História Tag your it. - Capítulo 1


Postado
Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Reita, Ruki, Uruha
Tags Cinema, Musica, Reituki, Softness And Insanity, Stalker
Visualizações 220
Palavras 5.599
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Eis que ontem (reparem) ONTEM a Andy veio com uma ideia e tal, ai a gente começou a falar sobre ela e pah. Foi amor a PRIMEIRA VISTA (sahsas) e mano... já temos cinco caps e continua por que a gente simplesmente se apaixonou por isto aqui e não conseguimos mais parar simplesmente. Ai nessa madrugada, @Algol- chega toda trabalhada no tiro e nos manda essa capa e mano, piramos. Brigadão Bia, amamos essa capa e vamos protege-la.
Esperamos que gostem, essa nenê aqui tá sendo confeccionada com muitos berros.
Boa leitura. <3

Capítulo 1 - Tomada 1 - Absolutamente Natural.


Fanfic / Fanfiction Tag your it. - Capítulo 1 - Tomada 1 - Absolutamente Natural.

 

 

 

 

A lente da câmera filmadora — uma Sony PMW-320K XDCAM EX Full HD com Lente de Zoom 16x — era apontada com desfoque para a garota que vestia uniforme escolar, o fundo verde atrás dela, onde uma cerejeira artificial repousava, mostrava a realidade e ainda assim, por trás das câmeras, tudo se destacava mais bonito que a realidade com plano aberto.

Enquanto seus olhos sérios focavam na tela, agora com o enquadramento perfeito na atriz, a tela verde ganhava uma projeção de um céu azul e uma colina bonita, um monólito.

Suzuki Akira cruzou os braços, sentindo o tecido do casaco de couro comprido, na ponta de seus dedos e passou a unha ligeiramente pela costura, enquanto aprovava o filme que naquele momento dirigia como trabalho da graduação de cinema e audiovisual que já estudava há três anos, em Handai.

Seus olhos, por trás de lentes azuis, encaravam a tela, erguendo rapidamente o cenho formal para a atriz. Fez um gesto e apontou a ela, movendo os lábios de forma suave, precisa, mas profissional, sem exercer um pequeno sorriso em retribuição.

— Vire o rosto um pouco para direita, por favor. — voltou o olhar ao vídeo e apenas então sorriu minimamente, apenas um esboço. — Perfeito, ela está adorável.

A garota quase corou com tal comentário, já que raras vezes ele fazia comentários daquele nível, mas o que ela não sabia era que não estava falando da atriz, a pessoa, mas sua sombra perfeita por trás da lente.

Sentia uma satisfação em compreender o mundo por trás de uma câmera filmadora, pois assim, tudo era tão perfeitamente encaixado, tão ao seu alcance que era ele quem decidia o que era necessário ser mostrado e o que não era. Apenas sua visão importava.

Havia muito tempo que havia escutado em um filme de Kubrick tal frase; “É curioso como as cores do mundo real parecem muito mais reais quando vistas no cinema”.

Nunca julgou frase mais perfeita que aquela.

A vida acontecia apenas na tela, ali sentia as verdadeiras emoções que na vida real, não passavam de esboços mal feitos.

Fez um sinal positivo para os colegas no pequeno estúdio e ouviu todos parecerem satisfeitos com o resultado.

O rapaz responsável pelo áudio, Toya, tirava os fones e depositava sobre a mesa de som, fazendo uma mesura á Akira que se dirigia ao fundo da sala, silenciosamente para pegar sua mochila.

— Um dia produtivo, não foi Suzuki-san?

— Foi muito produtivo. — concordou um uma expressão simpática por baixo da máscara de couro que usava no rosto, ocultando parte do rosto, do nariz á testa, enquanto os cabelos louros platinados em um penteado extravagante deixava uma franja ocultar um dos olhos.

Era uma figura excêntrica, mas não haviam muitos estudantes de cinema que não fossem, de modo que naquela turma, se passava completamente coerente.

— Até amanhã, Akira senpai! — a pequena atriz gritou enquanto se dirigia aos cabides, dispostos no canto da sala e passava a tirar a pele da colegial do vídeo, revelando novamente a garota que ela era, vestindo-se ali, sem a preocupação que normalmente não-atores tem de se vestirem em frente a estranhos.

Akira voltou-se à garota kouhai, fazendo uma breve mesura deixando para trás um sorriso que enfeitava seu rosto de forma cordial.

Virou-se e o sorriso lentamente se desfez, enquanto escutava os sussurros atrás de si, comentários de sua seriedade e profissionalismo.

