteja tudo encaminhado, afinal de contas não é por menos o inegável fato da sua família ter o melhor escritório de advocacia dessa cidade doutor Kim, seu pai sempre foi bastante reconhecido nessa profissão, quem procura vocês dificilmente permanece numa situação complicada por muito tempo, um momento... — Namjoon refreou suas palavras atendendo ao telefone que tocava, soltando murmúrios resignados de concordância, solicitando que sua assistente entrasse entregando-lhe um papel assinado pelo juiz, fazendo um sorrisinho satisfeito delinear discretamente os lábios cheios do Kim mais novo. — Como eu esperava, seu cliente está livre e provavelmente responderá em liberdade, caso realmente haja um processo depois disso. — Informou levemente contrariado, pedindo que o adolescente sentasse na cadeira enquanto seu depoimento era recolhido pelo ágil escrivão diante dum computador.

— Prisão arbitrária por insuficiência de provas, meu cliente poderia processar-los, mas esse não é nosso interesse, então tenha um bom dia delegado! — Exclamou levantando-se arrumando seu terno, eles apenas trocaram um breve aperto de mãos.

— Igualmente doutor Kim... — Namjoon falou dispensando-os para fora.

 — Eu vou rapidinho pegar alguns documentos, vocês podem aproveitar. — O moreno aconselhou sorrindo para o casal, que ficaram parados num dos corredores meio vazios.

— Onde esteve? — O engenheiro perguntou beijando sua testa com ardor, abraçando-lhe novamente porque estava consumindo-se em saudades do pequeno.

— Aquele policial que veio comigo foi quem me ajudou, nós nos conhecemos faz algum tempo, eu fiquei na casa dele. — Contou sem soltar da cintura do maior que o manteve entre seus braços musculosos.

 

Sehun encontrava-se apoiado distraidamente no balcão da recepção, checando algumas notificações no aparelho celular, avisando aos colegas de trabalho que provavelmente chegaria atrasado, pois ainda queria despedir-se do adolescente para poder finalmente ir embora, até uma voz inesquecível preencher seus tímpanos trazendo-o de volta ao passado, como quem toma um doloroso soco diretamente no estômago. Ele apertou as pálpebras de forma descrente, pois só tinha uma explicação; sua mente eventualmente perturbada estava pregando-lhe uma peça sem graça nenhuma, então virou-se encarando a entrada, era inacreditável que fosse a mesma pessoa falando com uma das recepcionistas exigindo informações da mesma.

— Hannie? — Saiu num sussurro, então o mencionado encarou-lhe ficando automaticamente perplexo.

— Sehun... — Seus olhos queimavam - em lágrimas não derramadas -, observando o belíssimo homem loiro estático olhando de volta igualmente chocado. Sehun continuava extraordinariamente atraente, fazendo-o recordar dos tempos passados de juventude quando amavam-se incondicionalmente, sem pensar nos riscos, por que o amor gritava forte a plenos pulmões, ninguém foi suficientemente capaz de sanar o vazio que corroeu seu interior por anos afio. — Deuses é você. — Luhan soltou atordoado, liberando sua emoção contida, alguns funcionários e policiais começavam a chegar e passavam por eles, tentando não parecer intrigados diante da cena. — Não consigo acreditar... — Falou limpando precariamente a face úmida comprimindo os lábios róseos.

— Eu... — O platinado precisou reunir todo seu autocontrole existente para não tomá-lo nos braços, e consumir sua boca. Indagando-se secretamente se o beijo dele talvez ainda tinha o mesmo sabor. — Senti saudades... — Confessou invadido por uma coragem desconhecida, num impulso impensado o abraçou apertado, sentindo a cabeça alheia repousando em seu ombro, o menor chorou porque precisava sentir-se seguro novamente, suas mãos grandes escorregaram na coluna agarrando-se no tecido da camisa azul escura, envolvendo os dedos naquela região com força.

O chinês suspirou retomando seu fôlego, pois o maior ainda completava os fragmentos dos seus sentimentos estilhaçados e mal tratados, vivendo num relacionamento que apenas lhe proporcionava tristeza e insatisfação, o maior vendo-o tão fragilizado também rendeu-se a emoção daquele reencontro, dando vazão ás lágrimas salgadas umedecendo suas lindas orbes celestes, colocando seu rosto entre as mãos cumpridas observando sua face, notando como tempo havia lhe proporcionado um semblante mais bonito do que realmente lembrava.

— Você me fez tanta falta hyung... — Falou choroso soltando-se vagarosamente do loiro. — Passei por momentos ruins sozinho.

— Poderia ter sido diferente... — Ele puxou as palmas menores reconfortando-as no calor que irradiava das mãos tremulas do mais jovem. — Mas ao que devo a presença do ilustre primeiro-cavalheiro da cidade, nesta pequena e humilde delegacia? — Interrogou curioso.

