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História Tabloide - Capítulo 12


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Notas do Autor


Boa leitura <3

Capítulo 12 - Rotina


Fanfic / Fanfiction Tabloide - Capítulo 12 - Rotina

O computador de Jinyoung estava desligado sobre a mesinha da sala enquanto ele se espreguiçava no sofá. Quanto será que custava um sofá como aquele? Ele se perguntava relaxando sobre o toque macio do tecido que revestia o estofado. Provavelmente mais do que ele conseguia render para si no mês, mas talvez se ele juntasse um pouco e vendesse sua cama, conseguiria comprar um igual para seu apartamento. Ele não ligaria de trocar a cama por um sofá daqueles. 

 

— Senhor Jinyoung — A voz de Junna despertou o jornalista do seu pequeno cochilo — seu amigo chegou.

 

Jinyoung se levantou agradecendo a mulher. Parado na porta estava Wonpil junto de um dos seguranças de Jaebeom, Sungjin. Pelo que o jornalista havia entendido, Sungjin tinha ficado responsável de o acompanhar sempre que tinha visitas. Não que Jinyoung achasse ruim, o segurança já tinha se mostrado muito amigável, mais do que o tal Jackson, mas ainda assim era uma proteção exagerada, já que Jinyoung estava recebendo seus amigos e não precisava daquele monitoramento. 

 

— Eu não me sinto muito confortável vindo aqui — Wonpil falou entrando na sala e dando um abraço em Jinyoung. 

 

— Pil, eu não posso ficar saindo… Bambam disse que os outros acusados do caso estão atentos em tudo que eles fazem. Jaebeom tem sido vigiado constantemente dentro da empresa e eles sabem que estou aqui.

 

— Bambam? — Wonpil questionou.

 

— Kunpimook, o advogado de Jaebeom. Comecei a chamá-lo assim, é mais fácil.

 

— Você está mesmo próximo deles, até chamando o advogado pelo apelido.

 

Wonpil falou sentando-se no sofá ao lado de Jinyoung. 

 

— Não é bem assim… Nós acabamos nos aproximando, eu e Bambam, por conta dos conteúdos postados no blog. Ele me deu autorização para o chamar assim. 

 

— Se você diz. Mas agora me conte mais sobre essa história de Jaebeom estar sendo vigiado. 

 

Jinyoung suspirou fundo e tentou se lembrar da noite anterior, onde ele, Jaebeom e Bambam estavam conversando sobre o andamento do caso.

 

— Você sabe que os IM são donos de grandes negócios pelo país e fora, certo? Atualmente o caso de corrupção tem circulado mais nas revistas especializadas em negócios e alguns jornais específicos, que não conseguem deixar o assunto morrer. Além do nosso, é claro. E dentro desse caso, são poucos que estão realmente sabendo da ligação com os chineses, muitos funcionários de dentro das empresas tem sido pagos por pessoas externas para vigiar os movimentos de Jaebeom e seus aliados, pois ao que tudo indica, estão buscando algo para o incriminar. 

 

— Você está querendo dizer que o pessoal que trabalha para Jaebeom estão desconfiando dele? 

 

— Teoricamente sim. Os sócios acusados ainda estão trabalhando na empresa, eles agem como se nada estivesse acontecendo e tentam manipular a opinião alheia de quem está na elite com eles, usando os funcionários da base para cochicharem pelos corredores e espalhar boatos. 

 

— Eu me lembro da sua primeira visita naquela empresa, como o secretário de Jaebeom chegou falando com você, sabendo da história da festa. Não me surpreende que eles sejam um bando de fofoqueiros.

 

Jinyoung passou as mãos pelos cabelos, se lembrando da abordagem de Jae quando visitou o prédio dos IM. 

 

— Pois é… Bambam disse que o clima dentro da empresa está péssimo e que Jaebeom tem sido pressionado por investidores externos. Ele tem chegado cansado em casa constantemente. 

 

Wonpil encarou o amigo e se ajustou no sofá para que pudesse o analisar melhor.

 

— Falando em Jaebeom… Como anda sua relação com ele aqui dentro? Pararam de brigar por conta de luz acesa em cômodos vazios? 

 

Jinyoung sentiu as bochechas corarem enquanto ele se afundou um pouco mais no sofá e pegou uma almofada para ficar em seu colo. 

 

— Só brigamos por conta da luz uma vez, ok? Eu não tenho culpa dele sair acendendo todas as luzes da casa dele enquanto está usando apenas o escritório, só porque ele pode pagar a conta, não significa que tem que gastar energia à toa.

 

— E por outras coisas, vocês têm se comunicado melhor? 

