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História Tainted Love - Reylo AU - Capítulo 13


Escrita por: e MilaBanks


Notas do Autor


Hello amores! Cá está um novo e fresquinho, capítulo.

Prometo que não vou alongar muito a nota inicial. Só quero mesmo é agradecer. Primeiro, vocês estão sendo incríveis, de verdade. Toda essa ansiedade, carinho e elogios. Mal podemos expressar o quanto estamos felizes com isso.

Segundo, eu devo me desculpar pelo atraso a semana foi corrida pra mim. Esse é um capítulo particularmente grande. Era impossível reduzir os detalhes, mas fiz o possível.

Tanto eu quanto Mila estamos muito empenhadas no trabalho dessa fanfic. A elaboração dela tem sido incrível muito graças a mente criativa e maravilhosa dessa minha parceira.

Deixo aqui meu agradecimento a ela. Tu é uma autora maravilhosa amiga, não tem como deixar de enaltecer ♡

Voltando ao capítulo, sim, ele é grande. Mas creio que não irão se importar não é? Boa leitura nenis 🌸💓

Capítulo 13 - Fora de controle


Fanfic / Fanfiction Tainted Love - Reylo AU - Capítulo 13 - Fora de controle

 

Ao som de sinos badalando. 

É dessa maneira que Ben Solo acorda em seu quarto de hotel na cidade de Las Vegas no estado de Nevada a milhas de distância de casa. 

Nesse momento, ele se empenha em controlar a dor latente em sua cabeça. Seus olhos ardem a garganta está seca e se não fosse pelo estômago sensível, ele acabaria com a fome que se assemelha a de alguém que passou por um jejum intermitente. 

Ben se senta e mexe na roupa de cama embolada sobre ele. Não é preciso muito para que perceba, nem tudo está como deveria. A dor de cabeça e o fato de ter recém-despertado, atrapalham um pouco seu raciocínio. 

Já que é incrédulo, praticamente horrorizado, que seus olhos observam seu abdômen sujo com os fluidos de uma ejaculação já seca. A pele repuxa e ele resmunga ao tocar a região com a ponta dos dedos. 

"Mas que merda é...  " 

Uma dor aguda palpita em suas têmporas. Ben respira fundo e se deita novamente. Outro sonho. Outra manhã em que ele acorda gozado. O que ele não se lembra é de tê-lo colocado para fora, de se tocar.

Desde que incidentes como esse começaram a acontecer, Ben não conseguiu sentir nada além de vergonha. Aonde já se viu? Um homem, sexualmente ativo, acordar pelas manhãs com o pau semi ereto e os sinais de uma ejaculação que obviamente é fruto de um sonho. A protagonista de seus sonhos tem sido a mesma desde que tudo começou. Indevida, porém desejada. 

Quem é que pode culpá-lo? Ele não tem o poder de controlar o que sua mente reproduz quando está desacordado, ainda que quando acordado, se esforce para evitar os pensamentos a respeito dela, sua tutelada. Ben tenta pensar em Rey como uma irmã. Afinal, é o que serão legalmente. Porém, seu estômago embrulha com a tentativa frustrada.  

Um irmão não fica com tesão pelo outro. Encaixar Rey nesse papel soa tão ridículo que ele descarta a ideia. Ele não consegue negar, ela o excita. O faz sonhar com o que pode fazer com ela. Segunda constatação não menos vergonhosa que a primeira: Pensar em Rey como irmã só o faria se sentir ainda mais doente. 

O resto se torna claro por conclusão demasiada. Ele dormiu pensando nela, é só o que tem feito ultimamente. Ben já nem se preocupa mais em dizer "Isso tem que acabar". Pois é um fato e contra ele não há argumento. 

Sua amnésia alcoólica aos poucos vai se  dissipando. Flashes da noite anterior, vão surgindo. Ele se lembra de Armitage lhe fazendo companhia. A tarefa da qual seu associado se encarregou de fazer. Ben fecha os olhos e franze o cenho, tentando discernir quais partes foram reais e quais foram frutos do efeito de uma alucinação desencadeada por álcool e baseado. 

Ele resmunga para si, quando se recorda da mistura que fez. Cobra de si mesmo pela decisão estúpida. Hux não o deixaria se esquecer disso. Por falar em Hux, eles não saíram juntos do quarto. Menos mal. 

Ben teria companhia caso isso tivesse acontecido. Pelo menos seria uma boa justificativa para o estado em que se encontra agora. Ele precisa se levantar, buscar por ele e fazer o que o levou até Vegas. Seu trabalho. 

Ele olha em volta, enquanto passa a mão esquerda nas mechas despenteadas e selvagens de seu cabelo. Geme com a dor que permanece como forma de castigo e lembrete: Comemorar depois de uma vitória é certo, mas durante uma batalha não ganha, é imperdoável. 

Ele precisa saber as horas, mas o relógio que sempre usa não está em seu pulso agora. A segunda opção é seu celular. Ben demora para encontrá-lo, mas o faz. O display se acende e ele checa o horário rapidamente. Já são onze horas e, ele nunca vai além das oito.

Sob modus operandi, Ben arrasta a tela de bloqueio. E, é nesse momento que um frio sobe por sua espinha. O aplicativo de conversas está aberto. Não em qualquer janela, mas na de Rey. Tem pelo menos umas nove mensagens seguidas, dela. 

São as últimas não visualizadas que lhe chamam atenção. Ele checa o horário e então se dá conta de que para o seu desespero não foi um sonho que o levou a acordar tão bagunçado, se é que se pode chamar de bagunça o estado em que está. 

Ben fica boquiaberto quando lê a última mensagem que enviou. Sua mão direita sobe para o rosto e ele quase o esfrega quando percebe que não é uma boa ideia. 

Eles trocaram mensagens. Várias delas. Quanto mais ele lê, mais se convence de que está completamente fodido. Ele pediu um áudio e ela enviou. Puta merda! Isso não é nada bom. Ben tem medo de escutar, ele continua lendo embasbacado, pela forma como a induziu através de um jogo sujo.

Seu forte não é trocar mensagens, mas definitivamente é flertar. Ele fez isso por tantas vezes que é quase como respirar, exceto que… Rey não deveria ser um alvo, uma conquista ou qualquer coisa semelhante. Sua cabeça está bagunçada demais para se lembrar de como permitiu que as coisas chegassem a isso. 

Mas perceber que flertou com ela não é a pior coisa com a qual ele se depara. É quando ele finalmente vê que não apenas a induziu e seduziu mas também se tocou com o que ela lhe deu.

É diferente de ter um sonho, soa quase melancólico que ele tenha chegado a isso, tamanho o desejo que sente. Reprimir não está sendo suficiente. Rey o levou a isso, a algo que nunca fez. Pois por mais que a desejasse, Ben até o momento tinha evitado se tocar pensando nela. Era uma barreira que ele não queria ultrapassar, mas como tudo que a envolve, não obteve sucesso. 

Seus dedos tremem ao soltar o áudio que ela enviou. Ben aperta os olhos e começa a praguejar. Estúpido, imbecil e doente não chegam nem perto do que ele pretende dizer, mas são as primeiras ofensas que se lembra.

