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História Sweet Youth - Capítulo 9


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Notas do Autor


Hey pessoinhas!
Qualquer erro...
Boa leitura!

Capítulo 9 - Filha


POV Emma

Amber e eu estávamos assistindo a um filme antigo e ela falava sobre o tal do poncho, que era ex de Lauren e agora fica com ela. Uma confusão.

- Eu continuo achando estranho Lauren aceitar isso tão bem.

- Eu acho que ela nunca gostou mesmo dele. Ela é uma boa amiga, em um dia eu deixei escapar que ele era lindo e no outro ela termina com ele.

- Deve ser isso. - Justin desceu as escadas e sentou ao meu lado.

- Cara... Essa casa está uma zona. O que tem pra jantar?

- Amber e eu já comemos as sobras do meio dia.

- Eu não como sobras.

- É só o que tem.

- Vou arrumar alguém pra me levar para jantar então. - Ele disse e pegou as chaves do carro, saindo e batendo a porta. Amber me jogou uma chave.

- Vai ver a Mila. Tente pelo menos ser amiga dela e conversar um pouco. Ninguém merece um escroto desses.

- Já é tarde.

- Amizade colorida. - Ela disse sorrindo e eu fui me arrumar.

Peguei meu carro e dirigi até o prédio de Mila, como sempre, o porteiro não estava na recepção e eu subi de elevador.

Entrei no apartamento e escutei uns gritos, na verdade eram gemidos, mas estavam muito altos. Nossa... Essa festa está animada. Eu conheço essa voz e não é da Dakota.

Caminhei até o quarto...

- Caralho! Sua... Que merda... Eu não vou... - Que droga! Eu conheço essa voz...

- Já? - Camila disse com o tom rouco de excitação.

- Pura merda... Chegou a doer o meu ventre mesmo... Foi intenso... PUTA MERDA. Cacete...  - De novo?

- Vai... Rebola pra mim, baby.

- Daddy... Não vou aguentar... – Eu quero ver quem é, mas tenho medo que elas me enxerguem. Deve ser uma prostituta muito experiente, para fazer a Camila entrar nesse ritmo... Apesar de que tinham vezes que...

- Vem pra mim de novo, baby. Descobri seu jogo. - A voz conhecida urrou. Se eu me abaixar... De novo? Senhor. O que aconteceu com a Camila?

- Você é tão gostosa... Passaria minha vida te fodendo.

- Eu... Passaria... Dando para você... Sendo arrombada por esse pau gostoso... Isso... Vai... Mais, amor. 

- Eu vou gozar, gostosaaa. Merda... - Onde a Camila aprendeu essas coisas?

- Ahhh. - Espera aí. Esse ah... Eu abri a porta e... Era Lauren.  A pirralha que partilhava o meu teto.

- Mas que merda é essa? - Camila estava tonta, elas pareciam ter corrido uma maratona e Lauren cobriu os corpos dela, mas nem abriu os olhos. - O que essa pirralha está... O que você quer com essa pirralha, Camila?

POV Camila

Justo depois de uma maravilha dessas, essa mulher surge do chão e estraga tudo.

- Repete a pergunta... Estamos um pouco surdas por conta da obra prima que fizemos neste quarto. - Lauren disse e me abraçou.

- Camila... Ela tem a idade da sua filha.

- Sério? Que horror. - Eu disse olhando para Lauren. - Esqueci de pedir seu RG.

- Vão ficar me debochando?

- Querida... Você não tinha que estar nem aqui. - Lauren falou. - Você atrapalhou meu sexo divino com essa deusa... Mas você deve saber disso.

- Cale a boca, petulante.

- CALA A BOCA VOCÊ! - Lauren apertou meu braço. - Não fale com Lauren deste jeito... Ela está na minha casa com o meu convite e você? Acha que pode entrar assim e falar com minha garota como bem entender? - Levantei e vesti uma bermuda e minha camiseta. - Saia daqui. Vamos!

- Eu não estou acreditando. Minha garota? Você está apaixonada por ela?

- Estou. Completamente apaixonada! Eu amo minha garota... Como nunca amei mulher nenhuma. - Emma ficou me encarando por um tempo.

- Eu te recebi em minha casa e te tratei como filha... Assim que me agradece? Trepando com minha mulher?

- Ela não é sua. Nunca foi... Ela é minha e não vou cometer o erro de deixá-la ir.

- Você é uma puta! Deu pra ela sob meu teto, vadia?  - Eu fiquei meio cega e segurei ela firme, mas Lauren puxou meu braço.

- A solte, Camz. Não perca a razão. - Eu a soltei e ela caiu, tossindo e tocando o pescoço.

- Vá embora , Emma. Estou perdendo a cabeça. Você não pode entrar aqui... Você escolheu me trair e jogar nosso casamento pela janela. Você está com seu cara e eu achei  a minha garota. Nos deixe em paz. Não foi nada planejado e não aconteceu do jeito que você está insinuando, só nos apaixonamos e espero que me deixe falar com Amber primeiro.

- Ele não é meu cara, Mila. Estou arrependida.

- Agora é tarde. Já perdi toda a admiração que tinha por você e só quero viver minha vida. Você disse que nunca se arrependeria do dia 16... E pelo visto vai lembrar hoje, pois eu não volto por você, nem por Amber e nem se não estivesse com Lauren. Eu preciso salvar um pouco da minha dignidade. Devolve essa chave e saia da minha vida. - Ela me entregou a chave e saiu dali sem falar nada. - Desculpe por isso, Lauren. Você não merecia ouvir... - Ela selou nossos lábios.

- Está tudo bem. Vou trancar a porta e vamos dormir. Ok? Vem amor. Está tudo bem. - Ela me puxou e nos deitamos. Ela me abraçou e ficou fazendo carinho em mim.

- Amber vai descobrir... - Ela se inclinou e selou nossos lábios.

- Shiiii. Vamos só descansar... - Ela começou a acariciar minha testa. - Relaxe, amor. Amanhã resolveremos isso juntas. - Eu saí do Abraço dela e a puxei para perto.

Nos beijamos, queria esquecer tudo e não tem lugar melhor para isso que no corpo dela... Trocamos, mordidinhas, chupões e muitos beijos, que iam dos mais inocentes aos mais pornográficos possíveis.

Ficamos nos encarando e eu a abracei. A imagem de Amber me odiando não deixou que eu me concentrasse direito em mais nada.


 

Uma pessoa pode escolher outra como 'alvo'. Não satisfeita, logo em seguida, haverá outro 'alvo'.... e outro... E, quando menos espera, acontece! É inevitável! O 'alvo' é e sempre foi ela própria. É a lei do retorno.

Adria Norma Riedo

 

 

Depois de uma noite inteira esperando Amber bater desesperada na minha porta e disparar palavras de ódio a mim, vi o sol raiando pela janela e Lauren ainda estava em meus braços. Levantei e coloquei meu travesseiro entre os braços dela e fiquei a observando um pouco... Ela é linda e me faz tão bem... Não devia ser errado.

Fiz nosso café e a chamei. Após um banho, nos colocamos a mesa e apreciamos o café. Tudo estava bem, até a campainha tocar e eu ir olhar pelo olho mágico. Era Amber. Escorei minha testa a porta e após um tempo, senti meu tronco ser abraçado.

- Vai ficar tudo bem... Estamos juntas. – Eu beijei a testa dela e ela caminhou até o sofá. Abri a porta e Amber me deu o abraço como de costume.

- Olá mãe... Lauren? – Ela perguntou e então me liguei que Emma não tinha contado nada a ela. – Mamãe disse que você queria conversar cedo comigo... Chamou Lauren também? Essa camiseta não é sua? – Ela disse apontando para Lauren e eu fiquei me perguntando se ela era tão ingênua a esse ponto.

- Amber... Sente e vamos conversar. – Ela abraçou Lauren e sentou ao lado dela. – Bom... Sua mãe veio aqui ontem...

- Sim. Ela esqueceu minha chave aqui.

- Ela não esqueceu. Eu a peguei dela... Filha, sua mãe não pode entrar aqui quando quiser, nós não somos amigas e não vamos ser. Ela me traiu... Ela não só me traia há anos, ela me humilhava quando estava com ele... Você sabe disso.

- Eu sei, mãe. Eu ouvi umas coisas quando os peguei juntos.

- Você tem que entender que ela jogou tudo fora... Não que eu não tenha nenhuma culpa nisso tudo, mas ela foi baixa comigo e não sei se você sabe, mas eu poderia ter pegado uma doença ou algo do tipo... E ela não se importou.

- Eu sei disso tudo, mãe.

- Porque você deu a chave pra ela então? – Amber ficou calada e deu os ombros.

- Só achei que vocês poderiam ser amigas. Vários casais viram amigos depois que se separaram.

- Com certeza, nenhum deles foi nessa situação. – Depois disso a sala ficou em silêncio por um tempo.

- Tudo bem. Entendi seu lado, mas porque a Lauren está aqui?

- Bom... Eu estou ficando com sua mãe. – Lauren falou com calma, enquanto meu coração batia forte e às vezes parava e voltava, eu estava tonta e Amber encarando Lauren.

- Para de brincadeira! – Ela disse batendo no braço da Lauren.

- Não é brincadeira, filha. Estamos juntas. – Amber levantou e se afastou de Lauren

- Como assim... Juntas?

- Estamos juntas. Namorando.

- Não... Isso? Não! – Ela começou a caminhar de um lado para o outro. – Isso é errado... Você tem minha idade. Ela tem minha idade, mãe.

- Nós sabemos disso, Amb, mas não escolhemos e estamos apaixonadas. – Lauren disse e Amber gargalhou.

- Será que alguém aqui pode me dar uma luz aqui?

- Amber. – Eu disse. E ela levantou a mão.

- Com a minha mãe? Você quer me destruir?

- Isso não é por você... É por Camila e por mim. Não escolhemos quem amamos.

- Chega. Não tentem explicar nada... Vocês pegaram muito pesado.

- Amber... Não fiquei chateada conosco. – Eu disse e ela ficou em minha frente.

- Essa é aquela idade patética que as pessoas têm que elevar o ego? Com alguém com metade da sua idade? Justo a minha amiga? Com tantas outras meninas por aí... Justo ela.  Eu não posso olhar para vocês... Não sei com quem estou mais enjoada... Os quatro podem conviver... São todos iguais. Emma, Justin, Lauren e você... Todos me dão nojo.

Ela disse e saiu, batendo a porta. Sentei ao lado de Lauren e ela me abraçou.

- Ela vai entender... Vamos dar um tempo para ela absorver as coisas.

- Sim. – Selamos nossos lábios e ficamos em silêncio por um bom tempo

– Vamos ao mercado comprar algumas coisas para o almoço? Preciso passar na minha casa e pegar mais roupas. Não vamos nos preocupar com Amber agora... Ela já é bem grandinha.

- Tudo bem.

No fim, quando eu estava no mercado, Lauren me ligou e disse que o pai dela tinha nos convidado para almoçar. No começo foi estranho, mas depois de nos acostumarmos, ficou até divertido.  Os irmãos dela me adoraram, pois eu levo muito jeito com crianças.

POV Emma

Amber chegou a nossa casa e bateu a porta.

- Realmente... Não sei o que está acontecendo com vocês.

- Sua mãe contou da sua nova madrasta?

- Contou da adoção dela. Ela adotou outra filha, isso sim. – Ela sentou ao meu lado. – Isso é tão deprimente... Que idéia estúpida. Crise de meia idade? Me indigna a Lauren se prestar a isso. O que ela ganha. – ela ganha um sexo incrível e beirando ao selvagem... Onde estava essa Camila por todos os nossos anos de casamento? Falando sacanagem e pegando alguém tão forte que podia se ouvir as batidas na cama na parede. Lauren gemeu tanto que não sei como não as denunciaram a polícia. – Mãe?

- Sim.

- Perguntei o que você acha disso?

- Ridículo.

- Vai fazer alguma coisa?

- O que eu posso fazer?

- Você sabe muito bem o que fazer. – Peguei o telefone e disquei o número da solução.

- Alô.

- Oi Senhora Cabello. Aqui é a Emma. Como à senhora está?

- Bem. E como estão às coisas por aí?

- Precisamos conversar?

- O que aquela cabeça de vento aprontou?

Foi o que ela disse e eu comecei a contar tudo...

POV Camila

Chegamos a meu apartamento e ela foi tomar um banho. Estávamos esperando uma pizza, sentadas no sofá e olhando um filme chato aleatório. Ela estava com a cabeça escorada no meu peito e meu braço nas suas costas, com minha mão repousada na lateral do corpo dela. A levei até o seio dela e apertei, ela se remexeu e eu coloquei minha mão por baixo da camisa que ela usava e apalpei seu seio descoberto. A pele dela é tão macia, ela levou a mão até a barra da minha bermuda e subiu a mão por minha coxa... Até alcançar meu membro e acariciar minha extensão ainda coberta pela cueca.