Era relativamente popular, já que quase todos os cursos recorriam aos alunos de cinema para desempenhar pequenas participações em algumas apresentações que decorriam com equipamentos de câmeras de filmagens. De peças de teatro até filmes sobre teoria matemáticas, todos já haviam precisado ocupar a mágica dos filmes algum dia.

Abriu a pesada porta dupla da sala onde filmavam, deparando-se no corredor iluminado contrastando com a penumbra da ala anterior, agora vendo estudantes indo e vindo, atravessando o prédio do campus em uma eterna pressa que o fazia analisar em silencio seus movimentos.

Várias vezes curvou ligeiramente a cabeça em um cumprimento, por vezes respondendo monossilábico, com um pequeno sorriso no rosto.

Todos sabiam que era calado, não por possuir um comportamento tímido, melancólico, mas por ser discreto. Não andava com grandes grupos, não estava em nenhum time de amigos inseparáveis ou ia ás festas regadas á paparicos aos senpais, mas sempre era convidado e se fosse, certamente não ficaria sozinho, haveriam pessoas que sempre iriam querer conversar com ele.

Não podia ser considerado arrogante, também, levando em conta que sempre respondia educadamente as questões que era questionado.

Suzuki Akira era uma pessoa socialmente normal, embora suas roupas e cabelos criassem a expectativa de um futuro diretor excêntrico, nada havia em sua personalidade que o destacassem como um “esquisito”.

Com exceção, é claro, de quem o conhecia a fundo, como Takashima Kouyou, seu único talvez amigo de infância que preservava até os dias atuais.

Não podia dizer que eram melhores amigos, ou que havia algo como um afeto intenso que amigos que cursam na mesma faculdade possuem um pelo outro, mas o destino os fez crescer juntos, estudar juntos, se tornaram amigos por convivência e agora, adultos, seria uma parte estranha da vida deixar de se verem.

O corredor comprido que seus sapatos batiam despreocupados ao chão, agora puxando um cigarro do bolso e levando aos lábios terminou em uma porta dupla, onde o clima nublado lá fora se fez sob sua cabeça. Piscou algumas vezes, olhando ao redor de si, o campus parecia um grande e extenso cemitério que se enquadrasse apenas a parte das árvores, e da grama, poderia enganar quem quisesse como sendo de fato um cemitério. 

Estava vazio, silencioso e o vento fazia as copas das árvores roçarem-se ao ponto de como se uma pequena risada sinistra soasse ao seu redor.

Tragueou o cigarro, andando calmamente pelo caminho de concreto, até a saída do campus enquanto sentia seu celular apitando dentro do bolso. Levou a mão a ele, precisando desprender o anel que se enganchou no bolso sem impaciência, calmamente e puxou o aparelho olhando os kanjis na tela inicial que anunciavam que os atores de seu trabalho paralelo já estavam o esperando.

Suspirou, piscando lentamente, sem sentir nada além de um breve frio devido ao vento que atingia sua nuca e respondeu com uma resposta automática.

“Estarei ai”.

O metrô, como sempre naquele horário permitia que todos ficassem como sardinhas enlatadas, uma aura sempre silenciosa e fria entre os passageiros mudos, todos com olhos fixos nas telas dos celulares enquanto os olhos azuis com a maquiagem negra ao redor, de Akira, pulavam de um para o outro, rostos robóticos, tão frios e sem emoção quanto o seu próprio.

Abaixou o olhar, automaticamente e uma garotinha de seus sete anos, cabelos em duas tranças e uma roupa escolar o encarava fixamente, quase encantada com a máscara que possuía no rosto.

Por alguns segundos se entreolharam, a mãe da menina ao seu lado no banco encarou Akira, esperando talvez alguma reação humana como um breve sorriso, alguma coisa, qualquer coisa... Em troca, nada mais que um olhar tão frio para a criança quanto daria para qualquer adulto de rosto desinteressante que o encarava.

— Mamãe... — a criança choramingou.

Ela abraçou a própria mãe, que sentindo um arrepio de temor, puxou a filha contra si e mesmo em meio ao caos de pessoas, arrastou a menina para longe de Akira com seu rosto desinteressado e sem emoções, que agora, sem sequer demonstrar vontade de sentar no banco, por que encarava a si mesmo no reflexo do vidro, não percebia que o lugar já havia sido tomado.

De qualquer forma, não queria sentar.

