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História Sussurros da noite (Choi San - Ateez) - Capítulo 2


Escrita por: e MaryMclean


Notas do Autor


Boa leitura ♡

Capítulo 2 - O demônio da floresta


Agora não há mais nada a perder
Então, estamos quebrando todas as regras
E eles não sabem o que sabemos
Porque eu posso ouvir
O trovão de longe
Um raio no escuro
Eu posso sentir um fogo vivo
Tão calmo antes da tempestade
Tão escuro antes do amanhecer
Oh, eu posso ver o fogo em seus olhos
In Your Eyes - Robin Schulz feat. Alida

  

Galhos irregulares foram empilhados de forma que apontassem para o céu, e já se completava algum tempo que estes queimavam intensamente em uma fogueira resplandecente, o crepitar poderia ser ouvido quando brasas alçavam um voo rápido até o luar. Era como se a lua de cor avermelhada clamasse pelas labaredas para lhe aquecer ainda mais, a deixar em chamas.

O vento gélido teimava em cortar o terreno em que todas as pessoas estavam espalhadas, tentando de todas as maneiras tocar o fogo, que dançava ao ritmo das batidas dos tambores frenéticos. As moças do vilarejo pareciam uma palheta de tinta em seus diversos vestidos coloridos, rodando e saltitando ao passo da música extremamente alta, ressoando junto do bater de seus corações.

Segurei a saia de meu vestido de tecido grosso, eu havia dito a meu irmão que era um exagero sem limites usar algo de veludo em um festival tão simples quanto este, mas o rapaz insistiu, dizendo que como filha do general da vila eu deveria estar vestida de modo apresentável, com o intuito de mostrar a todos o poder que minha família possuía.

E mesmo assim confesso que gostei bastante do resultado ao me olhar no espelho, da forma que meus cabelos escuros caíram em ondas por volta do vestido rubro e do quanto as poucas curvas em meu corpo foram valorizadas da forma correta, e que mesmo que ele fosse um pouco pesado havia uma certa leveza quando eu precisasse dançar sobre a neve fofa.

Deixei que meus pés tomassem o controle da dança, girando junto das garotas que eu conhecia desde quando ainda era uma criança correndo em meio à esta vila, sorrindo de maneira involuntária para as pessoas à nossa volta. Sempre fora desta forma que nos foi ensinado a fazer neste tipo de ocasião, se tornar o centro das atenções mesmo que de forma velada. Senti meus cabelos voando junto do vento, e o calor irradiando da fogueira ao meu lado, enquanto a música entrava em meus ouvidos e em minhas veias, toda a êxtase trazendo uma porção de alegria inimaginável à meu coração.

E apenas por tanto sentir, ou por permitir que meus olhos se fechassem por aqueles breves instantes em que deixei meu corpo ser levado pela energia contida no festival, pude ter aquela mesma sensação atrativa de quando tinha aqueles pesadelos, como se de forma insistente, aquele olhar de fogo me dissesse em sussurros, ‘’venha até mim, me observe em meio as chamas ardentes, se lembre...’’. Neste instante derradeiro os músicos pausaram suas melodias insistentes para serem seguidos de aplausos calorosos, com um grande sorriso no rosto ousei olhar para além da fogueira em busca de meu irmão, mas o que encontrei se tornou ainda mais aterrador.

Mesmo que ninguém quase não o enxergasse, ou simplesmente não se importassem com a sua presença, San estava lá, longe de tudo e de todos, com o seu corpo esguio encostado em uma das pilastras de madeira que sustentavam as enormes construções feitas para toda a festança da noite de hoje. E mesmo com a pouca luz se era possível enxergar seus olhos vibrantes e o seu rosto perfeitamente desenhado. A expressão que estampava o seu semblante era quase indecifrável para mim, se não fosse o sorriso torto que surgiu em seus lábios assim que percebeu que eu o encarava sem discrição alguma.

Tentei me concentrar na beleza do fogo ou nas cores vivazes dos vestidos de minhas colegas de dança, por mais de uma vez desviei meus olhos para os lados procurando por meus irmão e pai, estes que se encontravam com canecas enormes de cerveja em suas mãos enquanto brindavam por coisas sem sentido com os outros homens da guarda.

E mesmo que eu procurasse por outras coisas e tentasse me concentrar de todas as formas, seus olhos ainda me queimavam, a chama presente ali dentro percorria meu vestido aquecendo cada ponto em que passava.