Fomos nos acariciando, ela levantou e me beijou... Um beijo intenso. Ela acariciou minha nuca e continuou estimulando meu membro. Separamo-nos e ela mordeu meu lábio.

- Seu beijo é tão gostoso... – Ela disse e me beijou de novo. A campainha tocou e ela pulou, pois mesmo depois de uma mesa lotada na casa dos pais, estava com muita fome.

Ela voltou com os pratos e meu telefone tocou. Não! Isso não!

- Não vai atender? – Eu levei o celular a orelha.

- Oi mãe.

- Não me vem com “oi mãe”. Amanhã quero você aqui na primeira hora... Nada de atrasos sua irresponsável. 

- Que droga! - Eu levei a mão à testa. - Emma contou para minha mãe. Nunca vou ter paz.

- Mãe? - Assenti. - Nunca me falou nada sobre ela. Nem Amber comentou nada sobre os avôs.

- Minha mãe é uma senhorinha difícil. Sempre foi e com a idade ficou pior.

- Vocês não convivem?

- Não. Ela não gosta de receber ninguém na casa dela e os pais de Emma não gostam de mim. Amber foi muito mimada por eles quando era nova, mas foram se afastando conforme ela crescia. - Lauren já tinha comido metade da pizza. - Estava com fome mesmo, baby. 

- Sim. Sinto muito por sua mãe.

- Eu pensei que depois de perder meu pai e minha irmã, nossa relação iria melhorar, mas depois da aproximação drástica, teve um afastamento mais drástico ainda. Foi só naquele momento que servi e depois virei a Camila pensa com  a pau de novo.

- Estraguei sua vida, amor?

- Não!  Eu me resolvo com ela. - Ela beijou minha bochecha e depois me deu pizza na boca.

.......................

Na segunda, deixei Lauren na faculdade e corri para casa da minha mãe. Fiquei um tempo em frente aos portões de ferro  até liberarem minha entrada.

Ao entrar ali, não pude evitar lembrar a única pessoa que abria um sorriso enorme a me ver ali... Sofia. Ela era um soprinho de esperança... Via uma vida mais leve nos olhos dela... Ela me admirava de alguma forma e mesmo não entendendo o porquê disso... Eu adorava quando nos encontrávamos.

Minha mãe... Já com as marcas dos anos no rosto, não mudava a expressão em me ver... Não parece que faz, mas de anos que ela não autorizou minha entrada aqui. Ela sempre teve o temperamento difícil e sabendo que não podemos discutir com pessoas idosas, isso piorou.

- Oi mãe.

- Sente-se Camila. Quando você iria falar que se separou?

- Quando você me recebesse?

- Você tem o que nessa cabeça, Karla Camila? Quer me matar de desgosto?

- Eu sou maior de idade, mãe. Pago minhas contas, as da minha filha e as suas. Não preciso pedir permissão para nada. - Emma chegou.

- Oi senhora Cabello.

- Oi minha filha. - Revirei os olhos. Elas se abraçaram e depois Emma sentou. - Como está com tudo isso?

- Um pouco tonta com tudo.

- Eu entendo. Camila, eu quero uma explicação. Porque se separou da mãe da sua filha?

- Ela não te contou? Eu a peguei chupando o pau do Justin e descobri que eles têm um caso desde o tempo de faculdade dela. - Minha mãe ficou me olhando por um tempo.

- Isso é verdade?- Ela perguntou para Emma.

- Sim, mas eu estou muito arrependida e quero retomar nosso casamento. - Eu neguei com a cabeça.

- Pronto. Ela se arrependeu e pediu desculpas. Agora volte para casa e deixe sua ninfeta. Estou cansada das suas burradas, Camila. Você engravidou Emma e a fez perder a juventude cuidando de uma criança... Ela é sua responsabilidade.  

- Você não existe. Eu falo que ela me traiu e tudo bem. Se fosse eu, vocês me crucificariam. Eu não vou voltar com Emma. - Eu levantei. - Porra mãe! Você fala como se eu tivesse pegado a Emma a força... Como se eu quisesse engravidá-la. Não estava nos meus planos, mas depois do choque inicial, eu fiquei lá, ajudei Emma em tudo e nossa filha já é uma mulher. Isso é tão injusto, fiz tudo que estava ao meu alcance e sempre deu liberdade para Emma fazer o que quisesse... Eu não estou cobrando, mas ela fez faculdade com a minha ajuda financeira e fora o fato Amber, pois eu cuidava dela sozinha e ela estava com meu melhor amigo... Parem de ser injustas comigo. Não devo satisfação para ninguém... Só me deixem em paz. - Eu disse

- Sempre pensando com o pau, Camila. Essa garota vai cansar rápido de você e o que você vai fazer?

- Qualquer coisa. Menos voltar com Emma. - Eu saí da casa. Quando estava entrando no carro, Emma me puxou.

- Camila...

- Emma... Deixe-me quieta.

- Sério Camila. Você perdeu a admiração da sua filha. É isso que você quer?

- Se ela se importasse comigo, aceitaria minhas escolhas e me apoiaria. Eu apoiei vocês por dezoito anos... Porque não posso viver um pouco para mim?

- Você estava certa... Não paro de pensar no dia 16.

- Esquece o dia de 16 e todos os outros. Você não tinha que meter minha mãe disso. - Lembrei do dia dezesseis.

Flashback On

Eu esperei meu pai vir pegar Amber e preparei um jantar. Enchi a sala de velas e enfeitei a mesa com flores. Fiz macarrão e estrogonofe, pois ela ama e fiquei esperando Emma. Ela chegou e estranhou.

- Velas?

- Sim. - Eu fui beijá-la,  mas ela virou o rosto e me entregou o casaco. - Fiz um jantar especial.

- Legal. - Ela disse e começou a subir as escadas.

- Não vamos jantar?

- Eu vou tomar um banho. Depois eu desço.

Bom... Depois de vinte minutos, as velas foram enfraquecendo e depois de uma hora... Elas terminaram. Juntei todas e liguei a luz. Tive que esquentar o jantar de 15 em 15 minutos e depois de duas horas e meia ela voltou, mas estava com a mesma roupa. Começamos a comer.

- Sua massa e seu estrogonofe estão passados.

- Eu fiquei esperando você, aqueci eles no microondas. Desculpe.

- Tanto faz. Não estou com fome mesmo. - Ela disse empurrando o prato. - E a Amber?

- Está com meus pais.

- Você sabe que sua mãe não gosta de ficar com ela. Porque isso tudo?

- Emma, eu estava pensando... Nós não agimos como um casal normal. Nós temos um laço eterno... Podemos tentar. Lembra como éramos na sua gravidez? Vamos tentar, Emma.

- Você quer transar? Podia ter só pedido.

- Não, Emma. Não é só sexo... Quero assistir filme e ficar abraçada. - Ela riu.- O que foi?

- Pelo amor, né? Porra! Nem parece que você tem um pau enorme no meio das pernas. Quer dormir de conchinha também? - Eu fiquei triste e envergonhada, então peguei os pratos e os levei para pia. - Sua surpresa tem mais alguma parte?

- Não. Foi uma ideia estúpida e não vai se repetir. Essa é a última vez que tento fazer algo por nós duas. - Eu disse e peguei as chaves do carro.

- Vai aonde?

- Buscar Amber. Você está certa, minha mãe não gosta que ela fique lá.

Fui o percurso inteiro me condenando por ter me exposto tanto.

Flashback off

Entrei no carro e corri para casa. Queria chorar, estava com saudade da minha irmã e mesmo com o jeitão autoritário, me sentia mais protegida perto do meu pai. Depois me condenei por ter quase 40 anos e ser tão fraca. 

Era quase meio dia e eu estava chorando do mesmo jeito. Não controlava mais. Minha mãe é a única família que me restou e ela não gosta de mim, nem tenta fingir isso.

 

Flashback on

 

Eu estava no meu quarto, Sofia pulava na minha cama e eu tentava agarrar as pernas dela, quando conseguia, a puxava para meu colo e a enchia de cócegas. Meu pai entrou no quarto.

 

- Vai ver sua mama, Sofi. Preciso conversar com a Kaki. - Ela me beijou e saiu correndo. - Como você se sente?

 

- Confusa. Gosto da Dakota, ela está com o Justin, mas me encara e sorri às vezes, Emma está grávida e todos me odeiam.

 

- Eu não odeio você. Eu amo. Os pais de Emma me ligaram agora... Eles a expulsaram de casa.

 

- Que merda!  Todos estão agindo como se fossem impecáveis e nunca tivessem cometido erros.

 

- Sua mãe achou a punição justa e vai fazer o mesmo. Desculpe filha.

 

- Tudo bem. - Eu sabia que se minha mãe fala... ninguém a contrariava. 

 

- Eu consegui um emprego pra você, meio turno e por tudo que é mais sagrado, não pare de estudar e nem deixe a Emma fazer isso. - Ele saiu do quarto e voltou com uma bolsa enorme. - Aqui tem uns mantimentos e uma quantia em dinheiro para você se manter até receber. Aqui está o endereço do seu emprego, o telefone de uma amiga que pode te ajudar a alugar uma casa. - Ele me abraçou. - Desculpe por não ter instruído melhor para a vida. Sei que você não gosta tanto assim da Emma, mas agora ela precisa de seu apoio. Então esquece a Dakota e tente com a Emma. Agora ela é responsabilidade sua, pois perdeu todo o apoio dos pais.

 

- Obrigado pai. Desculpe te decepcionar.

 

- Não decepcionou, filha. Filho é uma bênção. Você vai ver isso.  

 

Arrumei outra bolsa com minhas roupas e me despedi de Sofia. Minha mãe nem me olhou e quando coloquei o pé pra fora de casa, Emma me ligou.

 

- Mila... - Ela estava chorando.

 

- Fique calma, Emma. Você está aonde?

 

- Na frente da minha casa.

 

- Estou chegando aí.

 

Peguei minha bicicleta, arrumei minhas bolsas sobre ela e comecei a caminhar até a casa dela. No caminho, liguei para a amiga do meu pai e ela ficou de retornar se arrumasse algo. Cheguei à casa de Emma e ela estava sentada na varanda. Correu até mim e me abraçou.

 

- Seus pais te expulsaram?

 

- Sim. Mas vamos ficar com bem. Estou esperando uma ligação. - Fiquei acariciando os cabelos dela.

 

Depois de uma hora, ela conseguiu uma casa e nos deu o endereço.

 

Caminhamos um pouco e ela cansou. Peguei as bolsas e coloquei nas costas. Me senti um camelo com cinco bolsões nas costas.

 

- Sobe. - Ela subiu na bicicleta e eu comecei a empurrar.

 

- Você vai cansar. - Coloquei duas bolsas no ferro da bicicleta.

 

- Só segure elas e já estamos chegando.  - Eu menti, não iria a deixar caminhar oito quadras

 

Quando chegamos, não sentia minhas costas, muito menos minhas pernas. Havia uma mulher nos esperando e deduzi que fosse a que conseguiu a casa. Ela não queria nos alugar, pois éramos menores de idade. Tive que falar o nome do meu pai e pagar dois meses de aluguel adiantado, por uma casa que nem era tudo isso.

 

- Pelo menos temos um colchão. - Eu disse caminhando pela casa vazia.

 

- Uma noite de sono iria cair mal. - Ela disse. Eu levantei o colchão e comecei a bater nele, para tirar o pó. Depois peguei umas roupas de cama, que meu pai havia deixado na bolsa dos mantimentos.

 

- Está com fome? - Ela assentiu. - Na minha mochila tem algo. - Ela procurou e pegou um salgadinho. - Eles podiam ter deixado uns travesseiros também.

 

- Sim. - Ela disse sorrindo. Ela deitou e eu me deitei de frente pra ela, depois de trancar a porta da frente.

 

- Vai ficar tudo bem. Meu pai me eu uma boa quantia, podemos comprar uns móveis essências e ele me arrumou um emprego. Vamos ficar bem.

 

- Posso trabalhar também.

 

- Não. Você só estuda. Vamos conseguir.

 

- Você vai parar de estudar?

 

- Por enquanto não. Vamos ver o que acontece depois. - Ela se inclinou e me beijou.

 

No outro dia, fomos para a escola. Depois eu fui trabalhar, no final do dia, estava exausta e tive a confirmação de que não seria nada fácil.

 

Flashback off

 

Hoje eu vejo que podia ter processado eles, mas na época acho que não o faria, por causa do meu pai. E no fim... Tudo acabou bem... Viramos-nos muito bem. 

