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História Survival - 3In - Capítulo 28


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Notas do Autor


Broteeeeei
Hellou

Capítulo 28 - Mission 28: System


Fanfic / Fanfiction Survival - 3In - Capítulo 28 - Mission 28: System

Ark Freedom – 10:20

Ao sul rege o verão, mas ao norte rege o inverno e as tempestades fortes do oceano Atlântico nessa época do ano eram bem fortes. Podia-se ver de longe os redemoinhos se formando nas águas geladas; era nessa época do ano que as correntes de vento traziam o frio vindo do norte, porém um bem mais intenso do que era conhecido antigamente. O frio podia chegar aos -10 graus diários e as crostas de gelo ficavam por toda a Freedom, o que fazia os operários ou quem estivesse disponível, a se pendurar em cordas de escalada para livrar o gelo dos braços hidráulicos. Mesmo com toda a tecnologia avançada, ainda tinham alguns efeitos do clima que ainda não conseguiam combater e as grossas camadas de gelo eram uma delas.

Do lado de fora eram todos de roupas térmicas e quentes, mas do lado de dentro, o foco era outro. Para os pilotos, aquele momento era de treinar o quanto pudessem por causa do dia representativo que estava por vir. O ASSF seria em poucas semanas e a Freedom também estava se preparando para isso, não apenas os pilotos, mas também outros iriam participar como representantes da plataforma do Atlântico Norte e certamente competiriam com sua vizinha, a Texal do Atlântico Sul. Embora dividissem o oceano, não se podia afirmar que Texal e Freedom mantinham uma boa relação entre si. A gigantesca plataforma do Sul raramente mantinha contato direto com as demais plataformas ao redor dos oceanos; Texal era conhecia por cuidar das suas ilhas e das suas jurisdições e que não gostava de ser incomodada ou de ter pessoas envolvidas em seus assuntos internos. 

Era uma plataforma mais rígida. Seu tamanho lhe proporcionava mais recursos que eram distribuídos pelos grandes navios Cargo que eram abastecidos e reabastecidos diretamente na Texal, por isso se dizia que a Independence vivia ocupada e que dificilmente gostava de envolver em assuntos do Conselho, tanto que por esse mesmo motivo que raramente se via a Texal em eventos como o ASSF, porque a plataforma e seus tripulantes não gostavam do sistema que rege sobre os oceanos. Ela tinha esse nome por um motivo: Independece, eles queriam fazer as coisas do jeito deles, se mantendo dentro dos códigos e protocolos de segurança, mas sempre negando ao governo qualquer coisa. Tanto que a Texal nos últimos 10 anos tem se isolado do resto do mundo, só trazendo e levando suas tropas de navios cargueiros e fazendo os resgates da parte mais pobre da América do Sul e na África do Sul.

Agora pense: Freedom era a plataforma “certinha”, firme nos regulamentos e que sempre cumpria pedidos do Conselho por ter uma boa reputação em relação à méritos, mas a Texal era fora desse ciclo, criando assim seu próprio modo de reger as coisas como uma plataforma independente. As duas são completamente opostas apesar de dividirem o mesmo oceano e por isso que Freedom e Texal raramente conversavam. Talvez a única boa relação de Freedom e Texal, fosse por meio de Jeongin e Woojin que se conheciam desde que o Yang pisou na Freedom.

Lembrava até hoje, de como foi assustador chegar em uma plataforma e não ter ninguém para ser seu responsável. Foi então que Woojin, que na época ainda não era tenente da Texal, se ofereceu para cuidar dele. O Kim era cerca de 6 anos mais velho que Jeongin, aprendeu muito mais para alguém que na época tinha 20 anos e ainda era um prodígio no treinamento para se tornar um piloto. Durante o tempo de adaptação, Woojin praticamente abandonou a Texal para cuidar dele até ele se acostumar com a rotina de uma plataforma militar de resgate, aqueles não foram dias fáceis.