 

O jornalista olhou a almofada com estampa de flores negras em sua mão. Ele poderia dizer que sua relação com Jaebeom avançou muito desde o dia que visitaram Jun, há um pouco mais de uma semana. O herdeiro parecia mais aberto a conversas e não o olhava mais como um intruso dentro de casa. Eles até tinham conversas regulares sobre os livros há um bom tempo. Então Jinyoung balançou a cabeça indicando que sim.

 

— Estamos evoluindo… Temos o mesmo gosto para literatura e filmes. Nossas conversas não são profundas, então acho que sobreviverei até o fim desse julgamento.

 

Se tinha uma coisa que Jinyoung odiava em Wonpil, era como o amigo tinha a capacidade de ver através de sua armadura e, descobrir através de um mínimo trejeito, que Jinyoung estava mentindo ou escondendo algo de si. Desde quando se tornaram amigos foi assim, Wonpil só precisava encarar Jinyoung com um pouco mais de atenção para descobrir algo e naquele momento não foi diferente, quando Jinyoung sentiu o melhor amigo cruzar os braços e soltar um suspiro lento.

 

— Por que eu sinto que tem mais uma coisinha aí nessa história de “temos o mesmo gosto para literatura e filmes” que você não quer me contar? 

 

Jinyoung soltou a almofada, deixando-a cair no espaço do sofá que o separava de Wonpil antes de falar com uma voz visivelmente alterada.

 

— O que quer dizer com isso? 

 

— Já faz alguns dias que quero lhe perguntar algo, nas nossas ligações você tem dispersado um pouco, deixando seus pensamentos vagarem sei lá onde e ficando em silêncio. Eu te conheço, você não é do tipo de pessoa que sonha acordado, então algo tem acontecido. Desembucha.

 

— Você está viajando, Pil. O que poderia ter acontecido? Eu estou trancado nessa casa, não tem muito o que acontecer.

 

Wonpil se aproximou um pouco de Jinyoung e cutucou com seu dedo indicador a bochecha do amigo. 

 

— Você pode até conseguir não ficar vermelho aqui quando está escondendo algo de mim, mas suas orelhas não mentem. Aconteceu algo entre vocês, não foi? 

 

Jinyoung se afastou para trás e cobriu as orelhas por instinto. Elas ferviam em suas mãos. 

 

— Que saco, Wonpil, quem disse que você podia me ler assim? 

 

— Eu estudei o comportamento das pessoas, Jinyoung, e você é um livro aberto para mim.

 

— Eu te odeio, Kim Wonpil. 

 

— Não odeia nada, seus olhos dizem o contrário. Agora me conta o que rolou.

 

O jornalista voltou a se sentar melhor no sofá, limpando sua garganta com um leve pigarro antes de falar. 

 

— Talvez a gente tenha se beijado esses dias atrás. — Jinyoung falou baixo, fazendo um bico em seus lábios.

 

— O que? — Wonpil arregalou seus olhos na direção do outro.

— Você ouviu, não preciso repetir.

 

— Vocês ficaram? Jinyoung… — Wonpil parecia mais surpreso do que Jinyoung imaginou que ele ficaria. — Ele te forçou?

 

— Não! Wonpil, não sou idiota. 

 

Jinyoung não via tanto motivo para surpresa que nem o amigo estava demonstrando.

 

— Mas como? Eu pensei que você não gostasse dele.

 

— Eu não gosto. 

 

— E você beija quem não gosta, Jinyoung? Foi uma luta para você ficar com Yugyeom na época da faculdade, porque você e seus princípios de só ficar com quem tem algo em comum. Isso que você achava ele super engraçado e já tinham uma amizade de alguns meses para aceitar sair com ele.

 

Cruzando os braços, Jinyoung fez um beicinho. Ele sabia que não era o tipo de pessoa que saia beijando qualquer um. Todos seus relacionamentos passados foram bem selecionados e ele não se arrependia de ter ficado com quem escolheu. Principalmente Yugyeom, só não deram certo porque Jinyoung o via mais como um irmão mais novo do que como um amante. Mas Jinyoung também não era santo e tinha vontades. 

 

— Acabou rolando… A gente estava conversando enquanto ele me mostrava seu telescópio. Já era tarde da noite… Estou trancafiado aqui dentro, acho que juntou os hormônios mais a proximidade de nossos corpos… Quando percebi já estava nos braços dele.  

 

Jinyoung não ia contar da visita à Jun e nem como o herdeiro havia se aberto para ele no carro. Talvez ele tenha se solidarizando um pouco pela causa do outro e somado a tudo que ele vinha vivendo dentro daquela casa, acabou se deixando levar pela situação. Alguns dias tinham se passado desde o ocorrido e nenhum dos dois conversaram sobre. Naquela mesma noite depois de se beijarem, eles se separaram de forma confortável, Jaebeom voltando para seu telescópio e Jinyoung voltando para o quarto, como se o beijo tivesse sido um detalhe entre a conversa deles.

