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História Susana de Nárnia - Último Sopro - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Eu espero que goste.

Capítulo 1 - Susana de Nárnia - Último Sopro


Susana tivera uma boa vida.

Passaram-se 50 anos desde que uma grande tragédia abateu-se sobre sua família, tragédia essa que ceifou a vida de seus 3 irmãos, seus pais, seu primo...

Susana adoecera, e está há alguns dias acamada sob os cuidados de seus 3 filhos, especialmente de sua mais nova.

Não se sabia ao certo o que Susana tinha, especulava-se ser simplesmente "um mal de sua idade avançada".

Nostalgicamente nesses dias, Susana recordava e refletia sobre seus dias de juventude. Ela se lembrava de seus irmãos, de suas brincadeiras, de seus devaneios.

- Como era mesmo o nome? - Susana se perguntava, enquanto vislumbrava as folhas de uma árvore, do outro lado de sua janela, que se agitavam elegantemente. - Nárnia... - Ela Sussurrou com um meio sorriso.

- Em que está pensando mamãe? - Perguntava Catarina, sua filha mais nova, se aproximando com um copo de água sobre uma bandeja.

- Em nada querida... - Susana sorriu gentilmente.

Catarina copiou o gesto de sua mãe, sorrindo e lhe oferecendo a água fresca.

- Beba Mamãe. - Disse Catarina. - Como está se sentindo esta manhã?

- Estou como tenho estado todos os dias. - Susana desviou o olhar, o direcionando novamente a sua janela.

- Nós devemos manter a fé mamãe, a senhora irá se recuperar brevemente. - Catarina se dirigiu até a janela que sua mãe fitava, afastando ainda mais as cortinas para que a brisa adentrasse o quarto com mais facilidade e intensidade.

- Fé? - Indagou Susana, enquanto a brisa agitava levemente uma mecha de seus cabelos grisalhos, que havia se desprendido de seu coque.

- Mamãe, a senhora nunca foi muito religiosa... Não acredita mesmo em nada? - Questionou Catarina.

- Como está seu pai? - Susana decidiu ignorar o que sua filha acabara de dizer.

- O papai está bem, ele saiu com Afonso para repor nossos mantimentos. - Suspirou decepcionada, diante da descrença de sua mãe. - Eu vou cuidar das roupas, se precisar de algo basta gritar e virei correndo.

Susana assentiu com a cabeça e sorriu.

Enquanto via sua filha se afastar gradativamente, desaparecendo enquanto fechava a porta atrás de si, ela tentava se recordar dos tempos com sua família.

Mas porque aquilo a incomodava?

Aquela tragédia havia partido seu coração ao meio, morreram todos juntos... Ela deveria estar lá também?

- Eles haviam me chamado... Queriam que eu estivesse ao lado deles... Eu deveria ter morrido? - Ela se repetia essa pergunta desde o fatídico dia. De certo, se sentia culpada... Mas que culpa poderia ter?

Algum tempo depois do ocorrido, ela se apaixonou e se casou com aquele que ainda hoje é seu esposo. Ele foi muito bom para ela, a amou e ficou ao seu lado todas as vezes em que mais precisou.

- Meus filhos... Alfredo me lembra Edmundo. - Ela lembrava nostálgica de seu irmão mais novo. - Catarina é como Lúcia. - Ela sorriu ao se lembrar da caçula. - E Edgard? Este é idêntico ao Pedro. - Uma lágrima escorreu por seu rosto.

Como ela gostaria que nada daquilo tivesse acontecido! Lembrou-se de um leão que seus irmãos tinham como um salvador.

- Como era mesmo seu nome? Aspen... Adam... Aslam! - Seu semblante agora expressava a sensação de injustiça que habitava em seu coração. - Se esse Aslam fosse mesmo real, jamais teria permitido que todos morressem daquela maneira tão trágica... Jamais teria me deixado sozinha. - Agora as lágrimas corriam como dois riachos paralelos em sua face.

Susana levou as mãos ao rosto enquanto tentava conter o seu choro, tudo o que sentira quando recebeu a notícia do falecimento de seus familiares e amigos parecia vir a tona neste momento.

- Eu me lembro... Eu me lembro de sermos reis e rainhas, eu me lembro de salvarmos Nárnia mais de uma vez... E se isso tudo foi real, de que nos serviu? - Ela sussurrava em meio a seu choro. - Como eu poderia ter fé em alguém tão cruel quanto Aslam? Alguém que permitiu que me fosse tirado tudo!

Susana subitamente se lembrou de quando Aslam se sacrificou em prol de Edmundo.

- Porque o salvou aquela vez, se depois o deixaria morrer? - Ela questionava, mas não obtinha resposta alguma. - Porque apenas eu fiquei? Porque não me levou com eles?

