História Sympathy for the Devil - Capítulo 36


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Palavras 3.953
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Ficção, Policial, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi gente!

Desculpem a demora! Então, no cap. de hoje veremos que aquele ditado "a maçã não cai longe do pé" (ou algo assim, hahahaha) será comprovado, hahahahah.

Novos personagens:

Tina Whitaker - Viola Davis
Solange Whitaker - Lauryn Hill
Tisha Carter - Janelle Monae

Espero que gostem! <3

Capítulo 36 - Pai versus Pai


Fanfic / Fanfiction Sympathy for the Devil - Capítulo 36 - Pai versus Pai

Sofya Viatcheslav

- Mas o que diabos está acontecendo, Sofya? – Exclamou Shantell, enquanto eu tampava seu olho para não que ela não visse minha surpresa. – Você sabe que eu odeio isso!

- Fique quieta! Quase lá! – Falei, parando em frente a calçada.

- Oh meu Deus! – Exclamou Nigel, mas fez silêncio assim que viu a minha cara de reprovação para ele, pedindo silêncio.

- Tudo bem, está aí! – Tirei minhas mãos e apontei para a loja Kleinfeld, sim a mesma de “Say Yes To The Dress”.

- O que? Não brinque comigo, garota... isso é sério? – Perguntou ela, ainda sem acreditar.

- Eu não brinco, queridinha. Agora vamos entrar, temos o vestido de todo mundo aqui para escolher, inclusive o seu.

- Você não tem jeito mesmo, sua menina doida. – Riu Tina, tia de Shantell, me abraçando enquanto entravamos.

- Ahhh! – Gritou Shantell, correndo na frente.

- Prepare-se para uma maratona de vestido, Titi, pois isso não vai ser fácil. – Falei, e rimos juntas.

***

- Garota nem se atreva, eu não vou usar esse vestido não! – Exclamou Solange, prima e madrinha de casamento de Shantell, pegando um vestido rosa bufante.

- Você vai fechar essa boca e usar o que eu quiser! É O MEU CASAMENTO! – Devolveu Shantell, me fazendo rir.

- Que tal esse aqui? – Disse, pegando um vestido de seda rosa claro lindinho e simples.

- Naaa... muito simples e caído. Quero uma coisa que deixe minhas madrinhas lindas, mas não tanto quanto eu. – Ela revirava as araras a procura de um que lhe agradasse.

- Hellen! – Chamei a consultora que nos ajudava. – Está na hora de aumentar o nível aqui.

- Oh, sim! Vou chamar Timothy para me ajudar! – Exclamou ela, indo para os fundos. Shantell me olhou desconfiada e se aproximou.

- Você é maluca? Aumentar o nível? Garota eu sou uma bailarina e não Martha Stewart, não tenho dinheiro para isso! – Cochichou ela. Peguei o meu cartão de visitas, que tem o meu nome, e o abanei na cara dela.

- Você esqueceu que sua querida amiga aqui é a editora executiva da revista de moda mais famosa do mundo? Como você acha que conseguimos um horário aqui em cima da hora? Amor, acorda! Aqui nós somos rainhas... e as surpresas não acabaram.

- Você é tão nojenta as vezes... mas eu adoro! – Respondeu, nos fazendo rir.

- Era disso que eu estava falando, aleluia! – Exclamou Nigel quando viu Timothy chegar com uma arara gigantesca com vestidos de estilistas famosos no tom rosa pastel que Shantell havia escolhido para as madrinhas e para o casamento.

Ao todo, são quatro madrinhas... quer dizer, três, pois Nigel entraria para o time também, mesmo sendo “homem” ainda, mas ele está com as madrinhas, por isso dizer que somos quatro está certo. Ele já havia escolhido seu terno rosa e agora só faltava nossos vestidos... e o da noiva, claro. Cada uma de nós três, Solange, Tisha e eu, pegamos um modelo diferente. Colocamos os vestidos para que Shantell pudesse escolher e assim que voltamos a sala principal, onde elas esperavam sentadas no sofá, todos ficaram boquiabertos.

- E então? – Falei, rodando o lindo vestido assinado por Michelle Roth. Ele é simples, elegante e lindo; com um decote coração em um tomara que caia justo até a cintura; uma grande saia esvoaçante e delicada, com várias camadas de tecido, que se abre até o chão. Todo o vestido é de chiffon e acho que é por isso que o vestido é lindo!  

