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História Tabloide - Capítulo 19


Escrita por:


Notas do Autor


Eu achei que não ia sair esse capítulo nessa semana, foi tão dificil... mas aqui estamos. Espero que goste!

boa leitura <3

Capítulo 19 - I love...


Fanfic / Fanfiction Tabloide - Capítulo 19 - I love...

Jaebeom sentiu suas bochechas cortarem pelo ar frio assim que saiu do prédio de Jinyoung. Como esperado, a temperatura caiu drasticamente da noite anterior para aquela manhã. Embora ainda não estivesse nevando, o chão molhado da chuva passada estava escorregadio com uma finíssima camada de gelo e ele precisou caminhar com cuidado pela calçada até a estação de metrô mais próxima. Sua cabeça estava a mil com o que tinha acabado de acontecer, pensamentos bagunçados o perturbavam com uma única possibilidade: tudo que havia vivido nas últimas semanas era uma mentira. 

 

O histórico de romances de Im Jaebeom era extenso. Casos pequenos que duraram algumas noites até um quase noivado com a filha de um amigo de seu pai, que, por sorte (assim ele considerava) fugiu com o namorado da época de escola para outro país, frustrando os planos de ambas famílias. 

 

Jaebeom não se considerava uma pessoa romântica, mas sempre que se relacionava com alguém fazia de tudo pela pessoa e esse seu lado dava brechas para que os companheiros entrassem em sua vida e por muitas vezes tirassem proveito do que tinha construído junto com sua família. 

 

Ser filho único de uma família milionária era o sonho de milhares de pessoas. Jaebeom cresceu estudando nas melhores escolas, teve as melhores roupas e aparelhos tecnológicos a sua disposição. Foi treinado para ser um verdadeiro CEO e mesmo em sua época rebelde era visto como uma figura de líder. Afinal, um belo rebelde como Jaebeom ainda era o filho herdeiro da fortuna dos Im. 

 

Ter sua figura exposta em revistas e jornais atraía muita atenção e isso causava pessoas interessadas em ter o milionário em suas camas. Jaebeom era um playboy, ele desejou muitas pessoas e as teve na palma de suas mãos. Mulheres e homens, o herdeiro não se importava desde que tivesse lhe interessado, e vivendo num mundo construído de aparências não era difícil encontrar pessoas atraentes fisicamente e intelectualmente para corresponder os desejos do herdeiro. 

 

A diferença era que Jaebeom era um cachorro treinado, sua família fez questão de lhe ensinar bem o dando péssimas experiências desde a infância, como por exemplo quando uma de suas babás era na verdade uma ladra que aproveitava a ausência dos pais do herdeiro na casa para fazer pequenos furtos de objetos preciosos. Ela era uma mulher doce e muito bonita, ensinou Jaebeom a pintar aquarelas e lia livros de fantasia para ele, escondido dos pais que não permitiam tal literatura dentro de casa. Porém, apesar de ser uma das melhores cuidadoras que Jaebeom teve, ela também planejou friamente um assalto na mansão dos Im em uma noite que iria ficar de cuidados com o herdeiro, naquela época com apenas oito anos. Jaebeom se lembrava perfeitamente da expressão dela quando a polícia chegou na casa, como ela proferiu palavras duras para seus pais e para si mesmo, que não estava entendendo nada. A senhora Im tentou o proteger dos gritos, mas era impossível não ouvir. Depois daquela noite, Jaebeom aprendeu que pessoas como ele não podiam confiar tão facilmente nos outros, sempre existia um motivo maior do que sua própria existência para alguém se aproximar.

 

E foi carregando essas memórias repletas de dor e sentimentos ruins que Jaebeom chegou ao prédio dos Im para pegar seu carro na garagem que tinha ficado da noite passada. Ele não cumprimentou os seguranças do lugar quando entrou, indo direto para o carro a passos largos, era sábado e estranharam a presença do CEO logo pela manhã no local, mas ninguém ousou questionar o motivo dele estar ali. 

 

Jaebeom entrou no carro e no modo automático saiu pelas ruas de Seoul, tentando chegar em casa o mais rápido possível, mas as ruas aos sábados eram terríveis e ele demorou mais do que o costume para chegar em seu prédio. Ele não saberia recontar o seu trajeto, sua cabeça não registrou nada a sua volta e quando percebeu estava parado na frente do bar da sua sala de estar, virando um copo de whiskey sem gelo garganta a baixo. Era cedo, mas ele acreditou precisar daquela dose, como se o álcool fosse o remédio capaz de curar a dor que estava sentindo em seu peito. 

 

Ele queria gritar, mas se controlou, se jogando no sofá e encarando o teto branco de sua cobertura. Jinyoung não podia ser uma farsa, certo? Ele pensou sentindo uma lágrima escorrer singelamente pela lateral do seu olho esquerdo. 

 

O jornalista era tudo o que Jaebeom odiava, uma pessoa curiosa e que invadia sua vida sem pedir autorização. Ele se lembrava dos primeiros encontros com um certo ranço, aquele olhar determinado e disposto a o desafiar. Ninguém o encarava daquele jeito, afinal ele era Im Jaebeom, e quem o jornalista de um jornal desconhecido achava que era para o desafiar daquela forma? O herdeiro tentou de todas as formas se manter longe do jornalista dor de cabeça, como ele se referia aos amigos próximos, mas o destino parecia querer fazer eles se aproximarem a todo custo, colocando-os até mesmo debaixo do mesmo teto. 

 

Jaebeom podia ter recusado, ele poderia ter pago um outro lugar tão seguro quanto sua própria casa para o jornalista ficar quando a máfia contratada por Jisung começou a perseguí-lo. Mas Bambam foi convincente ao dizer que ele deveria ficar ali, tinha essa aliança que estava propondo ao jornal de Jinyoung para os ajudar a melhorar sua imagem e contra-atacar seus inimigos. Tudo bobagem, ele sabia, mas ainda assim aceitou a proposta do advogado e Jinyoung entrou em sua vida. 

