História Sweet Child O' Mine - Capítulo 66


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Categorias Avenged Sevenfold
Personagens Arin Ilejay, Johnny Christ, M. Shadows, Personagens Originais, Synyster Gates, Zacky Vengeance
Tags Arin Ilejay, Dan Abell, James Sullivan, Jason Berry, Jimmy Sullivan, Johnny Christ, Katerina, Katerina Boetter, M Shadows, Marcos Devon, Matt Berry, Synyster Gates, The Rev, Zacky Vengeance
Visualizações 60
Palavras 5.461
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Hentai, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Mais uma vez juntei dois capitulos por isso deu quase 6 mil palavras, mas acho que vocês gostam né? :3

Capítulo 66 - Constatações e Samantha Kubloski


06/03/2014 – Santiago, Chile – 12:43

Se tem algo que nunca vou conseguir falar é o espanhol. Sério. Que idioma esquisito; por mais que os gêmeos tenham tentando me ensinar em todo esse tempo que passamos juntos, a única coisa que conseguia era entender. Falar? Pouca coisa. Mesmo. Até alemão fora mais fácil de aprender. E não estou sendo irônica.

-I can be your heavenly or I can be your hell. - cantava distraidamente, tentando criar musicalidade a minha própria letra enquanto caminhava por dentro da pista cimentada do Teatro Caupolican vendo o resto dos auxiliares montando o palco. Então, hoje o pessoal se adiantou e estavam quase terminando tudo, o que era algo ótimo visto que poderíamos tirar umas horas de folga amanhã antes do show e isso significava mais tempo caso ocorresse, e espero que não, algum imprevisto.

Bom, as ferragens da bateria já tinham sido trocadas, a estrutura reserva já estava montada e firme, os cabos já estavam todos arrumados e sem nenhum tipo de interferência. Queríamos que continuasse desse jeito.

Senti o celular vibrando no bolso do meu short e revirei os olhos. Por ironia do destino sabia bem quem era, ou talvez porque aquele babaca ficava me mandando SMS nas horas mais inoportunas possíveis pedindo alguma coisa tão idiota que me dava vontade de fazê-lo comer o próprio celular. Pela bunda.

Peguei o aparelho, desbloqueando e vendo a mensagem.

Pode me trazer tacos com molho picante? Não esqueça os acompanhamentos ;)

xx ZV

Bati a palma da mão na testa, bufando e respondi rapidamente. Como pode ser tão burro? (E tão viado).

Nós estamos no Chile e não no México sua mula…

~Boettner

Enviei e guardei o celular no bolso novamente, caminhando até onde Jack estava com um dos donos do Teatro. Sabia que teria que achar alguma coisa que o guitarrista base queria e mandar para ele ou eu provavelmente acabaria sendo demitida. Só espero que mude o pedido. É. O que foi? Pensaram que estava sendo a assistente pessoal dele por que queria (além do fato de ter quase me vendido por um mês)? Zacky ainda pode me demitir se quiser, assim como qualquer um dos outros caras da banda e os supervisores. E ele estava testando minha paciência desde que desembarcamos do avião.

Senti meu bolso vibrando de novo.

-Jack, por favor, tem alguma van disponível? - perguntei calmamente enquanto o loiro e um homem que parecia uma bolinha de circo me olhavam. O tal do dono do lugar. A sorte que temos uma equipe multilíngue, então eles estavam conversando em espanhol quando cheguei. E espero que o dono não entenda inglês porque estou sentindo que levarei esporro, de novo, do Dr. Hyde. 

Apelidinho carinhoso.

-O Vengeance ‘tá abusando já, ele sabe que nós precisamos de toda a equipe junta. - resmungou. Obviamente todo o pessoal já sabia que tinha vendido a alma ao diabo do guitarrista. Jason, claro, fez questão de fazer uma plaquinha que colou nas minhas costas no dia anterior que dizia: propriedade do diabo. Cada dia mais noto que todos aqui me amam, não é possível.

Concordei com o roadie, cruzando os braços.

-Tem uma na saída cinco, tente não demorar muito. - acenei positivamente com a cabeça e me encaminhei até lá, pegando o celular e vendo a nova SMS escrita.

Até o final da tour, o Avenged vai ficar sem guitarrista base. ‘Tô avisando.

