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História Survivor (Negan) - Capítulo 52


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Capítulo 52 - Capítulo 04


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Quando acordei, Ana dormia profundamente ao lado, algo que me deixou confusa, ela sempre acordava primeiro enquanto pulava na cama para me acorda. Beijei sua testa e me levantei, meu corpo protestou de dor, eu provavelmente havia dormido na mesma posição a noite inteira.

Um banho gelado despertou meu corpo, não me importei em demorar o tempo suficiente lá dentro. Ouvir a porta do banheiro se abrir, pelo box do chuveiro vi Ana se arrastar preguiçosamente para pia, onde escovou os dentes com os olhos fechados. Me enrolei na toalha passando por ela, rir baixinho percebendo que a garota cochilava com a escova na boca.

- O que você fez ontem para estar com tanto sono? – Perguntei cruzando os braços. Ana abriu os olhos me encarando pelo espelho.

- Pesadelos... – Ela deu de ombro – Posso faltar a aula hoje mamãe? E talvez o treino como o D!

Me aproximei de Ana colocando a mão em sua testar em um ato dramático, mas ela não havia nenhum sinal de febre, em todos esses anos eu nunca a ouvir pedir para não treinar ou faltar a alguma aula.

- Quero ficar mais tempo com você! – Ela disse se virando para mim, então me abraçou pela cintura.

- Tudo bem meu amor! – Disse sorrindo – Mas vamos trabalhar bastante!

- Tudo bem, Mamãe! – Ela confirmou satisfeita.

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Ana me acompanhou até as estufas construídas próximo ao Santuário, deixei que ela segurasse as rédeas dos cavalos nos guiando perfeitamente pelo caminho. Arranquei um tomate pequeno de uma folha e entreguei a Ana que logo se deliciou com o sabor, ela me ajudou a catalogar cada fruta e legume que as estufas poderiam oferecer.

Voltamos para o Santuário indo direto ao estábulo onde ficavam os cavalos, Ana brincou com um filhote que havia nascido a algumas semanas, enquanto eu checava a quantidade de cerais produzido ali mesmo para alimentar os animais e distribuir para outras comunidades. Alguns cavalos mais velhos e cansados seriam abatidos e sua carne seriam consumida, não era algo que me agradava, mas era a forma que vivíamos agora.

- Mamãe posso ficar com ela? – Ana chamou minha atenção para a pequena égua que brincava com ela.

- Pode ser sua se você for uma boa menina e me obedecer! – Disse voltando atenção para a prancheta em minhas mãos, ouvir Ana bufar, levantei uma sombrancelha sem encarar a garota – Isso parece difícil para você?

- Um pouco... – Ela disse entre os dentes, abaixei a prancheta me aproximando dela, passei a mão sobre o pelo suave do pequeno animal, ela era uma bela égua, tinha olhos negros intensos assim como sua pelagem negra e patas brancas.

- Então se esforce um pouco mais! – Disse apertando levemente o queixo da menina, Ana levantou uma sobrancelha e continuo acariciando o pequeno animal.

Quando terminamos no estábulo formos em direção ao arsenal de armas, de longe o lugar que Ana mais gostava, seu interesse por armas chegava a me assustar e me preocupar. Arat estava na porta com um caderno em mãos, ela me entregou assim que me aproximei dela.

- Pelo menos duas armas brancas sumiram, facões! – Ela disse cruzando os braços.

- Como sumiram? – Minha voz saiu pesada, me virei para os dois vigias que me olhavam intrigados – Para quê eu tenho vocês aqui?

- Senhora, aconteceu pela madrugada, acho que pegamos no sono... – Um deles disse.

- Pelo menos foi apenas duas facas... – Arat disse tentando contornar a situação.

- Mas ainda são armas, quero que chequem cada canto do Santuário, cada quarto, sala... Quero minhas armas, elas não podem ter sumido daqui! – Disse rispidamente, os homens em minha frente se entre olharam, Arat gritou ordens para seus homens que logo saíram em disparada – Fiquem bem atentos de agora em diante, no Santuário não há ladrões!

