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História Tá combinado - Capítulo 4


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Notas do Autor


Oi benirees, quem é vivo sempre aparece...

Thread com informações sobre a história e os personagens: https://twitter.com/VihAbsolutah/status/1359986992944205826?s=20

Capítulo 4 - Aquele sobre feridas abertas


Fanfic / Fanfiction Tá combinado - Capítulo 4 - Aquele sobre feridas abertas

Sergio permaneceu imóvel por mais alguns segundos, nunca havia ficado tão perto de uma menina e muito menos havia sentido essa sensação estranha, como se um ar gélido tivesse tomado conta de seu estômago, podia sentir seu rosto enrubescer pela vergonha e tocou o lado de seu rosto que ela havia tocado os lábios e teve a estranha sensação de que aqueles belos lábios ainda estavam concentrados ali. Despertou de seu transe com a risada de Carlos, que nada falou, no entanto deu risadinhas debochadas durante todo o resto do dia.

O garoto havia passado toda a tarde confuso com o que havia acontecido, estava sentado no chão de seu quarto, com uma de suas câmeras nas mãos e admirando algumas das muitas fotos que havia feito de Raquel. As imagens haviam sido capturadas em momentos rotineiros, não havia nada de muito especial e era exatamente isso que fazia com que ele ficasse impressionado com a garota, era inexplicável como ela conseguia ficar ainda mais bonita em seus momentos naturais, sorriu de orelha a orelha quando se deparou com uma foto que havia feito na manhã seguinte a festa do pijama, ela aparecia meio emburrada por seu mau humor matinal, porém seus olhos continuavam com um brilho que Sérgio considerava único.

Não sabe ao certo quanto tempo ficou ali, sentado no chão sorrindo feito criança enquanto admirava as fotos de Raquel, só se deu conta de que o tempo havia passado quando ouviu batidas na porta e seu primo entrou:

- Oye, vámonos? - pergunta Carlos, que tinha o cenho franzido por ter encontrado Sergio sentado no chão.

E só então olhou para o seu pulso e então percebeu que já era 17h, e nesse horário eles costumavam ir para a casa de raquel, porém sabia que, apesar de querer que estivesse tão próxima a ele quando esteve pela manhã, não saberia se comportar em sua presença, pois ruborizava sempre que lembrava do ocorrido.

- E-eu não estou me sentindo muito bem - disse enquanto arrumava os óculos - acho que comi algo que não me fez bem. Tomei um remédio, se eu melhorar, apareço por lá mais tarde - diz sem conseguir encarar seu primo, pois sabia que era um péssimo mentiroso.

- Vale… - responde de maneira arrastada, como quem tenta desconfia de algo - mas você sabe que Raquel vai ficar desapontada, não sabe?

- Lo siento - diz com a voz baixa - lo siento muchísimo.

- Vale, no pasa nada! se melhorar aparece por lá - diz saindo do quarto.

***

As três garotas estavam espalhadas na sala de estar, Alicia tinha um pote sorvete em seu colo e toda sua atenção estava voltada para ele, Mônica se olhava no espelho tentando conferir se estava “adequada” para receber o namorado e Raquel estava perto da ruiva, tentando pegar um pouco do sorvete e esperando que Sérgio chegasse para que ela pudesse lhe mostrar o novo CD do Caetano Veloso que havia conseguido comprar. 

Quando escutam a campainha tocar, jã sabem que havia chegado, os dois costumavam ser muito pontuais e logo as duas irmãs se animam, enquanto Alicia permanece imersa em seu pote de sorvete; Raquel é a primeira a chegar na porta e a abre com seu sorriso de sempre, porém fica um pouco confusa quando só vê Carlos, sem entender muito bem onde estava seu outro amigo, fica alguns segundos olhando confusa para a rua e volta sua atenção à realidade quando ouve:

- Você não vai me deixar passar? - diz Carlos

- Ah, claro - diz dando espaço para que seu cunhado entrasse - oye, onde está Sergio?

- Ele não estava se sentindo muito bem, então preferiu ficar em casa, mas falou que se melhorar aparece - disse e seguiu para encontrar sua namorada.