— Omma? — O adolescente surgiu do corredor oposto franzindo seu cenho, percebeu uma movimentação estranha e acabou flagrando o contato surpreendentemente íntimo dos dois homens, que perderam a compostura quando viram o menino semicerrar os olhos de modo desconfiado.

— Graças aos céus você apareceu moçinho, eu quase morri desesperado sem saber seu paradeiro! — Ralhou puxando carinhosamente seu corpinho para juntar-se consigo.  

— Ele é seu filho... — Murmurou deixando a ficha cair fazendo-o entender, finalmente conciliando as semelhanças físicas assustadoramente idênticas - eles dividiam um laço sanguíneo -, fazia sentindo como peças de quebra-cabeça encaixando-se e formando um desenho perfeito, o primeiro pensamento que lhe ocorreu foi sua conversa com o ex-colega de faculdade, quando o mesmo comentou casualmente sobre a gravidez do estrangeiro há exatamente 17 anos atrás, as pontas soltadas foram ligadas acendendo todos os alertas em sua mente, o ruivinho explicava nos mínimos detalhes como havia sido ajudado, dizendo que fora acolhido na residência do platinado, e auxiliado por seu simpático vizinho.

— Hyung, você está sentindo alguma coisa? — Baekhyun questionou terminando o relato, notando que o policial tinha a visão meio desfocada, seus membros pareciam inertes deixando-o momentaneamente paralisado.

— Não, está tudo bem... —Tranquilizou falando fracamente recobrando os sentidos básicos.

— Então vocês se conhecem? — A curiosidade típica da idade imperou - saindo nada sutil -, porque queria respostas no mínimo convincentes.

— Fomos amigos há anos atrás! — Luhan adiantou-se antes que o maior falasse demais, imaginando que conversaria com seu garoto em breve - não pretendia esconder nada dele -, no entanto, aquela não era a hora certa, então trocou olhares cúmplices e de maneira silenciosa soube que teriam outra ocasião propicia, resolvendo não prolongar mais aquele assunto.

Os devidos trâmites legais duraram menos que o previsto, logo após o habeas corpos ser expedido, possibilitando do engenheiro não necessitar mais da prisão preventiva para manter-lo atrás das grades, ira apenas obedecer algumas restrições como: não viajar para fora do país sem comunicar a justiça, em casos de extrema necessidade apenas esperaria uma autorização judicial que o libera-se.

— Nós precisamos conversar! — Sehun apressou-se em segurar-lhe o pulso, antes que o homem partisse temendo um novo afastamento; eles tinham muitas coisas para serem acertadas. — Quando vamos nos encontrar? — A pergunta deslizou involuntariamente ansiosa, mais do que gostaria, aliás.

— Eu francamente não posso afirmar nada Hunnie... — Luhan não pode resistir em chamá-lo usando o antigo apelido afetuoso que lhe deu nos tempos de namoro. — Minha vida anda complica, mas seu número ficou gravado na memória do meu celular, então quando as coisas acalmarem, eu te procuro. — Garantiu libertando a mão, ele sabia que Beomkye não tivera nenhuma reação intempestiva, mas quando começasse a organizar sua partida da mansão ele iria tentar interferir. — Não quero envolver você nos meus problemas hyung!

— Caso não tenha notado eu ajudei seu garoto, estou envolvido nisso até o pescoço, mas entendo que seja difícil, apenas não desapareça... Por favor. — Seu pedido saiu num fio de voz entrecortada, ele não suportaria perder-lo agora que se reencontraram. — Sinto uma ligação muito especial com... Seu filho, não me afaste dele!

— Jamais faria isso! — Garantiu prontamente com veemência. — Até porque, preciso contar algo muito sério... Nós nos vemos depois. — Depositou um beijo suave e discreto no maxilar alheio, sua frequência cardíaca aumentou alarmante reacendendo o fogo daquela antiga paixão nunca esquecida - só adormecida -, o policial sorriu descrente, quem sabe estivessem recebendo uma nova oportunidade.

 

Chanyeol agradeceu pelo trabalho ágil e enérgico do moreno em lhe defender, depois daquilo o advogado despediu-se rapidamente das pessoas presentes no recinto saindo em sua BMW X6 escura quatro portas edição de luxo, os braçinhos curtos rodearam-lhe a cintura afagando o local, automaticamente seus lábios carnudos beliscaram os do menor num beijo singelo.

 — Você vai ficar no mesmo hotel onde estou hospedado, seu pai pode tentar algo contra nosso bebê. — O de madeixas rosadas declarou preocupado, não considerava uma boa ideia eles sendo forçados a conviverem juntos, principalmente sabendo que seu sogro - demasiadamente mais amigável -, também concordava.