Mula é a senhora sua mãe, meu amor, e dê seu jeito.

-love ZV

Não consegui evitar rir. Quem é que tá escrevendo essas porra de SMS? Cada vez ficava pior a maneira com que ele falava comigo, ou mais aboiolado no caso, e nunca conseguia evitar rir. Obvio que vou guardar elas para mais tarde e fazer um complô com os outros para podermos zoar o gordinho lenhador de bonsai por não assumir sua homossexualidade.

Achei o veiculo estacionado do outro lado da rua e parecia um vampiro saindo na luz do sol. Não conseguia ver quase nada e ainda dei um gritinho por causa do calor e da cegueira momentânea. Corri rapidamente até lá, entrando no carona e o motorista me olhou assustado por uns segundos até notar que me conhecia e dar uma risada.

-Para onde hoje, senhorita? - seu sotaque era carregado. Ligou o motor.

-Sabe de algum lugar que venda tacos, Carrera? - questionei colocando o cinto. Romano Carrera era o motorista que estava me aguentando correr de lá pra cá atrás dos pedidos esquisitos de Zacky. Era um senhor de cinquenta e tantos anos, magro e bem moreno. Além do bom humor impecável sempre. Embora não entendesse algumas coisas que ele falasse de tão forte que seu sotaque era quando falava inglês.

Romano franziu o cenho, virando em uma das ruas.

Que saudade faz um óculos de sol.

-Nós estamos no Chile senhorita, não no México. - ri de suas palavras.

-Eu sei, mas aparentemente meus superiores não estudaram quando eram pequenos. - comentei nos fazendo rir.

Ao longo da pequena viagem até algum lugar que ele achou que realmente vendia tacos, fomos conversando banalidades. E ele tentando me ensinar a falar espanhol ainda. Obvio que não conseguia. Era muito difícil pra minha cabeça. Acho que sou meio burrilda. Quando entrei no restaurante que vendia as gordices que meu querido chefe (olá, ironia) pediu, notei que várias pessoas pararam de comer pra ficar me olhando.

Gente, parece que nunca viram uma mulher na vida.

Fiz o pedido no balcão, no que o atendente teve um pouco de dificuldade para falar comigo, mas ficou assustado mesmo com a quantidade de comida que pedira. Era um almoço para quatro pessoas praticamente. Como vocês acham que Zacky mantêm o formato esférico? Rolando dos morros é que não é.

Tive que chamar Carrera pra me ajudar a carregar as sacolas até a van. Até ele se assustou com o tamanho do pedido.

A viagem até o hotel me rendeu um buraco no estomago já que estava indo almoçar quando recebi a mensagem e agora o mesmo produzia barulhos esquisitos que começavam a ficar um pouco altos, consequentemente, o motorista ouviu e começou a rir me pedindo se não queria parar em algum lugar antes para comer algo. Tive que negar ou quem acabaria se ferrando era eu mesmo. Ainda mais. Só espero que Marcos não descubra que estou pulando o almoço ou vou levar um belo xingão. E nem Emery, que inclusive teve que voltar aos EUA para tratar de algum assunto com a antiga agencia e só voltaríamos a nos ver na Shepherd of Fire Tour, no Canada. Ou seja, sem fotos por enquanto.

Internamente dava graças ou quem não viveria mais? Euzinha.

Romano me ajudou a tirar as sacolas, entrando no hotel e fui barrada pelos seguranças. Obvio que tive que passar vergonha até que eles vissem meu crachá pendurado nas cordas do cinto do short e isso consistia em uma Katerina dançando com o quadril para o lado até que eles vissem o objeto balançando ali.

Subimos até o nono andar com as coisas e fui até o quarto 910, apertando a pequena campainha com o nariz já que nos dois estávamos com as mãos carregadas. Logo a porta foi aberta e quase tive um infarto momentâneo.

Okay, implico pra caralho com o animal, mas ele consegue ser sexy quando quer. Zacky estava todo arrumado e com a barba por fazer, uma camisa social branca enrolada nos cotovelos e as calças apertadas com as barras dobradas.

Ele sorriu maniacamente quando me viu e abriu a porta para que entrasse, mas parou o movimento quando viu o motorista atrás de mim.

-Abre essa porra logo, ‘tá pesado pra caralho. - quase rosnei. Queria mais era abrir aquela porta no estilo Spartacus: THIS IS SPARTA! Mas não deu.

