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História Sweet Date - by Mia - Capítulo 4


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Notas do Autor


https://youtu.be/r2cYgHPeRTY

Essa é a música italiana que é mencionada na história.

Espero que gostem do capítulo, beijos e abraços. Até o próximo!

Capítulo 4 - Minha trágica história


Minha família não tardou muito a chegar, meus pais chegaram com alguns alimentos e a carne que iríamos comer em nosso tão esperado churrasco e minha irmã, meu sobrinho e meu cunhado chegaram logo depois com mais coisas para comer. Já levei eles direto para a parte de trás da casa onde ficava a churrasqueira e assim que viram Namjoon se levantar da cadeira onde estava sentado, comecei a ouvir as piadinhas nada engraçadas de papai. 


— Olá, filha preciosa. — papai beijou o topo de minha cabeça e olhou diretamente para Namjoon, estendendo sua mão para o mais novo que se prontificou em levantar e corresponder ao ato. — E olá, novo genro. Você finalmente se livrou do Park Sung Joon, Deus finalmente ouviu minhas preces, filha! 


Mamãe repreendeu papai e eu fiquei vermelha como um pimentão. Minha irmã e meu cunhado só sabiam rir da fala de papai e da minha cara de assustada. Me embolei tentando explicar que Namjoon era só um amigo, até que a criatura minúscula que eu chamo de sobrinho resolveu intervir e disse do jeito mais fofo que uma criança de 3 anos poderia dizer que aquele era o homem que ele viu na tv e achou muito legal. 


— Esse é Kim Namjoon. — disse após pigarrear para quebrar o silêncio que se instalou. — Ele faz parte de um grupo de kpop, BTS o nome. E ao contrário do que disse, ele é apenas meu amigo papai. 


— Que pena, achei que minha filha havia conseguido algo melhor e eu finalmente poderia dormir tranquilo. — papai disse sendo um pouco dramático e um tanto quanto despreocupado como quem está dizendo algo muito normal. — Será que um dia meu sonho se realizará? Espero que sim e antes de eu morrer!


— PAPAI! — eu disse quase gritando e deixando os lábios em perfeito “O”, completamente desacreditada. 


— É um prazer conhecer vocês, Sr e Sra Kang. — ele disse Kang ao invés de Jang e só aí eu lembrei de contar sobre os sobrenomes e a história do porque eles não eram iguais. — Eu até tentei convencê-la a me amar cegamente, mas não deu certo... ainda.


O garoto decidiu entrar na onda de papai e ambos caíram na gargalhada. Revirei meus olhos pensando se aquilo estava realmente acontecendo até que decidi deixar pra lá e ir para a cozinha com minha irmã para terminar de preparar as coisas e conversar um pouco enquanto mamãe brincava com o Yoon e os homens tomavam cerveja e falavam sobre esportes. 


— Quando iria me contar que conheceu uma celebridade? — minha irmã perguntou quando já estávamos na cozinha. — Que eu saiba ainda somos irmãs e você ainda tem celular e o meu número está gravado nele. 


— Aigoo... Jang Mina, como você é dramática em. Eu só não tive tempo de contar, tá legal? — eu disse gesticulando com as mãos. — Aconteceu tudo muito rápido, tanto nós nos conhecermos quanto nosso beijo no terraço hoje de madrugada. 


— O QUE? — minha irmã gritou largando a faca que segurava e levando a mão até a boca em um gesto de incredulidade. — Kang Mia, você vai me contar essa história direitinho, detalhe por detalhe e vai contar agora. 


Contei tudo do início ao fim pra minha irmã e ela ficou estática, me olhando por alguns segundos até que decidiu dizer o que todos gostariam mas só ela tinha coragem o suficiente pra dizer assim tão diretamente. 