— Eu sei amor! — Aceitou inspirando o aroma inebriante amadeirado que preenchia suas narinas. Um taxi estacionou próximo do casal, e uma loira alta vestida elegantemente saiu do veículo caminhando altiva sob finos saltos, a modelo internacional trajava um vestido chique e discreto como sempre.

— Fico feliz em ver-lo solto oppa! — Minhee cumprimentou cordialmente seu ex-marido sorrindo abertamente, retirando os óculos escuros do rosto, e pondo a bolsa carteira embaixo do braço. — Como estão? Espero que tenham conseguido resolver tudo.

— Estamos bem, obrigado noona... — O baixinho afirmou educado, sentindo-se verdadeiramente grato por sua preocupação.

–— Ele me contou que você o ajudou, nem sei como começo agradecendo. — Falou meio constrangido, jamais esperando tanta compreensão alheia.

— Imagina... Guardar rancor só afeta quem sente. — Concluiu jogando os ombros magros. — Quero ser alguém diferente.

— Por que tantas malas, vai viajar? — Interrogou vendo as bagagens amontoadas no banco traseiro do automóvel, prevendo que deveriam existir muitas delas no porta-malas.

— É... Isso é seu agora! — Declarou estendendo um chaveiro colorido, colocando o objeto pequeno na mão do engenheiro que mirou as chaves visivelmente confuso. — Decidi encaminhar minha vida sozinha, vou viver no Japão por uns tempos, estou de mudança temporária por conta do trabalho. Vocês podem morar no apartamento, eu deixei tudo organizado, é mais seguro, e longe do prefeito, afinal aquele imóvel sempre foi seu oppa. — Aconselhou demonstrando uma bondade que a loira raramente permitia transparecer. — Quero que vocês sejam felizes juntos... Como eu serei também nessa nova fase. — Pegando-os completamente desprevenidos, ela os abraçou. — Quando esse moleque nascer mandem fotos, até algum dia... — Falou balançando os dedos enquanto retornava ao taxi que logo sumiu numa esquina próxima.

— Ela é uma grande mulher. — O adolescente observou enciumado, e sentindo-se culpado também. — Você estar arrependido de ter-la perdido hyung?

— Minha ex-mulher é uma pessoa realmente incrível, eu nunca pensei diferente, por essa razão foi honesto durante nossa separação, mas como dizem... Por trás de um grande homem, existe um pequeno garoto. — Fez trocadilho modificando o ditado - claramente gracejando da insegurança infundada do menino.

— Não seja assim comigo hyung! — Retrucou entrando na brincadeira, mas sendo beijado outra vez.

(...)

 

 Alguns Dias Depois...

O clima no jardim adornado por uma gama especial de espécies raras de flores deixava o ambiente relaxante, e totalmente propicio a degustarem seu desjejum, sem que fosse preciso ocupar a mesa da cozinha, então as empregadas serviram as mulheres ali.  

— Nossa sério que ela agiu assim? Estou surpresa... — Yoona confessou levando uma xícara de porcelana chinesa aos lábios, inevitavelmente manchando as bordas delicadamente decoradas com seu gloss rosa perolado.

— Minhee enlouqueceu de vez! — Somin ditou estarrecida pelo comportamento espantoso da modelo, que ligara contando os últimos acontecimentos porque sempre foram bem próximas, e geralmente trocavam confidencias. — Ela deveria ter escorraçado aquele maldito moleque que destruiu o casamento dela, quem sabe ele sofresse algum acidente grave perdido nas ruas, e perdesse o bebê. Tenho certeza que Chanyeol oppa voltaria feito um cachorrinho, com o rabinho entres as pernas... — Sua maldade irradiava, enjoando qualquer pessoa que tivesse boa índole, a morena não via problemas em tripudiar dos outros. 

— Bom, eu prefiro não me envolver nesses assuntos, afinal são questões de gosto pessoal. — A ruiva disse jogando os cabelos relativamente longos tirando “o corpo fora”, achando que aquilo não dizia-lhe respeito. — Mas você e Jongin oppa, como estão? — Quis saber do cunhado - não que tivesse interesse -, foi apenas para manter o assunto fluindo.

— De mal, a muito pior... Andando até o abismo mais próximo sendo especifica, tem dias que eu nem suporto olhar no rosto dele. — Reclamou com desprezo, sentindo-se ligeiramente sendo jogada de escanteio.

— Eu achei que vocês se amavam? — Questionou curiosa pelas palavras reveladoras da amiga, por que aparentemente tivera uma impressão no mínimo equivocada do casamento deles.