Foram dias de desafios tentando aprender os regulamentos e as regras, junto com as condições que teria que se submeter se quisesse permanecer na Freedom; ser membro de alguma equipe especializada, que podiam ser: operadores, servidores, engenheiros, médicos, enfermeiros, pilotos e dentre outras funções das várias que eram exercidas na Ark. Conseguiu achar se lugar nessa plataforma e deve isso à Woojin por ter-lhe guiado nesse escuro todo que foi sua vida até os 16 anos. Por isso que, de certa forma, o sumiço repentino de Woojin e a falta de comunicação com a Texal, têm assustado ele.

- Innie? Cuidado ou vai ter uma câimbra feia – era Chaeryoung - ou chamada de Chaery por maioria da equipe -, e ela estava a minutos tentando fazer Jeongin sair de seus pensamentos para se concentrar no que estava fazendo. 

- Ah, desculpe, eu estava meio... aéreo – sorriu tímido e soltou suas pernas do abdutor. Pegou a sua toalha que estava pendurada no instrumento ao lado e bebeu um pouco de água também. Olhou o celular e viu que tinha ficado mais de 20 minutos fazendo o mesmo exercício, droga, estava tão fora de si assim? Não precisava de resposta, seu olhar desanimado dizia muita coisa e Chaery percebeu isso na hora.

- Innie... ainda está preocupado com a Texal? – Ela já sabia porque Jeongin estava tão distraído assim e era compreensível.

- Eu não paro de pensar no que pode estar acontecendo naquela plataforma... – ele suspirou de cabeça abaixada, com a faixa preta na testa absorvendo seu suor. – Quer dizer, à meses que não temos notícias dela. Os navios continuam saindo, mas usar um sequestro de Cargo pra dispensar o comandante da Texal? Isso, isso é muito injusto! Não foi uma falha no sistema, foi uma cilada! – Estava indignado desde meses atrás quando recebeu a notícia de que Park Jinyoung foi deportado temporariamente como comandante. Por quê? Porque o Conselho alegou que o sequestro no navio Voyagers – carregado com toneladas de tecnologia para reparos de robôs de alta performance -, foi parar na encosta da África e saqueado por piratas por causa de um erro brutal nas instruções do comandante responsável pela direção do navio. No caso, o Park que falava com eles pelo rádio.

Jeongin ainda não tinha conseguido engolir isso. – Eles querem a Texal... não é a primeira vez que tentam ter aquela ilha... aqueles cretinos só querem tirar proveito do território dela.

- Todos sabemos as intenções do governo com a Texal, afinal, ela é uma ilha imensa que ainda tem capacidade de produzir recursos naturais e eles lutam para preservá-la a todo custo... mas o Conselho quer fazer dela uma área de extração. Parece que mesmo em anos, alguns sistemas não mudam...

- E agora o Woojin teve que assumir, tem ideia do quão complexo é o sistema daquela ilha? Eles têm equipes de todos os lados monitorando tudo, estão com tanto medo que tomem a Texal que tem robôs até de prontidão nos quebra-ondas como os portões da Millions e da StarTrax. Ao menos sabe se a Texal vai participar do ASSF?

Ela teve que pensar. – Se for, vai ser só para observar, porque os Texals odeiam participar de esportes para entreter um público, ainda mais um evento comprado, já que é o Conselho que está organizando – a garota morena respondeu, e Jeongin suspirou outra vez. Queria ver como estavam as coisas na Texal, mas as chances dos robôs os barrarem antes mesmo de chegar ao quebra-ondas, era grande. - Vamos comer alguma coisa.

Ela sugere para aliviar o Yang de tensões, então, ele aceita. A academia desse andar tinha uma visão quase 190 graus para o oceano, podia ver o verde de algumas árvores, mas esse verde era quase sempre ofuscado pelo branco. O mar do inverno estava forte lá fora e podia ver o gelo brilhando nas partes congeladas; era melhor pegar um casaco bem grosso.