- Ah vale - fala sem conseguir esconder seu desapontamento.

Sem conseguir esconder o desapontamento, Raquel decide ir para o seu quarto e tentar dar continuidade a leitura da semana, ledo engano. Quando se deu conta, já se haviam passado quarenta minutos e ela encarava a página 90 do livro Persuasão, mas era como se enxergasse através daquela folha e pudesse ver Sérgio ali, sorrindo e comprimindo os olhos da maneira mais fofa que ela já havia visto alguém fazer e que ninguém mais conseguia fazer parecido.

- Madre mía Raquel… - diz quando desperta do transe - o que está acontecendo com você?

A menina passa mais alguns minutos pensando sobre o que teria feito o garoto ficar em casa, então para sanar sua dúvida e certificar se de que de ele não tinha nada grave decidiu que iria ligar para o amigo, além do mais, estava imensamente ansiosa para contar a ele sobre seu novo CD. 

Desce de volta a sala de estar para se certificar de que estava tudo bem, antes de voltar para o quarto dá uma conferida nas outras pessoas que estavam na casa e ve que Alicia havia dormido no sofá, agarrada ao pote de sorvete, ela definitivamente não estava em um dos seus melhores dias, mas a loira já havia entendido que a amiga só consegue falar sobre o que a incomoda depois de digerir, então estava pacientemente esperando o momento dela; viu que Monica e Carlos estavam na área externa e voltou para o quarto, a procura do número do telefone da casa de Sérgio.

Enquanto procura o livro que tinha seu número anotado pensa desesperadamente no que poderia justificar a ligação e foi então que se deu conta de que não tinha nenhum motivo para ligar, pois estiveram juntos pela manhã e com certeza estariam no dia seguinte e por um segundo ela quase desiste de ligar, então encontra o livro que estava procurando, era uma edição de Dom Casmurro que ele havia a presenteado, não que ela nunca houvesse lido ou que tivesse um exemplar, porém ele havia comprado em um dos fins de semana que havia ido a Valência, para a casa de parentes e segundo ele quando viu aquela capa, não teve como não lembrar de Raquel e seus encantadores olhos, a ilustração da capa trazia um grande destaque para os olhos da protagonista, que tanto o fazia lembrar de sua amiga.

Ela é incapaz de conter o sorriso ao lembrar do que ele havia dito quando a presenteou: “Eu estava morrendo de saudades de você e enquanto caminhava ao lado do meu tio, pensava em uma desculpa convincente para te ligar e assim que virei uma esquina, esse livro me chamou a atenção e logo vi que precisava comprar pra você. Obrigada por ser a irmã que a vida não me deu”, quando ela abriu, sorriu ao ver que o post-it permanecia ali, com seu número de telefone escrito e mais uma vez sorriu emocionada com a dedicatória que acompanhava o livro:

Querida Raquel, ao me deparar com esse exemplar da nossa obra referida fui incapaz de não me transportar ao primeiro instante em que te vi, com os seus olhos me atraindo como se fosse quase uma necessidade tê-la por perto e desvendar os seus segredos. Apesar de preferir a descrição do narrador de “olhos de cigana, oblíqua e dissimulada”, que desde o primeiro instante me fez lembrar você; essa ilustração me fez entender que quando Bentinho diz que Capitu tem “olhos de ressaca”, compara indiretamente, a atração que o mar em ressaca exerce sob quem o admira à atração natural que os seus olhos parecem ter, convidando-nos a mergulhar na imensidão de seu ser.

Ainda com o livro nas mãos, ela se direciona ao telefone rosa que tinha no quarto, discando apressadamente o número e torcendo para que fosse atendida, teve a sensação de que seu coração havia parado por dois segundos quando ouviu uma voz masculina do outro lado da linha:

-Alô? - ela não sabia o que dizer, por isso ficou em silêncio - alô? - o homem volta a falar.

-S-Sergio…?! - ela estranhou, pois era uma voz que ela não conhecia, acreditou que fosse uma alteração por se tratar de uma ligação.

