1. Spirit Fanfics >
  2. Tainted Love - Reylo AU >
  3. Boa garota

História Tainted Love - Reylo AU - Capítulo 20


Escrita por: e MilaBanks


Notas do Autor


Olá babies! Demoramos né? Logo de cara gostaríamos de pedir desculpas a vocês pelo atraso ( eu em particular ) e como de costume dar alguns avisos.

Primeiramente, demoramos de fato dessa vez. Eu tive um certo bloqueio para escrever o capítulo, o que felizmente acabou passando.

Nós queríamos avisar a vocês que não estamos adotando uma rotina de postagens em datas exatas justamente porque imprevistos acontecem. Por isso agradecemos a compreensão de vocês quanto a isso.

Queremos também agradecer e muito a vocês pelas mensagens de incentivo, pelo chat de expectativa feito no capítulo anterior. Foi maravilhoso ver o quanto vocês gostam desta fanfic. Muito obrigada a todas (os).

Agora sobre o capítulo. Se lembrem da idade de nossos personagens e de que as atitudes são totalmente condizentes com isso. Nos vemos nas notas finais com a play completa do capítulo. Boa leitura bebês.

Capítulo 20 - Boa garota


Fanfic / Fanfiction Tainted Love - Reylo AU - Capítulo 20 - Boa garota

Se tivesse que recapitular seus passos até o exato momento em que está. Ben pensaria em diversas hipóteses do que poderia acontecer...

Todas elas levariam a um cenário de discussão interminável. Carregado de ressentimento e culpa. 

E assim ele conseguiria ver o que há semanas vem tentando evitar. Sua explosão inadiável com Rey. Os sentimentos de ambos que vinha transbordando como um copo cheio ao longo dos dias. 

Ele criou essa visão. Ele cogitou à probabilidade. O que Ben não pensou, foi na possibilidade de testemunhar o que seus olhos estavam vendo no momento. 

Rey.

Deitada sobre a sua cama. Ofegante, corada e boquiaberta, depois de ter um orgasmo. Enrolada em sua camisa - sobre a sua cama - com uma das mãos entre as pernas apertadas. Envolta por um choque evidente e um olhar espantado depois do flagrante inevitável. 

Ela chamou por ele...

Em sua cama… 

Gemendo seu nome...

Porra! 

 

****

 

Não era tarde quando deixou o escritório da SOS. Já que, para ele, foi impossível se concentrar em trabalho.

Por sorte, sua mãe pareceu estar tão absorta com o assunto do baile, que não notou o mal estar entre ele e sua "irmã adotiva". 

De certa forma, isso o livrou de um interrogatório. Por Deus que ele já havia sofrido julgamentos demais para um curto período de tempo. O de Hux, por exemplo, foi o suficiente por um dia. 

O que Ben queria na verdade era uma resolução. E essa seria com a pessoa que o vinha atormentando em pensamentos por noites e mais noites. 

Rey deixou o escritório pouco depois de sair de sua sala, acompanhada por Leia. Ela sequer se despediu dele. O que lhe deixou claro que estava aborrecida. 

Era inevitável o desapontamento. Segundo sua mãe ela parecia estar assustada com a rotina agitada do escritório. Ele por sua vez, atribuiu o pavor dela ao modo invasivo de Poe. 

O que Ben não queria era admitir que havia sido rude com ela, de uma forma que ele não esperava ser. Ele vinha agindo estranhamente, a ponto de não se reconhecer. Mas isso, passou de seu limite tolerável. 

Dameron o tirou do sério. Verdadeiramente. 

Tudo se converteu a um completo desastre, o que para ele necessitava de remediação. Ben deixou o escritório determinado a consertar as coisas.

Primeiro peça desculpas pelo descontrole e depois confronte a decisão dela em manter contato com Dameron. 

Dameron… 

Ele jamais permitiria que o imbecil se aproximasse dela. Não importa o quão ridículo ele pudesse soar por isso. 

Ben pensou em si mesmo e no que estava disposto a fazer…

Embora afastar-se de Rey, fosse uma decisão sábia. Em momento algum ele cogitou fazer… Não depois do seu pai. Depois da conversa horrível que haviam tido no píer. 

Menos ainda, depois de vê-la escorregar de seu dedos para as mãos de Poe Dameron. Como diabos isso foi acontecer? 

Ela poderia estar interessada em algum garoto do colégio. O que não aliviaria em nada seu incômodo, ainda que fosse uma escolha plausível para a idade dela, mas, tinha que ser...

Poe fodido de merda Dameron? 

O maldito predador, desonesto e incompetente, mais velho do que ela. Onde essa garota enfiou a porra do juízo? 

Era um exagero, óbvio de sua parte. Rey havia sido educada e apenas isso. Ela sempre era educada com todo mundo. Não era como se ele pudesse ter controle sobre as relações dela, exceto por seu lado como tutor. 

Afinal, o que isso tinha a ver com ele? Era um instinto de proteção, certo? Era isso. Obviamente. O dever dele, proteger ela era um dever dele. Rey tinha prioridades. Estudar, se formar e se tornar independente. 

Predadores como Dameron, eram um obstáculo para os objetivos dela. A quantidade de garotas que ele vinha seduzindo ao longo da sua lista de definições pessoais o deixava de cabelos em pé. 

Ben acelerou pelas ruas sentindo o sangue pulsar e os nervos aflorar. Se resolver com ela seria seu primeiro passo. Alertá-la sobre a índole das pessoas com quem ela aceitava manter contato seria o segundo. 

Ele cruzou a porta da sua cobertura e percebeu o silêncio absoluto no primeiro andar. 

As luzes estavam apagadas, não havia sinal dela por ali. Era cedo demais para que ela já estivesse dormindo, o que o deixou um pouco preocupado. 

Ideias começaram a surgir em sua cabeça. A primeira foi de que ela tivesse escolhido ir para a casa de seus pais. Afastando-se dele. O que seria uma bobagem, não foi um desentendimento tão grave assim, ou foi? 

Quem a trouxe foi Antilles. Ele poderia levá-la até Hamptons. Não, ela tinha aula no dia seguinte, não faria uma viagem até lá, sabendo como isso era exaustivo. Ele olhou para o andar de cima, pouco antes de seus olhos avistarem a mochila dela, jogada sobre o sofá. 

Ótimo. Ela está em casa. O que o leva a sua segunda e mais óbvia opção. 

O quarto dela. Nas vezes em que ambos discutiam, Rey tinha o costume de passar horas trancada em seu quarto, como forma de se manter distante dele. 

Era fato que ela estava zangada. O modo como o olhou deixou isso claro. Mas porque ir para o quarto tão cedo, quando ele não estava em casa?

De qualquer forma eles precisavam conversar e nem mesmo a porta do quarto trancada o impediria de ir até lá. Ben se permite levar por sua ações. Ele sobe os degraus com determinação, parando no início do corredor.

 Quando alcança a porta do quarto dela, nota que, estranhamente, a mesma está aberta. O que indica que se ela está ali, esqueceu de fechá-la.

Inusitado. Ela nunca deixa entreaberta. Mesmo quando estão em bons ares sobre o convívio a dois. 

Ben checa o pequeno espaço aberto. Notando como tudo está escuro a princípio. Talvez ela esteja dormindo. Ele entra devagar e percebe que a cama, está arrumada. Não há qualquer vestígio dela pelo quarto. 

Ele vai ao banheiro e mesmo com o cheiro da loção perfumada no ar ou o vapor sobre o vidro do box começando a se dissipar, indicando de que ela esteve ali, ele não a encontra

Ben pensa em chamar por ela, exceto pelo motivo de haver uma última opção a ser checada, a biblioteca. Talvez ela estivesse lá, já que adorava explorar a quantidade infinita de livros que sua mãe havia colocado no lugar. 

Ele sai do quarto dela esperando encontrá-la quando algo o faz parar. Um som. Que por sua vez provoca arrepios na espinha e eriça os pelos do seu corpo.

Ben se vira para ver de onde vem quando o escuta novamente. Alto e claro. É ela. 

O som invade seus ouvidos novamente, dessa vez mais baixo do que antes e, ao que tudo indica, parece estar vindo do fim do corredor, para ser mais preciso, do seu quarto.

Ben caminha até lá. Uma preocupação começa a crescer dentro dele, de que ela esteja precisando de ajuda, que esteja com dor ou algo do tipo.

Uma onda de sensações percorre seu corpo quando escuta um novo gemido. Esse vem acompanhado por seu nome! 

Mas que inferno. Ele conhece muito bem esse som. Não é de dor… Ela o chama novamente, seguido de um gemido manhoso e carente. 

Merda… 

Ele já ouviu antes. Ouviu quando sua boca provou os lábios dela, ouviu quando seus dedos invadiram a calcinha do biquíni dela, quando ele a tocou dentro da piscina, quando sentiu a maciez da pele dela em sua boca, quando provou os mamilos durinhos, cremosos e rosados contra os dentes e língua. 

Ela emitiu esse mesmo som, ao gozar na frente dele, na banheira, na cama onde ele dormiu toda a sua adolescência. 

Sua mão paira sobre a maçaneta da porta. Ben aperta os lábios e pensa. Ela está em seu quarto. Gemendo seu nome deliciosamente. De repente tudo parece demais para o seu juízo suportar. 

O coração dele martela com violência e Ben se esforça para controlar o pequeno estímulo que percorre seu corpo indo direto para as calças. 

Antes de tomar uma decisão que irá colocá-lo diante de uma possível descoberta com a qual ele não está preparado para lidar. Ben avalia o que pode estar se passando com ele. 

Isso porque muito provavelmente suas semanas de auto privação o tornaram um indivíduo delirante. Ele só pode estar ouvindo coisas. São lembranças, fragmentos que sua mente lança como forma de castigá-lo um pouco mais. 

Ultimamente nada tem estado a seu favor. Pouco a pouco perdendo o controle de si mesmo. É um milagre que esteja tentando raciocinar nesse exato momento. 

Enquanto seus dedos se agarram a esfera metálica sobre a fechadura, reluzindo no corredor escuro, como um cofre que guarda um tesouro. 

Ele espera por um sinal que o faça ter certeza de que ele está tendo alucinações. 

Mas não é bem isso que acontece…

A vibração, intensa e profunda ressurge. E ele sabe. Na verdade, ele tem certeza de que o que o espera além da porta, é tão real quanto tudo que ele tem vivido ao longo desses meses. 