Desviei o olhar apressada e me peguei absorta no braseiro aos pés dos galhos que alimentavam a fogueira, minha mente viajando anos atrás quando minha risada ainda era a alegria de todos neste vilarejo. Vaguei pelas lembranças de um menininho quieto e bastante desengonçado que sempre me esperava nas proximidades do poço onde buscávamos água fora da vila, para que pudéssemos nos aventurar pelos espaços desconhecidos pelos cidadãos amedrontados, uma floresta onde diversas criaturas inofensivas e desconhecidas por todos habitavam.

Um lugar mágico, existente apenas para quem soubesse apreciá-lo devidamente.

Os cabelos do pequeno garoto sempre possuíam uma mecha branca que despontava em meio aos outros fios escuros, outras pessoas costumavam dizer que aquela era a única marca deixada pelo pai do garoto, o próprio demônio do floresta, e que eu deveria me manter longe dele por isso. Mas até mesmo meu pai ria de quem dizia isto e me permitia correr pelos campos com San durante a tarde, e desde que eu voltasse na hora correta poderia brincar com ele no próximo dia.

Direcionei meus olhos para onde ele estava antes, notando um florear rápido de sua cabeça quando o rapaz passou a caminhar em outra direção. Meus pés se mexeram de imediato enquanto eu segurava a saia de meu vestido para que ele não se sujasse com a neve, tentando tomar aquele caminho traçado por ele o mais rápido possível.

A lua olhava por nós, ela estava lá em cima em seu brilho avermelhado, parecendo ainda maior do que normalmente estaria nestas horas, e talvez ela se lembrasse de um momento idêntico a estes há especificamente quatro anos atrás. Quando dois jovens aldeões se beijavam pela primeira vez em um canto qualquer no momento de um festival de outono, e a felicidade incontida por eles quando seus lábios inexperientes se tocaram de forma casta. E de como o pai da garota os separou com cuidado quando os pegou no flagra, e de como o homem lhes revelou que a garota estava prometida ao filho de um oficial da capital.

O pai os segurou pelas mãos quando lhes disse a verdade, e com a voz pesarosa disse ao garoto que ele era uma boa pessoa, mas que o vilarejo não concordava com suas palavras e que se estes encontros continuassem, ele traria vergonha a sua menininha. E então, a partir daquele dia eles não se encontraram mais, ao menos não sob as vistas do general da vila.

Não consegui encontrar San de nenhuma maneira, e estava prestes a desistir desta contenda e tornar a voltar para a dança em volta da fogueira que havia recomeçado, mas fui impedida por aquela presença perigosamente atraente que se aproximou de minhas costas como o sopro suave do vento.

— Seu honrado pai não gostará nem um pouco de ver a sua querida filha junto de um homem como eu novamente — a sua voz aveludada soou em tom baixo, beijando meus ouvidos em uma carícia demorada. Permaneci em silêncio, sentindo um arrepio cruzar minha espinha quando os seus lábios tocaram de forma breve a pele do meu pescoço — ainda mais junto de um filho de uma bruxa! Ou ainda pior, o filho do próprio diabo! Não é assim que todos me chamam, Lira? — estremeci diante da forma que a sua voz ditou meu nome e pude sentir um sorriso soprado escapar de seus lábios nesse momento, fazendo cócegas em minha pele.

— Não me importo com o que meu pai diz, San! Nunca me importei — esclareci, finalmente saindo daquela bolha que havia se formado entre nossos corpos. — E tão pouco me importo com o que todas estas pessoas dirão! Eles não sabem nada sobre você!

— Não há como não se importar Lira – ele ainda sussurrava próximo ao meu ouvido — não vê que te faço mal? Não vê que quando chega perto de mim é como se um veneno poderoso tomasse conta de você? — ri baixo e me virei com cuidado para que ele não se afastasse.

Um copo de rum repousava entre os seus dedos longos, o líquido de cor marrom balançava levemente ao passo que seus olhos me encaravam daquela forma que não parecia ter limites, talvez este termo não existisse quando se trata de San.

— San, eu preciso te dizer algo importante — ele franziu a testa e levou a bebida até os lábios, ingerindo com cuidado o líquido.

— O que foi? — sua expressão ainda estava tomada de calma e tranquilidade, mas seus olhos escuros se encontravam tempestuosos. Suas roupas pretas usuais delineavam seu corpo esguio, enquanto seus cabelos escuros com a única mecha branca estavam penteados com cuidado para trás.

— É um assunto um tanto complicado San — respondi com cuidado, não desejando irritá-lo no derradeiro encontro.

