História (Taekook) - O Raro Híbrido de Tigre - Capítulo 10


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Categorias Bangtan Boys (BTS), EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Gato, Gravidez Masculina, Híbrido, Namjin, Romance, Taekook, Taekookflex, Tigre, Vkook, Yoonmin
Visualizações 831
Palavras 5.006
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ecchi, Fantasia, Ficção, Fluffy, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Essa fic tem a tag Gravidez Masculina, pra quem não está acostumado(a) a ler fics assim talvez ache estranho, mas os híbridos machos podem engravidar, que nem nas histórias omegaverse (ABO). Falei disso agora porque o capítulo comenta sobre isso.

Gostaria de agradecer aos +400 favoritos <3

Capítulo 10 - Dia de folga - Parte II


Fanfic / Fanfiction (Taekook) - O Raro Híbrido de Tigre - Capítulo 10 - Dia de folga - Parte II

Como era divertido cozinhar com os amigos... Jungkook há muito tempo não se sentia tão em paz. A cozinha estava cheia do cheiro de comida e do som das risadas gostosas. Taehyung então, estava adorando enrolar o peixe com o arroz e depois cortar em rodelas; Jimin o ajudava vez ou outra já que entendia do assunto. Os dois riam quando o resultado ficava horroroso e então tinham que sacrificar a peça comendo-a. Jin os puxou as orelhas porque com o tempo estavam mais comendo que trabalhando. Jungkook estava atento ouvindo o que os felinos conversavam quando Jimin puxou o assunto:

- Tae, quando será o seu cio?

Taehyung cortava as rodelas com cuidado.

- Eu não sei. Kookie disse que o veterinário vai contar depois.

- Você vai passar com o Kookie?

- Como assim?

- O Kookie vai passar o cio com você? Se preferir, eu também estou disponível.

Jungkook ouviu com mais atenção ainda e os olhava discretamente. Ele sabia que para os híbridos, relações sexuais era apenas uma necessidade física, assim como comer ou dormir, por isso não era estranho Jimin oferecer para acompanhar Taehyung. Os hyungs conversavam ali perto distraídos, então não davam atenção para o que os híbridos conversavam baixinho.

- Eu não sei... – disse Tae - eu nunca pude escolher antes.

- É sério? – Jimin perguntou surpreso.

- O que acontece com você quando entra no cio? – Tae perguntou curioso.

- Eu saio de casa pra procurar algum parceiro, mas tenho que tomar um remédio antes, pra não voltar com um filhote.

- Tomar um remédio?

- Uhum. Se não toda vez que eu entrasse no cio voltaria com um bebê na barriga. Quero ter um filhote só depois de encontrar minha pessoa especial. - Taehyung o olhava admirado. - E você, Taetae? Também quer ter filhotes um dia?

O tigre abaixou os olhos em direção à mesa. Jungkook conseguia ler sua expressão perfeitamente, e notava que Taehyung estava se imaginando com o próprio filhote. Vi-o sorrir timidamente com as bochechas se enrubescendo com o pensamento. Jungkook deu um sorrisinho já que era a primeira vez que via Taehyung corar.

- Um filhote, só pra mim? – perguntou hesitante.

- É sim. Mas antes você tem que resolver sobre o cio primeiro.

- Vou esperar o que o doutor vai dizer...

Depois disso os dois mudaram de assunto e Jungkook aproveitou a chance para entrar na conversa também.

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Aquele foi o melhor almoço de todos. Kook não fazia ideia de como havia se afastado dos amigos, mas com Taehyung, a presença deles se tornou natural de novo. A felicidade era imensa. Depois da refeição, Namjoon e Jin tinham que voltar para a floricultura deles para trabalhar, afinal, ainda era uma sexta-feira e os negócios não poderiam parar. Jimin se despediu de Tae com um abraço apertado e uma cheirada na bochecha, que foi retribuído da mesma forma. Hoseok também teve de ir embora já que trabalhava ajudando a mãe a entregar morangos para algumas lojas e clientes. Na despedida Taehyung tentou lhe morder os dedos e Hoseok os removeu rapidamente. Tae ria de sua reação toda vez.