 

— Eu poderia dizer que estou chocado com a informação, mas ao mesmo tempo, algo me diz que isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde.

 

— Oi? — Jinyoung questionou inconformado.

 

— Você desde o começo desenvolveu uma fixação por ele, então foi uma questão de tempo e oportunidade até isso acontecer.

 

— Wonpil, fixação… Isso não existe. Ele é o cara que eu to usando para ajudar nosso jornal, você não viu como crescemos?

 

Wonpil deu um sorriso de lado para o amigo e o respondeu.

 

— No começo não havia dúvidas, mas vai me dizer que agora está atualizando nosso jornal pensando somente nisso? E que, em nenhum momento usou isso para limpar a imagem do herdeiro do qual você se tornou próximo e passou a considerar inocente.

 

Jinyoung abriu e fechou a boca como um peixe fora d’água, não sabendo o que responder para o amigo. Desde quando ele não publicava no jornal pensando apenas em seu crescimento, mas também em manter a imagem de Jaebeom? Nos últimos meses, desde que ele passou a morar naquela casa seu trabalho se resumia em ser o primeiro a anunciar as novidades do caso de corrupção e junto com isso indiretamente aliviar a imagem do herdeiro para seu público.

 

— Ok. — Jinyoung falou assumindo algumas de suas atitudes — Eu confesso que talvez esteja mesmo sendo um pouco imparcial nas publicações do blog. Mas isso não tem nada relacionado ao beijo que rolou entre a gente. Foi algo do momento. Wonpil, não questione a minha capacidade de separar as coisas.

 

— Eu não questiono, Nyoung — Wonpil respondeu de forma carinhosa, levando sua mão até a de Jinyoung e acariciando-a levemente — Você é o melhor jornalista que já conheci com tão pouca idade. Eu confio em você, mas ao mesmo tempo tenho medo. Você é meu melhor amigo, não quero que um cara acostumado a lidar com tubarões lhe confunda a cabeça para tirar proveito próprio para si.

 

— Você fala como se eu fosse uma criança inocente — Jinyoung respondeu acariciando os dedos do amigo que estavam em sua mão — O que rolou foi algo extremamente físico. 

 

— Se tem algo que você não é, Jinyoung, é inocente. Eu já vi você fazer muitas coisas… Algumas que queria apagar da minha mente para manter nossa amizade a mais saudável possível.

 

— Wonpil… — Jinyoung falou em tom de alerta para o amigo não trazer o assunto a tona. Ele sabia das coisas que fez no passado e não eram todas dignas de recordação.

 

— Só tome cuidado, falta pouco para acabar tudo isso, mantenha sua cabeça no lugar.

 

— Sim senhor, pode ficar tranquilo. — Jinyoung sorriu para o amigo. Wonpil era sua zona de conforto e não importava a situação ele sabia que podia contar com o outro.

 

— E se a parte física ainda continuar falando mais alto, não se esqueça de se cuidar, nunca se sabe, né…

 

— PIL!  — Jinyoung protestou se levantando do sofá e pegando a almofada esquecida para bater no amigo.

 

Os dois lutavam de forma amigável no sofá quando a porta da sala se destrancou e Jaebeom entrou em casa segurando seu paletó em um dos braços. Ele congelou na porta enquanto olhava na direção dos dois amigos em seu sofá. Jinyoung com as pernas em cima de Wonpil, segurando a almofada com as duas mãos e os cabelos bagunçados. Wonpil segurava a cintura do amigo com uma das mãos, lhe apoiando para que não caísse dali, e com a outra se protegia da almofada. Num gesto exasperado, os amigos se separaram voltando a se sentar civilizadamente no sofá. 

 

Jaebeom fechou a porta e deu alguns passos em direção a eles, olhando sério para Sungjin que estava sentado no bar da sala. Jinyoung havia esquecido completamente a presença do segurança ali, se perguntando se ele tinha ouvido toda a conversa, torcendo para que se sim, não contasse para o chefe. 

 

— Acho que tá na minha hora — Wonpil disse se levantando e ajeitando os cabelos de Jinyoung que o olhou de forma curiosa. — Obrigado por permitir eu visitar meu amigo. — Falou direcionado para Jaebeom que estava parado próximo ao corredor, ainda os observando.

 

— Ele não é um prisioneiro — Jaebeom falou de forma seca, seus olhos fixos onde a mão de Wonpil acariciava a cabeça de Jinyoung.

 

— De forma alguma — Wonpil respondeu com um leve sorriso, pegando um casaco que havia trazido e estava descartado no chão — Mas ainda assim é sua casa. Vou deixá-los tranquilos agora. Tenham uma boa noite.