- Amiga, olhe para ele! Tão lindo! – Disse Tisha, amiga de trabalho de Shantell, mexendo em seu vestido brilhante que mais parece um vestido de debutante.

- Parece que você vai a um baile e não ao um casamento. – Exclamou Solange, olhando para o vestido de Tisha, que fechou a cara. – É esse o vestido, Shant! – Ela apontou para o seu, que não é aquelas coisas, mas é melhor do que o de Tisha.

- Meninas, se acalmem. Lhes direi o porquê o vestido que estou usando será o nosso vestido, primeiro. – Comecei a andar, desfilando e mostrando a leveza do vestido. – Ele é leve e delicado, ou seja, vamos poder dançar a noite inteira sem nos preocupar com um vestido pesando. Segundo: ele é o mais lindo aqui, pois convenhamos, eu tenho bom gosto. E terceiro... custa $350 dólares a menos do que esses que vocês estão usando.

- É ESSE! – Tisha, Solange e Shantell gritaram ao mesmo tempo, fazendo gestos com as mãos e apontando para mim, fazendo todos nós rirem.

- Ele é perfeito, Sofy... – Sussurrou Shantell, o analisando em meu corpo e colocando suas mãos na boca, visivelmente emocionada. – Você está linda... vejo ele em todas vocês! Adorei! – A abracei, sorrindo.

- E agora... falta o vestido principal. – Disse Tina, se aproximando e pegando Shant pelas mãos.

- Sim... e queremos somente o melhor para a noiva mais especial do mundo. – Falei, fazendo um gesto com a mão para que Hellen e Timothy entrassem com minha outra surpresa.

Assim que eles estraram carregando as araras com os vestidos matrimoniais mais chiques do mundo, todos na sala gritaram, inclusive Shantell.

- Aquilo... aquilo são vestidos da Vera Wang? – Exclamou Shantell, boquiaberta.

- Sim! – Pulei, sorrindo ao ver a reação dela. Ela pulou junto comigo, mas parou, me puxando pelas mãos.

- Mas... Sofy, eu não tenho grana... – Disse ela, fazendo eu revirar os olhos.

- Ai, vê se para com isso! Afinal, eu não seria a melhor madrinha e a melhor amiga se não te desse o mais lindo vestido de casamento, não é?

- Você... – Ela engoliu a seco, ainda me olhando em choque, colocando sua mão em seu peito. – Você não... oh meu Deus! Você está falando sério? – Exclamou ela, tampando sua boca e deixando algumas lágrimas caírem em seu rosto.

Ela me deu um abraço apertado, mas que me encheu de felicidade, pois a ver feliz assim não tem preço para mim. Assim como eu, Shantell já passou por poucas e boas nessa vida e hoje ela merece ter seu conto de fadas realizado, como e onde ela quiser. Por sorte, Preston sempre deu a ela um tratamento digno de uma princesa e, principalmente, faz dela uma mulher feliz e completa.

- Escolha um vestido digno da mulher que você é: lindo, imponente e alegre. – Falei, pegando seu rosto em minhas mãos.

Depois de provar quatro vestidos, ela finalmente escolheu um lindo Vera Wang que juro que foi feito para ela! Caiu perfeitamente nela, contrastando lindamente com sua pele morena. O vestido tomara que caia é digno de uma princesa, com um decote coração; justo até a cintura, onde uma fita da cor rosa claro – da mesma cor que o vestido das madrinhas – a enfeita, formando um delicado laço nas costas; e com várias camadas de tecido que começam da cintura e vão aumentando até chegar ao chão. Assim que ela apareceu com o vestido na sala, foi muito difícil conter a emoção. Tina, que a criou, olhava orgulhosa para a sobrinha sem conter suas lágrimas de felicidade, assim como todos nós, confirmando a ela que aquele é seu vestido ideal.

***

Depois de horas na loja, fomos tomar um café em TriBeCa, um bairro que eu adoro! Shantell estava com um sorriso de orelha a orelha e isso me confirmou que eu acertei no presente. Enquanto todos tagarelavam, eu estou mais interessada em meu chá inglês e no muffin de chocolate quentinho a minha frente. Eu estava limpando o chocolate derretido no canto da minha boca quando escutei algo que me chamou a atenção.