- Porque você adora morder os dedos dele? – Jungkook perguntou quando estavam sozinhos outra vez.

- Às vezes a mão dele tem cheiro de morango. – contou abraçando Kook por trás.

- Você sabia que a mãe dele tem uma plantação de morango? – perguntou sorrindo.

- Dá pra se plantar morango?!- Taehyung fez uma cara chocada, como se Hoseok o tivesse traído não contando o segredo da felicidade. – Aish! Eles nascem de dentro de flores ou vem de árvores?

Jungkook riu alto se virando e o enchendo de cócegas como punição por ser fofo demais. Taehyung se retorcia implorando por misericórdia, mas Jungkook não cedia.

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- Aonde vamos? – Taehyung perguntou curioso no banco carona. Estava segurando nas mãos um tablet com um aplicativo interativo para crianças, que ensinava a ler e escrever. Instalar aquele aplicativo foi uma ideia de Nana, e tinha sido genial já que Taehyung estava aprendendo rápido, subindo de nível cada vez mais e ganhando estrelinhas virtuais pelos pontos consecutivos com os hangul que acertava.

- Vamos ao cinema. – Jungkook disse parando na sinaleira.

- Cinema?

- É, conhece?

- Ah! – mexeu as orelhinhas, animado - São aquelas salas grandes e escuras com uma TV gigante?

- É uma tela – contou sorrindo – Mas é isso mesmo.

- Eu vi nos filmes! Parecia tão legal...

- E vai poder conhecer pessoalmente hoje. – disse sorrindo e Taehyung respondeu com um som animado.

Jungkook estava muito feliz que tinha acertado em como passar o dia de folga com Taehyung. O tigre com certeza ia adorar ir ao cinema, já que amava assistir filmes e aprendia muito com eles, e Jungkook não conseguia descrever o quão feliz se sentia em ver Taehyung animado daquele jeito, sem falar o quanto adorava sua companhia.

O sinal abriu.

- Olha Kookie! – apontou pela janela – O supermercado!

- Aquele é outro supermercado. – Kook contou.

Taehyung arregalou os olhos.

- Existe mais de um?

- Sim, existem milhares deles.

Taehyung estava estupefato com a notícia.

- E existem coisas diferentes em cada um deles?

- Infelizmente não... a maioria tem as mesmas coisas dentro.

Ouvir isso não desanimou Taehyung, que continuou admirando tudo o que via pela janela do carro.

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Depois de comprarem os ingressos para o filme, os dois ficaram passeando no shopping, já que ainda faltavam algumas horas para começar. Tae gostava de ver as vitrines, e Jungkook comprou pantufas para ele que cobriam todo o pé e eram de patinhas de tigre. Este chegou a gritar de emoção ao ver o modelo e notar que servia direitinho. Jungkook sorria que nem um bobo vendo seu tigre feliz. O frio estava chegando e Taehyung passava a maior parte do tempo descalço em casa, então a pantufa viria a calhar.

A hora do filme estava chegando, então voltaram para a sessão de cinema. Quem escolheu o que iam assistir foi Taehyung, que preferiu assistir uma animação. De repente seus olhos brilharam ao ver algo atrás do balcão.

- Olha isso Jungkook! – apontou o puxando pela manga - Quanta pipoca!

Jungkook riu de quão fofo o outro estava balançando o rabinho contente.

Este era uma dos aspectos mais deliciosos de se andar junto com Taehyung: ele via beleza nas coisas mais simples. O felino poderia ter um armário cheio de roupas de grife, morar em uma mansão, e ser levado de um lado ao outro dentro de um carro importado, mas o que fazia seus olhos brilharem eram coisas simples como patinhos de borracha, bolo de morango, pantufas, bolhinhas de sabão e máquinas de pipoca.