Susana sentia-se esgotada. Ela havia tido uma boa vida, mas sempre sentiu que lhe faltava algo... Seriam seus irmãos? Seus pais? Ou seria aquele mundo de fantasia no qual acreditavam na infância?

- Eu fui castigada porque decidi não mais acreditar? - Ela olhava para o teto de seu quarto, como se procurasse por alguém... Por qualquer mínimo sinal.

Ela se recordava de todas as vezes que negou a existência de Aslam, de Nárnia e tudo relacionado a esse que ela julgava ser o maior delírio coletivo da historia da humanidade. Se perguntava porque deixou de acreditar... Nem mesmo ela sabia ao certo. Porém, depois do acidente que levou sua família, tudo piorou.

- Sim... Eu passei a te odiar, você me abandonou! - Ela soluçava. - Agora sinto que minha vida está se esvaindo, e o que vem depois?

- Mamãe?! O que houve? - Catarina a surpreendeu.

Assustada, ela correu em direção a sua mãe, sentando ao seu lado e a abraçando forte.

- Ele abandonou a todos... Porque? - Susana tentava conter suas lágrimas enquanto se aconchegava nos braços de sua filha.

- Mamãe... Há coisas que não são para nossa compreensão. - Disse em um tom gentil, enquanto acariciava o topo da cabeça de sua mãe.

- Me desculpe Catarina... - Susana sentia-se mais calma, em parte devido ao acolhimento de sua filha.

- O que é isso de repente? Não há motivos para se desculpar.

- Todo esse tempo, eu estava me enganando... Sem querer a enganei também. - Desvencilhou-se do abraço da filha e pôs-se a fitar novamente a janela de seu quarto.

- Mentindo sobre o que? - Questionou confusa e curiosa ao mesmo tempo.

- Eu sempre acreditei... Eu sempre soube que era real. - Seu semblante havia mudado, agora era exacerbadamente terno.

- O que era real mamãe? - Agora estava mais confusa do que curiosa.

- Ele não nos abandonou, não é mesmo? - Voltou seu olhar para a filha e sorriu gentilmente. - Acho que eu sempre soube, mas talvez fosse mais simples apenas culpá-lo.

- Mamãe, eu vou buscar seus remédios...

- Filha, eu te amo. - Susana a interrompeu, segurando sua mão e a encarando diretamente nos olhos. - Jamais se esqueça que Ele sempre estará por perto, não importa o quanto você o negue ou duvide.

- Mas o que é isso agora mamãe? A senhora está me assustando!

- Fique tranquila querida, são apenas frutos dos pensamentos de uma velha acamada. - Abriu um sorriso largo.

Ainda que desconfiada e confusa com o que acabara de acontecer, Catarina deixou sua mãe sozinha novamente, pois julgava que o melhor era buscar-lhe os remédios, que por algum motivo seu irmão mais velho havia deixado no andar de baixo da casa.

- Você sabia que eu o negaria tantas vezes? - Susana sorriu para Ele.

- Minha Susana... - Aslam lhe sorriu de volta. Pode soar estranho um leão sorrindo, mas Aslam não era um leão comum. - Você ainda tinha muito o que amadurecer.

- Eu fiquei sozinha porque você estava me castigando? - Ela parecia já saber a resposta, mas ainda assim o questionou.

- Você cresceu muito... Tenho orgulho de tudo que você construiu. - Ele se aproximou dela, se colocando em pé ao seu lado. - Eles não eram mais necessários aqui, você no entanto...

- Eu cumpri meu dever? - Susana parecia ansiosa pela resposta.

- Maravilhosamente bem... Você foi fantástica.

Talvez você esteja se perguntando que missões Susana cumpriu em nome de Aslam, mas isso apenas três pessoas sabem: O próprio Aslam, Susana e C.S. Lewis, este último que não conseguiu transcrever as aventuras de nossa rainha gentil a tempo, e teve que se juntar a Aslam na verdadeira Nárnia.

- Você sempre esteve comigo, mesmo eu o negando, não é mesmo? - Susana sentia-se, de certa forma, aliviada.

- Sim... E mesmo que não pudesse me ver, eu sei que sentia a minha presença.

- Você veio me buscar? - Parecia envergonhada pela última fala de Aslam.

O leão apenas assentiu com sua enorme cabeça, fazendo com que sua juba se movimentasse... Aquela visão era tão bela que hipnotizaria um desavisado.

- Seu tempo aqui terminou, e eu vim pessoalmente buscá-la.

- Eu poderei vê-los? Ao menos uma vez? - Parecia suplicar com os olhos marejados.

- Minha querida criança, uma vez rainha em Nárnia, sempre rainha em Nárnia!