— Eu ainda não sei o que caralhos você está fazendo com aquele babaca do Sung Joon. Eu já te disse isso uma vez e vou dizer outra... apesar das circunstâncias, o papai criou nós duas para que não aceitássemos menos do que nos era e ainda é oferecido por ele até hoje. — ela largou o que estava fazendo e olhou dentro dos meus olhos. — Qual foi a última vez que Sung Joon passou uma data comemorativa ao seu lado, Mia? Qual foi a última vez que ele disse um eu te amo sincero, olhando no fundo dos seus olhos? Qual foi a última vez que você se sentiu realmente amada por ele? 


Essas palavras me atingiram como um tiro, mas um tiro diferente... um tiro de uma arma cuja bala era paralisadora. Eu não conseguia me mover, meu cérebro parecia trabalhar apenas para processar as palavras de minha irmã. Me assustei ao ouvir um pigarrear, olhei para a porta da cozinha e o Namjoon estava parado lá e com o meu celular nas mãos. 


— Acho que é o seu namorado. — maldita hora pra ligar, Park Sung Joon. Mas é como dizem: quando se fala no diabo, o rabo dele acaba aparecendo. Namjoon balançou o celular que estava em sua mão. — Você não vai atender? 


Peguei o celular de sua mão e atendi a ligação. 


— Resolveu dar o ar da graça depois de sumir feito poeira no ar? — disse no tom mais bravo que consegui. — Você deve achar que eu sou muito idiota mesmo não é, Sung Joon? 


— Calma, meu amor. — ouvi sua voz tranquila do outro lado da linha e estremeci de raiva. Como ele pode estar tão tranquilo assim? — Eu fiquei até tarde estudando, acabei de acordar e você foi a primeira pessoa em quem pensei! 


Isso funcionava antes, agora não sei se funciona mais. 


— Eu não quero falar com você agora, Sung Joon! Você não vai estragar meu dia. Eu estou ocupada, vou desligar o celular. Não tente ligar ou mandar mensagem, eu não vou atender. — usei o que ele disse ontem contra ele mesmo e desliguei o celular logo em seguida e respirei bem fundo. 


Só então me lembrei que haviam duas pessoas como espectadores. Minha irmã olhava pra mim com um misto de orgulho e surpresa, e Namjoon apenas sorria discretamente. 


— Vamos ao churrasco! — disse sorrindo e larguei o celular desligado em qualquer lugar da cozinha.  



O almoço estava sendo maravilhoso, papai fez questão de encher meu novo amigo de perguntas e de relembrar várias histórias sobre mim. Coisas que até eu mesma não me lembrava. 


— Então, meu jovem... de onde conhece minha filha? Da faculdade? — papai perguntou e o garoto voltou toda a sua atenção a ele. 


— Ah... não. Eu conheci ela na Sweet Date. — o garoto respondeu, ele dizer algo mais, porém papai o interrompeu. 


— Oh, então você é nosso cliente? — analisou o rosto do garoto para ver se lembrava dele. — Seu rosto não é muito familiar para mim. 


— Não, papai. Ele apareceu um dia, segundos depois de eu ter fechado a loja. Parecia precisar de um bom conselho, então eu resolvi ajudá-lo! — eu respondi e papai me olhou com um pouco de reprovação. 


— Yah! Kang Mia! Quantas vezes vou ter que dizer para trancar a porta da loja antes de qualquer coisa? E se ele fosse um pervertido? O que seria de você agora? — papai ficou bravo de repente. — Não me leve a mal, não é nada contra você, meu jovem. É que minha filha tem 21 anos, mas o cérebro tem 3 e não é de hoje. 


— PAPAI! — gargalhei no meio do “grito”. — Eu sei me virar, tá legal! Eu sempre carrego o canivete que me deu no meu avental, eu não sou tão maluca assim. 


Namjoon ria sem parar da minha “discussão” com papai. 


— Eu estou mentindo? Lembra que logo quando você foi morar conosco, no seu primeiro dia de aula no ensino fundamental você quase levou um estranho para dentro de casa? Tá que foi sem querer... — papai me fez lembrar e todos nós rimos. — Mas ainda bem que eu estava em casa aquele dia! O cara saiu correndo assim que me viu, as intenções dele não eram boas e eu me vi obrigado a presentear a pirralha com um canivete. — ele disse olhando pra Namjoon e apontando pra mim. 