Então ele se pergunta sobre o porquê. 

Seus músculos estão formigando, dificultando seu raciocínio, mas ele se esforça. O que ela pretende? Enlouquecê-lo? Tudo isso é uma punição, pela pequena e breve discussão que tiveram mais cedo? Isso não se parece em nada com ela. 

O que ainda não explica o fato dela estar ali, em seu quarto. Brincando com seus limites. 

Chega a ser cruel. 

Isso porque é possível ouvir outro gemido escapar de seus lábios ecoando pelo interior do cômodo, sendo abafado pela única coisa que os separa no momento, uma maldita porta. 

Ben quer torcer suas entranhas, para evitar o latejar de seu pau se tornando apertado nas calças. Ele quer remoer seus pensamentos até que não sobre nada que o torne tão vulnerável a ela. 

Ele odeia a sensação dos seus dedos queimando naquela maldita maçaneta. O som dela o golpeia direto na face, uma e outra vez. E tudo o que ele consegue fazer é bufar e se contorcer. Sua testa repousa no mogno polido da porta e novamente ela geme. 

Sua condescendência já não é mais a mesma…

Ele espera por mais um momento. O sangue fluindo rapidamente e com ele o esgotamento da sua paciência… 

Ela escolheu justamente o lugar dele. O espaço dele. Onde ele sonhou por inúmeras vezes em tê-la. Agora ele vai pegar o que quer… 

É trabalhando com esse pensamento que ele decide abrir a porta

 

****


 

Rey não sabe explicar a si mesma o que a levou a estar naquela cama agarrada com a roupa de Ben. O que a impulsionou a fazer o que fez. 

Poderia ter dado certo…

Ela poderia ter ido até o fim mais uma vez. Então, sairia dali, guardaria esse segredo com ela. Muito provavelmente o faria outras vezes, também. Sem que ele soubesse. Porque dentro dela podia admitir o quanto gostou. 

O quão bom e diferente foi se tocar sentindo o cheiro do perfume dele, imaginando aquelas mãos segurando-a com tanta facilidade… 

Ela queria, ela faria de novo, mas ela não pode. Porque agora… Agora ele sabe. Ele a viu.

Flagrou como ela se esparramou na cama dele, sem o menor pudor. Viu como ela se agarrou a roupa dele, como ela invadiu o seu espaço sem ser convidada. 

Como ela jogou fora toda a conversa e acordo que eles tiveram a dois meses atrás. Ela ficou ali, gritando e se contorcendo sobre os lençóis dele. 

Deus. Ela chamou por ele, implorou por ele… 

Seu rosto está queimando. Ela morde os lábios com força e mal consegue se mover. É horrível como o tempo e espaço entre eles se torna pesado. Ben não se move, ele não diz uma palavra sequer. Ela sabe que ele está irritado. 

O modo como seu peito sobe e desce contra o terno. O rosto, antes pálido, assumindo um tom vivo e vermelho. Ela pensa em dizer alguma coisa, mas não consegue, seus olhos desviam da profundidade com que os dele a observam. 

Ela se encolhe, movendo as pernas para a beira da cama, na esperança de que o silêncio e o constrangimento, a livrem de uma discussão ou vexame maior do que já está vivendo. 

Para a sua surpresa, ele reage. O movimento é lento, mas chama sua atenção. Ele estica um dos braços e se agarra ao batente da porta, parecendo ainda maior na penumbra. 

Seu corpo se inclina na direção do chão enquanto ele respira fundo. Parece estar sem ar. 

Ela pensa se ele dirá alguma coisa? O que francamente ela espera que ele não faça. 

Já que, na posição em que ele está, uma fuga estaria fora de cogitação. Ela quer correr, sim. Quer sumir, virar fumaça. Isso também. 

Ela quase comicamente deseja que as magias que existem em filmes de bruxos seja real. Talvez um feitiço de esquecimento como o que aprendeu lendo Harry Potter ao longo dos anos possa funcionar. 

Uau! Parabéns por ser tão estúpida. Não é para menos que ele pense em você como uma menina inocente e fantasiosa. 

Mas que escolha ela tem, se não se enfiar no seu faz de conta pessoal, para evitar seu próprio constrangimento? Seria impossível correr dali, passando diretamente por ele, suas pernas parecem geleia. 

Entre elas seu orgasmo recente ainda pulsa e ela não tem a menor ideia de como começar a explicar o que ela está fazendo. 

Então ela reza, enquanto arrisca os primeiros passos no chão. Seus olhos nunca encontrando os dele.  Ela caminha, devagar em direção a porta e seu coração volta a martelar. 

Seja corajosa. Assuma seus erros e arque com eles. 

Ela sopra a respiração e só se dá conta de que está com a camisa dele nas mãos quando seus dedos se agarram firmemente ao tecido. 

Deus! Isso poderia ficar pior? A falta das palavras é assustadora.

E o caminho parece mais longo do que de costume. Mas ela chega, terminando diante dele, nervosa e inquieta. Esperando que ele tenha um pouco de compaixão e a deixe sair sem qualquer exigência ou explicação. 

Ben por sua vez, não se move do lugar. 

Ela pode sentir os olhos dele, ardendo em seu rosto e mesmo assim, não consegue olhá-lo. Abaixo do braço dele, ela encontra uma abertura onde seu corpo se encaixa. Por esse motivo ela se move para lá. O braço dele desce e bloqueia o caminho. 

Deus. O que ele está fazendo? Ela só quer remoer a sua vergonha sozinha. Será que isso é pedir demais? 

Seus olhos se fecham e ela respira fundo, enquanto balança a cabeça em negação.

— Eu sei que não devia ter feito o que fiz... eu sinto muito — Rey murmura as palavras sem muita coragem, evitando olhar para aqueles olhos cor de âmbar. Com um avanço determinado para fora, ela dá mais um passo, esperando sair. 

Mesmo assim, ele a detém. Não bloqueando o caminho como antes, mas segurando seu braço direito com sua mão grande. 

Deixando-a entre ele e o batente, Ben a vira com rapidez e tudo que ela consegue fazer é se agarrar ao pequeno espaço com seu coração querendo sair pela boca. A camisa dele antes atada em seus dedos, cai no chão e ela suspira com o poder que ele emana. 

Ben está inclinado sobre ela agora. Respirando de maneira pesada, enquanto o aperto da mão diminui. Os dedos dele percorrem um caminho de rastro ardente até o pulso dela. Erguendo a mão delicada para cima. 

Por um momento ela fica sem reação, a compreensão não chega com eficiência o suficiente para fazê-la entender o que ele quer. 

Sua cabeça está girando. A proximidade é tão intensa que seu corpo inteiro estremece. A conclusão tardia acontece e só então ela é capaz de ver o que aquele gesto significa. 

Se é possível que seu rosto fique mais corado do que antes, é provável que isso esteja acontecendo agora. 

A mão que estava em sua calcinha, os dedos que ela usou para se tocar e circular seu clitóris. O cheiro perceptível da sua excitação está ali entre eles. O gesto dele a deixa boquiaberta.

O que ele quer? Confirmar o que ela fez? Como se houvesse algo mais revelador do que tudo que ele já viu. 

Ben está tão próximo que ela precisa se encolher contra o batente. Sua cabeça se inclina para trás e, tomando coragem, ela o encara. 

Os olhos dele estão nos dela, os lábios dele com uma proximidade considerável, que a faz sentir o hálito quente. A mão dela está pairando próximo ao rosto dele, os dedos dele se apertam em seu pulso e o gesto faz a pele dela formigar. 

— Ben… — Ela sussurra tomada pela tensão do corpo dele. Ele a cala com um aceno negativo e contido. Seus olhos estão nos lábios dela. Cristo Jesus!

É possível desmaiar por uma expectativa? Se for, ela tem certeza de que está caindo no abismo escuro. 

Ele é quente, muito quente. 

É grande também, mesmo essa sendo uma constatação que a muito deixou de ser novidade. Ela não consegue parar de se impressionar com o tamanho de Ben. 

Seus olhos vagam pela massa de músculos bem distribuídos. Ele é uma visão e tanto. A faz se achar estúpida por ter ficado apaixonada com coisas irreais em contos românticos. Isso é real. Ele é real. 

De repente parece que Barbara Cartland escreveu sobre Ben em seus livros. Ou que ele foi esculpido com base em seus romances favoritos. 

Deus, ele a deixa zonza. 

Seus lábios se abrem e ela respira com ele. É atraída para ele, seu corpo reage e os dedos dos pés se elevam para alcançar a boca dele. 

Ela o quer. Mais do que tudo. 

Ben se inclina um pouco mais, o polegar acaricia os dedos da mão dela subindo-a para o nariz dele e então, ele inala. O cheiro dela, do orgasmo dela. 

Ele deixa um xingamento sujo sair, o que a faz se contorcer. Com ele aprendeu que palavras sujas podem parecer ofensivas quando ditas da boca para fora, mas se tornam imensamente quentes quando ditas no calor da excitação. 

E agora ela meio que gosta quando ele diz. Na verdade ela ama, o modo como ele xinga quando está assim, tão cheio de um apetite que ela aprendeu a reconhecer. 

Ela está pronta para beijá-lo. Mais do que isso, está ansiosa. Os lábios dele são tão cheios, macios e parece mais que ele quer torturá-la. 

Presa ao transe do desejo que sente. Ela se inclina para envolvê-lo, quando o som de uma vibração no bolso da calça dele a assusta.

O barulho derrama um balde de água fria nos seus nervos inflamados e, seus olhos disparam até lá. O brilho do aparelho, transpassa o tecido da calça. Ben não o nota ou simplesmente o ignora, prosseguindo com seu avanço, tortuoso. 

Há uma briga que a divide entre se perder na sensação da respiração dele contra os seus lábios e dar atenção ao som irritante do celular vibrando no bolso dele. 

A ponta do nariz proeminente acaricia sua têmpora e desce pelas maçãs da face, o toque dele queimando sob a pele, provocando um desespero que a faz recuar mentalmente. 

Eles interpuseram barreiras, ela as ergueu para sua autopreservação e deixou tudo se diluir no momento em que cruzou as portas do closet. Ele a afastou por tantas vezes. As circunstâncias os afastaram. Tudo isso a consome, agora que está acordada do efeito que ele lhe causa.

Ben parece tão imerso na proximidade deles que mal percebe isso. É a vez dela se proteger da avalanche que ele é capaz de causar.  Seus olhos percorrem o corpo dele olhando novamente aquilo que ele está evitando a segundos intermináveis. 