Foi a última coisa que disse antes de sair com Ana ao meu lado, em todos esses anos nunca havia tido casos como esses, ninguém precisa roubar, todos recebiam igualmente mesmo com toda a dificuldade que passávamos em certos momentos. Ana apressou os passos em minha frente assim que viu Manny surgi no começo do corredor, eles cochicharam algo até ela volta correndo em minha direção.

- Posso treinar com o Manny? – Ela perguntou.

- Você disse que não queria treinar hoje! – Levantei uma sobrancelha a encarando de cima.

- Disse que não queria treinar com o D, mas agora quero treinar com o Manny! – Ela se justificou.

- Tudo bem, eu estava achando estranho de mais todo seu interesse em ficar comigo o dia inteiro! – Disse, Ana sorriu para mim me abraçando brevemente pela cintura – Não suma!

Falei mais alto para que ela ouvisse, Ana correu até Manny e os dois saíram em disparada passando por mim. Caminhei até a enfermaria para encontrar com Emmy para checar como estávamos em relação a medicamentos, por sorte e com ajuda de Marta e Carol estávamos desenvolvendo remédios à base de ervas e planas medicinais.

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[Santuário]

[Ana]


O treino na verdade era uma desculpa medíocre criada apenas para despistar sua mãe, Ana saberia que ela desconfiaria de seu ato, mas era necessário para ela saber os passos da mãe caso ela resolvesse mudar. Com o sumiço dos facões e com a ordem que sua mãe havia passado, colocava o plano de Ana em manter Lydia escondida por água abaixo.

Ela abriu a porta do quarto assustando brevemente a garota mais velha lá dentro, Lydia a encarou aliviada em saber que não era alguém desconhecido entrado por aquela porta.

- Tenho péssimas notícias... – Ana disse sentindo o olhar preocupada do garota – Aconteceu um imprevisto, parece que dois facões sumiram do arsenal e minha mãe estar furiosa, mandou revistar todos os quartos do Santuário, tenho que arrumar um lugar seguro para você ficar até as buscar acabarem.

- Para onde eu vou? – Lydia perguntou assustada – Não quero voltar lá para fora!

- Eu não disse que você iria voltar lá para fora! – Ana cruzou os braços irritada.

- Lydia eu vou levar você para o galpão atrás do estábulo, você vai ficar lá e então a trago novamente para cá quando as buscas acabarem, não se preocupe, estará segura! – Manny se pronunciou, Lydia sorriu suavemente para ele, algo que fez Ana se sentir desconfortável.

- Viu só... depois que tudo isso passar eu irei falar com minha mãe, talvez ela deixe você viver aqui conosco! – Ana disse tentando acreditar nas próprias palavras.

- E agora o que eu faço? – Lydia se aproximou dos outros jovens.

- Agora vamos tirar você desse quarto, antes que aqueles homens cheguem aqui! – Manny disse.

Não foi muito difícil cruzar os corredores que davam acesso para o lado de fora, o mais difícil foi agir normalmente perante a algumas pessoas que olhavam curiosos para Lydia, Ana explicava brevemente que era uma visitante de Alexandria para as que paravam para perguntar e torcia para que mais perguntas não fossem feitas.

Ana deixou que Manny levasse Lydia para o galpão enquanto ela mesmo cuidava de pegar alguns mantimentos na cozinha do Santuário, Carmen, uma mulher de meia idade perguntou se a garota estava com tanta forme para levar tantas frutas, pães e água de uma só vez, Ana apenas sorriu e piscou seus olhos da maneira mais adorável possível para que a mulher cedesse facilmente... e funcionou.

Ela embrulhou tudo em uma manta e levou para fora, correndo em direção ao galpão, parando rapidamente quando Dwight surgiu em sua frente sorrindo de maneira curiosa para todo aquele volume em seus braços.