— Papai, não pode me julgar! A Mina já fez quase a mesma coisa. — apontei pra minha irmã rindo e ela colocou a mão no peito dramaticamente, como se estivesse ofendida. — Isso é quase como um “mal dos Jang”. 



Passamos a tarde inteira assim, comendo, bebendo, brincando, conversando e relembrando várias histórias. 

Logo antes da noite chegar, meus familiares foram embora. Namjoon insistiu que ficaria para me ajudar na limpeza e eu não contestei. 

Limpamos tudo e sentamos no sofá, ele parecia estar inquieto com algo e eu resolvi perguntar o que tinha de errado. 


— Tá tudo bem? — olhei para seus olhos que agora me fitavam. — Você parece um pouco inquieto? Minha família te assustou tanto assim? 


— Não... eles são pessoas fantásticas. E eu gostei muito desse tempo que passamos juntos — ele riu e eu também. — É só que eu estou com uma dúvida... em um momento da conversa, você disse o sobrenome Jang. Mas o seu sobrenome é Kang, não é? — eu assenti. — Então por qual motivo você disse Jang ao invés de Kang?


— Você quer a história da minha vida toda ou a versão resumida? — perguntei sorrindo.


— A história toda, por favor. — ele disse olhando no relógio. — Eu tenho muito tempo e sou todo ouvidos. 


— OK! — me ajeitei no sofá, me sentando confortavelmente e de frente para o meu ouvinte. — Jang Dong-Sun e Kang Haneul sempre foram melhores amigos, sempre mesmo. Nasceram no mesmo mês, cresceram juntos, estudaram juntos, foram pra faculdade juntos e abriram um negócio juntos. O negócio ia muito bem, a Sweet Date era um lugar muito badalado pra época. — sorri ao imaginar aquele lugar lotado de pessoas felizes e dançantes. — Mas Kang Haneul não queria ficar parado num balcão de lanchonete olhando o tempo passar e Jang Dong-Sun entendia isso como ninguém. — me levantei do sofá — Vou até a cozinha pegar um vinho antes de continuar, você aceita? 


Ele apenas assentiu e eu fui até lá pegar duas taças e uma garrafa de vinho tinto. 

Voltei para a sala com a bebida, servindo o meu amigo e a mim mesma. Me sentei novamente do mesmo jeito que estava antes e voltei a contar a história. 


— Kang Haneul era movido a música! Tudo que ele fazia ou até mesmo deixava de fazer, era por causa da música... — sorri ao buscar em meu cérebro as memórias que tinha do meu pai biológico. — Ele decidiu que faria qualquer coisa pra ficar ao lado de sua grande amada: a música! E foi o que ele fez, mesmo que seus pais não o apoiassem nisso. Ele não se importava, pois ele tinha Jang Dong-Sun como seu apoio e com a promessa de que sempre teria um lugar pra voltar caso precisasse, ele caiu no mundo. Não demorou muito e se tornou um produtor musical e guitarrista profissional e renomado como sempre quis... — meu ouvinte degustava o vinho, mas a sua atenção estava toda em mim.


Narradora ON


Kang Haneul não conhecia outro amor que não fosse a música, até a cantora Nina Bianchi aparecer na sua frente. A única coisa que os dois tinham em comum era o amor pela música. 

Nina era italiana, Haneul coreano. 

Haneul amava o frio, Nina desejava que todas as estações fossem quente como o fogo. Mas mesmo com algumas divergências os dois se apaixonaram perdidamente e agora eram Haneul, Nina e a música.

Haneul agora era guitarrista da banda de sua amada, viajavam o mundo juntos com as turnês musicais de Nina. Eles decidiram se casar, mesmo tendo uma relação de tão pouco tempo. O que podemos dizer, não é mesmo? Estavam perdidamente apaixonados um pelo outro. 