 

Jinyoung se levantou e foi até a porta com o amigo. Sungjin pegou as chaves de cima do bar e os seguiu, ele iria levar Wonpil de volta para casa. Jaebeom ficou no seu lugar e observou os dois se despedirem e Jinyoung fechar a porta atrás de si.

 

— Minhas almofadas — Jaebeom começou a falar assim que Jinyoung se aproximou de si — Elas são tão caras quanto qualquer outro objeto desse ambiente, por favor tome mais cuidado.

 

— Oh! — Jinyoung falou não esboçando nenhuma surpresa — pode deixar, vou ser mais cuidadoso.

 

Jaebeom o observou como suas roupas estavam levemente desalinhadas por conta da brincadeira e suas bochechas coradas pelos movimentos. Jinyoung respirava um pouco mais rápido do que o normal, como se tivesse feito um exercício físico, fazendo com que o herdeiro desse um pequeno passo para trás quando Jinyoung se virou para o olhar com seus olhos redondos que brilhavam animados.

 

— Você está bem? Como foi o dia? — questionou o jornalista.

 

— Está tudo bem. O dia foi tão cansativo quanto os outros. Vou tomar um banho para relaxar.

 

— Hmm faça isso. Suas empregadas fizeram bulgogi hoje, tome um banho e vá jantar. 

 

O herdeiro deu um suspiro longo e concordou com a cabeça, virando de costas e indo para seu quarto sem ver o jornalista o acompanhar com os olhos da sala. Jinyoung riu da situação e foi ajustar as almofadas de volta no sofá. Wonpil era a melhor pessoa para o fazer sorrir daquele jeito e embora ele não acreditasse que fosse chegar tão longe quanto o amigo imaginava com Jaebeom, ele se pegou sorrindo com a possibilidade da ideia. Ficar trancado em uma casa por tanto tempo estava mesmo mexendo com seus princípios. 


 

 

A vantagem de ser um hóspede em uma casa tão grande quanto a de Jaebeom é que Jinyoung tinha muito entretenimento para seus dias. Além dos livros, seus melhores amigos, o jornalista também aproveitava a televisão gigante e os canais por assinatura, assistindo diversos filmes para passar seu tempo. Ele também visitava o jardim de inverno que agora no outono estava com as folhas avermelhadas, dando um ar aconchegante quando ele acendia as luzes amarelas do lugar. Uma vez ou outra, Jinyoung ousou mais e aproveitou a banheira de hidromassagem que ficava do lado de fora da cobertura, numa área para festas que até então não havia sido usada pelo milionário na presença do jornalista ali. Jackson havia dito ao jornalista que havia uma academia no prédio, era só apertar o ícone no painel do elevador que ele era levado até o andar certo, mas até então Jinyoung não tinha tido coragem de ir se exercitar. Ele tinha a sorte de ter um corpo bom desde a adolescência, mas agora comendo mais, e melhor, do que estava acostumado, ele sentia sua barriga estar acima do normal, além da sua bunda é claro, que visivelmente conseguia notar estar mais volumosa.

 

Depois de maratonar alguns filmes de heróis que passou em sequência no canal por assinatura, Jinyoung decidiu ir até o escritório de Jaebeom para devolver os livros que estavam empilhados em sua mesa. Para a surpresa do jornalista, o herdeiro estava trabalhando no cômodo. Jinyoung entrou em silêncio, indo até a estante e devolvendo os livros para seus lugares devidos e aproveitando que estava ali para ver outros títulos que não conhecia.

 

Jinyoung lançava olhares de esgueio para o herdeiro, que parecia não ter nem percebido a sua presença ali. Jaebeom estava com a camisa dobrada até os cotovelos, sua gravata e paletó descartados na ponta não utilizada da mesa. Era visível que estava preocupado com algo e também muito cansado. Pensando em não causar nenhum distúrbio à Jaebeom, Jinyoung escolheu um novo livro e se caminha a passos lentos até a saída do escritório, mas parando seus movimentos quando ouviu a voz rouca de Jaebeom o chamar.

 

— Sim? — Jinyoung responde da porta, observando Jaebeom se afastar um pouco de seu computador e o encarar.

 

— Você sabe fazer massagem? — questiona o herdeiro de forma verdadeira.

 

— Massagem? 

 

— Sim. Estou com muita dor nos meus ombros… E eu preciso terminar essa apresentação ainda hoje para enviar para um cliente na América, ele vai analisar e conversar com outros investidores nesta tarde deles ainda. 

 

Jinyoung se aproximou da mesa, Jaebeom realmente parecia com dor, sua expressão não parecia mentir. 

 

— Eu não sou nenhum especialista, não tenho cursos. Mas posso tentar te ajudar.