Ao chegar no trabalho, um prédio decadente que usava como estúdio de filmagem uma única sala dividida no cenário que sempre mudava, e no outro lado, a bancada de edição, uma câmera direcionada a parte do SET, uma cadeira de diretor e um espaço para colocar os dois notebooks que usava para distribuição do material recolhido e o acompanhamento dos lucros de quem entrava no canal e pagava pelo entretenimento.

Os dois atores, quando ele entrou, fumavam e conversavam sobre receita de bolo, fazendo Akira os encarar sem surpresa por a moça estar usando apenas a parte da cinta liga e uma série de tiras de couro que se agarravam a partes inúteis de seu corpo. Ela, Sayuri-san — naquele momento era apenas Blue Slave — tinha cabelos pintados de azul, dois coques altos na cabeça e uma maquiagem carregada nos olhos, lhe sorriu a Akira e disse-lhe;

— Trouxe um pedaço de bolo, Akira-san, está na sua mesa. Aprendi hoje, na internet.

Akira largou a mochila e passou a arrumar a filmadora no pedestal, a encarando pela lente e sorrindo ligeiramente.

— Ah, que gentileza a sua. Sabe, eu to com tanta fome que parece que leu meus pensamentos.

O rapaz, um sujeito de físico exageradamente forte que vestia uma saia de tiras de couro e tachinhas, comia o pedaço de bolo com uma expressão de prazer. Akira sabia que era prazer, pois já a havia visto absurdas vezes mais do que gostaria.

— Está incrível, puta merda.

— Está certo pessoal, larguem esse bolo, temos um filme pra rodar. — Akira disse apagando a luz da sua parte da sala e se posicionando enquanto começava a fazer a transmissão, por hora deixando a tela de espera até eles estivessem prontos.

O rapaz, Suke-san, ou Master Ruthless, ajudava a menina a colocar a máscara de látex no rosto sem desmanchar seus cabelos, de forma que depois daquilo apenas sua boca ficaria descoberta. Os equipamentos de tortura sexual depositados ao lado, fez Akira os encarar com tédio, fazendo um sinal positivo.

— E ação!

Todo dia era igual.

Enquanto seu rosto estava escorado na mão, olhando desinteresado o ato sexual dos dois, com o sono quase o levando pelo braço, encarou o celular sobre a mesa que vibrou, percebendo ser Kouyou. Mas apenas o desligou, tornando a atenção novamente aos números que estavam atingindo, mas novamente se voltou ao enquadramento da câmera e manteve seus olhos ali enquanto se perguntava o que faria para jantar naquela noite, pois não havia tido tempo de comprar nada...

Depois do fim do trabalho, que sempre era tão rotineiro para si, ajudou a garota que sempre saia um pouco tonta, com vertigens até a avenida a colocando em um taxi e partindo para o apartamento.

Se sua vida fosse dirigida por si mesmo, seriam vários e vários quadros de relógios, faculdade, o filme pornô brutal de BDSM, caixa do banco, relógio, faculdade...

Na manhã seguinte, provavelmente tudo seguiria a mesma rotina.

Provavelmente.


***

Ao terminar de depositar a última caixa de panelas em cima do balcão da pia, um suspiro longo e cansado deixou os lábios de Takanori. Levou a pequena e pálida mão, repleta de anéis nos dedos, até a testa, onde suavemente afastou os cabelos negros cujo as pontas eram descoloridas, e os colocou atrás da orelha.

Arfou, espalmando as mãos pelo extenso balcão de mármore, apoiando-se ali, jogando um pouco a cabeça para baixo e fitando o chão. Seus pés descalçados batiam contra o piso preto e branco da pequena cozinha. O azulejo era gelado, na realidade, toda aquela pequena casa era muito fria, contudo, não era algo que pudesse verdadeiramente reclamar, pois ficava localizada a menos de três quadras da Universidade Handai, onde ele começaria logo o primeiro ano na faculdade Música.

Mesmo que a casa fosse fria, aquilo pouco importava, pois, ela era pequena e bem aconchegante. Era composta por uma sala de estar muito pequena, a qual cabia um sofá de dois lugares e um puff grande. A Tv ficava embutida na parede, onde também haviam alguns livros cujo ele acabara de arrumar em ordem. O chão da sala era de madeira, ao qual ele enfeitou com um felpudo tapete vermelho. Havia uma porta de vidro que dava acesso a varanda, um pequeno espaço onde cabia apenas uma mesa e cadeirinha de ferro.

