História Survivors 2 - Capítulo 31


Escrita por:

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Categorias The Walking Dead
Personagens Beth Greene, Carl Grimes, Daryl Dixon, Glenn Rhee, Maggie Greene, Rick Grimes, Sasha
Tags Apocalipse, Carl Grimes, Daryl Dixon, Miley Cyrus, Rick Grimes, The Walking Dead
Visualizações 39
Palavras 4.250
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Mistério, Saga, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi Survivors (:
peço desculpas pela demora, estive ocupada com algumas coisas mas já voltei para atualizar a fic.
esse é um capítulo muuuuito importante para a história, já que estamos chegando à reta final da fanfic.

Boa leitura!

Capítulo 31 - Nightmare.


Fanfic / Fanfiction Survivors 2 - Capítulo 31 - Nightmare.

Quando eu tinha 14 anos, lembro de ter acordado sem oxigênio no meio da madrugada. Sentei-me na cama sobressaltada, com a mão sob o peito, sentindo meus pulmões queimarem. Foi como se eu os sentisse encherem de água. Foi a primeira crise asmática pela qual tinha passado. E durante aqueles segundos dolorosos, ao sentir o oxigênio parar de circular por meu sangue, não consegui dizer uma palavra sequer. Apenas inspirei dolorosamente e alto o bastante para que alguém conseguisse ouvir. Então, Max apareceu. Por ser muito novo, o menino parou na porta do quarto, arregalou os olhos e observou meu rosto congelado e pálido, de quem não estava conseguindo respirar. Ele sabia que algo estava errado, sabia que eu precisava de ajuda. Após alguns segundos, a dor que eu sentia chegou ao seu ápice. Meus músculos se contraíram, e eu pude sentir meus pulmões relaxarem-se, como se estivessem desistindo de lutar. Meus olhos pesaram-se, e meu corpo antes contraído, caiu de lado em cima da cama. Era para ser o fim. Mas Max, por mais que não soubesse exatamente o que estava acontecendo, chamou pelos meus pais. Mesmo com os olhos fechados, e quase inconsciente, eu me lembro de ouvir sua amedrontada voz dizendo: “Minha irmã está morrendo!”.

  Foi a primeira vez que eu cheguei perto da morte. Sem nem imaginar que aquela horrível sensação... aconteceria outra vez.

  Quando Daryl adentrou o hospital, Victoria tratou de sacar sua metralhadora e atirar contra os homens que subiam pela escada da lateral do prédio. Afastei-me de mãos dadas com Julia para um lugar mais seguro no terraço, enquanto os barulhos corpulentos das balas de Victoria acertavam os três curadores armados. Quando os corpos não resistiram, e despencaram-se da escada, o silêncio volta à tona. Victoria, com a arma ainda apontada, certificar-se que seus tiros foram ouvidos, e que mais curadores apareceriam.

  -Vamos, para dentro! –Victoria aproxima-se rapidamente das crianças, que correm junto à mulher para dentro das escadas de incêndio.

 Julia, logo após as luzes automáticas se acenderam, apertou os olhos para tossir dolorosamente, e apertou a única mão do irmão, que a ajudou a sentar-se no chão. A menina suava frio, sua pele estava pálida, e seus lábios secos ofegavam um choro conturbado.

  -Julia? –Charlie se agacha na frente da irmã, ainda segurando sua mão. Ele observe seus olhos fechados, e cabeça baixa, enquanto ainda tossia. –Julia!

  -Você espera aqui com ela. –Victoria afirma, em pé ao lado da menina. –Eu pego a amostra da vacina. 

  -O quê? Ficou maluca?! –O menino, ainda amparando a irmã, aumenta o tom de voz. -Você vai morrer se for até lá.

  -E a veremos morrer se eu ficar parada aqui. –Victoria se refere à Julia, que ainda amparada pelo irmão, que a observava tentar respirar com os olhos apertados. -Você disse que não vai vê-la se transformar em uma daquelas coisas. –O menino fita Victoria. –E eu também não vou.