 

Jaebeom soltou um suspiro aliviado e se ajustou em sua cadeira, ficando numa melhor postura para o jornalista o massagear. Jinyoung deixou o livro que havia pego em cima da mesa e deu a volta na mesma, ficando atrás da cadeira do herdeiro.

 

— Você tem algum óleo de massagem? Vai ajudar a aliviar sua dor.

 

— Não tenho… Apenas faça assim mesmo.

 

Jinyoung respirou fundo e posicionou suas mãos nos ombros de Jaebeom. Começou a apertar o músculo ali suavemente, sentindo primeiro como estavam contraídos. O tecido da camisa o ajudava a deslizar a mão por toda a extensão dos ombros que, agora vistos de perto, eram mais largos do que o jornalista tinha reparado. Jinyoung começou a pressionar com mais força em alguns pontos onde sentia estar mais duro, subindo seus dedos pelo pescoço e depois descendo até onde suas mãos alcançavam, antes de esbarrar no encosto da cadeira. 

 

Jaebeom fechou os olhos e tentou relaxar um pouco, vez ou outra ele soltava um gemido de dor, dependendo de onde Jinyoung apertava, mas em nenhum momento reclamou ou pediu para interromper os movimentos. Jinyoung aproveitou que estava ali e reparou nos detalhes do rosto do herdeiro. Suas pintinhas espalhadas pela bochecha e pescoço, a orelha levemente rosada onde ainda era visível algumas cicatrizes de piercings que Jinyoung não sabia que o outro tivera. Aos poucos Jaebeom relaxava em suas mãos inexperientes, respirando mais aliviado e mudando o tom de seus gemidos para algo menos dolorido e mais sensual. 

 

O jornalista sentiu sua face aquecer quando Jaebeom jogou o corpo para trás, tombando seu pescoço sobre o encosto da cadeira e ficando de frente para ele. Jaebeom mantinha os olhos fechados, relaxado ao toque. Suas mãos estavam soltas sobre os braços da cadeira e todos seu corpo parecia ter se aliviado da tensão do trabalho. Jinyoung continuou apertando os ombros e descendo um pouco pelos braços, o envolvendo com suas mãos.

 

— Isso é bom — Jaebeom falou num sussurro que Jinyoung tem certeza que vazou sem o consentimento do herdeiro.

 

O ângulo da cabeça de Jaebeom estava estranho visto de cima por Jinyoung, era como se ele estivesse de ponta cabeça para si. Os lábios de Jaebeom eram mais finos do que os de Jinyoung, mas vistos dali, chamavam muito atenção. O contraste do rosado contra a pele branca e com pequenas marcas de cicatrização de uma infância ativa. Jinyoung lambeu seus próprios lábios, inconscientemente, enquanto suas mãos iam lentamente diminuindo o ritmo da massagem.

 

Durante a tarde Jinyoung havia assistido um filme onde o herói estava numa posição parecida com aquela junto da mocinha, será que era muito diferente um beijo daquele ângulo? Jinyoung não tentou controlar seu corpo quando este se inclinou um pouco para frente e se abaixou para encontrar os lábios de Jaebeom com os seus.

 

Era errado beijar alguém sem avisar? Jaebeom estava relaxado abaixo de si, não esperando aquele tipo de interação. Jinyoung selou os lábios de Jaebeom suavemente, acolhendo o lábio inferior do herdeiro entre os seus. Assim que os encostou Jinyoung sentiu uma onda elétrica percorrer por todo seu corpo, o aquecendo de dentro para fora. 

 

Foi apenas um selar, um pouco mais demorado do que o comum, mas Jinyoung queria apenas experimentar a sensação, não esperando que Jaebeom lhe correspondesse. Entretanto o herdeiro não o deixou se afastar, levando uma de suas mãos para a cabeça de Jinyoung e o impedindo de se levantar, voltando a colar seus lábios. 

 

Estranho. Jinyoung pensou enquanto beijava Jaebeom agora mais profundamente. Suas bocas se movimentavam em sincronia e vez ou outra se chocavam de maneira desalinhada. Não era uma experiência ruim, muito pelo contrário, mas não parecia tão certo quanto o filme fez parecer. Talvez por isso Jaebeom tenha soltado a cabeça de Jinyoung para que ele se afastasse, finalizando o beijo.

 

Jinyoung deu um pequeno passo para trás,voltando à posição normal enquanto Jaebeom também se sentava normalmente na cadeira. Seus lábios estavam em chamas, ansiando voltar para onde estavam segundos atrás e, quando Jaebeom afastou a cadeira da mesa e se virou com a mesma para o encarar, não foi difícil prever o que estava prestes a acontecer. 