Assim como na Sharpped 2, tudo era dividido em blocos e o bloco de academia era composto por cerca de 5 prédios grandes com média de 4 à 7 andares, para abrigar todos que precisavam de exercício ou quisessem passar o tempo. No caso de Jeongin, o Yang estava a horas treinando para o ASSF. Desde que teve aqueles encontros com Hyunjin, o mais novo começou a pensar; vale a pena? E bem, depois que conseguiram salvar a vida de Minho antes que o Lee morresse desidratado e depois de sentir aquela sensação de trabalho bem feito, ele decidiu continuar com o treino para o Maze Fox que já estava consertado e pronto para operar.

Foi uma tragédia, foi triste ver o Lee entubado, mas saber que ele estava vivo e que conseguiram salvá-lo, foi o que cobriu todas aqueles maus pesares. Então ele decidiu se dedicar a isso. Foi entre setembro e outubro do ano passado a última vez que os viu, ou seja, mais de 2-3 meses a última vez que tiveram contato pessoal. Como se mantinha uma amizade desse jeito?

- Ter uma amizade com alguém que está do outro lado do mundo, tem suas consequências – Jeongin comentou com a garota. – Ao menos, fico feliz de poder ver eles de novo no ASSF – sorria pensando no que faria quando os visse, mas pelo sorriso tímido de Chaery, ela tinha outros comentários.

- Quer mesmo ir ao ASSF por esse motivo, Innie? – Ela escondia o sorriso e mantinha a mão sobre a cintura, com um olhar travesso como se questionasse as motivações de Jeongin tanto para pilotar o Maze Fox como participar do ASSF. 

O garoto não era lerdo, ele entendeu sim. E ainda riu disso. – Não, não invente nada disso – negou tudo logo de primeira, parando de andar inclusive, para olhar bem para a Lee para que parasse de rir. – Eu falo sério! Para de rir que não tem graça! – Falava, mas de quê adiantava? A garota continuou rindo dele. – Aff, eu não gosto do Hyun, entendeu? Somos apenas bons amigos que gostamos de conversar. Eu chorei ou fiquei deprimido porque senti falta dele? Não, então para de criar teorias na sua cabeça.

- Nossa, grosso – ela fez um bico e voltou a seguir os passos no ritmo do mais velho. – Mas é fofo a forma como você se inspira nele para ter sua motivação. Sério, antes você só sabia reclamar.

Ele admitia para si mesmo essa parte. Ano passado; era um garoto que tinha sido escalonado como piloto muito de repente e teve que se acostumar com uma rotina cansativa e estressante, tanto que seu estado mental atrapalhava na pilotagem, isso tinha um porquê. Porque Jeongin ainda estava em treinamento.

- O que esperava? Eu estava do nada na aula de enfermagem e então de repente um dos tenentes chega e diz: você agora vai pilotar um robô gigante – coçou a nuca, realmente, esse dia não foi agradável. – Dieta com gororobas que nem sei o nome, regulamentos aqui e ali, protocolos, planos de resgate, guia de conduta, rotina de academia... isso acabou comigo. E foi estressante também – tinha seus motivos para reclamar no começo. Primeiro; tudo isso que ele falou e segundo: o fato de ter sido escalonado às pressas para ficar no lugar do piloto que morreu e precisavam logo preencher aquele espaço. Agora ele se dedicou a se tornar um piloto, mas pelos motivos certos, e não pelas palavras que Freedom usou para lhe motivar.

- Tenho que dizer, foi muita falta de consideração do Jongin te colocar nessa desse jeito sem sequer te dar inspiração ou motivos – ela dizia. – É quase como empurrar um monte de livros na mesa de alguém e disser “leia”, não foi o jeito certo de te abordar.

Ele não culpava o comando da plataforma, mas não gostou nada de como recorreram a ele para ser piloto. Somente depois que encontrou-se com Hyunjin várias vezes, que Jeongin se sentiu motivado a fazer parte dessa frota, mas antes, ele só queria voltar à estudar. Queria ser enfermeiro, mas agora, teria que; malhar, treinar e ainda estudar medicina e enfermagem. Agora teria que ser um paramédico. Os ensinamentos que ajudaram a salvar Minho ele aprendeu na aula de enfermagem, nunca agradeceu tanto por ter prestado atenção.