 

Levantei e fui para área externa, meu apartamento ficava na cobertura e podia se observar toda a cidade. Fique ali pensando em tudo que passamos para Amber ter uma infância digna e ela simplesmente me chama de patética., virando as costas para mim.

Meu celular tocou. Era Lauren.

- Camz?

- Oi amor.

- Está tudo bem entre nós?

- Claro amor. Porque não estaria?

- Amber disse que você nunca contrária sua mãe... E ela nunca nos aceitaria.

- Está na faculdade?

- Sim. Vim ao banheiro para ver se estamos bem, pois quase não me concentrei mais depois que Amber disse que você me deixaria.

- Eu nunca vou te deixar, menina. Estarei esperando você na saída.

- Não vejo a hora de te abraçar e sentir que está tudo bem.  

- Está tudo bem. Te amo.

- Também te amo.

Ela encerrou a ligação e eu fui lavar o rosto.

Estacionei o carro na faculdade e escorei meu pé nele, fiquei esperando ela. O sinal tocou e Amber apareceu.

- Oi mãe. Bom... A vovó deve ter conversado com você. Agora que você vai parar com essa bobagem, soube que abriu uma pizzaria nova no Brooks. Podemos jantar lá e depois assistir alguns filmes. - A outra colega delas se aproximou.

- Sra Cabello. Como você está?

- Bem.

- Ainda com aquela pessoa, pois... - Eu parei de escutar tudo a minha volta quando Lauren entrou no estacionamento do campus. Caminhei até ela e a beijei, ela ficou um pouco surpresa, mas largou a mochila e circulou meu pescoço com os braços dela. A abracei pela cintura tão forte, que uma agulha não passaria entre nós. ouvimos alguns gritos e algumas pessoas bateram palmas.

- Então... - Colei nossas testas. - Está sentindo que está tudo bem? - Ela mordeu meu queixo de leve.

- Está tudo ótimo. - O ex-namorado dela parou ao nosso lado.

- Sra Cabello.

- Oi.

- Lauren... Hoje vamos fazer uma social na casa do Christian. Vocês podiam aparecer por lá.

- Vamos pensar. - Lauren disse e eu juntei a bolsa dela.

- Vai ser às 20h.

Caminhamos até o carro e eu abri a porta para ela. Amber e a outra colega dela continuavam paradas e de boca aberta.

Levei Lauren para casa e depois fui para a minha. Me deitei e peguei no sono.

Acordei com o telefone tocando.

- Alô?

- Hey... Alguém está viva.

- Oi Mani.

- Eu entendo que esteja amando, mas vai ficar com o pau esfolado deste jeito. Que tal trabalhar um pouco?

- Quem dera se eu estivesse fazendo isso mesmo.

- Vixi. O que aconteceu?

- Emma descobriu... Depois Amber e depois, Emma contou para minha mãe.

- Nossa... Que merda. A Senhora Cabello... Ficou do lado da Emma.

- Sim. Mesmo eu contando sobre o Justin. Sério... Minha mãe fala como se eu... Como se... Eu tivesse estuprado a Emma.

- Que horror.

- Mas é a verdade. Você a conhece.

- Sim. Mas o que você vai fazer?

- Amanhã começo a trabalhar e... Vou pedir a Lauren em namoro.

- Ótimo. Não desista da sua felicidade desta vez, Mila. Até amanhã e quero os detalhes do sexo com sua ninfetinha.

- Mani!

- Sou sua amiga, estou te apoiando e mereço saber.

- Você é louca.

- Sou e você me ama.

Ela desligou e eu fui para o shopping. Escolhi um anel e na hora de finalizar a compra, Lauren me ligou.

- Amor... Onde você está?

- Saí para comprar uma camisa, amor. Por quê?

- Estou no seu apartamento.

- Vem aqui me ver então.

- É nesse perto do seu prédio?

- Sim.

Ela desligou e eu corri para uma loja de roupas. Ela me ligou quando chegou e eu disse onde estava.

- Oi amor. - Ela disse e me deu um selinho, todas as atendentes nos olharam e algumas cochichavam. Eu fiquei meio desconfortável. - Já escolheu.

- Não. Nada aqui me agradou.

Saímos da loja, mas o problema não eram aquelas atendentes, o problema éramos nós. Ninguém entendia muito bem o porquê de uma garota jovem fazia me beijando e andando de mãos dadas comigo.

Paramos na lanchonete e pedimos algo para comer.

- Camz, o que você acha da social da minha turma?

- Acho que você deve ir.

- Nós devemos ir.

- Não sei. Você não acha estranho... Eu não faço parte da turma.

- Mas estamos juntas. Podemos levar ficantes ou namorados. Não tem problema, as outras meninas levam e Poncho nos convidou pessoalmente.

- Se você acha que não vai ser estranho.

- Não vai. Amber talvez surte.

- É só ignorar. Estou cansada de ser capacho de todos.

- Você está muito tensa, amor. - Ela deixou vinte dólares na mesa. - Vem comigo.

Ela pegou minha mão e caminhou até um sex shop.

- O que vamos fazer aqui? - Eu disse sentindo o rubor subindo por minhas bochechas.

- Vou comprar uma coisa. - A luz baixa e vermelha era estranha... Eu nunca tinha entrado em um lugar desses.

- Em que posso ajudá-las?

- Quero um óleo para massagem. - Eu fiquei caminhando e encontrando cada coisa estranha. - Camz!

- Sim.

- Gosta de morango ou canela? - Eu fiquei olhando para ela.

- Canela. - Ela olhou os óleos.

- Vou levar todos e um lubrificante também. Dois lubrificantes.

- Mais alguma coisa? 

- Não. - Ela caminhou até mim.

- Eu nunca entrei em um lugar desses.

- Eu só vim uma vez... E com minha mãe. Ela sempre foi liberal e me explicou tudo em relação ao sexo.

- Que louco. Minha mãe não me dava nem bom dia, imagina falar sobre sexo.

- Aqui está. Pode passar no caixa. - Eu fui ao caixa e paguei.

Saímos da loja e Lauren entrelaçou nossos dedos.

- Como foi à conversa com sua mãe?

- A mesma de sempre, ela apoiou Emma, mesmo sabendo da traição. Eu sustentei a Emma grávida, sem parar de estudar e sem que ela movesse uma palha. Fora a ajuda inicial do meu pai, eu não os encomendei com nada... Eu tinha 16 anos. Merecia um pouco mais de crédito, mas parece que ela só me vê como a imbecil que engravidou a menina indefesa de propósito.

- Sinto muito, Camz.

- Tudo bem... Já devia estar acostumada com isso. Quer alguma coisa?

- Não. Vamos passar na minha casa para eu pegar uma roupa e minha maquiagem.

- Como se precisasse. Você é a personificação da deusa Hator - Ela ficou me olhando. - Cultura egípcia? - Ela continuou me olhando. - Esquece. Coisa de velha.

- Você não é velha, amor. Pare com isso.

Fomos até a casa dela e a mãe dela me abraçou.

- Como você está?

- Bem. E a Sra.?

- Bem.

- TIA CAMZ! - Os irmãos de Lauren correram em minha direção e eu os peguei no colo.

- Hey pequenos. Como está o pequeno nadador?

- Bem. Eu consegui ir até o meio da piscina só com uma bóia.

- Olha... Isso é incrível. E a pequena bailarina?

- Bem. Vamos ter uma apresentação em um mês... Eu vou ser a bailarina principal.

- Uau... A mama deve estar muito feliz.

- Sim. Meus caçulas se destacando... Mas nada perto do Mike babão. - A mãe da Lauren falou e eu sorrir.

- Você vai assistir filme com a gente hoje? - Chris perguntou e os dois me olharam em expectativa. 

- Pequenos... Sua irmã quer ir a uma festa. - Eles ficaram decepcionados. - Mas amanhã... Vou buscar vocês na escola e vamos ao parque.

- Sério?

- Tem problema, Sra Jauregui?

- Não, querida.

- eeeeeeeebaaaa.  - Eles bateram as mãos e Lauren desceu as escadas com uma mochila. - Laur... Tia Camz vai nos levar no parque amanhã. Isso não é incrível?

- É sim. Agora me devolvam ela.

- Ahhh. Ela acabou de chegar. Vai a sua festa chata sozinha.

- Que isso, meninos. Deixem-nas saírem, amanhã vocês vão sair com a Camz.

- Ok. - Taylor disse e eu os soltei. - Não vai esquecer.

- Podem deixar. Compromisso marcado. - Eles me abraçaram e peguei a mochila de Lauren. 

Quando chegamos, Lauren me levou para o quarto e fez um coque em meus cabelos. Tirou minha roupa, me deixando apenas de cueca.

- Deite de bruços. - Eu fiz e depois de um tempo, ela sentou sobre minhas coxas. Senti algo em minhas costas e logo Lauren espalhou algo que deduzi ser o óleo, e pressionou da base da minha coluna até minha nuca. Massageou meus ombros, aquilo era divino. Eu estava mordendo meu lábio para não gemer. - Está gostoso?

- Sim.

- Mas você continua tensa, amor. Relaxe.

Ela ficou me massageando... Acabei dormindo.

Acordei ainda recebendo a massagem e com o pau completamente duro.

- Você é muito boa nisso, amor.

- Obrigada, Camz.

- Tem um problema.

- Qual?

- Você não me deixou completamente relaxada.

- Não?  - Ela apertou meus ombros. - Você parece bem. - Eu me virei. - Uou. Isso é uma consequência da boa massagem. - Eu sentei na cama e a puxei para meu volume. Ela gemeu e eu a beijei.

Em poucos minutos, as roupas dela estavam pelo chão do meu quarto e minha cueca bem longe do meu corpo. Ao nosso lado, havia algumas camisinhas, o que me levou a pensar que talvez estivesse tudo programado. 

Depois de transarmos no chão, ela percebeu nosso atraso e foi correndo se arrumar para partimos para tal festa.

A casa era grande, a música estava alta e muita conversa. As pessoas me cumprimentavam como se me conhecessem. Ela encontrou um grupo.

- Oi meninas.

- Laur.

- Essa é Camila. Camila... Essa é Vero. - Ela me estendeu a mão. - Essa é a namorada dela Lucy. - Outro aperto. - Esse é  Keana... E essa é a namorada dela a Bea. Camila e eu estamos juntas.

- Sra Cabello...

- Me chama de Camila.

- Camila. A Amber não veio com vocês?

- A Amber não nos aceita. - Lauren disse.

- Oh desculpe.

- Tudo bem. - Lauren ficou na minha frente e se escorou no meu corpo, me fazendo abraçar a cintura dela.

Elas começaram a conversar, elas me incluíram na maioria deles. Quando olhei pela janela, vi o tempo se armando e uns clarões, anunciaram uma tempestade.

- Ela está te enrolando, Laur?

- Sim. Tenho que chamá-la de ficante ou dizer que estamos juntas.

- Assim não vale, Sra Cabello. - Coloquei a caixinha na frente dela e as meninas começaram a gritar. Abri-a.

- Quer namorar comigo?

- Own Laur... Ela é uma fofa mesmo.

- Eu disse que era. É claro que eu quero. - Ela virou e me beijou. Depois coloquei a aliança de prata, com pequenos diamantes ao seu redor, no dedo dela e ela selou nossos lábios novamente. - Essa é Camila, minha namorada. - Elas sorriram.

- Parabéns para as duas. Cerveja para comemorar.

Elas trouxeram cervejas e eu só fingi tomar, pois estava dirigindo. Amber chegou e só faltou vomitar quando me enxergou. Ela ficou no grupo afastado do nosso, ela estava abraçada ao ex de Lauren. 

Eu estava morrendo de saudade da minha filha... Queria voltar no tempo, quando ela tinha quatro anos...

- Camz?

- Sim.

- Está bem?

- Sim.

Elas continuaram a conversar, era estranho ver minha princesinha com um marmanjo. 

Coloquei os cabelos de Lauren para o lado e beijei a nuca dela repetidas vezes e percebi que ela se atrapalhava nas frases quando eu fazia isso.

Um trovão ecoou e automaticamente, Amber e eu nos olhamos.

Flashback On

Acordei com um grito e achei que estava sonhando, até trovejar novamente e outro grito. Corri para o quarto de Amber, minha princesinha estava escondida e sentada na cama.

- Mamãe. Estou com medo. - Eu tirei o cobertor e a peguei no colo.

- Do que, minha pequena?

- Esses barulhos me assustam.

- Esses barulhos são os anjos jogando boliche.

- Mas esses clarões.

- Eles ligam a luz para verem melhor pinos.

- Eles vão demorar?

- Um pouco, mas você pode dormir com a mamãe.

- Sim. - Ela pegou o cheirinho dela e o travesseiro. Colocou a chupeta na boca e agarrou meu pescoço. Entrei no quarto e a coloquei no meio da cama.