 

Segurando na mão que Jaebeom lhe estendeu, Jinyoung deu um passo para frente e se sentou no colo do herdeiro, passando suas pernas uma de cada lado de seu corpo e ficando colado ao herdeiro. Eles não demoraram a se beijar, dessa vez com mais vontade e desejo. Jaebeom apertava Jinyoung forte em seus braços enquanto Jinyoung segurava seu pescoço com uma das mãos e com a outra passava os dedos entre seus cabelos.

 

Jinyoung soltou um gemido baixo entre o beijo quando sentiu a mão de Jaebeom acariciar uma de suas coxas. Foi o suficiente para Jaebeom entender que ele estava gostando e assim aplicar um pouco mais de pressão na perna em suas mãos. Seus corpos se movimentavam de forma lenta a procura de atrito, Jinyoung usando sua posição para se esfregar contra as pernas do herdeiro. O beijo ia se tornando uma mistura de saliva e respirações descompassadas a medida que seus corpos desejavam mais. Mas nenhum queria afastar seus lábios. A mão de Jaebeom tinha saído da perna de Jinyoung e agora percorria toda a extensão de sua traseira, fazendo o jornalista arfar entre o beijo.

 

— Pensei que você gostasse apenas de assistir… 

 

Jaebeom falou baixo próximo ao ouvido de Jinyoung, quando finalmente se afastou dos lábios do jornalista e começou a explorar outras áreas. Jinyoung que não tinha como ficar mais vermelho do que estava, cerrou os punhos na camisa do herdeiro e decidiu rir da implicação do outro.

 

— Assistir não é ruim, mas eu prefiro muito mais participar.

 

— Oh, Jinyoung, não fale assim… — Jaebeom falou em seu pescoço.

 

Num impulso, Jaebeom se levantou da cadeira, carregando Jinyoung consigo e o sentando na mesa a sua frente, se mantendo posicionado entre suas pernas. Jinyoung gemeu ao sentir seu membro ser pressionado contra o de Jaebeom naquela nova posição. Ambos estavam bem excitados com o que estavam fazendo, deixando a sanidade para trás.

 

— Não brinque comigo. — Jaebeom passou as mãos pela cintura de Jinyoung, erguendo a camiseta que ele usava e tocando em sua pele quente. 

 

Jinyoung jogou o pescoço para trás e deu livre acesso aos lábios de Jaebeom, que lhe exploraram com beijos abertos e lambidas. Seus corpos estavam em chamas e eles sabiam que dali não teria mais como voltar atrás. Ambos estavam cegos pela luxúria, querendo se aliviar do que os agoniava há um bom tempo, a tensão sexual que desde o princípio os rodeou. 

 

O jornalista estava com a cabeça nas nuvens, apenas deixando seu corpo corresponder aos toques de Jaebeom, quando ao fundo, como se estivesse vindo de um lugar distante, começou a ouvir um telefone tocar. Com muito custo, Jinyoung conseguiu se afastar de Jaebeom o suficiente para que conseguissem se olhar de frente e ouvir um toque que ecoava por toda o escritório, mais próximo do que imaginava. 

 

Jaebeom olhou para o lado e percebeu que seu celular estava tocando, era um número de outro país, que o fez voltar à real, percebendo que ainda não tinha enviado sua apresentação. 

 

— Droga… — falou entre os dentes,  se alongando por cima da perna de Jinyoung e pegando seu celular para o desligar — Essa maldita apresentação.

 

Jinyoung olhou para o computador, era quase meia-noite e Jaebeom precisava com urgência terminar seu trabalho.

 

— Acho melhor você terminar o que estava fazendo. Eu vou te deixar sozinho para não o distrair. 

 

Jaebeom riu baixo e passou as mãos pelos cabelos.

 

— Difícil não me distrair com esse peso entre minhas pernas.

 

Jinyoung olhou para onde Jaebeom tinha apontado e engoliu a seco. Seu membro estava visivelmente duro por debaixo do tecido da calça social e foi inevitável segurar o seu gemido quando Jinyoung desceu da mesa e seus corpos roçaram um de frente para o outro.

 

— Ainda sim, você estava trabalhando nesse documento há horas, é importante… — Seus lábios roçaram nos de Jaebeom, que tentava a todo custo não o tirar dali, mantendo uma das mãos em sua cintura — vai ser melhor assim. Termine seu trabalho, outro dia conversamos melhor sobre isso.

 

Jinyoung se soltou de Jaebeom ouvindo-o protestar com um gemido. Saiu apressado do escritório, indo diretamente para seu quarto e trancando a porta. O livro que ia ler totalmente esquecido na mesa do escritório. 

 

— Oh meu Deus! — falou o jornalista entrando no banheiro e ligando o chuveiro — Isso foi intenso… Muito intenso.

