História Survivors 2 e 3 - Capítulo 48


Escrita por:

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Categorias The Walking Dead
Personagens Beth Greene, Carl Grimes, Daryl Dixon, Glenn Rhee, Maggie Greene, Rick Grimes, Sasha
Tags Apocalipse, Carl Grimes, Daryl Dixon, Miley Cyrus, Rick Grimes, The Walking Dead
Visualizações 28
Palavras 4.399
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Luta, Mistério, Romance e Novela, Saga, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


opa levaram susto com esse deus grego?
só lendo para saber quem é!!!!

Capítulo 48 - Eric.


Fanfic / Fanfiction Survivors 2 e 3 - Capítulo 48 - Eric.

Já era de noite quando o soldado que dirigia parou com o trailer no encostamento de uma estação de trem abandonada. Por coincidência, era a mesma que havíamos salvado as cobaias que Elisabeth tentou se livrar quando ainda estava viva. Os dois homens de farda guiavam a fila que haviam formado do nosso grupo, um na frente da mesma e o outro atrás, ambos armados.

    -Parece limpo para passarmos a noite... -O que abria o caminho disse enquanto sua voz ecoava pelo imenso lugar. Todos seguíamos em silêncio, já que haviam confiscado nossas armas e não tínhamos condições de fazer nada para evitar o que estava prestes a acontecer.

    Eu permaneci de mãos dadas com Julia, atrás do corpo de Daryl, que não conseguia tirar os olhos furiosos de cima dos soldados. 

    -Seria mais fácil nos liberarem. -Rick argumentou e o soldado parou de caminhar, consequentemente interrompendo os passos das pessoas em fila e virou em sua direção. -Não queremos mais confusão. 

    -É difícil acreditar nisso depois do que vocês fizeram lá dentro. -O homem praticamente o peitou. -Ou acha mesmo que eu vou acreditar que foi por legítima defesa?

    -Vocês estavam com uma das nossas. -O líder se referiu à Victoria, que com a cara ainda inchada pela surra, prestava atenção em silêncio na fila. -Temos informantes. -Rick mentiu sem querer admitir que o grupo invadiu o lugar para roubar os remédios para Lily. Ninguém fazia ideia que Victoria havia sido sequestrada por eles.

    -Também temos. E adivinha? -O soldado abriu brevemente a mochila que carregava no ombro, demonstrando todas as munições e medicamentos que Alex, Martinez e Laura haviam roubado daquele lugar. -Parece que fizeram muito mais do que só resgatar um dos seus. 

    Rick ficou sem palavras, observando o soldado se virar para continuar guiando a fila. Minha vontade era falar que eu tinha filhos me esperando em casa e que não poderíamos simplesmente passar a noite naquele lugar. Mas consequentemente os estranhos passariam a saber sobre a localização das comunidades, então o medo do que poderia acontecer me fez permanecer em silêncio.

    -Se quisessem nos matar já teriam matado. -O líder disse em alto tom e o homem de farda parou os passos de novo, ouvindo-o de costas. -Então, o que querem? Vingança?

    -Queremos que cale a boca e continue a andar. -O outro soldado, que estava por último na fila, disse apontando a arma para a cabeça de Martinez na sua frente, que ainda soluçava pela perda recente. -Ou eu mato o chorão aqui mesmo. 

    Martinez mal se moveu, ele estava ocupado demais derramando lágrimas intensas sem conseguir dar valor à própria vida depois do que aconteceu com a Laura. 

    Sem o que fazer, obedecemos. 

    -Até os pilotos terminarem o serviço, não é seguro sair. -O soldado disse, provavelmente se referindo aos outros integrantes do exército. -Então, descansem. Não quero ninguém caindo de sono amanhã na hora de conhecer o chefe. 

    Naquele silêncio atormentador, eles nos guiaram até perto da praça de alimentação da estação de trem, que provavelmente já saqueada por eles antes, estava livre de errantes. Os estranhos nos encararam com suas armas indicando que deveríamos nos acomodar. 

    -Olha, eu não quero que me entenda mal, mas não podemos simplesmente… desistir da nossa sobrevivência assim. -Tentei impedir aquilo com cuidado para não dizer que tínhamos um lar. 

