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História Symphony of the Memories. - Capítulo 1


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Notas do Autor


Eu tava maratonando a série da netflix de castlevania e... isso nasceu! Eu admito que não joguei tanto dos jogos então perdão qualquer erro, ok?

Ah! Quando eu tiver meu pc de volta eu faço uma capa melhor, prometo.

Capítulo 1 - Capítulo único


 Os fios longos e loiros eram jogados ao vento sempre que uma lufada de ar frio passeava entre os antigos mecanismos e fugia por entre as janelas abertas do castelo. Estava assim a algum tempo, só encarando a natureza ao redor que se recuperava aos poucos e de vez enquanto analisando os destroços que algum dia foram a mansão Belmont. Adrian Tepes se localizava numa das sacadas do castelo, com aquela aura triste que aparentemente já fazia parte do seu ser. Ele estava ali a horas, mas seus amigos não sabiam se ele ao menos percebia a passagem do tempo mesmo com as fases do sol óbvias no horizonte. 

 -Acho que ele não tá bem com a gente indo embora. - Trevor sussurrou no ouvido de Sypha que apenas revirou os olhos murmurando um "ah jura?". A garota sabia o quanto Belmont conseguia ser lento, mas sempre se surpreendia mesmo assim. 

 Lá estavam os dois, caçador e feiticeira encarando o meio vampiro, receosos se deveriam se aproximar do loiro ou não. Sypha colocou a mão no queixo, pensando em alguma forma de puxar uma conversa casual, mas apesar do seu intelecto a tristeza "crônica" de Alucard a incomodava profundamente por o deixar de certa forma inalcansável de tão… frio. Antes da garota pensar num plano que a agradasse o outro amigo tomou a frente e andou em passos largos até o meio vampiro. 

 -Para com essa cara de idiota, olhar pra você me dá pena. - Trevor se sentou ao lado de Adrian, sem o olhar diretamente, apenas avaliando a paisagem. 

 -Vai se fuder Belmont. - o loiro mostrou o dedo do meio ao amigo e o caçador respondeu fazendo o mesmo gesto com as duas mãos. 

 -Eu desisto.- Sypha revirou os olhos e saiu andando pelos corredores de madeira e explorando as partes do castelo que ainda não tinha tido a oportunidade de ver. 

 A garota saiu achando que teria mais uma briga e não tinha nenhum saco para separar os dois novamente, mas isso não aconteceu. Pequenos risos podiam ser escutados a uma boa distância, no entanto nem isso fez com que o loiro se animasse, logo voltando a sua feição triste e vazia. Naqueles momentos de reflexão Adrian chegou a conclusão que o estado atual de sua residência de infância refletia sua situação atual : monumentos solitários que representavam dias mais felizes e a destruição de cômodos que apenas os lembravam dos pecados cometidos por suas próprias mãos.

Deveria ser o contrário de seu pai, a parte boa da humanidade e não a parte que havia incentivado a morte de sua mãe, medo irracional e a vontade desenfreada de passar por cima das vidas alheias como se elas não importassem. Se sentia péssimo e perdido, preparando para cavar a própria cova e nunca mais sair, se privando de qualquer prazer ou dor que poderia acompanhar uma vida mais significativa. 

 -Qualé cara, sei que não é a melhor situação. Tipo o que aconteceu com seus pais… eu entendo, não gosto de falar sobre mas sei como é esse vazio que nunca vai ser preenchido, os pensamentos destrutivos de que "se eu não existisse talvez nada disso teria acontecido" e talvez nada estivesse tão perdido. Não pense assim, você não quer virar uma pessoa patética como eu. - Trevor rio fraco- A menos que goste de cerveja, isso ajuda bastante acredite. 

 -Quando penso que seu cérebro começa a funcionar ele para de novo. Obrigado por tentar, eu acho? - Adrian afastou o apoio dos cotovelos da sacada, se sentou no chão e apoiou as costas na parede já de idade da construção. 

O silêncio voltou a reinar e apenas os sussurros do vento se destacavam naquele mar de desconforto. O moreno sacudia uma das pernas em ansiedade, o outro apenas o encarava com os olhos de "cão perdido" de acordo com Trevor. De saco cheio Belmont puxa o meio vampiro para perto o forçando a apoiar a cabeça em seu ombro. Não era um gesto íntimo , mas para os dois que eram bem orgulhosos aquilo era um gesto difícil, principalmente para Trevor que sempre tivera o lema de nunca se apegar a ninguém, evitava decepções e consequentemente carinho também. 