- [...] Eu vi aquele amigo gato do seu noivo esses dias. – Falou Solange, bebericando seu café. – Qual é mesmo o nome dele?

- John. – Respondeu Tisha, para minha surpresa, até que me lembrei do famoso fã clube John Neeson... que tem muito mais gente do que eu pensava ter. – Impossível esquecer! Uma pena que na época em que o conheci eu estava namorando...

- Meninas... – Shantell chamou a atenção delas e notei que ela estava um pouco incomodada com o assunto... assim com Nigel, que mexia o seu café sem parar. Mas o que está acontecendo?

- É e agora ele está noivo! Você precisava ver o tamanho da pedra que a noiva dele estava no dedo quando eu a vi com ele... – Ela continuou a falar, apoiando-se na mesa para contar a “boa nova”... enquanto eu... bem, eu... eu sinto que vou vomitar.

- Shhh! Solange, cala a boca! – Exclamou Shantell.

Shantell sabia disso? Enquanto o burburinho na mesa começava, eu já não prestava mais atenção em nada. Meu coração estava quase pulando de medo em meu peito, minhas mãos começaram a transpirarem e minha respiração está acelerada, além de querer vomitar. John... noivo? JOHN NOIVO!? E noivo daquela Barbie Malibu nojenta e asquerosa! Eu ainda não consigo acreditar... noivo? Senti alguém me chacoalhar pelo ombro.

- Sofya? Você está bem? – Perguntou Shantell, preocupada. Olhei para ela e peguei a minha bolsa, me levantando.

- Eu... eu preciso ir agora. – Falei.

- Hey, amiga, por favor...

- Depois, Shantell. Tchau. – Disse, saindo apressada do Café e andando pela calçada sem rumo.

O fato de Shantell ter me escondido isso não era o maior problema para mim agora, mas não deixava de ser um problema. O que está martelando em minha mente agora é o fato de que John está noivo... sim, um dos homens mais cafajestes de NY, mais mulherengo, mais lindo, mais gostoso e bom de cama está noivo... sem contar que esse mesmo homem é o mesmo que eu acreditava ser o amor da minha vida. Era o homem que eu mais confiava e o único que me fez lembrar de que eu tinha um coração... era o primeiro homem que eu amei de verdade. Sequei a lágrima solitária em meu rosto e me virei para a rua.

- Taxi!

***

- Tudo bem... deixa eu ver se entendi: então você gostava desse tal John? – Perguntou meu pai, enquanto tomávamos nossos milk-shakes sentados a uma grande pedra no Central Park... como nos velhos tempos.

Costumávamos a fazer isso quando eu era pequena e estamos retomando esse costume, coisa que me deixou feliz, por incrível que pareça. É fim de tarde, o sol está se pondo e ainda estávamos vestidos com a roupa de trabalho.

- Sim. – Respondi, soltando o canudo e vendo o movimento do parque.

- E agora ele está noivo e você está namorando esse médico... como é mesmo o nome dele?

- Steve, e não estamos namorando. E sim, John está noivo.

- Mas que filho da mãe! – Exclamou meu pai, sugando o resto de seu milk-shake logo depois.

- Isso era previsível... quer dizer, depois de tudo o que aconteceu.

- Sim, mas ele deveria entender seu lado. A única pessoa que ele deveria culpar de verdade sou eu! E eu não engoli essa história dele ter dito essas coisas para você...

- Pai, isso já é passado. – Falei, arrependida de ter falado para ele a história de nossa última grande briga.

- Isso não importa... o que importa é que ele te magoou e isso me deixa furioso. – Suguei o fim do meu milk-shake e o olhei, cerrando o olhar.

- O sujo falando do mal lavado. – Falei, irônica. – Não importa mais, só quero seguir em frente agora.

- Com esse Sam?

- Steve!

- É quase a mesma coisa. – Disse ele, me fazendo rir.

- Não... acho que Steve é mais como um amigo, só não sei como dizer isso a ele. Ele me parece o tipo de cara que não aceitará isso muito bem.