Ainda junto da sala de estar, vinha à pequena sala de jantar, onde naturalmente tudo que cabia era uma mesa de madeira com duas cadeiras simples. Aquela mesa já veia junto com o apartamento, uma vez que era embutida. Um pouco mais adiante existia um curto corredor onde dava para a porta de saída.

A cozinha também ficada colada a sala, era um espaço também pequeno, ocupada pelo branco balcão, acima de sua cabeça vinham os armários, fogão e geladeira.

Ao sair da cozinha em também um pequeno corredor, havia o quarto - o maior espaço da casa -, onde a cama de casal estava centralizada, seguido do criado muito, e uma pequena cômoda que já estava lotada com todos seus cosméticos e maquiagens. O guarda-roupa embutido, ocupava toda uma parede e suas portas continham um grande espelho.

 Do lado oposto do corredor do quarto, vinha o pequeno banheiro com azulejos claros possuía uma banheira em estilo antigo cor de rosa chá, pia e vazo sanitário da mesma cor. Aquela parte Takanori particularmente gostou em especial, parecia fazer parte de uma casinha de bonecas.

Havia adorado sua casa afinal. Era o lugar perfeito para começar uma nova vida. Longe de toda aquela bagunça que deixara para trás em Kanagawa, não era hora de pensar naquilo agora. Não mesmo, havia juntado muito dinheiro para começar tudo de novo, numa cidade diferente, conhecendo pessoas novas, vivendo nova fase de sua vida.

Seus pais haviam concordado com aquela ideia. Tanto, que o senhor Matsumoto não pensou duas vezes em ajudá-lo a alugar o pequeno apartamento.

Mudara-se fazia duas semanas, e conforme os dias decorriam, suas coisas foram finalmente chegando. E as últimas caixas, estavam sendo dispostas em cima do balcão naquele exato momento. Mesmo que precisasse arrumar tudo, estava muito cansado, pois, passara o dia inteiro dando atenção a casa, seu quarto inteiro já estava em ordem, tal como a sala e o banheiro de boneca.

Tudo que precisava arrumar agora era a cozinha, preparar um jantar simples e comer em seu novo sofá enquanto assistia um programa idiota de Tv.

Então, assim o fez. Arrumou toda a cozinha, gastando umas boas horas colocando tudo em seu devido lugar, arrumou os talheres, os pratos, panelas e também os mantimentos que comprara mais cedo para que pudesse passar a semana.

Ao passo que depositou a última panela dentro do armário, em si não existia mais a vontade tampouco a disposição de fazer o jantar, e devido a isto, arrastou-se até o telefone, solicitando comida chinesa. Enquanto esperava, tomou um banho rápido, a fim de tirar toda aquela poeira e suor que somente dias longos de mudança eram capaz de deixar.

Molhando o chão e agora sabendo que não teria mais ninguém para reclamar - fato que o deixou muito feliz, porque sua mãe sempre gastava horas falando em sua orelha o quanto era desorganizado -, foi para o quarto, vestindo um short do pijama curto e um blusão de mangas longas, cobrindo as tatuagens que possuía, espalhadas pelos dois braços e parte dos ombros.

Dando uma ultima olhava no espelho, encarou a imagem de um rapaz jovem, de 19 anos, baixo, de mais ou menos 1,62 de altura, corpo muito magro, porém bem trabalhado. Seu rosto era fino, nariz fino e pequeno, lábios grossos e olhos bem destacados. Takanori era muito bonito, tais traços naturalmente lhe dar um ar feminino e ele ainda se dispunha a deixar mais.

Mas naquela noite só queria comer e dormir, pois no dia seguinte, começaria os estudos e tinha que estar perfeito, tanto fisicamente quanto psicologicamente.

Assim que deixou a toalha no pequeno varal que havia no fim do corredor depois do banheiro, ouviu o som da campainha e caminhou a passos largos e apressados em direção à porta.

Assim que abriu, deu de cara com um rapaz talvez tão jovem quanto ele. Alto, muito magro, porém com um olhar gentil e divertido. Assim que se encostou no umbral da porta, Takanori percebeu que o tal rapaz não possuía nenhum pudor e o olhava de cima a baixo como se o medisse.

Um sorriso levemente sacana se espalhou pelos lábios e cruzou os braços, demonstrando um ar de altivez.

- Matsumoto-san? - questionou o rapaz, ainda muito concentrando em focar nos lábios cheios dele.

- Sim. - sorriu, mas era o mesmo sorriso sacana.

- Sua entrega. - disse, tirando de dentro do isopor uma sacola. Takanori acenou e já com a carteira nas mãos contou as notas e estendeu ao rapaz enquanto eles trocavam, dinheiro pelo o pacote.