Taehyung era um híbrido incrivelmente inocente e animado apesar de todas as coisas que passou em sua vida, e seu jeito doce de apreciar as coisas simples fazia Jungkook se lembrar de que existia beleza nesse mundo cruel. Eles entraram na fila da pipoca e Taehyung tentava ler um pequeno cardápio que contava todos os sabores dos produtos e também os tipos de pipoca. Ele lia devagar, mas estava indo muito bem, Jungkook o ajudava com uma palavra ou outra. Tae quis experimentar a pipoca do balde misto, que vinha a salgada misturada com a doce.

Já fazia anos que Jungkook não ia ao cinema, e quando foram assistir ao filme, que a propósito era em 3D, Taehyung reagia tentando pegar com a mão o que quer que estivesse saindo da tela ou movia a cabeça e as orelhas à procura da origem do som que vinha de algum lado da sala. Aquilo era uma gracinha. Kook lançava olhares de vez em quando ao tigre, sentindo o peito se aquecer por estar passando um tempo com ele e por poder lhe proporcionar tanta alegria como naquele momento.

Ao final do filme as luzes se acenderam enquanto os crédito rolavam e Taehyung se virou em sua direção removendo o óculos 3D. Jungkook poderia jurar que daqueles olhos poderiam sair purpurina de tanto que brilhavam de felicidade pela experiência.

Enquanto saíam da sala de cinema, Jungkook recebeu uma mensagem do veterinário, informando que os resultados do sangue de Taehyung chegaram. Como Kook teria o jantar no dia seguinte, achou melhor ir verificar isso nesta noite mesmo. Quando contou a Taehyung sobre a mensagem, sua primeira reação foi:

- Mais uma injeção? – perguntou com as orelhas abaixadas.

- Não, não. Só iremos conversar com o doutor.

Taehyung se animou.

- Vou ganhar pirulito?

- Só se não arranhar nada. – disse risonho.

- Prometo! – sorriu quadradinho.

Jungkook confirmou o horário com o veterinário, e ele e Taehyung saíram para jantar em comemoração de uma semana juntos. O tigre queria comer cachorro-quente pois o cheiro o havia atraído demais, e apesar de simples, foi o melhor jantar de todos.

Na companhia de Taehyung, tudo era delicioso.

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Na fila de espera do veterinário, à uma cadeira de distância tinha um filhote de híbrido de hamster de uns 2 anos de idade sentado no colo de uma adolescente, e Tae brincava com ele fazendo caretas engraçadas enquanto o bebê ria gostoso mexendo as orelhinhas pequenas de roedor. O som da risada do filhote era uma delícia, e ele colocava a mãozinha na boca de tanta animação. A dona do híbrido os deixou interagir e lançava olhares para o pequeno vendo suas reações. Jungkook ficou feliz ao ver que existiam humanos que não julgavam Taehyung por ser um híbrido de um felino grande.

Vendo aquela interação à sua frente, foi a primeira vez que Kook parou para imaginar como seria se Taehyung tivesse um filhote. Imagina um filhote de tigre? Se um grande já dava trabalho, imagina um pequeno... Provavelmente a criaturinha ficaria mordendo e arranhando tudo que visse pela casa e teria energia para dar e vender. Apesar de ter rido da ideia, seu coração se aqueceu ao imaginar Taehyung deitado no ninho de almofadas com um filhote de tigrinho enroscado em seus braços, o mordendo de vez em quando durante o sono com seus dentinhos de leite e ronronando em harmonia com o pai felino.

Jae, o veterinário, os chamou para entrar, e deu uma examinada rápida em Taehyung. Falou que ele está ganhando peso, o que é bom já que antes estava magro demais. Seu sangue também estava ok de acordo com os exames, não tinha doenças sexualmente transmissíveis, nível de glicose bom, tireoide, tudo nos conformes. O doutor pediu para que Jungkook esperasse do lado de fora pois queria fazer algumas perguntas ao tigre. Kook obedeceu saindo dali.

Não muito tempo depois Taehyung saiu da sala com um pirulito na boca e disse que era sua vez de entrar. O veterinário o esperava sentado atrás da mesa com o dono do tigre do outro lado.

- Taehyung está de bom humor. – o homem percebeu.

- Está sim, estava brincando com um filhote de hamster na sala de espera. – contou.