— Ele era louco por mim fazia tempo... Desde nossa adolescência, me casei por que quero garantir meu futuro, tendo em vista que o dinheiro da minha família não vai durar uma eternidade, foi tudo por conveniência... Talvez tenha me deixado levar no começo, afinal ele é um homem atraente, mas conforme o passar dos anos apenas constatei que jamais vou conseguir amar-lo de verdade, ainda mais agora que ele está se transformando num idiota completo, mas dificilmente deixará de ser um joguete nas minhas mãos... Minha família não tem mais o mesmo dinheiro de antes, eu precisava engravidar para garantir meu futuro, tendo uma criança em meu poder eu pediria a separação, e arrancaria praticamente toda fortuna deles! — Ditou friamente, vendo-a arregalando seus olhos na direção oposta, fazendo um movimento estranho para que a morena parasse de falar.

— Talvez eu não tenha ouvido direito, você poderia repetir noona? — Jongdae indagou irritado, cruzando os braços enquanto aguardava uma justificativa. — Jongin certamente adoraria saber também! — Confrontou assistindo-a perder momentaneamente a fala sentindo a garganta fechar, a opinião formada que tinha sobre a duvidosa conduta da mulher, apenas tomou proporções maiores naquele instante, seu coração pulsava bombeando sangue rapidamente para as veias aceleradas tamanha a indignação que lhe acometeu, sentir pena tornou-se inevitável, seu irmão mais velho merecia alguém que fosse digno de receber todo o amor que ele tinha a dar, correspondendo com intensidade igual. — Coitado do hyung... — Fez um maneio negativo de cabeça, enfiando as mãos nos bolsos pouco espaçosos da calça jeans que cobria suas pernas. — Você é simplesmente a pior espécie de gente interesseira, que eu já tive o desprazer de conhecer nessa minha vida! — Sentenciou inconformado pela forma absurdamente natural com a qual a morena proferiu aquelas frases. — Ele é seu marido, e você não tem absolutamente nenhum respeito quando se refere nesses termos.

— Amor isso não é assunto seu, deixe eles dois se resolverem sozinhos depois, fique fora disso! — Sua noiva interveio, querendo apaziguar os ânimos começando a se exaltarem, Yoona nunca fora algum poço de descrição ambulante porque costumava arrumar complicações onde estivesse, mas em todo caso, preferia evitar conflitos na família Kim.

— Meu assunto é com a Somin-noona, poder ir embora se quiser... — Cortou duramente indicando a direção da saída com o dedo sem ao menos lhe encarar, pois as orbes acastanhadas quase cafés estavam fixadas num ponto especifico sem desviar, a ruiva contrariada pegou sua bolsa e saiu bufando, enquanto soltava xingamentos ininteligíveis - aquilo renderia uma bela discussão depois -, mas ele não iria preocupar-se com isto por enquanto, seria seu problema mais insignificante agora fazendo comparações com as devidas circunstancias - tinha coisas mais urgentes esperando.

— O que pretender, vai fazer ameaças? Quem sabe chantagem, ou vai sair espalhando feito um fofoqueiro sobre minhas confissões? — A mulher testou desafiadora, unindo as sobrancelhas esperando intimidar seu cunhado. — Seu irmão é cego por mim, jamais acreditaria em você, seria um acusando o outro... Pura perca de tempo.

— Infelizmente é direito do meu irmão, lidar o imerecido benéfico da dúvida, mas essa possibilidade não me impedirá de contar o que ele deve saber, duvido ter caráter e ser mulher suficiente assumindo o que pretendia fazer, se acovardar é muito fácil... Você e Yoona são bastante parecidas nesse aspecto, sabem atacar qualquer pessoa pelas costas como venenosas cobras traiçoeiras, mas quando confrontadas, ficam bancando as vitimas da história... — Ser perspicaz era somente uma das suas qualidades, o caçula da família sabia muito bem quem realmente era sua noiva, começando a imaginar seu casamento ficando num futuro cada vez mais distante - arriscando que nem chegasse a acontecer. — Ele vai saber toda verdade por mim, pode negar quanto preferir está ao seu critério, sinta-se à vontade, eu vou me encarregar pessoalmente para te ver fora das nossas vidas, porque felizmente você não teve nenhum filho dele para usar como moeda de troca. — Sussurrou num tom friamente ameaçador, Chen sempre foi protetor em relação ao advogado - invertendo o quadro comum onde geralmente são os primogênitos que zelam pelo bem estar dos mais jovens -, não o contrário. — Eu não sou um cara mal noona, mas prometo que as coisas serão diferentes agora! — Ditou afastando-se do jardim desaparecendo na porta da cozinha.

— Droga, e agora? — A morena perguntou-se completamente arrependida da burrada que fizera, serviria de lição numa próxima oportunidade - certificar-se-ia de que ninguém estaria ouvindo.

 

 (...)

As colheradas cheias eram engolidas com vontade pela boquinha rosada da pequena garotinha - onde poderia ser notado os indícios dos primeiros dentinhos de leite que começaram a surgir nos últimos meses, Jinsoo devorava sua deliciosa papinha de frutas amassadas que consistia numa pasta homogênea de cor amarelada.