- Está sozinho hoje? - perguntou.

- Ah sim, eu moro sozinho. - disse, fazendo parecer que a solidão era um fardo pesado.

- Que chato... ainda mais com esse tempo frio, que não tem ninguém pra dormir junto. - comentou o entregador, encostando-se contra a porta, fazendo Takanori rir por dentro daquela reação.

- Eu moro sozinho, não quer dizer que eu seja sozinho. - rebateu o Matsumoto com perfeito cenho arqueado, jogando os cabeços suavemente ondulados para trás.

Aquilo foi o bastante para que o rapaz ficasse sem graça e percebesse que aquele rapaz de shorts e blusão a sua frente não era tão fácil quanto as garotas com quem ele certamente lidava por ai fazendo suas entregas.

- Anh... Bom apetite então. - disse, um pouco sem jeito.

- Obrigado. - disse Takanori, fazendo uma pequena e curta reverência, sendo prontamente retribuída pelo rapaz.

Porém, ele continuou com a porta aberta, vendo o que entregador caminhava a passos muito lentos em direção ao corredor e ainda olhava Takanori, olhava-o como se desejasse ver muito além das roupas que vestia.

Assim que fechou a porta, gargalhou da reação ridícula do rapaz. Era sempre assim que eles faziam, Takanori demonstrava um pouco de interesse, somente para deixar que eles mostrassem suas verdadeiras faces e ria mais tarde.

Colocou a sacola em cima da mesa pequena e começou a tirar os pratinhos. Que cara mais ridículo, certo que ele não estava a fim de dormir sozinho naquela noite e se o tal entregador não tivesse uma canta tão péssima como aquela o levaria para a cama. Porém, aff. "Não ter ninguém pra dormir junto". Quanta falta de criatividade da parte dele.

Revirou os olhos, enquanto partia os hashis e remexia a Yakizoba quentinha.

A universidade Handai, ficava a poucas quadras de sua casa, então, não precisava levantar-se tão cedo, tampouco pegar nenhum meio de transporte. Sua primeira aula, começaria por volta das 7:30 da manhã. Acordou-se então por volta das 6:30. Tomou um rápido banho, suas roupas, tal como todo seu material já estavam preparados na sala em cima do sofá.

Vestiu a calça jeans preta rasgada nas coxas, deixando muito de sua pele leitosa a mostra, colocou uma camisa branca larga de gola em V, finalizando com um casaco moletom aberto com muitos desenhos e frases agressivas. Colocou também uma touca vermelho escuro, deixando-a caída no topo de sua cabeça.

Preparou naquela manhã, uma maquiagem que destacava seu rosto bonito, os olhos suavemente escuros, delineados, deixando bem a mostra o tom de castanho claro de suas íris.

Em seus lábios, não parrou nenhum batom como de costume, eles estavam bonitos em especial naquele dia frio, num tom rosado doce. Colocou a mochila nas costas, depois de calçar os coturnos de salto levemente altos e saiu de seu apartamento.

Até o jeito com o qual ele andava possuía muita altivez e segurança, Takanori mesmo contando com apenas 19 anos, era um rapaz muito seguro e cheio de si, desde os 16 aprendera - talvez da pior maneira possível - a ser forte. Mas, tudo aquilo que aconteceu em sua fase adolescente ajudou a construir o rapaz que era hoje.

Era um jovem educado, gentil com as pessoas, na cidade de onde nascera era muito conhecido, muito popular, por sua simpatia e seu talento nato como cantor. Ele possuía um jeito único de cativar quem estivesse próximo a si, e esta era uma carta que trazia em especial em sua manga.

A simpatia.

Desceu as escadas, indo em direção a saída do prédio sem muitos detalhes importantes além do quadro de avisos, as varias caixas para correspondência e um sonolento porteiro que entediado assistia as câmeras de segurança tomando café.

Assim que seus pés tocaram a calçada, respirou fundo, já fora estava um pouco mais frio do que dentro de casa. Isso era bom, pois particularmente adorava os dias frios, mesmo que o sol estivesse lançando seus raios com vigor no céu, a forte e fria brisa da manhã não deixava que o calor predominasse.

Tirou da bolsa os óculos escuros Ray Ban e colocou no rosto, caminhando, firme e tranquilamente pelas calçadas, indo em direção a universidade. Seu estilo chamava atenção, tanto de homens, quanto de rapazes, moças jovens, mulheres, seu jeito de despojado atraia muitos olhares.

E ele gostava.