Zacky abriu a porta toda para que entrássemos.

Coloquei as coisas sobre a mesa perto da janela, vendo o quanto o quarto deles estava desarrumado. Nossa, parece que passou um furacão por aqui.

Soltei o ar aliviada quando larguei a comida na mesa, soltando uma exclamação – e um xingamento – em italiano. A porta do banheiro foi aberta e vi…

-Vocês estavam transando loucamente e não me chamaram pra ver? - perguntei apoiando as mãos na cintura, alternando o olhar entre Brian e Zacky. Claro que o moreno riu alto, jogando a cabeça pra trás e terminando de secar os cabelos negros com uma outra toalha. Aliás, Brian estava só de toalha no quarto e tenho que admitir que fiquei observando o corpo dele por alguns segundos antes dele se dar conta e segurar o nó da toalha na cintura.

-Posso abrir se quiser, Kat. - porque ele tem que ter essa cara de safado sempre? Bom, acabei ficando um pouco constrangida já que até o motorista estava por ali vendo isso. Pareceu que Brian notou isso no mesmo tempo em que se recompôs e foi cumprimentá-lo como se nada tivesse acontecido.

Tinha inveja dessa confiança toda que ele tinha.

Só que não conseguia desviar o olhar das suas costas, mais especificamente da lombar que mostrava duas pequenas covinhas que se perdiam por de baixo da toalha. Brian tinha as costas bem definidas, embora aquela porcaria daquela tatuagem dele estivesse ali atrapalhando, mas não estragava a visão.

Jesus, eu estou mesmo secando uma pessoa que considero quase meu irmão?

Obvio que ele notou. Ele sempre percebe as coisas. E agora estava rindo da minha cara enquanto se abaixava em uma das malas. Pera…

-Mas eu errei o quarto? - questionei virando para Zacky que tinha uma expressão um tanto quanto furiosa no rosto. Isso me deixou mais confusa ainda. - Você me disse que estava aqui ontem. - cocei a cabeça, ainda observando o base que me ignorou prontamente e foi sentar-se a mesa, mexendo nas sacolas com comida.

Revirei os olhos.

Tinha que ser gordo mesmo.

-Nós trocamos de quarto hoje de manhã. - Brian comentou na porta do banheiro com algumas roupas nos braços. Ele tinha um sorriso de lado, arteiro e…

...meu deus…

Vi a bunda branca do Brian antes da porta fechar com ele rindo dentro.

Então…

Ele tirou a toalha antes de entrar, mas de costas para nós, o que me deixou com uma cara de abobada vendo que ele tinha o maior bundão. Agora conseguia entender porque a Michelle casou com ele, embora a vontade de apertar o lugar surgisse rapidamente e meu rosto pegava fogo. Podia sentir todo o calor por minhas bochechas e pescoço.

-Já pode ir embora. - a voz irritada me tirou do transe, no que olhei Zacky com a cara suja de molho. Acabei por rir de cena, o que pareceu deixá-lo mais irritado ainda. O pior que até a cara de irritado dele era fofinha porque seus olhos se apertavam nos cantos e, acho que involuntariamente, ele ficava fazendo bico igual uma criança emburrada. Some isso ao fato de já achar ele à criatura mais fofa quando estava quieto e relaxado.

Porque mesmo estou pensando isso?

Se antes ele pegava no meu pé, quando fizer o que vou fazer agora, ele vai me acorrentar e fazer com que carregue ele num trono.

Cheguei bem perto, me abaixando um pouco no que ele me olhou confuso e segurei seu rosto pelas bochechas. De novo.

-Olha que fofinho. - puxava-o delicadamente para os lados, falando com uma vozinha fininha e infantil. - O bebe ‘tá bravinho. - e o vi ficar meio vermelho e fazer aquela expressão sem graça dele. Ai jesus.

-Para sua maluca. - ele falou rindo tentando tirar minhas mãos do seu rosto o que ocasionou dele conseguir sujar elas e meus braços no processo. Nós riamos iguais dois abobados por causa disso. E lembrar que estava com raiva por ele me fazer carregar quase cinco quilos de comida até ali. Estapeei-lhe o ombro, no que Zacky me puxou e acabei sentada em cima de suas pernas, de lado e ele me abraçou pela cintura com a melhor cara de inocente. Com a cara toda suja agora.

