História Survivors - Capítulo 35


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Categorias Jogos Vorazes (The Hunger Games)
Personagens Alma Coin, Annie Cresta, Cashmere, Cato, Clove, Coriolanus Snow, Cressida, Delly Cartwright, Effie Trinket, Finnick Odair, Gale Hawthorne, Glimmer, Haymitch Abernathy, Johanna Mason, Katniss Everdeen, Madge Undersee, Peeta Mellark, Personagens Originais, Primrose Everdeen, Rue
Tags Assassinatos, Drama, Everllark, Família, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Jogos Vorazes, Mistério, Peetniss, Policial, Romance, Suspense
Visualizações 171
Palavras 4.232
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, seus lindosssssss ❤ Sorry por aparecer essa hora e pela demora, esse fim de semestre é do capiroto e me atrapalha todaaa. Deus me defenderay!! Nem minhas fanfics estou tendo tempo de ler, sorry @skylizando prometo ler sua fic quando eu puder :) sucesso pra ti 💖
Obrigadaaaa aos novos favoritos e aos comentários maravilhosos, amo todos eles e estão guardadinhos no meu coreeeee ❤❤
Vamos a parte dois dessa caralha!
Boa leitura 💜

Capítulo 35 - Juntando os Pedaços de Um Coração Partido (Parte 2)


Fanfic / Fanfiction Survivors - Capítulo 35 - Juntando os Pedaços de Um Coração Partido (Parte 2)

Um misto de confusão e ódio permeava minha mente naquele momento, fazendo daquela uma situação perigosa para mim. Eu sentia minha cabeça doer levemente e o meu corpo parecia pesado demais sob minhas pernas bambas, porém, ainda tinha meus punhos serrados com força ao observar Finnick Odair sorrir abertamente para mim. Tudo parecia ainda mais alucinógeno ao ver seu rosto destroçado e o sangue rodeando sua arcada dentária, ele nem mesmo fez questão de cobrir seu corpo sob o meu olhar e isso só me deixou ainda mais irritado. Ele tinha orgulho do que havia feito, por algum motivo desconhecido por mim, ele estava satisfeito com sua ação pútrida e não parecia nem um pouco abalado por estar machucado. 

Após a denotação de Katniss não demorou muito para que Cato soltasse o meu corpo, mas o mesmo continuou próximo a mim para que eu não atacasse Finnick novamente. Ele estava tentando evitar que eu criasse problemas, já que eu provavelmente ainda era visto como um assassino para muitos e tinha sido preso por isso. Eu queria dizer que não ligava para as consequências que eu teria desde que eu tivesse a certeza absoluta de que Finnick jamais voltaria a encostar um dedo em Katniss outra vez, mas parecia estupidez ao me lembrar de que eu havia prometido ao dr. Fisher mais cedo fazer minha parte no tratamento. E tudo pioraria para mim se eu fosse preso novamente. Aliás, por que raios eu estava pensando em voltar àquela caixa branca claustrofóbica por Katniss? Obviamente eu não deixaria que Finnick terminasse o que havia começado, afinal, abuso sexual é um crime e um tanto traumático à vítima, pois, as marcas poderiam não ser apagadas e eu jamais presenciaria isso e ficaria em silêncio. Eu estava apenas fazendo o certo em ajudar Katniss, mas não queria dizer que eu deveria tomar conclusões precipitadas. Eu ainda estava confuso sobre o que tinha acontecido comigo e a estadia de Katniss em minha vida, essa história de sermos namorados não fazia sentido para mim, embora eu soubesse que o dr. Fisher jamais mentiria para mim sobre qualquer coisa.

Você é a primeira da lista, Katniss Everdeen.