 

No começo foi fácil ignorar a presença do jornalista ali, apesar dos pequenos detalhes fora do lugar que indicavam ao herdeiro que alguém estava em sua casa - suas empregadas jamais deixariam as almofadas da sala daquela forma desalinhada - além do leve perfume que pairava pelos corredores, bem característico e diferente do que usava. 

 

Eles mantinham uma convivência cordial, mas não perdiam muito tempo conversando se não houvesse necessidade e assim os primeiros dias foram passando, sem um intrometer na vida do outro. Mas Jaebeom sabia que Jinyoung era um curioso e essa característica ficou clara para o herdeiro quando ele estava tendo um bom momento em seu escritório com a secretária particular de um dos seus próximos sócios. O sócio e a secretária haviam o visitado naquela tarde para uma conversa de negócios, mas Jaebeom não sendo nenhum santo percebeu logo como a mulher o olhava, flertando consigo na cara dura, ao lado do seu chefe. O homem mais velho precisou ir embora para resolver um problema pessoal e a secretária ficou para finalizar os detalhes do contrato, e isso era tudo que Jaebeom precisava para a ter em seus braços. Eles se pegaram no escritório, sem muitos carinhos, ela não parecia se importar. E foi no meio do ato que Jaebeom percebeu uma de suas câmeras de segurança internas ativar no monitor e pela imagem noturna registrar Jinyoung entrando na sala de jantar. O jornalista parecia estar sonolento e quase passou despercebido do escritório, e teria ido para a cozinha se a mulher em cima da sua mesa não gemesse mais alto do que o esperado chamando a atenção do jornalista. Jaebeom observou Jinyoung se aproximar da porta sorrateiramente e se assustar ao ver o que acontecia ali dentro. O herdeiro teria parado na hora se fosse outra pessoa, iria fechar a porta com força na cara de quem quer que fosse, mas não foi bem isso que fez ao notar que o jornalista não se movia para sair dali. Movido por um desejo interno, Jaebeom ajustou o corpo da mulher na sua frente e começou a beijar seu pescoço, de um jeito que a visão de Jinyoung focasse bem em como ela estava se divertindo com tudo aquilo. Se o jornalista queria assistir, Jaebeom daria um show para ele. O que o herdeiro não esperava era ao lançar um olhar em direção a porta para garantir que Jinyoung ainda estava os assistindo era encontrar uma face corada, os lábios avermelhados semi-abertos numa imagem contraditória de pureza e luxúria. Os olhos de Jinyoung contra os seus despertaram algo em Jaebeom que ele não saberia explicar, mas por alguns instantes o herdeiro se viu com o jornalista nos braços e não mais a secretária. Jinyoung fugiu assim que percebeu que fora notado e Jaebeom terminou o que estava fazendo com a mulher, confuso em quem estava pensando abaixo de si. 

 

Depois desse dia a relação deles foi mudando, Jaebeom percebeu como o jornalista estava reagindo timidamente a sua volta. Era tão fácil o provocar, Jinyoung corava e evitava seu olhar como o diabo foge da cruz e quanto mais ele corria, mais o herdeiro queria o perseguir até perceber que não era por pura diversão, mas sim porque ele estava gostando de ver o jornalista daquele jeito a sua volta. Eles desenvolveram alguns assuntos em comum, os livros se tornaram um elo entre eles e as noites pareciam mais divertidas quando eles discutiam as leituras mais recentes. 

 

Era a primeira vez que alguém de fora do seu círculo social se envolvia tanto com seus gostos daquela forma, Jaebeom aos poucos via Jinyoung mais como um amigo do que o jornalista refém que estava abrigando por segurança em sua casa. Aos poucos Jinyoung ocupou um espaço dentro de Jaebeom que ele não esperava ter alguém tão cedo. Foi simples, chegando pelas beiradas até Jaebeom só conseguir ver o jornalista a sua volta. 

Ele não entendia porque, mas fez questão de mostrar a Jinyoung a verdade da história de Jun, talvez para o fazer entender que ele não era má pessoa, afinal, aquele era um dos lados mais doloridos do seu passado e ele estava contando para um desconhecido, porém o herdeiro não queria ter esse mau entendido entre eles e com um certo esforço contou toda a história e, ao invés de julgamento, recebeu um sorriso empático de Jinyoung, algo que ele não esperava e que por aquela noite o deixou muito feliz. 

 

Essa mesma felicidade que talvez tenha incentivado Jaebeom em investir num beijo com o jornalista naquela mesma noite. Seu peito palpitava forte embora por fora ele parecesse tranquilo. Os lábios de Jinyoung eram viciantes de se olhar e principalmente de se tocar contra os seus. Bastou um beijo para Jaebeom se ver querendo mais do jornalista, buscando seus beijos vez ou outra pelos corredores de sua casa. Jaebeom sabia que o que faziam era algo corporal, dois homens saudáveis dentro de uma casa fechada por tanto tempo, a tensão sexual era forte demais para se segurarem. 

 

Os dias foram passando, Jinyoung foi embora de sua casa e ainda assim Jaebeom sonhava em encontrar o jornalista a qualquer momento pelas ruas e, talvez por um acaso do destino,  de volta a sua casa. Ele se sentia sozinho entre aquelas paredes, o que antes nunca tinha sido um problema para si. Na verdade ficar sozinho costumava ser um alívio, mas agora ele sentia como se uma parte sua tivesse sido arrancada e ele tentava em vão reencontrar em outras histórias que cruzava com a dele. 