Os narizes se acariciam e ela suspira contra os lábios dele. Vai ser difícil superá-lo se escolher ceder, agora que sabe o que eles têm a perder. A sensação da mão dele que solta do batente acima da cabeça dela para agarrar sua cintura, não lhe ajuda a pensar.

Ele a puxa, aperta e prensa contra a madeira, encaixando seus quadris com um aperto rude. Isso é pura loucura. 

Eles precisam parar pelo bem do coração dela. Ela não pode despedaçar mais do que já se despedaçou ao longo dos meses. Por isso ela tenta, com a maior força de vontade, ela busca resistir...

 — Ben, o celular está tocando... — Ela sopra as palavras contra os lábios dele, como uma súplica para que pare. Isso não o faz recuar, pelo contrário. Os olhos dele dilatam e os lábios se movem com uma resposta rápida. 

— Foda-se ele — É assim que ele responde. Desdenhando de sua responsabilidade em atender, incisivo, como sempre.

Céus! Os dedos dele cavam um pouco mais sua cintura, sua mão ocupa um espaço generoso que desce para o quadril. 

É possível sentir como os seus seios se apertam ao peitoral firme dele, como os quadris praticamente se encaixam. 

Ela chia sob o aperto das mãos, agora que a esquerda soltou o seu pulso para se unir a outra que ele mantém em seu quadril. 

— Ben… — O nome dele soa como um miado vindo de seus lábios. Suas tentativas de repreendê-lo soam tão patéticas, que ela duvida que ele a leve em consideração. 

Exceto que, por uma razão que não chega a ela, ele resolve ceder. Ben expira impacientemente, dirigindo os olhos na direção do bolso. Uma de suas mãos o alcança, o que não alivia em nada o aperto da outra mantendo-a onde está. Isso deixa claro que ele não está disposto a encerrar o contato. 

Bem, ela honestamente não sabe dizer se isso é bom ou ruim. Seu coração se encolhe em um canto com medo de ser ferido, enquanto suas terminações nervosas vão por outro caminho. 

Ele puxa o celular e pisca quando vê o nome no leitor de chamadas. O aparelho vibra mais uma vez, com insistência, e isso é o suficiente para que o toque dele afrouxe. 

Ele fecha os olhos e respira fundo, com seu rosto longe do alcance dela. Ben limpa a garganta antes de responder. 

— Eu preciso atender… — Mesmo com a tentativa furtiva em melhorar seu tom. Ele acaba por murmurar com a voz tão rouca quanto de costume. 

Ela não deveria estar desapontada com a interrupção, mas fica. Foi ela quem o incentivou a parar e no entanto, não consegue disfarçar a sensação de abandono. 

Ele se afasta consideravelmente. Segurando o celular enquanto ambos se recuperam. Tudo o que ela faz é assentir, concordar de que, momentos como os que tiveram antes de tudo ruir, não irão mais acontecer. 

Mesmo com a tensão, a intensidade que eles têm. Está na hora dela agir como uma pessoa madura e consciente. Ele nunca será dela e, antes de criar qualquer resquício de esperança de que isso seja possível. Ela escolhe se afastar. Pelo bem dela e do dele. 

Envergonhada ela deixa o pequeno lugar onde se apertou com ele para correr até o seu quarto. Lá ela se tranca. Apenas para voltar ao mesmo estado de antes, chorando por um sentimento que só cresce e a frustra cada dia mais. 



 

****


 

Ben odeia com todas as forças o momento em que resolveu dar atenção ao seu celular. 

Ele tinha que checar a porcaria da chamada, ele tinha que ceder a sua necessidade de atender aos apelos dela, mesmo sabendo que não era exatamente isso que ambos queriam, não naquele momento. 

Ele tinha que recuar. E tudo isso, por ser um homem de palavra, ainda que no momento ele se amaldiçoe por essa qualidade. 

Ben observa a luz do aparelho acendendo, com o que ele considera ser uma óbvia conspiração do universo contra ele. Mesmo sendo uma situação que vem se repetindo frequentemente. 

Han Solo…

Ele está parado no meio do quarto contando regressivamente de dez a zero, antes de atender a chamada. Seu pai vem ligando quase todos os dias. Entre um assunto e outro, ele sabe bem os motivos que o levam a fazer. 

Isso o enfurece. Toda essa merda o enfurece. Principalmente ela, entrando em seu quarto, se tocando em sua cama, fodendo com sua vida e sua sanidade mental. 

Ela mexe com seu temperamento tão facilmente, o que é extremamente injusto. Só que isso... isso é uma discussão interna que ele se recusa a ter.

Principalmente por não ter um maldito dia em que ela não o cerque com sua presença, sua voz doce e seu jeito brilhante, feliz, iluminando tudo onde passa, o deixando assim...

Em seu inferno pessoal. 

Enquanto atende a ligação que toca em seus ouvidos por longos minutos, Ben observa sua camisa ao lado da porta, caída no chão, assim como a roupa de cama que está bagunçada por um momento de prazer do qual ele não participou. 

 

****


 

Depois do que acontece. Os dois acabam por se evitar, aliás, ela o evita. Ben se vê incapaz de ir contestar a mudança, não é necessário. Ele sabe o motivo e por isso, não irá pressioná-la. 

Não depois do que aconteceu, não depois de precisar do seu próprio tempo também. Foi constrangedor para ela, torturante para ele. Isso por si, encerra o assunto. 

As horas são ocupadas com uma linha de trabalho incessante. Essa é sua forma de evitar pensar em coisas das quais ele não tem solução. Os problemas não estão por todos os lugares, no entanto. 

Ele enfim conseguiu o que vinha trabalhando a meses para conseguir. A aquisição de seu mais novo cliente. A benemerência não é totalmente sua, ele tem a quem agradecer e sabe como o fará. 

Ben chega ao escritório pela tarde depois de uma reunião longa e estressante. Não existe uma rotina de horário dentro da empresa. Por isso o ambiente é sempre agitado. 

A firma atua nas operações no mercado de capitais. Associados, clientes e assistentes jurídicos, agindo sob o êxtase dos investimentos, andando de um lado para o outro, durante grande parte do dia. 

O que é diferente do atual momento, quando a maioria saiu para um café, alguns ocupando-se na sala de descanso, deixando seus cubículos vazios. 

Isso o faz se lembrar de que precisa colocar alguma coisa no estômago. Mesmo tendo sido longa, a reunião em que esteve dá a ele o tempo livre. 

Isso é exatamente o que ele não quer. 

Ben cogita a possibilidade de enfrentar o frio congelante do lado de fora do prédio para ir em busca de um expresso, mas a possibilidade de lidar com aglomerações, algo que ele odeia, o detém. 

Hux está ocupado. Ele sabe disso, já que o encarregou com outros dois casos. Luke não é nem mesmo de longe uma opção a se considerar. 

O que lhe deixa com uma última nada agradável opção. Beber aquela água suja que fica na cafeteira do escritório.

Ben caminha pela recepção, Mitaka está em seu lugar, com seus olhos atentos às ordens dele assim que se aproxima. Ele avisa onde vai enquanto segue seu trajeto. 

A sala de descanso está quase vazia, não mais do que três associados sentados ao canto conversando distraídos quando o vêem. Ele percebe, quase com um revirar de olhos como a conversa se encerra. 

Certo. Ele admite que não costuma frequentar o espaço com frequência. 

Os três observam com certa apreensão, sua aproximação da cafeteira, é como assistir a uma queimada tripla em um jogo de baseball. O ato é raro, o que explica os olhares embasbacados. 

Ele vê com desânimo o líquido escorrer até a caneca, era isso ou chá. O que ele não gosta, quase tanto quanto filas e aglomerações. Ao canto sob sua visão periférica está alguém, parado, assistindo sua ação assim como os outros. 

Seu rosto se vira automaticamente para ter uma melhor percepção e, o reconhecimento é indigesto. 

Poe Dameron, está terminando de comer um muffin, quando seus olhos o notam ali, no espaço dos funcionários. 

Ele sabia que adiar um encontro com Poe como Hux praticamente o implorou que fizesse durante dias, não iria adiantar. 

Aquela era a sua firma, o que lhe dava o direito de andar por onde bem entendia, o que mais dia ou menos dia, acarretaria nesse momento indesejável. 

Poe dá alguns passos em sua direção e, ele espera que ele realmente não esteja fazendo isso… 

Por mais que seja convicto de quem é ali dentro. Ben sabe que paciência é uma virtude a qual ele não foi agraciado.

Com o canto dos olhos ele avalia a aproximação do idiota, enquanto finge se ocupar com um longo gole daquela porcaria escura que ele se recusa a chamar de café. 

Sua visão circula um pouco mais e a julgar pelas testemunhas oculares logo atrás dos dois, ele conclui que fazer uma cena está fora de cogitação. 

Por isso ele aguarda, respirando profundamente. 

— Solo. Fico feliz de encontrar você aqui. Eu preciso dizer umas coisas. Primeiro me desculpar pelo o que aconteceu algumas semanas atrás... —

Ele faz uma pausa, esperando por um incentivo para continuar. Ben, no entanto, não diz qualquer palavra, está ocupado engolindo o líquido quente com os dedos mais do que pressionados na caneca. 

Ele espera… quer ver até onde Dameron irá. Esse, por sua vez, gesticula e arqueia as sobrancelhas para enfatizar suas palavras, prosseguindo com as desculpas. 

— Escuta eu sei que acabamos nos estranhando. O que eu realmente, lamento. Não quis causar um desconforto com sua irmã, acredite —

Ben está mexendo com sua caneca, quando se vira para estar de frente com Dameron. 

Os outros associados estão saindo da sala de descanso o que dá a ele a privacidade de que precisa para gotejar seu sarcasmo. 

— Então é assim que você faz... — Ben comenta em voz alta. Não é uma pergunta, mas sim, uma observação. 

Não é necessário ir fundo nas fofocas que circulam dentro de um ambiente de trabalho para saber sobre o temperamento e ações de uma pessoa. 

Parte da fama de um indivíduo, seja ela boa ou ruim, vem devido as suas ações. A dele por exemplo é a de um homem com paciência limitada para conversas fiadas e incompetência. 

Enquanto Dameron é descrito como um sujeito sorrateiro, narcisista e dissimulado. Ele ouviu várias versões, claro. Nenhuma lá muito positiva, se for deixar de levar em conta a do seu tio. Por isso ele sabe que aquelas palavras terão pouco efeito sobre ele. 