- Bom... eu acho que você deve dizer isso a ele, antes que isso vá longe demais e possa machucar alguém. – Disse ele, me fazendo pensar sobre isso... é, acho que ele tem razão, quem diria. Olhei para ele, sorrindo.

- Olha só... meu pai me dando dicas amorosas. – Ele olhou para baixo, sorrindo.

- Depois de alguns anos a gente vai aprendendo... e quero passar tudo isso a minha filha enquanto ainda há tempo. – Ele envolveu meus ombros em seu braço, me puxando para si, e meu sorriso se desfez ao lembrar no nosso “pouco tempo”.

- Você fez os exames, não fez?

- Fiz, ficarão prontos no próximo mês.

- E quando vai volta no médico?

- No fim desse mês.

- Você está se cuidando? – Perguntei, o olhando de maneira preocupada e ele sorriu.

- Não se preocupe, minha querida, eu estou bem. – Disse ele, beijando minha testa. Pousei minha cabeça em seu ombro, olhando o pôr do sol.

- Ainda não acredito que aquela vitrola ainda existe. – Disse ele, me fazendo rir. – É sério, eu amava aquela vitrola! E fiquei ainda mais feliz em saber que você também manteve todos os meus discos!

- Eu também amo aquela vitrola.

- Você se lembra daquele show dos Stones que vimos aqui? Que eu te coloquei em pé nos meus ombros... você era tão pequena!

- Lembro como se fosse ontem... quando o Keith entrou no palco você não parava de sacodir! – Falei, nos fazendo rir. – E você não tinha barba e usava seu Ray-Ban Wayfarer que era sua marca registrada.

- Não seja por isso. – Disse ele, pegando seus óculos no bolso interno do paletó e o colocando, fazendo pose.

- Eu não acredito! – Falei, rindo. – É o mesmo?

- Sim! Isso é uma relíquia.

- Continua muito legal. – Ri. Ele pegou os óculos e o colocou em mim.

- Fica melhor em você. Sempre ficou, mesmo que antes eles ficassem enormes em você. – Riu. – Fique com ele.

- Pai, não...

- Para com isso, além do mais... – Ele pegou outro óculos do mesmo modelo em seu bolso, o colocando também. – Sempre tive mais de um. Agora somos uma verdadeira dupla. – Brincou ele, me fazendo rir. – E isso merece uma selfie. – Olhei desacreditada para ele, abaixando um pouco os óculos.

- Selfie? Você sabe o que é isso?

- Não me ofenda. Seu pai é um gênio da tecnologia e estou ligadão no que acontece por aí. – Sua declaração me fez gargalhar. – Pare de rir e venha logo aqui, não vou conseguir manter esse sorriso por muito tempo. – Disse ele com a boca travada para manter o sorriso e me puxando para si.

Percebi nas últimas semanas que voltar a falar com meu pai foi uma das melhores coisas que me aconteceu nesses últimos tempos. Aos poucos, nosso laço de pai e filha ficava mais forte e voltávamos aonde tínhamos parado há anos atrás. Não queria pensar no futuro incerto que nos cercava, mas a única coisa que sei é que essa “selfie” irá para meu mural na geladeira.

***

Depois que saímos do parque, levei meu pai para comprarmos os ingredientes para nosso jantar de hoje, já que tinha o convidado. Foi engraçado vê-lo em um minimercado pois era evidente que ele não faz isso há anos. Decidimos ir a pé para meu apartamento e quando estávamos chegando vi seus olhos vidrados em alguma coisa... ou em alguém, enquanto eu ainda tagarelava.

- Pai?

- Quem... quem é aquela? – Olhei para frente e vi Marion junto a Liam e John, conversando animadamente.

- É a Marion. – Olhei sorrindo para ela. Ela ainda não havia me visto, mas estava linda e radiante como sempre. Voltei a olhar para meu pai... que estava praticamente babando por ela. Oh meu Deus... – Nem pense nisso. – Me adiantei.

- Marion, hein? – Sussurrou ele, apressando o passo.

- Pai... não pense nisso! – Peguei seu braço, chamando sua atenção a mim. – O homem que está com ela é o namorado dela e o pai de John... – Ele me olhou, chocado.

- Mas ele não é casado com a Miranda? – Congelei assim que percebi a burrada que tinha feito. Mas que merda, Sofya! Ele riu e voltou a olha-la... com muita esperança nos olhos.