- O que ela tem? - Emma perguntou, ela estava tonta por conta do sono. Arrumou os cabelos de Amber e a cobriu.

- Está com medo dos trovões. - Emma beijou minha boca e depois a testa dela, voltando a dormir. Amber virou para mim e agarrou meus dedos.

- Não me solte, mamãe.

- Eu nunca vou te soltar.

Beijei a testa dela e ela a ponta do meu nariz. Ela adormeceu quando os trovões pararam.

Flashback Off

Voltei à realidade e Amber limpou uma lágrima do olho, saiu correndo e eu corri atrás dela.

 

- Amber... Pequena. Escute-me.

- Não. Isso é demais para mim. - Eu a puxei pelo braço.

- Por favor, pequena.

- Não. Mãe Emma está certa. Você vai me abandonar por ela.

- Não... Você que está com raiva de mim... Estou te dando espaço, amor. Mas se você estalar os dedos... Não pense que não me importo.

- Justo ela? - Ela apontou a casa e eu olhei para cima, encontrando forças para enfrentar isso tudo.

- Eu não escolhi, Amber. – Eu peguei as mãos dela. – Lembra quando você disse “Quero você feliz por você uma vez.” Eu sou, amor. Eu sou tão feliz, a família de Lauren me acolheu, eu assisto golfe com o pai dela e Lauren cuida de mim. Nem vou citar o fato de nos amarmos. Não acordo dando risada... Eu acordo dançando.

- Isso é tão confuso.

- Olha... Eu tentei com sua mãe. Provavelmente, se eu não soubesse da traição, estaríamos juntas, mas eu me separei dela, não de você. Meu amor por você é incondicional e ninguém vai mudar isso... Ninguém. Nem você... Você pode me pisar e humilhar de novo, me chamar de patética, mas eu nunca vou te soltar. Nunca! Algumas pessoas não entenderam, mas quem tem filho entende. Eu troquei suas fraldas e sua primeira palavra foi pra mim. Eu te ajudei nos primeiros passos... Só me arrependo de não ter te ensinado mais sobre o mundo... Agora ele vai te ensinar e não vai ser com o meu jeitinho. – Ela me abraçou. – Sua mãe vai falar muita coisa, pois não está lidando bem com isso e ela até contou para sua avó.

- Eu sou um monstro, mãe. Fui eu que pedi para ela contar. Eu só erro com você. Me perdoa. – Ela disse abraçada a mim. – Me perdoa... Eu sou tão egoísta.

- Perdôo, pequena. Eu perdôo. – Olhei para trás e Lauren nos observava de longe. – Você vai aceitar meu namoro?

- Vou, mãe. Não vou dizer que apoio cem por cento, mas vou tentar. Só não a beije na minha frente... Eu tenho ciúmes de você.

- Tudo bem. – Eu beijei a testa dela. – Vou chamá-la para vocês conversarem. – Ela assentiu e eu caminhei até Lauren. – Ela quer conversar com você. – Ela assentiu e caminhou até Amber.

POV Lauren

Eu caminhei até Amber, ela estava com os braços cruzados e chutando a grama. O tempo anunciava que uma tempestade se aproximava. Eu me pegava olhando para a aliança várias vezes... Nunca fiquei tão feliz.

- Oi. – eu disse, sem saber direito como cumprimentar.

- Oi. – Ela respondeu e ficamos no silêncio por um tempo. – Então... Minha mãe. – Ela disse e bufou. – Eu não sei como conversar sobre isso.

- Eu a amo, Amber. Vou tentar tudo que estiver ao meu alcance para fazer ela feliz.

- Como isso aconteceu?

- Foi imediato. Eu coloquei o olho nela... Você não sabe o quanto eu rezei mentalmente para ela não ser sua mãe... Ser uma tia, prima... Quando você me disse mãe... Meu peito apertou. Depois fui conhecendo ela, vendo que ela não era tão feliz e o carinho que ela tinha por você... o jeito atrapalhado dela... Tudo. Tudo nela me encantou... Impossível não me apaixonar.

- Eu era sua amiga, sei como seus sentimentos são confusos e mudam a todo tempo... Você me contou dos seus namoros, a enorme lista. Viu como ela depende de você? Ela não é um garotinho, Lauren. Um desses que você brinca e pode descartar... Ela é sensível demais... Do tipo... Ela pode morrer se você a deixar. Você acha que pode lidar com isso?

- Eu não vou a deixar, Amber. Eu era vazia, pois nunca tinha amado de verdade... Agora eu sei o que é isso.

- Espero mesmo que você me surpreenda, pois na minha cabeça, eu sei como isso vai terminar. Queria pedir desculpas de te ofendi, mas não posso mais ficar sem minha mãe. Eu deixei bem claro... Que não sei como lidar com isso tudo, mas vou tentar por ela.

- Se estou aqui conversando com você por causa dela. Ela não vai ser feliz por completo sem você.

- Bom... Se você diz que não vai magoá-la.

Depois disso, entramos na casa, ela voltou a ficar com o Poncho e eu com minha namorada.

POV Camila

Depois do jantar, as amigas de Lauren foram para a piscina. A maioria das pessoas entraram na piscina. Lauren chegava a se empinar para entrar, mas se continha e não me pedia.

- Vamos entrar? - Ela me olhou rápido. 

- Podemos?

- Não sei. Vai ser estranho?

- Não. Só achei que você não iria.

- Eu vou. Se você quiser.

- Não. Não fale assim comigo. Se você não quiser, não precisa fazer e se quiser nós vamos. Acabou a cadeia, amor. Você faz o que tem vontade.

- Fazer o que tenho vontade... - Eu beijei o pescoço dela. - Você não sabe o que passa por minha cabeça.... Por isso me fala essas coisas. - Ela se afastou, mas olhou sobre o ombro e caiu na piscina. Tirei o tênis e o colete e cai na água também. 

Fiquei escorada na beirada da piscina e Lauren, mesmo conversando com as amigas, me devorava com os olhos. Ela cochichou algo no ouvido de Vero e ela gargalhou.

Ela me beijou intensamente e rodeou a minha cintura com as pernas. 

- Vamos para casa... Estou morrendo de tesão.

- Vamos agora. - Ela correu para fora da piscina e eu peguei meu colete e tênis e nos retiramos dali.

Depois de nos despedirmos rapidamente, corremos para o carro e assim que entrei no mesmo, tirei as calças.

- Espere até chegarmos em casa.

- Estava me apertando. - Ela assentiu.

Começou a chover e eu dirigi bem devagar.

- Camz?

- Sim.

- Você pensa em ter mais filhos?

- Não pensava... Mas confesso que com você quero tudo. Noivar, casar e ter filhos. Você acha isso bobo? - Perguntei coçando a nuca.

- Não. Eu quero isso... Quero ter uma mini latina e vamos ter a família dos sonhos, Camz.

- Eu não duvido disso, amor. Minha vida virou um sonho perfeito... Desde o segundo que você disse que me amava. - Estacionei o carro na garagem do prédio. - Você é uma mulher incrível, Lo. E quando falou que era minha... Me fez a mulher mais feliz deste mundo.

- Você é tão fofa, Camz. Tão gentil e amável... Como as pessoas conseguem magoar um ser humano iluminado como você? - Ela tocou as laterais do meu rosto. - Algumas pessoas não merecem a sorte que tem.

- Eu amo você.

- Eu amo você. – Ela selou nossos lábios e eu a levei no colo para meu apartamento.

_______________________________

 

- Amor... Camz... – Senti minhas costas serem beijadas. – Acorda, amor. Fiz nosso café e você não pode faltar de novo ao trabalho.

- Posso sim. Eu sou a chefe.

- Por isso mesmo, tem que dar o exemplo. – Ela mordeu minha nuca. – Agora vai tomar um banho e tirar esse cheiro de sexo.

- Vou trabalhar assim. Quero lembrar cada detalhe desta noite.

- Eu tomei banho e nem que eu lavasse o cérebro conseguiria esquecer essa noite. – Ela beijou meus lábios e se afastou. – Agora deixe de ser manhosa e vamos tomar café.

- Eu não quero sair daqui. – Eu a puxei e comecei a distribuir beijinhos por toda nuca dela. – Quero ficar namorando minha namorada.

- Camz...

- Amor... Vamos ficar aqui... Agarradinha e se amando.

- Amor... Você tem noção do quanto é fofa? – Eu beijei o ombro dela. – Ficar fazendo manha ultrapassa os limites da covardia.

- Isso é um sim?

- Não, Camz. Precisamos cumprir nossas obrigações.

- Precisamos namorar.

- Senhor, Camz. Namoramos a noite inteira.

- Podemos namorar a manhã inteira e a tarde também... E a noite...

- Você prometeu aos meus irmãos que os levaria no parque.

- Podemos namorar enquanto eu levo seus irmãos ao parque. – Ela virou-se e apertou minhas bochechas.

- Você não tem jeito. Vamos, minha pequena insaciável. Precisamos sair, pois daqui a pouco chega uma faxineira.

- Eu posso limpar a casa.

- Não pode. Você mantém a casa limpa, mas deixa que uma faxineira faça a limpeza pesada.

- Porque?

- Porque você tem condições de manter uma faxineira, agora você trabalha, namora, tem uma filha e adotou meus irmãos. Não é mais uma desocupada. Agora vamos. – Ela acertou um tapa em minha bunda. – Mexa essa bunda deliciosa e vá para um banho. – Ela levantou e saiu do quarto.

- Ela faz um sexo incrível comigo a noite toda e quer que eu queira fazer outra coisa. Isso é tão injusto... Devíamos estar fazendo sexo matinal, não tomando café... Tomando café...

- O quê?  - Ela disse entrando no quarto.

- Eu já devia estar tomando café. – Ela me olhou, não acreditando muito.

Após o banho, caminhei até a cozinha.

- Uau, Lo! Essa mesa está incrível. – Eu sentei e ela sentou-se ao meu lado.

- Você merece um café bem reforçado... Depois da noite de ontem.  Você deve estar cansada.

- Não estou. Estou revigorada... Descobri a fonte da juventude, a minha pelo mesmo, é a Lauren Jauregui.

- Onde você estava todo esse tempo? – Ela disse sentando no meu colo e me abraçando.

- Esperando você crescer. – Ela sorriu abafado no meu pescoço.

- Boba...

- Queria que eu fosse presa?

- Esqueci desse pequeno detalhe.

Depois de uma despedida demorada, a deixei em casa pegar o carro dela e fui trabalhar.

Assinei um milhão de documentos atrasados, fora os relatórios que tive que revisar e fiquei me condenando por não ter um assistente.

Na hora do intervalo, Normani entrou na minha sala e sentou a minha frente.

- Como você está?

- Ótima.

- Eu senti isso antes de abrir a porta. Você está mais corada... Muito mais linda e parece até mais alta. Senhor... O milagre de um bom sexo,

- Não é só o sexo... Minha garota é incrível, me sinto tão importante perto dela, ela cuida de mim e pergunta o que eu quero fazer... E faz o que eu quero, por mais chato que seja.... Ela olhou uma partida inteira de golfe comigo e nem reclamou.

- Isso se chama relacionamento.

- Sério? Sei lá... Nunca senti que minha existência fizesse sentido, mas agora... Eu entendo tudo. Na vida tudo tem um porquê.  

- eu nem acredito que estou te ouvindo falar assim... Só ouvi você falando com empolgação de alguém quando você falava da Dakota.

- O que eu sentia por Dakota não passa nem perto do que estou sentindo agora.

- Quero saber do sexo... Tomando o remedinho?

- Não vou falar sobre isso.,

- Eu sou sua amiga, Camila. Estou perguntando de você e não dela.

- Eu não preciso mais daquele remédio... Inclusive o deixei na casa de Emma... Talvez ela encontre um dia. – Normani gargalhou.

- Talvez ela se sinta um lixo quando isso acontecer. Quero mais detalhes.

- Eu não gosto de falar sobre isso. – Falei sentindo um rubor subir por minhas bochechas.

- Não tenha vergonha... Está interessante... Dinah está fazendo greve de sexo e essa conversa está me agradando.

- Idiota. Só ontem a noite.... Hoje de madrugada na verdade, eu usei oito camisinhas... Chegamos em casa duas da manhã e paramos de transar as cinco.

- Suas piranhas safadas. Ela é boa?

- Ela é incrível. Encerramos o assunto.

- Ah Camila. Quero saber mais.

- Não. Acabou o intervalo e vá para sua sala.  

- Careta.

Ela disse e saiu. Voltei a trabalhar, pois a tarde, teria que pegar os cunhados na escola.

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Nos estávamos no bate-bate, Lauren e Taylor em um carrinho e Chris e eu no outro. As crianças estavam dirigindo, o que fez meu almoço ir a boca e voltar várias vezes.

