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História Sweetener - Capítulo 10


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Notas do Autor


desculpem a demora to sem net em casa :((
prox cap é o ultimo ein cabeçudesss

Capítulo 10 - Meu namorado


Youngjae acordou com uma feliz sensação de liberdade. Era como se sua mente fosse sua novamente, assim como o corpo; sentia-se dono de si mesmo agora que o cio o deixara apenas com as lembranças dos dias que se passaram. Com um preguiçoso bocejar, espreguiçou-se e coçou a barriga ao levantar da cama agora vazia. Seus olhos automaticamente procuraram Jaebum, mas sem sinal do mais velho decidiu ir logo escovar os dentes e tomar um banho. Talvez tenha demorado mais que o necessário nos dois atos, entretanto a calmaria de não estar pensando sobre qualquer coisa ligeiramente sexual com o mínimo estímulo lhe deixava contente — era verdade que Youngjae não achava o cio a melhor das experiências, apesar dos pesares.

Depois que saiu do banho, escolheu qualquer calça e vestiu-se. Com o peitoral nu e os fios molhados, rumou até a cozinha descalço ao sentir o inconfundível cheiro de ovos sendo fritos. Mark não cozinhava para si pela manhã desde que brigaram sobre a quantidade de pimenta que ele colocava nos ovos, e o amigo ainda estava fora, de qualquer forma, então sabia bem que não era ele. Com um sorrisinho no rosto, Youngjae não precisou estar no cômodo para saber que era Jaebum que lhe esperava ali, mas ainda sim sentiu a sensação de descobrimento quando encarou as costas bonitas lhe cumprimentarem inicialmente visto que seu dono estava virado para o fogão. Ele usava apenas um short seu que provavelmente encontrou largado, e os fios estavam ligeiramente úmidos também. A cor dele estava tranqüila, amena e parecia vibrar feliz.

Aproximou-se silenciosamente, ainda que isso fosse idiotice visto que seu cheiro certamente o alertara, e abraçou-o pela cintura. Jaebum soltou um risinho, mas não lhe desejou nada além de um bom dia baixo. Youngjae retribuiu algo parecido, murmurando contra a pele dele, cheirosa em uma mistura de chocolate amargo, morangos e seu hidratante de ameixa, logo beijando-a como um verdadeiro cumprimento. Enquanto o mais velho movia-se ligeiramente para pegar mais ovos ou sal, o Choi acompanhava-o para lá e para cá, não desgrudando de sua cintura, o que o deixava com um sorrisão nos lábios. Jaebum certamente sabia controlar suas expressões quando precisava, entretanto a felicidade simplesmente irradiava de si quando ela vinha muito intensamente, e naquele momento não poderia estar sentindo nada além disso. Ao que terminou de fritar os ovos, arrastou consigo Youngjae para a pequena mesa na cozinha.

— Eu vou comer sentado no seu colo, é? — Perguntou ao que não foi solto.

Sentiu o riso dele contra sua pele.

— É uma ideia agradável.

Beliscou levemente a mão de Youngjae, que como resposta lhe mordeu parte das costas. Jaebum as arqueou, tentando escapar, então o alfa o deixou ir com um risinho preso nos lábios.

— Você que começou. — Foi logo se defendendo o Choi, sentando-se à mesa.

Com um rolar de olhos ligeiramente exagerado, Jaebum assentiu e imitou os atos dele. Não tinha cozinhado nada muito elaborado, mas provavelmente era o café da manhã mais completo que Youngjae tivera em anos. Depois que Mark parou de cozinhar o pouco que eram os ovos, ele lembrava-se apenas de meter uma colher de cereal na boca, pegar seu café e sair correndo para a faculdade. Poderia muito bem acordar mais cedo e servir-se sozinho, entretanto gostava da idéia de ter mais vinte minutinhos para descansar; comer aconteceria eventualmente pelo dia, dormir, não. Mas Jaebum certamente não pensava como si, ele era um homem que gostava dessas pequenas coisas, de tomar seu café da manhã, de ter tudo dentro de seu pequeno, mas confortável, controle, e Youngjae achava isso simplesmente adorável.

