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História SUTILMENTE AMOR - Um romance GaaSaku - Capítulo 14


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Notas do Autor


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Está tudo bem comigo! Sumi porque a vida adulta cobrou seu preço, e com isso me refiro a trabalho, estudos, família e saúde.
Mas volto com um capítulo que considero, no mínimo, satisfatório, direcionador e revelador.

Obrigada a vocês por seguirem comigo nessa jornada!

Capítulo 14 - Amigos


CAPÍTULO 14: AMIGOS (Ou, aquele em que Gaara e Sakura fazem um acordo tácito de convívio e algo importante é, enfim, revelado). 

Um banho bem tomado, boas e preguiçosas horas de sono e uma comida quente: foram estes os itens necessários para que Sakura pudesse se recompor da sua quase ressaca, caísse em si e percebesse o que tinha acontecido na noite anterior.: ela dormira na cama do Kazekage de Suna, embolada nele – e ele nela – como se fossem um casal.

Um c-a-s-a-l!

Seu interior fervia em um misto de sentimentos contraditórios, desde a animação e satisfação pela noite divertida que passaram, até o êxtase frenético e histérico de ter ficado meio bêbada e ter partilhado – pela primeira vez – a cama com um homem.

E não era qualquer homem...

Tudo bem que não compartilhou no sentido sexual da coisa. Estava ferrada de sono e, pode-se dizer, de álcool. Mas mesmo assim. Ela, uma kunoichi de renome, em missão, terminou a noite na cama do Kage –que havia lhe encomendado a dita missão! E não bastasse terminar a noite na cama dele, ela raiou o dia por lá. E não bastasse isso, foram pegos no flagra!

“-Que vergonha Sakura!” murmurou para si mesma pela enésima vez naquela tarde pós festival, enquanto fazia movimentos semi-histéricos ao abraçar o manto do Kazekage e dar gritos abafados pelo tecido do mesmo. Em alguns momentos, andava de um lado para outro do quarto, sem saber como iria encarar os irmãos de Gaara e pior, muito pior, muitíssimo pior: como iria encarar Gaara? Com que cara?

“Relaxa Sakura. Relaxa” começou a repetir mentalmente para si mesma como num mantra. E foi respirando de forma compassada. Parou de andar e sentou em posição de meditação. E passada a histeria, começou a meditar sobre tudo que estava acontecendo. E em sua mente só vinham dois rostos: Tsunade e Sasuke.

Era inevitável não pensar em Sasuke, seu “amor” desde a infância, aquele pelo qual carregou um sentimento por toda a sua adolescência. Por isso, deixou que Sasuke fluísse por seus pensamentos e emoções. Foi permitindo que sua mente a guiasse pelo histórico que ambos compartilhavam. Das lembranças ruins até as boas, das boas até as ruins. Lembrou-se da guerra, do genjutso no qual ele a colocou. Lembrou-se da saída dele na viagem de redenção. E por fim se lembrou das palavras de Tsunade: “-Amor é reciprocidade. Amor é cura”.

Palavras ditas não fora de contexto. Foi depois de um treinamento com Kakashi, no qual ele usara o chidori, desencadeando-lhe uma crise de pânico como Sakura nunca havia vivenciado na vida. Em Kakashi ela viu Sasuke, naquele chidori viu-se no genjutso, e seu peito doeu tal qual se lembrava de sentir doer na ilusão na qual foi submetida. O chidori foi o gatilho da sua ansiedade, e foi preciso muita terapia depois que esse gatilho foi acionado, para não se assustar quando as pessoas iam em sua direção com o braço apontado para seu peito –algo incomum de acontecer, mas uma cena que ela via até mesmo quando alguém lhe estendia a mão.

E foi no seu momento de maior dor, que sua mentora lhe deu uma tarde de sua sabedoria de vida, e juntas dialogaram sobre amor, reciprocidade, paixão, obsessão, auto cuidado, e romances tóxicos. Foi naquela tarde que se percebeu mergulhada no liquido tóxico do até então amor que sentia pelo Uchiha. E não foi fácil constatar e aceitar isso, e muito menos fácil foi desintoxicar-se. Foi um processo doloroso e que lhe demandou tempo para entender e aceitar, que não era amor.