 

Seus batimentos estavam acelerados enquanto entrava no banho gelado, torcendo para que Jaebeom não o odiasse na próxima vez que se encontrassem. 

 

 

 

O maior desafio de Jinyoung, depois que ele e Jaebeom tiveram algumas experiências físicas, foi o de se manter afastado do herdeiro. Os dois pareciam ter construído uma bomba relógio juntos, da qual a qualquer momento que ficassem próximos por muito tempo estava sujeita a explodir. Eles iam passando os dias assim, hora apenas se cumprimentando quando se cruzavam pela casa e outros com encontros quentes pelo corredor dos quartos, um Jinyoung sendo pressionado contra a porta e um Jaebeom arfando entre seu pescoço em desejo. 

 

Era algo premeditado, eles sabiam que mais cedo ou mais tarde terminariam daquela forma. Seus corpos desde o início demonstraram interesse um no outro, o subconsciente nunca mente. O problema é que com o toque físico aumentando, proporcionalmente Jinyoung se via mais envolvido com o herdeiro. Ele não assumia, nem para si próprio, o que se passava em seu interior todas as vezes que Jaebeom lhe lançava aquele olhar repleto de tesão e luxúria. Seu corpo reagia no automático, buscando o maior contato possível com o seu, até um tempo atrás, maior inimigo. 

 

Se Jinyoung pudesse voltar no tempo e contasse ao o seu eu de meses atrás que tinha sentado no colo de Jaebeom em seu escritório e quase sendo fodido no mesmo lugar, com certeza teria sido morto pelas próprias mãos. Jinyoung até pensou em se afastar e voltar a ter a relação que tinham antes, mas como se agora já tinham cruzado a linha invisível e seus corpos agiam sob um feitiço do qual não queriam realmente se desfazer. A convivência aos poucos mostrava tantos lados diferentes de Jaebeom, fazendo Jinyoung ver uma pessoa totalmente oposta do que ele havia construído em sua imaginação. 


 

Jinyoung nunca foi uma pessoa possessiva, pelo menos não com seus amigos ou ex-namorados. Ele sempre deixou os limites bem claros. Nunca foi de cobrar algum tipo de atitude de ninguém e também não permitia cobrarem de si. Por esse motivo ele não estava se reconhecendo plantado em pé na sala de estar, observando Jaebeom chegar do trabalho, mais tarde do que o normal e nitidamente mais bêbado. 

 

— Onde você estava? — Perguntou ao herdeiro, mantendo uma voz serena.

 

— Tivemos uma confraternização na empresa hoje… O contrato com os americanos deu certo. — Jaebeom respondeu sorrindo.

 

— Oh! Parabéns! — Jinyoung respondeu sincero — Fico feliz que tenha dado certo.

 

— Obrigado. — Jaebeom respondeu tirando seus sapatos e entrando em sua sala.

 

— Você está cheirando a álcool e perfume feminino — Jinyoung percebeu assim que Jaebeom se aproximou mais de si.

 

— E? 

 

— E nada, só comentei. — respondeu Jinyoung na defensiva — Só achei que você poderia ter avisado que ia chegar tarde, eu esquentei o jantar, mas agora já esfriou novamente.

 

O olhar que Jaebeom lançou para Jinyoung o fez dar um leve passo para trás na direção da parede.

 

— Eu não tenho que te avisar de nada. Essa é minha casa e eu faço o que quiser.

 

— Wow, ok!? — Jinyoung respondeu se sentindo atacado — Eu só me preocupei, não vai se repetir.

 

— Ótimo… Espero que você não tenha se esquecido da regra número três. A de não se meter na minha vida. 

 

Jaebeom falou dando as costas para Jinyoung e indo para seu quarto. O jornalista ficou parado na sala o observando boquiaberto.

 

— Mas que porra… Eu só estava tentando ser agradecido aqui. 

 

Nervoso com o que tinha acabado de acontecer, Jinyoung correu até seu quarto e pegou um moletom mais grosso e sua carteira. Ele estava cansado, estava tentando ser prestativo, mas foi obrigado a ouvir uma resposta como aquela. A casa o sufocava, por maior que fosse.

 

— Quer saber, que se foda tudo.

 

Abrindo a porta com sua digital, Jinyoung entrou no elevador e desceu até o térreo. Sua mente estava fervendo, querendo brigar com o mundo inteiro se possível. Ele estava cansado de ficar naquela casa e fazer todas as vontades do herdeiro. Ninguém tinha obrigações ali, mas não custava o herdeiro ter avisado que iria chegar tarde, afinal eles estavam jantando juntos com frequência. Seus pensamentos estavam confusos e Jinyoung só pensava em se afastar para voltar tudo ao seu lugar. 

 

Usando um aplicativo de automóvel, Jinyoung chama um carro para lhe buscar e ir para a noite em Itaewon, que ele tanto gostava e há muito tempo não via. Ele também merecia se divertir. 