— Desculpe, não tenho o chá que você gosta. — murmurou, comendo um pedaço de pão.

Jaebum deu de ombros, sorrindo. Ficou feliz por Youngjae se lembrar dessas coisas.

— Não faz mal, posso comprar no caminho para a empresa. — Serviu-se de um pouco de café. — Ao contrário de você, meus dias de folga acabaram.

— Ainda não acredito que mentiu para ganhar esses dias ao meu lado. — Youngjae soltou um risinho.

— Não menti, — Jaebum retorquiu imediatamente. — só omiti alguns fatos.

— Sim, mentiu.

O mais velho lhe fitou impaciente, arrancando mais uma onda de risinhos de Youngjae. Seria complicado realmente explicar, mas isso soava engraçado porque o Choi, desde o começo, o viu como alguém extremamente certinho e chato; cabelos cheios de gel em um topete, óculos e um terno bem passado demais. Ao que o conheceu melhor, tal impressão não foi embora totalmente, mas confessava que ela tinha se atenuado por causa de momentos como esse, onde Jaebum fazia de tudo para garantir que as pessoas a sua volta estariam bem. Era uma qualidade de se admirar, realmente, a forma como ele conseguia deixar de lado suas morais em prol de fazer um gesto bondoso. A verdade é que Youngjae não sabia como agradecê-lo por isso, não com palavras, então ria para espantar a vergonha e focava-se em uma explicação que lhe parecesse mais fácil de admitir.

— E Mark? — O Im resmungou, passando manteiga em uma torradinha.

— Volta hoje de noite, ele e Jackson fizeram mais planos do que os dias puderam agüentar e vão se atrasar um tantinho. — Suspirou, sentia saudade dos amigos.

— Você não deveria tê-lo deixado ir, ficar sem supervisão foi idiota.

Youngjae fez uma careta. Já tinha ouvido esse mesmo sermão do mais velho várias vezes, tantas que talvez soubesse cada argumento dele.

— Sei bem disso, mas não sei se você gostaria de ter Mark no quarto ao lado te ouvindo gemer, gostaria?

Jaebum corou, entretanto não se deixou abalar.

— Você não teria como saber que eu viria, então continua uma atitude idiota tê-lo dito para ir.

— E se não tivesse vindo, eu teria ficado igualmente bem. Talvez paranóico e necessitado, mas bem. — murmurou, mordendo mais um pedaço do seu pão. Jaebum riu. — O que foi?

— Imagino bem você necessitado depois de passar o cio sozinho, batendo na porta da minha sala.

— Ora essa, o pervertido de nós dois se mostra novamente você, Senhor Im. — Youngjae também riu. — Você fala tanto de nos encontrarmos em sua sala com um contexto sexual implícito que eu já considero isso como um fetiche.

— Me dê esse encontro de presente de aniversário. — Ele desafiou, sorrindo de lado.

Um brilho igualmente malicioso passou pelos olhos de Youngjae, que apenas assentiu, mantendo-se quieto sobre a provocação. Voltaram a conversar sobre um assunto bobo, e depois o Choi logo apressou Jaebum para ir se arrumar porque não queria que ele chegasse atrasado. Cuidaria da cozinha sozinho, afinal o mais velho já tivera o trabalho de cozinhar para os dois. Quando pronto, o Im voltou-se para Youngjae apenas para se despedir, entretanto acabou sendo acompanhado até a porta do prédio, onde tinha deixado seu carro estacionado. O Choi não se importou de estar sem blusa no meio da rua, era realmente cedo; Jaebum, entretanto, ficou um tanto constrangido, como se a nudez dele em lugares públicos realmente o despertasse algo. Youngjae não deixou essa passar, o provocou a todo o momento.

— Certo, estou indo. — disse entredentes, envergonhado. O mais novo ainda ria. — Eu estou apenas envergonhado por você, como pode sair assim de casa, sem ter a ansiedade de se cobrir? Não fique tirando conclusões!