Gostava de ser o centro das atenções.

Assim que entrou pelo portão da universidade, não se surpreendeu com as boas vindas dos veteranos aos calouros, eles faziam pequenos trotes com aqueles que estavam visivelmente assustados com a nova fase da vida universitária. Mas, aquilo pouco assustava o Matsumoto, tanto que quase nenhum o reconheceu o reconheceu como calouro.

- Não foge não! - uma voz grave e risonha veio em sua direção e ele ergueu a os olhos da tela do celular, onde digitava algo. Um comentário em seu Twitter sobre o primeiro dia na universidade já começar entediante.

O rapaz que o chamara não era um desconhecido. De forma alguma, era tão conhecido que já havia até ido para cama consigo a menos de duas semanas atrás. Ele era ligeiramente mais alto que a si próprio, muito branco e de lábios grossos, seus cabelos negros eram muito lisos e se estendiam até os ombros.

Vestia-se de um jeito muito formal, deixando claro que era tão sem graça quanto aquele curso que fazia. Administração.

Lembrou-se das vezes em que Shiroyama Yuu encheu o peito para dizer que muito em breve seria um reconhecido administrador.

Tão sem graça, tão... Tão igual a todo mundo. Esse tipo de coisa pouco chamava atenção de Takanori. Ele não era do tipo que se afeiçoava aos simples, não gostava de nada simples. Na concepção de Takanori, quanto mais excêntrico, quanto mais diferente melhor era. Portanto, Yuu com sua camisa social branca sem graça e branca mal amarrada não passou de uma foda bem mais ou menos.

- O que foi? - se voltou a ele, colocando o celular no bolso do casado e tirando os óculos escuros.

- Não vai ver ficar pra festar de calouros? - perguntou ele animadamente.

Mas Takanori sabia que até aquela animação era algo meio mecânico e sem graça. Desde o dia em que transaram o moreno começou a agir de forma estranha consigo, quase, quase como se estivesse constrangido pelo que fizeram. Ah, mas só aquele pensamento fazia com que Takanori desejasse revirar os olhos. Céus, foi só sexo, será que era tão difícil para o Shiroyama Certinho Yuu compreender isso. O fato de terem transado bêbados não significava que iam se casar ou estavam agora ligados por algum maldito laço invisível tão poderoso quanto a Akai Ito.

- Ah, não. - revirou os olhos. - Acho essas festas bem sem graças. - revelou. - Eu vou dar uma volta por aqui e conhecer as salas...

- Certo. - Yuu disse. - mais tarde nos vemos.

Como Yuu era idiota, ele poderia dizer muito bem que seria um prazer lhe mostrar como era aquela merda de prédio, mas não, preferiu correr dele como um cão assustado.

Mas, não precisava dele.

Não mesmo. 

Seus passos ressoavam entre os outros pelo amplo corredor, agora apinhados de estudantes, lá fora uma algazarra com os calouros repercutia até o andar superior, onde Akira caminhava calmamente com Takashima Kouyou ao seu lado. Kouyou com uma das mãos no bolso e a outra ora levando em encontro aos óculos, ora agarrando a bolsa, contava que precisaria de um cameraman para filmar a simulação de sua audiência, no curso de direito.

-- Acho que estou livre semana que vem. -- respondeu Akira em tom monótono. -- Vai ser interessante assistir uma audiência. Quero mesmo desenvolver um roteiro policial. Podia me ajudar, não?

Kouyou encarou os olhos falsamente azuis, que por alguma razão estranha lhe causava ainda certo temor.

Não sabia por que, mas sabia que havia algo dentro de Akira que nunca havia ficado totalmente curado desde a sua adolescência sombria cheia de obsessão.

-- É claro. -- retrucou, porém recebendo uma expressão tão comum que o vazio de seus olhos pareciam não ter estado lá.

Um grupo de garotos vinha rindo e conversando alto pelo corredor, se empurrando enquanto entregavam panfletos coloridos de um show, fazendo Akira desviar o olhar para Kouyou.

A passos tranquilos, Takanori caminhava pelo extenso corredor, cujas paredes eram cobertas de avisos, fossem em cartazes, pequenos panfletos e mais outro material ao qual ele não se deu muito ao trabalho de distinguir. Aqueles corredores não eram nada diferentes dos corredores de sua escola do ensino médio de Kanagawa, a única diferença era que porque eram infinitamente maiores.

Com as mãos nos bolsos do casaco, ele caminhava tranquilo, segurando os óculos escuros, analisando as paredes, as portas, vendo onde ficava a biblioteca, sala áudio visual, teatro, auditório, era realmente um amplo espaço.