Voltamos a caminhar e percebi que já tínhamos chamado a atenção dos três, fazendo John e Liam fecharem a cara na hora. Sempre educada, Marion manteve um sorriso tímido e não hesitou em vir ao meu encontro com um abraço carinhoso.

- Sofya, querida! Como você está? – Disse ela, pegando em minhas mãos logo depois, me olhando com um olhar maternal. – Eu toquei sua campainha e percebi que você não estava... – Ela olhou para o homem ao meu lado, escondendo seu sorriso.

- Olá, Marion. – Disse meu pai, usando uma voz totalmente diferente da que eu estava acostumada a ouvir. Ainda sem acreditar, o olhei, cerrando o olhar.

- Ahmm... – Começou Marion, sem graça.

- Marion esse é o meu pai... Kritsk... – Falei, ainda engolindo a seco.

- Na verdade é Kris, Kris Antonov. Muito prazer Marion. – Ele se apressou em me corrigir, pegando a mão de Marion e depositando um beijo no topo dela.

Ainda sem entender o que está acontecendo, dei um pulo quando Liam apareceu entre mim e Marion, a puxando próximo de si com uma cara de dar arrepios... é impressionante a semelhança com John... até nisso! Estou passada.

- E eu sou Liam, Liam Neeson. – Falou Liam, com uma voz grave de dar medo.

- Ah, sim! Marido de Miranda... Kris Antonov. – Respondeu meu pai, pegando a mão de Liam num aperto de mão fortíssimo, me fazendo revirar o olhar... homens! E assim que fiz isso, meus olhos encontraram os de John nos meus.

Ainda com o olhar gélido sob mim, John mantinha seus braços gigantes cruzados em seu peitoral. Tenho certeza que ele não gostou nada em me ver com meu pai. Minha atenção voltou-se para os três ao meu lado e para as palavras de Marion.

- Tudo bem, tudo bem... entendemos. – Sorriu Marion, sem graça, puxando Liam para próximo dela para que aquela cena ridícula acabasse logo. – O prazer é meu, senhor Antonov, mas se nos dar licença...

- Pode me chamar de Kris... não é porque eu já sou pai de uma linda garota de vinte e cinco anos que eu sou velho. – Riu ele, envolvendo meus ombros com seu braço.

- Vinte e seis. – Sussurrei, o corrigindo, fazendo com que ele desse um pigarro.

- Pai? – Disse Liam, sorrindo com ironia. – Acho que o “senhor” não se enquadra nesse adjetivo.

Droga... eu sabia. Tal pai tal filho. Fechei os olhos porque sabia que aquilo não irá acabar bem, pois sei bem que aqui deste lado também é assim... tal pai tal filha.

- Como? – Perguntou meu pai, ainda processando tudo isso.

- Você é surdo? – Rosnou John, ficando ao lado de seu pai. Dando um sorriso tremulo, meu pai se afastou de mim, dando um passo em direção a eles.

- Você é o rapaz que magoou minha filha, não é? – John trincou a mandíbula. – Eu sugiro que não me dirija a palavra e muito menos para minha filha.

- Pai... – O puxei.

- Como ousa a falar com meu filho dessa maneira? Se alguém aqui magoou Sofya, esse alguém foi você, seu comunista safado! – Exclamou Liam, que ia em direção ao meu pai, mas foi barrado por Marion.

- NÃO OUSA A FALAR ASSIM COMIGO, SEU SENADOR DE MERDA! – Gritou meu pai, avançando em Liam, mas assim como Marion, o detive.

- Se pensa que pode voltar assim está muito enganado, Kritsk! Gente com seu caráter nunca muda! Sofya já está sendo bem cuidada aqui! – Exclamou Liam, furioso, apontando o dedo para meu pai.

- Já chega Liam! – Exclamou Marion. – John! – Pediu ela.

Olhei para John, que ainda fuzilava meu pai com seus olhos de predador, mas que ao encontrar o meu, cheios de súplica para que aquilo acabasse, amenizou sua fúria, pegando seu pai pelos ombros.

- Vem pai, não vale a pena.

- Ah sim! – Riu meu pai. – Eu vi... seu filho cuidou muito bem dela, pfff. ELE SÓ A MAGOOU!