— Eu não entendi.. — Poe o questiona com surpresa. 

— Com Luke. É essa tática que você costuma usar com ele, imagino — Ben responde, tomando outro gole amargo da água com pó solúvel de baixa qualidade. 

— Continuo sem entender — Poe repete, parecendo imune a raciocínios rápidos. 

— Deve ser por isso que ele mantém você. É claro. Só pode ser isso. O que mais seria? — 

Ben continua, enquanto Dameron o encara como uma corsa. Ele não tem certeza se o associado de seu tio é tão estúpido assim ou está se fazendo. Embora, isso não importe. Ele esperou muito por esse momento e não está nem um pouco disposto a parar.

— Eu não sei onde você quer chegar… — Poe novamente o questiona e ele tem vontade de rosnar. 

A inocência é um papel que não cai muito bem no idiota. Ben quase consegue achar graça na tentativa. Ele guarda a caneca e coloca as duas mãos no bolso encostando-se no balcão do armário, enquanto partilha sua reflexão em voz alta.

— Sejamos honestos. Você não fez nada que mereça reconhecimento desde que chegou aqui. Talvez essa seja sua única forma de conseguir alguma atenção do Luke. Eu não o julgo por ser bajulador, embora, ache medíocre. Cada um usa o que tem —

Poe engole as palavras enquanto olha ao redor dando um riso ofendido. Parece incrédulo. 

Ele sacode a cabeça negativamente, colocando as mãos no bolso, imitando a postura de Ben. Observa o chão por alguns segundos, antes de morder os lábios com força. Então Ben continua…

— Francamente, se é assim que você discursa diante de um banco de réus, não me surpreende que a maioria dos associados da empresa esteja à sua frente —

Ben aperta o maxilar olhando sério para ele.

— É decepcionante. Não serve para convencer ninguém. Eu nem consigo dizer que você é adversário do Hux. Você não tem eficiência para isso —

Poe tira uma das mãos do bolso da calça para esfregar o queixo antes de erguê-la para gesticular novamente. 

— Eu estou tentando entender o motivo da sua hostilidade, Solo —

— Nossa profissão é hostil, Dameron. Se os seus anos na faculdade não lhe ensinaram isso, desista ou volte para Harvard. Aqui não é lugar para você —

— Escuta, eu sei que você está incomodado com o que houve com a sua irmã. Mas tentar me humilhar, não vai funcionar como forma de aliviar sua raiva — 

A menção de Rey faz com que Ben fique lívido. Ele aperta os punhos escondidos no bolso da calça, enquanto mantém sua máscara de passividade. 

— Não. Não confunda as coisas. Eu estou sendo sincero. Eu não sei porque o Luke mantém você e honestamente não me interessa saber. Só acho uma perda de tempo... dele no caso —

— Você está enganado, Solo. Há uma boa razão pela qual estou aqui. Sou competente no que faço. Luke aprova e mais do que isso, ele reconhece meu trabalho —

Ben sorri enquanto acena positivamente 

— De qual deles você fala? O que você espera os outros associados resolverem para você colocar seu nome nos créditos? Ou nos clientes que o meu associado consegue e você tenta roubar? —

Poe também sorri olhando ao redor acenando com a cabeça em negação. 

— Está fazendo acusações infundadas. Além do mais você utiliza subterfúgios, o que não o difere de mim... — 

Ben rapidamente o interrompe ao erguer a mão com um cenho franzido.

— Não, não, não, Dameron. Não cometa o erro de nos comparar. É por não ser como você que eu estou onde estou, e você está onde está — 

Ben dá um passo na direção dele o que o faz recuar, enquanto ele se inclina para dar seu conselho carregado de acidez. 

— A compaixão do Luke não vai te fazer alçar voo aqui dentro, nem mesmo se escorar nos seus companheiros de trabalho —

Os dois se encaram por um momento enquanto Poe está refletindo sobre suas palavras. Ben tem vontade de socar o rosto do merdinha, apenas para tirar o maldito sorriso presunçoso que se forma em seus lábios. 

— Sabe o que eu não faço? Misturar assuntos pessoais com os assuntos da firma. É antiético. Como sócio sênior você deveria saber, assédio moral também não é um bom caminho — 

Ben faz um som de apreciação com um sorriso nada humorado, junto aos olhos estreitos. 

Ele vai mesmo usar a ameaça de assédio como forma de defesa? Ben esperava mais.

— De que assuntos pessoais você se refere? Estou te avaliando como meu funcionário, sem qualquer mérito, ainda assim, um funcionário —

— Eu não trabalho para você e sim para o Luke. Não nos esqueçamos disso —

— O meu sobrenome na parede diz o contrário. Além do mais, agradeça por estar sob as asas do meu tio. Eu no lugar dele não desperdiçaria uma vaga a um formando competente de Harvard para manter você aqui —

—  Eu respeito suas críticas, embora, elas não sejam tão consideráveis ao meu ver. Coloque-as na caixinha de reclamações, prometo que irei ler da próxima vez — 

Poe faz menção em sair quando Ben se coloca no caminho, mantendo o mesmo tom presunçoso que usou a princípio.

— Estranho. Você veio me procurar para se desculpar. Então presumo que minha opinião a seu respeito valha alguma coisa, ou estou enganado? — Poe sorri e dá de ombros depois de um tempo. 

— Você me pegou. Sim. Eu me importo com sua opinião. Afinal, não é todo dia que alguém que alcançou tanto dentro da empresa da mãe, me intercepta para dar bons conselhos de como crescer na minha carreira —

Se mencionar Rey o deixou irritado, mencionar Leia torna as coisas um pouco piores. 

Ben luta internamente para não perder a calma. Um feito inédito, ele diria, tendo em vista que não há quem possa impedi-lo de cobrir Poe Dameron com porrada. 

— Olha ele aí. Achei que você nunca fosse aparecer, Dameron. Já estava ficando desapontado. Embora o que você diga não mude os fatos, eu aprecio a tentativa —

Ben se endireita com seu tamanho engolindo o ambiente onde apenas os dois dividem, quando ele ergue uma das mãos para dar ênfase às suas palavras.  

— E o fato é que, eu continuo aqui… — Ben ergue uma das mãos indicando uma altura elevada com ela, acima da própria cabeça. 

— E você aqui…  — Ele diminui a altura da mão diante no rosto apertado de Poe, que engole em seco com os olhos escuros. Ele está com raiva e o interior de Ben vibra em vitória.

— Pode colocar na conta de Leia Organa. Ela me ensinou como ser competente e, eu sou muito bom no que faço. O que você sabe perfeitamente. Aproveite o exemplo… —

Suas palavras são o suficiente. A troca de farpas e o incômodo de Dameron lhe são o suficiente. Por isso ele se vira disposto a voltar para o seu escritório. 

O problema é que ele comete uma falha e, ela resulta em um dedo na ferida. Afinal, a terceira lei de Newton funciona para todos, até mesmo para um imbecil como Poe Dameron. 

— Escuta. Eu não me importo que você me diga essas coisas, de verdade. Eu até mesmo entendo. Eu faria igual se visse algum cara perto da minha irmã... tentaria convencê-lo de que sou perigoso, mesmo sabendo que não sou —

A mudança de atmosfera se torna notável. Como de costume seu olho se contrai e ele interrompe seus passos bruscamente. Há um zumbido em seus ouvidos o que indica a raiva em alta potência emergindo dentro dele. 

Um segundo, é tudo o que ele leva para se virar na direção de Poe. Os passos que ele dá para recuperar o distanciamento que tomou do imbecil, são assustadoramente lentos. 

Como ele deve começar? 

São tantas opções. Sua mente dilui idéias de como acertá-lo por milésimos de segundos seguidos, sem parar. Ouvindo o som quase animalesco vindo de dentro dele. 

Aquela vontade de rosnar a plenos pulmões, para que o filho da puta, mantenha a porra das mãos longe dela e, no entanto, ele não faz. 

No fundo de sua mente, às palavras de Hux ecoam sem parar. Ele não vai falhar, não vai perder a pouca paciência conquistada com esforço, para um imbecil dessa categoria. 

Ele se recusa. Calá-lo com um afrouxar de dentes seria primoroso. Sim. De fato seria. Só que esse, esse é o jogo dele, no território dele. E nenhum maldito espertinho de merda, vai vencê-lo na sua casa. 

Poe recua, o que ele aprecia. Sabe que seu tamanho o favorece, por isso, usa a arma a seu favor. 

Os dois estão muito próximos, o que facilita para que as palavras fiquem mais do que claras. E agora, é a hora de Ben falar:

— Já que você a mencionou. Vou te dar um conselho. Desista do que estiver pretendendo fazer. Rey é esperta. Ela costuma gostar de pessoas honestas, competentes, esforçadas. Não vai demorar para que ela perceba quem você é. Então, não perca seu tempo… —

— Estranho. Ela me parece bem solícita. Talvez, seja você quem esteja equivocado sobre a sua irmã —

Ben abre um sorriso que não alcança os olhos. Os músculos em seu pescoço tensionam, quando seu olho novamente se contrai. 

Ele está mantendo contato com ela então. 

O maldito está cercando ela. Não. Essa merda não vai continuar, não embaixo do seu nariz. 

— Ora, Poe. A julgar pela sua incompetência, não me surpreende que você confunda educação com condição, mas eu lhe farei o favor de esclarecer. Rey é uma boa garota. Ela costuma ter compaixão pelas pessoas, é uma qualidade inquestionável nela. Bem semelhante ao que Luke tem por você… — 

Poe é rápido em rebater acenando positivamente. 

— Não se preocupe Solo. Eu sei diferenciar educação de interesse. Rey consegue ter ambos. Ela é incrível e com todo respeito, uma garota linda. É com toda certeza uma amizade que quando oferecida, não devemos desperdiçar... —

Ben dá de ombros fingindo não se importar, quando por dentro seu sangue está fervilhando. Ele é bom em se manter neutro e precisa se orgulhar por isso. Um último aviso, é só o que ele consegue...

— Você não a conhece, mas eu sim. Sei muito bem dos interesses dela. De qualquer modo, você pode tentar, vai ser divertido ver você falhar nisso também. Agora eu preciso ir já que, entre nós, eu verdadeiramente trabalho por essa firma —

Ele se vira para estar totalmente fora da visão de Dameron. Sem dar ao infeliz o triunfo de vê-lo ranger seus dentes. Se surpreende por conseguir sair da sala de descanso, sem causar estrago. Hux ficaria orgulhoso. 