Ben percebe que a deixou esperando desde a última mensagem. Para ele é um alívio que não tenha ido adiante. Mais algumas mensagens e sabe lá o que poderia pedir. Por mais que o encante e que seja a dona dos pensamentos mais impróprios dele, Rey permanece sendo uma pessoa inalcançável. 

Seus sentimentos por ela não devem envolver certas vontades, e por mais que ele lute para enfiar isso dentro de sua cabeça, acaba sempre sendo traído pelos impulsos. 

Ele se levanta para ir ao banheiro depois de ler e reler o que trocou com Rey. A forma como a chamou torna tudo ainda pior. Mas que porra ele pensou nesse momento? Chamá-la de garotinha pode ter sido um surto auto-consciente. Uma forma do seu juízo lembrá-lo de quem ela é. Isso no entanto não impediu nada. 

O som de batidas na porta o faz sair de onde está. Diante de um espelho tentando avaliar a merda em que se enfia cada vez mais. Ben veste uma camisa, lembrando a si mesmo de que ele precisa de um banho para ao menos se parecer com um ser humano decente. 

Quando abre a porta ele dá de cara com seu associado. O visual do ruivo é tão ruim quanto o dele. Sua camisa tem os primeiros botões abertos, o cabelo mais parece um ninho de pássaros e o rosto está vermelho com marcas de batom por todos os lados. 

Ben se sente um pouco melhor agora, pensou estar uma verdadeira catástrofe, mas mudou de ideia ao ver Hux. E por ver Hux é que ele se dá conta do estado que seu humor se encontra. Furioso chega perto de descrever. Em grande parte consigo mesmo, mas em outra com tudo que o levou a decisões estúpidas como a da noite anterior. 

Hux se agarra ao batente da porta. Sem ter ideia de que seu chefe está prestes a explodir de vapor fervente, feito uma chaleira no fogo. Ben o observa de maneira interrogativa esperando que ele diga alguma coisa, exceto que por sua falta de paciência ele se adianta. 

— Já se passou praticamente metade do dia. Pra você ter a audácia de bater aqui nesse estado, espero que tenha feito o que se encarregou de fazer...  —

Hux pisca sem esconder a ofensa quando ergue as mãos que estavam escondidas atrás das suas costas, revelando mais quatro pastas da cor azul como as que estão espalhadas sobre a mesa na sala. Ele entra sem pedir licença e quase tem seu corpo bloqueado pelo o de Ben. 

Hux parece entender que não é a melhor hora para gracinhas. Sabe reconhecer quando Ben está lívido de irritação. 

— Passei horas na companhia da ex senhora Smith… —

Ben o interrompe com um olhar incrédulo 

— Me diz que você não dormiu com ela pra conseguir informação… —

Hux revira os olhos e olha em volta para a bagunça de papéis, antes de tornar a olhá-lo. Ele empurra as pastas contra o peito de Ben que as segura com as duas mãos, ele apoia uma delas na palma aberta e abre para ler o conteúdo. 

— Eu não brinco com meu trabalho, Solo. — Hux rebate enquanto caminha até o sofá e se joga sobre ele cheio de convicção. 

Ele tem motivos para isso. Pois o sorriso que Ben abre enquanto lê o conteúdo é de total satisfação. 

— Fico feliz por você me lembrar do porque escolhi você como meu associado —

Hux sorri, enquanto estica os pés sobre a mesa — Eu sou o melhor, reconheça… — 

— Não precisa exagerar… — Ben rebate. Hux estica os braços, para mostrar uma falsa ofensa. 

— Vou pedir para marcarem com o Smith no escritório dele, agora. Bom trabalho Hux —

Hux quase sorri quando se atenta ao que Ben disse antes de elogiá-lo. 

— Espere. Nós vamos para lá agora? Tipo nesse momento? —

Ben ergue os olhos da pasta, com as sobrancelhas arqueadas. 

— Não antes de tomar um banho, claro. Você tá péssimo —

Ele também precisa urgentemente de um. Mas é claro que disso Hux não precisa saber. Ben segura o sorriso vendo o olhar mortificado de Hux. 

— Porra, Solo. Você é mesmo um porre. — 


 

******************


 

Os dois marcam para o fim da tarde com o advogado de Smith. Ben ainda está remoendo o que houve com Rey. Toda a questão da imprudência e a lista infinita que ele cansa de repetir sempre que um deslize acontece. Usa isso como gatilho para o que está por vir com a dupla de fraudulentos. 

Eles são recebidos em uma pequena sala de reuniões. Ha vidro por todos os lados, ela se assemelha ao escritório dele em Nova York. Claro que sem seu toque megalomaníaco, o que sempre torna as coisas maiores do que o necessário. 

Os quatro se sentam com mais duas acionistas da nova aquisição de Terry. Elas estão mais para plano de fundo de todo o centro do problema. 

Antes que eles comecem a falar, Ben puxa uma espécie de cilindro de dentro da maleta de Hux. Seu associado o observa colocar a peça fina com alguns dispositivos grudados pela extensão. Não é só Hux que observa, mas a dupla diante deles também.  

Ben se ajeita em sua cadeira de forma relaxada.  É hora do show. Sua parte favorita no que exerce. 

— Pode me dizer o que é isso Terry? —

O homem troca um breve olhar com seu advogado antes de se virar para ele. 

— Eu não sei o que é —

É claro que não. Como poderia? Ben tem vontade de revirar os olhos. Está lidando com dois amadores e por dentro o êxtase em acabar com eles só aumenta.  

— E se eu disser a você que isso é o cilindro de um motor lycoming. Ele ajuda a criar a potência que você precisa para manter uma nave no ar. Eu cresci vendo um desses... é algo que qualquer engenheiro de aeronaves sabe. —

Ele de fato sabe. Passou anos de sua vida acompanhando com verdadeira adoração seu pai desenvolver cada uma das belezinhas de cilindros e propulsores, vendo como Han ama o que faz. 

Como era de se esperar. Terry apenas consente com suas palavras, ele não se mostra muito interessado em entender sobre o que vê. Por isso, Ben se manifesta. 

— Perdão. Eu nem perguntei, onde você estudou engenharia de aviões? —

— Eu não estudei — A resposta de Terry não trás qualquer surpresa. 

— Mas sugere que pode comandar uma companhia de engenharia aérea? —

A dedução de Ben faz com que o advogado se manifeste. Ele esperava por isso. 

— Meu cliente comandar, não o obriga a entender ou desenvolver peças —

Ben sorri para os dois tamborilando os dedos na mesa enquanto Hux observa a dupla com atenção em silêncio. 

— É curioso você dizer isso pois é justamente o motivo pelo qual estamos aqui… Aparentemente, seu cliente não entende sobre nada. — Ben acusa vendo Terry piscar incrédulo. 

— Perdão? — O advogado pergunta embasbacado como o deixou a dias atrás diante do juiz.

— Eu vou ser mais claro. O seu cliente não entende nada sobre nenhuma das outras quatro empresas que ele assumiu nos últimos anos. — 

O advogado de Terry ri com a constatação, isso não significa muito e Ben sabe. 