  Antes que Charlie pudesse dizer algo, Julia deixa lágrimas escorrem, e respira ofegantemente, levantando a cabeça, e observa o irmão amedrontada.

  -Julia, eu preciso que aguente firme. Estamos quase lá... me ouviu? Falta pouco. –A menina chora sentindo a infecção espalhar-se por seu corpo. –O que está sentindo? –Ele coloca a mão em seu braço ferido. –O que está doendo?

  -Tudo! –A voz chorosa da menina soou como um pedido desesperado por uma salvação. Ofegante, assustada, em meio de lágrimas e dor, seus olhos claros pediram ajuda ao encontrar-se com os do irmão. Charlie ficou sem qualquer reação. Então, no mesmo instante em que tentou tomar alguma providência, ouviu o barulho da porta das escadas de incêndio se fechar. Victoria havia saído.

***

  Assim quando Daryl deixou as escadas de incêndio com a intenção de prosseguir pelo extenso corredor à sua frente, observou o elevador que o levaria até a sala de cirurgia no andar superior. Ouvindo passos de possíveis curadores aproximando-se, apertou o botão rápido o bastante para que pudesse adentrar o transporte móvel em apenas um movimento. Logo quando a porta do elevador se fechou atrás das costas com asas bordadas do caçador, ele foi surpreendido ao ver um curador à sua frente, também dentro do elevador. Ele usava uma máscara cirúrgica pendurada no pescoço, touca que cobria sua cabeça, e um sobretudo clínico verde turquesa. Ele era um dos enfermeiros que participariam da cirurgia. Magro, com cabelos ralos castanhos e pele branca, parecia nunca ter lidado com uma situação parecida com aquela. Antes que Daryl pudesse sacar uma flecha de sua mochila, o garoto de cerca de 19 anos apontou a pistola trêmula para seu corpo. Por mais que estivesse nervoso o bastante para enfrentá-lo, o enfermeiro sabia exatamente quem os curadores estavam procurando. E não pensaria duas vezes antes de entregá-lo para Elisabeth.

  -Me dê a crossbow. –Ele pediu, em uma voz amedrontada, enquanto o elevador se movia verticalmente. Daryl não se moveu, percebendo o medo do garoto, não deixou-se intimidar. –Eu mandei você me dar a crossbow, merda! –Por mais que imaginasse que o idiota erraria o tiro, Daryl não arriscaria sua vida por nada. Então, ergueu a mão que segurava a arma, e a entregou. Ofegante, o garoto pega a crossbow com a mão que não estava armada, cruzando-a em seu corpo. –Ok... agora... vire-se. –Daryl não cedeu em obedecê-lo de primeira, mas sem ter como reagir, virou-se. Segundos depois, podendo escutar a respiração ofegante do garoto em sua nuca, viu a porta do elevador se abrir. Os dois observaram juntos o corredor que os levaria para a sala de cirurgia. –Saia. –O enfermeiro ordena, e Daryl, certificando-se de que não havia ninguém ali, o ignora, analisando o andar vazio. Então, o garoto empurra suas costas com o cano da pistola. –Eu mandei sair! –Daryl olha para trás durante um segundo, segurando-se para não dar um soco no rosto do garoto, que indica com a pistola para onde ele deveria seguir. Daryl sabia que seria entregue aos curadores. Então, sem reagir, ele prosseguiu com lentos passos pelo corredor silencioso, enquanto o garoto o seguia com a pistola ainda apontada. Os olhos arregalados e assustados do enfermeiro o fitaram até metade do trajeto, quando Daryl parou de caminhar. –O que está fazendo? Continue andando. –Então, o caçador olha para o enfermeiro em silêncio. –Continue andando!

  De repente, Daryl se virou em um movimento lançando um soco no rosto do garoto, que soltou a arma e desestabilizou-se até cair de joelhos no chão. O caçador, escutando-o gemer de dor enquanto estancava com as mãos o sangue jorrava de seu nariz, segura sua pistola e usa uma chave de braço em volta do pescoço do enfermeiro para arrastá-lo para dentro do elevador novamente.