Apesar da pouca paciência, ele tem sido bom em utilizá-la. Sendo justo, respeitando os limites. O verdadeiro orgulho de seu pai. 

Acontece que sua boa conduta tem resultado em coisas ruins. Não há qualquer recompensa em tentar ser o minimamente decente diante de uma situação como essa. Sua falta de pulso firme provoca brechas, o que ele precisa converter com urgência. 

Ele precisa retomar o controle, proteger sua maior prioridade no momento, evitando assim que qualquer imbecil tenha acesso irrestrito a tudo dela. Seus pensamentos, seus sentimentos, os desejos, o sorriso, o corpo… 

Tudo isso pertence a ele… foda-se, ela é dele! 

O monstro enjaulado dentro de sua mente se regozija. A idéia o deixa em partes iguais, satisfeito e enjoado. Por isso ele sai do escritório um pouco mais cedo do que de costume sabendo exatamente o que tem que fazer. 


 

****

 

 

Algumas semanas se passaram desde que o que ela chama de incidente, como uma forma de camuflar sua culpa, aconteceu. Se por compaixão ou desdém ela não sabe dizer, mas o fato é que Ben não tentou tocar no assunto com ela. 

Não que ela tivesse dado espaço para que isso pudesse acontecer. Afinal, ela o evitou com determinação. Foi quase como brincar de se esconder dentro do apartamento enorme dele.  

Ela até mesmo mudou seus horários, jantando mais cedo, indo dormir mais cedo, tomando café um pouco mais tarde. Se preparou para evitar surpresas como a que teve no fatídico dia de seu flagrante. 

Ela sabe que isso o incomoda e no entanto, permanece com a ideia. Deve ser algum tipo de dívida que ele acredita ter com ela. Talvez por pensar que estar por perto é sua forma de manter a promessa que fez.

Rey não se importa mais com isso. Foi algo que se quebrou no momento em que se separaram, mesmo sem ter exatamente o que separar. Ela até mesmo prefere que eles estejam assim. Toda vez que o vê, acaba ficando atordoada com tudo o que vem acontecendo. 

Além disso tem o fato de que não pode simplesmente superar o que fez. Só de lembrar, tem vontade de cavar um buraco no chão, apenas para se enterrar e nunca mais sair. No fundo, Rey sabe que o afastamento não irá durar para sempre. 

E isso apenas se confirma, justamente quando chega de sua aula de balé e o encontra em casa. 

Ben está sentado, nem sinal de seu terno fino que muito provavelmente pagaria todas as despesas mensais de uma família menos abastada. 

Ele está com sua calça de moletom, uma camiseta branca, cabelos molhados. Está recostado no sofá com os braços cruzados e as pernas abertas. 

Embora pareça despojado, ele nunca está de fato assim. Soa um pouco injusto que alguém mesmo com roupas normais, recém banhado, pareça tão irresistivelmente bonito.

Ela não consegue decidir honestamente qual dos  visuais dele a deixa mais impressionada. Talvez seja apenas ele. Sem importar muito o que veste. O fato é que ele é sempre tão fascinante e… 

Está olhando diretamente para ela agora. Isso é desconcertante, o que dar a ligeira impressão de que está zangado. Não há sinal de que ele esteja ocupado com algo ou alguém. Ele só está simplesmente ali. Existindo, ainda que isso seja o suficiente para ela.

Bom, de qualquer modo, ela não quer descobrir os motivos dele, por isso o ignora tomando o caminho para as escadas como tem feito sempre que acabam se cruzando. 

É claro que, com um pequeno porém muito considerável. A intenção dele é o oposto da dela. O som da voz dele reverbera pela sala quando a chama. Isso é o suficiente para que ela congele antes mesmo de alcançar o primeiro degrau. 

— Não! Nós precisamos conversar — Pelo tom ela deduz que a conversa não será agradável. Ele parece aborrecido. Ela por sua vez, dá passos cambaleantes para frente antes de se virar para olhá-lo. 

É claro que esse momento chegaria. Ela ter que explicar o que aconteceu é o mínimo que deveria fazer. Ele está sendo racional em cobrar. Afinal, como seria possível ignorar o fato de encontrá-la em sua cama tendo um orgasmo, enquanto cheirava sua camisa? 

— Ben. Se foi pelo incidente no seu quarto. Eu já disse que… —  Ela tenta começar uma explicação, ou uma tentativa do que pode ser um pedido de desculpas, quando ele a corta feito uma faca afiada.

— A quanto tempo você vem conversando com Dameron? — 

Rey olha para o rosto dele, seus olhos se arregalam quando ela pensa não estar ouvindo muito bem. Espere. Ele disse Dameron? 

Ela está espantada, enquanto o questionamento demora a ser registrado por seu cérebro. Ok. Ela estava esperando outra coisa, aliás, ela estava esperando tudo, menos isso. Rey luta para manter sua voz nivelada, depois do choque de uma pergunta tão surpreendente. 

— Perdão. Eu acho que não ouvi direito? —

É errado tenta ter certeza de que é esse o tópico da conversa? Ela crê que não. Mesmo quando isso parece aborrecê-lo ainda mais. 

— Eu acho que você me ouviu perfeitamente, mas eu vou repetir. A quanto tempo você vem conversando com Poe Dameron? — 

De onde veio isso agora? Ela pisca aturdida, tentando colocar sua incredulidade para escanteio. Não é possível que ele esteja questionando algo assim. Como se fosse algo que ele determinasse. O pensamento a deixa irritada. 

— Não tenho que responder a essa pergunta, ela não é da sua conta — Seu tom sai mais alto do que ela gostaria. Mesmo não se arrependendo de usá-lo. 

Uma rápida olhada na postura dele, diz a ela que essa conversa vai ser longa, muito longa. Ben parece furioso. Ainda que ela não consiga entender o que foi que deu nele. 

Porque, honestamente, como ele ousa? 

Não basta tudo que tem que reprimir e agora… Agora ele simplesmente quer ter controle sobre as amizades dela? Ele está enganado se pensa que ela irá permitir isso. 

— E por que não seria da minha conta? Pode me explicar? — O tom autoritário causa uma impressão e tanto nela, porque se antes ela não tinha certeza de que ele estava zangado, bom, agora ela tem. 

Os braços dele se descruzam para ocuparem os joelhos como forma de apoio, o corpo inclinado na direção dela mesmo estando do outro lado da sala provoca uma certa densidade entre eles. Ele parece mais com uma fera antes de atacar sua presa. 

— Eu não sei o que está acontecendo. Mas tenho direito a ter minhas amizades. E não fico questionando as suas — Ela é direta. Ele não vai decidir com quem ela deve falar ou não. 

— Não se trata das suas amizades. Se trata de Dameron e eu não quero você perto dele —

Rey tenta entender o que é que deu nele. Quais seriam os motivos que o levaram a pedir para que ela se afastasse de Poe. Ele não fez isso, mesmo quando soube a forma como Jessika a tratava. 

Permitiu que ela decidisse por si, perdoar ou não a garota, porque era uma escolha dela. E agora isso?

Ela pensa se toda essa discrepância de atitude tem haver com a briga pessoal que ele tem com o tio. Ela sabe que existem desavenças entre eles. Desconfia de que o relacionamento conturbado com Luke possa estar influenciando seu julgamento a respeito de Poe.

Embora isso possa fazer sentido. A postura não condiz em nada com uma atitude que possa vir de Ben. Ele não é assim. De qualquer modo ela viu a forma como Luke falou dele no escritório. Está mais do que claro que eles não tem um bom relacionamento. Então ela resolve usar sua dedução. 

— Por que você está tão preocupado com isso? É por causa do seu tio Luke? — 

Embora ela acredite estar certa. A fisionomia de Ben dá a ela outra ideia. A de que seu palpite está completamente equivocado. 

— Do Luke? Do que você tá falando? — Rey dá de ombros, enquanto se aproxima cautelosamente dele. 

— Eu sei que vocês não se dão bem — Ela enfatiza o mais suavemente possível. Sua intenção é diminuir a tensão de seus ombros. 

— E como é que você chegou a essa conclusão, Rey? Quem contou a você sobre a minha relação com meu tio? —

Ele diminui a voz, o que não o torna menos perigoso. A nuvem de tensão ainda paira sobre eles. Ben permanece na posição que assumiu, exceto por seus olhos estreitos junto da figura impassível que ele sempre é. 

Ela faz o melhor que pode para que sua voz não suma por completo. Ela costumava tentar isso com seu pai quando ele estava zangado. Por isso ela acredita que talvez essa seja uma tática utilizável com homens em geral. 

Acalme a fera que há dentro dele. Mesmo sendo difícil se concentrar estando cada vez mais perto. Observando como os olhos dele estão em todos os lugares nela. Seus lábios se separam e a ponta da língua toca sutilmente o lábio inferior. 

Mantenha a calma por ele e por você. Haja com racionalidade

Sua voz interior se manifesta. 

— Ninguém. Eu simplesmente sei. Por isso essa sua implicância. Ela tem haver com Luke. — 

Rey termina sua observação e agora ele se move. Não para perto, mas para longe. Recuando para ficar onde estava a princípio com um olhar carregado de desconfiança, que a irrita profundamente…

—  Certo. Você simplesmente sabe. Foi essa a justificativa que o Dameron te deu? — Droga. O ressentimento nas palavras chega a ser venenoso. 

— Não Ben. Poe sequer o mencionou. Sei disso por causa do modo que Luke falou sobre você. — 

— Então você não nega que está mantendo contato com Dameron.— 

Ben nem mesmo dá atenção ao que ela diz sobre Luke. Está obstinado a tirar dela informações sobre Poe Dameron. 

Ela tem porque negar? Não, ela não tem. Assim como ele não tem motivos para questioná-la a esse respeito. Não importa o quanto ele faça por ela. Ele simplesmente não tem. 

— E se eu estiver, qual o problema? — Ela o desafia. Elevando o queixo e cruzando os braços apenas para ver como ele inspira todo o ar e o solta como se estivesse com a paciência a um fio de acabar. 

— O problema é que ele não é uma pessoa confiável. E a última coisa que ele quer é sua amizade — Ele rosna as palavras com lentidão para que ela entenda uma por uma. 