    Um dos sargentos, então, me encarou com a mesma feição ameaçadora. -Por que? Há mais de vocês em outro lugar? -Engoli seco, sem saber o que responder, por não poder colocar em risco a vida da minha família em HoldWood. -Então, senta. 

    Fomos obrigados a ceder pelas armas apontadas para nossos corpos. Assim, nosso grupo sentou-se em cadeiras e até mesmo no chão. Como eu e Julia, que observamos Daryl ainda em pé. 

    -Não ouviu o que eu disse? -O homem de farda encarou o caçador.

    -Alguém precisa ficar de vigia. -Daryl disse com a voz rouca, depois de olhar brevemente para Rick. 

    O soldado soltou uma curta risada sarcástica, admirando a coragem dele de o desafiar e se referiu ao seu aliado. -Agradeço a gentileza mas ficamos com o primeiro turno. 

    -Daryl… -Eu o chamei em baixo tom, dizendo pelo olhar que era melhor para o bem de todos que ele o obedecesse.

    Então, mesmo demorando um pouco, ele cedeu, sentando-se com os joelhos flexionados ao lado de Julia. Naquele momento, Alex perto de Victoria, passou a cuidar de seus ferimentos, enquanto Martinez ainda chorava em silêncio com as costas encostadas em uma das pilastras do lugar. Rick, também sentado, estava próximo à Sun que com sua mesma feição séria, não aparentava ter medo daqueles homens. Os mesmos, permaneceram em pé depois de depositarem a bolsa com as nossas armas em cima de uma mesa. 

    -A força aérea estará evacuando a área nas próximas quatro horas. Vamos sair pelos fundos e caminhar até chegarmos no estádio de manhã. -O soldado nos alertou, em claro tom. 

    -De lá para onde vamos? -Eu perguntei, sem pensar duas vezes. 

    -Isso ele que vai resolver quando ficar sabendo da merda que vocês fizeram. -O outro me respondeu, se referindo ao seu mandante. 

    Antes que pudéssemos ter qualquer reação sobre o futuro inesperado que nos aguardava, passos foram ouvidos na entrada da estação. Com um fuzil em mãos, o homem que apareceu também usava vestimentas do exército, mas por algum motivo, apontou sua arma para os sargentos assim quando os avistou. Os mesmos fizeram o mesmo com as suas metralhadoras, ficando por um segundo de costas para a mesa que continha as nossas armas. 

    Diante do susto momentâneo, aproveitei a distração dos sargentos e fiquei de joelhos no chão até alcançar uma flecha na mesa. Escondi a mesma em minha bota e voltei ao meu lugar, sentando novamente e sem ser percebida pelos homens, que ao imaginarem que o desconhecido também era do exército, abaixaram suas armas ao mesmo tempo que ele. 

    -Onde está a sua unidade?! -Um deles indagou, enquanto o estranho de cabelos curtos castanhos claros, cavanhaque, olhos claros e corpo atlético, típico perfil atraente para um sobrevivente, respondeu. 

    -Mortos. -Suas mãos demonstravam a presença de sangue seco e sua feição parecia nervosa, apesar dele aparentar ser do mesmo lugar que os homens que nos sequestraram. Naquele momento, consegui ler no broche de sua farda o nome “Spears”. 

    Os homens do exército aparentaram não acreditar. -É mesmo?

    -É. -Ele assentiu. -Não tiveram chance. 

    -Então, como conseguiu escapar?

    Nosso grupo escutava a conversa em silêncio. -Eu me garanto. 

    Os homens de farda continuaram se encarando por longos segundos. Durante aquele silêncio, Daryl, que havia percebido o que eu tinha feito antes, sussurrou enquanto nossos corpos eram separados por Julia. -Espere pelo momento certo. 

    Eu assenti, me referindo ao ataque que estava planejando contra quem nos havia levado para aquele lugar.

    -Deve estar cansado. -O outro sargento disse olhando para o desconhecido e apontou com a arma para o lugar que meu grupo estava sentado. Com receio, o homem de farda obedeceu, sentando-se no chão perto da gente. -Durmam. -Ele pediu, encarando cada um do meu grupo, com exceção do soldado recém chegado. -Antes que eu tenha que apagar vocês para isso. 