Porém, essa vida adulta estava requerendo demais dele. – Tenho que rever minha licença... se eu entrar em um robô sem ela, qualquer erro e podem cair em cima de mim – fez uma expressão cansada, essa burocracia das plataformas sempre foram dor de cabeça. Como Jeongin era um piloto em treinamento, ele não tinha licença para pilotar um robô – devido à inexperiência -, no entanto, devido à escassez de pilotos, a Freedom deu um jeito de permitir que Jeongin pilotasse mesmo com o treino incompleto. Mas ele tinha que renovar a licença a cada reavaliação que ele fizesse, desde médica até física e mental. – E ainda tenho que falar com meu treinador pra ele falar com o meu avaliador e SÓ DEPOIS eu posso ir para um robô fazer o teste, não... isso tudo é uma dor de cabeça do inferno. Por que a Freedom precisa ser tão certinha? Porra, eu iria pra Texal se pudesse.

O estresse do mais novo era notável, já que quase não tinha paz de sossego pois as ordens e regulamentos da Freedom estavam sempre pesando sobre sua cabeça e fazendo seus neurônios fritarem. Se sentia um velho de 40 anos reclamando, mas o que podia fazer? A plataforma se chamava “Freedom”, mas liberdade ali dentro ele não tinha nenhuma. Entendia que eram momentos complicados, que o sistema obrigava as coisas serem dessa maneira, mas reclamar era inevitável, odiava se sentir um boneco pressionado e que quase não tem tempo livre para ele mesmo se divertir, ainda tinha juventude afinal. Gostava do que estava fazendo e amava os motivos – que ganhou graças aos meninos da Alpha 1 – pelo qual está completando esse treino, mas ter todos em cima dele lhe dizendo o que fazer como se ele não soubesse como precisa ser feito ou como se ele não soubesse, era um saco.

Já era comum ver Jeongin andando de um lado para o outro reclamando do sistema, mas ouvir ele dizer que prefere outras plataformas, não era algo muito agradável. Era algo como “não está feliz no nosso grupo? Vá para outro e se mande” era mais ou menos assim que os veteranos que aprovavam com toda a alma, o código da Freedom, olhavam para ele. E um desses veteranos não ficou quieto como a maioria deles faziam, não, este veio para cima dele. 

Ficou na sua frente e Jeongin só percebeu quando não sentiu o vento, porque tinha um homem com mais de 1,80 de altura lhe fazendo sombra. Um americano moreno de olhos verdes que estava sorrindo de modo sarcástico para ele. – Prefere os isolados de plantão do que nosso paraíso do norte? Não pense errado novato, ao contrário da bagunça que são nos outros oceanos, o nosso é limpo e direito.

Jeongin queria entender por que aquele homem estava confrontando ele, mas então lembrou que estava em uma plataforma de ignorantes, onde se consideravam os certos apenas por serem os favoritos da política. – Quem te chamou na conversa para começar? – Ele olhou para cima, para o moreno que riu de braços cruzados diante do peito.

- Se nosso código de conduta é demais pra você, pirralho, pode ir ficar com os meliantes das Sharppeds ou da Alpha.

- E você deveria ir para a Defender Mass, quem sabe os militares brutos de lá te ensinem a não se meter nas conversas dos outros – Jeongin foi arisco, não gostava de pagar de vítima fácil só por ser mais novo ou apenas um garoto em treinamento. Odiava passar imagem inocente e fofa na Freedom, porque ele era sempre subestimado. Como agora; esses pilotos veteranos viam ele como um adolescente iniciante e “bebezão” sempre que passava falando ou criticando a Freedom. Óbvio que isso causava raiva nos mais velhos dali, que estavam ali a mais de 10 anos.

- Olha aqui moleque, cadê o respeito? – O veterano neste caso não estava com paciência para desacato, muito menos vindo de um garoto que sequer sabe como resolver as coisas da vida dele ainda. Sua mão grande e cheia de veias segurou a gola no casaco fechado de Jeongin e o puxou para frente. Chaery deu um gritinho assustado e se afastou, mas o Yang encarou ele com raiva. – Não tenho obrigação de aturar falta de respeito vindo de um pirralho em treinamento!