Não era amor porque não era saudável. Não era amor porque não era recíproco. Não era amor porque gerava dependência. Não era amor porque gerava dor. Não era amor porque feria. Não era amor porque doía. Não era amor porque humilhava. Não era amor porque a fechava para o mundo.

Era doentio. Obsessivo. Desequilibrado.

E foi nesse processo que Ino foi fundamental. Foi nesse momento da sua vida, com seus 18 para 19 anos, que com a ajuda da amiga ela resolveu cuidar de sua aparência e valorizar seu exterior. Afinal, o que melhor para ajudar na cura interior que um 'up no visual'? Assim, deixou seus cabelos crescerem; aprendeu a valorizar suas curvas; cuidar de suas unhas, cabelo e pele; aprendeu a se vestir; a se portar com segurança; a sair e se divertir.

Viveu.

Viveu sem amarras. Deixou tudo para trás, despojou-se de todos os sentimentos tóxicos e voou livre.

E foi o seu voo mais lindo.

Mas em nenhum desses voos levou-a ao que ela estava vivendo agora. Isso que estava vivendo em Suna era singular, pois era como a aplicação prática que de toda a metamorfose que vivera nos últimos anos de sua vida. Ali não havia Ino ou Tsunade para lhe dizer o que fazer, como fazer, ou para darem apoio moral num momento como aquele – pós ressaca. Não havia sua amiga para lhe ajudar a identificar o que estava acontecendo ali! Era uma amizade apenas? Uma amizade colorida? Ou era invenção de sua mente? O que devia fazer? Como deveria se portar?

Tantas dúvidas. Tão poucas respostas. E o sol já se punha mais uma vez. E ela ainda não tinha a coragem necessária para sair do seu quarto e encontrar aquele homem pelos corredores do palácio. Naquele dia ia se permitir pensar mais, e somente encará-lo quando fosse inevitável, ou seja, na manhã seguinte quando fossem treinar.

~~~~~XoX~~~~~~

Para Gaara também estava sendo emocionalmente confuso passar por aquilo que haviam compartilhado no noite anterior. Embora ele tivesse o amor tatuado em sua testa, ele não tivera muitas experiências de vivência prática do amor, sobretudo com uma mulher. “-E que mulher!” disse baixinho em seu escritório, largando a caneta pela enésima vez, sem conseguir se concentrar em seu trabalho. Tinha que admitir, ele era meio bloqueado nos aspectos emocionais, e estava surpreso com a forma que se sentia livre com a Haruno.

Sua cabeça doía –graças a Temari e seu falatório sobre ter o flagrado dormindo com Sakura. Não que sua irmã fosse contra um possível relacionamento. Mas ela queria deixar claro que não permitiria que ele brincasse com os sentimentos de Sakura, e nem que sujasse a reputação deles com um romance ou aventura impensada, negligente e fora dos padrões de moralidade exigidos ao um Kage.

Teve que usar de sua autoridade e mau humor para cortar os irmãos –sim, irmãos! pois é claro que Kankuro não deixaria passar batido – que falavam sobre álcool, mulheres, reputação e seu cargo como líder de Suna.

E foi assim que, do dia da noite, ele passou de homem íntegro a um libertino.

“-Maldito conhaque” foi o que ele pensou a princípio, quando os irmãos –sobretudo Temari– torraram sua paciência com tudo o que acontecera. Mas depois, quando conseguiu se enfurnar no silêncio do seu escritório, e que as cenas da noite anterior e dos dois dormindo juntos vieram a sua cabeça, não conseguia deixar de rir e agradecer pelo “-Bendito conhaque” que tomaram juntos. Talvez, tudo o que aconteceu, tenha sido o empurrãozinho que precisavam para se soltar mais!

Levantou-se de sua mesa e foi observar Suna pela grande janela de seu escritório. O Sol já se punha, e ele esperava não ver a Haruno naquele dia. Precisava de mais tempo para digerir o fato de que haviam dormido juntos, numa intimidade incomum para o relacionamento fraternal que tinham, para o cargo que ocupavam e função que tinham. Bagunçou seus cabelos em nervosismo: aquela mulher mexia com seu sistema nervoso! Aquela mulher era uma deusa encarnada, uma diaba enviada para atentar seu juízo. E ele. Ah! Pobre de si! Era um refém daquela beleza toda.

