História T h e - B e a s t - Capítulo 27


Escrita por:


Capítulo 27 - Capítulo 26


(Lena)

Satisfeita com os testes dos novos dispositivos eu parabenizei a equipe antes de sair do laboratório, Rumei para o corredor, O sorriso estampado no meu rosto, porém, nada tinha a ver com o fato da empresa ter excedido as expectativas nos últimos meses, mas sim por Kara estar de volta na mansão. Ela comentou por mensagem sobre uma consulta no médico e de ter começado a tomar anticoncepcional eu não via a hora de chegar em casa para saber se já podia senti-la por completo. Sem barreiras.

só de pensar eu já estava ficando exitada! Qualquer um que olhasse para baixo perceberia o volume crescente em minhas calças,Por isso coloquei as mãos nos bolsos para disfarçar a minha ereção e caminhei a passos largos e precisos até o meu escritório. Evitando contato visual com as pessoas que passavam por mim, eu consegui chegar até meu refúgio sem ser interrompida, Bati a porta ao entrar e segui até o frigobar localizado do lado da estante.

me servi de uma dose de whisky e dei o primeiro gole,deixando a bebida gelada me refrescar por dentro e extinguir um pouco do calor pulsante entre as minhas pernas.

Eu precisava de mais. A bebida não era o suficiente para aplacar minha ansiedade, mas eu tinha minhas regras e não trazia a droga para o trabalho. Aliás, eu estava diminuindo o consumo desde que Kara apareceu em minha vida. Eu só precisava do bastante para seguir com o dia. O suficiente para não me sentir tão mal. O razoável para aplacar minha fissura sem que eu deixasse transparecer o vício.

Sentei-me na cadeira ainda segurando a bebida e fechei os olhos, Ela nunca precisaria saber. Certo? Se eu pudesse me controlar o suficiente… Soltando um suspiro eu apoiei a cabeça para trás, inclinando o corpo de

forma relaxada enquanto terminava de beber o conteúdo do copo, no entanto, as minhas pernas balançando e os saltos batucando o chão manifestavam a confusão que se alojava em mim. Kara me fazia querer ser uma mulher melhor, mas era tão difícil quebrar velhos hábitos, Eu já não sabia se tinha forças o suficiente, nem mesmo por ela, para voltar a ser quem eu era antes. Mas eu estava tentando na medida do possível. Na medida do meu possível.

— Lena? — A voz de Sam me fez abrir os olhos e me ajeitar no assento, a encontrei parada no batente. Ainda segurava a maçaneta como se não tivesse certeza se entrava ou não na sala. Suas sobrancelhas estavam unidas enquanto os seus olhos escuros varriam o meu rosto meticulosamente.

— Entra logo, Sam Vai ficar parada aí sem falar nada? — Repousei o copo ainda cheio na mesa e voltei a atenção para a minha amiga.

Achei aquilo estranho, Sam nunca pedia permissão para entrar no escritório. A forma como ela me olhava incerta e um pouco ansiosa me fez pensar se algo de ruim tinha acontecido e ela precisava me contar.

— Sam, o que aconteceu? — perguntei assim que ela encostou a porta

— É a empresa? Alguma coisa deu errado?

De repente a pressão em meus ouvidos ficou tão alta que eu mal ouvia as minhas próprias palavras, somente as batidas desenfreadas do meu coração. Ela balançou a cabeça e veio até mim, apertando os meus ombros de modo reconfortante.

— Você sempre pensa no pior, Lena. — Soltou-me e se afastou rindo, a babaca estava rindo às minhas custas!

— Mas que porra?! — Levantei da cadeira e cruzei os braços

— Foi você quem apareceu aqui com cara de cu. E cara de cu me remete à merda. Ou alguma merda aconteceu, ou está prestes a acontecer.

— Não aconteceu e nem vai acontecer merda nenhuma, Luthor! — Esfregou o rosto, tapando aquele sorriso idiota

— E cara de cu estava a sua quando entrei aqui. Fiquei preocupada, só isso.

— Ah... — suspirei ao lembrar no que eu estava pensando antes dela aparecer

— É só uma dor de cabeça, nada demais. Levei as mãos até a cabeça e massageei as têmporas, amenizando a mentira deslavada que contei.

— Sei... — disse ela enquanto me fitava

— Enfim, eu queria te pedir uma coisa.

— Qualquer coisa.. — Recostei os quadris na mesa. Levantei as sobrancelhas esperando que ela me contasse logo do que precisava.

— Ah sim... Mike e eu vamos fazer um chá de revelação na próxima semana e queremos muito que você vá…

— Chá do quê? — Inclinei a cabeça um pouco confusa, conjurando a imagem de uma xícara de chá quente que me faria revelar meus segredos ao primeiro gole.

— Chá de revelação do sexo do bebê. Sabe? Como um chá de bebê, mas para descobrir se teremos uma menina ou um menino. Aquilo fazia muito mais sentido do que as coisas que se passaram na minha mente.

— Espera... Isso quer dizer que vocês ainda não descobriram?

sam passou a negar com a cabeça e abriu a boca para falar, mas eu fui mais rápida

— Como? Eu pensei que vocês tivessem descoberto isso no último ultrassom.