POV Lauren

Estou com dó de Camz, ela está quase vomitando naquele carrinho.

Quando paramos, os meninos pediram para ir no trem fantasma. No começo eu não deixei, mas eles e Camila são muito articulados e fofos, não pude dizer não. Trocamos, fiquei com Chris e ela com Tay. Os monstros eram de plásticos, Camila gritava e fazia Tay gritar só por diversão. Eles estavam rindo do fiasco que foi esse trem fantasma. Camila me assustava, as vezes, o que fazia meus irmãos quase terem um troço de tanto rir e eu fiquei pensando quem era mais criança.

Estávamos na lanchonete do parque.

- Tia Camz... Compra um jornal para nós.

- Onde tem?

- Lá. – Tay apontou para um menino com vários jornais nas mãos. Depois voltou com um. Os meninos folheiam e pararam na sessão de cinema.  Já imaginei o que viria depois.

- TIA CAMZ! IRADO...  Tem maratona do Toy Story.... Leva a gente? – Eles olharam com uma carinha para ela... chegou a doer.

- Quando?

- Começa em... 15 dois pontinho um em cima do outro 30. – Tay disse e Chris assentiu depois de conferir.

- Tudo bem, Lauren? – Assenti. – Avise sua mão que vamos chegar mais tarde.

Chegamos ao cinema e os meninos sentaram bem na frente e pediram pipoca para Camila. Ela leva muito jeito com crianças, os olhinhos dos meus irmãos brilham quando ela está falando.

Durante os filmes, Camila e os meninos prestaram muita atenção na tela... Eles se inclinam nas cenas de ação e quase choraram algumas vezes. Sim, Camila quase chorou com Toy Story.

Deixamos os meninos em casa, muito contra gosto deles e minha mãe falou para Camila que ela mima demais eles.

Chegamos ao apartamento dela e caímos exaustas na cama. Depois de um tempo, nos viramos e entrelaçamos nossos dedos.

- Você é muito fofa, amor. Tão sensível.

- Não sou sensível.

- Você quase chorou com Toy Story. – Os olhos dela marejaram.

- Os brinquedos iam entrar no forno do lixão de mãos dadas. – Eu sorri e beijei o nariz dela.

- Eu amo você.

- Eu também amo você. 

Após dez meses de namoro... As coisas ficam melhores a cada dia. Eu queria muito morar com Camila, mas depois daquele convite bem no início do namoro, ela não tocou mais no assunto.

Estamos na minha casa, meu pai fez um churrasco e nos convidou. Eles estão na churrasqueira, discutindo sobre golfe... Uma coisa que eu assisto por causa de Camila e até hoje não entendo nada. 

Estou com minha mãe na piscina, meus irmãos estão rondando a churrasqueira, eles querem a atenção de Camila e ficam ali, até ela ir brincar com eles.

- Filha...

- Oi.

- Estou falando com você.

- Desculpe. Estava...

- Admirando a namorada. Nem parece que você quase mora com ela.

- Eu amo demais essa mulher... Estou vivendo um sonho com ela.

- Sabe... Eu e seu pai notamos que você está um pouco inchadinha...

- Você acha?

- Sim. Você está se prevenindo... Não está?

- Acha que estou grávida? – Meu coração começou a acelerar.

- Sua menstruação?

- Está normal. Eu não estou grávida.

- Não tem problema se estiver... Mas eu acho você muito nova ainda.

- Eu sei. Camz e eu não temos isso em nossos planos.

- Ela pode ter filhos, né?

- Sim. Ela fez uns exames e o médico disse que a saúde dela está melhor do que a de garotos de 24 anos.

- Que bom. Mas porque ela fez esses exames?

- A mulher dela estava a traindo com o amigo dela, e esse cara é bem galinha. Ela ficou com medo de ter pego algo e fez esses exames antes de ficarmos... Intimamente juntas.

- Transar, amor. Sem vergonha para falar sobre isso com sua mãe. É o nosso trato.

- Eu sei, mãe. Mas venhamos que não é confortável.

- Eu sei. Mas eu tenho algumas curiosidades...

- Mãe.

- Minha filha, sempre conversamos abertamente sobre isso.

- Mas não é confortável.

- Filha... Ela é mais velha, isso desperta a curiosidade de todo ser humano pensante. Ela toma alguma coisa?

- Não, mãe. Ela é bem disposta e não usa de meios farmacêuticos para isso.

- Sabe... Alguns interssexuais não têm o órgão bem desenvolvido. Ela tem alguma anomalia?

- Não, mãe. O pau dela é lindo e muito grande. - Depois disso, ficamos em silêncio e ela observou Camila. Ela sorriu. – O que houve?

- Seu pai notou isso quando convidamos vocês para almoçar, logo depois que ele aceitou. Ele ficou a noite inteira... “Minha garotinha tem que enfrentar um monstro daquele.” “Coitada da minha garotinha.”

- Coitada nada... Ele não sabe como estou contente com isso. – Minha mãe gargalhou. Camila se aproximou.

- Vamos almoçar Lo? – Eu assenti. – Vamos clara?

- Vamos Camz.

Depois de um belo almoço, Camila foi para meu antigo quarto, dormir um pouco e eu fiquei com meus pais, conversando sobre os meus irmãos, que querem passar as férias na Disney.

..................................................................

Camz e eu estávamos no apartamento dela, olhando um filme, deitadas na cama e ela quase dormindo já.

- Amor... – Ela abriu os olhos. – Eu amo você. – Ela sorriu.

- Eu também amo você demais. Muito mesmo.

- O que vamos fazer amanhã?

- Sexo e dormir. – Eu bati no braço dela. – Tudo bem... Só sexo.

- Camz!

- Amanhã é meu aniversário. Você tem que fazer o que eu quiser. – Eu levantei da cama.

- Você me diz isso nesta calma?

- Disse o que?

- Que amanhã é seu aniversário.

- Queria que eu dissesse como?

- Amor... Amanhã temos que comemorar.

- Não! Eu não quero festas ou jantares.

- Camz...

- Sem Camz com tom fofinho. Você não vai me convencer e eu vou ficar muito irritada se você fizer algo.

- Porque isso, amor?

- Eu só não quero. Por favor, não faça nada... Eu te imploro.

- Tudo bem. Mas é seu dia... Deveria comemorar.

Ela não disse nada, apenas cobriu os braços e fechou os olhos.

Na manhã seguinte, acordei e ela não estava mais em casa. Tinha deixado meu café em uma bandeja com um bilhete.

“Desculpe se fui grossa ontem, eu só não quero reuniões.

Seu café, com tudo que você gosta. Eu te amo demais.

PS: Tive uma reunião de emergência antes do recesso coletivo.”

Camila fez esse recesso coletivo só por conta das minhas férias da faculdade. Ela é tão fofinha, parou a empresa por mim e isso me fez sentir muito foda.

No último dia de faculdade antes do recesso, a turma toda só contava os minutos para a aula acabar.

A relação de Amber e Camila não melhorou muito, apesar daquela conversa, o contato delas é quase nulo, o que entristece Camz às vezes.

Cheguei à minha casa e expliquei do pequeno diálogo que tivemos ontem à noite.

- Minha filha... Você não entende mesmo o porquê disso?

- Não.

- Ela é mais velha que você e você quer que ela comemore isso.

- Não. Não é por isso.

- É sim.

- Mãe... Esse fantasma da idade vai nos assombrar para sempre?

- Na cabeça dela sim, amor. Entenda que é muito mais difícil para ela.

- Tudo na vida dela é mais difícil, mãe. Sinto que ela nunca vai ser feliz por completo.

- Você ajuda muito com isso, mas não vamos forçar a barra. Uma comemoração já é demais.

Eu pensei com meus botões e tive uma ideia.

- Peça para meu pai convidar a Camila para jogar golfe e não se esqueçam de dar os parabéns.

- O que você vai fazer?

- Só façam esse favor.

- Tudo bem.

Camz me ligou e eu fui para o apartamento dela. Eu abri a porta com a minha chave e ela estava com a expressão aborrecida.

- Posso dar parabéns? – Ela assentiu. – Parabéns, amor. – A abracei. – Tudo de melhor para você e obrigada por me deixar ficar na sua vida. Eu amo muito.

- Obrigado, Lo. Você não sabe o quanto me faz bem.

- Porque está com essa carinha?

- Amber não me ligou ainda. Acho que ela esqueceu.

- É cedo ainda. – Eu disse, quase matando aquela puta mentalmente por ser tão idiota e não merecer a sorte que tem.

Ficamos trocando uns beijinhos e o celular dela chamou. Era Normani. Depois o telefone de residencial tocou e ela correu para atender, mas era Dinah.  Ela bloqueia e desbloqueia o celular de cinco em cinco minutos. Quando o nome “Amber” piscou na tela, ela quase derrubou o celular no chão para atender, de tão nervosa.

- Oi minha filha... Bem... Sim... Posso... Lógico que vou levar a Lauren... Então não vou... É só isso?... E hoje?... Não. Está tudo bem... Tchau. – Só vi Camila ficar de pé e arremessar o celular contra a parede. 

 

- O que aconteceu, Camz? – Ela foi para cozinha e pegou água na geladeira.

- Não aconteceu nada.

- Como não? Seu celular está estilhaçado no chão.

- Ela nem se lembrou do meu aniversário.

- E porque ela ligou?

- O idiota do seu ex quer pedir ela em namoro e quer que uma das mães dela vá. Só esperou um ano o babaca, mas a Emma não está na cidade e ela queria que eu fosse. Mas ela não quer que você vá. Voltamos ao início deste círculo vicioso. – Eu a abracei e beijei demorado em sua bochecha, ela relaxou um pouco o corpo e pegou meu rosto entre as mãos. – Desculpe se te assustei.

- Não se desculpe. – O meu celular tocou e era minha mãe. Atendi no viva-voz.

- Oi filha. Estamos tentando falar com Camila e não conseguimos.

- Vou passar para ela. – Tirei do viva-voz e ela pegou o celular.

- Oi Clara... Obrigada... Capaz... Sim... Obrigada... Ela me faz muito mais feliz, devo a vida a ela... Sim... Ah... Não sei... – Ela afastou o celular. – Tem problema se eu jogar golfe com seu pai?

- Não, amor. Pode ir.

- Vamos, Mike. Chegou em uns dez minutos, é perto do meu apartamento. Muito obrigado. – Ela me entregou o celular. – Sua família é incrível, mas nunca esqueço o soco no olho que seu pai me deu. – Eu gargalhei.

- Agora ele te venera. O mundo da voltas.

- Eu amei o convite, mas queria aproveitar com você hoje. – Ela disse me abraçando.

- Eu também, mas vai ser legal fazer algo diferente.

- Sim. – Ela beijou minha testa. – Vou pegar meus tacos.

Ela se arrumou, ficando muito sexy com a roupinha do golfe e saiu.

Existem momentos na vida, em que nos curvamos a certas situações, mas hoje eu não consegui fazer isso. Peguei as chaves do meu carro e dirigi até a casa de Amber.

Ela atendeu a porta e eu entrei.

- Nossa. Com licença, mal educada.

- Essa casa é da Camila, todos sabem disso, eu entro como eu quiser aqui.

- O que você quer aqui?

- Olhar nessa sua cara escrota e dizer “Você não merece a mãe que tem.”

- Sai da minha casa, pode mesmo ser da MINHA mãe, mas você não tem direito de chegar aqui e surtar.

- Tenho sim. Cara... Você não sabe como ela se esforçou por você? O quanto que ela só pensou em você a vida dela inteira?

- O que você tem com isso?

- Eu tenho que eu me preocupo com ela. Você não podia fazer isso com ela.

- O que eu fiz de tão grave?

- Você esqueceu a porra do aniversário dela, sua imbecil. Isso que você fez. – Ela ficou séria e olhou o celular.

- Não... Como?... Que merda!

- Sim. Uma enorme merda! Eu te odeio tanto, eu gostava de você, sabia que você era mimada e tal, mas isso ultrapassou todos os limites. Você é o tipo de merda de ser humano que só dá valor quando perde. E nem adianta ligar para ela... Se você se atrever eu conto que vim avisar você.

- Mas eu...

- Não tem desculpa. Sabe quantas pessoas sofrem por terem pais viciados, ou aqueles que trabalham demais e nunca ficam em casa. Sabe o que eles pedem? Uma pessoa como a Camila. Que está sempre lá pra você, sempre pensando em você... Ela nunca me colocou a frente de você, mas você é egoísta demais para notar isso. Queria muito que você fosse um pouco melhor, mas você nunca vai aprender, pensei que depois daquela festa, você mudaria, mas é a mesma egoísta de sempre. Espero muito que a Camila, depois de hoje, mude muito em relação a você. E eu não era uma pessoa que me metia nesse assunto, mas agora vou... Não vou ver o meu amor sofrer por quem não vale à pena.