~~~~~XoX~~~~~~

Nenhum dos dois dormiu muito bem naquela noite. Na verdade, Sakura não dormiu bem, pois Gaara sequer pregou os olhos. E foi por isso que foi treinar mais cedo, fazer um aquecimento antes que ela chegasse para o treino, certo de que deixaria as coisas acontecerem, o destino seguir seu curso sossegado.

E ela, embora tivesse acordado mais cedo, somente foi para o campo de treinamento na hora marcada -5h da manhã. Dobrou o manto de Kazekage, pegou seus pertences e foi, convicta de que a melhor coisa que poderia fazer era deixar fluir e ver onde essa interação iria levar-lhes.

Chegando ao campo de treinamento, com seu chakra oculto, ficou distante o observando. Ele estava sentado em posição de meditação, de costas para ela, e sem camisa. E lá, lá nas costas dele, lá estava ela: a tatuagem. Precisava chegar perto para ver melhor, mas de longe já tinha noção do que se tratava. E nossa! Era de tirar o fôlego. Tomava toda as costas, e o deixava extremamente sexy.

Corou com o pensamento e pulou de susto quando o ouviu dizer “-Gosta mesmo de espionar, doutora”. Respirou fundo, contou até dez, e se aproximou dele vagarosamente. Ele foi sentindo aquele perfume encher suas narinas e entorpecer seus pensamentos, e quando deu por si, ela estava ajoelhada sobre os calcanhares diante de si, com aqueles lindos cabelos trançados e belos olhos verdes o olhando com uma espécie de fascínio. Viu seu manto em seu colo, e viu suas feições singelas ao dizer “-Não quis te atrapalhar, sensei”, terminando sua frase com um olhar felino enquanto umedecia seus lábios com sua língua.

“-Doutora” ele disse simplesmente em tom de repreensão, pela forma que ela o provocava. Ela respirou fundo, e meio corada disse séria e respeitosamente “- Kazekage-sama desculpe por ontem. Foi culpa minha” e curvou-se em respeito, estendendo o manto para que ele pegasse.

Ele pegou o manto e jogou no chão ao seu lado, em seguida pegou as mãos dela e fez com que ela desfizesse o aceno. Olhando-se nos olhos, ele disse “-Realmente foi culpa sua...” e ela corou violentamente, pronta para deixar o modo Sakura-nervosa ser acionado e falar freneticamente sem mal dar espaço para respirar. Mas antes que isso acontecesse ele emendou “...que eu tivesse a melhor noite de sono da minha vida!” e riu. Sakura demorou alguns segundos para entender e assimilar tudo aquilo. Demorou também pelo menos um minuto inteiro para se acalmar depois que ele, entre a zombaria e seriedade, lhe disse “-Arigatô”.

Balbuciando ela enfim disse “-Mas, mas... eu. Eu causei uma grande confusão e constrangimento!”. Ele apertou as mãos dela e disse “-Não. Kankuru e Temari causaram a confusão ao achar que eu havia sido sequestrado. Quanto a você, apenas dormiu de cansada e... –pensou bem antes de dizer– bêbada”.

Sakura fez feição de indignada “-Eu não estava bêbada!”, e fez um biquinho. Gaara riu, e a olhou em descrença, desafiando-a a negar novamente o óbvio. Segundos depois ela se rendeu, e rindo disse “-Só um pouquinho bêbados! Não se exclua disso!”. Ele riu em concordância.