- Não, é Andrés. Quem deseja falar como Sérgio? 

- Ah… - responde desapontada - mas esse telefone é da casa dele?

- Sim… quem é você? - ela achou o homem um pouco ríspido, porém decidiu responder.

- Raquel Murillo, uma amiga - diz taxativa.

- Ah, mira se esperas um minuto eu chamo ele.

- Vale, te lo agradezco!! - passam alguns minutos e ela sorri ao ouvir a voz do garoto.

- Raquel? Passa algo? - pergunta nervoso

- Hola Sergio, no, no pasa nada - fala quando percebe o nervosismo do garoto - só queria saber como você está, me assustei quando você não veio. Tá tudo bem?

- Pues...pues - arruma o óculos - sim, está tudo bem acho que comi algo que não me caiu muito bem, tomei um remédio e fiquei de repouso.

- Oye, no crees en lo que me ha llegado hoy - diz animada - o novo cd do Caetano, papai conseguiu comprar no pré lançamento. Tava esperando você para ouvir comigo.

- NO ME JODAS - diz Sérgio, empolgado com a notícia - amanhã nós vamos escutá-lo inteiro, não quero nada menos que isso.

Ficaram mais alguns minutos ao telefone, conversando sobre suas músicas preferidas do artista e compartilhando suas expectativas sobre o álbum e logo depois desligaram, com ambos sorridentes pela interação e com o coração cheio de um quentinho que nenhum saberia explicar.

As oito da noite, Alicia adentra ao quarto de Raquel para dormir e foi então que veio a confirmação de que algo sério estava acontecendo, pois além de a ruiva ser a definição de uma pessoa falante e extrovertida, coisa que não a caracteriza no momento, e com toda certeza, ela costumava ser a “inimiga do fim” no grupo, sempre tentando atrasar o fim dos roles e a última a dormir. Raquel decide que precisa fazer algo e logo decide falar sobre a dedicatória que Sérgio havia lhe feito, para vê-la implicando, porém sua única resposta foi "que dulce” e então, ela decide dar o espaço que a amiga precisa, apaga a luz do quarto e deita ao seu lado, de conchinha e a abraça. Já estava quase pegando no sono quando escuta:

- Eles querem me mandar para a França - sussurra Alicia com uma voz de descrença.

- Que...? - diz Raquel levantando assustada.

- Resolveram que querem morar na Itália, é melhor para os negócios… - diz, ainda sem se mover - e como eu posso sujar o nome da família, eles querem me mandar pra longe - Raquel sente uma lágrima escorrer, ainda não sabia como reagir.

- Já resolvi, vou pedir para ser emancipada - fala a ruiva com convicção - assim eu posso ficar aqui, sem precisar me submeter às torturas deles. Se Hitler tivesse descendentes eles seriam da minha família, pode apostar.

Raquel fica calada e paralisada por alguns minutos, esperando sua amiga dizer que era mais uma brincadeira, porém algo em seu peito lhe dizia que uma coisa muito séria estava acontecendo, uma angústia que ela saberia explicar nem se tentasse escrever.

Então, quando sua amiga se vira em sua direção, ela sente seu coração ficar do tamanho de um grão de arroz, os olhos de Alicia traziam uma tristeza sem precedentes, nunca havia visto sua amiga tão triste, ela costumava sorrir e fazer piada até nos piores momentos; a ruiva percebe a confusão no semblante da amiga e então resolve explicar melhor:

- Aparentemente os Sierra me odeiam ao ponto de ter que mudar de país para se livrar de mim -  ri debochada - os negócios estão sempre em prioridade e eles decidiram que precisam ir para a Itália, pra ver a produção do vinho de perto e por algum motivo inexistente eles querem me mandar para a França e não tem nem o p perigo de um me submeter a essa loucura.

Após alguns segundos tentando assimilar todas essas informações, Raquel encontra a solução perfeita:

- Ali… - diz tentando controlar sua respiração - amanhã nós vamos conversar com a mamãe, eu tenho certeza que você pode ficar com a gente. Ela vai saber como resolver isso, vamos tentar não surtar. A gente vai resolver isso - finaliza abraçando a amiga.