Minha própria voz gritava a frase em minha cabeça, levando-me ao quarto nos fundos da casa de Effie onde Katniss me abraçou fortemente ao me ver, e após eu empurrá-la para longe, tentou explicar sobre alguma conversa da qual ela precisava se desculpar e sobre o seu pai. Foi quando eu a interrompi e lhe enchi de palavras hostis dolorosas, esperando que ela fosse embora. Cashmere apareceu e eu encontrei as telas com as pinturas de Katniss, jogando uma delas contra a parede. A segunda estava estragada e então eu desmaiei de dor antes de descobrir o por que de a pintura estar, de fato, estragada. De alguma maneira, esse simples pensamento fez com que a minha cabeça latejasse e o meu corpo tombasse para o lado direito, sentindo minha cabeça e meu ombro colidirem com a parede. Eu pude ouvir Katniss chamar o meu nome, sua voz ecoando em minha cabeça. Seu rosto apareceu em meu campo de visão de maneira turva e ainda sim eu pude reparar que havia sangue no mesmo, o que me levava a pensar que o propósito de Finnick não era apenas abusar de seu corpo e sim machucá-la. Mas por quê? O que Katniss tinha feito a ele para que o mesmo quisesse isso?

Meus olhos estavam quase cedendo, a voz longínqua e abafada de Katniss ainda tentava me chamar enquanto a mesma segurava o meu rosto com delicadeza, mas eu não estava conseguindo me mexer para lhe dar uma resposta; a dor em minha cabeça quase me cegando. Katniss sumiu do meu campo de visão e, em vão e com dificuldade, eu estiquei meu braço no ar para alcançá-la. Meus olhos se prenderam do outro lado do banheiro, um corpo estava jogado sobre o chão, mas não era o corpo de Finnick e sim o de Cato. Meu coração acelerou em meu peito e eu forcei meu corpo dolorido a se levantar, indo até o que eu achei ser a porta para gritar por ajuda.

— Você não vai embora. – a voz de Finnick soou firme e levemente divertida, como se tudo o que estava acontecendo fosse uma grande piada para ele. — Eu quero que você veja como é perder quem você mais ama. Quero que sinta o que eu senti depois que matou a minha futura esposa, destruindo minha felicidade com suas próprias mãos. Você acabou com a minha vida e agora eu vou acabar com o que ainda resta da sua. – jogou meu corpo com força contra a parece, fazendo com que eu batesse a cabeça novamente na mesma. Não estava conseguindo localizar Katniss e isso me amedrontava, pois, o nível de dor em minha cabeça já estava insuportável e as batidas na parede apenas intensificaram essa dor. Mas eu não podia deixar Katniss com esse maluco, ele iria matá-la e eu jamais me perdoaria se isso viesse a acontecer. Por isso, fiz o possível para continuar firme sob minhas pernas.

— Por que apenas não tira a minha vida de uma vez? Não era o que você queria esse tempo todo? – perguntei em desafio, observando a silhueta de Katniss se mover lenta e cautelosamente até a porta, como os meus olhos lhe pediram. — É sua grande chance, Odair. Aproveite. – Katniss congelou em seu lugar e seus olhos encontraram os meus por um momento. Ela estava assustada com a situação e foi extremamente difícil para a mesma finalmente deixar o banheiro.

— Isso seria muito fácil, aliás, o que eu realmente quero é que você sofra. Eu estive observando vocês dois, conquistador. Acredite, esse era o meu plano em algum momento, mas eu tive uma maravilhosa conversa com a sua irmãzinha. Ela me fez mudar de ideia. – sorriu.

— Madge? – perguntei, estupidamente. — Você sabia que ela era...

— Apaixonada por você? – riu. — Ela não precisou me dizer, sempre foi óbvio. Apenas você não se deu conta, não é?

— Então você deveria saber que foi ela quem assassinou Annie e não eu! – disse entre dentes. — Você foi manipulado, Finnick...

— Mentiroso! – bateu novamente com a minha cabeça contra a parede, deixando meu corpo cair sobre o chão. — Madge é tão dócil, jamais faria uma coisa dessas. Não tente jogar a culpa das suas merdas...