— Sua gulosa! — Minseok comentou sorrindo bobamente beijando a bochecha gordinha da pequena, apreciando o apetite invejável de sua filha, e a menininha devolveu mostrando as gengivas mais avermelhadas fazendo escorrer migalhas do que engolia sujando a roupinha. — Quando terminar você vai tomar banho, e dormir. — De repente a porta foi aberta revelando o professor completamente desolado, Seokjin repousou seus instrumentos de trabalho na mesa simples que havia num canto afastado da sala acariciando os curtos cabelos escuros da única neta após o processo. — Por que chegou tão cedo omma? — O garçom estranhou, pois o mais velho nunca chegava naquele horário atípico, então checou o relógio que marcava trinta minutos para meio-dia.

— Meu bem, nossa situação financeira complicou de verdade agora. — Seokjin disse bufando frustrado. — Eu fui demitido, porque a escolinha onde estava trabalhando vai fechar, devido à quantidade de crianças que vem diminuindo, então o dono desistiu alegando que seria impossível continuar mantendo o local tendo tantas despesas! — Contou sem rodeios. — O que você ganha na boate não é o suficiente... — Falou constatando o óbvio, assistindo seu filho suspirando profundamente.

— Pelos céus, nós estamos perdidos omma. — O arroxeado apoiou sua testa contra a mão, passando seus dígitos entre os fios buscando freneticamente alguma solução de emergência, mas vendo todas as portas fechadas.

— Nem tanto assim... — Jin iniciou cauteloso. — Jinsoo tem muitos gastos com remédios, acompanhamento médico e alimentação, sem contarmos os outros custos. Sua filha tem um pai podre de rico que pode perfeitamente arcar com as despesas dela, é obrigação daquele homem, afinal você não a fez sozinho, não pode mais fugir disso agora Minseok, precisa procurar-lo o mais rápido possível! — Sentenciou sabendo que não tinham opções.

 

(...)

 

Suas iris acastanhadas consequentemente embaçaram ouvindo o caçula da família repetir as palavras ditas por sua esposa, Jongdae detestava absolutamente ser o portador daquelas informações, mas eles nunca tiveram segredos, então seria injusto permitir que continuasse sendo manipulado pela mulher com quem planejou viver até envelhecerem, sendo que esta simplesmente não lhe suportava, os sonhos que esperou realizar ao lado dela desmanchavam-se feito castelos de areia mal construídos na praia, bruscamente arrastados pelas ondas revoltas.

O irmão mais novo relatou triste, vendo-o profundamente decepcionado, deixando claro como estava sendo complicar lhe contar aquelas coisas, apenas porque eram irmãos e ficar escondendo tantas evidências resultaria num grande peso em sua consciência, entendendo também que o maior logo perceberia algo errado e ele acabaria contando de qualquer maneira, pois sabia que o advogado escondia um coração de manteiga camuflado atrás da postura rigorosa que a profissão de direito exigia, o moreno fungou timidamente inspirando na tentativa de se recompor como conseguisse, pegou a maleta, e silenciosamente venceu os lances da escada levando-o para o andar superior, deixando o loiro ter consciência do que estaria vindo depois daquela reveladora conversa.

A morena encontrava-se despercebia digitando algo no teclado do notebook , ela girou a cabeça dando-se conta da presença do marido largando o computador portátil no criado-mudo.

— Oi amor! — Cumprimentou falsamente eufórica roubando um selinho que foi correspondido friamente, caso beijasse uma pedra de mármore não teria diferença. — Nem sabia que você vinha almoçar em casa hoje...

— Ao invés de amor, você deveria usar novos termos como “joguete”, por exemplo, afinal é apenas isso que eu sou na sua vida. Não foi assim que me classificou mais cedo? Esse seria seu grande plano, engravidar, para depois usar uma criança inocente para me chantagear, porque na verdade você é mesquinha, só em pensa em dinheiro, sempre querendo levar vantagem nas coisas. — Acusou magoado. — Nem tente disfarçar por que meu irmão não inventaria algo assim ao seu respeito injustamente, ele é um homem integro, ao contrário de você, jamais cometeria falsas acusações... Pena não poder fizer o mesmo da minha queria esposa.

— Jongdae exagerou por que nós nunca nos demos bem, eu estava irritada com você, acabei soltando sem querer. — Tramou uma desculpa convincente; falhando miseravelmente.

— Posso parecer ás vezes, mas não sou otário! — Retorqui bravo elevando a voz costumeiramente calma. — Você sempre me manipulou usando um falso amor que nunca existiu... Talvez nosso casamento tenha acabado há séculos, mas eu preferia continuar mantendo minha ilusão, achando que magicamente as coisas fossem mudar, e elas apenas pioraram. — Constatou amargurado, o celular dentro do bolso vibrou indicando uma chamada, ele tomou distancia para atender quando o nome do baixinho de olhos marcantes aluminou-se na tela. — Oi! — Disfarçou a tristeza aparentando normalidade.