É o suficiente. Ben á julga ingênua demais. Fala tanto sobre a forma como seus pais a mantiveram em uma bolha durante anos e agora, faz exatamente o mesmo.

Ela tem trocado mensagens com Poe. Ele tem sido gentil com ela, mas isso é tudo. É injusto que esteja sob interrogatório sem ao menos entender os motivos.

Embora, esteja começando a desconfiar deles. Ele está tentando bancar o tutor responsável, ainda que com um exagero considerável, é apenas isso. 

— Tudo bem. Era só isso? — Ela não quer discutir. Ela odeia ter que discutir, então tenta encerrar o assunto para que eles voltem a se ignorar. 

— Você vai se afastar dele? — Céus. Não é justo que ele peça isso a ela. Não importa que ele seja responsável por ela, ela se recusa a permitir isso. 

— Ele está me tratando com respeito e cordialidade, não vejo motivos para me afastar. Mas agradeço o seu conselho — 

Ela gosta de Poe. Não há qualquer intenção errada a esse respeito. Aliás, seria errado caso tivesse? Ben respira fundo e fecha os olhos com sua resposta. Parece realmente irritado agora, ameaçador com sua mandíbula apertada com força. O que a deixa em expectativa. 

Sua forma massiva soa intimidadora aos olhos, mas ela o conhece suficiente para saber que não deve temê-lo. Isso a leva a endireitar os ombros, endurecendo diante dele. 

Por um instante é como se ela pudesse ver fogo em seus olhos. Não que ela vá admitir, mas não consegue explicar como ele fica ainda mais atraente quando está irritado. 

— Rey, eu estou falando sério. Não quero ele perto de você — Seus olhos se estreitam. Ela faz o possível para não se encolher, projetando o queixo obstinada. 

Nem mesmo o tom autoritário dele é capaz de abafar as ideias que começam a passar por sua cabeça. Toda essa implicância com Dameron, esse tom inquisidor. Isso tudo é um pouco demais para quem está apenas zelando por seu bem estar. É quase como se ele estivesse… É melhor que ela tire a dúvida. 

— Me desculpe, mas eu não consigo entender. Pelo modo como fala parece até que está com ciúmes dele… — 

No fundo uma esperança começa a brotar dentro dela. De que ele irá dizer que sim. O que isso fará com ela? Não sabe dizer. Ben respira fundo antes de aparentemente relaxar. Os ombros recaem com um sinal claro de exaustão ou recobramento de consciência. 

— Rey, eu sei que você é uma boa garota, por isso não vai me impedir de cumprir o meu papel, eu só estou tentando te proteger —

Frustrante, mas esperado. Ela também expira o ar que guardou com ela junto de sua expectativa, quando escuta as palavras dele. Não era o que ela queria ouvir, mas concorda mesmo assim. 

— Eu sei que está. Aliás, é só o que você tem feito desde que meus pais se foram. Eu sou grata por isso e confio em você. Só peço que faça o mesmo por mim —

Ben não é um homem fácil de se convencer, seu temperamento deixa isso claro, mesmo assim ela resolve tentar. 

— Tudo bem — Ele diz. Com certa relutância. 

Ela não sabe ao certo em que ponto seu truque fez efeito. Mas parece funcionar, quando percebe os ombros dele relaxarem. O furacão Ben Solo está ali em algum lugar, mesmo quando ela consegue acalmar seu gênio difícil. 

Isso a faz se lembrar de algo que deveria comunicar, pedir. Ela não tem mais certeza do que precisa fazer ao se aproximar dele. 

Ele não a evita. E isso só faz com que uma vontade de estar com ele ressurja. Não que ela tivesse ido embora, sempre esteve ali, guardada, apenas entrando em evidência quando eles se aproximam, novamente. 

— Ben… — Ela se senta ao lado dele. A pronúncia do nome fluindo com serenidade, enquanto sua mão se aproxima com calma. 

Ele observa o movimento, os olhos se tornam suaves quase que instantaneamente ao ver suas mãos se encostarem. Ele se move, e como reflexo ela segura o braço com medo de que se afaste. Mas ele não faz. Olhando em seus olhos com uma intensidade que rouba seu fôlego. 

— Rey... — Ele começa com um sussurro irresistível. 

— Se você vai falar sobre o que houve no meu quarto. Eu prefiro que não diga. Não quero que se preocupe com o que já passou. Só, vamos esquecer. Tudo bem? — 

Ela assente mesmo quando dá de ombros ficando um pouco mais próxima. A mão desce novamente para a dele, acariciando a grossura de seus dedos ásperos. 

Os dela parecem tão macios em contraste ao toque. Ele não protesta. Seus olhos estão focados no toque terno da mão quando o responde.

— Não. Quer dizer, sim. Eu concordo com você, embora eu ainda lamente. É que eu queria te pedir outra coisa, na verdade… —

Ben fica em silêncio. Ela tem medo de que ele vá afastá-la e por essa razão reluta em alcançar os olhos dele. 

Quando o faz começa a perceber que as nuvens estão voltando a nublar.

— Vai me pedir algo que tenha a ver com o Dameron? — O sarcasmo na voz quase a irrita, mas deixar que isso a atinja será como jogar fora seu belo trabalho em trazê-lo de volta da tempestade. 

— Não, Ben. Não tem nada a ver com o Poe — Se sua resposta o satisfaz ela não tem certeza. Mas a dele a deixa bem perto disso.

— Então você pode me pedir o que quiser — A ironia presente na frase quase a faz revirar os olhos. 

Ela gostaria que ele pudesse dar tudo o que ela quer, mas isso não é verdade. Ele não pode. Seu cérebro implora por lucidez, quando ela limpa a garganta para evitar que seus pensamentos escapem pelos lábios. 

— É que eu preciso muito estudar e Rose ficou de me ajudar. Eu gostaria de saber se posso passar á noite na casa dela amanhã —

— Só isso? — 

Não, eu também gostaria que você me beijasse. Por gentileza. 

O pensamento surge antes que possa evitá-lo. Ela afirma rapidamente para que ele não se dê conta de que está nervosa. Ben não precisa saber o que se passa em sua cabeça. 

— Sim Rey, você pode. Eu não quero ficar te controlando, minha preocupação é somente em relação ao tipo de pessoa que você escolhe se relacionar —

Ela não precisa levar tão em consideração as últimas palavras ditas por ele. Sabe que ele está sendo exagerado com a questão da superproteção. Sua implicância com Poe o leva a pecar por excessos. Contudo ela é grata.

Além de se resolver com ele. Ainda teve o prazer de ter algum efeito sobre seu temperamento difícil. Então ela agradece da forma que sempre faz. Inclinando-se perto dele para beijá-lo no rosto, o mais demorado possível. 

— Obrigada, Ben —

 

****

 

Rey pensa um pouco enquanto caminha pelo shopping olhando as vitrines das lojas que exibem as coleções de inverno. Com liquidações ou não, tudo consideravelmente caro.

Ela acha engraçado, como diferentes aspectos do seu cotidiano mudaram desde que perdeu seus pais. Dentre as mudanças mais consideráveis, está o fato de ter conhecido pessoas novas, o desafio em ter de lidar com elas.

Claro que, a parte boa disso foi fazer amizades, coisa que até então ela não havia feito.

Nunca culpou seus pais pelo excesso de proteção, ela nem mesmo notou que isso poderia afastá-la da realidade. Embora agora, soubesse a diferença sobre viver uma vida fora de seu pequeno e confortável espaço.

O quanto seus pais haviam sofrido durante a infância sempre lhe foi o suficiente como justificativa, apesar de tudo. Eles eram pessoas fortes e ela acredita ter herdado isso deles. 

Esse é o seu primeiro passeio com uma amiga para fazer compras. É sempre bom estar na companhia de Rose. Ela é grata pelo desmaio em seu primeiro dia de aula, exatamente por esse motivo. 

Rose é tão divertida, sempre tem algo esperto a dizer, um comentário inteligente, um conselho animado e positivo mesmo na pior das situações. Ela costuma ouvir sem julgar e sente prazer em ensinar sobre coisas novas. 

Como por exemplo, o que se deve usar para estar estilosa em pleno inverno nova iorquino. As duas saem das lojas com suas compras, mais uma vez com o incentivo de Ben, de que ela precisava de independência e novas experiências. 

Rose também a impulsionou. Desde sempre esteve acostumada a ter outras pessoas decidindo sobre os seus gostos, comprando roupas e vestindo-a como devia ser de acordo com a idade dela. 

Ben exigiu que ela tivesse mais liberdade com relação aos gastos, também. Segundo ele, suas despesas estavam inclusas ao seu dever como tutor. Foi uma condição pré estabelecida com a qual depois de muita discussão acabou aceitando.

Entre uma consultoria aqui e ali. Rey conseguiu ajustar seu guarda roupa de uma forma que ela realmente gostasse e que fizesse mais o estilo dela. 

As duas pararam para tomar um milkshake enquanto parte da tarde começava a se despedir, dando início ao frio gélido do anoitecer. 

— Seus pais são muito gentis. Eu realmente me senti em casa com eles… — 

Rey é sincera. Os pais de Rose e Paige são realmente agradáveis. Ao chegar na casa deles, ela se sentiu como uma verdadeira presença ilustre. Seu comentário com a boca um pouco cheia arranca um sorriso de Rose. 

— Eles dificilmente param em casa. Costumam viajar bastante. Mas quando estão? Fazem questão de ser receptivos... — 

Rose interrompe a fala para tomar um pouco mais do milkshake antes de continuar. 

— Ainda mais se tratando de estudos. Eles tem aquela coisa chata sobre amizades responsáveis… Eles gostaram de você —

— Está me dizendo que eles gostam de mim por eu ser uma nerd? —

— Ei! Eu sou uma nerd, ok? Tenha mais respeito pelas minhas escolhas, por favor — 

Rey ri com a indignação de Rose, erguendo as mãos para se defender, quando responde.  

—  Tudo bem, tudo bem. Futura doutora nerd. Eu estou feliz por ser sua amiga também —  Rose ri e depois dá de ombros. 

—  Fico feliz que tenhamos saído de casa. Paige está insuportável com isso de namorar o Peter. As vezes quando estou falando acredito que ela escute tudo em latim —  

Rose revira os olhos dramaticamente para o divertimento dela.