— Deuses, homem, estou apenas vindo me despedir do meu namorado, não aja dessa forma. — resmungou rindo, selando os lábios de Jaebum ao abraçar o pescoço dele. — Não seja ciumento, ou pervertido, não sei bem como você se encontra nesse momento.

Jaebum o fitou por alguns segundos depois que tais palavras escaparam da boca de Youngjae, que não realmente pareceu ter notado que as disse. O fitava com carinho, e um sorriso ameno despontou em seus lábios. Tão perto, roubá-lo todos os beijos do mundo era fácil, e sentiu por um momento que poderia gastar sua vida toda o fazendo. Aquelas palavras eram uma confirmação de algo que o Im estava com medo de perguntar desde que decidiu aparecer ali no cio do mais novo, então ouvi-las assim, livres, espontâneas, imediatamente tirou um peso de seus ombros ansiosos. Roubou apenas um selar dele, esse muito mais doce.

— Posso te visitar quando sair do trabalho?

— Já está com saudades? — Youngjae encontrava-se muito brincalhão naquela manhã. — Claro que pode, vamos pedir pizza.

— Se bem que Mark vai voltar, e Jackson provavelmente virá junto... Você está com saudades, não é? Eu posso vir outro dia.

Youngjae negou, sorrindo igualmente doce.

— Venha, vamos pedir pizza. — Reforçou suas palavras.

O Im sorriu, assentindo. Despediu-se rapidamente de Youngjae, antes que realmente o roubasse mais beijos, e foi embora.

***

— Escuta aqui seu produto importado da China...

Youngjae tinha acabado de voltar à cozinha quando ouviu Mark azarar Jackson de todas as formas possíveis. Assim que chegou ao cômodo, encontrou Jaebum olhando para os lados como se desejasse não estar no meio daquela discussão, o que o fez rir baixinho. Passou por baixo do braço dele, abraçando-o de lado pela cintura, fitando a cena com um olhar curioso. Mark apontava o telefone fixo para Jackson de forma ameaçadora enquanto o chinês, finalizando a pizza horrenda de abacaxi que tinha pedido, estava sentado na mesa rindo alegremente sobre algo. A cena era tão típica para Youngjae que ele sequer se importou de ser algo sério ou não, mas Jaebum não era habituado às discussões bobas dos dois alfas.

— O que foi? — Perguntou ao amigo, sentindo o Im abraçá-lo pelo ombro.

— Jackson, esse idiota, ele...!

Mark se calou de repente e se fosse possível fumaça estaria saindo das orelhas dele, como um desses personagens de desenho. O olhar de Jackson sobre ele o deixava cada vez mais vermelho, o sorrisinho de lado um tanto prepotente também não ajudava muito a melhorar a situação. Só analisando essa cena, sem contexto algum, Youngjae conseguia dizer que Mark provavelmente estava morrendo de vergonha de algo que Jackson tinha feito, ainda mais por ter acontecido na frente de Jaebum. Apesar de que isso talvez pudesse soar óbvio, o Choi não realmente sabia.

— Hyung, desembucha, eu estou curioso.

— Mark começou a falar da garota que foi pedida em namoro hoje no campus da faculdade, — Foi Jackson que respondeu, ainda fitando o Tuan. — e disse que não sabia se iria gostar de ser pedido em namoro dessa forma, na frente de todo mundo. Você sabe, ele é envergonhado. — Provocou, e Youngjae ouviu um silabar, como o de uma cobra, escapar de Mark. — E aí eu disse “que bom que você disse que não iria gostar, assim eu posso fazer um pedido mais simples e não errar”.

Youngjae soltou um risinho. Mark estava prestes a matar os dois de tão envergonhado, só não permitiu-se dizer nada mais feio do que provavelmente já tinha dito porque Jaebum estava presente.

— Pode rir, seu traidorzinho. — resmungou, cruzando os braços, devolvendo o telefone para o gancho. — Quando você for dormir, eu estarei lá pronto com uma faca.