- Ei, para onde vai com tanta pressa? você não apareceu ao treino hoje, o que aconteceu? – Ele perguntou.

- Mamãe pediu para que eu ficasse com ela... – A garota mentiu, Dwight a encarou de lado.

- O que você estar aprontando Ana? – Ele perguntou – O que são essas coisas?

- Vou fazer um lanche com o Manny! – Ana sorriu tentando parecer convincente – Preciso ir D, treinamos amanhã!

A garota passou pelo homem em disparada, ele sorriu sabendo que Ana estava fazendo a mais do que só um simples lanche. Ana se viu ofegante quando chegou a porta do galpão, provavelmente seu rosto estava vermelho por conta da corrida e dos encontros inesperados, ela empurrou a porta focando um pouco a visão para enxergar melhor lá dentro.

Mas o que ela viu não foi a melhor das visões, ela primeiro tentou entender o que de fato estava acontecendo e quando entendeu gostaria de esquecer, Lydia tinha os lábios colado aos de Manny, algo que ela já havia visto alguns adultos fazerem de uma maneira mais rápida. Manny se afastou rapidamente da garota mais velha quando percebeu sua presença, Ana tremeu levemente, então atirou as coisas na direção dos jovens.

- Ana... – Manny tentou chamar, mas a garota saiu em disparada pela porta do galpão.

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A garota correu até as grades, subindo com tanta prática e facilidade que ela provavelmente se admiraria mais tarde, mas agora a pequena só sentia raiva e nem sabia ao certo por que esse sentimento lhe rondava. Ela correu para dentro da floresta mesmo sabendo que sua mãe a havia proibido, mas ela queria ir para longe, talvez chorar longe de todos ou matar algo para se sentir melhor.

Sua mãe havia lhe dito que somente adultos podiam se beijar e que deveriam se amar muito para que isso acontecesse, então seus pensamentos estavam confusos, Lydia e Manny não eram adultos ou muito menos se amavam, ela poderia ser jovem demais para entender, mas sabia que não podia se amar uma pessoa de um dia para o outro.

Ana se sentou embaixo de uma árvore, sentiu lágrimas saírem involuntariamente dos seus olhos, algo que era raro de acontecer, nem mesmo os ferimentos causados em treinos em sua pele conseguiam lhe arrancar lágrimas ou até mesmo algumas palavras duras que sua mãe poderia lhe dizer as vezes.

Um grunhido despertou atenção de Ana, ela levou a mão para a calça arrancando a pequena adaga que sempre carregava consigo, ficando de pé a garota esperou pelo que fosse aparecer em sua frente, ela não era uma garota chorona, ela era uma guerreira, havia sido treinada para lutar e não para chorar, sua própria mãe havia dito que chorar era para os fracos e ela não era fraca.

Um morto surgiu em sua frente, com parte dos braços arrancados e barriga exporta, ele tinha uma cor verde, dessa vez não era um morto igual a Lydia, Ana teve certeza disso ao notar o olhar cinza que ele lhe dava. O morto abriu a boca estendendo o que havia sobrado de seus braços na direção da garota.

Ela se desviou dele tentando atingir sua cabeça com a adaga, mas fracassando, o morto era maior que ela e bem mais pesado do que podia imaginar, quando se deu conta que não conseguiria, ela optou por fugir dele o mais rápido que podia. Ana se viu correndo em direção ao Santuário e teria chegado com sucesso se outros mortos não lhe encurralasse, ela empurrou um morto menor em direção aos outros dois, ganhando certa vantagem para dar meia volta e correr para mais longe.

Ela ouviu o mato quebrar em toda direção e praguejou mentalmente prometendo que se saísse viva dessa, nunca mais voltaria para a mata sozinha. Ana tropeçou sobre um morto, caindo a alguns centímetros longe dele, ela viu quando dois mortos caminharam até ela. Sua adaga foi ao encontro do crânio do morto que estava no chão, ela se levantou rapidamente se preparando para atacar o outro morto que aproximava dela.