Lá fora a gritaria ficava cada vez mais intensa e ele não estava nenhum pouco a fim de fazer parte daquilo, e mesmo assim os corredores não estavam muito diferentes da situação do lado de fora. Um grupo de meninas passou por ele rindo, fitando-o de cima a baixo, ele as lançou um longo olhar seguido de um sorriso que as fez sorrir também.

Em seguida continuou andando, foi quando seu celular vibrou e ele enfiou a mão no bolso traseiro e começou a checar as notificações, eram alguns retuites e comentários de seus seguidores no twitter, abaixou a cabeça, e não percebeu que um grupo de pessoas se aproximava dele.

Seguiu caminhando.

-- Akira-saaaaaan! -- uma menina gritou de forma anasalada e quase manhosa, mas era seu habitual modo de chamar as pessoas.

Tal voz fez Akira parar no corredor e olhar monótono em direção a ela, que já impunha um panfleto em seu rosto.

-- Podia colocar o som na nossa festa? -- clamava quase em sofrimento.

Kouyou sorriu minimamente devido a expressão de Akira, ligeiramente simpática, embora fosse meramente para fingir possuir emoções.

Não gostava das festas, mas apenas ele possuía uma intimidade com mesas de som.

Quando estendeu a mão, um corpo se esbarrou ao dele, mesmo sem surpresa, o segurou.

Mas quando o viu, seus olhos antes monótonos se abriram mais, fitando com surpresa aquela criatura que parecia ser um perfeito enquadramento de fotografia sem precisar usar lente de câmera.

As cores parecem mais reais no cinema, sim, mas ali era como ver um personagem projetado da tela em sua frente.

Um sorriso tímido a princípio, mas mais e mais amplo se alargou em seus lábios enquanto o olhava.

Kouyou, franziu o cenho assustado com aquela reação que colocava uma chama intensa nos olhos antes opacos de Akira.

-- Se machucou? -- disse finalmente se abaixando e juntando uma pasta com tablaturas que haviam caído das mãos do sujeito a sua frente.

Ria baixinho, ainda encarando a tela do celular, quando não percebeu que se aproximava de um pequeno aglomerado de pessoas, e o resultado foi suas pastas espatifadas no chão, as tablaturas e algumas apostilas do semestre espalhadas.

-- Merda! -- bufou, irritadiço, ficando de olhando e começando a organiza-las rapidamente. -- Não, tá tudo bem. -- respondeu, ainda com a cabeça baixa, porém quando finalmente ergueu a cabeça para fitar o sujeito com quem esbarrara, esqueceu-se completamente de seus papeis.

Ele escondia o rosto atrás de uma mascara negra, uma mascara escura lhe dar um muito misterioso, mas nada disso era tão intenso quanto o olhar dele, aqueles olhos que sabia serem lentes não haviam brilhos, contudo, estavam arregalados, alterados, como se pela primeira vez naquele dia estivesse sido de fato pego de surpresa.

E ele era bonito. Muito bonito, seu rosto inteiro era proporcional, e os lábios foram que mais lhe chamaram atenção.

Imediatamente esboçou um de seus mais simpáticos sorrisos.

-- Você se machucou? -- indagou, a voz soando rouca e potente.

Por um momento Akira apenas negou, completamente absorvido pela figura a sua frente, o rosto tão perfeito como se houvesse sido esculpido para ser observado, não apenas em uma tela, mas na realidade ele já bastava. Negou com a cabeça e piscou, ligeiramente chocado com o fato estranho de seu coração bater tão rapidamente, suas mãos pareciam cobertas de um calor a ponto de aperta-las. 

 — Não. Me desculpe, eu não olhei direito, se não teria te visto.                                                                                                                     Kouyou inclinou-se, chocado com aquele comportamento de Akira, que parecia visivelmente ansioso, apertando as mãos, os lábios secos, as pupilas dilatadas e a respiração ligeiramente alterada. A menina os olhava, com o cenho franzido.                                                                                                        

— Akira-san... — resmungou. — Vai poder ou não ir á festa?

Sem tirar os olhos do rapaz, Akira pegou o panfleto e sorriu a ele.                                                                                                                 

— Depende... Você vai ir?

Takanori continuando encarando o sujeito a sua frente, o Akira-san, pois a voz estridente da menina continuava a perguntava a questionar de uma forma ridiculamente manhosa e exagerada demais.