-Você não vai fazer isso! - falei um pouco alto, tentando me soltar dele, empurrando-o pelos ombros. Claro que ele estava rindo da minha cara quando se esfregou por todo meu cabelo e pescoço, me deixando cheirando a chilli… - Filho da puta! - ri beliscando seu braço, ainda tentando me soltar porque ele ia dar um jeito de tentar me sujar mais ainda.

Dito e feito.

Agora tinha uma bela mancha de molho branco na minha bochecha que ele queria dar um jeito de morder e estava me protegendo formando uma bolinha com a cabeça no seu peito, rindo das cosquinhas que ele insistia em fazer na minha cintura.

-Chega porra! - desferi um soco no seu ombro, ainda rindo no que ele parou e consegui levantar a cabeça para observar sua face toda vermelha de tanto rir e suja de molho vermelho. Apoiei a palma das mãos no seu peito, sujando-o um pouco mais e ele teria que tomar outro banho. Certeza.

Como era bom voltar ao tempo em que nós ficávamos brincando desse jeito.

Sorri e fiquei observando seus olhos claros que estavam quase azuis – ou era o efeito da claridade – e sentindo algo estranho no estomago junto com a sensação de calma que não me atingia fazia algum tempo. Não durou muito já que no minuto seguinte seus lábios estavam colados aos meus, exercendo uma pressão gostosa e um calor reconfortante. E não foi preciso nada para que ele logo estivesse passando a língua por sob meus lábios, adentrando-os e chocando-se com a minha, fazendo um arrepio descer por todas minhas costas. O gosto dos tacos estava presente, causando uma pequena risada entre nós por uns segundos até que Zacky aprofundasse o beijo, puxando mais meu corpo de encontro ao seu, espalmando as mãos grandes, uma na coxa e outra na cintura como se não quisesse que saísse mais dali.

Ele tinha uma calma que me causava estranhamento já que não me lembrava de ser assim, mas era definitivamente muito bom já que trazia aquela sensação estranha de novo ao meu estomago, mas que não era incomoda.

Levei uma das mãos a sua nuca, tentando trazê-lo mais perto, enroscando nossas línguas e fazendo um suspiro sair meio abafado. Minhas unhas, embora curtas, estavam fazendo um carinho delicado no local, passando a ponta dos dedos por seus fios curtos. A sensação de sentir seus lábios contra os meus era maravilhosa.

E espera…

QUE CARALHO?

Joguei o corpo pra trás, nos separando bruscamente e de olhos arregalados observando seus lábios vermelhos e inchados. Por alguns segundos só tive raiva de ter feito isso, ainda mais depois de observar seus olhos quase brilhando e ficando assustados logo depois.

Levantei correndo, quase tropeçando em uma das sacolas no chão e sai correndo do quarto de Brian, que, notei um pouco antes, estava parado na porta do banheiro – vestido – nos observando a não sei quanto tempo. Sua expressão era quase divertida.

Limpei as mãos no short para pegar o celular e avisar Jack que iria me atrasar bastante.

Por que foi tão bom beijar alguém que deveria ser somente meu amigo? Ainda mais o filho da puta que me atazanava e que queria sempre me matar, mesmo depois de esclarecer o assunto da noticia?

Vou procurar Johnny mais tarde, preciso conversar com ele.

 

___//___

Synyster Gates

Era basicamente um passatempo para si deixar a pequena roadie encabulada, ela vivia ficando com o rosto completamente rubro quando ele fazia esses tipos de brincadeiras e isso era hilário. Faltava apenas sua família adota-la em papel para que a tivesse como uma irmã menor; sentia a necessidade de proteger a garota sempre que algo ruim acontecia ou simplesmente sentar e conversar coisas sem sentido até decidirem beber e dormirem abraçados, quase babando um em cima do outro.

Por esse motivo não estava grudado no pescoço do melhor amigo quando saiu do banheiro depois de deixar a bunda à mostra para quem quisesse ver. Esperava que sua intuição não falhasse logo agora em relação à Katerina ou iria se culpar por um bom tempo, mais do que gostaria.