— Isso o torna um empreiteiro. Ele não precisa entender sobre o que investe. Basta apenas fazer exatamente isso, investir. —

— Eu vou dizer sobre o que ele entende. Em passar noites e mais noites em Cassinos procurando por um viciado que esteja disposto a apostar sua companhia em troca de alguns míseros milhões. —

As palavras de Ben são o suficiente para fazer com que o advogado perca o tom bem humorado. Terry está ao lado vendo a interação sem esboçar demais. Acontece que a paciência de Ben com os dois é tão curta quanto. 

— Essa acusação é muito grave, Solo. Sabe que o que fizemos está dentro dos requisitos e de acordo com a lei. — 

Convencido do que diz, o advogado rebate com um olhar carregado de presunção sobre as acusações até então infundadas. 

— Pois é. Depois de tantos golpes vocês ficaram mais inteligentes. Devo reconhecer. É uma pena que as primeiras empresas passaram com falhas na fraude. —

Enquanto fala, Hux joga uma pasta atrás da outra sobre a mesa. Tanto Terry quanto seu advogado observam. Puxando uma delas para ler o conteúdo. O advogado dispara seus olhos sobre Ben com uma fúria evidente. 

— Onde conseguiu isso? Você não pode ter acesso a esses documentos, é contra lei —

— Bom, de acordo com a ex esposa dele, nós podemos sim — Hux se manifesta olhando para o advogado enquanto ignora um Terry aparentemente espantado.

— Jane jamais entregaria isso a vocês — Terry cospe a palavra quase se levantando de seu lugar enquanto aponta um dedo para Ben. 

— Nós tivemos o prazer de conhecê-la. Muito educada por sinal. É incrível como ex-esposas nunca tem nada de bom a dizer sobre os ex-companheiros. — 

Ben olha para Hux que concorda, como se estivessem chegando a conclusões simples e alheias aos dois homens diante deles. O advogado de Terry se levanta também erguendo o tom de voz.

— Que tipo de palhaçada é essa Solo? Você encontrou a ex-esposa do meu cliente e a coagiu a isso? — 

— Coagir? O nome dela está registrado como proprietária em uma das empresas. Bastou dizer que três delas seriam investigadas por fraude para que ela se mostrasse bastante interessada em resolver a situação. Ela foi muito prestativa com meu associado — 

Ben aponta para Hux que torna a concordar girando uma caneta que pegou do bolso de seu terno nos dedos. 

— Realmente... —

O advogado de Terry se senta, afrouxando o nó de sua gravata por um longo e silencioso minuto. Ele segura o braço de seu cliente para que ele se sente também. 

Ben observa a dupla, saboreando seu momento. Ele sabe que estão encurralados agora. 

— O que você quer? — O homem se manifesta mostrando que perdeu a jogada. E por mais que ele queira ir adiante com isso, lidar com os dois só consegue deixá-lo mais irritado a cada minuto. A ponto de nem mesmo o prazer de vê-los rastejar o faça prolongar mais as coisas. Por isso ele é direto, como de costume. 

— O que faremos, será devolver os três milhões que vocês deram como empréstimos da aposta. E você vai esquecer essa palhaçada de tentar ganhar uma companhia com um guardanapo de papel. — Ben fala olhando diretamente para Terry que troca olhares com o advogado. 

Ben prossegue com a ameaça. 

— Fingimos que vocês nunca existiram e vocês escapam da investigação por fraude com as outras empresas. Eu posso perder a Millenium Falcon, mas imagina como vai ficar quando estiver falido sem poder pagar pelo roubo das companhias que você conseguiu de outros CEO's na mesa de jogos. Já sabe onde irá parar, não é? —

Terry aperta o maxilar descendo os olhos para as pastas. Seu advogado não espera que ele avalie. Está prestes a responder quando Ben o interrompe. 

— Quer saber? Eu estou de mau humor hoje. Então os três milhões ficaram conosco, por me fazerem vir até aqui para lidar com as falcatruas de vocês.—

Nenhum deles se manifesta. Estão ocupados demais com os rostos queimando de raiva  reprimida para isso. Ben olha para Hux com o canto dos olhos a tempo de ver o sorriso sutil que surge em seus lábios. 

— E então... O que vai ser? — 

Mais alguns minutos de silêncio e está tudo acabado. Ben e Hux deixam o escritório de Terry Smith com os documentos emitidos que foram enviados de Nova York pouco antes de irem até lá. 

Os dois saem do prédio caminhando até o carro quando Hux se vira para olhá-lo antes de abrir a porta.

— Solo... aquilo não é era um cilindro de avião, era? —

Ben para do outro lado com um sorriso irônico.

— Claro que não, onde você acha que eu encontraria um cilindro lycoming aqui em Vegas? —

— E que porra era aquela? — Hux pergunta enquanto ri de bom humor. 

— Uma peça de impressora. Peguei emprestado no hall do hotel — 

Isso é o suficiente para fazer com que os dois riam ao entrar no carro. Ben finalmente pode voltar para casa e nada pode soar melhor que isso no momento.


 

**********


 

Pouco antes de embarcar, Ben liga para Han e o comunica de que recuperou a Millenium Falcon. Seu pai não perde tempo para tentar convencê-lo de que coisas como essas jamais aconteceriam caso ele assumisse o controle da companhia. 

Segundo seu pai todo o investimento de uma vida foi para isso e por mais honroso que seja para Ben, tamanha confiança. Ele não vê a possibilidade de assumir algo tão grande. Não quando sua vida é advogar. Se não fosse pelo o que escolheu fazer, coisas como recuperar a empresa não seriam possíveis. 

Ele está satisfeito pelo o que escolheu. Sabe que no fundo seu pai aprecia vê-lo assumir a direção de algo que embora tenha aprendido sobre, nunca foi o que pensou em escolher como profissão. 

Depois de remunerar seu associado com o pequeno mimo, ganho com o dinheiro pago para Chewie. E de ter sua audiência com o juiz na manhã seguinte ao acordo com Terry para encerrar o caso. Ben pega o primeiro vôo direto para Nova York. Está um caco. Mas nem por um decreto permanece mais tempo do que deve longe de tudo que o cerca diariamente. É com esse mesmo pensamento de que ele se dá conta do seu segundo problema. Esse por sinal não tem cláusulas que possam amenizar ou termos que o façam negociar. 

Uma ansiedade surge dentro dele e embora não consiga administrar o que o faz pender mais, conhece bem a razão. 

São cinco horas de vôo. Um atraso no fuso e um Hux agitado ao seu lado. Ben se segura para não esgana-lo, quando faz menção a fumar um de seus malditos baseados novamente. Depois de Vegas coisas como aquela estavam proibidas. 

Ele vai de táxi até a casa de seus pais e quase não consegue acreditar quando o caminho de Hamptons se aproxima. Ele precisa buscar por Rey. Não pode voltar para casa sem levá-la com ele. Um ato estritamente responsável de sua parte. 

Embora seus pais já estivessem cientes de seu retorno, ele não trocou uma só mensagem com ela desde o que houve com as trocas de mensagem. Revê-la sem ter certeza de como ela está o deixa um tanto nervoso. 