 

Reencontrar Jinyoung no meio da rua naquela tarde, saindo daquele café do qual ele nem sequer queria ter ido, mas que Jackson insistiu, fez Jaebeom perceber a falta que o jornalista estava fazendo em seus dias. Não seria exagero de sua parte dizer que quando viu o outro parado na sua frente sentiu as borboletas de seu estômago levantarem voo e despertarem aquele calor tão essencial em seu peito. Não havia outro como Jinyoung, não havia outro que o fizesse se sentir daquela forma, querendo sorrir bobo no meio da rua, não havia outro que o faria se atrasar para uma reunião importante em prol de comprar uma caneta nova de presente, mas que tinha que ser aquela caneta que iria carregar o que sentia para Jinyoung e quem sabe recebesse uma resposta positiva. 

 

E Jaebeom não poderia estar mais feliz quando Jun lhe mandou uma mensagem avisando que Jinyoung estava em sua casa. Apesar de confuso com a visita inesperada ao seu amigo, Jaebeom sabia que era uma chance para ver Jinyoung novamente e ele aproveitou saindo mais cedo do seu trabalho, e deixando Jae atarefado para ajustar seus compromissos. Ele não se importou, apenas seguiu o que sentia vontade de fazer indo se encontrar com eles. E bendito seja Jun por tê-lo avisado da visita, pois graças a ela, ele tinha um encontro marcado com Jinyoung. 

 

Um encontro que apesar de alguns infortúnios, como o joelho ralado de Jinyoung, terminou com eles na cama de Jaebeom, se amando de uma forma crua e sem máscaras. Jaebeom queria guardar aquele momento para sempre em sua mente, Jinyoung deitado em meio aos seus lençóis, chamando seu nome e sorrindo meigamente para si. Um encontro que resultou em outros nas semanas seguintes, que se transformou em lembranças que Jaebeom guardaria com apreço para todo o resto de sua vida. 

 

Por isso doeu muito ver o caderno de Jinyoung com seu nome e demais informações rabiscadas, algumas coisas com uma certa força mostrando que o jornalista havia escrito com raiva. Jaebeom não queria acreditar que tudo que viveram foi planejado, um lado seu dizia que não era, que ele estava tendo uma reação exagerada para tudo aquilo, lhe dizia que Jinyoung sentia o mesmo que ele, que eles estavam apaixonados um pelo outro e o caderno é algo do passado, que não deveria se preocupar. Entretanto, o lado repleto dos monstros do passado que apertavam seu peito com garras afiadas o fazia querer pensar apenas no lado negativo, que Jinyoung estava mentindo para se aproximarem, que seus momentos foram atuações e que os sorrisos trocados não passaram de uma encenação para o ludibriar.

 

Jaebeom deixava seus soluços ecoarem pela sala vazia. Nem seus gatos se aproximaram para o confortar, aumentando ainda mais a dor que sentia em meio aos seus sentimentos confusos. Ele só queria acordar e descobrir que tudo aquilo não passou de um pesadelo, quando abrisse seus olhos novamente, Jinyoung estaria ao seu lado e nenhuma discussão ou caderno existiria mais.  


 

[...]


 

Jinyoung olhou para seu celular pela sexta vez naquele curto período de cinco minutos. Mais uma vez, depois de quatro dias, ele estava esperando alguma resposta para suas mensagens, mas novamente ficou aguardando no lido. Pelo menos ele sabia que Jaebeom ainda não tinha o bloqueado, só não estava o respondendo. Ligações, mensagens de texto e de voz, todas ignoradas pelo herdeiro. Jinyoung já não sabia o que fazer, mas também não conseguia desistir. Ele tentou não pressionar muito, mas quatro dias tinham se passado no vácuo, ele queria conversar com o herdeiro, nem que fosse para esclarecer o que tinha acontecido. Como era sua primeira vez passando por uma situação tipo aquela, ele não sabia se estava forçando demais ou se deveria simplesmente desistir. 

 

— Jinyoung — Wonpil chamou da sua mesa — Se ele está lendo suas mensagens mas não está respondendo, talvez seja melhor você dar um tempo. Deixa ele esfriar a cabeça.

 

— Mas já se passaram quatro dias… Não foi tempo o suficiente? 

 

— Cada um tem seu tempo. Estamos no fim do ano, e além do que aconteceu entre vocês ele deve estar super atarefado com as coisas da empresa, são muitos detalhes. 

 

Jinyoung fez um bico e deixou o celular na mesa dando um suspiro longo. Seu corpo estava cansado, ele não dormia direito desde o dia que Jaebeom saiu de sua casa e nada parecia o reconfortar novamente. Ele queria esclarecer as coisas, dizer ao herdeiro que tudo foi um mal entendido e que ele não tinha intenções de o enganar, nunca teve. Seus sentimentos eram verdadeiros e mesmo que Jaebeom não os aceitasse no fim das contas, ele queria deixar tudo em pratos limpos. 

 

— Dê mais alguns dias para ele, tenho certeza que irá te responder mais cedo ou mais tarde. 


 

Assim Jinyoung fez, deixou completar uma semana desde a última vez que se viram e aos poucos diminuiu a frequência de suas mensagens, até finalmente não às enviar mais. O jornalista ia seguindo seus dias de forma banal, trabalhando sem muito entusiasmo e sorrindo amarelo para seus colegas, fingindo estar tudo bem. Ele não aguentava mais esse silêncio por parte do herdeiro e durante a segunda semana sem nenhuma resposta ele decidiu ir atrás de Jaebeom, mesmo sem um agendamento. 

 

O prédio dos IM estava todo decorado com enfeites natalinos, uma enorme árvore cintilava mesmo a luz do dia no meio do saguão de entrada. Jinyoung rezou por um milagre de Natal, ele queria tanto ver Jaebeom, saber se ele estava bem, que nem mesmo a neve do lado de fora o impediu de chegar ali naquela manhã. 

 

— Oh! Park Jinyoung!? — falou surpresa a recepcionista do prédio ao ver Jinyoung se aproximar do balcão. 