Não consegui reprimir os gritos que saíram por entre os meus lábios quando a dor tomou toda a minha cabeça, fazendo com que eu puxasse fortemente os meus cabelos. Sabia que isso não era saudável, mas estava com medo do que poderia acontecer com Katniss se eu a deixasse sozinha aqui. Ela não estava mais no banheiro, porém, apenas de pensar em Finnick a machucando novamente, eu não conseguia sequer cogitar a ideia de deixá-la sozinha novamente.

Uns barulhos se fizeram presente no recinto, mas não me dei o trabalho de levantar minha cabeça do chão para olhar o que era. Fosse o que fosse não era pior do que a dor em minha cabeça e o aperto em meu coração ao pensar em Katniss. Se eu deveria ou não estar irritado com ela, agora não importava mais. Eu só queria me certificar de que ela estava bem e segura, prometendo a mim mesmo que eu jamais deixaria algo de ruim com ela. E quando alguém puxou o meu corpo do chão pelos meus braços e eu deixei escapar o meu último grito de dor, a última coisa em que eu pensei quando tudo ficou escuro foi nos marejados olhos azuis de Katniss e a promessa de que eu deveria ficar.

Sempre.

-x-

Senti meu corpo sobressaltando e o meu coração acelerando quando abri meus olhos novamente, pouco me preocupando com a claridade que cegava os meus olhos. Eu não estava em meu quarto na casa de Effie e sim em uma sala branca de hospital com fios presos em meu corpo, deixando em mim uma sensação de leveza e tontura. Meu corpo parecia estar dormente enquanto a minha cabeça ainda doía, mas não com tanta intensidade como antes. Mas percebi que levantá-la só aumentava a dor, por isso, deixei de tentar e voltei a repousá-la sobre o travesseiro macio, voltando meus olhos para as duas mãos repousadas sobre a minha e os cabelos coloridos da mesma garota que eu havia encontrado no Fryi Mont pela manhã. A mesma estava com a cabeça apoiada em minha cama, porém, com o sobressalto e a tentativa falha de levantar seu corpo se mexeu em resposta e lentamente sua cabeça se levantou e seus olhos amendoados e inchados se encontraram com os meus e um sorriso pequeno surgiu em seu rosto. Varri o resto da sala com o meu olhar e a única outra pessoa que encontrei foi Johanna Mason, que, pela primeira vez desde que me lembrava, parecia estar abalada. Isso não a impediu de vir até mim com um sorriso sincero em seus lábios selados. Eu não sabia o que ela estava fazendo aqui ou o por que estava aqui justamente comigo, mas não queria me exaltar e nem me preocupar com isso agora. Queria permanecer naquela leveza gostosa e fechar meus olhos novamente, mas acabei me assustando quando Johanna aproximou seu rosto do meu e juntou nossos lábios em um selinho longo.

Eu deveria estar com uma interrogação em meu rosto porque a garota dos cabelos coloridos encarou Johanna e as duas começaram a rir como se eu tivesse dito algo realmente engraçado, quando na verdade eu só queria entender o que estava acontecendo e o por que da ação repentina.

— Ela está tirando uma com a sua cara, Julieta. Não se preocupe com isso. – a garota dos cabelos coloridos comentou com um sorriso, suas mãos ainda estavam sobre as minhas. — Você é um grande herói, Peeta. Mas tem que parar de se torturar, uma hora seu cérebro vai derreter.

— Você tinha que ter visto sua cara! – Johanna ri. — Calminha aí, garotinho sensível. Foi só um selinho! Você fez muito mais do que isso com a Katniss, aliás, isso foi um presentinho dela pela briga com o Coringa.