- Innie... – Chaery se afastava um pouco mais. Olhava para trás e tentava encontrar alguma pessoa conhecida para ajudar Jeongin a sair daquela encrenca.

Já ali, por mais que o peito de Jeongin estivesse à mil, sua face ainda estava séria em relação ao veterano que segurava seu casaco. Os dois olhares fulminantes se encontravam, mas o de Jeongin perdia forças conforme perdia a confiança de que iria conseguir fazer aquele homem o soltar. Não queria perder a postura e dar razão à ele, odiava isso, mas era tão difícil se manter quando se começa a ficar assustado. Por sorte, Chaery chegou com ajuda e a mão de Junhong foi quem afastou o veterano dele.

- Tudo bem, já chega – o supervisor Choi era mais alto e afastou o veterano com facilidade, que ao se manter longe de Jeongin, não deixou de olhar para ele e Chaery com raiva. – Você soldado, volte para seu posto e aguarde chamados. Se eu ver você envolvido em escândalo de novo, tomarei outras medidas – Junhong lhe dá o aviso prévio e sem poder questionar mais, o veterano deixa os garotos sozinhos finalmente.

O Yang sentiu um alívio enorme, respirava rapidamente e podia ver a branco saindo de sua boca por causa do frio que deveria estar nos -5 graus. Achou ter acabado ali, tanto que agradeceu à amiga por ter chamado ajuda, mas o supervisor ainda tinha algumas coisas par dizer. – O comandante quer te ver, Innie.

Como se não bastassem mais estresse hoje, Jeongin ainda tinha que falar com seu chefe. Ele revirou os olhos, mas seguiu seu caminho para a grande torre central de comando que ficava no meio de vários outros prédios, em um ambiente que fazia parecer uma praça de cidade. Quase foi atropelado pelas motos, teve que olhar pelos dois lados das ruas antes de atravessar e ainda subir nas grandes elevações que se tinha ali para evitar acidentes. As árvores estavam sem folhas e quase mortas por causa do frio, é, esse clima não era bom mesmo e essa época do ano deveria ser a pior para as plataformas do hemisfério norte.

O frio estava tanto que o garoto se viu obrigado a colocar luvas e um gorro que sempre tinha nos bolsos da jaqueta, e ainda colocou o capuz da jaqueta e tirou a faixa da cabeça. Só esperava não pegar um resfriado, era a última coisa que ele queria. Ao menos estava quente dentro do prédio de controle, Jeongin sentiu o ar quente do ambiente e já se livrou das peças que vestiu minutos atrás. O prédio como sempre, e como todos os outros, estava cheio. Secretários, engenheiros, todos os trabalhadores da plataforma passavam por ali e consequentemente, o caminho até a sala do Kim era sempre congestionado. Pegar o elevador cheio era uma tortura, sempre tinham as pessoas de alta patente olhando para ele de olhos atravessados. Lógico, ele era o piloto novato que estava começando a ter um comportamento delinquente que fora do comum ali. Não foi um ambiente agradável, tanto que assim que as portas se abriram no andar certo, o Yang saiu correndo dali e virou um corredor de distância daquelas pessoas. Deveria se sentir ansioso ou nervoso na sua própria casa? Bom, aquilo não era realmente um “lar”, era apenas um trabalho porque era melhor isso do que viver em uma ilha refúgio.

Com o eco das conversas se dissipando pelo corredor, - indicando que as pessoas estavam se afastando -, Jeongin soltou o ar preso nos pulmões e deixou seu corpo cair contra a parede de metal atrás dele. Passar pelo que passa todos os dias, faz Jeongin pensar: as pessoas em terra firme acham que quem vive nas plataformas ou nas ilhas, vive num paraíso. Ah, quem dera se fosse. A única coisa boa é pilotar e ter amigos confiantes – se tiver sorte - em uma equipe, de resto, se vive atolado de regras e reclamações. Não é muito diferente da terra firme.