— Diga, Lira, o que aconteceu? — desta vez ele se aproximou um pouco mais, fazendo com que sua respiração quente fosse sentida por mim, até que o calor de seu corpo me invadisse e tomasse meus sentidos

— Amanhã eu completarei os meus vinte anos, e esta será a última noite que ficarei na vila — revelei de forma direta, e os olhos do rapaz queimaram em resposta, aquele mesmo fogo que aparecia quando eu o desafiava a subir na arvore mais alta, ou quando eu caia e me machucava.

— Última noite? — ele questionou com a expressão confusa, e engoli a seco fitando os seus olhos tempestuosos. — Não me diga que o maldito general...

— Sim. — o interrompi, sentindo as lágrimas involuntárias marejarem os meus olhos. — Amanhã, assim que o sol nascer terei que me mudar para a capital, meu pai me levará e me apresentará ao meu futuro noivo – San encarou o chão, parecendo tentar assimilar todas as palavras que saiam pela minha boca.

— Você não tem escolha? — ele passou com os dedos pelos fios escuros, aflito. — Diga a ele que não quer! Diga que ama outro homem... — ele pareceu pensar por alguns segundos — fuja comigo!

— Não San, eu não posso — levei minhas mãos até o seu rosto anguloso, acariciando sua pele com leveza — se eu recusar esta união o acordo entre os reinos será violado, e a Capital se vingará de toda a vila! — desta vez uma lágrima teimou em descer pelo meu rosto, e rapidamente San a enxugou com o polegar. — Me desculpe por isso San, mas eu jamais me perdoaria se inocentes morressem por minha causa.

— Lira... — ele sussurrou, aproximando seu rosto de uma forma perigosa. — eu sinto muito... — seus dedos soltaram o copo no chão, que estilhaçou há alguns metros de onde o rapaz estava. Mas ele não pareceu se importar quando segurou meu rosto com uma das mãos – ainda resta tempo, fuja comigo, este é o único pedido que lhe faço...

— Eu não posso San... — sussurrei, e seus orbes escuros analisaram o meu rosto com certa demora, pairando sobre meus lábios — mas, me permita... apenas por esta última noite... — inclinei a cabeça de forma lenta, sentindo a respiração quente e pesada do rapaz beijar a pele de meu rosto, e tomando toda coragem existente em meu interior, tomei os seus lábios grossos com euforia.

San hesitou, parecendo lutar contra algum sentimento existente em seu interior, mas cedeu ao passo que os meus dedos se emaranhavam nos fios compridos de seu cabelo. Uma das suas mãos alcançaram a minha cintura, friccionando o meu corpo contra o seu, e a outra foi de encontro a minha nuca, segurando ali com vontade, enquanto sua língua quente invadia a minha boca com intensidade.

Pude sentir o gosto da bebida que o rapaz ingeria há minutos atrás em seus lábios rubros. Ousei puxar algumas das mechas de seus cabelos levemente e os seus dedos apertaram a carne da minha cintura como resposta imediata. Ele descolou nossos lábios de repente, impedindo que aquele selar se tornasse ardente demais, e fechou os olhos, buscando ar em seus pulmões. E assim que ele os abriu, mesmo com a pouca iluminação, posso ver as suas pupilas totalmente dilatadas em um grande sinal de desejo e excitação, e mesmo que por fração segundos observo um sorrisinho inclinado despontar de seus lábios carnudos.

O ar de torna escasso ao nosso redor, como se uma espécie de bolha houvesse se instalado a nossa volta. San respira fundo e roça os seus lábios nos meus, em uma lentidão excruciante e tentadora, que resulta em um descompasso nas batidas de meu coração. Suas mãos afrouxam em minha cintura e nuca, e respiro fundo completamente frustrada.

— Não podemos fazer isso aqui, Lira — ele diz, de uma forma sôfrega, que chega a fazer o meu ventre entrar em chamas.

— Então me acompanhe até em casa, San — enlacei os meus dedos nos seus, em forma de pedido e o moreno balançou a cabeça, parecendo aturdido diante de minhas palavras.

— E o seu pai? — ele questionou, ainda mantendo os seus lábios se resvalando nos meus — e quanto a Seonghwa?

— Eles estão ocupados demais se entupindo de cerveja, não irão voltar para a casa tão cedo — disse, olhando na direção em que os dois se encontravam sentados há mais de horas.

San umedeceu os lábios, passando com a língua de forma lenta entre eles, me deixando com uma vontade insaciável de fazer o mesmo, e logo apertou os meus dedos entre os seus e se separou lentamente de meu corpo, me puxando para longe daquele lugar que outrora o moreno se encostava.