Quando ele desce do carro e retira as poucas malas que levou consigo. Tem a impressão de ouvir alguém chamá-lo. Claro que isso não passa de uma impressão, seus pais sequer estão na porta. 

Ele olha em volta para ter certeza, e quando não vê ninguém começa a caminhar em direção a entrada pelo corredor de tijolos expostos no chão. Ele para quando vê que a porta está se abrindo, pisca algumas vezes para se acostumar com o que vê, quando se dá conta de que Rey está ali. Olhando para ele. 

Ela abre um sorriso tão brilhante e bonito que o faz perder o fôlego. Ele não sabe se é o tempo em que passou tendo como recordação a foto tirada por ela. Mas de repente vê-la de novo torna tudo esmagador. 

Seu sorriso se ilumina ainda mais quando dá os primeiros passos na direção dele, que está paralisado no meio do caminho. Ele mal consegue registrar, quando ela corre e pula em seus braços. Tudo o que Ben faz é segurá-la. 

Consegue ouvir o riso divertido dela. Enquanto suas mãos se ocupam em mantê-la firme, segurando o inferior das coxas. Os braços dela o envolvem com força em um abraço urgente. 

Ben fecha os olhos quando os cabelos dela encostam em seu nariz e o cheiro delicioso invade seus sentidos. Ele respira pesado contra as mechas grossas. Enquanto um silêncio se instala deixando suas respirações irregulares, mas evidentes. 

Rey é tão leve. Parece mais macia que de costume e ainda mais cheirosa. A mão dele a impulsiona um pouco mais para cima, os dedos sobem até a bunda. Ben reprimi a vontade de gemer com satisfação quando ela suspira. 

Ele sente os dedos dela em sua nuca, enquanto se balança nele de um lado para o outro com as pernas atadas na sua cintura. Ela começa a beijá-lo na bochecha como havia prometido no áudio, tornando difícil sua tentativa de estar imune a ela. Lábios macios e molhados, um corpo leve e convidativo, contra um quente e maciço. 

— Senti tanto a sua falta, Ben — 

Às palavras de Rey o deixam extasiado. O pensamento racional cessa, e como um viciado ele se deixa levar por suas vontades.

Ben a acaricia com seu nariz dos cabelos ao canto do queixo. Ele para ao alcançar a garganta. Seus lábios plantam um beijo na região, sem reprimir a ponta da língua, que molha a pele dela. 

Rey treme, fazendo com que ele aperte os dedos em sua bunda, na tentativa de aplacar a intensidade com que ela mexe com sua cabeça. O gosto agridoce o faz ter vontade de devorá-la. 

Porra! Ele está duro. Não que já não estivesse, desde que a viu na porta, naquele short curto e apertado contra as coxas. As coisas só pioram, quando ela o chama, fazendo ele crer que está gemendo.

Ben se esquece por um momento de onde estão. A voz de seu pai vinda do interior da casa o traz de volta a realidade. Ele desce Rey de seu colo às pressas e antes que Han apareça ele segura as malas para disfarçar a ereção. 

Ela o olha surpresa e Ben não sabe dizer se é por estar chocada demais com seus modos incontidos. Han surge, deixando claro a ele que se estivesse um pouco mais perdido, teria sido pego em flagrante. 

O fato de viver na corda bamba quando se trata do seu desejo por ela, o enfurece. Rey se despede deles indo para a piscina enquanto Han não para de falar sobre Chewie e sua decisão de ir para a reabilitação. 

Foi um acordo imposto por Ben antes mesmo de ir atrás dos apostadores. Isso evitaria as alegações e complicações no caso. Han oferece uma bebida e Ben aceita na tentativa de aplacar um pouco a euforia. Ele desvia o assunto para a ausência de sua mãe, mas seu pai não explica muito, tornando a falar sobre a Millenium Falcon. 

Ben tenta ao máximo prestar atenção, exceto por um detalhe. Rey é visível de onde ele está. Parado em frente a porta de vidro que o permite vê-la na piscina. Ela lê distraidamente debruçada no chão enquanto seus pés balançam no ar. 

É uma visão e tanto. Ben range os dentes, sentindo a irritação ferver por suas veias. Ele segura a vontade de se esfregar sobre a calça. Ela é linda, a pele brilha no sol, o jeans curto está agarrado nela. Ben consegue ver a polpa da bunda escapar no tecido grosso. Isso o deixa em frenesi. 

Ele fecha os olhos se recusando a olhar mais, a desejar mais. Antes que não possa mais esconder sua ereção, Ben se vira impaciente dizendo ao pai que irá se deitar pois está cansado. É o melhor que pode fazer por si mesmo. 


 

**************

 

 

De onde está com seu livro, uma das edições de Cartland, que ainda não havia lido. Rey olha discretamente sobre os ombros e vê que Ben está parado diante da porta de vidro que dá acesso a piscina. É onde ela está agora, debruçada sobre a borda. 

Ben não olha para ela exatamente, ao menos, não para os seus olhos. Parece distraído, um pouco distante. Logo ao seu lado está Han com uma mão no bolso enquanto a outra segura um copo do que parece whisky. 

Ele tem o costume de beber uma dose ou outra, intercalado ao licor, de vez em quando. Detalhes e costumes dos quais ela foi aprendendo a notar com os dias de convívio. É possível ver seus lábios se movendo ainda que os de Ben não façam o mesmo. 

Ela suspira e balança os pés no ar um seguido do outro. Há aquele aperto agora familiar entre suas pernas, para ser mais exata em sua intimidade. Ela arrasta a página do livro, e seu sexo se contrai fazendo com que se aperte na posição em que está. 

Seu corpo estremece e isso a surpreende. Ainda mais porque é nele que está pensando. No que acabou de acontecer. Na forma como Ben a segurou nos braços. 

Rey acreditou que o abraço de Ben era bom o suficiente. Até hoje, ao se permitir estar em seu colo. Sendo segurada com tanta facilidade, como se não pesasse nada. Por um momento seu coração acelerou a ponto de martelar em seus ouvidos. 

Foi no momento em que sentiu os lábios dele plantarem um beijo quente na lateral de seu pescoço, ou quando seus rostos ficaram frente a frente. Os olhos claros no tom âmbar, encarando os dela com uma intensidade quase palpável. As mãos de Ben, enormes, pressionadas contra sua bunda, mantendo-a firme e agarrada em seus quadris. 

Talvez, pela saudade que sentiu, ou pelo medo de vê-lo ignorá-la como fez com as mensagens, mas o fato é que ela cedeu ao impulso de correr para os seus braços. E não se arrepende por isso, ainda que a postura de Ben tenha mudado depois.  

Por que de repente ela o sente tão distante? Gostaria de entender melhor a discrepância das altitudes dele. Durante sua viagem pareceu tão aberto, solícito e preocupado. Depois do áudio que enviou ele parou de trocar mensagens com ela.