***

    Charlie estava em pé para olhando para Brad, que sentado nos fundos da mesma sala que havia sido levado, com os pés e mãos amarrados e com galo na cabeça pela coronhada, ainda era suspeito por ter matado Richard. Charlie havia deixado Max dormido na comunidade com Maggie, sem conseguir ignorar a vontade de dizer o que queria para o jovem adulto que ele havia se apaixonado um dia.

    -Me diga. -Charlie pediu. 

    Brad, vendo-o pela primeira vez depois de ter sido apagado pelo mesmo, indagou. -O que?

    -A verdade. 

    O filho de Jason continuou em silêncio por alguns instantes. 

    -Eu já disse. Meu pai não fez aquilo com Lily e eu não matei o Richard. 

    -Então, quem foi o culpado? -Charlie perguntou, enfrentando-o. -Seu patrão? Para quem você e o merda do seu pai trabalhavam enquanto mentiam sobre suas intenções comigo e com essa comunidade?! -Brad não teve palavras, encarando-o sério. -Eu confiei em você. Eu segurei sua mão e te incentivei a ser o que você realmente é. Eu acreditei que você me amava. Em vão! 

    Charlie parou de falar por um segundo, se controlando para as lágrimas não escaparem e Brad finalmente disse algo. 

    -Quando você é refém um dia… é refém para sempre.-Ele provavelmente se referiu aos abusos que sofria pelo exército. -Eu não tive escolha e sinto muito.

    -Você sente muito porque eu descobri. -Charlie o interrompeu. -Você sabia exatamente o que estava fazendo e com quem estava lidando. Não teve a mínima empatia por mim ou pela a minha família. Então, vai se foder e não seja covarde ao ponto de dizer que sente muito porque você não sente!

    -Era isso ou ele me matava!

    -Eu morreria por você! -Charlie argumentou, diante do berro de Brad, que ao ouvir aquilo, não conseguiu dizer mais nada. -Mas agora… daria tudo para poder te matar aqui mesmo. 

    Charlie virou de costas e caminhou até a porta com a intenção de lugar, mas teve os passos travados pela voz de Brad. 

    -Você quer saber a verdade? -Charlie permaneceu de costas, ouvindo ele se referir ao sobrevivente que estava por trás de tudo. -A verdade é que ele é o pior de todos que vocês já enfrentaram. E se sua família não voltou até agora… é porque estão prestes a encontrar com Deus. 

    -Deus? -Charlie ironizou, virando-se para ele. 

    -O único que é capaz de fazer o milagre que é trazer pessoas mortas de volta à vida. -Ele disse. -Com exceção da sua mãe, que uma vez na frente dele… jamais voltará para casa. 

 -Então, torça para que ela volte. Porque se não, vou fazer questão de te enforcar com a única mão que eu tenho até te ver perder o oxigênio aos poucos, agonizando e indo para o mesmo inferno que seu pai foi. E aí sim... vai desejar ter sido morto pelo seu patrão, porque eu não vou deixar para trás nenhuma dor sequer que serei capaz de fazer você sentir. 

  Assim, Charlie simplesmente deixou o lugar, batendo a porta.

***

    Acordei de um cochilo que durou meia hora sendo balançada por Daryl. Abri os olhos, com uma sensação estranha e observei o local que eu havia adormecido. Todos do meu grupo dormiam, com exceção do caçador, que me alertou sobre o que aconteceu junto a Rick. 

    -Eles levaram ele. -A voz do líder se referiu ao estranho que tinha chegado logo depois que os soldados nos levaram para a estação. Nossas armas continuavam em cima da mesa, mas não havia sinal dos três homens de farda. Provavelmente haviam descoberto algo sobre o "soldado" para eles nos deixarem sozinhos de forma tão favorável como daquele jeito. 

    -Para onde?

    -Eu não sei, só o acordaram, algemaram seus pulsos e o levaram. -Rick respondeu. -Vou acordar os outros e distribuir as armas, se esses merdas voltarem somos maioria. 

    Me levantei e Daryl pegou sua crossbow de cima da mesa. -Eu vou dar uma olhada. -Eu afirmei, ainda com a flecha escondida na bota. 