Depois que se acalmou, voltou a dirigir-se para a sala de seu chefe, que por sinal, o esperava ali fazia minutos, pois estava apoiado na mesa apenas olhando para a porta quando se abrisse. O comandante mandou que se sentasse à frente da mesa, somente pela feição dele, podia dizer que o Kim parecia estressado com alguma coisa. – Não quero e nem gosto de confusões entre meus pilotos, mas Jeongin essa sua conduta de sair gritando e reclamando não está ajudando muito. 

Ele apenas deu os ombros. – E daí? Não posso dizer o que me incomoda?

- Eu sei que está pensando na Texal e como é o Conselho que está envolvido, eu imagino que seja por isso que não gosta dos nossos protocolos. Mas Jeongin isso não pode se repetir demais ou a imagem que você tem vai repercutir rápido. Se quer falar mal de como a política funciona, tudo bem, mas sujar o nome da Freedom não está de acordo.

- Sujar o nome da Freedom? – Ele pôs as mãos sobre os joelhos, enquanto encarava seu chefe cara a cara. – Eu gosto muito desse lugar, mas o jeito eu as coisas funcionam aqui já falam por si mesmos. Tudo que os membros do Conselho falam, vocês acatam.

- É uma questão de lealdade às normas.

- É uma questão de medo, chefe – respondeu em um tom mais forte. – Texal, Sharpped, Alpha, todas essas têm problemas com o Conselho e somente a Freedom se safa porque nós fazemos sempre tudo que eles querem. Mas e enquanto ao que “precisa” ser feito e nunca acontece por causa desses protocolos de conduta? Quando eu quase morri esmagado no Maze Fox meses atrás, quase perdi minha perna e tiveram que pedir ajuda para uma plataforma do outro lado do mundo; precisaram que alguém da Texal assumisse, porque vocês não fizeram nada! 

Ele estava exaltado. Desde aquele dia, Jeongin nunca perdoou sua própria equipe por terem deixado ele lá. Se não fosse pelos membros da Alpha 1 e por Woojin da Texal, provavelmente ele teria morrido esmagado e afogado. O pior nem foi isso, o pior foi descobrir que Freedom não queria recorrer à ajuda das Sharppeds e nem da Alpha 1, devido aos históricos das 3 plataformas com o Conselho, e os superiores poderiam não gostar dessa aliança. 

Era uma das coisas que ele odiava. – Proteger as pessoas lá de fora sendo que não podem sequer pedir ajuda para proteger um piloto, sabe Jongin... foi esse erro de vocês que deixou o Jongup para trás – ele não disse mais nada. Se levantou da cadeira e partia em direção a porta, se não fosse pela mão do mais velho em seu ombro.

- Sabe que mesmo no futuro, alguns erros do passado ainda permanecem. Sem regras, decairíamos, quem tem o controle das regras detém o poder sobre nós. Não podemos perder a Freedom assim como Jinyoung está para perder a Texal – aquelas palavras chegavam baixas aos ouvidos dele. Jeongin sempre foi compreensivo além da conta, mas o medo que Ark tinha de ser desativada conseguia superar o lema deles de ir aonde for preciso para cumprir com a missão inicial. – Então, por mais que não goste daqui e eu entenda o porquê, só te peço um pouco de paciência. Já temos nossos problemas, não precisamos de mais motivações de ódio. A ordem não é mais a mesma a anos. 

Essas foram as palavras finais do comandante. Kim Jongin admitia ser certo remorso de se aliar com; Alpha, Royal 1 e 2, Mass e até mesmo sua vizinha, Texal. Aceitar a forma de governo foi sua chance de ter paz, mas agora o Conselho tinha Freedom como um boneco favorito e o pior, é que muitos gostam dessa quase “ditadura” que existe entre as plataformas. Mas em uma coisa o chefe tinha razão: ele precisava ser mais paciente e esperar que um dia as coisas tomem um rumo diferente. No enquanto, nada mudava o fato de que Freedom lhe virou as costas quando ele precisou.