Talvez ele não tenha gostado. Mas ele a respondeu em seguida, mesmo não tendo cumprido com o acordo. A chamou de doce garotinha, embora o garotinha a tenha aborrecido um pouco, foi inusitado e carinhoso. Ela tem certeza disso. Esperava por uma mensagem de voz, ainda que aquele pequeno gesto na mensagem tenha sido satisfatório. Eles estavam jogando e ela era a vencedora. Cumpriu com seus pedidos e não teve sua recompensa. 

Ela esperava que ele ao menos demonstrasse o quanto sentiu sua falta, já que foram essas suas palavras estando em outro lugar tão longe dela. De repente ela se viu determinada a cobrar, se não por respostas, com certeza por seu prêmio. Não é essa a regra de um jogo? O vencedor ganha um prêmio? 

Ela se empolga com a possibilidade do que pedir a ele e, o justo é que ele ceda. E ela sabe o que irá querer. Depois de tanto tempo afastados ter a atenção de Ben, é a melhor coisa que tem a pedir. 

Ela olha novamente sobre os ombros, está ansiosa para dizer isso a ele. Espera que ele encerre a conversa com Han. Mas quando mira na direção dos dois, Ben já não está mais ali. Rey rapidamente se levanta e caminha para dentro da casa.

Ela encontra Han terminando sua bebida, sentado no centro do sofá com um jornal aberto na mão que está livre. Ele o lê distraidamente, enquanto um jazz toca ao fundo em sua vitrola. O que aliás, é o único aparelho antigo presente na casa. Rey diria que está mais para clássico. 

Ela torce os dedos na barra de seu short jeans para ajeita-lo um pouco mais abaixo em suas coxas, olhando em volta para ver onde Ben está. Han sequer à notou ali. É assim que ele fica quando escuta suas músicas e lê seu jornal. Fora do mundo real. Leia já havia dito isso a ela. 

Ela pensa em perguntar a ele sobre Ben, mas com que pretexto? Ainda que não tenha nada demais. Ela sente que não deve fazê-lo. Não há um motivo que possa ser explícito. Dizer o que a Han? Que precisa encontrá-lo para cobrar por um jogo feito por mensagens? Antes que siga em frente com sua ideia, ela resolve que irá buscá-lo no andar de cima. 

Talvez esteja desfazendo as malas. Ela pode ajudá-lo, Rey acelera o passo em direção as escadas quando Leia surge no seu campo de visão. 

— Querida, pode me ajudar com as compras? —

Rey desce o primeiro degrau que alcançou e sorri ao ver sua tutora. Ben pode esperar um pouco. Enquanto as duas deixam as sacolas de papelão sobre a bancada da cozinha. Han desce o jornal sobre o colo para olhá-las. 

— Já retornou? Eu nem a vi chegar. E menina, quando foi que entrou? — Han se dirige as duas franzindo o rosto a fim de demonstrar sua surpresa. 

Rey sorri quando Leia lhe dirige um olhar cúmplice. 

— O garoto já está de volta — Han anuncia fazendo com que Leia olhe para ele de bom humor. 

— E onde está? — A pergunta de ouro. Não é só Leia que espera por uma resposta. 

— Ele foi se deitar. Está cansado, não parece de bom humor. Pelo visto as coisas com o Chewie não foram das melhores. Mas ele garantiu que deu tudo certo. —

Han continua a falar com Leia que o responde no mesmo entusiasmo. Ainda que o assunto não chegue aos ouvidos de Rey. Ela se afasta deles para ir até a área da piscina novamente. Está desanimada. 

Tinha esperança de ficar um pouco com Ben, mas é justo que ele descanse, sua viagem deve ter sido longa e estressante. Agora ela entende os motivos para ele estar tão estranho depois de se abraçarem. Ela se deita sobre o futon redondo do jardim e retoma a leitura. 

Acaba lendo a mesma página, duas vezes,  para absorver o conto. Está distraída demais para focar em outra coisa que não seja as horas do descanso de Ben. Já se passaram três. O céu escureceu e logo irão servir o jantar. A necessidade de conversar com ele nunca foi tão grande como agora. 

Rey se levanta desanimada quando Leia a chama para ir a mesa. Ben não está nela e pelo visto não sairá do quarto. Rey se pergunta se nem ao menos com sua mãe ele irá falar? Não há motivos para ignorá-la. Ainda que no fundo seu incômodo real é mais por ela mesma. 

Seu lado egoísta gostaria de um pouco de atenção. Talvez ele esteja precisando conversar. Se lembra bem das palavras de Han. E se ela puder ajudá-lo? Não custa tentar. Irá esperar um pouco mais para isso. 


 

**************


 

Não demora para que tanto Han quanto Leia subam para os seus quartos. A essa altura, Rey já não dorme mais no de hóspedes no andar de baixo, está entre eles agora no andar de cima. Ela agradece por não ter que andar muito até o de Ben que fica alguns passos do seu, no fim do corredor. 

Talvez seja um pouco tarde para ir procurá-lo. Só que ela se nega a pensar nisso. Afinal, Ben esteve com ela quando passou suas noites ruins. Se ele precisa de companhia ou uma distração ela o fará sem pensar apenas no quanto isso é bom para ela também. 

Rey sai de seu banho. O que costuma fazer sempre antes de ir dormir, ela veste a camisola que ganhou de Leia e sai de seu quarto para ir até o de Ben. Antes disso ela tem a atitude de ir até o espelho para observar se está tudo bem. O perfume que Leia lhe deu, é claro. Estava se esquecendo dele. 

Se lembra de Ben tê-lo sentido no pescoço dela. Ele pareceu gostar e por esse motivo ela quer usá-lo mais uma vez. Uma borrifada ou meia borrifada e, está pronta. Rey sente um frio na barriga antes de ir até a porta do quarto dele. De acordo com a convivência, sua timidez na presença de Ben foi diminuindo. Se tornou natural estar ou desejar estar com ele. 

O que nunca sob nenhuma hipótese mudou, foi a sensação de borboletas no estômago, ou o formigamento de excitação, sempre que um toque acontece, ou ao vê-lo seminu diante dela, também quando ele faz suas perguntas intimidadoras. Uma lista extensa que se misturam as sensações que ele lhe causa. 

Cada passo na direção de Ben trazia consigo algo novo. Uma experiência ou um despertar dentro dela até então inexistente. Talvez fosse esse o autoconhecimento que toda garota passa quando está na idade em que ela está. A verdade é que, para ela, se trata apenas do efeito "Ben Solo".

O corredor está escuro, se não estivesse a poucos passos do quarto de Ben provavelmente tropeçaria em algum dos amparadores espalhados pelo corredor com vasos sobre eles.

Ela fica parada diante da porta, ajeita a camisola no corpo e em seguida dá dois toques leves. Ben não atende depois das batidas. Talvez estejam sendo leves demais. Ela força mais duas batidas, então espera e … nada acontece.

Um pouco impaciente ela decide checar a maçaneta, na esperança de que esteja aberta, o que por sinal, está. Ela agradece a divindade das maçanetas destrancadas que acabou de inventar que existe e então abre a porta. 

A luz natural da noite, ou melhor, da lua, ilumina a janela em direção a cama. Uma luminária está acesa na cabeceira ao lado da cama dele. Ben parece grande demais para ela. Suas pernas estão levemente dobradas, o rosto virado para o lado e a mão espalmada sobre o abdômen. 