- PAI, CHEGA! – Gritei.

- Não estou falando dele, mas sim de mim! EU FUI MAIS PAI QUE VOCÊ PARA ESSA MENINA! – Exclamou Liam. – Me solta, John!

- JÁ CHEGA! O que aconteceu entre mim e minha filha não interessa a você ou sua família. Irei ficar do lado dela até meu último suspiro e sugiro que fique longe!

- Nem pense em tirar Sofya de nossas vidas! Sou eu quem irei cuidar dessa menina, coisa que você não fez! – MAS QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO? Antes de meu pai explodir de raiva, o puxei para trás brutamente, o chamando a atenção.

- CHEGA! Mas que merda é essa? Eu não tenho mais cinco anos para alguém cuidar de mim! ISSO É RIDÍCULO! – Exclamei, visivelmente furiosa. – Eu agradeço a preocupação, senhor Neeson, mas não preciso disso e, realmente, o que acontece entre mim e o meu pai não diz respeito a mais ninguém... eu sinto muito.

- Ela tem razão querido... afinal, Sofya é bem grandinha para saber o que ela quer, além de ser uma garota inteligente, por isso vamos confiar em seu julgamento e irmos embora. – Disse Marion, mantendo a compostura de sempre, me olhando de maneira compreensiva.

- Obrigada. – Sussurrei para ela.

- Além de linda você é extremamente inteligente, Marion. – Disse meu pai, sorrindo.

- Você é muito abusado! – Exclamou Liam.

Tudo aconteceu em câmera lenta, pois quando percebi que Liam foi para cima de meu pai já era tarde demais, acertando um soco certeiro na cara dele.

- PAI! – John e eu exclamamos juntos. Enquanto John imobilizava seu pai, eu acudia o meu, que levantou ainda catatônico com o canto da boca sangrando.

- Isso não vai ficar assim! – Exclamou meu pai, apontando para Liam.

- LIAM ENTRE NO CARRO AGORA! – Gritou Marion. Uau, nunca a vi assim. Liam fez o que ela pediu, ainda encarando meu pai. – E você também! – Apontou para John.

- Mas eu...

- AGORA! – Mandou ela, nos deixando surpresos, especialmente John, que fechou a cara, mas a obedeceu. Antes que ela pudesse entrar no carro, ela me olhou com seus olhos azuis esverdeados tristes.

- Me desculpe. – Sussurrou ela. Mas com meu olhar, tentei garanti-la que está tudo bem... por ela.

O carro arrancou de lá e subi com meu pai limpando o sangue de sua boca com seu lenço.

- Você está bem? – Perguntei, abrindo minha porta.

- O que você viu naquele cara? Está claro que ele puxou a família! Ninguém ali presta! – Exclamou ele, entrando e se jogando e minha poltrona.

- Chega pai! Liam é uma boa pessoa e você também o provocou! – Exclamei, pegando a bolsa de gelo.

- Pfff, ele é louco! E como aquela doce criatura pode estar com ele?

- Já disse que ela não, pai! E você é casado. – Falei, jogando a bolsa de gelo na direção dele, que a pegou no ar.

- Ele também! Mas com uma mulher como Miranda é de se dar um desconto...

- Assim como a sua. – Falei mesmo.

- Não fale assim de sua madrasta.

- Você sabe que é verdade. – Seu silêncio confirmou que eu estou certa.

Voltei para a cozinha, começando a preparar o jantar. Desde que John e eu “terminamos” era muito difícil eu cozinhar... afinal temos tantas lembranças nessa cozinha, como todas as vezes em que abro meu forno me lembro dele caçando os pães de milho que ele tanto gostava. Ainda perdida em minhas lembranças, escutei Sympathy for the Devil, do Stones, tocando em minha vitrola. Olhei para meu pai, que mexia nela.

- Pode passar essa? – Pedi.

- Mas é uma de suas preferidas...

- Não é mais. – Falei, carregando a mágoa em minha voz.

Sem fazer mais perguntas, ele trocou de música e voltou a se sentar. Tenho certeza que esse jantar não sairá como eu gostaria, pois, minha paixão pela cozinha foi embora assim como John. 


Notas Finais


E aí? O que acharam?


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