***

  Victoria, com a metralhadora em mãos, prosseguia até o laboratório secreto de Elisabeth Blake localizado no décimo andar do hospital, onde ela guardava experimentos que haviam tido certo êxito, como a extrato da vacina. Haviam curadores armados, já cientes da invasão de Daryl ao hospital, circulando de um lado para o outro rapidamente pelos corredores. Ela andava normalmente, como se estivesse fazendo o mesmo trabalho que os demais curadores faziam em procurar por Daryl. Calculando o melhor momento para adentrar o laboratório, a mulher sem perceber, trocou olhares com um dos curadores presentes no andar. Mesmo desviando os olhos, o homem, acompanhado por mais outros dois, chamou sua atenção.

  -Ei, Victoria... –Parando de caminhar, ela sente um pico de adrenalina invadir seu corpo. Então, disfarçando, ela olha o curador parado à alguns metros de distância de seu corpo. -O que está fazendo? -Victoria chegou a pensar que havia sido descoberta. 

  -Eu...

  -Há um invasor no hospital. -O homem a interrompe. -Por que está aqui? 

  O homem referiu-se à Daryl, e Victoria engoliu seco, tentando manter a postura. Pensando em alguma forma de despistá-los dali, mentiu. –Na verdade, eu... escutei uma troca de tiros perto da ala D.

  -E por que não está lá? –O curador indaga, enquanto o outro, passava um rádio para outros homens indicando onde possivelmente Daryl estaria.

  -Porque vim alertar Elisabeth sobre o acontecido, diferente de você, que procura qualquer oportunidade para levar todo crédito do trabalho. –Victoria ironiza, tentando-o despistar. –É melhor você ir... a chefe não ficaria nada feliz em saber que o promovido do mês deixou o invasor escapar.

  O homem a observou furiosamente, mas a vontade de encontrar Daryl superou qualquer argumento que ele pudesse usar naquele momento. Então, o curador acompanhado pelos outros, por mais que desconfiado da mulher, prosseguiu para a direção oposta de onde Victoria estava, com a intenção de chegarem até a ala D. Ela precisava agir rápido. Em poucos minutos sua mentira seria descoberta e eles voltariam para interrogá-la. Então, aproveitando a dispersão dos demais curadores, abriu a porta do laboratório secreto.

  Não demorou muito para que Victoria fechasse a porta, apontasse sua arma para frente, e prosseguisse com passos silenciosos pelo laboratório. Ela observou as fichas médicas, as pesquisas laboratoriais, as estruturas e objetos científicos, junto com amostras e telescópios. Mas nada de vacina. Então, no mesmo segundo que percebeu que não encontraria o que salvaria Julia naquele lugar, ouviu a voz de Elisabeth Blake. A mulher estava de costas, no fundo do laboratório. Victoria, direcionando a arma para a parte de trás de seus cabelos platinados, caminha sem ser percebida até perto de seu corpo. Logo, com a ajuda das luzes fortes que iluminavam o ambiente, ela pôde ver que a cientista não estava sozinha. Elisabeth Blake segurava uma criança. Com cabelos loiros, olhos azuis, pele branca e cabeça coberta por um chapéu de caubói. Era Judith. E por mais que não conhecida por Victoria, a mulher sabia que não era para ela estar ali. Acordada, a menina era balançada suavemente pelos braços de Elisabeth, enquanto a observava em silêncio.

  -Eu poderia matá-la, sabia? –A médica diz em um quase sussurro, com um pequeno sorriso entre os lábios enquanto fitava a menina. –Seria ótimo ver seu pai passar pelo o que passou com a morte de seu irmão de novo. Mas, não vou fazer isso. Vou cuidar especialmente de você. Será uma de nós. Uma forte... e imune curadora. –Victoria consegue observar, quando chega mais perto das duas, o extrato da vacina no bolso do sobretudo de Elisabeth Blake. –É claro que não haverá para todos... escolhas difíceis terão que ser feitas. Mas graças a Emma... –A cientista coloca Judith sentada sob uma das bancadas, e tira a vacina de seu bolso. –E a isso... –Ela observa a agulha como se fosse uma faminta na frente de um pedaço de carne. –Finalmente vamos poder escolher nosso futuro. E o melhor ainda: sobreviver dentro dele. –Então, Elisabeth Blake sobe a manga que cobria um de seus braços, e posiciona a vacina sob suas veias. Antes de aplicá-la, ela observa Judith mais uma vez. –Não se preocupe. A sua vez vai chegar.