Mesmo com o corpo leve e a mente enevoada levantei-me em um movimento abrupto, ignorando a dor em minha cabeça e fazendo menção de levantar. Eu precisava ver Katniss e ter certeza de que a mesma estava bem, depois da movimentação no banheiro do Fryi Mont e eu ter apagado pela dor, a única coisa que eu me lembrava era de Katniss ter saído do local. Mas e Finnick? Para onde ele foi quando eu fiquei inconsciente? Katniss havia ido embora ou ele conseguiu achá-la antes de eu poder fazer algo para impedir? Eu não tinha tempo para os comentários e brincadeiras bobas de Johanna, mesmo que, por alguns momentos eu tivesse me perdido quando a mesma disse que Katniss e eu passamos dos beijos em nossa relação. O que talvez pudesse justificar o nosso romance como algo real, mas eu queria saber, se nós dois éramos mesmo namorados por que diabos eu não me lembrava de nada sobre nós dois? O que isso tinha a ver com o terror que eu presenciei quando fui sequestrado? Nada tinha como provar se eram ou não coisas da minha cabeça, e mesmo que eu estivesse com medo eu não conseguia pensar em abandonar Katniss agora. Eu precisava me arriscar.

Quando tentei sair da cama Johanna me impediu, fazendo com que eu caísse sobre o colchão novamente. Olhei-a com o cenho franzido e ela apenas deu de ombros, a garota dos cabelos coloridos balançou a cabeça negativamente e voltou seu olhar para mim, parecendo entender o por que da minha saída e desculpando-se pelo olhar.

Bufei, irritado.

A sensação de leveza estava começando a me incomodar, eu não queria nada injetado no meu corpo e muito menos continuar na mesma sala que Johanna Mason. Por que ela estava nessa sala afinal? Lembrava-me muito bem a cara de desgosto que ela fazia ao me ver, não fazia sentido nenhum ela estar comigo. Porém, o que fazia nesse momento? Até parecia que eu realmente estava louco, a maneira como as coisas estavam acontecendo não se encaixavam na minha mente e a ideia de nunca chegar a algum lugar me incomodava. Será que eu ficaria maluco assim para o resto da minha vida?

Você só tem dezesseis anos.

Como eu viveria de acordo, como o dr. Fisher aconselhou a mim, se a cada mínima dor que eu sentia na cabeça, se resistida, poderia me trazer para essa maravilhosa cama de hospital? Eu não era mais uma pessoa normal e deveria aceitar isso, ao invés de ficar procurando algo para esconder o que eu realmente era. Estava cansado de fingir que estava tudo bem ou que em algum momento ficaria bem, não estava bem e talvez nunca realmente ficasse.

A garota dos cabelos coloridos permanecia com os olhos amendoados voltados para mim e pensei que conversar com ela poderia me deixar melhor e talvez me desse algumas respostas para as minhas dúvidas constantes, mas eu queria Johanna Mason e seus lábios longe de mim e, por agora, fora desse quarto.

— Johanna, pega leve com ele. – pediu a ela, afagando o braço da morena para confortá-la. — Estamos todos quebrados, mas vamos ficar legais. Apenas dê um tempo nas brincadeiras, tudo bem? – ela anuiu de leve e só então, quando virou seu rosto em minha direção, que eu pude ver seus olhos marejados e uma marca arroxeada em sua bochecha esquerda.

— Tudo bem, eu só... queria amenizar a situação. – tenta sorrir, mas em vão. — Vou deixar vocês conversarem em paz, eu vou... – levantou-se da minha cama e voltou o olhar para mim. — Você vai ficar bem, Superman. Acredito em você.

— Achei que eu fosse o Batman. – tentei soar divertido, lançando-lhe um sorriso.

— O Batman é ótimo em brigas, mas você é indestrutível. – piscou para mim, dessa vez com um sorriso singelo nos lábios. Johanna se voltou para a garota dos cabelos coloridos. — Obrigada por tudo, Delly. Nos vemos outra hora. – sorriu para a mesma, deixando a sala em seguida.

— O que aconteceu com ela? – resolvi perguntar, ainda sim, cauteloso. — Eu sinto que eu a julguei mal por...