— Não seja infantil, Jackson só está prezando pelo pedido perfeito. — Youngjae começou a puxar Jaebum para a sala ao notar que Mark avançou um passo em sua direção. — Se resolvam, eu e o hyung vamos ficar esperando, ok?

O mais velho ainda sustentava uma expressão confusa quando se deixou ser puxado por Youngjae, entretanto não disse nada. A casa ainda cheirava a pizza, principalmente a sala, onde mais cedo estavam assistindo filme. Foi a primeira vez que Jaebum realmente tivera a chance de conversar com Mark e Jackson, conhecê-los realmente, e apesar das provocações e brigas um tanto sem sentido, eles eram duas pessoas legais, estranhamente parecidas, apesar de não realmente parecerem ter muita conexão logo de inicio, e carismáticas. Também eram protetores com Youngjae, que por ser mais novo era o mais mimado, entretanto essa proteção não passava muito do comum entre amigos. O trio irradiava uma energia confortável, como se a amizade de anos deles pudesse ser compartilhada por alguém de fora sem muitas dificuldades.

Youngjae bocejou quando se acomodaram no sofá, logo colocando uma perna sobre a sua. A relação de ambos tinha progredido consideravelmente por causa dos dias que passaram grudados, mas continuavam um tanto que bobos e envergonhados como sempre, ainda descobrindo coisas que gostavam um no outro. O Choi voltara a ser aquele alfa racional e cuidadoso, entretanto Jaebum notou que ele estava mais manso, menos inseguro e ansioso. Não sabia se isso era porque tinha garantido a ele várias e várias vezes que o que sentia era verdadeiro, mas estava contente em ver que não tinham mais aquela muralha para destruir. As coisas eventualmente se ajeitaram com o tempo, mais conversas e beijinhos da parte de ambos, contudo ver que estavam caminhando na mesma página era reconfortante.

— Será que eu posso faltar amanhã no trabalho, senhor? — Youngjae perguntou sonolento, deitando a cabeça no braço de Jaebum.

— Não sou seu chefe, já disse. — murmurou, vendo-o rir. — Uma semana de folga e ainda quer mais, Choi?

— É só o sono. — Bocejou novamente. — Amanhã vou estar novinho em folha, você vai ver.

— Vou pedir seu café sem açúcar.

Com um sorrisinho, Youngjae levantou a cabeça para encará-lo.

— Não seja tão fofo, eu posso me apaixonar.

Jaebum rolou os olhos, fazendo-o rir mais um pouco.

— Quem diria, você é o meloso da relação agora!

Depois de rir mais um pouco, Youngjae suspirou contente e deixou-se relaxar ao lado do mais velho, que quase ronronou ao sentir o cheiro de canela do alfa se expandir em volta de si, como se o envolvesse, quente e protetor. Sabia que se deixasse o silêncio reinar entre os dois, o mais novo provavelmente iria dormir, entretanto Jaebum não via problemas em colocá-lo na cama e considerar isso o fim da noite. Na realidade, era até engraçadinha a forma como Youngjae abraçou seu braço e deixou-se enfim dormir, não permitindo movimento algum de Jaebum até que realmente estivesse apagado por completo. A essa altura, Mark e Jackson já tinham se resolvido, mas ao verem o amigo dormindo tão plenamente não conseguiram nem realizar o plano de pular no sofá e gritar com ele. Duvidavam que Jaebum fosse deixar, também.

Youngjae só foi acordar no outro dia, às seis da manhã, com seu despertador o informando que deveria ir para a faculdade. Com um resmungar preguiçoso, viu-se rolando na cama até tomar coragem para levantar, arrastando os pés até o banheiro. Ficar alguns dias sem ir à faculdade e ao trabalho, apesar do cio, foi uma benção, pois o alfa nunca se sentiu tão revigorado. Não chamava realmente de bom humor o que estava sentindo, entretanto as aulas não pareceram chatas, nem mesmo cansativas, e quando foi para o trabalho ainda mantinha um sorriso gentil nos lábios. Jinyoung foi o primeiro a recebê-lo e Youngjae duvidava que alguém tivesse sentido mais saudade sua do que ele; o abraço apertado foi bem-vindo, lhe fazendo rir quando ouviu o mais velho dizer que a semana foi uma chatice sem ter alguém para ouvi-lo fofocar.