Dong-Sun recebeu uma carta onde ficou sabendo sobre Nina e sobre o casamento também, só ficou triste por não poder participar desse momento tão importante na vida do melhor amigo. 

Anos e aventuras mais tarde, Nina descobriu uma gravidez não planejada por nenhum dos dois afinal o que os dois gostavam era de cair na estrada, de cantar e tocar loucamente, mas mesmo assim Nina e Haneul decidiram que não interromperiam a gravidez, viajariam por mais 4 ou 5 meses e daí iriam embora pra Coreia e criariam a criança como uma família feliz. Dong-Sun logo recebeu uma carta de Haneul contando a novidade e vibrou junto de sua esposa e filha, pois depois de muitos anos o seu melhor amigo estaria de volta. 

De volta ao país natal de Haneul, ele e Nina com sua enorme barriga de 6 meses foram acolhidos por Dong-Sun e sua esposa. Mesmo após anos sem se ver, a amizade dos dois não havia mudado absolutamente nada. 

Haneul tinha tanta coisa para contar á Dong-Sun que eles passaram a noite em claro conversando e ainda sobrou assunto para conversar. 

Haneul logo voltou aos palcos e balcões da Sweet Date, afinal ainda era sócio de Dong-Sun.


3 meses mais tarde, Nina deu à luz a uma linda menininha de nome Mia. 

O nome Mia tem dois significados: 

O 1º é Estrela do Mar e o 2º minha.

Para Haneul, Mia era exatamente essas duas coisas. Sua pequena estrela do mar e era dele, ele amava a ideia de ser pai e sentiu que era hora de guardar o seu espírito aventureiro e amante dos palcos. E ele realmente teve que guardar, pois havia uma pessoa que não estava nada feliz com a vida de sossego e esta pessoa era Nina. 

Um mês depois do nascimento da linda menina, Nina jogou as cartas na mesa. 


— Eu não consigo, Haneul! — disse Nina aos prantos para o seu amado. — Eu não posso abandonar o que eu mais amo por causa de um bebê. Eu achei que eu podia, mas eu não consigo. Eu sinto muito, mas eu preciso ir, eu preciso cair no mundo outra vez. Eu preciso soltar minha voz. Eu sou um passarinho e não fui criada pra viver presa numa gaiola pra definhar até a morte. 


E ela voou, deixando Haneul e Mia para trás. 

Haneul ficou perdido no começo de sua vida de pai solteiro, mas foi logo pegando o jeito. Todas as noites mal dormidas, todos os dias carregando aquele pacotinho para cima e para baixo na Sweet Date, todas as canções de ninar, todas as brincadeiras, os primeiros passos, a primeira palavra, tudo valeu a pena ao ver sua menininha crescer saudável. 

Haneul tinha esperanças de que um dia Nina voltaria ao menos para conhecer sua pequena filha. Tudo estava indo muito bem, até uma grande notícia abalar Haneul de vez. 


— Cai avião de cantora italiana famosa, Nina Bianchi. Até o presente momento foram encontrados três corpos e foi confirmado que um deles é o de Nina. — disse o repórter do noticiário das 8:00 da manhã. 


Um barulho estrondoso ecoou pela lanchonete e todos olharam para Haneul, até mesmo Nina que estava sentada em uma das mesas pintando um desenho qualquer voltou seu olhar confuso para o pai. 

O homem não conseguia acreditar no que acabara de ouvir, suas esperanças haviam morrido ali naquele momento. Nina nunca mais veria a filha e Mia nunca iria conhecer a mãe pessoalmente, mas Haneul estava triste mesmo era por perder o amor de sua vida, afinal ela era uma das duas pessoas que ele amou além da música.

Mia, com seus 5 anos de idade andou a passos curtos até o pai que acabara de cortar a mão em seu ato desesperado de tentar catar os cacos de vidro do chão. 