Ela aproveita para olhar ao redor do quarto. Tem alguns pôsteres colados em uma das portas que ela desconfia que leve a um banheiro. Ben é fã de Joy Division. Bom gosto para músicas. 

Há também cartazes de filmes trash. São esses tipos de filme que ele gosta então? Ela se dá conta de que já disse quase tudo sobre ela para ele. Mas desconhece suas preferências. Ben parece ser do tipo que gosta de obter informações, mas não do tipo que gosta de dá-las. 

Assim como na cobertura em que vivem, ele está cercado por cores frias e sua preferência é clara pelos tons cinza ou chumbo. Tem um armário embutido com prateleiras brancas que vai do teto a metade da parede. Tem alguns livros de direito enfileirados seguidos por troféus de todos os tipos. 

Rey se aproxima para ver os pequenos homenzinhos em posições esportivas sob o busto com as descrições. O que indica que ele era bom em praticar esportes também. É quase cômico o fato de Ben não ter defeitos. Se eles existem ela não consegue reconhecer. 

Duas medalhas como melhor aluno da classe. Outra como presidente de grupo. Ela se inclina para ler os dizeres, tomada pela vontade de conhecer mais sobre o homem do qual tanto admira e gosta. 

— Rey. O que está fazendo? — 

Ainda que baixa a voz profunda de Ben a assusta. Ela estremece de onde está, olhando para a enorme estante com vários objetos que muito provavelmente contam histórias das quais ela gostaria de conhecer. 

Aos poucos ela vira seu corpo para olhá-lo. Rey entrelaça as mãos atrás das costas e começa a balançar o corpo desajeitadamente de um lado para o outro com o lábio inferior apertado em seus dentes. 

Ele está olhando para ela, provavelmente esperando alguma explicação. O que uma pessoa faz no quarto de outra, mexendo em suas coisas enquanto ela dorme? 

Ela pensa a respeito. Passando por uma linha tênue entre a culpa e a remissão. Afinal de contas é pelos erros dele, incluindo a falta de consideração, que ela está ali.

As bochechas estão coradas e as orelhas quentes. Rey não quer se importar com isso. Deus sabe que não poderia esperar até que o dia amanhecesse para vê-lo. 

— Eu .. eu vim saber se você estava bem. Não desceu para o jantar, então fiquei preocupada.  — Meia verdade, ainda é uma verdade. 

Ela toma a iniciativa de se aproximar. Restam apenas alguns passos para que esteja diante da cama. Ela para quando alcança. Ben move a cabeça para acompanhá-la, se mantendo deitado. 

— Eu estou bem — Ele responde com a voz um pouco diferente, alguns soluços parecem escapar. 

—  Então você não desceu de propósito? —  Sua pergunta faz com que ele fique mudo. 

Ben se ajeita na cama e evita olhar para ela. Isso a magoa de certa forma. 

— Ben? — Ele reluta até virar o rosto na direção do dela. — Você não quer falar comigo? —  Ben aperta os lábios e suspira. 

— Não é isso, Rey… — 

— Por que você não me mandou a mensagem de voz aquele dia? Por que está me evitando agora? — 

São tantas perguntas. A atitude dele a fere. Ela não consegue compreender o porque ele a afasta, sempre que se aproximam. 

— É complicado. Eu acho melhor você ir dormir… Depois nós conversamos — Ben esfrega o rosto com uma das mãos e resmunga algumas palavras que ela não consegue compreender. 

Sua atitude a irrita um pouco. Ele sempre faz isso, quando ela só quer estar com ele. 

— Mas, Ben. Eu fiz algo de errado? — 

— Não, Rey. Você não fez nada de errado… — 

— Então… posso me deitar com você? — 

— Eu acho melhor não… — 

— Por que, Ben? Eu quero ficar com você. Senti sua falta. —

Ben suspira com os olhos fixos nos dela. O silêncio entre eles se prolonga e, Rey tem certeza de que ele irá pedir para que saia de seu quarto. Ela sabe que o seu coração irá despedaçar por isso. 

No entanto. Ele move o corpo para o lado cedendo a ela um espaço mínimo para que possa deitar. Ela hesita a princípio. Quase não consegue acreditar de que conseguiu convencê-lo. Ben parece tão perturbado e inseguro. 

Sem esperar por uma segunda chamada, Rey apoia o primeiro joelho sobre o colchão, seguido do outro e então se ajeita com o corpo virado para o de Ben. 

A cama que já é pequena para ele, se torna ainda menor quando dividida. Ela encolhe os braços na altura do rosto, levando o indicador até sua boca. Seus olhos percorrem do rosto dele ao cumprimento do corpo. A garganta se aperta ao notar que Ben está seminu. Como no dia em que o viu na sala suado de um pós treino. 

Rey fica calada, observando o vinco que se forma na testa dele por um tempo. Os olhos estão fechados e os lábios apertados. Mesmo com o esforço em uni-los ainda conseguem ser cheios. 

Ele parece com sono. Por isso ela fica calada, apenas piscando lentamente, admirando os traços do rosto marcado por sinais bonitos que são só dele. Ben permanece esticado, como se tivesse enrijecido de barriga para cima.

Os dedos de Rey formigam com a vontade de tocar nele. Ela reprimi a vontade, mas não por muito tempo. A mão que está encolhida diante da boca se estica e alcança a ponta das mechas escuras no cabelo dele. 

Seus dedos tocam os fios e se afundam um pouco mais. Ben suspira mas não se move para impedi-la ou encorajá-la. Ela ama os cabelos dele. São tão macios, que poderia escová-los com seus dedos por horas. 

A falta de impedimento por parte de Ben a torna um pouco mais corajosa. Rey sente que seu coração está disparado de emoção. Ela se move tão devagar que quase consegue passar despercebida. 

Se não fosse pelos ombros de Ben que encolhem, quando ela encosta em seu corpo e apoia o queixo em seu ombro. Ela inspira o cheiro da pele dele, é tão gostoso e ainda assim, não se compara a nenhum outro perfume. Ela encosta o nariz na clavícula e avança um pouco mais.

Já está colada nele. Se dobrar o joelho conseguirá abraçá-lo com uma das pernas. Sua mão esquerda sobe para os cabelos, assumindo o lugar da direita que desce para o peito. Rey estica o braço para cercá-lo. Ben é tão grande que sua mão mal consegue alcançar o outro lado. 

Ele inclina o rosto na direção dela, o queixo se apoia em sua testa, mesmo que os olhos ainda estejam fechados. Ele é quente feito uma noite de verão. Seu corpo todo é. De repente a mão que  estava presa entre eles se ergue. Ben repousa com ela sobre o quadril de Rey. 

Ela prende a respiração por alguns segundos, notando que conscientemente ele a toca. Seu rosto se inclina para cima. Está tão perto do dele. O pensamento de que ele poderia beijá-la facilmente se quisesse a faz corar. Eles estão tão próximos que é possível sentir sua respiração escapar por entre os lábios cheios. 