Eu saí dali com um peso a menos nas costas. Cheguei ao apartamento de Camila e comecei a arrumar tudo, ela é uma fofa romântica e safada, vai gostar da surpresa.

POV Camila

Acertei uma tacada e a bolinha caiu na água... Novamente.

- Você não está concentrada. Aconteceu algo?

- Não. – Ele deu uma taça e a bola caiu no terreno de areia em torno do buraco. – Bela tacada. Acho que vamos acabar o jogo.

- Provavelmente. – Ele caminhou até a bandeira e acertou. Voltando para onde eu estava.

- Gostei da partida. Foi bom distrair um pouco.

- Você não costuma ser fácil de derrotar assim. Alguma coisa aconteceu.

- Sei lá... Só minha filha que se esqueceu do meu aniversário e pelo décimo oitavo ano seguido minha mãe não me ligou. – Ele repousou a mão sobre meu ombro.

- Família complicada?

- Sim. Eu dei um duro danado para manter Amb com todos os mimos e regalias possíveis. Agora estou recebendo minha gratificação.

- Talvez esse seja seu erro. Deu tudo que ela queria e agora ela não dá valor ao que tem.

- Nós tínhamos uma conexão... Quando ela era criança, eu via nos olhos dela que era o mundo dela... Foi isso que me ajudou a não desistir.

- Crianças crescem... Mudam de interesses, mas você é mãe dela. Essa fase é por causa da Lauren. Vai passar.

- Bom que passe mesmo, deixar Lauren não está nos meus planos.

- Isso é muito bom, pois Lauren nunca se entregou tanto a alguém e se você magoá-la... Vou ter que te acertar outro soco. – Levei a mão ao meu olho e ele sorriu. – Agora vamos. Já te roubei demais dela.

Dirigi até em casa, peguei meus tacos e caminhei ao meu endereço. Abri a porta... O chão estava com pétalas de rosa e várias velas, que deixam o ambiente cheirosinho, faziam o caminho até meu quarto. Tirei meu gorro e larguei minha bolsa na porta, tirei o meu suéter Escocês, pois estava calor e caminhei até o quarto.

Lauren estava com um lingerie preto e uma cinta liga da mesma cor. Minhas pernas bambearam, ela estava tão sexy... Ela é uma mulher sexy naturalmente, mas isso dobrou de intensidade hoje.

- Uau... Nossa! Você... Uau. – Ela sorriu com minha falta de palavras com sentido.

- Você disse que não queria comemorar, mas acho que você merece celebrar esse dia. – Eu assenti freneticamente.

Ela me chamou e quando cheguei perto dela, ela colou nossos lábios e me fez virar de costas. Ela fez um coque em meus cabelos e tirou minha camisa. Virou-me novamente e abriu minha calça, a tirando junto com minha cueca, meu pau já estava semi ereto, só de vê-la vestida daquele jeito. Ela pegou minha mão e me levou para o banheiro. A banheira estava com espuma e ela me fez entrar. Enquanto eu escorei minha cabeça na borda da banheira, ela massageava meus ombros e às vezes descia as mãos até minha virilha, mas não tocava meu pau, que já estava começando a latejar.

- Você é tão gostosa... – Ela disse beijando meu pescoço e mordendo meu lóbulo. Levantei da banheira, ela veio com a toalha e eu me enxuguei. – Sente no meio da cama. – Eu corri para o quarto e ela gargalhou. Sentei e fiquei esperando como aquelas crianças que esperam o brigadeiro nos aniversários. Eu ia para frente e para trás. Ela entrou e mexeu na sacola que tinha sobre a cama. Ela tirou duas algemas e me prendeu na guarda na cama, usou duas gravatas para amarrar meus pés. – Gostou do meu lingerie novo?

- Eu amei... Vou rasgar ela toda quando você me soltar.

- Vai?

- Vou?

- O que mais você vai fazer? – Ela disse sentando na minha perna e pude sentir o quão molhadinha ela já estava.

- Sua... Você já está molhadinha?

- Estou... Só de ver esse pau grosso e grande duro pra mim. O que mais você vai fazer?

- Vou te dar um orgasmo tão intenso, que você não vai conseguir nem abrir os olhos depois. – Ela cravou as unhas em minha coxa.

- É seu aniversário... O presente é pra ser seu... Não meu.

- Nós duas ganhamos com isso, baby. Pode ter certeza. – Ela começou a beijar meu peito e meus seios, ela os desceu e chupou minha virilha. – Me solta, amor. Preciso te tocar. – Meus pulsos doíam, pois tentava me soltar a todo o custo... Eu estou enlouquecendo. Ela se deitou sobre mim e me beijou, eu comecei a mexer meu quadril para diminuir um pouco a dor no meu pau. Ela beijou meu pescoço e eu aproveitei que a orelha dela estava perto. – Vamos gostosa... Me solte e vamos deixar essa brincadeira mais interativa.- Sussurrei e mordi seu lóbulo de leve. Ela sorriu e ficou de joelho entre minhas pernas. – Você não vai... – Eu nem terminei a frase e ela já estava envolvendo meu pau com a boca deliciosa dela. Ela estava chupando forte e tentava colocar o máximo do meu comprimento na boca. – Oh céus... Lauren... Isso... – Eu movi meu quadril para cima e para baixo. Eu estava fodendo a boca dela e ela deixou, apenas ficou parada. – Eu vou... Merda! – Eu disse e gozei. Ela me soltou, mas eu estava mole... Toda mole. Recuperei-me um pouco e a deitei na cama, abocanhei a intimidade dela com vontade, enquanto estimulava meu membro com a mão. Ela gemia desconexa e eu estava dando uma atenção especial ao clitóris dela. Após um tempo, meu pau estava duro e ela rebolando loucamente no meu rosto.

- EU vou... – Eu parei. – Camz! – Me deitei sobre ela e a penetrei com tudo. Eu comecei a fodê-la com força e fundo. – Oh merda! CAmz! – Aumentei a velocidade. Ela arranhava minhas costas e eu beijava o pescoço dela. – Camz... – A senti tremer e parei os movimentos, saindo dela. – Camz... Por favor... EU preciso gozar.

- Você vai baby... Como nunca. – Eu a penetrei novamente e comecei a movimentar meu quadril freneticamente.

- Camila... Isso... Oh Céus... Você vai me matar... – Novamente o corpo dela tremeu e eu parei. - CAMZ! – Ela disse desesperada e eu a beijei. Brinquei com a língua dela um pouco e depois a penetrei, ela incrível sentir ela se apertando em torno do meu membro. Peguei os joelhos dela e levantei um pouco suas pernas, para ir mais fundo, eu a estocava com força e as unhas dela cuidavam das minhas costas. – Camz... Eu... OH CAMZ... – Ela tremeu muito e gritou coisas desconexas, apertando meu corpo contra o dela. Mais uma estocada e eu gozei também.  Ela relaxou o corpo e ficou apertando os olhos, com um sorriso no rosto. Respirando como se tivesse corrido uma maratona.

- Está bem?

- Quando eu... Aãã... Não consigo falar. – Eu sorri.

- Melhor aniversário de todos. – Ela abriu os olhos um pouco e beijou minha bochecha.

- Você que me deu um presente... Eu não fiz nada. – Eu beijei a mão dela.

- Você fez, amor. Você se preocupou com tudo, não quis que passasse em branco... Você é maravilhosa. Fez uma surpresa perfeita... Eu só retribui o que estava sentindo. Não gosto de me sentir assim... Envelhecendo. Eu não vou fazer festa para comemorar uma coisa que não me deixa confortável.

- Camz... Você tem que desencanar disso.

- Não dá, Lo. Eu penso todos os dias... Um dia eu vou estar velha e acabada, talvez entrevada em uma cadeira e você vai ter que abandonar tudo para cuidar de mim? Isso é injusto pra você.

- Você cuida da saúde e não vai ficar assim. E se ficar... Eu largo tudo mesmo, porque eu amo você mais que a minha vida e vou amar cuidar de você. Não sabemos o dia de amanhã, pode ser você a cuidar de mim. A vida é cheia de surpresas. – Ela disse e beijou a ponta do meu nariz.

- Você é incrível, baby. Tão madura. – A campainha tocou e ela levantou. Colocou o roupão e saiu do quarto. Voltou com uma caixa de presente e me entregou.

- Deixaram na portaria. Com essa carta. – Abri o envelope e reconheci a letra de Emma.

“Um presentinho pelo seu dia.

Pelo jeito do seu desempenho com sua ninfeta, você deve usar muitos desses, já que comigo você não era tão disposta.Eu voltei mais cedo de viagem e pude presenteá-la. Olha o tamanho da minha consideração.

Feliz aniversário!

(PS: Pessoas com idade avançada não podem tomar muitos, pois afetam o coração.)”

Abri a caixa e tinha uma embalagem de Viagra. Eu sorri com aquilo e Lauren bufou.

- Eu entendo a quem a Amber puxou. – Eu peguei o telefone ao lado da cama e disquei o número da minha antiga casa.

- Alô!

- Passe para Emma, por favor.

- Mãe... Eu queria falar com a Sra.

- Não quero saber, Amber. Só passe o telefone para vaca da sua mãe.

- MÂE! – Ela gritou e eu fiquei esperando.

- Alô.

- Oi vadia de ex-esposa.

- Ah. Oi brocha de ex-mulher.

- Queria agradecer pelo presente... Mas não posso aceitar.

- Porque? Eu fiz até uma dedicatória fofa.

- É porque eu não faço uso disso mais. – Ela ficou em silêncio por um tempo.

- Mais?

- Sim. Eu quero retribuir a consideração de ter lembrado do meu aniversário e te fazer uma surpresa.

- Surpresa?

- Sim. Caminhe até meu troféu da liga do colégio, por favor. – Demorou um pouco e um bip de segunda linha tocou, pois ela pegou o telefone no meu escritório.

- Estou no seu escritório.

- Agora pegue a chave dentro do troféu.

- Peguei.

- Agora abra minha gaveta. - Um silêncio instaurou.

- Não acredito nisso.

- Surpresaaaa!

- Camila... Isso é

- Uprima. Eu sei, três vezes mais forte que Viagra, pois age direto no cérebro. Mas você é uma ótima enfermeira e deve saber disso.

- Eu não acredito nisso.

- Pois sabe... Que ele sozinho não funcionava direito. Liga meu computador e vai ao histórico.

- Só tem pornografia.

- Sim. Eu precisava de um estímulo visual também.

- Filha da puta.

- Sou mesmo. Olha... Emma. Eu não sou do tipo de pessoa que faz essas coisas, mas você não pode me debochar e ofender a pessoa que está comigo. As coisas mudam e o mundo gira, não estamos mais juntas e não precisamos nos magoar mais. Só me deixe em paz...

- Camila... Se essa fase passar... Eu quero você de novo. Eu mandei a lembrança para você acordar, ela não é mulher para você... Ela não é nem mulher.

- Emma... Ela é. Você não tem noção do que estou vivendo e eu estou tão feliz com tudo isso. Eu vou me casar com ela e você vai ter que se conformar com isso.

- Você está indo longe demais.

- Não estou. Eu só estou indo, você está assustada, pois sempre fiquei parada no mesmo lugar.

- Eu... Sinto sua falta. – Eu fechei os olhos e suspirei fundo.

- Você escolheu o Justin. Agora que pode estar com ele... Fique com ele. Tem mais uma última coisa que quero conversar com você. Eu espero muito que você não esteja enchendo a cabeça da nossa filha contra mim... Olha, eu posso ter sido uma bosta de esposa...

- Você não foi. Eu que fui.

- Mas para Amber eu nunca deixei faltar nada. Eu sempre estive ali com ela e ela sempre me venerou, agora até do meu aniversário ela esqueceu. Não faça mais isso, esse golpe é muito baixo até pra você. Ela é nossa filha, né?

- Claro.

- Então não me pinte de péssima mãe, pois sabemos que posso ter sido péssima em muitas coisas, mas em relação a ela... Eu dei meu sangue e suor. Você sabe disso. Obrigado pelo presente e eu vou mandar para o Justin depois a caixa, pois não preciso dela.

- Cretina... – Eu encerrei a chamada e Lauren estava dormindo.

Apaguei as luzes e nos cobri. A puxei para bem perto e ela me abraçou. Dormi sentindo o cheirinho do pescoço dela.

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POV Emma

- Vamos jantar, mãe?

- Vamos. – Eu fechei a gaveta e tranquei, sentei na cadeira de Camila e apaguei o histórico humilhante de pesquisa dela. – Sente aqui, antes. – Ela sentou.

- Algum problema?

- Você sabe como foi no início da minha gravidez?

- Mais ou menos. Mãe Mila só me contava que vocês foram expulsas de casa.