— Oh não, papai. Você se machucou feio. — a pequena criança ergueu as mãos enormes de seu pai como quem é especialista em analisar ferimentos. — Temos que cuidar disso, antes que piore. Não precisa chorar, papai. — a menina disse ao notar os olhos cheios de lágrimas do pai. — Vai ficar tudo bem. Sempre fica tudo bem. 


A tranquilidade na voz da pequena de certa forma acalmou o homem agora muito abalado. Apesar de não saber de nada, a menina parecia entender o que o pai estava sentindo ou talvez ela só estivesse repetindo o que ele dizia quando era ela quem estava passando por um momento difícil. 

A pequena criança segurou as mãos de seu pai sem se importar se ficaria suja de sangue ou não e foi até onde ficavam os “vestiários” da lanchonete, fez com que seu pai se sentasse em uma cadeira e foi até o kit de primeiros socorros. O homem observava cada passo que a criança dava com toda a sua atenção. A menina se aproximou com o kit e fez o curativo como um adulto faria, o pai ficou orgulhoso de ver que a filha com apenas 5 anos já tinha aprendido algo que ele ensinara. Haneul, ao olhar para sua pequena não conseguia ver outro rosto se não o de Nina... ele não podia negar, a criança era idêntica à mãe, exceto pelos olhinhos um pouco puxados e a pele branca como a neve. 

Os olhos azuis como o céu, os cabelos mais negros que a escuridão, o jeito de olhar e de falar. Tudo naquela criança o lembrava de Nina e o homem não pôde conter as lágrimas que se obrigara a segurar. 


A filha se sentou no colo de seu pai e o abraçou, como se aquele abraço pudesse fazer ele se esquecer do que acontecia no mundo. 



A noite traz seu mundo

Que adormecerá

E a lua cobrirá de prata

O mar e a cidade


A menina começou a cantar a canção italiana que sempre ouvira sair da boca de seu pai quando ele queria conforta-la, entendendo que naquele momento quem precisava de conforto era ele. 


E você me fará falta

Mais ainda

Você não sabe quanto


Continuarei a acreditar que

Somos uma só alma, eu e você

E te amarei seja como for, você sabe

E te amarei seja como for, você sabe

Mesmo que você não esteja comigo

Eu te amarei


Haneul chorou nos braços da filha e pôde sentir o quanto ela queria o confortar e depois de um tempo ela conseguiu, mas Haneul nunca esqueceu de Nina. Não esqueceria nem se ele quisesse. 


Dois anos mais tarde, foi a vez do destino pregar uma peça na pequena criança. Agora com 7 anos, havia chegado a vez de Mia ser confortada por alguém. 


Numa rara tarde ensolarada em Seul, ela e seu pai brincavam num parque. Tudo aconteceu muito rápido, uma criança perdida da mãe estava no meio da pista e um carro estava prestes a atingi-la em cheio. Haneul correu como se não houvesse amanhã, deixando uma Mia confusa para trás, ele entrou na frente daquele carro, empurrando a criança perdida para longe do perigo. Mas para ele não houve tempo, foi arremessado para longe por aquele carro. Mia viu tudo e por uma fração de segundos parou de respirar, um zumbido vindo de lugar nenhum surgiu no ouvido da menina e mesmo com a falta de ar e esse zumbido incômodo a menina correu até seu pai que estava caído no chão. 


— M-m-mia. — o homem disse com dificuldades para a criança que já estava soluçando de tanto chorar. — N-não chore, m-meu amor. V-v-vai ficar tudo bem, s-sempre fica tudo bem. 


— Papai, levanta daí! Eu não quero mais brincar no parque, vamos embora! — a menininha disse e as pessoas que estavam aglomeradas a volta dos dois já haviam chamado a ambulância e agora observavam as ações da garota com um pesar no coração. — Vamos embora, sim? 


— A-a gente já vai, q-querida! S-só mais uns minutinhos. — ele acariciou o rosto da criança que o abraçou com uma certa dificuldade, ficando coberta de sangue.


