1. Spirit Fanfics >
  2. Sweet Lies >
  3. Before

História Sweet Lies - Capítulo 10


Escrita por:


Capítulo 10 - Before


Um Ano Antes

—Chama sua irmã para jogar também. – Luhan sugeriu, no momento em que Taewon levou a bola até dele perguntando se poderiam jogar no quintal de casa. – Ela não saiu daquele quarto hoje.

Su Jin, que estava na cozinha para pegar um copo de refrigerante, ouviu o chinês falando com o garotinho e foi até o quintal encontrando os dois jogando futebol. Não pode evitar o sorriso, aquelas "crianças" eram apaixonadas por futebol e sempre sobrava para ela e Minseok se juntar a eles. 

Ao ver a garota se aproximando, Luhan chutou a bola um tanto alto para ela, sem se dar conta do copo de vidro em sua mão. Su Jin – por impulso – conseguiu dominar a bola no peito e chutar de volta para ele, logo olhando para ver se ainda havia suco naquele copo, já que metade foi parar no chão.

—Vou ter que ir buscar mais suco. – Fez bico, olhando para Luhan como se o culpasse. 

—Foi mal. 

—Você tem sorte de ser uma pessoa fofa e eu ir com a sua cara. – Luhan e Taewon riram da falsa expressão de raiva que a garota tinha no rosto. – Vão querer suco? 

—Eu não. 

—Eu quero. – Luhan ergueu a mão, sem desviar a atenção da bola.

Su Jin adentrou a casa novamente, voltando minutos depois com dois copos de suco em mãos. Entregou um deles a Luhan e foi se sentar em uma das cadeiras enquanto conversava com Mark pelo celular. 

Alguns minutos depois, começou a sentir uma dor estranha no estômago, como se tivesse comido algo estragado. Estava prestes a entrar a procura de um remédio, quando ouviu Luhan começar a tossir sem parar.

—Lu-ge? Tudo bem? – Perguntou, se aproximando de onde ele ainda jogava bola com Taewon. O garotinho estava com a bola embaixo do braço, encarando o hyung com preocupação. 

—Minha garganta... – Foi tudo o que Luhan conseguiu dizer, antes de suas pernas fraquejarem fazendo-o cair nos braços de Su Jin. 

—Tae, pega meu celular e liga para a emergência! Rápido! – A garota pediu, deitando o mais velho aos poucos na grama enquanto se sentia cada vez mais tonta.

Ainda assim, conseguiu notar o sangue na boca e no nariz de Luhan, pouco antes de tudo ficar escuro e sentir seu corpo se chocar contra a grama fria, enquanto Taewon falava com alguém no celular.

[...]

Já era a manhã do dia seguinte quando Su Jin acordou no hospital. Taewon estava dormindo abraçando sua cintura enquanto Yixing dormia de maneira desconfortável em uma poltrona. Olhou em volta, procurando por Minseok, mas este não estava em lugar nenhum. Foi quando se lembrou de Luhan e da imagem do sangue saindo da boca e do nariz dele, pareciam sinais de envenenamento ou algo do gênero.

Ao despertar de seus pensamentos, acordou Yixing que confirmou suas suspeitas e informou que faltou pouco para Luhan entrar em coma. 

—O doutor disse algo que me deixou um pouco apreensivo. 

—O que? 

—Tinha uma quantidade enorme de veneno no seu organismo. – Contou o chinês, falando em um tom baixo para não acordar Taewon. – Mas o efeito que surtiu em você foi significativamente menor do que no Luhan. 

Su Jin franziu o cenho. 

—Como isso é possível? 

—Alguns venenos ingeridos em pequenas quantidades podem te deixar imune, pelo menos parcialmente, aos efeitos deles. Mitridização. – Yixing explicou, a olhando como se perguntasse se sabia de algo.

—Então o alvo era o Luhan? – Perguntou, após negar com a cabeça. – Porque quem envenenou a gente 'tava aparentemente tentando me "proteger". 

—Ao que tudo indica sim, mas como essa pessoa entrou na sua casa?

—Eu não tenho a menor ideia. – Su Jin jogou a cabeça para trás, encostando-a no travesseiro. 