— Mas me conta... — Jinyoung aproximou-se sorrindo de lado, malicioso, após terem conversado brevemente. Falou baixo. — Jaebum também sumiu pela semana, vocês...?

O Choi riu, assentindo. Sabia que o Park iria perguntar isso, ele parecia até mesmo ansioso para finalmente questionar tudo que tinha acontecido durante aqueles dias que se tornou incomunicável. Rumou até o elevador da recepção ouvindo-o vir logo atrás, apressado e animado demais para se conter.

— Eu não vou negar, imaginei milhares de cenários agora. — Youngjae fez uma careta, apesar de ter soltado um riso, e Jinyoung deu de ombros. — Tenho a imaginação fértil, você vai precisar me desculpar.

— Eu sei bem que sua mente não presta.

O mais velho tentou acertá-lo um tapa, mas o Choi foi mais rápido em desviar.

— Essa foi sua semana, então? — Youngjae assentiu, segurando a porta do elevador para o amigo. — Acha que algo vai mudar drasticamente na relação de vocês agora?

Youngjae encostou-se na parede espelhada depois de ter selecionado o andar em que ficavam, não conseguindo evitar um risinho. Jinyoung, apesar de curioso sobre exatamente o que tal gesto significava, não evitou provocá-lo sobre a cara de bobo que o mais novo deixava-se expressar naquele momento, até mesmo fazendo o Choi rir com as piadinhas e ficar sem graça.

— Eu não sei se fiz bem, mas sem querer o chamei de namorado. — murmurou, ainda envergonhado. Jinyoung o fitou surpreso.

— E ele?

Deu de ombros.

— Pareceu ficar feliz, mas pode ter sido impressão. Eu estou um pouco entorpecido ainda, tudo que me remete a Jaebum tem sorrisos.

Jinyoung fingiu vomitar de um jeito excessivamente dramático, fazendo Youngjae rir mais um pouco. Logo estavam no andar em que trabalhavam.

— Mas por que você acha que não fez bem? Eu não sei até onde vai a intimidade emocional de vocês dois, mas se há uma paixão, um sentimento forte o suficiente que os atrai, então não tomo isso como um movimento precipitado. Claro, talvez ele seja do tipo que gosta de pedidos formais, coisa que você pulou, mas, conhecendo Jaebum pelo pouco que conheço, não acho que ele ficaria irritado.

Youngjae travou de repente, fitando o amigo.

— Será que ele ficou frustrado por que eu não fiz um pedido formal? E-Eu realmente não sou muito bom nessas coisas.

— Ah, Youngjae, não sei. — Jinyoung soltou um risinho, o amigo ficava engraçado quando nervoso. Abraçou-o de lado, puxando-o consigo para a mesa. — Ele não disse nada sobre?

— Não, e depois apareceu lá em casa e comemos pizza. — resmungou. — O hyung é um homem muito decidido, ele teria me dito algo se eu tivesse o incomodado, presumo.

Apesar de essas palavras terem saído de sua boca, Youngjae realmente não sentia que confiava totalmente nelas. Chamar Jaebum de namorado foi um impulso, algo impensado, ação resultada da felicidade entorpecente que estava sentindo por ter alguém que gostava tanto ao seu lado. No momento pareceu adequado, pois os sentimentos de ambos estavam claros para quem quisesse ver e Youngjae não sentia que aquilo seria, de alguma forma, invasivo. Agora que dois dias tinham se passado e a euforia acalmado um pouco, confessava estar alimentando inseguranças que não deveriam existir — e apesar de Jaebum ter conversado consigo sobre elas, levaria tempo para Youngjae realmente combatê-las e sentir-se totalmente bem e confiante como gostaria.