-Eu fico com ela. -Daryl referiu-se à Julia, que ainda estava dormindo. 

Assenti com a cabeça e me distanciei do grupo com passos leves ao mesmo tempo em que Rick e Daryl acordavam o resto do grupo e permaneceram de vigia no mesmo local. Caminhei pelo extenso corredor mal iluminado da estação do trem até quando avistei os dois sargentos de costas que tinham nos sequestrado, segurando pelos braços o homem que apareceu de surpresa na estação, sem as roupas do exército que antes usava. Ele usava só cueca, com o tronco e abdômen defino exposto. Era perceptível que haviam descoberto que o desconhecido não era quem eles pensavam. 

    -Ei! -Eu disse, parando de caminhar a metros deles. Os três cessaram os passos e se viraram em minha direção. Preocupados em relação as armas expostas que haviam deixado para trás, apontaram as metralhadoras para mim. -Eu não peguei nada. -Ergui as palmas das mãos, enquanto o desconhecido com as mãos algemadas me olhava. -E ninguém mais acordou. Só eu.

    Um deles então, soltou o desconhecido, caminhou até mim e me revistou brevemente com suas mãos, esquecendo de pedir para eu tirar minhas botas. Em seguida, ele iluminou com a lanterna o corredor, sem conseguir perceber a presença de Daryl e Rick no local onde nosso grupo estava. Sem descobrir o plano, ele virou-se novamente em direção ao homem rendido e junto com seu aliado, continuou a guiar o mesmo pelo extenso corredor. 

    -Para onde vão levá-lo? -Indaguei, confusa, passando a seguir eles. -Ele… não é um de vocês?

    -Não se mete! -O soldado me respondeu de costas.

    -Ou se mete, pega uma arma e dê um tiro na cabeça desse desgraçado. -O estranho rebateu, antes de levar um empurrão de um dos soldados. 

    -Cala a boca! 

    Naquele momento, eu pude ouvir os passos de Rick e de Daryl se aproximando. -Spears? -Eu indaguei, recordando-me do nome que havia lido no broche da farda do desconhecido. 

    -Ele não vai te responder porque esse não é o nome dele. Spears era da nossa unidade e está morto agora. Esse filho da puta o matou e se vestiu com suas roupas para passar despercebido pelo o estádio. -O soldado continuou a dizer. -O nome dele é Eric e é um golpista mentiroso. Alguns acreditam que não há mais justiça no mundo… mas vamos mostrar para ele que ainda há. 

    -Não acredite neles. Não estão no controle… esses babacas só seguem as ordens de alguém pior do que eles mesmos. -Suado, o homem ofegante andava enquanto olhava para trás. -E se vocês fizeram mesmo aquilo com aquele lugar… -Ele se referiu ao alojamento que havíamos invadido e encontrado Victoria. -Estão fodidos. Não te mataram até agora porque o chefe deles vão! 

    -Seu… -O soldado então, empurrou o peito de Eric até encostar suas costas na parede e apontou a metralhadora para atirar em sua cabeça, no mesmo momento em que Daryl e Rick nos alcançaram e alvejaram os dois sargentos antes que pudessem fazer algo contra o desconhecido. 

    O barulho dos disparos jorraram sangue no rosto de Eric, que permaneceu intacto. Quando os tiros cessaram, nós quatro observamos os corpos dos soldados caírem duros na poça vermelha no chão. Então, fitamos os olhos azuis do desconhecido, que com a feição sarcástica, ergueu as mãos algemadas ao ver minha flecha, a crossbow de Daryl e a arma de Rick apontada para sua cabeça. 

    -Sem querer ser mal-agradecido, mas… -Ele observou um dos soldados mortos. -Se um de vocês puder pegar a chave das algemas no bolso de um desses otários… eu iria me sentir muito melhor. 

***

    Quando voltamos para a praça de alimentação, Rick e Daryl guiavam Eric segurando-o pelos braços enquanto eu ia na frente. 

    -São vocês?! -Ouvimos a voz de Alex, que em posição com a pistola apontada, nos esperava junto ao grupo. 

    -Sim. -Eu disse, aproximando-me de Julia e me referindo à Eric. -E ele. 