Dias Depois

—Ele acha que fui eu. – Yixing encarou Su Jin com um semblante confuso. A garota se encontrava sozinha em casa, após ter se negado a ir ao cinema, alegando estar com cólica. – Deve pensar que eu me aproximei esperando a hora certa para atacar.

—E o que o Minseok acha disso? 

Su Jin soltou um suspiro, desviando o olhar da tela do notebook para o tapete. Foi quando contou ao chinês tudo o que havia contado a Mark naquela manhã. Contou que ouviu Minseok e Luhan conversando durante a noite e que também ouviu quando Minseok alegou não a conhecer mais, dizendo que a cada dia Su Jin estava mais fechada e ele não sabia do que ela era ou não capaz. 

—Isso é loucura...

—Não para ele. – A mais nova sorriu tristemente, voltando a olhar para a tela. – Sou filha de mafioso, Xing-Ge. Era óbvio que iam suspeitar de mim. 

—Sinceramente, não acho que você seria capaz de fazer isso. Mesmo sabendo do lado obscuro da sua mente, simplesmente não te imagino matando alguém. 

—Sim, mas você me conhece. Diferente deles. – Su Jin mudou de posição no sofá antes de continuar. – A propósito, quando você volta? 

—Amanhã, por que? 

—Eu ia pedir para ficar no seu apartamento, mas deixa para lá. Eu arrumo outro lugar.

—E qual o problema de eu estar lá? Tem medo de mim? – Yixing apoiou os cotovelos na mesa, ficando um tanto mais próximo da câmera. 

—Não... – Riu fraco. – É que você vai ter acabado de chegar da China e vai querer seu espaço.

—Aquele apartamento não é pequeno e eu posso simplesmente me trancar no quarto se quiser espaço. Pode ficar o tempo que quiser. 

—Tem certeza?

—Tenho.

—Vou falar com o meu pai e... arrumar umas roupas. – Contou, girando o celular em uma das mãos. – Quando eu posso ir? 

—Quando quiser. – Yixing deu de ombros. – Sabe onde fica a chave?

—Nas plantas, perto da porta. 

—Exatamente. Só chegar e entrar.

—Obrigada. – Agradeceu, com um sorriso fraco. – É sério, eu não estaria abusando da sua boa vontade desse jeito se não estivesse me sentindo muito mal aqui. Estou com medo de surtar.

—Não precisa agradecer. – O mais velho sorriu de volta, deixando suas covinhas a mostra. Elas deixavam seu rosto ligeiramente mais juvenil, no ponto de vista de Su Jin. – Além de seu conselheiro particular também sou seu amigo, lembra? 

—Lembro e sou muito grata por isso.

Su Jin chegou em casa mais cedo no dia seguinte e aproveitou o tempo sozinha para arrumar as malas. Estava em um conflito interno sobre ir para o apartamento de Yixing. Sua intenção inicial era cuidar de Minseok, mas não era feita de pedra, também se magoava e o fato de seu próprio pai não ficar de seu lado havia acabado com ela. Não queria briga, então não iria envolver Jongdae na história. 

Fechou o zíper da mochila e pegou o dinheiro que Jongdae mandava todos os meses para ela, daria para pagar Yixing pelo quarto por algum tempo. Soltando um suspiro cansado, jogou a mochila sobre um dos ombros e deixou o quarto. Estava com a carta que havia escrevido em mãos, prestes a colocar em cima do balcão quando ouviu a porta da sala se abrir.

Seu sangue congelou assim que seu olhar se cruzou com o de Minseok, era incrível a capacidade que ele tinha de fazê-la questionar algo que já era praticamente certo. Não queria deixá-lo. Não queria deixar Taewon. Mas sentia como se tivesse que fazer aquilo.

—Eu... vou ficar um tempo na casa de um amigo. – Disse quase em um sussurro, enquanto segurava o envelope branco com um pouco mais de força do que deveria. 

—Por que? O que houve? 

—Sinceramente? Não quero ficar em um lugar onde acham que eu teria a capacidade de matar alguém.

Minseok a encarou com os olhos arregalados. Aquelas palavras doeram mais em Su Jin do que ela esperava.

—Você...