“-Mas sério!” ela disse meio brava, “-Eu tive um comportamento inadequado! Tu és o Kazekage de Suna e...” e Gaara não deixou que terminasse a frase, silenciando-a ao colocar seu indicador sobre os lábios femininos.

“-Nós -ele frisou- tivemos um comportamento um pouco inadequado. Mas... Nós nos divertimos” ele disse cúmplice. Ela riu em cumplicidade. Ele continuou “-Nunca fiquei tão bêbado!” e ela gargalhou “-Kazekage! Não estávamos bêbados de verdade!” ele concordou e disse “-Se levemente alterados acabou comigo sequestrado, não quero pensar no final que teria se tivéssemos ficado realmente bêbados!” ele disse se referindo ao falso sequestro. Riram juntos, e Sakura disse “-Talvez começassem uma guerra!” e riram mais ainda, como dois idiotas apaixonados que eram –embora ainda sem se darem conta da paixão.

E quando a risadaria passou, Sakura disse séria “-Mas sério agora. Principalmente por eu ter, erh, dormido com você –e corou nesse momento– eu me sinto envergonhada. Eu sou uma kunoichi de Konoha em missão, e sinto que passei dos limites”.

“-Eu te entendo. E sinto que também passei dos limites. Mas isso que aconteceu ninguém soube ou ficará sabendo além de nós quatro. E não te acho menos profissional pelo o que aconteceu.” ele decretou igualmente sério. Sakura mordeu o cantinho da boca, e abaixou a cabeça meio constrangida sem saber o que dizer. “-Ei –ele disse chamando sua atenção– não se culpe. Nossa relação não é estritamente profissional, afinal.”

“-Mas deveria ser” –ela disse baixinho de cabeça ainda baixa. Ouviu quando Gaara suspirou com a resposta que ela dera, e sentiu quando a sua mão calejada ergueu seu rosto chamando-lhe a atenção “-Haruno Sakura, se quiser, podemos ter uma relação estritamente profissional começando agora.” Ela arregalou os olhos, e ficou meio sem reação. Desviou o olhar, já que ele mantinha sua cabeça ereta obrigando-a a olhá-lo. Ela também respirou fundo e se lembrou do que Ino lhe dissera certa vez “-Sakura, viva!”.

Sakura voltou a olhá-lo, e julgou que naqueles olhos verdes havia expectativa, e até mesmo apreensão. Ela sorriu singela, pegou a mão que segurava seu rosto e fez um carinho para então dizer “-Nem quero e nem consigo”. E o peso saiu das suas costas, um peso que nem sabia que carregava, e ele sorriu satisfeito com a resposta. Ela completou “-Mas ainda sou uma kunoichi em missão.” Ele balançou a cabeça em concordância e disse “-E eu o Kazekage que chefia a dita missão”. Riram.

“-Exato” ela disse diante da constatação mais do que óbvia que eles fizeram. “-Mas -ele começou a dizer- somos só amigos, e por hora, acho que isso basta”. Sakura mordeu o lábio inferior e balançou a cabeça de forma meio caricata em concordância “-Acredito que basta.” Estavam meio hipnotizados como se tentassem ler a mente um do outro, e se pudessem, descobririam que seus pensamentos eram praticamente iguais.

No fundo, embora tivessem motivações distintas, o que ambos queriam era a liberdade de não ter que seguir o bom senso, os protocolos, e experimentarem todo aquele turbilhão de sentimentos confusos que convergiam para um único ponto: desejo. Desejo de beijar, tocar, cheirar, abraçar. Desejo de beber um do outro. De experimentar o novo, experimentar a paixão que a cada dia crescia.