    -Mas e os soldados? -Minha filha indagou, preocupada. 

    -Mortos. -Eric disse, ainda sendo imobilizado.

    -Ninguém falou com você. -Daryl o ameaçou, com sua rígida mão em um dos braços do homem. 

    -Vocês precisam de mim. -Ele disse, me olhando. -Sou o único que passou tempo o bastante com eles para conhecê-los mais do que ninguém. 

    -Por que diabos está sem roupa? -Victoria, ainda confusa, franziu o cenho. -Você não é um deles?

  Então, ele contou sobre tudo. 

    FLASH BACK ON

    Eric estava de mãos algemadas sentado no sofá da casa abandonada que o soldado havia arrombado para ganhar tempo. Haviam muitos errantes do lado de fora e ele teve que fechar todas as persianas do local para não arriscar sua própria vida. Até porque, estava sem a sua unidade e com um estranho de companhia. 

    -Estou com um suspeito na avenida 13, sentido 102 de Hostigans. Câmbio. -Com um rádio em mãos, o homem de farda tentava ver algum movimento sem ser o dos mortos pelos espaços entre a cortina, em pé na janela. -Repito. Estou com um suspeito rendido, avenida 13, sentido 102 de Hostigans. Preciso de um transporte e reforço. Câmbio. 

    -Não sou quem vocês procuram. -Eric, com sua feição atraente completamente abatida e ferida pelo espancamento que havia sofrido pelo soldado, disse, observando as costas do mesmo. -E você sabe disso. Só que não é problema seu, né? Só faz o que ele manda, seja certo ou errado... com medo de quem está no comando. -Ele tentava manipular o homem armado de todas as formas. -Não concorda com suas atitudes mas se ele pedir para você chupar o pau dele, não vai pensar duas vezes.

    -Cala boca! -O soldado virou-se em sua direção, mas ele não cedeu.

    -Você e os hipócritas das forças armadas só querem continuar se sentindo superior aos outros sobreviventes… enquanto ainda podem. Mas a verdade é que no fundo estão apavorados. Não é verdade? -O soldado ficou em silêncio, ouvindo suas palavras. -Mas eu sei como é. Ouvi como eles te tratam e as merdas que te mandam fazer. 

    -Vai tomar no cu. 

    -Por que? Somos só duas vítimas deles… jogando conversa fora. 

    -Eu já ouvi demais. -O soldado falou, com a metralhadora em mãos.

    -E vai ouvir de novo. -Eric afirmou. -Pegaram o cara errado. Até porque… você acha mesmo que eu continuaria vivo se tivesse algo que eles querem?

    -Você foi pego roubando suprimentos do caminhão. 

    -Eu não como a semanas. -O homem bonito argumentou.

    -E vai continuar sem comer se não calar a boca. 

    Então, sendo obrigado a pensar em outro plano, Eric se levantou do sofá. 

    -Senta! -O soldado apontou a metralhadora para o homem alto e musculoso. 

    -Eu preciso mijar. 

    -Foda-se. 

    -Qual é cara… eu vou mijar nas calças. -O rendido insistiu. 

    O soldado apontou com a cabeça para o canto da sala. -Mija ali. 

    Sem ter o que fazer, Eric andou até ficar de costas para a arma do soldado apontada. Com os pulsos algemados e atrás do corpo, ele perguntou. -Posso colocar as mãos para frente? A não ser que queira colocar meu pau para fora… é grande. Vai ter que usar as duas mãos. 

    Com a insistência do rendido, o homem de farda então o guiou até o banheiro da casa. O mesmo passou os braços de Eric por debaixo de suas pernas, sem tirar as algemas, para passar suas mãos presas para frente. Assim, o soldado ficou com a arma apontada para Eric na porta do banheiro, enquanto o mesmo, em frente ao vaso fechado, o observou. 

    -Não vou mijar na tampa… -Ele indagou, com as mãos algemadas e impossibilitado de abrir a tampa do vaso. -Pode ser gentil em me ajudar?