A ambulância chegou e a menina não saiu do lado do pai, a situação de Haneul se agravava cada vez mais no caminho, mas ele estava lutando não por ele e sim por Mia. Mas ele não conseguia mais lutar, por mais que ele tentasse, o outro lado estava chamando por ele e não havia nada o que fazer a não ser dizer um adeus a sua pequena.


— F-filha! O papai precisa ir. — por mais que tentasse entender naquela época, a menina não entendia. Não entendia para onde ele iria e nem o motivo do pai ter que ir. — Você vai ficar bem, obedeça ao tio Dong-sun e a tia Nari. O papai te ama muito e continuarei a acreditar que somos uma só alma, eu e você e te amarei seja como for, você sabe. Mesmo que você não esteja comigo, eu te amarei! 


O homem citou a canção com dificuldades na fala e fechou os olhos para sempre... 


Narradora OFF


— Uau. — Namjoon estava boquiaberto com a minha história. — Eu nunca poderia imaginar que você passou por tanta coisa assim. 


— Ainda não acabou. — sorri pra esconder as lágrimas que ameaçavam cair. — Me lembro de chegar ao hospital e de tentarem ressuscitar meu pai ainda a caminho de lá. Sem sucesso. — disse fungando, sentindo meu nariz arder por segurar as lágrimas. — Lembro-me também de estar sentada na recepção do hospital recebendo olhares de pena, com as roupas cheias de sangue e os olhos cheios de lágrimas. 


Meu amigo me olhava no mais completo silêncio e eu prosseguia com a minha história.


— Tio Dong-Sun e tia Nari, que hoje eu chamo de pai e mãe,  logo chegaram correndo. Muito abalados, tio Dong-Sun ainda mais pois já sabia da morte do melhor amigo, eles não disseram nada, apenas me abraçaram. — deixei uma lágrima escapar ao me lembrar da cena triste. — E a partir daquele dia, por longos 8 anos eu não falei mais nenhuma palavra, me comunicava por linguagem de sinais, assim mesmo porque meus pais me colocaram para aprender. Hoje eu reconheço que fiz meus pais e minha irmã passarem por um momento difícil, pois eles se viram obrigados a aprenderem a língua para se comunicarem comigo. Eu me expressava e ainda me expresso pintando quadros. — apontei pro corredor e pude notar que Namjoon ainda me olhava com atenção como se eu fosse a única coisa no mundo. — Aos 15 me conectei profundamente com a música, que me mostrou novamente o amor e depois de alguns meses de relacionamento com ela e mais acompanhamentos psicológico, eu voltei a falar. Hoje eu estou na faculdade de artes de Seul onde estudo música e dança. Hoje somos eu, meus pais, minhas mães, a música e a dança contra o mundo. 


Ele sorriu e eu retribuí o sorriso. Me envolveu em um de seus abraços aconchegantes e eu me aninhei em seus braços. 


— Você vai deixar sua amiga aqui muito mal acostumada! — disse envolvida em seus braços. — O que vou fazer se um dia você estiver em turnê e eu precisar de um abraço desse? 


— Agora que eu sei que você canta, pode sair em turnê comigo e com os meninos, aí vai ter abraço pra você todo santo dia. — ele disse me fazendo sorrir. 


— Mas nem em seus sonhos mais loucos, Kim Namjoon. — levantei meu olhar olhando dentro dos olhos dele. Percebi que estávamos nos aproximando demais e me afastei olhando para o relógio. — Uau, já está tarde Namjoon. Você precisa ir, tem trabalho a fazer amanhã e eu também. Vou chamar um motorista, você bebeu vinho demais e eu não vou te deixar dirigir. 


O motorista chegou e meu amigo foi embora. Eu passei pelo corredor e olhei para os quadros que eu mesma havia feito, me lembrando de meu pai biológico e da minha mãe que eu não cheguei a conhecer. Sorri. E andei para o meu quarto indo diretamente até o meu banheiro pra tomar um banho quente e demorado. 

Depois do banho fui dormir, pois amanhã seria mais um dia longo na minha amada Sweet Date.


Notas Finais


É isto meus amores, espero que gostem!


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