 

— Olá  — Jinyoung falou com um sorriso pequeno em seus lábios — Será que eu poderia conversar com Im Jaebeom? — ele questionou sentindo um amargo em sua garganta ao dizer o nome do outro em voz alta após tanto tempo. 

 

— Tem horário marcado? 

 

— Não…

 

Ela o encarou de forma simpática e verificou em seu computador a agenda do CEO.

 

— Ele está em uma reunião nesse momento, não posso lhe deixar subir. 

 

— Será que poderia pedir para Jae avisar quando ele desocupar? Eu aguardo aqui no saguão. 

 

— Senhor Park, a agenda do senhor Im está cheia hoje. 

 

— Por favor — Jinyoung pediu, sentindo sua voz suplicar. 

 

— Vou ver o que posso fazer, te aviso se Jae me responder. 

 

Jinyoung se sentou no sofá da recepção. Ele era um conhecido daquele couro, tendo já passado outros dias ali, quando a ligação deles não passava de um contato ríspido. Tantas coisas tinham mudado desde então que o jornalista torcia para que dessa vez fosse diferente. 

 

Duas horas se passaram até a recepcionista vir falar com ele.

 

— Senhor Park… Desculpe, mas parece que não vai ser possível essa reunião sem agendamento. O senhor Im está muito ocupado.

 

— Ele disse isso? 

 

— Jae me pediu para avisar. 

 

— hmm… — Jinyoung sentiu a garganta arder, mas ele era insistente, um teimoso, não iria sair dali sem ao menos ver o rosto de Jaebeom. — Eu vou esperar mais um pouco, em breve ele deve sair para o almoço, certo? 

 

— Não perca seu tempo — a voz de Jae surgiu no saguão, com ele se aproximando de Jinyoung e a recepcionista — Jinyoung, ele não quer ver você. 

 

— Por quê? — Jinyoung se levantou esbaforido — Por que ele não quer me ver? Não é justo… Nós precisamos conversar. 

 

— Eu não sei o que aconteceu entre vocês, mas o humor de Jaebeom está péssimo nas últimas semanas. Ele tem uma pilha de papéis para ler e assinar, algumas coisas atrasadas e que precisam ser resolvidas até o fim do ano. Ele está muito ocupado. 

 

Jinyoung respirou fundo, então era assim que ia acabar. Jaebeom fugindo de si, sem direito a uma última conversa. O jornalista não sabia lidar com aquele tipo de rejeição. 

 

— Ok. Eu vou embora hoje, mas diz para ele que eu não vou desistir dessa última conversa, ele não pode fugir disso para sempre. 

 

Jae arregalou os olhos e nem conseguiu responder, Jinyoung passou por si com passos pesados saindo do prédio e encarando a neve que ainda caía do lado de fora. 

 

Jinyoung não ia se dar por vencido tão fácil, ele conhecia bem os costumes do herdeiro e assim que saiu da entrada do prédio se dirigiu a entrada da garagem, ele iria ver Jaebeom naquele dia, o herdeiro querendo ou não. 

 

Horas passaram até os carros começarem a sair da garagem, o sol já estava se pondo e o frio chegava até os ossos de Jinyoung. Mesmo ele estando bem vestido, ficar horas ali parado não tinha sido uma escolha muito inteligente de sua parte, mas agora ele não iria embora. 

 

Dois carros depois finalmente Jinyoung viu a placa conhecida do carro de Jaebeom e não precisou mais do que um impulso para atravessar a rua correndo, parando na frente do carro e o impedindo de seguir.

 

— Im Jaebeom! — ele chamou com a voz rouca — Saia desse carro agora. 

 

Silêncio. Jinyoung não conseguia ver dentro do carro, os vidros eram escuros demais, mas ele sabia que Jaebeom estava o observando. Seus dedos gelados tremiam levemente sob o capô do carro que não tinha esquentado o suficiente para lhe emanar um pouco de calor. 

 

— Por favor… 

 

Sua voz saiu tremida e fraca, ele não queria chorar, mas seu peito estava doendo e ainda tinha todo o frio que sentia, o atrapalhando.

 

A porta esquerda do carro se abriu e Jinyoung a encarou esperançoso, seu coração palpitando forte aguardando pelo herdeiro. Mas foi apenas Jackson que saiu, o encarando com um olhar de pena. 

 

— Jinyoung, por favor — ele pediu se aproximando do jornalista — Jaebeom está cansado demais para isso, o dia foi difícil.

 

— Oh! O dia foi difícil… O meu também, mas estou aqui para falar com ele. 

 

— Ele não quer falar agora. 

 

— E quando ele vai querer falar, Jackson? 

 

Maldita lágrima que Jinyoung não conseguia controlar e escorreu timidamente pela sua bochecha. 

 

— Eu não sei.

 

Jackson, diferente da primeira vez, foi gentil com o jornalista e sem usar a força o tirou da frente do carro, dando espaço para que o motorista conseguisse terminar de sair da garagem. 

 

Jinyoung, como num filme em câmera lenta, viu o carro passar na sua frente, sua imagem sendo refletida pelo vidro preto lhe mostrava o quão ridículo estava sendo em criar toda aquela situação. Seu coração quebrou em mais alguns pedacinhos e ele sentiu Jackson colocar um cachecol azul marinho em volta de si.

 

— Fique bem, Jinyoung. 

 

O segurança correu até o carro, voltando para a porta da qual tinha saído. Jinyoung ficou observando o automóvel parado, as luzes do farol traseiro vermelho ofuscando sua vista e se tornando um borrão entre as lágrimas que brotavam em sua vista. Ele odiava se sentir impossibilitado de algo, não admitia ver a situação se perder daquela forma, escorrendo entre seus dedos. Porém, não tinha muito que pudesse fazer mais. Jinyoung virou as costas para o carro que até então não havia se movido e começou a ir embora, se dando por vencido pela primeira vez em sua vida. 