— Hyung... — O rapaz exclamou timidamente, cogitando a possibilidade de ter eventualmente ligado numa hora ruim, achando sua voz estranha. — Eu estava evitando ligar para não incomodar-lo, acontece que você me deu carta branca nesses momentos de emergência. Estou sem comida em casa!

— Pelo amor dos deuses garoto, por que não avisou antes? Estou chegando dentro de alguns minutos, então fique me esperando! — Avisou, conferindo as horas notando que poderia tomar um banho e trocar suas roupas antes de sair novamente, ouvindo-o agradecer ao final da ligação afirmando que estaria lhe aguardando.

— Você vai sair justamente agora? — Reclamou assumindo uma postura corporal perplexa, notando como seu marido simplesmente atendia de imediato aos chamados daquele garoto intrometido.

O moreno simplesmente não respondeu-lhe por que era retórica, ela sabia exatamente sua resposta, após ter tomando banho, ele enfiou-se no closet trocou suas roupas, vestindo peças mais casuais e confortáveis, pegou as chaves do automóvel ignorando a existência da mulher que brigava consigo inconformada, ouviu algum vaso caro estilhaçando-se ao atingir a madeira polida da porta junto com seus berros furiosos, dando graças aos céus por seus pais terem saído para almoçarem juntos, caso contrário, Yixing não deixaria aquele escândalo barato e eles teriam um confusão generalizada acontecendo, acabou solicitando para que alguma empregada arrumasse suas coisas, pois iria mudar-se para o quarto de hóspedes disponível, não aceitando mais dividir a  mesma cama com aquela mulher histérica demais.

 

Kyungsoo recepcionou-lhe gentilmente exibindo um sorriso arrebatador, ajudando-o a carregar as incontáveis sacolas que trouxera do supermercado, afinal comprou mantimentos numa quantidade considerável para que durassem bastante.

— Tem comida para um verdadeiro batalhão aqui. — O pequeno comentou admirado, guardando os frios no congelador da geladeira simples, ele próprio nunca conseguira fazer nada semelhante com os salários que costumava ganhar.

— Gestantes precisam se alimentam de três em três horas no máximo, são recomendações médicas! — Soou como algum profissional da área gabando-se do seu conhecimento.

— Sou apenas um reles mortal que não pode questionar você. Vou preparar uma comida decente, me acompanha? — Convidou sem graça esperando recusa, o moreno certamente estava acostumado com pratos requintados.

— Quer saber... Eu aceito! — Concordou ganhando um novo sorriso, eles conversaram amenidades, o dono dos cabelos acastanhados auxiliou-lhe contando legumes, enquanto o baixinho preparava carne sendo retalhada em cubos perfeitos, notando sua invejável habilidade na cozinha, então o menor aproveitava-se para ensinar-lhe algumas regras primarias da culinária, pois seu omma levando em consideração o jeito desastrado do filho mais velho, permitia sua entrada numa cozinha somente para comer algo devidamente pronto, evitando o mesmo pusesse acidentalmente fogo na casa inteira.

As gargalhas espontâneas escaparam gostosamente do grávido quando o maior sujou-se de molho manchando sua camisa, evidenciando ainda mais ser um desastre ambulante, mas aquelas foram os minutos inesperadamente mais descontraídos, que ambos poderiam imaginar passarem na agradável companhia de alguém, aos olhos do maior o outro era tão leve e adorável, que fazia-o arquivar-se das suas preocupações por enquanto. Depois do almoço Jongin fez questão de lavar a louça, agradecendo pela refeição maravilhosa que partilharam.

— O que aconteceu? — Kyungsoo questionou sobressaltando, ouvindo um barulho seguido de resmungos proferidos pelo moreno, que tinha sua mão na cabeça choramingando.

— Bati minha cabeça no armário. — Lamentou-se tocando o corte superficial que sangrava um pouquinho, mas diante do drama digno de uma promissora novela mexicana, o ex-garçom pegou a caixinha de primeiros socorros, limpando delicadamente o local parcialmente ferido não entendendo o motivo para tanta manha partindo do maior.

— Deixa de ser molenga Jongin! — Repreendeu os protestos alheios incessantes, acompanhados dum bico quilométrico. — Está parecendo que você tomou um tiro desse jeito hyung, seja mais corajoso. — Falou divertindo-se pela cara emburra do outro

— Mas isso arde muito... — Fez bico novamente, imitando aquelas crianças extremamente manhosas que adoram choramingar por tudo. O de cabelos negros impaciente moldou seus lábios soprando em cima do ferimento, deixando uma leve brisa refrescante percorrer a pele lesionada aliviando a ardência própria do medicamento, cobrindo com um curativo protegendo de infecções. — Obrigado!