Oh! Gaara queria, e como queria, pode beijar aquela boca rosada naquele momento. E Sakura queria ser beijada. O turbilhão era tanto, que inconscientemente as mãos masculinas rodearam delicadamente o pescoço feminino, indo para as orelhas e fazendo ali um afago gostoso, que fez a rosada ronronar em satisfação como uma gata manhosa. Esse foi o gatilho para que ele perdesse mais um pouco de juízo ainda existente no seu estoque de bom senso, fazendo-o levar uma mão para a cintura feminina, puxando a mulher para mais próximo de si.

De olhos fechados com o carinho ousado, Sakura tomou um pequeno susto, e se arrepiou toda ao sentir aquelas grandes mãos quentes e calejadas tocarem sua cintura num pedacinho não coberto por sua blusa. Espalmou as mãos no peitoral dele, e sentiu quando aquela mão foi para sua nuca, emaranhando-se no seu cabelo. Sentiu também quando do nada seu cabelo já não estava mais trançado, graças ao trabalho habilidoso da areia que ele manipulou para tal. Mal arfou em surpresa pela sucessão de acontecimentos, sentiu ele com seu nariz em seu pescoço, cheirando-a de forma que lhe ocasionava pensamentos nada puritanos.

Gaara estava extasiado. Sua boca foi para a orelha de Sakura e ali, com a voz rouca e sussurrada disse “-Esse perfume me enlouquece doutora, te peço, como amigo, que não use mais!”. Sakura gemeu. Uma de suas mãos abandonou o peitoral dele, e foi para suas costas, onde descontou seu excesso de tensão arranhando-o inconscientemente. E assim, a cada frase sussurrada em seu ouvido, ele ganhava arranhões inconscientes.

“-Vai me obedecer doutora?” ele disse enlouquecido pelos arranhões. Ela se aproximou de seu ouvido e respondeu “-Não”. E o tempo parou. Ele voltou a olhá-la, com o cenho franzido em êxtase, e encontrou-a o olhando com aquela cara de santa safada que só ela sabia fazer, mordendo o cantinho da boca, e o desafiando com o olhar. Estavam a centímetros de distância um do outro. Bastaria um leve movimento para que se beijassem. Ele umedeceu seus lábios e respirou, havia tantas coisas que queria fazer e falar, e nenhuma delas seria decente para a relação profissional que deveriam manter: afinal, deveriam manter o decoro.

“-Sua sorte, Sakura, é que sou um homem de muita compostura” ele disse sério. “-Então -ela disse melodiosamente- acho que devo agradecer aos deuses por ter um amigo -e enfatizou essa palavra- tão comedido”.

Ele riu roucamente e rebateu “-Como seu amigo, gostaria de entender esse lado ferino que você tem” disse de forma ácida, enquanto colocava uma mecha do cabelo rosado atrás da orelha, o que a fez corar. Ele continuou “-Ferino, e ao mesmo tempo tão -procurou as palavras- ... cândida”. Sakura sorriu, e Gaara sorriu em resposta. Ele continuou “-Você entende o efeito que causa em mim, e do quão ao limite você nos leva?”.

Ele fez um carinho em sua bochecha, e contornou aqueles lábios carnudos com seu polegar, fazendo com que Sakura o olhasse de forma entregue. Ela segurou a mão masculina que segurava seu rosto, e olhando-o nos olhos disse “-Eu não entendo sequer o efeito que você causa em mim, Gaara” ela disse de forma simples, e continuou “-Nunca vivi isso antes...”.

Suas bocas estavam ainda tão próximas. O auto controle que mantinham era surreal. E foi esse auto controle que levou ela a dizer “-Só podemos ser amigos”. Gaara anuiu em concordância, e disse convicto “-Eu jamais faria algo para manchar sua reputação ninja, ou pessoal. Por isso, somos só amigos!”

“-Sou grata por seu decoro, e também pelo meu. É minha primeira missão solo desse nível, e não posso extrapolar os limites na minha vida pessoal”.

“-Eu sei -ele disse- e por isso peço desculpas por meus momentos de descontrole”.

“-Então tenho que pedir desculpas por me descontrolar também!” ela rebateu com falsa indignação.