—  Um dia desses, só para testar a atenção dela, eu disse que iria enfiar nosso cachorro beebee na lavadora e ela simplesmente concordou. Dá pra acreditar? Eu espero nunca ficar desatenta assim quando estiver apaixonada por alguém… — 

Rey balança a cabeça positivamente em glorificação as palavras de Rose. Ela gostaria de ser imune aos efeitos do coração também. Embora seu caso já seja perdido. O celular vibra sobre a mesa e antes que possam continuar a conversa, ela resolve checar. 

Talvez seja uma mensagem de Ben, ou de seus tutores, o que ela realmente não quer deixar passar.  Ao olhar a mensagem ela constata de que não é nenhum dos três, mas sim Poe Dameron. 

Desde a conversa com Ben na noite anterior ela tenta entender o que o deixa tão incomodado com relação a ele. 

Certo, o interesse de Poe é uma parte considerável nisso. Mas isso é algo natural, pelo menos para ela. Ele não está forçando a barra. Ao contrário, ele é sempre tão educado. Nunca disse ou deu a entender com nada que a deixasse desconfortável. 

Ela tinha uma péssima impressão do que garotos mal intencionados eram capazes de fazer. Sua experiência com Josh foi bem esclarecedora. 

Poe era bem diferente de Josh. Maduro, responsável. Para dizer a verdade, suas conversas com ele são bem neutras, geralmente sobre filmes e séries. Indicações de livros. Sim, Poe costuma ler bastante. 

Ela confessa que não daria tanto espaço a ele se não fossem os contatos em comum. 

Poe Dameron é um dos advogados da SOS. O que por si só é positivo. Ben ou Luke jamais contratariam uma pessoa de má índole para trabalhar em seu escritório. 

Além do mais, seus pais não lhe ensinaram muito sobre interações, mas com toda certeza passaram aprendizados importantes sobre pessoas suspeitas. 

Poe tinha inúmeros pontos positivos a seu favor. Talvez a implicância sobre sua idade provocasse a inquietude de Ben. 

Não que ela não fosse considerar suas palavras. É só que, o exagero nelas, soava mais com ele nitidamente enciumado, do que qualquer outra coisa. 

— Ah meu Deus. Você também! — Rose exclama de repente diante dela, o que acaba chamando sua atenção.

— O que? Eu também? — Rey a olha confusa. Mesmo quando Rose estreita os olhos e se inclina em sua direção. 

— Suas bochechas estão vermelhas feito dois tomates. Você está sorrindo feito uma idiota. Não Rey. Não me diz que está apaixonada também, eu não quero lidar sozinha com duas pessoas mentalmente ineficientes —

Rey revira os olhos para o drama da amiga. 

— Não seja boba, Rose. Poe é um amigo e apenas isso. Se lembra dele? O cara que eu disse a você que derrubei café —

— Oh sim. O que trabalha na empresa do seu irmão não é? Você não me disse que estavam mantendo contato  — 

Rey dá de ombros como se não fosse grande coisa. Na verdade não é. Eles trocam algumas mensagens, mas apenas isso. 

— Não é nada demais. Ele é muito legal. Acabou de me mandar uma mensagem, dizendo que daria um milhão por meus pensamentos, caso eu desse a ele uma ideia de como acabar com o tédio em seu horário livre —

— Não sei não Rey. Não me parece que ele seja qualquer coisa pra você. Me diz, ele é bonitão? — Rose se entusiasma provocando uma risada em Rey que pensa um pouco no que dizer. 

Sim. Poe é muito bonito, charmoso, mais velho. Ela já pode dizer que prefere homens mais velhos a essa altura tendo em vista como eles causam uma impressão e tanto nela. 

— Sim. Ele é bonito. É diferente dos garotos do colégio. É mais velho. O que me faz entender quando você diz que caras mais velhos são outra coisa… — As duas riem. 

— Caras mais velhos definitivamente são outra coisa. Então ele é gato. Mas tipo, absurdamente gato como o seu irmão, ou só gato mesmo? —

A pergunta deixa Rey congelada. O que ela pode dizer a amiga sobre achar Ben absurdamente gato? Porque de fato. Ben está em outro nível para ela. Um que o separa do resto dos homens. Seu silêncio faz com que Rose respire fundo. 

— Tá bom. Eu entendi. Irmãos nunca conseguem elogiar a beleza do outro. É que como ele trabalha com Ben, eu logo pensei nele. E seu irmão é notável, se é que posso dizer… — 

Ela toma um pouco mais do milkshake piscando com inocência para Rey que acaba sorrindo. 

— Mas e então. O que você respondeu pra ele? — A mudança de assunto é um alívio. Ela olha em direção ao celular e então dá de ombros. 

— Bom, na verdade eu ainda não respondi nada. Que ideia você acha que eu posso dar a ele? — 

— Diga para ele vir nos encontrar, assim eu aproveito e o conheço — Os olhos de Rey se arregalam e ela balança a cabeça negativamente. 

— Rose. Ele deve estar ocupado… —

— Mas ele acabou de dizer que está com tempo livre. O que é? Não vai me dizer que está nervosa em se encontrar com ele? —

— Não. Eu só, sei lá. Não acho que tenha necessidade disso. Somos amigos e conversamos de vez em quando… — Rose franze o cenho e depois abana as mãos exasperada. 

— Quanta besteira. Anda me dá o celular… — Rey o esconde e balança a cabeça negativamente. 

— Rose não inventa. Eu não quero sair com ele agora. Não foi você quem disse que não queria estar sozinha com a epidemia da paixonite aguda no ar? — 

Rose ri com as suas palavras desistindo por um momento, enquanto volta para o seu milkshake. 

— Não foi isso que eu disse, mas tudo bem. Não vou forçar você. Só achei que estava esperando um empurrãozinho. Sabemos que você é a senhorita timidez em pessoa —

— Eu sou tímida. Ele me deixa muito a vontade. Mas sei lá, eu não saberia como agir. Sou tão estúpida às vezes… —

— Eu sabia que era só sua insegurança falando… — Rose pega o celular depois de bufar com sua auto depreciação. Ela abre as mensagens enquanto Rey olha para ela boquiaberta. 

— Rose, o que você pensa que está fazendo? Não se atreva a responder… — O som de mensagem faz seu estômago afundar. 

— O que você fez? O que você mandou pra ele? — Rose olha para ela com um olhar de suspense, quando outro som de notificação acontece. 

— Eu disse para ele vir nos encontrar e… — Ela sorri enquanto olha a mensagem no celular, com um suspense que a está matando. 

— Ele disse que agora não pode. Está digitando... — Rey não sabe se suspira de alívio ou se avança com irritação na garganta de Rose. 

— Uou! — Ela ri e Rey sente sua espinha gelar. O que está acontecendo pelo amor de Deus? 

— Rose! — Ela grita impaciente, fazendo com que a amiga olhe para ela espantada. 

— Se acalma. Ele quer te encontrar daqui algumas horas, em uma lanchonete. Eu disse que você estava com sua amiga e ele disse que eu poderia ir junto… — 

— Eu não posso fazer isso. Se o Ben souber que eu fui me encontrar com o Poe ele me mata! —

— E por que? —

— Ele não quer que eu me aproxime do Poe. Tem uma certa implicância com ele, eu sei lá. Eu nunca consigo entender o que acontece na cabeça do Ben — 

Rose está olhando para ela pensativa. Ela torce os lábios e faz uma careta conclusiva. 

— Não é óbvio? Seu irmão é chefe dele. No mínimo está incomodado que um de seus associados esteja saindo com a sua irmã. Mas como você disse, Poe se tornou seu amigo e seu irmão não deve interferir nisso —

— Eu não sei não Rose. Ele foi bem claro quando disse que era para eu me manter longe… —

— Rey. Eu tenho certeza que o seu irmão tem os encontros dele. Não é justo que ele simplesmente atrapalhe você de fazer novas amizades. Além disso, estaremos juntas. E você sabe que eu sei melhor do que ninguém como botar um cara pra correr —

Rey não havia pensado nisso. Ben saindo com outras mulheres. Além daquelas noites em seu apartamento que ele dormiu fora. Ela tem certeza de que ele estava com outra mulher. 

Será que ele fazia isso? Nas noites em que chega tarde ele está dormindo com alguma… O pensamento a deixa mal. Enciumada e ferida, com a hipótese. É apenas uma hipótese não é? Mas e se não for. 

De repente algo morde seu ego. 

Ele a afasta de todos os modos. Insiste em se manter como um tutor, um mero conhecido. Mesmo priorizando o fato de que estar com ela pode colocar em risco sua guarda. Quando estão ali no apartamento sozinhos, ninguém pode julgá-los ou condená-los e mesmo assim, ele escolhe impor barreiras. 

Talvez ele tenha outro alguém. Ou várias outras. Deus, ela sente seu coração apertar tanto que mais parece que vai explodir dentro dela. Isso ajuda em sua decisão. Se Ben pode sair com outras sem se importar com os sentimentos dela, ela agirá da mesma maneira. 

— Ok Rose. Diga a ele que nós iremos —

 

****

 

Ben está mentalmente exausto. 

É um alívio quando finalmente chega sábado a noite. Sem viagem estressante para a casa dos pais, apenas se deitando em seu sofá e apreciando seu copo de whisky com gelo depois de uma semana inteira de reuniões maçantes e intermináveis. 

A muito tempo ele não fazia isso. A muito tempo não ficava completamente sozinho em casa. 

Rey foi dormir na casa de Rose. O que ele honestamente acha bom para ela. É um trabalho árduo e diário, fazê-la se desvincular da ideia de permanecer em casa. 

Convencê-la sobre as aulas de balé foi um avanço e tanto. Mas agora que ela resolveu ter uma vida decentemente sociável com as amigas, duas partes nele entram em conflito. 

Seu jeito controlador nunca foi um problema se tratando de suas próprias escolhas. 

Porém com ela… 

Ser responsável por alguém além de si mesmo tem exigido demais dele. Rey é um frescor, isso é inegável. Apesar dos outros fatores que ele prefere não pensar, tem que reconhecer de que depois dela, passou a perceber que sua vida era imensamente vazia. 

Uma coisinha teimosa e destemida, ao mesmo tempo frágil e carinhosa que bagunça com sua cabeça deliciosamente. 

É difícil lidar com ela andando por todo o seu apartamento com aquele uniforme altamente perturbador, mas é ainda mais difícil não ter esse tipo de visão todos os dias. 

Ele até mesmo se torna inconscientemente flexível aos horários dela, apenas para dar uma boa olhada. E agora que ela não está ali, sob a sua supervisão, ele aproveita para avaliar a situação. 