— Foi ideia minha fazer surpresa — Ela

abriu os lábios em um largo sorriso e levantou os ombros exageradamente

—Então nós pedimos para a médica escrever em uma folha e colocar no envelope. Abriremos o envelope no chá e veremos quem acertou nas apostas.

— Estão fazendo apostas? — Soltei as palavras em um riso engasgado.

— Lena, esse é todo o propósito da festa. — Deu um leve tapa em meu braço

— Então, você vai? Será na sexta às oito horas. De repente senti a ansiedade voltar a tomar conta de mim. Espalmei o peito e inspirei fundo antes de responder.

— P-posso levar alguém comigo?

— Claro que pode! — A voz era tão animada que chegava a ser estridente — Quem você vai levar? Ai, diga que é quem eu estou pensando! Senão, não  leve ninguém!

— Não sei a quem você está se referindo, Sam, mas eu vou com a kara. E se ela não for bem-vinda em sua festa então eu prefiro não ir Ela arfou como se não estivesse esperando por aquela resposta. Sam se aproximou a expressão sobressaltada em seu rosto se transformando em um sorriso cheio de dentes.

— Até que enfim você tomou juízo — disse me dando um peteleco no estômago — Esperamos por vocês lá em casa! As suas íris cintilavam tanto que por um segundo me perguntei se ela estava prestes a chorar. Então ela abanou o rosto e começou a rir, deixando-me atordoada com as mudanças de humor.

— Ai, esses hormônios! — Piscou algumas vezes. Tão logo ela sumiu no corredor afora sem se despedir.

eu finalmente preenchi os pulmões de ar. Caminhei lentamente até a porta e me tranquei. Deixando a testa pender na superfície de madeira, eu esperei as batidas erráticas do coração se normalizassem antes de voltar ao frigobar e me servir de mais uma dose de whisky.

Já era tarde e eu precisava daquele tempo sozinha para espairecer antes de dar o dia por encerrado. Eu precisava domar um pouco os meus demônios antes de voltar para casa. No entanto, quando o meu celular vibrou com a chegada de uma mensagem, o próprio diabo veio me atormentar.

Quando você vem buscar a encomenda?

Só de ler aquilo o pouco de tranquilidade que eu havia recuperado foi embora. A fissura voltou a me dominar, meus músculos se retesaram de forma dolorosa e a agitação tomou conta de todo o meu ser,em minutos já estava no lugar marcado, onde eu pegava a encomenda. Jack estaria esperando como combinado, eu não faria a merda de encontrar o meu fornecedor em área de trabalho como da última vez. Aquele era o tipo de comércio que se fazia às escuras.

Jack já caminhava em minha direção, passando por entre automóveis Não me movi e esperei que ele viesse até mim. Fechei as mãos em punho e afinei os lábios, detestando o fato de ele estar sorrindo, Ele sabia o quanto eu odiava aquilo, O problema é que ele também sabia o quanto eu desejava outra dose.

— Tudo bem, Lena? Você parece um pouco travada, mas não por muito tempo se depender de mim. — Seus lábios se rasgaram ainda mais em um sorriso cínico. Inspirei fundo pelas narinas, tentando conter a vontade de socar aqueles dentes artificialmente brancos.

Para quem não conhecia o Jack, era difícil imaginar o que ele realmente fazia. Ele era bem discreto e se arrumava impecavelmente bem.

Naquele momento usava uma camisa social slim por baixo de um blazer, óculos aviador escondiam seus olhos injetados, calças jeans escuras e sapatos sociais marrons completavam o visual. Discrição era a única coisa que eu admirava naquele babaca. Por incrível que pareça, eu confiava nele. Uma de suas mãos sumiu por dentro do blazer, buscando por minha mercadoria dentro de um dos bolsos ali embutido. Quando vi a quantidade de sacolinhas que ele tentou me passar eu engoli em seco.

— Não preciso disso tudo. Eu avisei que estou diminuindo a dose,porra! Vou parar. — Afundei os dedos no cabelo, puxando os fios para trás de forma bruta. O sorriso morreu em seus lábios finos e uma expressão séria tomou conta de seu rosto.

— Lena, não é a primeira vez que você me diz isso. — Suspirou,voltando a esconder a mão por dentro da roupa

— Sabe que não dá para diminuir assim de uma vez, tem que ir aos poucos. Ou então vai passar mal Confia em mim.

— mas q droga! — sibilei entre os dentes 

— Eu já venho diminuindo as gramas que uso por dia, eu sei o que estou fazendo! Aproximei o meu rosto do dele de forma ameaçadora, sentindo a raiva queimar nas veias,Também sentia um pouco de medo, Medo de cair na tentação, Por isso eu precisava que ele me desse logo a porra da quantidade que pedi e fosse embora.

— Tranquilo, senhorita. — Se inclinou para trás elegantemente, sem transparecer estar intimidado e voltou a sorrir

— Você é quem manda. Se precisar de mais, sabe como me encontrar, Puxou meu braço e me abraçou de lado. Com aquele gesto eu pude pegar de sua mão a encomenda de forma imperceptível. Então fui embora sem trocar nenhuma outra palavra, O novo peso que carregava no bolso não se comparava com o peso colossal na minha consciência.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...