 

As luzes do bar cegavam Jinyoung, mas ele aproveitou a música estupidamente alta para esquecer do que tinha acontecido na casa do herdeiro. Um, dois… seis shots de soju depois, Jinyoung já se sentia uma nova pessoa. Ele era fraco para bebidas e por isso fez questão de escolher algo forte, para seus sentidos serem inibidos rapidamente e pudesse se soltar entre as pessoas dali. Seu celular vibrou algumas vezes em seu bolso, mas ele não se importou em checar quem estava ligando, se deixando levar por uma conversa com um grupo de universitários que acabara de conhecer no balcão. 

 

Durante a faculdade Jinyoung não foi do tipo de aluno que frequentava todas as festas, mas sair a noite com seus amigos era como uma religião, indo passear pelos bares e descontar as dores das aulas nos copos de bebida, por isso não era difícil para ele se enturmar quando o corpo já tinha álcool nas veias, tirando daquelas companhias o conforto que precisava. Ele até havia pensado em ligar para seus amigos, mas sabia que Wonpil questionaria seus motivos, além de ficar preocupado com ele solto na noite, preferindo agir por conta própria. 

 

A noite estava fria, o outono dava sua graça, fazendo ventar forte por aquelas ruas. Depois de se despedir do grupo que fez amizade e iriam voltar para casa de metrô, Jinyoung caminhou solitariamente pelas ruas, desviando de possíveis problemas e indo se sentar em um banquinho de praça solitário perto do ponto de ônibus. Ele queria voltar para seu apartamento, mas nem isso era possível já que suas chaves tinham ficado na mala esquecida na casa de Jaebeom. 

 

Respirando fundo para se manter sóbrio, Jinyoung observou a sua volta. Na sua frente, como obra do destino, estava um dos shoppings luxuosos do grupo IM. Uma enorme construção em vidro com letreiros luminosos e um painel de led que exibia as marcas das lojas no interior. O comércio já estava fechado naquele horário e o jornalista só podia assistir o painel gigante lhe iluminando.

 

O que estava acontecendo consigo? Não tinha razão nenhuma para estar fazendo aquilo, o que tinha lhe atacado. Ciúmes? Era ridículo, riu Jinyoung de si mesmo. Ele e Jaebeom não tinham nada além de uma atração carnal causada pelo confinamento. Ambos sendo manipulados por seus hormônios e desejos sexuais. Faltava pouco, pensou Jinyoung. Faltava pouco para ele estar livre daquele pesadelo que ele mesmo havia se colocado. Já estavam no terceiro mês e, de acordo com Bambam, o julgamento aconteceria antes do previsto. Ele só precisa aguentar mais um pouco para poder voltar para casa.

 

— Lembre-se do que Wonpil falou, Jinyoung… Jaebeom está acostumado a lidar com tubarões, você é um mero peixinho na rede dele.

 

Jinyoung falou baixo para si, assistindo uma marca de luxo passar no telão do shopping. Ele não se deixaria levar mais pelas emoções confusas de seu confinamento.

 

Sentindo um arrepio de frio, Jinyoung decidiu que era hora de voltar para casa… Ou melhor dizendo, para a casa de Jaebeom. Pegou seu celular novamente e quando estava prestes a pedir um carro, se lembrou que não sabia como chegar na casa do herdeiro. Todas as vezes que fora para lá, havia sido como carona, nunca se perguntando qual o endereço da rua. No aplicativo que usou para chegar até ali, o carro vinha lhe encontrar onde estivesse com seu gps, mas naquele estado bebado no qual se encontrava, não estava conseguindo acessar sua última viagem para ver qual era a rua da qual havia saído anteriormente.

 

Suspirando fundo, Jinyoung envia uma mensagem para Jaebeom, pedindo para que ele mandar o endereço de sua cobertura. Seus olhos estavam pesados de sono por conta do seu estado alcoolizado. Ele não queria demorar muito para chegar em casa e deitar em sua cama. 

 

Jaebeom não o respondia e o frio da madrugada só aumentava.

 

Jinyoung estava quase adormecendo quando sentiu seu corpo ser envolto por um abraço. Um cheiro de ervas e madeira lhe invadiu as narinas e como uma criança que insistia em ficar acordada até tarde para contradizer seus pais, mas não resistindo as primeiras horas, Jinyoung sentiu seu corpo amolecer e entrar num sono profundo. 


Notas Finais


Obrigada por estar acompanhando Tabloide até aqui. Normalmente minhas histórias terminam por aqui, mas milagrosamente essa vai ter alguns capítulos a mais. Espero que continue comigo até o fim.

Comentários são bem-vindos <3

XoXo~


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