Tomou em suas mãos o panfleto, e correu os olhos. Era uma festa que aconteceria depois da aula no campus mesmo, festa de boas vindas aos calouros. Piscou algumas vezes, antes de voltar a encarar o rapaz.

-- Akira-san. -- repetiu, em tom divertido, muito compenetrado em fitar o rosto do rapaz, mas deixando claro seu interesse especial pelos lábios bonitos. -- Quer comemorar as boas vindas dos calouros também? -- deu de ombros, recebendo rapidamente o resto dos papeis que um rapaz terminara de juntar e entregara para si. Dirigiu a garota, um sorriso grande e simpático, fazendo uma reverência antes de voltar-se ao louro Akira-san.

Kouyou observava aquela cena, boquiaberto.

Cruzou os braços percebendo pelo olhar que Akira dava ao garoto que o mundo ao redor dele parecia ter parado, sumido, evaporado. Akira por sua vez, pegou o mesmo panfleto que o garoto e tocou ligeiramente sua mão, sem tirar os olhos dos dele.                                                                                                          

— É meu dever como senpai dar boas vindas aos calouros... A proposito. — fez uma breve mesura, movendo apenas a cabeça. — Suzuki Akira. Bem vindo.

-- Matsumoto Takanori. -- disse, respondendo a mesura -- Mas sem formalidades, por favor, me sinto um velho. -- E obrigado... Já que o senpai é tão prestativo com os calouros, pode me dizer onde fica as turmas da Música?

Akira riu surpreso com os modos dele e assentiu. Nunca vira uma naturalidade que o deixasse surpreso antes. Jogou o peso do corpo para um lado enquanto segurava a alça da mochila.

-- Se é assim, me chame de Reita. -- virou o corpo apontando em direção contrária. -- Siga as escadas, vai ver um elevador. Suba até o sexto andar, ele é todo do curso de música. As salas estão marcadas. Te vejo na festa?

Kouyou levou as mãos ao rosto totalmente ignorado ali. Akira iria a uma festa, havia compartilhado seu apelido da adolescência que ninguém sabia além de si e amigos muito antigos.

Preocupante.

Muito preocupante.

Não seria se Kouyou o considerasse... Normal...

Mas quanto mais olhava para o amigo, menos era o que pensava sobre ele.

Takanori acenava, prestando atenção nas informações que recebia, havia um seus lábios um sorriso simpático, cordial. E ele não deixar de reparar que o sujeito amigo de Akira parecia um pouco surpreso com tais reações vindas de seu colega.

-- Ah, eu vou dar uma passada por lá sim. -- disse por fim, arrumando a pasta contra o peito e sorrindo minimamente, deu os primeiros passos para trás, contudo, girou as calcanhares, notando que o louro ainda o fitava. -- E me chama de Ruki. -- tombou a cabeça para o lado, fazendo com seus cabelos fossem, junto, tal como a touca vermelha, acenou e seguiu pelos corredores até o sexto andar.

Akira permaneceu parado no centro do corredor olhando aquela figura mais baixa que ele, os cabelos refletindo ligeiros raios de um brilho da luz do sol, como se aquilo fosse o componente que desse vida aquele ambiente sem graça, com pessoas tão comuns.

-- Ruki... -- sussurrou sentindo o gosto do nome dele em seus lábios. -- Ruki...

-- Está me assustando, Akira.

Finalmente percebeu que não estava sozinho, mas novamente naquele corredor quase em preto e branco onde Kouyou o encarava com o cenho erguido.

Akira piscou lentamente, se voltando aonde iam e voltou a andar enquanto pegava o celular e entrava em uma das redes sociais buscando cegamente algum aluno veterano do curso de música, certamente teria ele lá? Mas frustrado não encontrou nada.

Onde será morava? Que idade tinha?

-- Akira! -- gritou Kouyou.

Lentamente virou o rosto a ele, como se o tédio modelasse suas expressões.

-- O que é?

-- Akira, por favor, você está bem? O que foi isso? Você me parece agitado... Estou preocupado...

Ele permaneceu inexpressivo, mas sussurrou;

-- Com o que? -- riu finalmente, mesmo sem achar graça e isso fazia um arrepio correr a coluna de Kouyou. -- Nunca se interessou por ninguém? Não tenho direito?

Dito isso tomou caminho do corredor oposto, indo para sua aula, deixando Kouyou mordendo os lábios.

Seria algo comum, mais uma vez, se ele fosse normal.


Notas Finais


E então? Gostaram do comecinho? Teorias?
Até o próximo cap com a Andy o/


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...