—Eu estava no quarto e ouvi tudo. – Aos poucos a raiva foi dando sinal, a medida com que o coração da garota batia mais forte. Mesmo que estivesse magoada, não queria magoar Minseok então tentava ao máximo se controlar.– Eu não matei o cara que meteu bala no meu próprio pai. Você acha mesmo que eu tentaria envenenar alguém que nunca me fez nada como o Luhan? Acredita mesmo nisso? 

Para sua surpresa, Minseok apenas ficou em silêncio enquanto fitava o chão.

Su Jin soltou um riso meio amargurado.

—Sinto falta de quando você me entendia. – Disse, largando o envelope em cima do balcão. – Antes de você descobrir de onde eu vim, é claro. Porque depois disso eu não sou mais a sua filhinha. 

—Su Jin, espera. – Minseok tentou segurar o braço da garota, mas ela logo se afastou

—Eu preciso respirar, pai. – Quando se virou para ele já estava chorando. – Eu não quero viver em um lugar onde acham que eu teria a capacidade de matar alguém. Não dá... 

Dito isso, Su Jin passou direto pelo pai adotivo e deixou a casa praticamente correndo enquanto limpava as lágrimas.

[...]

Foram poucos minutos até o apartamento de Yixing e Su Jin o utilizou para colocar a cabeça no lugar ao menos um pouco. Quando finalmente adentrou o apartamento, trancou a porta novamente e se jogou no sofá, deixando a mochila jogada no chão. Estava cansada, tanto física quanto psicologicamente, e aos poucos foi deixando esse cansaço a consumir. 

Quando acordou logo percebeu que não estava mais no sofá, estava em uma cama de casal, enrolada em lençóis com o cheiro doce de alguma flor desconhecida. Fazia tempo que aquilo não acontecia, fazia tempo que seu poder de teletransporte não funcionava. Se sentou na cama, com um sorriso fraco no rosto. Yixing provavelmente havia chegado. 

Após arrumar a cama, Su Jin deixou o quarto e seguiu para a sala, onde encontrou o chinês sentado no sofá com o notebook na perna e uma xícara de chá em uma das mãos enquanto a outra digitava rapidamente. Claro que estaria trabalhando. Sempre estava. 

—Min Hye me pediu para te lembrar de dormir. – Disse, se sentando em uma das poltronas. 

Yixing a respondeu com um sorriso simpático, porém meio cansado. 

—Eu dormi no avião. 

—Sei... 

—Quer chá? – O chinês estendeu sua xícara para a garota, que negou da forma mais educada que conseguia.

—Obrigada, mas... eu não tomo chá.

—Tente este. Vai que você muda de ideia.

Se dando por vencida, Su Jin aceitou a xícara e levou o líquido até os lábios. Ao contrário do que esperava, não era ruim. Na verdade, tinha um gosto muito bom.

—Bom? 

—Bom. 

—Pode beber tudo. – Yixing sorriu, voltando a atenção para o que estava fazendo. – Depois eu pego mais.

—Obrigada.

—E então, como você 'tá? Ainda tem aqueles pensamentos?

—Não... – Su Jin apertou a xícara entre as mãos. – Digo, os pensamentos pararam, mas vez ou outra ainda ficam nublados. 

—Quando você fica com raiva? – Yixing ergueu o olhar até encontrar o da menina.

—Sim. Com raiva ou... ansiosa. 

—E os remédios? 

—Acabaram. Amanhã eu compro mais. 

Os dois ficaram em silêncio durante um tempo, apenas o som da televisão preenchia o local. Su Jin gostava daquilo, de estar na companhia de Yixing mesmo que fosse sem dizer nada. Era bom ter alguém que a entendesse e não a julgasse, mesmo sabendo de seus pensamentos mais profundos e obscuros. Graças a ele estava tomando os remédios certos, mesmo que seus pais não soubessem. 

Na verdade, não sabia exatamente o motivo de confiar tanto nele, mas confiava da mesma maneira que confiava em Suho. O que é muita coisa.

—Como o Minseok reagiu quando soube que você iria vir ficar um tempo comigo? 

—Ele não sabia exatamente de quem eu estava falando. –Deu de ombros, bebendo o restinho de chá que havia sobrado. – Mas ficou um tanto abatido. 

—Imaginei... Ele deve ter se arrependido. – Yixing a lançou um olhar compreensivo.

—É, pode ser. 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...