- Estou muito contente em ver tantas melhoras em Taehyung em tão pouco tempo, está mais nutrido, sem olheiras, bronzeado, o peso está ideal... tudo isso em pouco tempo. Estou impressionado. Só tem que cuidar um pouco com a temperatura dele, já que o frio está chegando.

- Fico feliz que ele está bem – Jungkook disse sincero.

- Mas está na hora de falarmos sobre o cio dele e sua previsão da chegada. Vocês conversaram depois da última consulta?

- Ele me contou o que faziam com ele quando estava no cio... ele – engoliu em seco – confirmou as suspeitas que o senhor tinha apontado.

- É, ele me contou um pouco agora a pouco...

- Mas sobre com quem ele vai passar o cio não tocamos no assunto.

- Isso eu vou deixar a critério de vocês dois, mas já vou avisando que se o senhor quiser acompanhá-lo no cio, não será fácil.

- Como assim?

- Bem, tigres são... desculpe o termo, mais “selvagens” entende? Então provavelmente serão três dias bem intensos.

- Eu... tenho algumas curiosidades...

- Pergunte.

Jungkook hesitou, um pouco tímido.

- Geralmente os híbridos de gato que vejo por aí são passivos. Os lobos por exemplo são mais ativos, mas e os tigres? O que geralmente... eles são?

- Infelizmente a isso não tenho resposta... Depende do híbrido, da sua personalidade, da força do cio, é bem difícil dizer de certeza.

- Entendo...

- Pelo nível de hormônios em seu sangue – ele tirou os exames de dentro de uma pasta e os colocou sobre a mesa – o cio dele chegará no final da semana que vem.

- Mas já? – perguntou um pouco surpreso.

- Uhum. Por isso é bom já se organizarem para o ocorrido.

- E prevenções para gravidez? Que tipo de remédio ele tem que tomar?

Jae de repente ficou bem desconfortável, mexendo os ombros.

- Posso prescrever um remédio pra ele...

- O que foi, doutor? – Kook perguntou diante do claro desconforto do outro.

O homem suspirou longamente.

- Senhor Jeon, eu não comentei sobre este assunto na última consulta... mas o senhor já se perguntou do porquê de híbridos como Taehyung serem raros?

- Não...

- Não tem a ver com gene recessivo ou coisa assim, mas sim... fertilidade. – esperou alguns segundos até que Kook absorvesse a informação. - Híbridos de felinos grandes tem um nível de fertilidade baixíssimo.

Jungkook abaixou a cabeça, piscando.

 

A chance de Tae ter filhotes era... baixa?

 

Levantou a cabeça.

- E-eu entendo que a chance pode ser baixa, mas existe, não?

- Existe, claro. – concordou. – Mas tem que levar em consideração o fato de que em todos os cios, ele nunca engravidou.

- Mas eles não usavam nada nele pra evitar a gravidez?

- Não. Eu perguntei a ele, e pelo que pude constar a única droga que usavam nele era a de prolongar o cio. Um filhote de híbrido de tigre vale uma fortuna, então duvido que usassem métodos contraceptivos nele. Afinal, se ele um dia viesse a ter um filhote o venderiam por uma boa quantia.

 

O veterinário parecia bem desconfortável. Ele era um homem bom, do tipo que odiava do fundo do coração dar más notícias. Ele suspirou antes de continuar:

 

- Senhor Jeon... existe um motivo para que a droga de prolongar o cio ser proibida...

 

Jungkook já estava antecipando o pior.

 

O doutor continuou:

- Ela prolonga o cio, mas... o que muitos ignoram é que se usada muitas vezes, existe o risco dela... diminuir o nível de fertilidade, já que manipula os hormônios de maneira não-natural...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não.

 

 

 

 

 

 

 

Não pode ser...

 

 

 

 

 

 

 

Jae continuou:

- Taehyung já tinha um nível baixíssimo de fertilidade... e com a droga...

 

- Mas e se ele for o ativo com outro híbrido? – interrompeu - Ou se envolver com uma fêmea?

 

- A infertilidade está tanto no esperma quanto para gestar um bebê...

