História Suspiros lançados ao vento - Capítulo 1


Escrita por: e ludas


Capítulo 1 - .quebrada;; capítulo único.


Respiro fundo, entrelaçando os dedos uns nos outros e contando as estrelas visíveis no céu numa tentativa tola de impedir que aquele sentimento desconfortável voltasse. Numa tentativa de distrair minha mente cansada e traiçoeira — ao passo que ela sempre parecia conseguir destruir as barreiras que eu levantava contra todas aquelas sensações ruins e pensamentos destrutivos. Passo os dedos então na pulseira prateada localizada no meu pulso esquerdo; aliso cada um dos três pingentes com um gesto preguiçoso, quase delicado.

Você não deveria se sentir assim, minha própria voz ecoa dentro de minha cabeça. Há pessoas que já passaram por coisas piores do que você, que sentiram o triplo da sua dor e mesmo assim agiram como se aquilo não os atingisse, agiram como verdadeiros guerreiros, diferente de você. A voz continua, sussurrando comentários maldosos como uma canção mortífera e venenosa, que lentamente traça seu caminho em direção ao meu coração, para aprodrecê-lo; para destruí-lo. Percebo então minha falta de preocupação ao ter conhecimento desse fato.

Chego a soltar um leve sorriso, imperceptível a qualquer um menos eu. É cômico pensar que minha própria mente é pior do que o mais mal intencionado e áspero comentário que alguém possa me dizer. Meus olhos acompanham o brilho das estrelas, a lua nova permitindo que elas brilhem mais do que o habitual. Absorvo a sensação de calma que me invade sorrateiramente, antes que ela me abandone para ser substituída por algo pior e mais sombrio. Tento me apegar à ela, em vão, e quase sou capaz de ver ela indo embora, se desfazendo entre meus dedos desesperados em fazê-la ficar.

Um gosto amargo domina meu paladar, ainda que não haja nada em minha boca e eu não tenha ingerido nada há algumas horas. Mas logo percebo que não poderia ser nada que eu tenha comido e que, na realidade, é somente um sinal da minha podridão interior. O silêncio me abraça, por pouco me confortando, por pouco me acalmando, porém eu sei que é só mais um truque da minha mente para mascarar a dor. Para mascarar o vazio gritante dentro de meu peito. O mesmo vazio que me consome, que me impossibilita e me priva das pequenas coisas boas, das minhas pequenas bolhas facilmente estouradas de felicidade.

Logo franzo a testa diante do sentimento conhecido, minhas mãos descansam sobre meus peito que segue o movimento sutil que meus pulmões fazem ao captar o ar e então liberá-lo outra vez, de forma que é a única coisa que deixa minha aparência menos morta. É difícil descrever o vazio que se alastra sobre meu peito, mesmo para mim mesma quanto mais para os poucos que notam meu desconfortável quando me embalo num mar de pensamentos cortantes, capazes de causarem feridas profundas e incuráveis.  Às vezes sinto a necessidade de chorar, gritar, de deixar todos os sentimentos ruins flutuarem numa dança harmoniosa para longe de mim.

Mas meu medo me impede. O mesmo medo que me cala todas as vezes que minha mente me envenena um pouco mais, o mesmo medo que parece me sufocar com suas mãos invisíveis pressionadas contra meu pescoço. E eu não sei combatê-lo. Não. Eu não consigo. É algo maior que minha força de vontade, mais forte que tudo o que ainda resta em mim. Algo capaz de me afogar a qualquer instante, de me puxar para um abismo sem mesmo me tocar para isto. E é sob o céu estrelado de uma noite de outono que eu sucumbo mais uma vez àquele sentimento devastador demais para que eu possa mandá-lo embora ou até afastá-lo.

Sou fraca demais para isso, fraca demais para lutar contra sua onda iminente de todos os sentimentos que luto para esconder e reprimir todos os dias. Fraca demais, a voz repete. Fraca demais para lutar contra seus próprios medos, fraca demais para se manter forte, simplesmente fraca demais. Fecho meus olhos e aprecio o silêncio uma última vez antes de guardar meus problemas, preocupações e medos no fundo da minha mente e ignorar o incômodo enorme que causam, antes de voltar ao presente e ser obrigada a continuar em frente. Não por mim, mas por todos que me esperam, a apenas alguns metros de mim.


Notas Finais


eu tava meio inspirada, se somando com toda a reflexão que eu ando tendo enquanto leio os livros de a rainha vermelha (que eu super recomendo!!) e foi com um monte de sentimentos frustrantes que isso acabou saindo. espero que não esteja ruim e peço desculpas por qualquer erro, até a próxima!


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