As duas demoram a dormir, ficaram em silêncio, abraçadas, enquanto compartilhavam o medo de uma separação e a esperança de que tudo seria resolvido e quando conseguiram pegar no sono, já era muito tarde e nenhuma das duas conseguiu dormir de forma satisfatória, se acordaram regularmente, com uma angústia crescente.

Na manhã seguinte acordaram com semblantes de cansaço, que denunciavam a noite mal dormida, todos perceberam que havia algo de errado, porém preferiram não questionar naquele momento e assim, após tomar o café da manhã, ou pelo menos tentar, elas partem para a escola.


 

***

Sérgio desperta feliz como há muito tempo não se sentia, para falar a verdade, ele não se lembrava de ter vivido momentos tão leves como os atuais e associava isso a chegada dos novos amigos e principalmente, a Raquel. 

Durante o banho, lembrou que faltava menos de um mês para o cumpleaños de seu irmão e como era uma pessoa totalmente metódico, decidiu que teria que começar a organizar tudo o mais rápido possível e além do aniversário, insistia em comemorar também sua volta para a faculdade porque ele a havia trancado enquanto tentava se organizar à nova realidade e para ajudar Carlos e Sergio a retornarem à vida normal.

Enquanto tenta decidir a melhor maneira de comemorar a vida de seu irmão, ele lembra que Raquel é ótima com esse tipo de coisas e decide pedir sua ajuda, falaria com ela quando chegasse a escola e tinha certeza de que ela iria se envolver no processo.

Quando chega a escola, percebe que teria que esperar até o intervalo para falar sobre isso com ela, pois estavam sempre na companhia de outras pessoas, porém no intervalo percebe que ela estava mais inquieta que o normal, parecia que algo a perturbava, seus olhos diziam isso e logo ele quis saber o que poderia ser, seu primeiro pensamento foi que o ex namorado poderia ter voltado.

Em um determinado momento da aula, percebe que Alicia tinha o semblante mais sério que o de costume e seus olhos estavam inchados, como se tivesse chorado por um longo período, então pergunta a Raquel o que havia e se assusta quando a loira responde “os pais dela quem manda ela pra fora do país”, tenta dizer algo para confortar a amiga, mas só consegue abrir a boca, sem emitir nenhum som e naquele momento percebe que a festa de seu irmão pode esperar, antes precisavam resolver, ou pelo menos confortar as três garotas com essa questão, pois sabia que isso afetava as três da mesma maneira.

O dia passa de maneira extremamente arrastada, todos estavam muito impaciente, os cinco haviam decidido não se reunir à noite, pois sabiam a casa dos Murillos estaria muito tensa e que as meninas precisavam se preparar emocional e psicologicamente para a conversa, depois eles seriam avisados do que tinha sido resolvido.

Os pais de Raquel e Monica tinham horários bem conturbados e inúmeras viagens a trabalho, porém por um agrado do destino, eles estavam na cidade e chegaram em casa praticamente ao mesmo tempo e quando entraram na casa perceberam que tinha algo fora do normal, estava um silêncio incomum e as meninas estavam na sala de estar com expressões assustadas, por isso antes mesmo de qualquer coisa eles foram tentar entender o que havia acontecido.

Ouviram tudo o que as meninas tinham a dizer, com muita surpresa pela decisão dos pais de Alicia, mas preferiram não julgar, porque não era o papel deles ali. Notaram que Além de Alicia que era como sua terceira filhas, as filhas biológicas também estavam apavoradas com uma mudança dessa magnitude em suas vidas, eles ajudaram a menina a refletir se realmente não queria essa experiência e levando em consideração a resposta negativa dela, eles sugeriram um encontro com os pais dela, e iriam sugerir uma procuração, onde dariam alguns poderes legais sob a custódia dela enquanto eles estivessem fora do país, essa foi a notícia mais aguardada do dia e assim elas puderam se sentir mais aliviadas. 