— Por conta do Finnick, eu sei. Eu também cometi esse erro quando cheguei. – informou ao me interromper. — Ela não é de falar muito sobre os seus problemas, mas eu pude perceber uma conexão antiga entre ela e Gale quando os vi juntos ontem.

— Gale? – perguntei, confuso.

As cenas na casa de praia de Ray, quando o atingi inúmeras vezes depois de ser levado para longe de Madge, passaram como um filme em minha mente, fazendo parecer que tinha ocorrido há muito tempo. Não tinha visto Gale desde então e muito menos me perguntado sobre o papel dele nessa história toda, eu nem sabia que ele conhecia Johanna ou que tinha algum tipo de contato com ela. Tudo ainda era muito confuso para mim, eu nem me lembrava mais por que estava com tanta raiva de Gale ou por que lhe bati daquela maneira. Madge era a culpada pelos crimes, pelo que ela mesmo havia me dito, e em nenhum momento ela o inseriu em seus planos. Ela nem mesmo parecia gostar dele quando o mencionou, tanto que contou ter matado alguém para atingi-lo, o que me levava novamente a confusão entre o certo e o errado.

— Acredite, eu também fiquei surpresa. – comentou. — Mas eles são amigos, eu acho. É que Johanna Mason não faz o tipo de garota que gosta de fazer amigos, mas Gale parece ser a grande exceção. – sorriu para mim. — Ele a confortou quando ela estava triste pelo que houve com Katniss, ela ainda está se sentindo mal por não ter conseguido ajudar Finnick a seguir o lado certo. Ela não entrou em detalhes, mas seu último momento com Finnick resultou naquela marca em seu rosto e Gale disse que não deixaria mais que ele mexesse com ela.

— Eu não sabia que Gale Hawthorne tinha um coração. – disse, surpreso. – Ele sempre pareceu tão frio, eu pensei que ele e Katniss...

— Gale é um cara legal, te garanto isso. Ele só se perdeu no caminho, acontece com as melhores pessoas. Certo? – sorri para ela, entendendo o que ela queria dizer com o comentário. — E você precisa parar de ser bobo, Julieta. Pelo que eu sei você e Katniss estão com os caminhos entrelaçados desde o primeiro dia dela aqui e ela esteve ao seu lado desde então, além de ter, literalmente salvado sua vida. Ela acreditou em você quando todos duvidaram. Ela te ama, Peeta. E pelo visto, mesmo que esteja com problemas para se lembrar do seu Romeu, agiu como se ainda se lembrasse do quanto a ama. E eu tenho certeza, Peeta. Tenho certeza absoluta que aquele garoto apaixonado está aí em algum lugar, você só precisa encontrá-lo.

— Eu só queria poder me lembrar, mas eu não consigo. Eu tentei, mas todas as vezes me levaram a dores insuportáveis e desmaios. E se eu nunca mais me lembrar de nada, Delly? E se...

— Nada disso, Peeta. – interrompeu-me. — Você vai conseguir, nós vamos te ajudar. Amigos são pra essas coisas, além do mais, você pode recuperar o seu tempo com Katniss se deixar a mesma se aproximar.

— Onde ela está agora? Ela está segura? – perguntei, atônito. — Tudo o que eu consegui pensar quando eu acordei era que eu não consegui...

— Ela está bem, e, de maneira nenhuma quis deixar você aqui sozinho. Ela só precisava comer alguma coisa, pelo visto estava muito fraca. Então Effie a levou para comer algo, e relutante ela acabou indo. Haymitch aparece daqui a pouco, ele quer conversar com você também. – disse, cautelosa. — Como eu disse antes, Peeta. Você a salvou. Não seja modesto, afinal, você pode ganhar uns beijos como recompensa, não? – disse em divertimento, acabei sorrindo junto.

— Você vai me beijar também? – arqueei a sobrancelha ao perguntar.

— Tentador, Julieta. Mas sinto lhe informar que sou muito bem comprometida, mas isso não será nenhum problema para Katniss, já que você é o namorado dela.