— Isso não foi nada demais... — Desconversou, guardando os objetos anteriormente utilizados.

— Meu dia hoje começou muito ruim, mas você apareceu e conseguiu melhorar... Estou agradecendo por ter surgido na minha vida, no exato instante que eu mais estava precisando. — Kyungsoo emocionou-se involuntariamente pela declaração sincera, Jongin puxou carinhosamente a mão pequena acariciando singelamente as costas dela usando o polegar. O advogado sustentou seu olhar - amaldiçoando-se internamente -, por querer mergulhar naquelas imensidões profundas que eram seus olhos.  

D.O despertou dando-se conta do contato inadequado que estava tendo com o advogado, recolhendo a própria mão absurdamente constrangido, seu coração batendo velozmente contra o peito, tão rápido quanto as asas de um beija-flor fazendo suas palmas suarem frio - aquela aproximação parecia incorreta -, imaginou que o moreno provavelmente estivesse irritado com algo em casa, e estava confundindo os fatos de certo modo, procurando um ombro amigo em sua barriga de aluguel quando viu-se sem alternativas. A voz desprezível de Sooman bradou no subconsciente como uma espécie de advertência mental, deveria manter distancia segura, jamais envolver-se emocionalmente; as clausulas descritas no contrato eram bem enfáticas quanto a isto.

— Quer sobremesa? Você trouxe sorvete de chocolate... — Sugeriu coçando os fios existentes na nuca, fugindo descaradamente das orbes alheias. Caminhou em direção ao eletrodoméstico sem esperar qualquer reação, desejando que aquele homem incrivelmente atraente fosse menos encantador, assim sua vida seria consideravelmente mais fácil também.

— Eu quero! Nada melhor que afogar as minhas mágoas em sorvete. — Ele percebeu o constrangimento alheio pairando no ar, mas preferiu disfarçar, aceitando a taça simples contendo bolas cobertas com calda de morango, e uma pequena colher.

— Seu dia foi tão ruim assim? — Quis saber, evitando expressar um interesse explicito, apoiando os cotovelos no balcão de mármore enquanto dava colheradas singelas no doce, gemendo prazerosamente sentindo-o derreter cremoso dentro da boca.

— É... — Disse baixinho perdendo-se nas feições satisfeitas do belo garoto, esquecendo-se do que deveria dizer. — Acho que meu casamento simplesmente acabou. — Explicou mais recuperado sem fazer rodeios, vendo-o arregalar os olhos chamativos em espanto. — Informações demais, desculpe! Você não tem nada a ver com isso, estou apenas precisando desabafar com alguém diferente das pessoas que sabem toda minha vida... — A inconveniente sombra de tristeza pairou, encobrindo o brilho das iris irresistíveis.

— Tudo bem hyung, você pode me contar o que quiser, fique despreocupado. Costumo ser um bom ouvinte. — Tranquilizou expressando de modo indireto que guardaria suas opiniões para si mesmo. — Nós somos amigos! Não somos? — Questionou lhe encarando, oferecendo um sorriso contido.

— Claro, que somos... — O advogado claramente titubeou demorando em formular uma boa resposta, que no final das contas saiu um tanto evasiva. Ele tinha experiência suficiente para entender o clima tenso que formou-se entre eles, aquele menino inquestionavelmente lindo lhe afetava como ninguém antes conseguiu, entretanto, poderia ser carência interpretada de outra perspectiva, o pequeno havia sido amigável lhe acolhendo, e esse ato fez suas emoções fluírem confusamente, pelo menos era utilizando esses argumentos que tentava convencer-se.

— Vocês podem conversar quando os ânimos estiverem mais brandos. Todo casal tem brigas, e nem todas elas são definitivas, ou necessariamente significam um fim... — Aconselhou como pode - não iria invadir a intimidade dos outros. — Não sei exatamente como os casamentos funcionam, por que cresci num orfanato, e nunca tive relacionamentos duradouros que resultem em algo tão sério...

— Eu entendo, mas essa pareceu realmente séria... Vou ficar dormindo separado dela enquanto resolvo o que fazer. — Refletiu tristonho, aquela seria uma solução inútil a principio, porém, tinha muita consideração pelos pais da morena que eram pessoas de boa índole, não faria nada precipitadamente em respeito aos mesmos. — Eu dei todo meu amor e carinho, só queria ser retribuído. — Soltou pensativo perdido em questionamentos internos, o fogo da paixão apagou-se completamente, o futuro deles não combinava mais.

— Ela não merece você! — Murmurou arrependendo-se em seguida, percebendo ter falado num tom audível, arrancando uma risada fraca do mais velho por sua sinceridade escancarada. — Eu sinto muito hyung, não deveria ter falado assim.