    Demorou alguns segundos para que o soldado, com o fuzil em mãos, se aproximasse do vaso. Então, no mesmo momento, Eric lançou uma cotovelada com força no rosto do homem, três vezes até fazê-lo ficar tonto o bastante para largar o fuzil no chão. O soldado tinha a estrutura corporal pequena, o que facilitou o rendido de ir para trás de seu corpo e usar seus braços, mesmo com as mãos algemadas, para dar um mata-leão no pescoço do homem. Assim, grunhindo com força e percebendo que o soldado não cedia enquanto tentava alcançar o fuzil no chão, Eric ainda com o braço em volta do seu pescoço, empurrou seu tronco contra a pia. A cabeça do homem foi lançada a força repetidas vezes no mármore da bancada, enquanto seu crânio era dilacerado e o sangue jorrava no espelho do banheiro. Após sentir seu corpo amolecer e perder a consciência progressivamente, Eric soltou o mesmo no chão e revistou seus bolsos para achar a chave da algema. Se esforçando para soltá-la sozinha, colocou as mãos sobre seus pulsos roxos e marcados, observando o soldado morto em frente aos seus pés. Eric fitou sua roupa camuflada do exército e o broche que abrigava o nome “Spears”, referente ao homem de farda que havia assassinado. Só havia um jeito de sair de lá sem ser percebido. 

  FLASHBACK OFF

  -Depois disso passei alguns meses no estádio. -Eric disse. -Disfarçado, é claro... mas podendo conhecer de perto o insano que está por trás disso tudo. 

  -Conhece o general das forças armadas? -Eu indaguei. 

  -Nunca troquei uma palavra com ele, mas sei do que é capaz de fazer. -O estranho garante. -E acreditem: ele vai querer de volta o que tiraram dele. 

  -Alguns remédios e armas não vão fazer falta. -Alex disse, tentando amenizar a situação. 

  -Mas os soldados que vocês mataram, vão. -Eric disse. -E acreditem... vão querer estar preparados quando ele decidir acertar as contas.

  Victoria então perguntou, investigando-o. -Se ele é mesmo isso tudo que você está falando... por que decidiu sair de lá em vez de usufruir do estádio e da proteção que as forças armadas garantem?

  -Me descobriram. -Ele disse. -Eu sabia que iria dar de cara com um conhecido do "Spears" cedo ou tarde... lá, ou aqui dentro. 

  -Como escapou facilmente das armas e dos tanques? -Eu continuei o questionamento. -Presumo que não seja fácil escapar de um estádio de futebol cheio deles. 

  -E não é. -Eric ficou alguns segundos em silêncio, recordando-se de tudo que havia passado até ter chegado na estação de trem. -Tanto que encontrei com mais deles aqui. 

  A cidade estava cercada. Era claro que Eric conseguiu fugir, mas seu rosto já estava marcado por aqueles homens. Por sorte, os nossos não estavam. Os únicos soldados que haviam visto os mesmos agora estavam mortos. E não queríamos ficar naquele lugar para encontrar mais deles. 

    -Peguem todas as armas e medicamentos que roubamos. -Rick disse, enquanto o grupo se preparava para sair. -Não sabemos se os soldados chamaram mais homens das forças armadas, não podemos continuar expostos. 

    -E ele? -Sun indagou, com sua enorme estaca de madeira em mãos. -Vamos confiar?

    -Como confiamos em você? -Eu indaguei, sem medo da sua feição séria, ameaçando os dois ao mesmo tempo. -É melhor que sim. Não gostamos de mentirosos. 

***

    Estávamos reunidos na antiga casa de Marie e Elliot. Contamos para o resto do grupo sobre o acontecimento e a perda de Laura. Em compensação, Alex conseguiu medicar Lily com os remédios furtados e pelo menos um de nossos problemas foi amenizado. Depois da entrevista que Rick fez com Eric, concordamos em deixá-lo entrar em HoldWood. Ele estava machucado, sujo de sangue, com fome e até então, não havia demonstrado qualquer ameaça para o nosso grupo. Seria covardia deixá-lo para trás. Não confiávamos nele, mas ao mesmo tempo tínhamos a consciência de que ele poderia ser útil de alguma forma.

    Enquanto Eric comia a comida preparada por Carol, Rick pediu falar comigo e com Daryl, chamando a gente para conversar longe do grupo.