Ele é tão bonito. A adoração que sente por ele, faz seu peito se encher. Ela sorri mesmo que ele não a veja. Uma vontade até então reprimida, surge dentro dela e sem poder se conter ela estica o rosto para alcançar o músculo abaixo do maxilar, plantando um beijo demorado na lateral da mandíbula, é quase como o que ele havia dado mais cedo. 

O corpo dele se remexe e, ela pode jurar que ouve ele dizer seu nome. Ben se acalma depois de um tempo o que a motiva a continuar. É tão bom beijá-lo, especialmente ali. Ela planta outro beijo na lateral do pescoço e dessa vez o som dos lábios sobre a pele se torna alto. Ben aperta os dedos no quadril dela e Rey reprimi a vontade de soluçar com o susto que leva. 

Ela afasta o rosto e percebe que ele está com os olhos abertos. Ele é um pouco mortificado, ainda que a encare. Seu rosto paira sobre o dela. A ponta do nariz de ambos se encosta. Ela sente sua boca secar notando que ele está tão perto de beijá-la. Rey entreabre os lábios para recebê-lo, seu primeiro beijo, prestes a acontecer. Uma emoção latente toma conta dela.

O coração bombeia violentamente, quando a mão dele vai descendo pela curva do seu quadril e se aloja na parte de trás do joelho, trazendo a perna dela até a cintura dele. 

Ben afasta o lençol que o cobre e se inclina na direção dela. Isso a obriga a mudar de posição. Rey agora está deitada de costas para a cama como ele estava. Aos poucos ele a deixa por baixo dele. O lugar está quente, assim como o corpo dele sobre o dela. 

Rey respira fundo sentindo o cheiro de whisky, dando indícios de que ele havia bebido. O nariz acaricia a bochecha dela, mas não alcança os lábios. Ben vai direto para o pescoço. Ele expira contra sua pele causando arrepios pelo corpo todo.

Os braços dela se encolhem entre eles, quando o corpo de Ben faz um movimento mais brusco, para manobrá-la. Ele a segura com uma das mãos que sobe da parte inferior do joelho para o inferior da coxa. Rey fica boquiaberta ao ver como ele passa de sonolento, para totalmente desperto. 

Ela sente um frio na barriga, por ele tocá-la de forma tão intencional. A mão enorme e quente, avança um pouco mais para cima subindo a camisola de Rey com ela. 

O ar fresco afeta sua pele, quando ela se dá conta de está com a calcinha de fora. Ben pode olhá-la agora e, ele faz isso. Sem vestígio de disfarce ou sutileza. O rosto de Rey, queima em distinção do resto do corpo que treme de ansiedade. 

Ben rosna baixinho. Um som rouco vindo do fundo, quando seu rosto se enfia na curva do pescoço dela, seus dentes começam a roçar a pele. Ele belisca e chupa sua garganta, antes de arrastar beijos molhados indo até a clavícula. 

Rey contém os gemidos, se deixando levar com os pulsos elétricos vindo de seu baixo ventre. Ben alcança a lateral de sua bunda, os dedos apertam a bochecha redonda e cheia e é quando ela o sente. 

Ela prende o ar que está respirando. Tem certeza de que o que a pressiona agora é o pênis dele. E... Oh Deus! Ele está tendo uma ereção. Ela sabe o que é, já sentiu outra vez. 

Ben está duro entre as suas pernas, o tecido da calça é frouxo contra os quadris, permitindo que ela sinta muito mais do que sua dureza. Ele parece ser grosso e assustadoramente grande. Ben encosta em seu sexo sobre a calcinha. Rey já não consegue mais reprimir o gemido. 

Um espasmo repentino acontece, como o que teve quando Ben a secou no banheiro, ou quando o polegar circulou seu mamilo. Ela geme mais uma vez e Ben faz o mesmo logo em seguida. Ele ergue o rosto e olha para ela. Seus olhos, estão escuros e um pouco vermelhos ao redor das pupilas. 

O quadril se aninha entre as coxas, dando início a um rolar lento, que lhe acerta partes até então inexploradas. Ele geme quando sua ereção pressiona o núcleo e, Rey fica boquiaberta. 

Os lábios se abrem um pouco mais em forma de "o" enquanto ela tenta aplacar o movimento dos quadris dele. É lento mas preciso. Seu corpo inteiro vibra, o que deixa Rey assustada e excitada ao mesmo tempo. 

Ben interrompe os movimentos e ela demora a se dar conta de que seu próprio quadril se move por ele. Seus olhos queimam nos dela e isso a faz ficar ruborizada. Rey pisca sobre o olhar intenso que ele lhe dá. 

— Você está gostando não está? Porra! Sim. Você está —

A constatação de Ben deixa o rosto de Rey vermelho com o sangue que circula por ele. Ela interrompe o movimento dos quadris, quando um espasmo a atinge involuntariamente. A voz dele a afeta de inúmeras formas. 

Ben sorri e não é um sorriso convencional do qual ela está acostumada, sem jeito, ou com o canto dos lábios como o pai dele costuma fazer. É obsceno. 

Ele se move novamente e, Rey percebe que está molhada, extremamente molhada, para dizer a verdade. O tecido de sua calcinha está colado contra os grandes lábios, o que causa um atrito entre a ereção dele e a fina camada de pêlos pubianos dela.

— B-Ben … Oh Ben! — O nome dele é tudo que ela consegue pronunciar. Ele mantém os olhos nela por um tempo antes de descê-los, para ver como estão encaixados. Rey faz o mesmo e fica impressionada. Ben inicia um vai e vem e isso a faz soluçar seu nome novamente. 

— Porra, Rey. Você está tão molhada… —

Sim, ela pode sentir também. Está tão molhada, tão ofegante. Nunca pensou que Ben a tocaria daquela forma. Com a mão trêmula ela empurra o peitoral dele, subindo com os dedos na direção dos cabelos. Ele está fazendo com que ela se sinta tão bem, como algo assim parece ser tão bom? Rey quer beijá-lo, é dolorosa a necessidade de pedir a ele. 

Mas ele não parece entender suas vontades. Ben tritura o quadril no dela. Permitindo que ela sinta muito mais que seu membro duro sobre a calcinha. A mão dele agarra os dedos pequenos, fazendo com que os seus se entrelaçam. 

A mão que apalpa a bunda dela, ergue a perna esquerda para o seu quadril. Rey o contorna encostando a panturrilha no músculo firme da bunda de Ben. Ela sente o tecido da calça que ele veste, deslizar um pouco para baixo à medida que ele se move com mais intensidade, fazendo a cama ranger. 

— Olha só pra você... tão doce e tão pronta pra mim... —

Pequenas gotas se formam em sua testa. A quentura se assemelha a febre. Ele nunca falou com ela daquela forma. Pronta? É para o que está pensando? Isso significa que Ben a quer?

De repente ela sente um frio na barriga. É de medo e receio. Rey para de se mover enquanto Ben permanece acertando um ponto sensível nela, causando um atrito gostoso e macio. Mesmo estando tão duro. Ele é grande, pesado e, a segura com facilidade. 