 

Jungkook sentiu como se o chão sob seus pés tivesse desabado.

Se encostou na cadeira, ainda em choque.

 

- Senhor Jeon, eu sinto muito. – piscou receoso, falando as palavras calmamente - Mas creio que Taehyung... provavelmente nunca terá filhotes...

 

Depois dessas palavras, os ouvidos de Jungkook pareceram emitir um som agudo, do tipo quando se imagina ouvir depois de uma bomba cair e afetar a audição.

 

Estava em choque.

 

De repente sua imaginação tomou conta de sua mente. Nela, Taehyung estava sentado no jardim em um dia ensolarado com o filhote de tigre correndo à quatro patas ao seu redor. Tae ria e o puxava para um abraço, cheirando a bochechinha da criança, que ria quadradinho como o felino maior. Aquele filhote era um que ninguém no mundo o afastaria ou proibiria de amar, brincar e tocar. Um filhote só dele. Um filhote cheiroso que arranharia o sofá e tomaria banho de banheira junto com ele e a família de patinhos. Um que o olharia com a mesma doçura e ronronaria como ele antes de dormir.

 

De repente a imagem na sua mente era rasgada ao meio como uma foto de papel.

 

 

 

 

Ainda não estava acreditando...

 

 

- Híbridos de gato e coelho são os mais férteis, - disse o doutor - a chance de gravidez é praticamente garantida, por isso precisam de medicação para evitar a proliferação exagerada da espécie. Alguns até optam por castração. Eu posso até receitar o remédio para evitar gravidez se o senhor quiser, mas com a provável esterilidade...

- Taehyung quer ter um filhote um dia... – Jungkook disse com a voz fraca. -  D-Deve ter um jeito... de mudar isso – implorou.

O veterinário abaixou os olhos.

- Não há nada que se possa fazer...

- Mas... – engoliu em seco - isso é muito importante pra ele... eu sei disso...

- Senhor Jeon...

- Doutor... – Jungkook tremia em choque com a notícia. – Por favor... é o sonho dele...

- Eu realmente sinto muito...

 

Ficaram em silêncio por alguns segundos. Jae se levantou e serviu um copo d’água ao outro.

 

- Aceita uma água, senhor Jeon?

- A-Aceito.

 

Tinha que se recompor, Taehyung estava do lado de fora o esperando.

Ao sair da sala, Tae foi em sua direção e seu sorriso sumiu de repente ao ver a expressão de Jungkook.

 

- Kookie, você está bem? – perguntou preocupado.

- Estou sim, porque?

- Está sem cor. – disse lhe tocando o rosto.

- É impressão sua. – sorriu fraco - Vamos?

 

--

--

Jungkook deixou Taehyung em casa com a desculpa de que tinha coisas inesperadas do trabalho para resolver, apesar de ser apenas uma desculpa para ficar um pouco sozinho. Depois de deixar o híbrido na entrada e vê-lo entrar dentro de casa, Jungkook dirigiu pelas ruas da cidade até encostar em uma vaga qualquer.

Estava perigoso dirigir, então achou melhor parar pois além da chuva que caía grossa, as lágrimas incessantes obstruíam bastante a sua visão.

 

Tinha deixado o tigre em casa para que ele não o visse chorando.

 

Fechou os olhos com força enquanto deitava a cabeça no volante, sentindo o líquido quente molhar as bochechas e pingando em seu colo.

Soluçou.

 

 

A chance de Taehyung ter filhotes era pequena, e os desgraçados que mantinham ele ainda lhe davam drogas que praticamente tornou sua chance nula de um dia realizar seu sonho.

 

Tiraram tanto dele... e agora tiraram isso também? Socou o painel do carro.

 

O que mais Kook queria saber é se há jeito de proteger Taehyung desse mundo horrendo e cruel. Porque se existisse um jeito, ele o faria sem hesitar.

 

Queria colocar seu tigre em seus braços e protege-lo de tudo, mas a situação de agora praticamente lhe jogava na cara sobre suas limitações.

 

O sentimento de impotência era devastador.

Horrível.