“Acho que podemos nos desculpar mutuamente” ele disse equilibrado, e ela concordou com um aceno de cabeça.

Boa parte da tensão que pairava entre os dois se dissipou, e ele sabia que se quisesse não perder os rumos do seu juízo, deveria acabar com aquele clima de vez. Mudou o tom de sua voz, e sua postura corporal. “-Ótimo” ele disse. “-Somos só amigos!”

“-Ótimo” ela replicou. “Só amigos!”

E estava decretado o lema do casal. Todo e quaisquer questionamentos, deles próprios ou de terceiros sobre suas condutas a dois, passariam a ser respondidas dessa forma: “Somos só amigos!”. No fundo sabiam que essa desculpa nada mais era que uma forma de justificar e amenizar tudo que já havia acontecido, e também amortecer possíveis novas interações. Mas não viam outro caminho naquele momento.

Sakura, de maneira especial, prezava pelo sucesso de sua missão. Havia muitas questões que carregou consigo ao longo de sua adolescência, e uma delas era as duras críticas sobre si devido ao seu excesso de sentimentalismo. A mulher ninja, como qualquer outra mulher, sofre com o peso de uma sociedade machista e patriarcal, que rotula mulheres como frágeis, tolas, histéricas e incapazes de controlar suas emoções. E ela não queria, de jeito nenhum, ter como marca de sua primeira missão solo de porte tão relevante, ser lembrada por um envolvimento amoroso com o líder da vila contratante. Não mesmo!

Obvio que ela já tinha alguma consciência de que, o que estava se instalando ali entre os dois, era algo difícil de controlar. Havia química e conexão seja no aspecto físico, seja no aspecto emocional. Gaara e Sakura eram extremamente compatíveis. E toda essa compatibilidade que sequer tinham dimensão ainda do tamanho, os levava a naturalidade de interações. Era tão natural conversar, rir, se tocar, andar juntos, comerem...

Era bom estarem juntos. O que sentiam na companhia um do outro, mas ainda não haviam externalizado em palavras, era leveza, felicidade e paz. E foi com leveza de espírito que Gaara se colocou de pé e estendeu a mão para que ela se levantasse dizendo “-Doutora”...

Ela, sorridente, deu-lhe a mão e disse “-Kazekage-sensei” e pôs-se de pé em um pulo. Já que era para ‘tocarem o barco’ com compostura, que pelo menos pudessem lidar um com o outro com a leveza de duas pessoas envoltas em uma boa e velha amizade colorida. E era assim que fariam, embora não estivessem totalmente conscientes dessa postura entre eles.

“-O treino de hoje tem que ser excelente!” ele disse.

“-É mesmo?” ela perguntou retórica com um sorrisinho estampado em sua face.

“-Ó sim. Para compensar a noite excelente que eu tive!” e com essa fala, ele ganhou um tapa fajuto em seu ombro, dado por uma Sakura falsamente brava. “-Ei! Vai ficar jogando na cara meu deslize sonolento?” ela disse sem tirar a mão de seu ombro. “-Que isso doutora Haruno! Somos amigos, amigos não fazem esses jogos de ‘jogar na cara’!” e riu.

Ela se aproximou. “-Amigos costumam ser implicantes” ela disse. “-Costumam?” ele perguntou sincero. “-Ah sim!” ela disse brincalhona e se aproximou mais. “-Sabe o que mais amigos são?”.

“-Não. Não sei doutora. Me diga”. E pensou ele que, lá estava ela, mais uma vez seduzindo-o. E pensou que gostaria de saber se esse poder de sedução era consciente ou inconsciente. 

Sakura se aproximou o máximo que pôde e com seu dedo desenhou sobre a pontinha de tatuagem que aparecia no ombro masculino, e disse “-Amigos são curiosos”. Ele olhou por sobre seu ombro e viu aquele dedo percorrendo a pontinha da sua tatuagem, e a compreensão o atingiu. Riu meio roucamente e disse “-Qual sua curiosidade, doutora?”.