 -Não abra o bico sobre isso, ok? Se não eu faço questão de sair da onde quer que eu esteja só pra vim chutar sua bunda branquela. Se a Sypha souber vai nos infernizar pelo resto da vida. 

 -Não duvido de nada vindo dela na verdade. Eu sei que sou muito mais forte que vocês dois, mas tenho que admitir que ela dá medo quando quer.- Alucard se remexeu no ombro alheio até que desistiu e se deixou levar pelo gesto simples. 

 -Você diz isso porque não vai ser você que vai aturar ela todos os dias. Ela vai me enlouquecer, pode anotar. Se eu Trevor Belmont enlouquecer vai ser culpa daquela feiticeira de araque.- o caçador caçoou, mas fez questão de olhar ao redor com medo da amiga escutar e o queimar vivo enquanto ele dorme. Por sorte ela ainda vagava pelo castelo, parando pra ler algum livro ou outro que encontrava pelo caminho.

 Naquele momento um pouco da dor do vampiro diminuiu, não muito, mas o suficiente para esquecer o que o afligia a segundos atrás. Por mais que seus únicos companheiros não continuariam consigo já tinha se acostumado com a ideia da solidão e apenas esperava que naquele último dia juntos pudessem guardar o máximo de memórias possíveis para que no futuro essas lembranças fossem o motivo de ainda se manter em pé e pensar que não estaria tão sozinho assim. 


 … 


Tinham jantado juntos, o meio vampiro fez questão de cozinhar uma última refeição coletiva. Naquele momento descontraído os três compartilhavam histórias, conhecimentos e momentos passados que eram hilários não importando se você conhecia os envolvidos ou não.  Naquela noite de luar claro, com estrelas aparentes e nenhuma nuvem no horizonte os três se deitaram juntos pela insistência de Sypha que ainda continuava com a história que só conseguia dormir se fosse com mais gente pelo costume. 

 Desajeitosamente o loiro se juntou a dupla ficando numa das extremidades da grande cama do quarto principal da mansão que apartir daquele dia era seu. Se sentia desconfortável e constantemente murmurava que seria melhor se ele simplesmente fosse pra outro quarto ou que procurasse por um caixão. A garota já havia caído no sono entre os dois homens , escutar conversas a ajudavam a dormir tranquilamente se lembrando vagamente de seu avô e as viagens de caravana que definiram sua infância.

 -Pelo amor de deus cala a boca e vai dormir Tepes. Não consigo pregar os olhos com você resmungando e se mexendo toda hora. - Trevor ,que antes estava de olhos fechados, os abriu e encarou o loiro ameaçadoramente. 

 -Mas eu to atrapalhando, como pode ver, mal tem espaço e acabei de quase receber um tapa na cara e um chute na perna. - apontou para a quase ruiva dormindo e se remexendo na cama. 

 Trevor escutou lamurios por mais algum tempo, até que de saco cheio ergueu o torço e selou levemente seus lábios com os do amigo, na tentativa de o fazer parar de reclamar tanto. Adrian visivelmente confuso com o ato pôs uma das mãos na boca tentando entender o que havia acontecido. 

 -Você não está atrapalhando, idiota. - o moreno tenta dar um peteleco na testa do outro que nem ao menos faz uma reação. - Caralho você é muito sem graça… vai dormir logo rainha de gelo. Tem que acordar cedo pra fazer café da manhã pra gente. 

 O último Belmonte riu debochado antes de fechar novamente os olhos e enrolar Sypha com um dos braços. Alucard suspirou e também se aninhou com a dupla, no fim o braço pálido abraçava a amiga e o do moreno na outra extremidade juntava os três num pequeno amontoado. Em meses aquela havia sido a única noite tranquila e sem pesadelos assombrando os sonhos dos três. Ao invés da ansiedade de lutas futuras restava apenas o calor aconchegante e a sensação compartilhada de carinho e proteção que dois daquele quarto não sentiam a anos, mas que provavelmente levariam para a vida. 

 



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