- Eu ainda quase tive o mesmo destino... – com isso, tirou a mão de seu chefe de seu ombro e saiu da sala. Caminhou pelos corredores aquecidos e de pisos hexagonais até uma ponte coberta que lhe dava uma vista de 15 metros para cima do oceano. Não via quase nada, apenas nuvens pretas indo à oeste, o mar agitado e os leves tufões se aproximando da costa. Se tivessem um chamado, Jeongin teria que remarcar a avaliação e teria problemas mais tarde. Droga, seria tão bom se tudo pudesse ser mais fácil. Se o Conselho fosse flexível e não controlador, se Freedom defendesse o que vale a pena e não fazendo tudo a base de privilégios, se Texal pudesse ficar em paz, se Alpha e as Sharppeds se dessem bem... tinham tantas coisas que poderiam ser diferentes.

Novamente, soltou um suspiro pesado. Jongho estava em treino, Chaery e Dahyun tinham trabalho, Mark e Youngjae? Bom, eles tinham seus afazeres. Então ele estava sozinho naquela ilha, pensando que logo teria aula e hoje não iria dormir à noite. Parecia um escravo, mas era isso ou viver à base de normas e limitações nas ilhas refúgio ou ficar em terra onde não há quase nada de bom e se tiver, é raro encontrar. Ficar na Freedom era sua melhor opção, foi sua escolha afinal. Agora teria que lidar com ele. Mesmo se sentindo deslocado nesse lugar.

Ainda assim, não deixava de se sentir solitário e só uma vez não se sentiu assim; quando ele conheceu os garotos da Alpha 1. Sentia falta deles. Sua mente cogitou a ideia de ligar para Hyunjin e conversar com ele, - desabafar um pouco já que, era melhor do que ficar ali -, mas não queria ser incômodo. O Hwang deveria estar ocupado e não queria atrapalhar, apesar de que... nesses momentos, era na companhia dele que Jeongin pensava. Começou a lembrar desde o momento que o viu a bordo do Magnum Hyde, depois sua visita ali na Freedom e sua conversa e desabafo sobre sua irmã depois que Minho foi estabilizado. Em todos estes momentos desfrutou da companhia dele e admitia; havia gostado dela. 

Isso fez ele entrar em um delito interno, com relação ao que Chaery lhe “apontou indiretamente” mais cedo. – Não, sem chance... não tem como eu estar gostando do Hyun, não pode... porra eu só vi ele umas 3 vezes... – chegava a enterrar os dedos entre os cabelos de raiva. – Onde eu me meti...

[...]

Alpha 1 – 19:00

As ondas mais suaves da noite batiam contra o quebra-ondas erguendo uma pequena quantidade de água em pequenas ondas. Pequenas marolas acertavam a ilha naquela noite que parecia mais calma que as outras, apesar de mais fria. O ar parado estava tão gelado que sair para o lado de fora sem algo quente cobrindo o rosto era um perigo imenso. O frio necessitava luvas e Hyunjin vestia luvas térmicas especiais que não deixariam suas mãos congelarem e também, não tiraria o profissionalismo de sua roupa. Aquela farda azul escura com camisa branca por baixo, gravata e botões com sua indicação, fora o chapéu que estava debaixo do seu braço. Sempre que tinha que usar isso, era para uma situação delicada ou importante.

Neste caso Hyunjin estava tendo que encarar o processo levantado pelo Conselho e pela Sharpped 1 sobre o incidente da colisão do Siren e do Cargo que ocorreu a quase 2 meses atrás. Ao que sabe, Jaebum iria consigo por ser o chefe da operação no momento, Seonghwa também lhe faria companhia por ser o tenente, e Hyunjin iria porque constava no relatório que ele foi o responsável por Seungmin naquela ocasião, o que de certa forma, complica as coisas para dele se houvesse alguma alteração do quadro clínico já crítico do Kim.