 

Jungkook soluçava sem controle.

 

Tanta dor...

 

Seu peito ardia de um jeito que queimava a garganta e o soluçar era alto e de dar pena.

 

Chorou.

 

 

Chorou.

 

 

E chorou.

 

 

Sem controlar os soluços.

 

 

Decidiu não contar nada para Taehyung sobre a esterilidade. Isso era algo que ele descobriria com o tempo. Só contaria se o próprio Tae viesse a perguntar sobre o assunto, caso contrário, não diria nada.

 

As lágrimas já estavam parando quando de repente em um salto, ouviu o celular tocar. Verificou a tela e viu a foto de Taehyung com a margarida no cabelo, sorrindo feliz, indicando que era ele o remetente. Ao ver a foto do felino, voltou a chorar. O tigre o estava ligando por vídeo-chamada, e Jungkook não estava em condições de atender.

Desligou a ligação.

Logo depois ligou por chamada de voz, que Tae não demorou para atender;

- Kookie? – perguntou.

- Oi, Tae.

- Eu não consigo te ver...

Jungkook mordeu o lábio segurando um soluçar que subiu a garganta ao ouvir sua voz doce.

Engoliu em seco e puxou o ar.

- É que essa chamada é sem vídeo. – limpou as lágrimas - O que foi Taetae?

- Você não parecia bem, Kookie. – disse preocupado - Você está triste?

Kook colocou a mão contra a boca para não soluçar, chorando em silêncio para que o outro não escutasse.

- Kookie? – perguntou na ausência de resposta.

Jungkook limpou as lágrimas e olhou para cima tentando se recompor.

- Logo estarei em casa. Já tomou um banho?

- Já...

- Logo vou chegar, ok? Não vou demorar.

- Tudo bem.

 

Depois da ligação, Jungkook voltou a se concentrar e se recompor. Não queria preocupar Taehyung, e o tigre o estava esperando em casa: estava na hora de voltar. Apenas esperou alguns minutos para que a vermelhidão nos olhos e a cara de choro passasse um pouco.

--

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O trânsito estava péssimo. Jungkook não havia dirigido tão longe assim, mas por causa da chuva pesada houveram acidentes que atrasou a vida de um monte de motoristas estressados e ansiosos para voltar para casa em uma sexta-feira à noite. Demorou cerca de quase três horas até finalmente passar pelo engarrafamento e chegar perto da mansão. A temperatura havia caído muito indicando que o inverno finalmente chegou. O vento estava forte e chovia bastante, mas pelo menos não estava trovejando como naquela noite que assustou Taehyung. A respiração chegava a sair em vapor pela boca por causa do frio. Jungkook abriu o grande portão automático com o controle anexado no painel do carro depois o fechou atrás de si quando passou. A chuva estava bastante espessa, caindo em diagonal por causa da ventania, e foi por causa disso que demorou para perceber Taehyung em frente à casa.

Na parte coberta da entrada, ele estava de pijama sentado sobre batente da porta da frente, abraçando as próprias pernas com os pés recolhidos e a cabeça abaixada. Preocupado, Kook apertou o volante enquanto dirigia até a garagem. O que Taehyung estava fazendo exposto ao vento daquele jeito? Quanto tempo estava ali? Jungkook saiu do carro, entrou na casa pela porta da garagem, e logo Taehyung veio a seu encontro pelo hall com uma expressão aliviada.

- Kookie...! – Taehyung começou a dizer ao se aproximar dele, mas não teve tempo de terminar a frase pois caiu pra frente ao desmaiar. O corpo do tigre relaxou com a inesperada perda de consciência, sendo puxado pela gravidade e Jungkook o pegou rapidamente no ar antes que caísse no chão.