Aslam se aproximou ainda mais de Susana, e deu um leve sopro em sua face, fazendo com que ela fechasse seus olhos por um breve momento. Mas foi o suficiente para que, ao abri-los novamente, se desse conta de que não estava mais em seu quarto.

- Eu conheço esse lugar?

- Não reconhece mais o lugar que originou nosso encontro? - Aslam pôs-se a caminhar na frente, a encorajando a segui-lo.

- Esta casa... É do Senhor Digory? - Ela pareceu surpresa. - Mas como isso é possível, isso é um sonho?

- Posso lhe assegurar de que não é um sonho. - Eles estavam agora diante da porta da grande casa, e o leão decidiu que Susana deveria abri-la. - Vamos, entre.

Ela titubeou por um instante, estava ansiosa e curiosa, mas porque sentia medo? Aslam estava com ela, ela não tinha o que temer! Tomou-se de coragem e girou a maçaneta da porta, em seguida a abrindo lentamente, enquanto tentava espiar o que havia lá dentro.

Parecia não haver ninguém, então ela entrou calmamente, deixando escapar um suspiro de alívio.

- Vamos até o escritório. - Aslam tomou a frente novamente.

- Essa casa... Me traz tantas lembranças. - Sussurrou enquanto enxugava uma lágrima que acabara de brotar.

Eles pararam diante da porta do escritório do Senhor Digory, e Aslam parecia querer dizer-lhe algo importante.

- Você entende o que está acontecendo Susana?

- Eu morri. - Ela sorriu.

Aslam assentiu com sua grande cabeça, chacoalhando sua juba novamente.

- Meus filhos? Meu marido? Eles ficarão bem? - Susana estava preocupada.

- Sim, Catarina a encontrou e notou que você tinha uma expressão tranquila e um sorriso largo, entendendo que sua partida não foi dolorosa. Aquela menina tem muita fé em mim, e ela contagiará a todos os outros. - Aslam disse com orgulho.

- Mas como? Eu nunca contei a ela sobre nossas aventuras... - Susana parecia surpresa com a revelação de Aslam.

- Já se esqueceu que também estou presente em seu mundo, porém com outro nome?

- Por um momento eu me esqueci, peço desculpas. - Susana se curvou ligeiramente, fazendo uma reverência ao imponente leão. - Eu os verei novamente?

- Isso só vai depender deles. - Aslam pareceu pensativo. - Mas não se martirize com esses pensamentos, apenas confie em mim, como sempre fez.

Susana sacudiu a cabeça espantando tais pensamentos, e sorriu graciosamente para o leão.

- Esta é apenas uma pequena parte da verdadeira Nárnia, não lhe faltará tempo para explorar tudo, quando quiser... - Ele fez uma pausa, e sorriu para ela. - Com sua família e seus amigos.

A porta do escritório se abriu subitamente e os três irmãos correram na direção de Susana, mas foi Lúcia que a alcançou primeiro.

Todos choravam, mas de felicidade pelo reencontro com sua irmã.

Susana olhou em volta e reconheceu todos que ali estavam: Digory, Polly, Jill, seus pais, Eustáquio, até mesmo Caspian, Ripchip  e o Senhor Tumnus.

- Todos estávamos ansiosos para sua chegada. - Disse Pedro, abraçado a sua irmã.

Quando terminou de cumprimentar e abraçar a todos, se deu conta que estavam todos jovens e em suas melhores formas.

- O tempo parou para vocês? - Ela disse curiosa.

- Olha quem diz... Já se olhou no espelho? - Ironizou Edmundo.

- O que quer dizer? - Ela procurou algum espelho a sua volta, encontrando apenas uma estante onde seria possível ver seu reflexo no vidro. Não era nítido como um espelho, mas era o suficiente para que ela percebesse que sua aparência era jovem, como quando foi rainha de Nárnia. - Mas como?

- Esse é o meu país, aqui habitam os justos, os bons, aqueles que crêem em mim... E meus amados reis e rainhas. - Ele voltou seu olhar para Susana e sorriu. - Seja bem vinda minha querida, ainda que seus irmãos a tenham esperado por apenas um dia, foi o dia mais longo de todos.

Susana permitiu que uma lágrima deslizasse por seu rosto, ao lembrar da frase dita por sua filha: "Há coisas que não são para nossa compreensão".


Notas Finais


C.S. Lewis faleceu antes que pudesse concluir o oitavo livro das Crônicas de Nárnia: Suzana de Nárnia. Ele deixou apenas esboços, que até o dia de hoje não foram tornados públicos... Mas o que sabemos é que ele daria um livro exclusivo para Susana, a personagem que muitos acreditam ter sido injustiçada.
Essa foi a minha visão do final definitivo da personagem, ocupando seu lugar de direito na verdadeira Nárnia.


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