— B-Ben … você vai transar comigo? — 

Ela consegue engasgar com a pergunta, num tom de voz miado e baixo. No mesmo instante em que recebe ataques molhados de língua em seu pescoço. Ben murmura, enquanto a beija de forma quente. É possível ouvir o som estalido de seus lábios se separando da pele dela. 

— Eu quero provar você Rey —

É tudo que ela consegue entender. Gemidos irregulares escapam de sua garganta, quando se move com ele. Ela já sentiu antes, algo que se acumula nela e faz o corpo inteiro eriçar. Rey não consegue se conter mais, ela geme alto, seus olhos reviram e sua cabeça afunda contra o travesseiro. 

De repente a mão de Ben cobre sua boca. Ela abre os olhos e o encara quebrando o tremor que está vindo. 

— Shh! Fique quietinha, Rey. Ou irão nos ouvir… — Ben rosna contra seu rosto. A testa repousando sobre a dela. O calor apertado em seu núcleo faz seus quadris voltarem para ele. 

A mão que estava entrelaçada com a dela se solta e o braço dele cerca seu corpo. Ben se deita sobre ela e se move com mais força, ambos balançam juntos contra a cama. Ela reprimi a vontade de gemer, sabe que vai ser alto, ao invés disso começa a choramingar contra a palma da mão dele. 

A necessidade retorna. O choque quente sobe pelo corpo e se mistura a pressão do sexo. Ben está solto dentro da calça. Oh Deus. Seu pênis parece estar pulsando, ela não sabe dizer. Talvez seja ela. Sim. Só pode ser ela. Rey se contrai quando a ereção dele se move apertando sua intimidade. Ela tenta remexer os quadris, mas Ben está tão pesado sobre ela. 

Ele praticamente rouba seu ar. Seu corpo pede por alívio, uma sensação estranha que é abafada pela respiração dela. O coração bombando no peito, os ouvidos zunindo. Os olhos de Ben estão fechados. Seus hálito sopra contra o rosto dela. 

Ela sobe com a mão até a dele, segurando os dedos que cobrem sua boca. Quer tirar para alcançá-lo. Quer beijá-lo pois está a ponto de quebrar com algo que jamais sentiu antes. Seus olhos começam a lacrimejar e a cabeça a girar. Ben sente os dedos dela e então ele a encontra. 

Seus olhos observam atentos cada reação que ela tem. Isso é tão avassalador. Ben a quer, ele a quer. Mesmo tendo medo do que pode vir ela o quer também. Não sabe como fará, não sabe o que irá sentir mas ela precisa dele. Do amor dele. 

De repente é com uma interrupção abrupta que tudo se quebra. Os movimentos param. Sua intimidade ainda está formigando, mas os quadris de Ben já não estão mais atados ao dela. Ele pisca com os olhos arregalados e vermelhos, isso a deixa assustada. O que está acontecendo? Ben enxuga a lágrima que escorreu dos olhos dela com seu polegar e se ergue cambaleando para trás. 

Rey seca o outro lado e se senta espantada. Ele está bem? Ben se senta aos pés da cama. 

“Eu não posso. Deus, o que eu fiz…”

— Ben? — Ela o chama mas ele continua a murmurar com os cabelos caídos na testa e o rosto contorcido como se estivesse com dor. Ele não olha para ela mas Rey consegue ver seus lábios tremendo. 

— Eu não posso fazer isso. Estúpido de merda — Rey se encolhe onde está. O que ele está dizendo? O que não pode? De repente é ela quem tem vontade de chorar, ele a está assustando. — Rey… por favor, vá para o seu quarto. Eu sinto muito… eu… eu não queria te fazer mal. Eu juro — A voz dele é rouca e profunda. Ben faz algumas pausas enquanto fala deixando-a boquiaberta. 

— Ben? Eu… você não me machucou. Por que está dizendo isso? —

Ele ri. Não é o tipo de riso divertido. Ele parece triste e incrédulo. 

— Você nem sequer percebe o que eu estava… Porra! Isso é horrível. Me perdoa. Eu sei que eu machuquei você, só… por favor. Eu não posso falar agora, Rey. — 

Ele não a feriu. Ela quer dizer isso a ele. Por que ele está agindo dessa forma? Rey não consegue conter as lágrimas escorrendo por seus olhos. Ela se encolhe e o chama mas Ben não quer ouvir. Ele não quer ela ali e isso a machuca tanto.

Por que ele está fazendo isso? Ela pensou que ele a queria e agora… ele a manda embora assim. Ela se levanta correndo. Está envergonhada. Seu peito arde e seu coração dói. A pouco tudo que queria sentir eram os lábios dele. Um beijo como sempre sonhou em ter e tudo o que recebe é sua rejeição. 

Ela se tranca no quarto e como em algumas noites desde que se aproximou de Ben Solo, cai na cama aos prantos, sentindo a dor da rejeição. 

 

************

 

Rey demora um pouco a perceber que alguém a chacoalha na cama na tentativa de fazer com que desperte. Seus olhos ardem um pouco com os resquícios de uma noite mal dormida e das horas que passou chorando. 

Ela pisca até que a vista se acostume, e é só então que consegue notar Leia sentada ao seu lado na cama. Sua tutora sorri gentilmente, o que a deixa confusa e assustada. 

— Rey, querida. Precisa levantar. Temos que arrumar suas coisas. Ben quer ir embora — 

O coração dela esfria feito um cubo de gelo quase tão rápido quanto começa a acelerar. Ela esfrega os olhos e se senta apressadamente fazendo com que Leia recue. 

— Mas por que? Hoje ainda é Domingo. Pensei que só fossemos embora amanhã... —

— Eu não sei, querida. Mas ele parece muito cansado. Eu gostaria que ficassem, mas não pude convencê-lo. Ben é tão teimoso quanto o pai. Venha, eu ajudo você a arrumar as malas… —

Enquanto elas se ocupam Rey sente um frio na barriga. Ela mal tem tempo para pensar no quanto ele a chateou na noite passada. Está preocupada com a mudança repentina de planos. 

Ben já a mandou ir dormir outras vezes enquanto interagiam, isso não era uma novidade. Mas dessa vez, quando desceu as escadas o que recebeu dele foi tão frio que teve de se esforçar para que não acabasse chorando diante de Leia e Han. 

Tanto ela quanto ele se despediram dos dois mais do que desanimados. Ben sequer olhou para ela durante todo o trajeto silencioso no táxi que os levou de volta a Manhattan. Ela não cobrou, a mágoa havia se instalado e por mais que quisesse confronta-lo. Seu receio por vê-lo tão indiferente, a impediu de falar. 

Rey se apressou quando o elevador soou e as portas se abriram. Ela queria se trancar em seu quarto, chorar e dormir pelo resto do fim de semana.

Quando alcançou os primeiros degraus de vidro da escada foi interrompida pela voz de barítono. 

Ela hesita em olhar para ele mas quando finalmente toma coragem para fazer, o vê estender o braço, apontando na direção do sofá. Seu coração está bombando no peito. É tão alto que ela quase não consegue ouvir quando ele fala com ela. 

— Rey, nós precisamos conversar. —


Notas Finais


E aí... valeu a pena a espera? Esperamos que sim hahahaha

Bjos e até o próximo capitulo


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