Brian havia visto toda a cena desde que a amiga desferiu um soco no ombro de Zachary, pedindo aos risos para parar de suja-la com comida. Não sabia como eles poderiam estar se divertindo todos sujos e gosmentos, mas não iria atrapalhar até porque estava se sentindo alegre observando os dois convivendo normalmente, sem que quisessem matar um ao outro.

Tinha sorte de não terem o notado antes, ou nada daquilo teria acontecido e ele não teria tido sua confirmação. Embora tenha se sentindo o maior intruso naquela situação.

Viu quando o amigo beijou a garota. As mãos apenas segurando-a para que não caísse, fazendo um carinho lento nas costas desenhadas e descobertas, o corpo de ambos relaxados indicando que era algo bem-vindo.

E logo a mais nova empurrou-os, quase caindo.

Viu-a saindo depressa do quarto sem dizer nada, o corpo tenso.

Observou por uns segundos a face corada do amigo. E muito assustada com sobrancelhas arqueadas e os lábios levemente separados. Brian podia ver o verde claro dos olhos do amigo transmitindo um medo que ele não via há algum tempo.

E não aguentou, riu tão alto que poderia facilmente acordar os outros hospedes do hotel.

-Filho da puta. – rosnou baixinho o outro guitarrista, olhando mortalmente ao amigo se desencostar e sentar a mesa, rindo igualmente um maníaco desesperado enquanto abria uma das sacolas esquecidas e pegando um prato cheio de coisa que nenhum sabia o nome.

-Não se surpreenda tanto Baker. – comentou o moreno, pegando um dos garfos de plástico que havia sido trazido junto, cruzando as pernas, o tornozelo em cima do joelho. –Você já ficou assim antes e ninguém morreu. E vá tomar um banho, nós temos entrevista daqui a pouco. – e o humor presente na voz de Brian o deixou mais puto do que já estava.

Levantou-se bruscamente, quase chutando a pequena poltrona da mesa e caminhou a passos pesados até fora do quarto do amigo, parando na porta uns segundos antes de abri-la.

-A ultima vez, Brian, eu não corria o risco de ser preso. – e bateu com força a porta, fazendo o quarto tremer e o moreno se engasgar com a comida, tendo que correr até o banheiro e enfiar a cara em baixo da torneira aberta para não morrer com um pedaço de carne entalada na garganta.

Bateu no peito com o punho fechado algumas vezes para se certificar que já não corria risco de morte (eita exagero), apoiando a mão na parede de pedras desenhadas, puxando o ar com certo desespero. Tossiu algumas vezes até se sentir melhor.

Saiu do banheiro com a expressão ainda assustada, o coração na boca pelo acontecido e sentou-se calmamente na poltrona que não estava suja. Passou as mãos pelos cabelos, de trás para frente, preocupado.

-Da última vez você não admitiu. – falou baixo, sozinho, olhando um ponto distante do quarto enquanto lembrava-se da vez em que os dois estavam falando.

 

Os dois brigavam como cão e gato. Ninguém mais aguentava aqueles dois sendo idiotas o suficiente para não admitirem o que sentiam um pelo outro. E quem resolveu ter o plano brilhante da vez fora Jimmy. Estavam no começo da gravação do City of Evil e quem iria acabar matando os dois era Matt se eles não parassem com aquela porcaria de inimizade logo. Sóbrios mal se olhavam na cara, já bêbados...

Era um plano bem abobado, mas era o único que eles tinham e o grandão fez questão de jogar isso na cara do resto já que ninguém tinha inteligência o suficiente para pensar em algo. Ou não haviam assistido filmes adolescentes de mais, como Jimmy.

Todos estavam reunidos na pequena sala do estúdio, esperando que o casal problema chegasse, todos prontos para resolver de vez aquela situação.

Logo puderam ouvir os gritos da mais nova ecoarem. Todos haviam ido mais cedo para que fosse justamente ele a ter de buscar a amiga, parte do plano brilhante.

-Dá próxima vez, por favor, bata a porra do carro do meu lado. – viram a loira caminhando rápido até eles, os cabelos curtos voando nervosamente ao redor dela e sua expressão completamente vermelha de raiva quando tentou cumprimenta-los, mas foi impedida pela risada monstruosa e anasalada.

-Foi só um pouco rápido. – ria-se bobamente quando se jogou quase em cima de Johnny. Todos notavam que ele já estava levemente embriagado, o que facilitaria o plano dos amigos.