  Em um só movimento, Victoria lança o ferro de sua metralhadora contra a cabeça de Elisabeth. A médica caiu de bruços no chão, junto com a vacina, largada ao seu lado, ficando inconsciente por alguns segundos. Victoria observa um pouco de sangue escorrer pela testa de Elisabeth, que com os olhos fechados, permaneceu no mesmo lugar.

  –É... acho que vai ficar pra próxima. –Com seu clichê sarcasmo sombrio, ela passa por cima do corpo de Elisabeth, pegando a vacina no chão, se aproxima de Judith. A menina, sem entender do que aquilo se tratava, é segurada pelas mãos de Victoria. –Ok, menininha... eu vou te tirar daqui. -Surpreendentemente, Elisabeth Blake aparece em pé atrás de Victoria. A mulher suspira assustada, e tem seus cabelos segurados por trás pela médica. Sendo puxada com toda força para trás, involuntariamente, Victoria deixa Judith cair no chão. A altura não a machucou, mas o susto do impacto de cair sentada naquele chão frio, fez a menina chorar. –Não! –Antes que ela pudesse ajudar a criança, Elisabeth Blake empurrou seu corpo por cima de uma das bancadas do laboratório, fazendo Victoria derrubar inúmeros frascos de vidro e cair para o outro lado no chão.

  A médica viu a vacina em uma de suas mãos. Victoria, apoiando-se sobre os frascos de vidro ao redor de seu corpo, vê Elisabeth Blake se aproximando. Então, tentando se reerguer, arrasta-se com a barriga no chão em direção à porta, sendo segurada pelos pés pela cientista, que a puxou para perto novamente. –Isso não é seu! –Victoria, virando-se de barriga para cima, usa um de seus pés para dar uma rasteira em Elisabeth Blake até derrubá-la no chão. A mulher, ao ouvi-la gemer de dor, levanta-se em um pulo, e fica de pé em frente à Elisabeth, que por reflexo, coloca a mão sob a pistola em seu bolso. Mas, antes que pudesse sacá-la, Victoria ergue a mão que segurava a vacina, com a intenção de quebrá-la ao jogá-la no chão.

  -Não! –A cientista grita como se sua vida estivesse sendo segurada pelas mãos de Victoria. –Não faça isso! –Elisabeth ergue as mãos, rendendo-se, e colocando sua pistola no chão antes de se levantar-se. -Não... faça isso. -Victoria a vê Elisabeth Blake em pé em sua frente, desarmada, entregue, com um único e inegável desejo de tirar a vacina de suas mãos. Seus olhos claros estavam arregalados. –Você é uma de nós. –Elisabeth Blake disse. –Sabe o quanto trabalhamos para conseguirmos isso. Sabe quantas vidas isso nos custou. –Victoria recorda-se da morte de seu marido. –Você não quer jogar isso fora. Não quer. Porque sabe o que é o certo a fazer. Sempre soube. –Ela diz. –Sei que não vai jogar tudo fora pela vida de uma mulher que mal conhece. Eu não vou fazer mal à essa criança, Victoria. -O jogo psicológico que Elisabeth Blake fez com que Victoria desviasse os olhos até Judith, que ainda chorava no mesmo lugar. –Ela vai ter o mesmo direito de viver que você terá, que todos terão... quando a cirurgia acabar. –Victoria pensa em sua vida, em sua sobrevivência, em tudo o que passou para permanecer dentro daquele hospital. Do quanto queria viver sem medo. –Victoria... –A médica a chama mais uma vez, e ela a observa. –Me dê a vacina. Agora. –Os olhos sombrios de Elisabeth Blake a fitaram fixamente. –Isso é uma ordem.