Quando foi que se tornou tão vulnerável? Ele não sabe dizer. E por sinal vai demorar a descobrir já que o seu celular começa a tocar insistentemente sobre a mesa de centro da sala, dando fim ao ponto de reflexão. 

É melhor que seja urgente. Ele olha para o visor e sem muita surpresa vê que se trata do seu associado. 

"Eu pensei que não fosse atender…" 

Às palavras de Hux soam um pouco abafadas do outro lado da linha, o que Ben nota mesmo sem interesse em tentar descobrir a razão. 

"Eu espero que você tenha uma boa razão para estar atrapalhando meu fim de semana"

“Atrapalhando? Aposto que Rey não está em casa então."

“Como é que você sabe disso?” 

“Você não estaria reclamando da minha ligação caso ela estivesse” 

A risada de Hux do outro lado da linha o faz suspirar em admissão. Ele aperta os dedos na ponta do nariz e esfrega o rosto. 

“Ela foi dormir na casa de uma amiga. Eu mereço um minuto de paz e descanso”

"Eu não sei se você se lembra, mas fechamos o contrato mais fodido de se conseguir da história da Skywalker Organa Solo…" 

Ben sorri com a menção do triunfo dos dois enquanto toma mais um gole do seu whisky.

"Estou ciente. Está me ligando para cobrar a comissão? Não pode esperar até a próxima semana? Eu sabia que você era ambicioso, Armitage. Mas ganancioso é novidade…" 

Hux ri do outro lado da linha. Ele tem que reconhecer, a parceria foi excelente. Os dois trabalharam duro para conseguir tirar James Snoke do pé deles como concorrência. Armitage trabalhou tanto quanto, por isso ele é incapaz de brincar sobre seus méritos. 

"Eu sinto que você me deve, realmente. E até mesmo tenho uma proposta irrecusável a te fazer…" 

Ben não sabe o que virá daquilo, mas sua curiosidade desperta a ponto de se ver inclinado a ouvir.

 

****

 

Como Ben vai parar em um club noturno com Armitage Hux, ele não sabe dizer. O fato é que acontece. 

A proposta irrecusável o leva a um lugar cheio de pessoas gritando, dançando, bebendo e se esbarrando umas nas outras. 

Quando Hux disse a ele: 

"Vamos sair, não perca o seu sábado bebendo sozinho como um velho dentro de casa".

Ele quase se deixou enganar de que aquela seria uma noite para que eles bebessem no mesmo bar de sempre, jogando conversa fora como sempre.  

Ele não esperava isso. O som estridente da música em seus ouvidos, as luzes estroboscópicas ofuscando seus sentidos. 

Eles estão na área vip no nível superior. O que ele agradece. Pelo menos não estão grudados na massa de corpos dançantes no meio da pista, isso dá a eles uma visão privilegiada de onde estão. 

Não é tão ruim, ainda assim, passa bem longe do que ele estava planejando. Se Hux o convenceu a acompanhá-lo, foi pela dívida. Além da boa companhia, o que ele em hipótese alguma iria admitir para o seu associado. 

— Devíamos ter ido para o bar. Como sempre fizemos —  Ben grita próximo ao ouvido de Hux que está olhando ao redor, caçando garotas feito um cão caça um osso. 

— Isso é uma inauguração. Aproveite e desfrute dos privilégios de sermos exclusivos em um lugar como esse… — 

—  Seu eu vou ter que aturar isso aqui por horas. É bom que a bebida valha a pena — 

Ben dá um gole em algo doce demais para o gosto dele em seu copo. Quem diabos bebe isso? Sua careta de desaprovação faz com que Hux revire os olhos. 

— Não se preocupe. Eu vou te arrumar uma cadeira para sentar. Eu sei que você não aguenta muito tempo de pé — 

Ele ri tomando um gole da sua própria bebida, ignorando a fumaça que sai dos olhos de Ben pela piadinha.  

— Eu não quero me cansar. Depois daqui ainda vou visitar sua mãe… — Ben arqueia as sobrancelhas, o que o faz rir novamente.

A troca de ofensas é um costume dos dois. Eles costumam se desafiar para ver quem dá o braço a torcer primeiro. Ben particularmente odeia que ele use o fato dele ser mais velho como munição. 

— Ora, então você resolveu sair com pessoas da sua idade agora? — Ben faz uma careta de aviso, o que o deixa ainda mais satisfeito. 

— Quer saber? Isso vai custar sua comissão — Hux olha pra ele indignado, o que o faz rir finalmente. 

— Olhe bem ao nosso redor. Te garanto que aqui tem companhias boas o suficiente para você parar de importunar minha santa mãezinha do outro lado do estado — 

Hux aponta para todos os lados. Ben para e avalia. Ultimamente seu interesse sexual tem sido sua ruína, o que o leva a não querer tanto assim outras companhias. 

— Certo, espertalhão. E como você pretende flertar com alguém no meio dessa barulheira dos infernos? — Ben está gritando e Hux dá de ombros. 

— Escolhemos alguém, nos aproximamos e levamos elas daqui. Como sempre fizemos —

— Dispenso. Eu vou ficar com a bebida, mas você pode ir em frente. Fique à vontade —

— Qual é Solo? Não vai me dizer que resolveu guardar sua pureza para a sua irmã, ou seja lá o que ela for? —

— Hux. Deixe a Rey fora disso. — Ele range os dentes enquanto o amigo o acalma com um aperto de mão nos ombros. 

— Tudo bem. Mas observe, nós temos a solução para os seus problemas bem aqui, diante dos seus olhos — 

Ele aponta ao redor e Ben franze o cenho se divertindo com a propaganda exagerada. É como o diabo oferecendo o pecado em troca de uma alma. 

— Ao invés de se reprimir desejando o que não pode ter, porque não aproveitar com pessoas disponíveis, interessadas no mesmo que você. Olha só essas mulheres… —

Hux está observando as mulheres na pista, todas elas, quando seus olhos brilham para uma em específico. 

— Olha aquela, de verde. Uau! Cabelos negros enormes, uma pele linda, parece pequena. Você sabe como eu adoro mulheres pequenas. Sem sombra de dúvidas, aquela é minha… —

Ben olha na direção em que ele aponta. A garota está de costas, e parece ser muito nova. Ela é realmente baixa, e embora pareça jovem tem um corpo chamativo no vestido em que está. 

Seus cabelos são compridos, lisos e escuros. Ela dança ao lado da amiga um pouco mais magra e alta do que ela. Ambas parecem ser lindas, não que isso sirva para atraí-lo na proposta maluca de Hux. Ou que seja a prioridade que ele busca em uma mulher. 

Ele fala sério quando diz que envolvimento emocional tem sido a razão para sua dor de cabeça. Ele já tem tido o suficiente de drama emocional com Rey. Hux está praticamente babando pela morena de verde. Ele não tira os olhos e Ben quase se vê tentado a ir até ela para ajudar o amigo. 

Ela precisa se dar conta de que ele a está observando primeiro. Então ele espera que ela se vire, o que não demora muito a acontecer. Certo. Ela é realmente bonita, a ponto dos outros caras na pista estarem cercando-a junto da amiga. 

O problema é que. Ela parece familiar. Seus traços orientais não lhe são estranhos. Ele se esforça para tentar lembrar. Se ele já ficou com essa garota em definitivo, irá manter a informação fora do alcance de Hux. 

Mas não, ela parece muito nova, diferente das outras mulheres com quem ele já saiu. O que o faz olhar agora para a amiga dela. A amiga dela rouba muito mais a sua atenção, está usando uma saia curta da mesma cor do vestido da garota com traços orientais. 

Sua blusa é curta, o que deixa a barriga esguia de fora. Ela tem uma bunda incrível e ele quase não consegue olhar para outro ângulo que não seja aquele. 

Ben engole em seco como as semelhanças nela com alguém que ele conhece muito bem vão se tornando cada vez maiores. 

É então que ela se vira. Ele sente o ar sumir de seus pulmões. Está alucinando e não há possibilidade de que o que ele está vendo seja real. A garota está maquiada, olhos escuros, boca pintada com batom rosado, mas os seus traços são inconfundíveis. 

"Rey"  

Ele sussurra sem fôlego. Quando Hux olha para ele. 

— De novo isso? Será que você não pode esquecer a Rey por um minuto? — 

Não é possível. Isso só pode ser brincadeira. 

Ele ignora os gritos de Hux o chamando quando esbarra em seu ombro e cruza o caminho para as escadas descendo os degraus em uma velocidade descomunal. 

Sua visão está turva e seu nervo pulsa tamanha a irritação que irradia do seu corpo. Ele é como um touro, tudo o que consegue enxergar é vermelho e ela. Seu foco está nela. Dançando distraidamente ao centro da pista enquanto outros caras se aproximam.

Essa merda não está acontecendo. Ele a deixou na casa de Rose mais cedo. Ele só pode estar vendo coisa. É sua vontade de tê-la atrapalhando seu raciocínio básico e lógico. Só pode ser isso.

Ele passa com facilidade pela multidão de pessoas se espremendo ao redor da pista. Sua altura facilita que ele tenha uma boa visão pelo trajeto que percorre indo até a pessoa em questão.

E quando ele a alcança… 

Os níveis de irritação vão ao topo. Porque ele reconhece a garota ao lado dela. Rose. Ele não tinha reconhecido com a maquiagem porque a duas pareciam mais velhas do que realmente são. 

E ela o vê primeiro, o que faz seus olhos se expandirem, enquanto seu alvo está de costas distraído, ou melhor distraída. Ele não perde tempo em agarrar um de seus braços para ter certeza do que está vendo. 

Quando ele a puxa bruscamente, ela o encara com irritação. Está prestes a bater nele, mas quando também o reconhece, ela congela. 

Seu maxilar se aperta e a fúria faz seu corpo estremecer, com a raiva emergindo. 

Porque não lhe resta mais dúvidas. Ali está ela bem diante do seu nariz. 

Rey. 


Notas Finais


Segue abaixo a lista de músicas desse capítulo na ordem. Todas elas estão na nossa lista do Spotify.

Human - Rag ‘n’ Bone man
Struggle - Tove Lo
The Man - The Killers
Baby Came Home - The Neighbourhood
Kids - One Republic
Dangerous - Royal Deluxe

https://open.spotify.com/playlist/3GGqR2GoISJyxJwc6dxktb?si=0Gxon8PHQpCUbIhYXjBVpg


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...