Até agora estava se arrependendo, como deixou alguém com histórico de doenças respiratórias e que até mesmo já teve problemas nos rins; ir com ele para aquela área cercada de uma alta densidade de gás tóxico? Deveria ter cuidado de Seungmin não deixando que ele fosse com ele para aquele corredor, deveria ter dito: “fique aqui” mas não, ele fez o que o Seung queria e resultou na exposição de ambos, mas um deles, sequer tinha treinamento certo para isso. Embora tenha terminado tudo bem, não era comum passar pano por questões assim, ainda mais quando se tratava de segurança, onde os protocolos eram bem mais rígidos. Com certeza o Conselho não pegaria leve com ele, sabia disso.

- Ei, calma. Sempre parece assustador e tenso no começo, mas vai dar tudo certo – Minho e Felix tentavam consolar ele, mas era visível que as mãos do garoto estavam tremendo. A dupla estava ali com ele, junto de uma sacada com cobertura para proteger do frio e da chuva e com uma vista boa para o oceano escuro e para o céu repleto e nuvens são espessas que não deixavam a luz da lua passar. Mesmo com a companhia, o Hwang não queria se acalmar.

- Mas eu... e se me deportarem ou, sei lá, me impedirem de pilotar? Eu gosto do que faço, não quero sair daqui... – estava com medo, podiam ver isso nos olhos dele. Hyunjin nunca tinha participado de um processo como esse, era estressante e cansativo, mas precisava ser feito. – Eu estou com medo... quer dizer, o chefe da Sharpped 1 pode estar lá e eu nem sei como vou olhar para ele...

- Pode parar, a gente não vai deixar um chefe de outra plataforma tentar ter a melhor sobre você – Minho lhe segurou firme o ombro direito. – te serviria de consolo se fossemos junto?

Ele nem precisou responder. Ergueu a cabeça tão rápido que serviu de resposta. – Certo, vamos nos vestir. Pegamos o avião junto com vocês – Felix fez questão de tirar Hyunjin daquele frio para que entrassem de volta no dormitório. Os dois Lee’s foram para seus quartos vestir suas fardas, enquanto Hyunjin ficou pensando em tudo que poderiam lhe perguntar e em tudo que ele NÃO conseguiria responder. Céus, ele não ficava calmo sob pressão. Só em pensar de ficar na frente de superiores com todos lhe questionando, fazia uma insegurança imensa acertar seu peito e seu corpo todo tremia no impacto, até esquecia de respirar as vezes. 

Precisava ficar calmo, precisava ficar calmo, mas como ficaria calmo se tinha medo? Não era como Minho e Felix que já estavam acostumados com esse tipo de coisa, ele odeia ficar sob pressão e odeia ainda mais ter que responder a um interrogatório.

- Hyun? – A voz de Seonghwa surge bem ao seu lado e seu tenente trajava a mesma vestimenta que ele, mas com uma estrela a mais em seu peito. O mais velho tinha o cenho franzido em preocupação. – Você está pálido, tem certeza de que está bem?

Teve que assentir. – Eu vou ficar bem... eu acho... 

- Só não tenha uma crise de pânico lá dentro, viu? Se quiser algum remédio podemos tomar antes de entrar no avião.

- Não, não, eu estou bem... – negou mesmo achando que seria uma boa ideia. – Vai demorar muito?

- Acho que em menos de 3 horas estamos de volta – esperava que fosse apenas isso, porque ficar tempo demais na frente do Conselho seria uma tortura imensa para ele. Depois de mais um tempo, Minho e Felix chegaram já vestidos com suas fardas, prontos para partir no avião que os aguardava lá fora. Até lá, Hyunjin tentava se acalmar; respirava fundo e dizia para si mesmo: “você consegue”. Esperava ter a mesma sorte que Felix ao fazer aquela cirurgia clandestina em Lantau, rezava por isso.



Notas Finais


Eu digo onde vc se meteu Innie hehehe
Próximo: merda e Minnie e Hyun se encontrando de novo (falo nada 🌚) e Innie logo encontra eles tbm.

Como a Texal não é o foco, eu vou apresentar a crise dela por meio do Jeongin que é amigo do Woojin

E sim o Jeongin tem uma história de backstage tbm, logo mais a gente sabe qual é


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