  Durante um instante, Victoria encarou Elisabeth Blake como jamais havia olhado. Ela enxergou sua maldade, sua covardia, sua frieza. Recordou-se de seu marido, das pessoas que Elisabeth Blake havia matado, de quantas vidas a cientista jogou fora para salvar a si própria. Ela conhecia a médica mais do que qualquer curador naquele hospital. Sabia que sua intenção não era salvar a humanidade, mas sim a si mesma. Victoria pensou em Julia. Em Daryl. Em Charlie. E seu peito doeu ao imaginar que, naquele momento, o garoto via a irmã morrer na sua frente.

  Então, um único disparo foi ouvido.

  O tiro vindo da metralhadora de Victoria acertou em cheio a barriga de Elisabeth, que pelo susto e pelo impacto, caiu sentada perto de uma das bancadas do laboratório. A médica colocou as mãos em seu abdômen, enquanto suas roupas brancas eram cobertas por uma enorme mancha de sangue, e observou Victoria, com lágrimas em seus olhos azuis. Victoria, com a boca entreaberta, respirando ofegantemente, por um segundo não acreditou no que havia feito. Ela abaixa a metralhadora, sem tirar os olhos de Elisabeth, que naquele momento, agonizava enquanto tentava apoiar-se no chão. Era sua única chance.

  Victoria, então, guarda a vacina em seu bolso, corre até Judith, apartando seu choro e segurando-a no colo, e rapidamente, se direciona até a saída do laboratório. Elisabeth Blake consegue esticar-se até alcançar sua arma mas, com a mão sob o ferimento sangrento, erra os tiros que tentaram acertar as costas de Victoria, que abre a porta, e consegue fugir junto à Judith.

  A médica solta um gemido terminal, misturado com a dor insuportável que sentia e a raiva que consumia seu corpo, e lança sua pistola para longe. –Merda!

***

  Daryl estava vestido com as roupas cirúrgicas que havia tirado do enfermeiro. O mesmo, permanecia inconsciente dentro do elevador, enquanto o caçador, com a crossbow escondida atrás de seu corpo, caminhava pelo extenso corredor até a sala de cirurgia. Cerca de três curadores armados cruzaram pelo seu corpo, mas nenhum deles percebeu sua presença por causa de seu disfarce. Então, ao chegar perto das pias de esterilização, observou as sombras dos médicos e materiais cirúrgicos refletidas nas cortinas da janela que o separava da sala de cirurgia. Ao parar em frente à porta, ele tirou a crossbow de trás de seu corpo, e respirou fundo com a mão sobre a maçaneta, preparando-se para o que o esperava lá dentro.

  Daryl entrou na sala de cirurgia com apenas um passo. Ao parar em frente à porta aberta, com a crossbow apontada, o caçador observou um cirurgião, e dois enfermeiros, que estavam em pé ao redor da maca cirúrgica em que eu me encontrava inconsciente, e preparada para a cirurgia que aconteceria segundos antes de Daryl aparecer.  Naquele momento, os dois enfermeiros e o doutor foram impedidos de começar a cirurgia, chocando-se ao verem o caçador ali. Então, Daryl retirou a máscara cirúrgica de cima de sua boca e nariz, observando-me. Os olhos azuis de Daryl me fitaram da mesma maneira que haviam me olhado quando viu o que Jay havia feito comigo. No mesmo segundo, ele abaixou a crossbow lentamente e aproximou-se da maca. Daryl observou meus olhos fechados, minha pele pálida, a  bata cirúrgica que cobria meu corpo nu, minha aparência vazia e apática. Naqueles segundos, todos os riscos que o impediam de permanecer ali não importavam mais.

  -Doutor! –Um dos enfermeiros, uma mulher, arregalou os olhos e afastou-se da mesa de cirurgia.

  O homem encarregado pela cirurgia, com o bisturi em mãos, observou o caçador. –O que está fazendo aqui?! –Daryl o encarou com toda raiva do mundo, enquanto o doutor, desarmado, apontou o bisturi para seu rosto. –Eu não vou deixar você levar ela. –O caçador não ergueu a crossbow, apenas deu mais um passo para perto do cirurgião. –Eu não vou...