 

A neve continuou caindo sobre a cidade de Seoul pelos próximos dias, cobrindo tudo de branco e deixando as ruas vazias de transeuntes. Embora estivesse muito frio, o trabalho na redação do jornal não podia parar e graças aos aquecedores o ar interno do lugar era agradável o suficiente para se ficar sem casacos. 

 

— Boa tarde pessoal, espero que tenham tido um bom Natal — Kihyun falou entrando no departamento e chamando a atenção dos ali presentes. 

 

Jinyoung que estava na sua sala com Wonpil apenas sorriu ao longe e voltou sua atenção ao que estava fazendo. Ele tinha se afundado em suas matérias nos últimos dias a fim de esquecer tudo que tinha acontecido e a técnica parecia estar dando algum efeito, já que ele se cansava tanto a um ponto de chegar em casa e desmaiar em sua cama, não tendo tempo de ficar remoendo suas emoções em relação ao herdeiro. 

 

— Jinyoung, esse convite é para vocês. — Kihyun disse entrando na sala do Seoul Diário e entregando um envelope ao jornalista e saindo da sala em seguida.

 

Wonpil encarou o envelope e aguardou uma reação do amigo, que demorou a notar o que estava acontecendo ali até ver o selo dos IM cravado em alto relevo no canto do papel. Respirando fundo, Jinyoung abriu o envelope e tirou dele um cartão de boas festas e um convite para a festa de fim de ano organizada pelo grupo Im para seus parceiros do ano. Os olhos de Jinyoung percorreram o convite por três vezes, para garantir que não estava lendo nada errado e aquilo realmente era direcionado para si. Wonpil percebendo que o amigo estava sem palavras se levantou e tirou o papel de suas mãos, lendo o conteúdo.

 

— Que porra é essa? Festa de fim de ano? Desde quando o Seoul Diário é um parceiro dos Im? — Wonpil falou indignado tacando o envelope em cima da mesa e olhando para o amigo — Você vai nessa festa? 

 

Jinyoung ainda estava em choque pelo conteúdo, nunca imaginou ser convidado para uma das festas famosas do grupo Im, ainda mais como um parceiro.

 

— Creio que depois de tudo que aconteceu com nosso jornal durante o caso de corrupção, eles estejam nos considerando como parceiros? Eu não sei dizer. — Jinyoung respondeu pegando o envelope e guardando-o em sua gaveta.

 

— Não ignore a minha pergunta principal Jinyoung. Você vai na festa? 

 

— Não sei, seria uma boa oportunidade para nós, agora somos um jornal mais conhecido, mas ainda assim falta muito chão para chegarmos aonde queremos. A festa teria boas oportunidades de contatos para anunciantes.

 

— E uma boa oportunidade para ficar de frente a Im Jaebeom, não é mesmo? 

 

— E-Eu não pensei nisso. 

 

— Jinyoung, você acha que engana quem? Há dias tem se comportado como se tivesse superado essa relação estranha que tiveram, mas acha que não percebo seus olhos quando segura a caneta que ele te deu de presente? 

 

— Jaebeom ficou no passado, Pil, é normal olhar com apreço a um presente que ele me deu, sem contar que é uma caneta que eu gosto. 

 

— Claro, um passado de duas semanas atrás é tão recente quanto esse meu corte no dedo feito por um papel durante algumas impressões hoje de manhã. Invisível aos olhos, mas de uma dor profunda quando pressionado. 

 

— Wonpil, combinamos não falar do que rolou entre eu e o Jaebeom, não é mesmo? 

 

— Combinamos, mas eu não aguento ver a sua cara toda vez que algo relacionado a ele ou ao grupo IM acontece. Tinha que ver sua cara ao abrir esse envelope. 

 

— Eu só fiquei surpreso pelo convite, não imaginei que fossemos ser chamados para a festa. 

 

— Talvez ele queira te ver lá. 

 

Os olhos de Jinyoung brilharam ao ouvir as palavras do amigo, o encarando com uma leve esperança.

 

— V-você acha? 

 

Wonpil deu um sorriso de lado, balançando a cabeça em seguida antes de falar.

 

— Ele é um passado mais presente do que imagina, não é mesmo? Eu não sei se ele cuida da lista de convidados, não parece ser algo que precise da aprovação do CEO da empresa pois normalmente as relações públicas fazem isso. 

 

Jinyoung percebeu que o amigo tinha jogado consigo e abaixou a cabeça. Ele não conseguia mentir ainda ser afetado a qualquer menção de Jaebeom. Suas memórias com o herdeiro ainda eram recentes em sua cabeça e não importava como tinham terminado a última conversa, ele ainda queria resolver as coisas com o outro. 

 

Wonpil o deixou sozinho, dizendo que deveria pensar se iria ou não na festa, mas que ele já sabia a resposta. Jinyoung voltou a pegar o envelope em sua gaveta e suspirou fundo, sentindo o peito doer com a possibilidade de encontrar o herdeiro cara a cara novamente. Ele sabia que estava sendo insistente, que deveria se dar o valor e entender que se Jaebeom não queria conversar e esclarecer as coisas era o que deveria ser feito, porém seu peito não conseguia esquecer dos olhos de Jaebeom quando ele afirmou estar apaixonado por ele. Eles brilharam tanto, o sorriso que recebeu em seguida foi tão verdadeiro que Jinyoung sabia que não estava naquele barco sozinho, não tinha como mentir um sentimento como aquele. Jinyoung sabia que o herdeiro estava o afastando para se sentir seguro, porque assim como ele, sentia o amor vibrar em suas veias e se não desse aquele tempo iria ceder ao sentimento e não enxergar a verdade de Jinyoung e isso no futuro poderia se virar novamente contra eles. Doía, Jinyoung sentia seu coração apertar a cada lembrança com o herdeiro e ele precisava mostrar o quão verdadeiro eram seus sentimentos e a melhor forma que ele encontrou foi dando a Jaebeom o tempo necessário para se entender também. Talvez aquele convite em sua gaveta fosse o que precisassem para se encontrarem novamente e colocarem seus desejos e sentimentos a prova, para mostrar a verdade em seus corações. 