Observavam a discussão dos dois, ela gritando irritada sobre como eles poderiam ter morrido na curva antes de chegarem e o outro somente rindo do desespero real dela. Admitiam que, daquela vez, ela tinha razão em estar com raiva. Então Matt levantou-se do sofá, dando um belo sermão no amigo que ficara o resto da tarde de cara fechada e resmungando pelos cantos.

Brian estava quase surtando, mas Jimmy lhe pedia calma que estava quase na hora de executar o plano. Os dois sabiam que se isso não desse certo, nada mais daria por que, porra, como os dois eram difíceis de se resolverem. Engana-se quem pensava que a loira era um espirito calmo apesar das feições doces e delicadas. Combinava bem com o guitarrista.

Era final de tarde e todos estavam cansados, bastante bêbados também.

Hora do plano!

-Hey Gena! – o grandão chamou, deixando o braço pesar por sobre os ombros da loira que lhe sorriu debilmente. Começaram a caminhar até um dos banheiros mais ao fundo do lugar, era um espaço considerável. Estavam falando amenidades de bêbados, quando a loira foi gentilmente – só que não - empurrada para dentro do banheiro e trancada lá dentro.

Logo Brian já trazia Zacky que tentava contar alguma piada sem sentido, rindo abobalhadamente (como sempre). Empurrou o amigo para dentro do banheiro assim que James abriu novamente a porta. E logo trancaram por fora, a chave nas mãos do baterista refletia seu sorriso demoníaco enquanto ouviam os protestos dos dois, que logo começaram a gritar um com o outro.

Brian e Jimmy sentaram-se na parede oposta, recebendo um belo fardo de cervejas de Johnny e alguns cigarros juntos. Eles iam ficar um bom tempo ali pelo que conheciam os dois.

Pegaram uma garrafa de Heinekein cada um, abrindo com os dentes e brindaram atrapalhadamente. James soltando sua risada monstruosa, e bêbada, estava sugerindo que apostassem quanto tempo levariam.

E foi um resto de tarde e noite muito longos. Até tentaram sentir pena dos dois trancados no banheiro, mas era melhor isso do que ter que aturar os dois brigarem até a eternidade e nunca admitir que gostavam um do outro.

Quando, finalmente, pediram para sair do banheiro, estavam vermelhos igual dois tomates e... namorando! Isso já era passado das quatro da manhã, então, obviamente o baterista foi comemorar se jogando no mais novo casal gritando algo sobre ele ser o rei da porra toda. Brian ria-se, já que não conseguia levantar sequer um dedo de tão bêbado que se sentia.

Obviamente o grandão estava feliz por ganhar a aposta.

 

Riu sozinho por um momento lembrando-se do dia.

-Acho que precisamos de um plano, Jimmy. – falou sozinho, olhando para o céu claro da cidade através dos vidros limpos que enfeitavam a parede próxima a mesa. Sorriu, terminando de almoçar para descer e irem logo ao local da entrevista.

 

___//___

 

22/03/2014 – Porto Alegre, Brasil – Pepsi On Stage – 9:32 AM

 

Desde o Chile não vira mais ninguém da banda. Não estava ficando para ver os shows também, apenas trabalhando o suficiente para conseguir sair antes que desse o horário para a passagem de som e voltando ao hotel para estudar e ocupar a porcaria de todo falatório na minha cabeça.

Sim, minha consciência deu sinal de vida.

Sim, tenho uma por mais que não pareça.

Surpreendentemente, Zacky não havia mandado mais nenhuma SMS com pedidos estranhos.

Naquele momento estava novamente montando a grade de contenção junto com Jack, não demorando muito para conseguirmos terminar. Por algum motivo estranho, queria dar uma passeada na parte da frente do lugar mais tarde, para ver se já havia alguém lá esperando o show. Isso me lembrava muito meus dois únicos concertos que fui na Itália, junto de Aaron: Rammstein e Omnia. Ficar sentado na frente da porta, esperando a abertura por dias, ou, no meu caso, havia sido dois dias apenas.

Não é atoa que consegui aprender alemão tão fácil depois.

Subi de volta ao palco, conferindo os cabos novamente.

-Boettner! – revirei os olhos.