Sentou-se à sua mesa e logo o copo de café da Sweetener pulou em sua visão, fazendo-o suspirar. Quando pegou o copo, entretanto, notou que não era mais seu nome ali no papel protetor, nem mesmo alguma brincadeirinha de Jaebum como “Alfa esquentadinho de mentirinha” ou “Garoto que gosta de bolo de chocolate com morangos mais do que gosta de mim”. A única coisa escrita, com a letra que sabia ser de seu hyung, desleixada do jeitinho dele, era “Meu namorado”. Youngjae não conseguiu conter a onda de alivio que apoderou de si ao ler tais palavras, nem mesmo do sorriso idiota e da risadinha boba. Quando Jinyoung perguntou o que tinha acontecido, não hesitou em mostrá-lo o que estava escrito. O Park apenas sorriu, parecendo genuinamente contente pela felicidade do amigo.

— Vai lá agradecer ele, idiota. Aproveita que o turno nem começou direito.

Não demorou muito mais para assentir e se levantar um tanto que animado demais, rumando até o andar onde Jaebum ficava em uma velocidade recorde. No caminho, perambulando pelos corredores, encontrou Yugyeom, que estava mexendo no celular distraído. Cumprimentou-o com um tapinha leve no ombro, que fez o maior se assustar de repente, logo assumindo uma expressão de riso ao ver quem tinha o atingido. Conversaram brevemente, ele fez algumas piadinhas sobre ter passado o cio junto do irmão mais velho, cheio de provocações quase infantis, mas que fizeram Youngjae rir. Ao notar para onde o Choi estava indo, Yugyeom lhe direcionou um último sorriso malicioso, dizendo que deveria deixá-lo ir logo. Mas, antes que o mais velho dos dois realmente pudesse caminhar para a sala do Im mais velho, sentiu seu braço ser segurado gentilmente e quando se virou encarou um Yugyeom de feição calma, tranqüila e terna.

— Obrigado por cuidar tão bem do Jaebum hyung.

Queria ter respondido algo, entretanto tal frase deixou seu peito tão quentinho que apenas conseguiu sorrir e assentir, acenando timidamente. Estava tão perto agora que parecia prestes a explodir; não sabia porque, mas queria ver Jaebum mais do que tudo agora, pois as palavras de Yugyeom e o gesto de afeição dele em chamá-lo de namorado como também tinha feito pareciam tê-lo enfeitiçado. Mal bateu na porta dele quando chegou, não anunciou para a secretária que estaria indo visitá-lo, só entrou, deu de cara com o mais velho concentrado em seu computador e permitiu-se praticamente correr até ele, segurando-o o rosto e dando um selar amável nos lábios. O Im, surpreso, só acalmou o coração quando viu que era Youngjae ali, logo se sentindo confortável protegido pelo cheiro de canela de seu alfa. Quando se separaram, o Choi estava ofegante por todos os sentimentos que lhe comprimiam e Jaebum um tanto que corado.

— O que foi isso? — murmurou o Im.

A cor dele estava agitada, contente e igualmente eufórica. Youngjae sabia que ele estava de bom humor pela forma como ela oscilava.

— Sei lá. Saudade. — resmungou, também sem jeito.

Jaebum soltou um risinho, levando a mão ao coração antes de falar.

— Não seja tão fofo, eu posso me apaixonar.

— Ai, cala boca hyung. — Youngjae riu, acertando-o levemente no ombro. — Eu preciso voltar, só vim te ver e agradecer pelo café também.

— Ah, — Como se tivesse realizado o porque da agitação de Youngjae, Jaebum sorriu para provocá-lo. — entendi.

— Não seja presunçoso!

— Amanhã vou escrever “Meu namorado” com um coraçãozinho. — Brincou, apesar de também estar feliz.

Youngjae sorriu, assentindo. Aproximou-se mais uma vez, dando um último beijo em Jaebum e logo em seguida fitando-o nos olhos por longos segundos, admirando cada partezinha do mais velho, guardando na memória os traços tão gentis junto da personalidade simplesmente apaixonante.

— Obrigado, amor.



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