 

Jinyoung não precisava esperar mais, ele iria naquela festa.  


 

O último dia do ano chegou rápido, tudo era correria na redação durante essa época que Jinyoung nem percebeu quando o dia chegou e ele iria finalmente para a festa dos Im. 

 

— É tão estranho o Jinyoung não passar uma virada de ano com a gente... — Youngjae falou da sala de Jinyoung, se servindo de um copo de cerveja. 

 

— Ele tem um lugar melhor para ir hoje — Wonpil falou comendo alguns petiscos. 

 

— E eu nem precisei falsificar um convite dessa vez — Mark respondeu enquanto passava os canais da televisão. 

 

Jinyoung que tinha acabado de sair do banho olhou em direção a sua sala onde os amigos estavam e perguntou em voz alta:

 

— Por que estão aqui mesmo? 

 

— Seu novo apartamento é o mais adequado para ver os fogos do rio Han — Youngjae falou apontando para a janela. 

 

— Sem contar que se você não vai estar aqui, nós podemos utilizar as coisas. Amigos são para isso. — Mark continuou.

 

— Vocês são interesseiros. — Jinyoung resmungou do quarto, onde estava se vestindo. 

 

Ele comprou roupas novas para a data, não era algo extremamente elegante, mas eram boas roupas. Afinal de contas era uma festa dos Im, ele não poderia ir vestido de qualquer forma, sem contar que queria estar bem apresentável quando encontrasse o herdeiro. Só de imaginar a cena, seu estômago gelava em antecipação. 

 

— Estou bem? — Perguntou Jinyoung se aproximando dos amigos alguns minutos depois, já completamente vestido e arrumado para a festa. 

 

— Wow! — Youngjae exclamou ao ver o amigo — Você está lindo, Hyung. 

 

— Será um desperdício sair daquela festa sozinho — Mark falou — espero que aquele herdeiro acorde pra vida e veja que não dá para ficar sem você. 

 

Jinyoung riu, sentindo as bochechas corarem.

 

— Mas no final, se não tiver se resolvido, nós estaremos aqui para te consolar, Nyoungie. — Wonpil falou se aproximando de Jinyoung e lhe dando um abraço forte — Você é incrível e tenho certeza que ele vai enxergar isso em você também. 

 

Jinyoung abraçou o amigo de volta e concordou com a cabeça, se despedindo de todos, pois seu transporte estava aguardando no portão. 

 

A festa seria em um dos hotéis do grupo Im e Jinyoung sentia a mão suar fria conforme se aproximava do local. Como esperado havia muito brilho e luzes na entrada, uma festa luxuosa repleta de pessoas bem vestidas. O jornalista sentia o estômago afundar ao se aproximar da entrada, segurando o convite em seus dedos. Estava mais nervoso de quando invadiu a festa de lançamento do outro hotel do grupo. Dessa vez ele era um convidado oficial, mas se sentia deslocado no meio de tantas outras pessoas. 

 

— Bem-vindo, senhor Park Jinyoung, espero que aproveite a festa. Feliz ano novo. 

 

O rapaz que recepcionava os convidados sorriu gentilmente para Jinyoung e o liberou para entrar no saguão de entrada. Este hotel era bem mais luxuoso do que o outro que Jinyoung visitou, afinal era voltado para estadias turísticas e não apenas quem estava ali a negócios. Seguindo as placas de indicação, Jinyoung subiu uma escadaria de mármore e se dirigiu a um salão onde aconteceria a festa. As luzes e decoração do lugar estava impecável, tudo em branco e dourado cintilando nos rostos dos convidados ali presentes. Havia uma mesa enorme com diversos tipos de comida e garçons servindo bebidas para todos os lados. A música por enquanto era calma, mas Jinyoung percebeu que havia equipamentos de DJ em um pequeno palco presente, então teria algo mais animado com o passar do tempo. Ele sinceramente não tinha ideia do que esperar da festa, Diferente da outra não era um lançamento empresarial, mas sim uma comemoração de virada de ano, as pessoas não pareciam interessadas em fazer negócios naquele momento, embora velhas almas jamais deixassem esse lado empreendedor de lado. 

 

O jornalista caminhou pela festa, pegou uma taça de bebida  se arrependendo por nunca conseguir gostar daquilo, mas se todos bebiam ele iria acompanhar. Petiscou alguns aperitivos da mesa e procurou algum conhecido pela multidão. Ele sabia que Kihyun estaria ali com mais alguns conhecidos do jornal The Korea, mas por enquanto ninguém à vista. O salão era grande demais para se ver todos presentes e embora não soubesse como reagiria, o jornalista buscava Jaebeom entre as centenas de faces ali presente. 

 

Contudo, Jaebeom parecia estar em um mundo paralelo, pois mais de uma hora depois da festa ter começado Jinyoung ainda não o tinha encontrado. Claro que havia a chance dele nem ter chegado ainda, mas conhecendo o pouco que conhecia de Jaebeom, ele não era de se atrasar para esses eventos. 

 

Os pés de Jinyoung já estavam cansados de perambular entre os ali presentes, ele cumprimentou alguns rostos conhecidos e agora caminhava até o bar do hotel, torcendo para conseguir sentar um pouco num dos banquinhos e beber algo mais agradável do que aquele champagne caro que lhe secava a garganta. 

 

— Poderia me ver uma água, por favor? — Jinyoung pediu ao barman, preferindo a água para limpar a boca antes de outra bebida. 