-Que foi dessa vez Berry? – questionei virando-me para Matt, apoiando as mãos na cintura. Ele levantou as mãos próximas ao rosto, com a expressão culpada como se fosse ataca-lo a qualquer momento.

-Credo, que bicho te mordeu? ‘Tá num mau humor do caralho ultimamente. – falou rindo e me chamando num gesto mudo para segui-lo até o camarim. Suspirei.

-É porque odeio todos vocês. – afinei a voz, juntando as mãos em baixo do queixo e piscando para o roadie de maneira fofa enquanto caminhávamos. Ele me xingou depois quando entramos no camarim que ainda estava arrumado.

Matt pediu para que conferisse todas as bebidas dali e depois fosse passar a coreografia de Single Ladies com ele. Por favor, não me façam dizer o porquê ele quer dançar isso comigo, é muito constrangedor até porque não sei dançar, pareço um pato manco gritando. É.

Peguei o tablet que já estava em cima de uma das mesas e fui até o frigobar, abrindo e quase desmaiando depois de ver cinco, CINCO, Jack Daniel’s ali gelando. Quem foi o infeliz que enfiou isso na geladeira? Whisky se bebe com gelo, não se bota pra gelar.

Gente retardada.

Tirei as cinco garrafas, colocando-as em cima do móvel do lado e fui contar as águas, que eram minoria ali. Obviamente.

Fiz o mesmo processo com os outros três refrigeradores postos ali dentro, encontrando outras bebidas junto. Claro que queria beber, mas era provável que acabasse demitia por isso. E bem bêbada. E ninguém quer a Kat bêbada pra vomitar em cima – ou dentro – do carro das pessoas.

Ri sozinha lembrando-me do episodio.

A contagem foi rápida, mais até do que achava ser possível, então deixei as tabelas de conferencia com Matt e pedi se podia sair um pouco do lugar para dar uma descansada e comer alguma coisa já que meu estomago estava gritando por alimento. Eles tinham comida ali, mas infelizmente não podia comer nada já que alguma coisa sempre continha leite ou derivados. Pois é, essa é a parte ruim de ser modelo e ter uma dieta rígida.

Sai pela parte de trás do lugar, dando a volta e saindo num estacionamento lateral pelo qual entramos mais cedo. Caminhei calmamente até a parte da frente do lugar, mas a curiosidade bateu mais forte e tive de ir até a frente da casa de shows.

Ninguém ia me reconhecer mesmo, qual o problema?

Vendo as pessoas sentadas, com barracas, dormindo e conversando em grupinhos a nostalgia e saudade que me bateu de Aaron fora tão grande que sabia que mais tarde iria ligar para eles e nos iriamos ficar revivendo nossos momentos em que fazíamos as mesmas coisas. Sorri observando os vários fãs com diversos tipos de camisetas da banda.

Como o aeroporto era bem em frente do lugar, tive a ideia de ir até lá para achar algo para comer e por que eles provavelmente saberiam falar inglês, mas antes queria dar uma olhada até onde à fila chegava. Sim, já estava grande às 11 da manhã. Sim, passei mais tempo do que queria na contagem das coisas do camarim e nem havia notado.

Peguei o celular do bolso e comecei a filmar, depois iria mandar para os caras. Como imaginei, ninguém ligou para a garota tatuada de short e regata filmando a fila com o celular, havia muitas pessoas iguais ali. Ou deveria ser porque a regata era do Avenged mesmo e parecia mais uma fã, o que realmente era, mas enfim. Vocês entenderam.

Mais ao final da fila havia uma garota* de cabelos verdes turquesa que havia me chamado atenção por parecer estar sozinha, então a olhei por alguns momentos quando terminei a gravação, mandando em arquivo para Marcos. Ele iria repassar aos caras (e também foi o primeiro na lista que apareceu). A garota mexia no celular e tinha uma expressão irritada no rosto.

Obvio que meus pés se mexeram, indo até ela antes que pudesse notar que estava andando. Meu instinto e curiosidade são incontroláveis além de conhecer o sentimento de ter de ir a um show da banda favorita sozinha. Bom, ou era a favorita ou o enorme deathbat do Jimmy tatuado em seu peito significava alguma outra coisa.