- Taehyung! – Kook ajoelhou-se o acolhendo nos braços. O tigre inerte o fez entrar em pânico - Não... Taehyung!! – tocou seu rosto, depois a testa e notou que sob a pele gelada, ele estava fervendo de febre. – Meu Deus... – imediatamente o juntou, carregou-o no colo e foi apressadamente para o segundo andar. Deitou-o na cama com cuidado e o cobriu. Kook respirava rápido. O que precisava fazer primeiro? Remédios. Precisava de um remédio para baixar a febre. Correu até o grande espelho do banheiro, o abriu, e acabou derrubando muitos de seus potes de medicação pela afobação e tremedeira nas mãos. Quando finalmente encontrou o remédio certo, encheu um copo d’água na pia e trouxe até Taehyung. Ergueu sua cabeça tentando acordá-lo para tomar a medicação.

- Taehyung, vamos beba... – sua voz saiu fraca, em desespero. – Por favor...

O tigre abriu os olhos, ainda desnorteado, e tentou se levantar para sair da cama.

- Eu tenho que... – começou a dizer tirando o cobertor, mas Kook o impediu.

- Você não vai a lugar algum. Vamos, tome o remédio.

- Mas o Kookie... – arfou tentando escapar fracamente -  eu preciso vê-lo...

Jungkook notou que o outro delirava de febre enquanto arfava.

- O Kookie tá bem. – contou - Você precisa se deitar.

Taehyung respirava fracamente e suava com os olhos fechados.

- Eu preciso... dizer “bem-vindo”.... pra ele...

- Taehyung... – encostou o copo no criado-mudo para segurá-lo melhor.

- Eu tenho que ir... – piscava lentamente.

- Não. Deite-se, por favor.

Taehyung respirava pesadamente, suando e tremendo de febre.

- Eu preciso ir... – tentava se esquivar.

- Taehyung, pare de insistir. Por favor. – implorou.

- O Kookie... estava triste... eu sei... ele... precisa de mim...

Vendo o estado do outro e como estava insistente, Kook não conseguiu segurar o lacrimejo. Colocou o remédio ao lado do copo d’água e abraçou a cabeça de Taehyung com carinho.

- O Kookie está bem. – o assegurou - Ele está deitado na cama te esperando.

- Está? – Taehyung perguntou fraco contra seu peito.

- Está sim.

- Ele... dormiu?

- Sim, está dormindo. Agora é a sua vez.

- Eu não consegui dizer boa noite... – disse triste.

Jungkook engoliu em seco tentando se recompor.

- Você disse sim, só não se lembra. Agora tome aqui um pouco d’água e se deite na cama com o Kookie, está bem?

Jungkook se afastou, colocou o remédio na boca do outro e lhe deu a água para beber, segurando sua nuca para ajudá-lo. Taehyung tomou bastante líquido e se deixou ser deitado no travesseiro. Um pouco depois que encostou a cabeça na superfície fofa, desmaiou em sono profundo.

Aproveitando a oportunidade, Jungkook saiu dali rapidamente para buscar uma bacia d’água e um pano para colocar na testa do adormecido e assim ajudar a temperatura a baixar. Depois de umedecer o tecido, o dobrou e depositou em seu tigre afastando a franja molhada de suor.

O moreno foi buscar um termômetro e checou a temperatura de Taehyung para compará-la depois de uma hora, que era o tempo necessário para o remédio fazer efeito. Jungkook puxou uma parte do sofá de seu quarto (que se desfazia em várias partes) e a colocou ao lado da cama para servir como cadeira e assim zelar o sono de seu tigre. Taehyung respirava pela boca e franzia a sobrancelha levemente, e para tentar fazê-lo relaxar, Jungkook acariciava seus cabelos e cantava baixinho.

Kook estava nervoso já que nunca cuidou de ninguém daquele jeito, mas faria o seu melhor, mesmo que suas mãos tremessem mais do que esperava.

Foram algumas horas ali sentado ao lado de Taehyung, acompanhando sua temperatura, seu respirar, secando seu suor e umedecendo a tolha que estava em sua testa. Por volta das três da manhã, Taehyung já estava com uma temperatura normal, o que era uma impressionante recuperação rápida pelo nível de febre que estava antes. A partir dali, Jungkook achou que poderia dormir. Colocaria o despertador para acordar cedo e checar a temperatura do tigre de novo... Foi ao banheiro escovar os dentes e tomar a medicação de insônia, depois deitou-se ao lado de Tae e puxou-o para si para que dormisse abraçado com ele.