— Eu gosto desse seu jeito autentico e espontâneo. Você diz o que vem na cabeça, isso costuma ser uma marca nas pessoas honestas. Coisa rara atualmente. — Pela primeira vez na vida a palavra insegurança lhe rondava como se estivesse vivendo um pesadelo de olhos abertos. — O que você ver quando olha para mim? — Indagou curioso.

— Eu? — Kyung surpreendeu-se ficando inicialmente sem ação. — Vejo... — Pigarreou tomando coragem. — Um homem de coração enorme, carinhoso e prestativo... Sei que nos conhecemos há pouco tempo, mas posso arriscar sem medo algum que você é aquele tipo de pessoa, que arrancaria a roupa do próprio corpo e daria para alguém passando frio! — Deixou toda sinceridade deslizar pelos lábios fartos.

— Eu não esperava tanto... — Falou com a voz embargada por que a fragilidade predominava, os cílios umedeceram-se ao que ele emocionou-se, e uma solitária lágrima rolou até seu maxilar. — Não queria ser fraco assim...

— Demonstrar sua humanidade, não é nenhuma fraqueza! — Negou veementemente abandonando a sobremesa no tampo escuro, instintivamente passando o dedo no rastro molhado que a lágrima havia criando. — Não precisa ter vergonha, desabafar faz bem por que nos alivia. Ela deveria ser presa, por fazer alguém como você chorar... Era para ser considerado crime inafiançável. — Naturalmente eles cruzarem os olhares, e o maior inclinou a cabeça sugestivamente, causando no outro uma vontade inevitável, começando a inconscientemente criar expectativas, aguardando ser beijado com urgência - a mesma que percorria suas veias em chamas naquele instante fazendo ambos os lábios formigarem. Antes que tudo piorasse, o advogado apertou as pálpebras afastando-se sorrateiramente, dando-lhe apenas um breve abraço agradecido.

— Talvez... Eu deva ir embora! — Soltou vendo de soslaio o dono dos olhos desnorteantes suspirar desapontado - pelo o que pode perceber. Jongin resistiu bravamente, reprimindo qualquer ato impensado do qual acabaria se arrependendo depois, entendendo que cometemos algumas ações sem volta, caso tivesse cedido aos próprios desejos confusos não conseguiria parar, ou melhor, sabia que findariam entre os lençóis macios daquela cama convidativa, e jamais brincaria com o gestante de maneira tão canalha, sua consciência nunca lhe permitiria. — Esquisita essa sensação de não querer voltar...

— Tenho certeza que as coisas vão melhorar. — Afirmou pegando as taças sujas com sorvete derretido jogando-as na pia, decidindo lavar-las sem coragem de confrontá-lo visualmente. Pelo amor dos céus, eles quase beijaram-se há segundos atrás, então como o maior fingia que nada aconteceu; seguiria seu exemplo.

— Certo... — Concordou interpretando a frase dita sem emoção alguma como um recado indireto para que partisse. — Minha família está planejando um jantar, eles querem te conhecer! Eu espero que você aceite aparecer... — Convidou ouvindo seu coração pulsar, batendo apreensivo contra a caixa torácica quase causando dor.

— Eu vou adorar na verdade. — Virou-se sorrindo, sentindo-se lisonjeado pelo convite. — Posso levar meu amigo comigo? Não quero me sentir muito deslocado.

— Claro que pode, vou confirmar sua presença então. – Falou desviando dos lábios pecaminosos do jovem. — Até mais, e obrigado por tudo novamente... — Agradeceu arrastando o blazer escuro que fora deixado na poltrona, encaminhando-se em direção a porta.

— De nada... — Eles trocaram um olhar constrangido, o de fios acastanhados deu-lhe as costas largas desaparecendo nas escadas - porque o prédio não tinha elevador. Trancou a fechadura derrotado, perguntando-se onde fora parar seu autocontrole e bom senso. — Você é um grande idiota Do Kyungsoo, está fazendo tudo errado! — Xingou-se aborrecido.

 

O moreno destravando os alarmes do veículo importado praguejou mentalmente, seu casamento afundou como um vulnerável navio na tempestade - sendo engolido violentamente nas ondas impiedosas -, ele era apenas uma vitima tentando sobreviver agarrando-se aos destroços do naufrágio, esperando alguém resgatá-lo, e por instantes cogitou a mera possibilidade do baixinho charmoso ser a tão inesperada luz no fim do túnel, que seus olhos começavam finalmente a enxergar.

 

Continua...


Notas Finais


Capítulo também * especialmente de dicado a @ManuPcy porque ontem foi aniversário dela * Então parabéns novamente meu amor :D !!!!!
Então o que vocês estão achando? Me deixem saber, e até mais anjos!!!


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