 

***

Havia se passado uma semana e meia desde que Alicia havia conseguido contar às amigas o que estava se passando, estavam todas abaladas e preocupadas com a possível separação, nunca haviam ficado mais que um fim de semana separadas e não conseguiam entender a real necessidade dessa mudança. O apoio dos pais de Raquel e Monica estava sendo crucial, eles haviam decidido que a ruiva poderia ficar sob sua responsabilidade e isso seria um prazer, então marcaram uma reunião para a próxima semana, quando eles retornassem da Itália, tudo iria se acertar.

As garotas tentavam ocupar a cabeça com outras coisas que não fosse esse assunto, às vezes era difícil, porém em muitos momentos elas conseguiam e relaxavam ou faziam coisas de adolescentes, mas a ruiva não conseguia disfarçar sua raiva e sempre que possível, soltava frases do tipo ‘eu não acredito que tive que nascer numa família de fascistas”, “eu vou me rebelar, virar uma anarquista e posar nua para “sujar” a família perfeita que eles fingem ser”, porém estava conseguindo se manter calma e sabia que sua segunda família iria ajudá-la.

A cada dia que se passava, as piadas da ruiva sobre ‘Serquel’ - uma estranha combinação entre os nomes de Sérgio e Raquel para poupar seu tempo na hora de falar sobre eles - estavam mais frequentes e a loira, apesar de ficar um pouco irritada com essas insinuações, sempre entrava na brincadeira e acabava dando risada de tudo, ao contrário de Sérgio, que nunca se sentia confortável com esse tipo de brincadeira e isso só aumentava as risadas entre o grupo. 

O apelido surgiu durante uma aula de biologia, na qual a turma havia sido dividida em duplas, para uma prova, quando o professor perguntou quem seria a primeira dupla e de imediato a ruiva gritou do fundo da sala:

- Mas que pergunta besta! claro que é Serquel - e assim arrancou risadas da turma toda.

A verdade era que todos já haviam percebido que eles passavam todo o tempo possível juntos, ninguém entendia muito bem como duas pessoas tão diferentes poderiam ter criado um laço tão forte, a menina era única pessoa que conseguia se aproximar e retirar a parte mais verdadeira da personagem de Sérgio, era como se ela fosse o porto seguro que ele sempre buscou, assim como ele era o dela.

Nenhum dos dois conseguia explicar o que estavam sentindo mas, sabiam que era algo muito forte e ambos estavam convencidos de que eram “irmãos de alma” e que por isso se sentiam tão bem na presença um do outro e sentiam a necessidade de estarem sempre lado a lado.

Desde que Raquel havia sido liberada para voltar a rotina normal, após o incidente na escola, os cinco passavam cada vez mais tempo juntos, além do período que passam juntos na escola e do clube do livro, o namoro de Mônica e Carlos aumentava a interação e a vivência do grupo.

 

***

Andrés estava desconfiando de que suas “crianças” estavam planejando algo, como ela era uma pessoa terrivelmente intuitiva, poderia afirmar que estava certo, porém preferiu fazer-se de desentendido para não pressioná-los ou forçar algo. Mas se tinha uma coisa que ele já não conseguia disfarçar, era a curiosidade sobre as novas amigas do garotos, já sabia que Mônica era namorada de Carlos, porém ainda não a conhecia e pode notar também algumas mudanças nas atitudes de seu irmão, o que lhe deixou com uma pulga atrás da orelha, todavia decidiu dar o espaço necessário para que ele se sentisse confortável.

São oito horas da noite de uma sexta feira e ele estranha o fato de que ao chegar em casa os dois mais novos já estejam ali, o combinado era eles chegarem às nove da noite, pois era  o mesmo horário que ele costumava chegar, mas como os pais de Raquel estariam em uma delicada reunião com os pais de Alicia, eles preferiram dar o máximo de privacidade as duas famílias.