Era uma pena... Talvez fosse por causa do remédio da febre, mas aquela noite foi a primeira vez que Taehyung dormiu consigo sem ronronar.

Sentiu falta do som...

- Boa noite, Tae...

Mesmo com o remédio, Jungkook demorou para dormir aquela madrugada.

--

--

Taehyung foi o primeiro a acordar. Saiu dos braços de Jungkook devagar para não acordá-lo, depois ficou olhando-o dormir por longos segundos. Brincou de leve com o brinco dele enquanto sorria. Kook parecia tão cansado...

Foi então que teve uma ideia. Colocou suas pantufas de patinhas de tigre, foi até a cozinha e lavou duas maçãs. Nana o havia ensinado a cortar pedaços da fruta com o formato de coelho, que era uma meia lua com as cascas formando as orelhas. Aquela seria uma boa surpresa para o Kookie!

Depois de cortar as maçãs e coloca-las em um prato, foi até o quarto e acordou Jungkook com um calmo bom-dia e colocando o prato no criado-mudo. Kook acordou aos poucos até que de repente se sentou na cama apressadamente colocando a mão na testa de Tae.

- Como você está se sentindo? – perguntou lhe tocando o rosto.

- Estou bem, porque?

- Ontem você estava fervendo de febre, Taehyung.

- Febre? – perguntou entrando debaixo do cobertor para se juntar a Kook.

- Doente, você ficou doente por ficar lá fora no frio...

Tae abaixou a cabeça.

- Eu não me lembro disso...

- Quanto tempo você ficou na frente de casa?

- Desde que liguei para o Kookie.

- O quê?!

Taehyung se encolheu com o grito. Jungkook não estava acreditando que o outro havia ficado sentado esperando na frente de casa, exposto ao frio, por três horas.

- Escuta... – massageou a testa - não faça isso de novo está bem? Me espere sempre dentro de casa.

- Entendi...

Jungkook lhe acariciou em cima da cabeça como para dizer que está tudo bem e que não estava zangado.

- O Kookie... vai trabalhar hoje?

- Não. Hoje é sábado, podemos passar mais um dia juntos.

Taehyung baixou a cabeça e lhe tomou a mão entrelaçando seus dedos.

- Jungkookie... - Tae levantou o rosto e seus olhos brilhavam por estar emocionado. – Obrigado. – sorriu.

- Pelo que?

Taehyung sorriu ainda mais, mantendo o contato visual.

- Obrigado por ontem. O supermercado, o sushi... Sair com você... a pipoca, o cinema, o cachorro-quente... Foi o melhor dia da minha vida.

Jungkook sentiu o coração se aquecer tanto ao ouvir isso que achou que o órgão ia literalmente derreter.

Sorriu largo como resposta apesar do lacrimejo de emoção.

Ele queria encher os dias de Taehyung com alegria de um jeito que todos os dias se tornassem “o melhor dia da sua vida”. Aproximou seus rostos e o beijou nos lábios. Apenas um encostar leve, cheio de carinho. Ao se afastar encostou suas testas e respondeu sorrindo:

- Foi o melhor dia da minha vida também.

E era verdade. Apesar de ter chorado um monte no carro com a notícia do veterinário e também ter sido a noite que mais sentiu medo na vida ao ver Taehyung desmaiar e lutar contra febre, aquele dia tinha sido magnífico.

Em um movimento rápido, Jungkook derrubou o outro na cama e o cheirou na bochecha (igual Taehyung fazia) enquanto o enchia de cócegas. Tae gargalhava alto implorando para que parasse.

 

Naquele sábado, os dois passaram a manhã sob o cobertor assistindo desenhos na TV e comendo as maçãs com formato de coelho. Vez ou outra Kook colocava a mão na testa de Tae para ver se realmente estava tudo bem. Taehyung ronronava calmamente ao seu lado, feliz.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Apesar de todo o momento bom, no grande jantar importante que teria aquela noite, Taehyung infelizmente reconheceria alguns perfumes...

 

 


Notas Finais


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