 

Dejá vu, Jinyoung pensou quando uma presença parou ao seu lado, colocando um copo de whiskey amarelado em cima do balcão e aguardou. O jornalista se virou lentamente para encarar o rosto da pessoa ao seu lado. Se ele estivesse em um filme, seria nessa hora que a música ficaria lenta, os convidados ofuscados e a pessoa na sua frente se torna a única presente. Jaebeom brincava com o copo na sua frente, sabendo que estava sendo observado, mas não tendo coragem de encarar de volta.

 

Eles ficaram em silêncio por alguns instantes, até o herdeiro respirar fundo e finalmente encarar o jornalista. Se Jinyoung estivesse com seu computador naquele instante ele teria escrito como as órbitas negras de Jaebeom lhe encaram firmemente, mas repletas de uma gentileza que só ele parecia ter. Eles sentiam a conexão entre suas mentes, as palavras que flutuavam em volta de seus corpos buscando o momento certo para serem ditas.

 

— Você veio. — Jaebeom falou baixo. Jinyoung achou que era uma ilusão da sua mente ouvir a voz do herdeiro tão próxima novamente. 

 

— E-eu recebi um convite real dessa vez. — Jinyoung falou sentindo as bochechas corarem.

 

Jaebeom sorriu modestamente e balançou a cabeça positivamente.

 

— Está se divertindo? 

 

— É uma bela festa, mas o champagne ainda não me agrada. 

 

— Eu imaginei mesmo, por isso não me surpreendi ao te ver aqui, no bar. 

 

— Jaebeom, será que a gente poderia conversar num lugar mais isolado? — Jinyoung tomou coragem para perguntar.

 

— Agora não. Preciso conversar com alguns convidados e Jae disse que tenho que dar um discurso em breve, antes dos fogos. 

 

— Mas… Eu prometo ser breve — Jinyoung pediu se aproximando do herdeiro e sua mão indo instintivamente de encontro com a mão do outro. 

 

Jaebeom olhou suas mãos juntas, Jinyoung sentia o calor delas emanar por todo o resto de seus corpos, mas o herdeiro apenas as afastou e pegou o seu copo recém reabastecido do balcão.

 

— Agora não, Jinyoung. Eu preciso ir. 

 

Jinyoung observou o herdeiro se infiltrar no meio dos convidados e sumir de sua vista, sentindo o vazio da presença dele com um frio em suas mãos. Ele respirou fundo e pegou sua água, voltando a andar sem rumo pela festa. 

 

Outra hora se passou e eles se aproximaram da virada do ano. A atenção dos convidados foi direcionada a um palco onde Jae se apresentava. A presença de Jaebeom foi chamada para o tal discurso que comentou que iria fazer e todos pareciam encantados com a presença do CEO de um dos maiores grupos corporativos de toda Coréia. 

 

Jaebeom agradeceu a todos, incluindo seus funcionários e sócios. Contou uma breve história e dividiu alguns momentos que aconteceram na empresa durante o ano. Durante o discurso Jinyoung se desligou das palavras que ali estavam sendo ditas. Ele só enxergava Jaebeom e o seu sorriso, que ele sabia não ser o mais verdadeiro que tinha. Por que ele ainda estava ali? Jaebeom havia o deixado de lado novamente, ele estava insistindo em algo vazio e seu peito pesava em seu corpo. Ele não sabe quando ou como, mas seus pés começaram a se afastar daquele salão enquanto a voz de Jaebeom ia ficando cada vez mais distante até não por vez ser mais ouvida. 



 

— Ótimo discurso, senhor! — Jae falou pegando o microfone de Jaebeom que queria descer logo do palco.

 

— Obrigado. — Jaebeom respondeu pegando um novo copo de bebida do garçom. — Vamos aos fogos? Está quase na hora, certo? 

 

— Sim senhor, faltam poucos minutos. 

 

Jae chamou a atenção de todos novamente, pedindo para que se aproximassem das varandas do salão que agora estavam abertas para a noite fria. Ninguém parecia se importar já que sabiam que teriam um espetáculo pela frente. 

 

— Está procurando alguém, Jaebeom? — Jun, o amigo de Jaebeom se aproximou dele com sua cadeira.

 

— Eu? Por quê? 

 

— Sua cabeça e olhos não param de girar de um lado para o outro, como se querendo achar alguém específico. 

 

— Não, só estou observando os convidados. 

 

— Hmmm, certo. — Jun respondeu não convencido — Achei que estava procurando Park Jinyoung. Acabei de cruzar com ele, mas acho que ele não percebeu a minha presença. 

 

— Onde ele estava? 

 

— Ele foi embora. Estava saindo do salão.

 

— E-Embora? — Jaebeom perguntou com os olhos surpresos. 

 

— Acho que seu discurso foi chato demais para ele aguentar. — riu Jun.

 

"Vamos começar a contagem regressiva" A voz de Jae saiu pelos autofalantes do lugar, animando todos a volta.

 

— Você vai deixar ele ir? 

 

— Como assim? — Jaebeom perguntou olhando o amigo.

 

— Jaebeom, pare de ser cabeça dura. Você está deixando ele ir embora. Você está o afastando, depois não adianta se arrepender. 

 

— O que você acha que eu devo fazer então? Eu…

 

— Só faça o que você quer fazer, Jaebeom. Pelo amor de Deus, pare de pensar um pouco e aja. 

 

Jaebeom ouviu ao fundo Jae fazer a contagem regressiva… 10… 9… Seus olhos cruzaram com os de Jun por um último segundo e então ele deixou seu copo nas mãos do amigo e saiu dali, esbarrando em algumas pessoas sem se desculpar. 

 

— Por favor, que não seja tarde demais!