Apesar de ouvir as vozes dos garotos ele ainda não havia sido notado e pode ouvir parte da conversa e mais uma vez ele ouviu os nomes das novas amigas e percebeu que algo sério estava acontecendo com uma delas, pois sentia o tom de preocupação na conversa do meninos; após alguns minutos, ele decide avisar que já chegou e os três ficam ali, no sofá conversando um pouco sobre suas rotinas e sobre a nova universidade de Andrés, até decidirem que estava na hra de preparar o jantar, mas antes de saírem da sala o mais velho mais uma vez demonstra o interesse em conhecer as amigas deles:

-Hermanitos, a minha curiosidade pelas novas amizades de vocês só aumenta - diz Andrés, estreitados os olhos - não entendo porque vocês ainda não as trouxeram aqui, até parece que eu as deixaria desconfortáveis…

- Bom, não é como se isso fosse uma mentira, Andrés - diz Sérgio, recebendo uma expressão de ofensa como resposta.

- É Andrés… - diz Carlos, em um tom ponderado, pois tem ciência de que o mais velho não lida muito bem com certas 'críticas' - vou ter que concordar com o Sérgio, apesar de querer muito que você conheça “Serquel”...

- Agora eu começo a entender porque a Alicia te considera uma persona non grata - diz Sérgio, o encarando com um olhar matador.

- Opa, opa, opa… qué es eso del tema Serquel?

Eles são interrompidos pelo som do telefone, que indicava que alguém ligava e ao perceber a hora, Sérgio já sabe de quem se trata, logo se apressa em deixar a cozinha e se direciona ao seu quarto, sabia que a ligação seria longa, ele e Raquel sentiam uma grande necessidade de estarem em contato e dividirem todos os detalhes de seus dias, mesmo que tenham ficado muitas horas do dia juntos, e obviamente não seria diferente nesse momento de tensão.

Ao contrário do que ele esperava a ligação não durou tanto tempo assim, foi apenas o suficiente para ficar sabendo que tudo estava bem e que havia saído conforme o planejado, os detalhes só viriam no dia seguinte, mas para ele não importava, pois saber que Raquel e as outras duas estavam mais tranquilas e que tudo estava se acertando já lhe era o suficiente. Então, depois de alguns minutos ele chega na cozinha para ajudar no preparo do jantar e a noite, em sua casa, termina de maneira tranquila e ele consegue dormir sereno e tranquilo como não conseguia há alguns dias.

 

***

Após o jantar na casa da família Murillo, o clima estava mais leve, Alicia havia ficado em sua casa, pois apesar das imposições que iam contra suas vontades, aquela ainda era e sempre seria sua família e após perceber o quanto seu pai estava abalado com tudo isso, decidiu que aproveitaria o máximo possível a sua vida com sua família biológica.  Então Marivi e seu marido conversam com as filhas, para tranquilizá-las e garantem que tudo ficará bem. 

Todos estavam emocionalmente cansados então, logo após o jantar, decidem que é hora de ir para a cama, pois o dia seguinte seria longo para eles. Após se preparar para dormir, Raquel se deita e sente que seu corpo está exausto, pois há dias não consegue dormir bem, pouco tempo depois é vencida pelo cansaço e dorme o sono dos justos, já que agora sabia que tudo estava se resolvendo

 

Algumas horas mais tarde…

 

Raquel desperta assustada com o barulho estridente do telefone tocando, olha rapidamente para o relógio em sua mesa de cabeceira e vê que são três da manhã, por alguns segundos considera não atender a chamada, pois não sabia de quem se tratava, porém logo lembra de Alicia e pensa que pode ser a amiga que esteja precisando de alguma ajuda, então se levanta apressada para atender antes que a ligação caia.

- Ali? - pergunta certa de que seja a amiga e a sua única resposta é uma respiração forte e descompassada que parecia um choro ou quiçá uma pessoa com muita raiva, então sente seu corpo gelar, ao cogitar a segunda hipótese - Alberto?

- Ra..Raquel - se apressa em responder - sou eu Sergio! - a menina franziu o cenho confusa com a ligação.

- Sergio, o que aconteceu? - pergunta preocupada.

- E-eu preciso da sua ajuda, preciso de você - fala entre soluços.

...


Notas Finais


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