Ela tirou as mãos dele, deu um passinho para traz e enrolando um fio de cabelo disse “-O porquê tens um tigre e um dragão tatuado nas suas costas?”.

Ele sorriu, e provocando disse “-Quase ninguém a viu” se referindo a tatuagem.

“-Então posso me sentir privilegiada?” ela disse implicando, mas não esperava a resposta que ele daria.

“-Achas um privilégio?” ele perguntou provocando, fazendo-a corar fortemente e ficando sem palavras para responder. Ele riu e respondeu a pergunta sobre o porquê de sua escolha de tatuagem “-Para me lembrar de ter equilíbrio: entre a obstinação de um tigre, e o poder de um dragão”.

“-Yin e yang” Sakura disse simples. Ele anuiu com um balançar de cabeça “-É o que todos somos, afinal”.

Continua...

“Tigres e dragões são considerados adversários ferozes, implacáveis ​​e extraordinariamente poderosos. Surpreendentemente, quando estes dois são colocados juntos, o significado das imagens torna-se muito mais nuançado, e essa nuance pode ser a base para uma excelente tatuagem inspirada no budismo.

Nas imagens budistas, o tigre e o dragão são ambos símbolos de poder. Quando justapostos, o tigre e um dragão tornam-se simbólicos do equilíbrio sagrado entre duas personalidades muito diferentes.

O yin e o yang baseiam-se na noção de que, apesar de suas diferenças, representam energia imensamente poderosa. No entanto, o tigre é visto como um poder “duro”, enquanto o dragão representa um poder “suave”. Isso ocorre porque um tigre é visto como implacável e tempestuoso; o tigre não hesita em pegar o que quer, e isso faz dele uma essência “dura”.

Em contraste, o dragão representa um poder “suave”, caracterizado pela paciência e sabedoria para saber quando é o momento certo para atacar. Em uma batalha, nenhum desses dois poderes pode ganhar sozinho e, no entanto, quando juntos, eles são imparáveis.

O simbolismo por trás de uma tatuagem de tigre-dragão é uma admoestação para permanecer em algum lugar entre os extremos. Se você mantiver o equilíbrio entre a atitude obstinada do tigre e o poder suave e duradouro do dragão, você será capaz de alcançar grandes feitos. O peso deste conselho tem sido bem visto há séculos, razão pela qual é reconhecido como uma escolha excelente para uma tatuagem.”

[Fonte: https://inleaguercd.org/estilo-e-moda-masculina/40-desenhos-de-tatuagem-de-dragao-tigre-para/#:~:text=O%20simbolismo%20por%20tr%C3%A1s%20de,capaz%20de%20alcan%C3%A7ar%20grandes%20feitos.]


Notas Finais


Gostaram?
Olhem, sei que querem muito o beijo. O envolvimento. Mas a explicação está no próprio capítulo.
Há mais do relacionamento deles nessa etapa que vou trabalhar, na verdade, trata-se de situações corriqueiras que quero explorar e mostrar como esses dois vão construindo algo forte e verdadeiramente genuíno.
Espero que tenham gostado da escolha da tatuagem: isso é mérito de vocês. Vocês ficaram tão divididos entre uma e outra, que quando decidi usar tigre e dragão, me surpreendi ao descobrir esse significado tão pertinente e bonito a história de Gaara.

Sobre meu sumiço. Questões pessoais que me tiraram do plumo. Não necessariamente coisas ruins. Mas não tive mais aquela tristeza tal qual como disse a vocês. Estou emocionalmente melhor. Mas quem é adulto sabe: a vida adulta pesa as vezes.
A propósito, a fanfic é classificada como 18 anos, e espero que não haja adolescentes aqui... juízo hein?!

Obrigada àqueles que sentiram minha falta ao ponto de mandar uma linda mensagem carinhosa me perguntando se estava tudo bem! Vocês que tiveram essa atitude tão empática, sabem que estou falando com vocês! Beijos de luz para vocês. Dedico-lhes esse capítulo!


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