— Sobre isso... eu posso perguntar uma coisa? – perguntei, inseguro.

— Se for sobre a primeira vez de vocês, Effie me disse que fizeram muito barulho. – seu tom de voz ainda era de divertimento enquanto o meu rosto devia estar corado, pois eu o sentia queimar.

— Não era bem isso que eu queria saber... Enfim – disse, encabulado, ouvindo sua risada em resposta. —, eu ia perguntar se eu poderia ficar com ela. Eu queria ter a certeza de que... nada de ruim irá acontecer com ela novamente.

— Não precisa me pedir isso, Peeta. É claro que pode ficar com ela, apenas não esqueça seu tratamento. Effie me informou sobre isso e disse que você está disposto a seguir tudo agora e eu estou aqui pra te apoiar.

— Obrigado, Delly. – abracei-a, sentindo sua cabeça repousar em meu ombro. Com isso, um rápido flashback passou pela minha mente.

— E aí, Julieta? – Delly me cumprimentou. — Pelo visto não se lembra de mim, eu sou Delly. Nós costumávamos brincar juntos quando crianças, eu era a garota dos desenhos ruins. Nossa, a Kat não contou como você está evoluído! Olha só esses braços!

Não era suposto isso acontecer, mas minhas bochechas queimaram levemente com o comentário. Meu cenho foi levemente relaxando. Eu tinha algumas lembranças dela, mas não de seu nome. Sabia que já tinha ouvido porque Katniss e Effie estavam falando, mas nunca imaginaria que as duas eram a mesma pessoa. Acho que estive no caminho de Katniss o tempo todo, afinal.

— Desculpe, tenho poucas lembranças. – cocei a nuca meio sem jeito.

— O mesmo Peeta de alguns anos atrás. – comentou com um sorriso. — Você pode me mostrar o que está pintando? Aí eu mostro o que eu trouxe pra você!

— Tu-tudo bem.

Levei Delly até o fundo da casa, onde o meu novo quarto se localizava e a vi se admirando com os cômodos no meio do caminho. Às vezes até eu mesmo fazia isso, me acostumar com o casarão de Effie era tão difícil quanto morar na casa de Ray, não porque eu tinha algo conta ele e sim porque a casa era enorme e eu vivia me perdendo pelos andares.

— O que você trouxe para mim? – perguntei a ela, curioso, dando passagem para que a mesma adentrase o quarto.

Ela se virou para mim depois que ambos estávamos dentro do quarto e me entregou um envelope cor pastel com detalhes em vinho.

— Katniss não foi corajosa o suficiente para lhe entregar e eu achei que merecia o seu convite.

— Convite para o quê?

— O casamento de Cashmere e James! – exclamou. — Cash queria que você aparecesse com a Kat, mas em tais circunstâncias... Enfim, apenas queria te entregar.

— Como esperam que eu vá a esse casamento se eu não posso sair sem que me prendam novamente? – perguntei a ela, levemente irritado.

— Calma aí, Julieta. Eu não sei como a Cash planeja que você vá, apenas vim fazer a entrega e te ver. Perdemos o contato há algum tempo e, bem, eu senti sua falta... – deu de ombros.

— Por que está me chamando de Julieta? – perguntei em confusão.

Não estava pronto para adentrar meu passado novamente então não lhe fiz nenhuma pergunta senão essa.

Delly riu.

— Me mostre sua arte.

— Eu não sei bem quanto a isso, mas...

O silêncio tomou conta do quarto ao pararmos em frente a minha primeira pintura. Era uma pintura de Katniss. No dia em que a encontrei para levá-la à praia, quando ela vestiu aquele vestido sexy que eu tanto gostei. Era sim uma boa pintura, a minha preferida. Mas não era por isso que os olhos de Delly estavam arregalados e o meu coração batia enlouquecido em meu peito. Entre o decote do vestido de Katniss permeava a mesma faca de carne que eu havia pegado ontem a noite quando Haymitch me assustou, afundada sobre a tela quase por completo. Aquilo me deu a certeza de que não era coisa da minha cabeça. Havia realmente alguém dentro daquela casa.