  Antes que ele pudesse terminar a frase, Daryl agarrou fortemente seu pulso e direcionou a mão do médico para seu próprio pescoço, perfurando sua garganta com o bisturi. Gritos aterrorizados dos enfermeiros conturbaram o ambiente. O sangue do médico jorrou, e seu corpo foi largado no chão. –Socorro! Alguém... –A mulher, antes que pudesse até a porta, foi segurada pelos ombros por Daryl, e lançada com a cabeça em cima da maca, caindo inconsciente no chão.

  O enfermeiro, encostado em uma das paredes do local, arregala os olhos ao ver Daryl se aproximando. –Não, não, não... por favor. Eu não quero morrer. Por favor! –O caçador aproxima-se com passos lentos, e no ápice de sua raiva, bate com o ferro da crossbow na cabeça do homem, que cai morto no chão, em volta da poça de sangue que se formava pela fratura em seu crânio. 

  Depois de certos segundos, Daryl observa a sua volta ofegantemente, ouvindo o barulho das máquinas que mediam meu pulso e meus batimentos cardíacos. Foi como se não tivesse conseguido controlar seu próprio instinto ao me ver daquela forma. Então, retirando as roupas cirúrgicas e as jogando no chão, cruzando a crossbow em seu corpo, observou-me mais uma vez, e se aproximou da maca.

  -Emma... –Daryl tirou a máscara de anestesia de meu rosto, e os fios ligados à minha pele que mediam meus batimentos cardíacos.  –Acorde. Sou eu, por favor, acorde... -Observando-me de perto, colocou as mãos quentes em minha pele fria. –Vamos... –Daryl, cuidadosamente, puxou meu corpo desacordado para perto do seu, e segurou-me no colo, com a mão em minhas costas e a outra em baixo de minhas pernas. Seu sussurro quente contornou meus ouvidos. -Eu vou te tirar daqui, me ouviu? Vamos sair daqui juntos. -No mesmo segundo, ele pôde escutar vozes vindo do corredor. Os curadores se aproximavam. Olhando ao redor, percebeu a presença de meu arco e minha mochila de flechas em cima de uma das bancadas. Colocando o ferro do arco dentro da mochila e a colocando em suas costas, observou uma segunda porta dentro da sala cirúrgica. Era a única saída. Rapidamente, ele nos guiou até a ala leste daquele andar.

  -Ele está com ela! –As vozes dos curadores dentro da sala de cirurgia foram escutadas junto com o barulho de seus passos. Eles estavam atrás de nós. –Vamos! Rápido!

  Daryl, comigo em seu colo, passou a corredor entre os imensos corredores daquela ala. O suor escorria pela sua testa, umedecendo seus cabelos, enquanto seus fortes braços me sustentavam. Respirando ofegantemente, sem possibilidade de se armar, e com o pico de adrenalina que invadia seu corpo, procurava pela saída mais próxima de onde estávamos. Quando finalmente o caçador se deparou com um dos elevadores do prédio no final na ala leste, os curadores os viram de longe.

  -Essa é a sua última chance. –Daryl nem sequer olhou para trás. –Largue ela, agora! –Então, começou a correr em direção ao elevador aberto enquanto cerca de dez homens se nos seguiam. Tiros disparados pelas metralhadoras dos curadores acertaram as paredes do corredor, até quando finalmente, Daryl adentrou o elevador. –Pare! –Apertando o botão rapidamente, caminhou até o fundo do elevador, e observou os homens atirarem contra as portas metálicas que se fechavam. –Não!

  Quando as portas se fecharam por completo, os tiros se cessaram. O elevador passou a descer em direção ao térreo, e Daryl, no silêncio daquele momento, encostou-se na parede. Fechando os olhos, respirou ofegantemente, sentindo a fadiga invadir seus músculos. Então, após recuperar seu oxigênio, abriu os olhos e me observou.

  -Tudo bem... eu estou aqui. Estou aqui com você, amor... –Colocando seus dedos ásperos na lateral de meu rosto, alisou minha pele sensível, observando meus olhos fechados, e disse com sua voz rouca. –Nós vamos ficar bem. Vamos para casa. 