Ana empurrou o morto para trás fazendo com que ele perdesse o equilíbrio e caísse no chão, lhe dando a oportunidade certa para enfiar a adaga em sua cabeça, eles podiam ter uma fome insaciável, mas eram lentos e estavam em um estado de putrificação avançada, fazendo que ela tivesse certa vantagem sobre eles. Ela se levantou fazendo o mesmo movimento com o outro morto, enterrando a adaga no crânio apodrecido.

Ela se levantou ofegante se dando conta que havia chamado atenção de outros mortos, algo que lhe surpreendeu e chocou ao mesmo tempo, era constante ter alguns caminhantes ao redor do Santuário, mas não tantos como estava presenciando agora, parecia que uma verdadeira horda havia sido mandada para lá. À medida que os mortos se aproximavam da jovem, ela se sentia cada vez mais encurralada e com medo.

- Ei seus filhos da puta! – Uma voz grossa e masculina ecoou pelas árvores, chamando atenção dos zumbis.

Ana se encostou em uma árvore procurando o dono da voz e logo pode descobrir, era um homem alto e ele não parecia se intimidar com a quantidade de zumbis que foram em sua direção de uma só vez, o homem possuía uma pá em suas mãos, e conseguiu fazer um estrago com os mortos, esmagando suas cabeças e as decepando.

- Porra, eu não me canso de fazer isso! – O homem disse para si mesmo quando conseguiu decepar o último zumbi com a pá, ele olhou diretamente para a garotinha encostada na árvore, ela não parecia assustada, mas admirada com sua presença – O que uma coisinha como você, faz sozinha nessa floresta?

- Não é da sua conta! – Ela disse ríspida levantando o queixo com arrogância.

- É mesmo? – Ele sorriu para ela.

- É! – Ela levantou uma sobrancelha – Estava tudo sobre controle!

- Tudo sobre controle? Até quando os mortos iam fazer picadinho de você? – O homem se aproximou da garota, colocando a pá suja de sangue sobre o ombro, a menina torceu a boca – Teve sorte que eu apareci...

Ana observou cada detalhe daquela nova figura ilustre que a floresta lhe oferecia novamente, ele tinha uma barba grossa e grisalha no rosto, cabelo raspado e usava uma jaqueta escura por cima de uma roupa bastante suja, ele era alto e provavelmente forte, seu sorriso era tão debochado quanto o ar de voz que ele usava. Mas algo chamou sua atenção, sua perna estava amarrada com um plano vermelho, bastante sujo de sangue.

- O que aconteceu com sua perna, ela parece bem... ferrada! – A garota disse, fazendo o sorrir com uma certa pontada de dor ao se lembrar do machucado.

- Isso aqui é para eu lembrar que cachorros famintos podem comer qual quer coisa que aparecer na sua frente! – Ele disse olhando para a ferida, realmente cães podiam fazer estragos quando estavam famintos.

- Cachorros? – A menina perguntou um tanto curiosa – De onde você vem?

- De muito longe, eu estava voltando para minha casa e bem, eu acho que cheguei! – Ele disse olhando para além da garota, ela se viu confusa, não havia nenhuma casa pela floresta além do Santuário e ela conhecia muito bem todas as trilhas.

- Quem diabos você? – Ela perguntou apertando a adaga em sua mão, o homem sorriu de lado para o tom de voz amedrontador que a garotinha insistia em usar, era fascinante e adorável.

- Eu sou o Negan, garotinha! – Ele disse dando alguns passos em direção a menina, mas parou quando ela levantou a faca que usava na direção dele – E agora me diga, quem é você?

A garota avaliou aquele homem, ela nunca havia ouvido um nome como esse, Negan, não era um nome comum, era diferente e ela gostava. Por mais que parecesse estranho o nome combinava com o homem em sua frente, mesmo que ela sentisse que ele irradiava uma estranha sensação na qual ela não sabia explicar.


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Adivinha quem venho pro jantar, mamãe?


Até o próximo cap ❤️




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