Como ela era última, foi fácil chegar ao seu lado, agachando-me até estar à altura de seus olhos. Ela rapidamente levantou a cabeça e sua expressão confusa ficou pior ainda. Ela falou algo que não faço ideia do que seria e percebi as argolas pretas em seus lábios, rindo internamente com a coincidência.

Que mania que tenho de interagir com gente que não fala o mesmo idioma.

-Desculpa, mas não faço ideia do que você falou. – comentei rindo e apoiando os cotovelos nas coxas. Vi a garota erguer uma sobrancelha escura e seus olhos brilharem por um momento, a cor deles lembrava muito o castanho de Brian.

-Não conheço você? – perguntou agora em inglês ainda com aquela cara de desconfiada, sem soltar o celular das mãos. Dei de ombros, olhando ao redor por alguns momentos. Não poderia demorar muito ou Matt iria arrancar meu fígado e comer no almoço.

Estendi a mão esquerda à garota que a apertou desconfiada. Deve ser estranho mesmo uma louca vir falar contigo do nada sendo que essa louca nem sabe falar o mesmo idioma que você, a sorte foi que ela sabia falar inglês. Iria ser maravilhoso chegar em alguém que não me entende e que não entendo.

Certo, porque estou divagando sozinha de novo?

-Katerina Boettner. – sorri e ela arregalou os olhos castanhos, começando a respirar pesado.

Acho que fiz cagada.

-Samantha Kubloski. – a voz dela era um pouco grossa que achava que poderia cantar a música que estava escrevendo outro dia. –Você é a roadie do Avenged! – falou baixinho chegando muito perto do meu rosto, consequentemente, fazendo meu corpo ir um pouco mais para trás.

Cocei a nuca. Não lembrava que já haviam mencionado meu nome naqueles fóruns de fãs e no site da banda. Deveria ter evitado sair de dentro do lugar do show. Começando a pensar que fora uma péssima ideia.

-Então... – ri sem graça e a garota parecia ter um infarto contido a minha frente. – Será que você poderia me indicar um restaurante ou algum lugar que sirva comida vegana por aqui? - questionei, no que ela riu sonoramente, balançando a cabeça para os lados, negativamente.

-A única coisa que você não vai achar aqui é comida vegana, mas tem um mercado a umas duas quadras. – deu de ombros, prendendo os cabelos verdes encaracolados em um coque alto na cabeça. Seu rosto era um pouco quadrado demais para uma mulher, mas aquilo definitivamente combinava com ela e até dava-lhe um ar malicioso quando sorria do jeito que esta fazendo agora, de canto. Fiz um gesto para que ela continuasse a explicação de onde era o lugar, mas Samantha não pareceu entender.

Eita lerdeza.

-Poderia me levar? – perguntei levantando, olhando-a acompanhar meus movimentos rapidamente com uma empolgação genuína, acenando com a cabeça tencionando caminhar, mas parou por um momento, observando a fila. Quando seus olhos voltaram a mim, estavam um pouco decepcionados.

-Não posso sair daqui. – suspirou, cruzando os braços e consegui ver a enorme cabeça de dragão no seu ombro esquerdo que se perdia por baixo da blusa sem mangas da banda que ela usava. –Vim sozinha e não tem ninguém para guardar lugar. Sinto muito. – ela fez um bico chateado, voltando a sentar-se no seu lugar.

Olhei-a por um momento, lembrando de mim mesma com quinze anos sentada na fila do Rammstein sozinha por umas boas horas até que meu amigo viadão aparecesse.

Resolvi fazer a boa ação do dia, mesmo que isso me rendesse algum problema com a equipe depois. Até por que havia simpatizado com a morena.

-Pega tuas coisas, depois dou um jeito de te botar até no camarim. – comentei baixinho perto do seu rosto – obvio que tive que me abaixar um pouco para isso – e vi seus olhos brilharem e a garota pulou em cima de mim num abraço monstruoso.

Arregalei os olhos. Agora sabia como os caras ficavam quando tinha ataques parecidos ou como Johnny se sentia quando pulava nele, quase nos levando ao chão. Samantha era mais alta, poderia ter facilmente a mesma altura de Zacky ou até Brian.

 


Notas Finais


*A Samantha sou eu UHEAUEHUA obviamente meu nome não é esse, mas também é com S :v

Capitulo metade verídico HAHHA

Deem suas considerações agora que ela achou essa outra garota na fila :3


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