Seguimos em meio aquela massa pulsante de pessoas em volta da enorme fogueira, que ainda queimava como nunca, apertei os passos para alcançá-lo e o rapaz sorriu abertamente quando girei meu vestido como de costume, ao passar a uma longa distância do fogo resplandecente.

San enlaçou minhas mãos com firmeza, ao passo que me levava de encontro ao seu corpo tão fervente quanto as brasas daquela fogueira, e antes de me guiar em direção a roda de dança, deixou um breve selar em meus lábios e sorriu de forma adorável, como quando éramos apenas umas crianças ingênuas e desbravávamos a floresta mágica atrás das colinas, cheia de segredos conhecidos apenas por nós.

Suas mãos não desgrudaram das minhas por nenhum segundo, nem mesmo quando saímos com rapidez daquela roda de dança e sorrimos feito bobos em meio as moças que dançavam sem parar, caminhando em direção à minha moradia com uma certa euforia instalada no peito.

Assim que cruzamos a porta principal de madeira rustica, guiei San diretamente para o meu quarto, fechando o trinco da porta da maneira que podia, antes do garoto me prensar contra a madeira fria e pressionar cada centímetro de seu corpo sobre o meu. Me fazendo conter um gemido sôfrego na garganta, observei os seus lábios rubros se entreabrirem em um sorrisinho torto e os seus olhos pareciam queimar como fogo vivo.

Ele deslizou os seus dedos longos pelas laterais do corpete, alcançando rapidamente os meus pulsos descobertos, estes que foram enlaçados com cuidado e colocados acima de minha cabeça, me deixando encurralada entre o corpo febril de San e madeira da porta. Ele parecia observar todas as minha expressões, enquanto a sua respiração praticamente se unificava com a minha, ele inclinou a cabeça de modo que alcançasse o meu pescoço.

— Eu lhe ajudarei a se livrar de todas essas roupas, minha menina — ele sussurrou, com o olhar felino pesando sobre mim, ao passo que desfazia o aperto em um dos pulsos e levava a mão livre até os laços do corpete que prendia parte do vestido em meu corpo — estas vestes ficaram perfeitas em você, mas tenho que admitir que seu corpo fica infinitamente mais bonito sem nenhum tecido o encobrindo — ele acrescentou, com um tom de voz mais rouco que o usual. — Vire-se — ele dita em um tom de autoridade, que me faz o obedecer de imediato.

Seus dedos longos deslizam firmemente pela minha cintura, se desfazendo do corpete com rapidez, posso sentir a sua respiração quente bater em minha nuca, ao passo que uma das suas mãos desembolavam as outras amarras do meu vestido. E quando finalmente ele consegue desatá-las, os seus dedos deslizam desde os meus ombros até a base da minha coluna, conforme levava o tecido aveludado junto de suas mãos.

— Vire-se de frente para mim — ele dita e eu obedeço sem questionar nenhuma palavra. Ao me virar os seus olhos vão de encontro aos meus e ele apenas os desvia quando se abaixa, levando o tecido do vestido junto de suas mãos, enquanto elas percorrem um caminho pelas laterais de meu quadril indo até as minhas coxas. O seu rosto fica na altura do meu ventre e ele retira o vestido pelos meus pés, o jogando em um dos cantos do quarto.

E então San começa uma trilha de beijos, subindo em uma lentidão torturante. Tombo a cabeça na madeira atrás de meu corpo e fecho os olhos, procurando apoio para as minhas pernas não desmoronarem. E ele segue com a língua quente desde o ponto abaixo de meu umbigo até o vale dos meus seios, onde ele demora mais que o usual, tomando a pele nua e sensível de meus seios com vontade e me fazendo gemer baixo pela primeira fez.

E como se este som gerasse combustível para seu corpo, San me olha com um sorrisinho arqueado nos lábios e continua a me estimular com mais vontade do que antes, sugando com certa intensidade e fazendo o meu núcleo fisgar de excitação.

— San... — levei minhas mãos aos seus fios escuros, o trazendo para cima e o fazendo me encarar — eu preciso que você...

— Shh — ele leva o indicador até os meus lábios — relaxe, Lira, a nossa noite mal começou...


Notas Finais


E aí, gostaram do capítulo? Devemos continuar? Cometem ♡♡♡

Links de outras histórias nossas:
Gravity, Woosan: https://www.spiritfanfiction.com/historia/gravity-woosan--ateez-21674742

Coletânea Wonderland: https://www.spiritfanfiction.com/listas/coletanea-wonderland-6157652


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