    -Ele não pode ficar aqui. -O líder disse. -Estamos com as casas lotadas e mal há suprimentos para os habitantes. Não sei se ainda temos o acordo com os vaga-lumes pelo o que aconteceu com Richard e com a ausência de Martinez, então não podemos levá-lo para lá também. 

  O "vice-presidente" dos vaga-lumes estava ocupado demais chorando em depressão pelo acontecido com sua amada. E depois da greve, não era claro se ainda podíamos contar com a comunidade aliada à HoldWood. 

  -Então, quer deixá-lo lá fora? -Eu indaguei, sem entender onde ele queria chegar.

  -Eric tem informações sobre as forças armadas que vão ser úteis para a gente se aqueles caras planejarem uma vingança. -Rick comentou. -Talvez se... ele ficasse na casa de vocês. 

  -Nem pensar. -Daryl o cortou, ainda desconfiando daquele homem. -Não vou colocar um estranho para dormir na mesma casa que meus filhos só porque ele nos avisou sobre algo que vamos enfrentar de qualquer jeito. -O caçador me olhou, citando o general. -Saber sobre esse filho da puta não vai diminuir a vontade dele em ir atrás de quem matou seus homens. 

  Após a referência à invasão que provocamos, eu insisti. -Vai ser por pouco tempo, até nos resolvemos com os vaga-lumes. As crianças podem dormir no nosso quarto e ele vai continuar desarmado. Só pode ser maluco se quiser tentar alguma coisa contra nós dois depois do que fizemos por ele. 

  -Tem maluco para tudo. -Daryl disse. -E a resposta é não. 

***

  -Vai arrumar a cama dele ainda? -O caçador, no quarto que antes era de Julia e Charlie, me viu colocando um cobertor na cama. 

  Daryl, sem ter escolha, finalmente concordou em deixá-lo ficar alguns dias com a gente. Com a condição de que Eric ficaria sem armas e longe das crianças, ele tinha noção de que era o único jeito de termos uma fonte de conhecimento sobre os sobreviventes que estávamos lidando. 

  -Para de ser ciumento. -Eu disse, aproximando-me dele em pé, enquanto Julia, Charlie e Max, já se preparavam para dormir no nosso quarto ao lado daquele. -Sabe que se eu pudesse não faria isso, não sabe?

  -Mas fez. -Com sua voz rouca, ele aparentou não estar satisfeito com a escolha de Rick. -Não sabemos suas intenções. 

  -Assim como não sabemos as intenções das forças armadas quando descobrirem que fizemos aquilo com o alojamento deles. 

  -Fizemos pela Lily. -Daryl argumentou. 

  -Você acha que ele vai ligar para o motivo? -Me referi ao general. -Pense no que faríamos se fosse com a gente. 

  -Por isso não deveríamos ter nos metido nisso... 

  -E deixar Lily morrer? -Indaguei e ele me ouviu, com um pressentimento ruim em seu peito. -A gente foi obrigado a fazer isso, amor. E querendo ou não, estamos lidando com as consequências. 

  Daryl ficou alguns segundos em silêncio, fitando meus olhos azuis. -Se ele tentar algo... 

  -Eu sei. -Afirmei, pensando nas atitudes que tomaríamos caso ele fosse o contrário do que dizia que era. Então, com medo do futuro que nos esperava, abracei o corpo de Daryl. Fechei os olhos com a cabeça encostada em seu peito e disse como consolo para mim mesma. -Vai dar tudo certo. 

  Ele demorou, mas cedeu, também me envolvendo com seus braços. -Eu sei. 

  Interrompendo nosso abraço, a porta do banheiro - dentro do quarto das crianças - foi aberta. E Eric, seminu, apenas com a toalha em cima de sua intimidade, observou a gente desfazer o abraço e fitar sua exposição pós banho. 

   Ele deu seu sorriso sarcástico e disse. -Já estou me sentindo em casa. 

 

 

  

 

 


Notas Finais


peço desculpas pelo cap simples e pequeno, mas o outro tem MUITA INFORMAÇÃO E MUITA COISA ACONTECENDO
será que esse eric é confiável?
dica: ele vai dar uma info MUITO chocante pra fic
espero comentários <3
~prada


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