Senti meu corpo sendo chacoalhado levemente, mas não sabia dizer o que estava acontecendo. Não sabia se era um sonho ou se era real, mas pouco tempo depois a voz que chamava o meu nome foi sumindo aos poucos e tudo ficou escuro novamente. Então voltei ao momento em que estava no banheiro do Fryi Mont, meio tonto pela dor em minha cabeça. Finnick segurava meu corpo contra a parede com força, mas a única coisa que eu conseguia ouvir e que ecoava em minha cabeça repetidamente era a frase irônica com uma leve pontada de divertimento. Eu estive observando vocês dois, conquistador. De início, eu não havia entendido o que ele queria dizer com essa frase, mas me lembrava da sensação de estar sendo observado e de senti-la muitas vezes. Katniss era importante para mim e Finnick sabia disso o tempo todo, por isso a pintura estava estragada. Ele estava na casa de Effie e por isso que eu tinha aquela sensação. Finnick quem tinha estragado a pintura, como um aviso para mim. Essa era a sua vingança, tirar a mulher que eu amava como eu havia feito com ele. E tudo isso graças a Madge, ela havia o manipulado para causar isso ao invés de sujar suas próprias mãos. Seu plano quase teve sucesso, se eu não tivesse aparecido para ajudá-la Katniss não estaria comigo e eu não conseguiria viver sem ela.

— Peeta. – uma voz feminina chamou, quando eu finalmente abri os meus olhos lentamente.

A visão demorou a ficar nítida, mas ao ver os brilhantes olhos azuis de Katniss levantei rapidamente e envolvi meus braços em seu corpo, sentindo a mesma retribuir o abraço com intensidade do mesmo em minhas veias, que pareciam receber uma forte corrente de eletricidade com o simples toque de Katniss.

— Você está... bem. – sussurrei, sem querer soltar o seu corpo.

— Só por sua causa. – retrucou. — Você realmente salvou a minha vida e... penteou o cabelo! – ri com o seu comentário. — Está bonito como sempre, mas ainda prefiro o seu natural.

— Você vai ter muito tempo para ver o meu cabelo bagunçado porque eu pretendo ficar ao seu lado a partir de agora.

— Você vai ficar comigo? – seu rosto machucado parecia iluminado por um sorriso largo e seus olhos brilhavam com as lágrimas.

— É uma promessa, Katniss. Sempre.

Eu ainda estava naquela sala de hospital sem saber ao certo como eu havia parado ali, os fios ainda estavam conectados em meu corpo e a sensação de leveza permanecia. Katniss ainda estava com o vestido estragado e usando a minha jaqueta para cobrir as marcas de seu corpo. Nós dois estávamos machucados e o único jeito de nos reconstruir gradativamente era permanecermos juntos e eu estava não só disposto a reconstruir a minha vida, como estava disposto a arriscar tudo para poder ficar ao lado de Katniss sem me importar com o que eu sabia ou não sobre ela. Como se a mesma lesse os meus pensamentos, Katniss juntou nossos lábios em um beijo casto, trazendo o meu corpo dormente a vida em questão de segundos. As correntes elétricas passeando em minhas veias e o meu coração batendo de uma maneira surreal e frenética. Eu realmente estava sentindo e não sabia explicar exatamente o que era tudo isso, o que eu realmente sabia naquele momento era que Katniss Everdeen me tornou mais humano e eu não poderia esquecer algo assim.


Notas Finais


E aí, amores? Aprovaram o capítulo?
Espero que sim porque eu adorei escrevê-lo ❤
Vamos ver o que vai sair dessa aproximação do nosso otp supremo nvjgjghhhjq
Boa nooooiteeeee e um beijão na teta esquerda pra vocês 💙💙


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