- Pois é. Nos primeiros dias, dormíamos em um colchão velho no chão. Era só o que tinha na casa. O pai de Camila, era um homem muito bom, nunca entendi como ele casou com uma pessoa tão amarga como sua avó, ele deu uma boa quantia em dinheiro para Camila, que soube administrar muito bem e nos proveu até ela receber o primeiro salário. Ela comprou uma geladeira e um fogão. Ela ficava pesquisando as promoções e quando ela conseguiu comprar uma TV quase surtei de felicidade.

- Bem a cara dela. – Amb disse sorrindo.

- Sim. Quando minha barriga começou a crescer, ela conversa com ela todas as noites. Ficava dizendo que um dia montaria o quarto do jeito que o pequeno jogador ou a pequena princesinha quisesse e que ele ou ela seriam muito amados. Nossa... Eu me lembro até hoje o dia que você chutou, eu fiquei emocionada, mas a Camila chorava de soluçar. Ela acompanhou todas as minhas consultas... Tudo de perto e eu não podia dizer um ai, que ela corria comigo para um médico comigo.  – Amber limpou o canto do olho, ela estava emocionada. - No estágio final da minha gravidez, eu não podia caminhar, pois eu tive um pequeno sangramento. Ela foi ao lixão e juntou uns compensados de alumínio. Comprou espumas de colchão e pneus. Ficou a noite trancada na garagem, só a vi no outro dia, com as mãos todas machucadas e uma cara de cansada que dava pena. Ela tinha conseguido um pequeno soldador e fez um tipo de uma carrocinha... Não sei como era o nome, mas era grande e toda estofada. Tinha dois ganchos que ela colocou na bicicleta e todo dias ela me levava, fazia o dobro do trajeto, pois da escola, ela tinha que voltar em casa para me deixar e ir trabalhar.

- Ela é incrível.

- Às vezes debochavam de nós, mas ela não ligava e dizia para eu não me importar. “É por nossa princesinha, precisamos agüentar.” E aquilo me confortava. No dia que comecei a sentir dores, ela me levou para um hotel perto do hospital. Ela economizou pensando nesse dia, precisávamos estar perto do hospital. Ela entrou na sala comigo e ficou segurando minha mão o tempo todo. Quando o médico trouxe aquela pequena trouxinha de panos... Não sei quem chorou mais, eu estava exausta, mas nunca me esqueço do sorriso da Camila naquele dia. – Eu limpei as lágrimas que caíram do meu rosto. – Ela ficou em frente ao vidro do berçário e não importa quem passasse ali, ela apontava para você e dizia “Aquele é minha pequena. Ela é linda, né?” Ela sentiu falta dos pais com ela, ela queria dividir isso com o pai, mas a Sinu nunca permitiria. Meus pais foram ver você, mas eles odeiam Camila e ela não pode conversar com eles. Então... Ela foi para o meu quarto e se deitou comigo na cama e ficou me contando todos os pequenos movimentos que você fazia e até quanto tempo você dormia. Contava para as enfermeiras, que se molhavam pela mãe babona, mas ela nem notava, ela só tinha olhos para você. – Amber estava chorando e eu também, mas ela tinha que conhecer a Camila como eu conheço. – Você foi crescendo e quando diziam que você tinha os olhos dela, Camila quase chorava, pois você era ruivinha, mas com um ano e com os traços definidos, era parecida com ela. Ainda é, tem os olhos, o nariz e a boca perfeita dela. Tudo que você queria era lei na nossa casa. Os nossos pais te levam para passear, mas não conversavam com a gente. No seu aniversário de um ano, tínhamos nossos amigos de colégio, Normani, Dinah e Justin. Naquela época não rolava nem flertes entre nós. Você disse que queria uma festa da branca de neve. Ela ficou sem dormir várias noites, pediu ajuda para os nossos amigos, mas Dinah e Normani tinham assumido relacionamento e os pais não conversavam com elas. E o Justin estava sem mesada, pois tinha dormido com a amante do pai dele. Ela teve que pedir para o pai, só que Sinu tinha seguido Alejandro e disse que se separaria dele se ele emprestasse dinheiro. Mais algumas noites sem dormir, tentei falar com meus pais e eles nem me atenderam, então... Camila vendeu a bicicleta, o celular, a lavadora de roupas e a TV. Conseguindo fazer sua festa. Você ficou tão feliz... Convidou os amiguinhos do bairro e nós duas viramos a noite fazendo os salgadinhos e brigadeiros. O bolo ela encomendou e você ficou eufórica quando ele chegou, ele era personalizado e tinha a branca de neve e os anões. Na festa você estava correndo e brincando com seus amiguinhos. – Eu fechei meus olhos, pois me lembro da sensação até hoje. – Ela me abraçou por trás e sussurrou no meu ouvido “Conseguimos parceira.” Beijando meu ombro em seguida. Esse foi um dos sacrifícios que fizemos, mas você não sabe, pois Camila nunca deixou que abríssemos o jogo com você da nossa real situação. Até seus quatro anos foi assim, aos trancos e barrancos, mas ela conseguiu. O pai dela deu um emprego para ela na empresa dele, o que causou a revolta de sua avó, mas ele não conseguiu ver Camila. Nem eu... Ela estava muito magra, vivia com tontura e enjoada, pois deixava de comer muitas vezes para que nós duas não passássemos fome. Ela estava ficando branca e seu avô a levou no medico e obviamente, ela estava com anemia, com o sistema imunológico baixíssimo. Ela foi medicada, mas demorou para elevar o número de plaquetas dela. Ela não pediu mais ajuda para o pai depois do seu aniversário, aliás... Ela só pediu ajuda no desespero para seu aniversário. Esses são só alguns dos sacrifícios que ela fez por nós duas... Muito mais por você. Depois que estávamos em uma situação melhor, ela nunca deixou faltar nada, mas começou a guardar dinheiro. O seu avô dava um salário bom para ela, ela revisava relatórios e dava várias idéias. Tinha aquilo no sangue. Foi então que eu pedi ajuda para fazer faculdade e ela nem pensou, me ajudou na hora. Começou a trabalhar em casa para cuidar de você e eu... Eu vi um mundo diferente. Tinha amigos, festas e paqueras. Coisas novas e fascinantes para mim. Eu mudei muito depois que comecei a faculdade, fiquei egoísta e nem pensei que só estava lá por causa de uma pessoa, se não fosse Camila, não tinha feito nada. Justin é um manipulador, não que eu não tenha culpa, mas ele sabia o meu ponto fraco... Dakota. Não nos víamos há tempos, mas ele sabia a usar contra o meu ego. Agora eu estou aqui... Arrependida por ter perdido uma pessoa incrível e encontrou alguém que, por mais que seja difícil de aceitar, dá o valor que Camila merece. Lauren não é a vilã, Camila não é a vilã... Eu sou a vilã, me odeie, Amber, mas não seja mais injusta com a pessoa que mais te ama neste mundo. Ela nunca questionou sua existência, eu fiz isso, culpei você por não poder ficar com Justin, mas agora eu sei que fui uma bosta de mãe e estou tentando arrumar as coisas. Tanto que nem estou mais com ele, vivo para o trabalho e para você. Até a casa está com jeito de casa.

- Sim. – Ela sorriu enxugando as lágrimas.

- Pare de ser indiferente com ela, Amb. Ela não merece isso. Ela é sua melhor amiga desde que você estava na minha barriga. Todos diziam que ela não seria uma boa mãe, pois era atrapalhada e desligada das coisas, mas ela foi e é a melhor mãe do mundo. Você tem sorte.

- Mãe... Essa história é maravilhosa, mas ela está muito irritada comigo. Eu esqueci o aniversário dela.

- Você vai saber como reconquistar ela. Ela venera tudo que você fala... Não tem Lauren que possa competir com você.

- Não sei, mãe. Eu errei tanto com ela.

- Tente. Só tente. – Ela caminhou até mim e me abraçou.

- Você está se saindo bem.

- Obrigada. – Eu disse acariciando os cabelos dela. – Vai logo conversar com ela. Já aproveita para atrapalhar o sexo delas. – Ela gargalhou.

- A sra está muito complexada.

- É a vida, Amb. Só dei valor quando perdi... Não faça como eu.

Ela assentiu e saiu do escritório. Olhei para o papel de parede dela, eu e Amber estávamos sentadas no cais do porto, o sol estava se pondo. Lembro que nesse dia, Camila sentou ao meu lado e pegou minha mão e disse “Você me deu o maior tesouro da minha vida. Obrigado.” Depois beijou minha mão e eu abracei a cintura dela. Se eu fechar os olhos... Consigo sentir meu coração batendo tão forte que eu sentia uma pressão em meus ouvidos.

POV Camila

O telefone tocou e eu estiquei o braço pra atender, era tarde.

- Alô?

- Oi Sra. Cabello. É o Fred. – Fred era o porteiro do meu prédio.

- Oi Fred. Tudo bem?

- Sim... Bem, sua filha está aqui. Posso a deixar subir?

- Minha filha?

- Sim. A ruivinha é sua filha... Ou a Senhora tem mais filhas?

- Não. Só ela. Mande-a subir. – Coloquei uns travesseiros para Lauren abraçar, mas ela resmungou alguma coisa. Vesti uma roupa e fui lavar meu rosto. Prendi meus cabelos e a campainha ecoou. Lauren estava ferrada no sono.

Caminhei até a porta e a abri. Amber atirou o corpo contra o meu e chorava compulsivamente.

- O que houve, filha? – Ela me apertou mais contra ela. – O que houve Amber? Fala com a mamãe.

- EU sou um monstro, mãe. Eu não sabia... Perdoa-me... – Ela se ajoelhou na minha frente. – Por favor... me perdoa. – Eu a peguei pelos braços e a levantei.

- Não precisa ajoelhar. Está tudo bem.

- Não mãe... Eu sou terrível e você é tão boa... Você fez tanta coisa. – Ela começou a chorar de novo e eu a peguei no colo, a colocando na cama dela. Sentei ao lado dela e fiquei acariciando os cabelos dela.

- O que aconteceu?

-Só percebi que não mereço a sorte que tenho. – Ela me abraçou novamente. Foi difícil até acalmá-la e ela dormir. Na verdade, eu tive que usar um truque de quando ela era pequena, eu acariciava da testa até a ponta do nariz de leve quando ela se machucava. Tirei os tênis dela e a cobri. Lauren estava escorada na porta e eu a peguei no colo, a levando para nosso ninho e tranquei a porta.

- O que aconteceu?

- Não sei. Mas acho que alguém sabe. – Peguei o telefone e liguei para Emma.

- Alô.

- Obrigada, vadia de ex-esposa.

- Disponha, brocha de ex-mulher. – Eu desliguei e me aninhei a Lauren.

Ficamos nos beijando, quando dei por mim, já estávamos fazendo amor, contendo os gemidos e trocando mais juras... Aquelas juras que eu pretendo cumprir até o fim. 

Acordei e Lauren estava agarrada a mim. Virei-me e comecei a beijar o pescoço dela, colei bem nossos corpos e apertei a bunda dela. Ela se remexeu e eu fiquei beijando a orelha dela e mordi de leve o lóbulo. Ela apertou minhas costas e começou a beijar meu pescoço.

-Vamos respeitar a Amber.

- Você fala isso aqui. É pouco firme com ela, por isso ela faz o que quer com você.

- Ela é minha filha.

- Eu sei. Eu sempre recebi muito amor do meu pai, mas isso não me impediu de levar umas boas palmadas quando necessário. Não me matou...

- Eu sou diferente.

- Eu sei, mas não pense que vou ser ausente como a Emma quando tivermos nossos filhos, você não vai mimá-los ao ponto de deixar eles como a Amber.

- Como a Amber é? – Eu disse me levantando.

- Mimada e egoísta. – Fui para o banheiro e tomei um banho. Quando voltei para o quarto, Lauren estava arrumando a mochila.

- O que está fazendo?

- Arrumando minha roupa.

- Por quê?

- Porque eu vou para casa?

- Por quê?

- Não quero brigar com você e sinto que estamos bem perto disso.

- Não vamos brigar, mas você está falando da minha filha.

- Estou falando a verdade.

- Mas ela é minha filha. – Lauren arqueou uma sobrancelha e começou a se vestir.

- Melhor tomar meu banho na minha casa.

- Lauren... Vamos conversar.

- Não. Não vamos, Camila. Não acredito que estamos tendo essa discussão. Eu estava aqui com você, sempre... Eu me preocupei, eu fiz uma comemoração... Esquece. Fique com sua filha e espero que ela não vá embora cedo desta vez. Não me procure se isso acontecer.

- Hey baby. Se acalme. – Eu disse a abraçando forte e ela ficou parada.