***

  Victoria abriu a porta da escada de incêndio rapidamente. –Como ela está?!

  Charlie, sem olhar para Victoria, permanece de mão dada com a irmã. –Viva. –A menina respirava ofegantemente, enquanto o suor e a dor já haviam invadido todo seu corpo. Seus olhos estavam ainda mais pesados, e ela mal conseguia manter a cabeça ereta. –Você conseguiu pegar a...

  Ao olhar para trás, Charlie e Julia observam Judith no colo de Victoria. A menina de olhos azuis, e com os cabelos loiros cobertos pelo chapéu do irmão, foi reconhecida pelos irmãos. Victoria, com a vacina em mãos, observa Charlie, que naquele momento, sem entender como aquilo era possível, ficou sem palavras ao ver Judith ali.

  Victoria engole seco. –Por favor... me digam que esses olhares significam que vocês a conhecem. 

***

  A porta do elevador se abriu, e quando Daryl deu um passo para fora, deparou-se com uma cena que nunca esperaria ver.

  -Você não pode salvá-la! –Elisabeth Blake, estava em pé, com uma mão sobre seu abdômen ferido, e a outra com sua pistola, apontando-a para o corpo de Daryl. Ele observou a quantidade de sangue que manchava suas roupas, sua postura instável, e o alvo fixo da arma da médica em direção ao caçador. Eles estavam sozinhos, dentro do estacionamento imenso do hospital. Daryl, com a crossbow cruzada em seu corpo e comigo em seus braços trêmulos, não tinha a capacidade de reagir contra aquela situação. –Mesmo que você a tire daqui... o que acha que vai acontecer depois? –Elisabeth, para a alguns metros de distância manca, ainda com sua arma apontada, para perto do caçador. –Quanto tempo até ela morrer sem oxigênio? Até os tumores em seus pulmões ignorarem sua imunidade e subirem para seu cérebro? –Ela chega perto o bastante para que o caçador observasse o cano de sua pistola direcionado para sua cabeça. –Ela vai morrer de qualquer jeito, Daryl. –Elisabeth Blake tira a arma de frente ao seu rosto, e ergue a mão que não estava sobre seu ferimento. –Você ainda pode fazer a coisa certa.

  -Essa não é uma decisão sua. –Ainda comigo desacordada em seus braços, Daryl não teve medo de encará-la.

  -É o que ela quer. –Elisabeth diz, referindo-se a mim, e abaixando por completo a pistola em sua mão. –E você sabe disso. –Daryl se lembra da conversa que tivemos antes de eu ser preparada para cirurgia. –Emma está doente, Daryl. Seu câncer é terminal. Está cansada. –Daryl, brevemente, me observa. –Você quer salvar sua vida para que? Viver ao lado dela por mais 1, ou 2 anos e vê-la morrer agonizando sem oxigênio na sua frente?

  -Ela pode ser curada.

  -Por um médico que não tem posse da metade da estrutura que esse hospital tem. –Elisabeth diz, e Daryl se cala. –A vida de Emma pode salvar a humanidade. Sua imunidade vai trazer de volta à vida aquelas coisas que estão lá fora. –A médica se refere a recuperação da saúde dos infectados. –Vai ser responsável pela criação de um mundo seguro para seus filhos. Para seus netos. Para sua família... para Rick. Você não acha que ele merece isso? Depois de tudo que vocês passaram? Depois de tantas mortes que você presenciou? –Daryl se recorda de Sophia, e de todas as pessoas de seu ciclo que morreram infectadas. -Você merece viver sem medo. Nós merecemos. Emma sabe disso. Essa era a sua intenção... desde o início. A sobrevivência de todos vocês. É o que ela quer. –Os olhos azuis e lacrimejantes de Daryl observaram Elisabeth profundamente.

   -Então, o que vai escolher? –Elisabeth Blake pergunta. –Ela? Ou a sobrevivência de toda a humanidade? 


Notas Finais


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~prada


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