 

Jinyoung desceu as escadas de mármore mas não conseguiu sair daquele hotel, não queria chegar em casa e encarar seus amigos daquele jeito, ele precisava de um tempo a mais para si e seus pensamentos. Olhando em volta notou que o lugar tinha um jardim interno e por isso seus passos se direcionaram para o mesmo. O jardim estava coberto com uma pequena camada de neve, a decoração de natal ainda presente nas pequenas plantas. 

O jornalista caminhou entre elas e ouviu o som dos fogos de artifício. Olhando para cima ele só conseguia ver o reflexo das luzes e um pouco de fumaça já que estava posicionado em um lugar contra a posição de onde os fogos estavam sendo lançados. Nem para ver os fogos sua visita ali serviu, Jinyoung pensou suspirando fundo e voltando a olhar para as plantas. Um estalo vindo da porta do jardim chamou a atenção do jornalista que se virou rapidamente para ver o que tinha acontecido. Sua respiração falhou um instante ao ver Jaebeom parado há poucos metros de si, com um olhar determinado em suas feições. 

Eles se encararam por um tempo, até Jinyoung se sentir incomodado com aquilo.

 

— Você está perdendo os fogos, vão te cobrar a ausência depois. — Jinyoung falou sem encarar o herdeiro. 

 

— Eu não me importo. — Jaebeom respondeu dando alguns passos em direção ao jornalista.

 

Jinyoung não sabia para onde olhar, se ele encarasse Jaebeom tinha certeza que iria acabar falando tudo que tinha engasgado em seu peito, mas talvez aquele não fosse o melhor momento. 

 

— Jinyoung…

 

Jaebeom chamou tentando fazer o jornalista o olhar. Jinyoung sabia que aquela era uma guerra da qual não conseguiria ganhar e o encarou, finalmente. Jaebeom deu mais um pequeno passo em direção ao outro, os deixando próximos o suficientes para que conversassem em um tom baixo de voz. 

 

Tinha tantas perguntas na cabeça de Jaebeom, tantas coisas que queria saber, como se Jinyoung realmente gostava de fotografia e livros de ficção ou se ele disse gostar para o agradar. Porém, agora que estava parado na frente de Jinyoung, o encarando com aqueles olhos redondos nitidamente lacrimejados, nenhuma daquelas dúvidas pareciam coerentes para si, na verdade pareciam uma grande besteira e Jaebeom se odiava por ter pensado nelas em primeiro lugar. Não tinha como aqueles olhos mentirem, Jaebeom só precisava da resposta de uma pergunta, a que realmente importava.

 

— Jaebeom? — Jinyoung chamou percebendo que o herdeiro não estava falando nada.

 

— Jinyoung, você me ama? Re-realmente me ama? 

 

O jornalista se surpreendeu com a pergunta do outro, precisando tomar um fôlego para realmente entender o que tinha sido lhe perguntado.

 

— Você tá perguntando se…

 

— Sim ou não? Por favor seja direto.  

 

Jaebeom parecia desesperado, suas mãos estavam fechadas ao lado do seu corpo como se ele estivesse se controlando para não tomar uma atitude precipitada. Jinyoung fechou os olhos e deixou o momento entre eles se estender um pouco mais, não tinha mais porque fugir daquela resposta. Era aquilo que ele queria dizer desde o princípio de qualquer forma. Então, Jinyoung abriu seus olhos e enxergou o homem na sua frente, identificando o quão inseguro ele estava naquela situação e lhe sorriu levemente antes de começar a falar. 

 

— Oh, Jaebeom… Eu amo. Eu amo o Jaebeom apaixonado por astrologia. Eu amo o Jaebeom apaixonado por artes, mas que não é habilidoso com um pincel e tem uma letra difícil de ser entendida. Eu amo o Jaebeom apaixonado por gatos que usa voz infantil e não consegue dar uma bronca decente neles quando fazem arte. — Jinyoung respirou fundo, porque nesse momento as lágrimas começaram a sair de seus olhos e ele nem se deu conta — Eu amo o Jaebeom que cozinha durante as noites pensando nos melhores ingredientes. Eu amo o Jaebeom que tratou do meu ferimento com tanto carinho quanto o de um enfermeiro. Eu amo o Jaebeom que ri de programas da tarde da televisão como se fossem a obra mais cômica do mundo usando minhas roupas baratas. E… E eu amo o Jaebeom CEO, de olhos afiados e desafiadores. O Jaebeom chefe que comanda milhares de profissionais todos os dias tentando transformá-las em pessoas melhores. O Jaebeom das revistas de luxo, muitas vezes visto como um arrogante e playboy… Eu amo todos esses Jaebeoms, porque todos eles são você e não tem como eu amar apenas uma parte de você. Eu o amo por completo. Então é sim. Eu amo você, Im Jaebeom.

 

Jinyoung sentiu o soluço de seu choro finalizar sua fala e logo em seguida os braços de Jaebeom o envolverem num abraço apertado. Ele sentia tanta falta daquele calor e daquele perfume que o envolvia que foi impossível não continuar chorando em meio aquele abraço. 

 

— Desculpe, Jinyoung… Desculpe por fazer você passar por tudo isso. Eu fui um idiota.

 

A voz de Jaebeom era mansa e se misturava as próprias lágrimas. Jinyoung retribuiu o abraço do herdeiro e sentiu os lábios do mesmo no topo de sua cabeça. Eles ainda teriam que conversar melhor sobre tudo o que aconteceu, mas naquele momento Jinyoung só queria aproveitar o calor daqueles braços, torcendo para que não se soltassem de si nunca mais.    


Notas Finais


Acredita que o próximo já é o último? Pois é... eu não. Mas vamos conseguir finalizar bem, eu espero.

Obrigada por ler até aqui, seus comentários me deram muita força para chegar até aqui e ficaria feliz de vê-los até o final.
Se cuidem e até o próximo.

XoXo~


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