- Eu sei qual é o problema. Eu sou como você é com ela. Estou sempre aqui, faço tudo e qualquer coisa para te ver bem, mas você sempre a coloca na minha frente. Se ela fosse uma filha boa com você, eu entenderia e acharia natural... Mas Amber não é mais sua garotinha e precisa entender isso. Vocês duas precisam.

- Olha... Eu não posso brigar com você, baby. Eu já não funciono direito sem você... Eu só não sei como agir com ela... Eu só vivia pra ela e sinto falta dela. Eu sinto muito falta dela... – Eu me segurei pra não chorar. – Eu não sei o que fazer.

- Seja firme... Você administra uma empresa enorme, faz funcionários choraram... Você pode ser uma mãe de pulso firme, Camila. Você consegue.

- Só se você me ajudar... Não ameace ir embora de novo. Eu me quebrei em pedaços só de imaginar você indo.

- Só quero o se bem.

- Eu sei disso, baby. – Eu selei nossos lábios e ela foi tomar banho.

Caminhei até a cozinha e Amber estava sentada nas espreguiçadeiras da cozinha. Fui até lá.

- Bom dia, mãe.

- Bom dia. Acordou cedo.

- Vocês fizeram um pouco de barulho.

- É fizemos. – Eu disse orgulhosa. – mas estou na minha casa, não?

- Sim. Não estou reclamando.

- Amber, não vou mentir pra você. Eu ainda estou muito magoada, você me humilhou e me abandonou. Isso não se faz com alguém que só te deu amor e regalias.

- Eu sei disso, mãe. Estou tão arrependida, mas essas coisas não se falam, se provam e se você... - Lauren chegou e sentou entre minhas pernas. E eu a abracei. - Me der a oportunidade de conviver com você, vou te poder te provar.

- Tudo bem. Não me importo que nos visite. - Ficamos em silêncio por um tempo.

- Vou fazer um café para nós. - Amber falou e foi para dentro de casa.

- Eu disse...

- Eu estava escutando.

- Hum... - Eu beijei o pescoço dela várias vezes. - Me saí bem?

- É... Mais ou menos, mas você vai aprendendo com o tempo. - O telefone tocou e Lauren levantou, mas sentou novamente. - Amber foi atender. - Eu puxei ela pela nuca e comecei um beijo sedento. Ela levou uma mão a minha nuca e a outra ela repousou na minha coxa. A apertando de leve.

- Mãe. - Nos separamos e eu me virei. - O Chris quer falar com você. - Caminhei até ela e peguei o telefone.

- Fala meu pequeno nadador.

- Tia Camz! - Me sentei e puxei Lauren para perto. - Mama e papa vão num... Calma, eu vou falar... - Ele disse e eu consegui ouvir Tay falando. - Eles vão num almoço muuuuitoooo chato... Leva a gente pra sua casa? Por favorzinho! Espera que a taytay vai falar. Toma.

- Por favorzinho!

- Sua mãe ou seu pai sabem que vocês estão ligando?

- Não. Você deixou o cartão com nós e ligamos. Por favorzinho.

- Vou conversar com a irmã de vocês e já resolvemos. Fiquem na linha e peçam quando eu falar. Os dois juntos.

- Tá. - Chris disse e eu escorei o telefone no ombro.

- Seus pais vão almoçar fora e os meninos querem vir aqui.

- Camz... Esses são outros que você está estragando.

- Ai amor. Por favorzinho! - Coloquei no viva voz. - Peçam meninos.

- Por favorzinho Laur.

- Vocês não têm jeito. Os três. Vou falar com a mama.

Aeeeeee! - Comemoramos juntos e ela sorriu. 

- Já vou pegar vocês, pequenos.

- Até tia Camz. 

- Nem acredito que vou ficar com os pequenos. Vou colocar as proteções na tomada. E fechar os trava janelas.

- Eu vou ligar para minha mãe.

Ela começou a discar e eu a organizar a casa. Olhei os armários, teria que passar no mercado. Amber estava pondo a mesa e Lauren entrou na cozinha.

- Ela deixou e disse que você vai ter problemas se continuar mimando eles desse jeito.

- Mas eles só vão passar o dia comigo.

- Conosco.

- É. Conosco.

- Está pronto. Podemos comer? - Eu assenti e nos sentamos a mesa. Ficamos em silêncio, mas o café e as panquecas estavam muito boas.

- Está muito bom, filha. Aprendeu a cozinhar?

- Algumas coisas. Mãe Emma me ensinou umas coisas simples.

- Está muito bom mesmo. - Lauren me chutou por baixo da mesa. - Só demorou 18 anos para aprender a se virar um pouco. - Amber tirou o sorriso do rosto.

- Pois é.

Depois que terminamos, ela foi lavar a louça. Nos arrumamos, Lauren foi para o carro e eu na cozinha.

- Filha, vamos buscar os irmãos da Lauren. Quer ir conosco?

- Não, mãe. Vou tomar um banho.

- Vou ao mercado. Quer alguma coisa?

- Não. Obrigada. - Eu queria ir até ela e abraçá-la, pelo embalar dela, ela estava esperando isso, mas tive que conter meus instintos.

- Te vejo logo. - Eu disse e sai.

Fomos ao mercado e depois pegamos os pequenos. 

Eles correram até o apartamento, Lauren e eu ficamos para trás com as sacolas. Eles correram para o sofá onde Amber estava assistindo TV.

- Oi Amb.

- Oi Chris. Oi Tay.

- O que você está fazendo aqui?

- A casa é da minha mãe. - Colocamos as sacolas na mesa e Lauren colocou o dedo na boca, para não fazermos barulho e escutar a interação.

- A Camz é sua mãe?

- Camz?

- Sim. A namorada da nossa mana. - Tay disse.

- A tia Camz é incrível, ela é nossa melhor amiga e brincamos muito. Você tem sorte de ter uma mãe tãoooo legal.

- Sim. Muuuuita sorte.

- Tenho sim.

Lauren me abraçou e eu retribui.

- Sabe... Eu quero muito ter filhos com você, mas quando a casa fica assim, cheia, lembro que não podemos nos aproveitar tanto. Na real, eu amo seus irmãos e acho legal a Amber estar aqui, mas eu queria estar agarradinha com você na nossa caminha.

- Tentador... Nós poderíamos estar fazendo amor... - Eu gemi baixinho.

- Nem me fale... - Eu a puxei pela nuca e começamos a nos beijar.

- Uhuuuu beijando... - Taylor disse e nós nos afastamos bruscamente. 

- Tay. Nos respeite.

- Desculpe. - Ela disse com a cabeça baixa.

- Hey pequena. Está tudo bem. - Eu a peguei no colo.

- Queremos jogar com você, tia Camz.

- Huum. Olha... A linda da nossa rainha master...

- A mana Laur.

- Isso. Ela vai fazer hambúrgueres...

- Sério?

POV Lauren

- Sim. E isso dá muito trabalho, não vou deixar ela sozinha. Mas depois que organizarmos as coisas... Eu vou jogar com vocês. Pode ser? - Amber entrou na cozinha e ficou encarando Camila, encarou tay por muito tempo. Camila foi para sala e Amber ficou na cozinha comigo.

- Eles são muito próximos?  - Amber perguntou.

- Sim. Camila é louca por eles e eles a veneram.

- Você... Não se ofenda. Mas... Você está grávida?

- Não. Não estou.

Depois disso, Camila entrou na cozinha e começamos o pré preparo dos hambúrgueres. Todos dizem que estou grávida, mas não estou. Até que não seria má ideia, mas ainda não. Camila tem muitos problemas e não quero dobrar as preocupações dela.

Depois de tudo quase pronto, Camila foi para sala com meus irmãos e ficamos arrumando a mesa. Só conseguimos ouvir a gritaria e as gargalhadas deles na sala.

Entramos na sala e Camila estava dançando no jogo de videogame com Tay. Camila é perfeita em muitas coisas, mas dançando... É uma negação. Mas ficava tão fofinha tentando... Ai. Eu ficava apaixonada a cada vez que ela respirava.

- Meninos! Vão lavar as mãos. - Meus irmãos foram ao quarto de Camz, eles só usam o banheiro dela. Camila me abraçou e me ergueu.

- Olha... Se não é a mulher mais linda do universo. - Abracei o pescoço dela.

- Você é uma boba. - Amber saiu da sala, ficando perto da piscina.

- E não é pra ser boba? Com uma mulher linda e maravilhosa, que diz todos os dias que me ama e puxa minha orelha quando eu preciso. Tenho que ser a maior bobona do mundo.

- Você é um caso sério, Camz. Não existe pessoa mais fofa nesse universo. Amo tanto você.

- Também te amo muito.

Nos beijamos, ela me escorou na guarda do sofá e alisou as laterais do meu corpo, as repousando na bunda  e apertando forte. Arranhei as costas dela.

- As crianças, Camz.

- Você me enlouquece.

- Estamos quites. Vai trocar essa roupa, você está suando. Coloque uma regata e uma bermuda.

- Arruma pra mim. - Eu caminhei até o quarto e os meninos estavam mexendo na coleção de gibis da Camila.  

POV Camila

Fiquei escorada no sofá, observando a Lauren ir até nosso quarto. Ela caminha tão graciosamente que parece estar caminhando sobre as nuvens.

- Vocês estão muito apaixonadas.

- Sim. Eu a amo.

- É estranho eu ficar aqui. Acho melhor ir embora.

- Olha minha filha. No começo vai ser estranho e desconfortável, mas vamos conseguir. - Eu a abracei. Ela me apertou tão forte, que quase não consegui respirar.

- Sua roupa está na cama. - Lauren disse e eu beijei a testa de Amber.

- Vamos conseguir. - Ela Assentiu. - Fique conosco e almoce.

- Tudo bem.

Caminhei até o quarto e troquei de roupa no banheiro, pois os irmãos de Lauren estavam vendo minha coleção de quadrinhos.

Depois do almoço, os meninos deitaram no sofá e Amber foi para casa. Sentei na poltrona e Lauren sentou no meu colo. Não podíamos deixar os gêmeos sozinhos.

- Foi bom meus irmãos terem vindo hoje.

- Sim. Esses pequenos são incríveis.

- Não só por isso, mas Amber ficou com ciúmes. Ela notou que não é mais a única na sua vida, que você está cercada por pessoa que te amam muito.

- Talvez. Mas ela não parecia estar com ciúmes.

- Mas ela ficou. - Eu me virei para ela e mordi de leve o queixo dela. - Posso perguntar uma coisa estranha?

- Pode.

- Como a Emma contou para você que ela estava grávida?

- Nossa... Essa eu pensei que você nunca iria perguntar. 

- Eu disse que era estranha.

- Bom...

Flashback On

Estava sentada no quiosque da escola. Justin estava com Dakota e Normani com Dinah. Eu estava olhando para o portão, esperando Emma chegar. Nossa primeira vez aconteceu há dois meses, depois disso ficamos muito próximas, do tipo casal meloso mesmo.

Ela cruzou o portão e eu sorri, mas ela não estava com o sorriso habitual. Ela me deu um selinho e sentou entre as minhas pernas. Tínhamos um tipo de mania, eu passava meus braços por baixo dos dela e ficava com as palmas para cima. Ela ficava batendo nas minhas e as virando conforme as batidas, mas hoje ela batia as vezes é não brigava comigo quando eu não virava a mão.

- Está tudo bem, gata? - Eu perguntei e ela se virou para mim, sentando em meu colo e me abraçando forte.

- Nada de sexo. - Dinah disse e todos riram.

- Está bem? - Eu perguntei de novo e ela negou. - Quer conversar?

- Precisamos. - Ela levantou e caminhamos de mãos dadas até o muro. - Mila.... Acho que nos equivocamos.

- Está terminando comigo?

- Não. Equivocamos sobre sua condição. Fiz quatro testes de farmácia e todos deram positivo. Eu acho que estou grávida.

- Grávida?

- Sim. Eu fiz um exame de sangue no posto e fica pronto hoje à tarde. - Ela começou a chorar. - Desculpe.

- Não peça desculpas. Você não é culpada. - Eu a abracei forte. - Vamos ficar bem.

Fomos ao posto e novamente positivo.

Flashback off

- Depois disso fomos contar aos pais dela, a mãe dela me deu um tapa na cara e o pai me atirou para fora. Quando contei para os meus pais, a reação não foi diferente, minha mãe me jogou tudo que encontrou, de cinzeiros a vasos de flores.

- Nossa... Que barra.

- Mas tudo ficou bem. - Eu a beijei. - Está perguntando por que quer me contar sobre o pequeno Cabello que está aqui. - Falei tocando a barriga dela e ela ficou vermelha.

- Não camz. Só fiquei curiosa. 

Ficamos assim abraçadas até o Sr Jauregui vir pegar os gêmeos.



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