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História Take Me If You Want Me - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Revanche


Madri se encontrava ligeiramente fria naquela manhã, parte da culpa era da enorme chuva da noite passada, e até o clima me fazia pensar sobre Sérgio. Eu vinha pensando muito nele na última semana. Na verdade, vinha pensando muito nele desde que nós havíamos nos conhecido, e que marcamos o momento com uma boba briguinha sobre Shakespeare e Romeu e Julieta. Olhei para cima rapidamente e o céu estava nublado, talvez voltasse a chover novamente. O casaco verde que eu estava usando, não estava servindo para muita coisa, pois não estava resolvendo o frio que eu estava sentindo. Entretanto, parte do meu corpo estava quente, pois ainda sentia as lembranças da noite passada e eu conseguia literalmente sentir a boca de Sérgio na minha e os lábios passando por meu pescoço, meu colo... joder. Não conseguia esquecer as mãos dele pelo meu corpo e o jeito que...

- No que está pensando, loira? - Alicia perguntou e eu dei de ombros. Odiava correr com Alicia, ela era praticamente uma campeã de corrida matinal, e eu sentia frio e dor nos seios pela corrida.

- O de sempre. Universidade, doutorado... - Comentei e revirei os olhos, a vendo diminuir a velocidade que corria para me escutar melhor.

- Sei. - Sorriu. - Sérgio Marquina... - Zombou e eu revirei os olhos mais uma vez.

- Não começa, Alicia. Por favor. - Disse e ela passou a correr de costas na minha frente, me humilhando ainda mais. Ela estava vestindo um casaco vermelho e calças apertadas de cor preta, e ela estava bonita demais para uma manhã. Não eram nem mesmo sete horas da manhã.

- Mas eu não disse nada de errado. Ele é o seu professor, então obviamente estaria na sua cabeça. - Piscou um dos olhos. - A não ser que ele esteja na sua cabeça, mas não como o seu professor. - Sorriu e mordeu o lábio inferior com um olhar sugestivo.

- Bem, eu preciso atualizar você sobre algumas coisas. - Disse e ela sorriu interessada.

- Eu vivo pela fofoca. - Disse e eu revirei os olhos.

- Não é fofoca, é a minha vida. - Disse séria e ela deu de ombros. - Eu fui naquela boate. - Disse e ela estreitou os olhos. - Aquela sabe, que é de um amigo do Andrés e nem todas as pessoas são aceitas no clube. - Revirei os olhos e suspirei. - Adivinha só quem estava lá.

- Tudo bem, irei fingir surpresa. Sérgio Marquina? - Perguntou com um sorriso e eu assenti.

- Como sabia? - Perguntei curiosa.

- O Andrés me disse uma vez que ele havia começado a frequentar essa boate depois de toda aquela confusão com a ex-esposa. - Deu de ombros.

- Que confusão com a ex-esposa? - Perguntei interessada, eu nem mesmo sabia que ele havia sido casado, na verdade, não sabia muita coisa sobre Sérgio Marquina. Havíamos nos conhecido há exatamente uma semana, e o interessante é que havia sido a semana mais agitada da minha vida em anos.

- Os anos que você passou na Alemanha te deixaram bem perdida, Raquel. Ele foi traído pela esposa, com um dos amigos. Foi uma dupla traição, sabe? Ele realmente ficou mal por muito tempo e o Andrés quem segurou a barra dele. - Comentou e eu assenti. - Mas continue a sua história, preciso saber o desfecho.

- Bom, eu bebi bastante e dancei no palco da boate. Fiz um pequeno striptease. - Disse e ela arregalou os olhos, parando de correr na mesma hora e passando a mão pela nuca.

- Você fez o que, Raquel? - Perguntou e eu desviei o olhar, me abaixando um pouco para massagear meus joelhos. Eu havia adquirido uma vida sedentária na Alemanha, porém Alicia estava me obrigando a correr com ela todas as manhãs, desde que eu havia voltado para Madri.

- O Sérgio me desafiou e eu subi no palco, tirei a blusa, dancei. Enfim... - Alicia abriu a boca em total surpresa e mexeu no rabo de cavalo nos cabelos.

- Madre mía, Raquel. - Negou com a cabeça. - Sinto que a história não acaba aí.

- Tem razão, não acaba. Eu também dancei apenas para ele, no colo dele para ser específica. - Se Alicia estava surpresa antes, ela agora estava com o queixo no chão.

- Deixa eu me situar. Você fez um striptease, o que já parece bastante absurdo e depois dançou no colo do seu orientador de doutorado. Raquel, onde estão os seus últimos neurônios? Foram corrompidos pela beleza do Marquina? - Perguntou e eu revirei os olhos.

- Acha ele bonito? - Perguntei interessada.

- Não faz o meu tipo, porém é uma beleza apreciável e deve ser reconhecida. - Disse e eu sorri. - E você está apreciando bastante. - Sorriu maliciosa.

- Eu não sei o que está acontecendo, Alicia. Eu só... simplesmente estou perdendo o controle? - Perguntei e ela sorriu. - A história ainda não parou no rebolar no colo.

- Raquel, vocês transaram? - Praticamente gritou e uma senhora que estava passando pelo parque, olhou de relance com os olhos arregalados para nós duas. Sorri um pouco sem graça e olhei irritada para Alicia.

- Fala baixo, por favor. - Pedi e ela revirou os olhos. - E não, Alicia. Não transamos, por pouco. Ontem à noite, ele foi me dar carona, estava chovendo, uma coisa levou a outra. Demos uns amassos dentro do carro e depois... enfim, você entendeu. Eu só precisava falar sobre isso para alguém. - Massageei minhas têmporas e ela soltou um risinho debochado.

- Acho que finalmente você irá viver um romance proibido igual nos livros que você tanto lia na adolescência. - Riu irônica e eu revirei os olhos.

- Não é engraçado, Alicia. Isso tudo é um...

- Caos?

- Sim, um caos. Eu não sei o que fazer, estou atraída, sei que ele sente o mesmo, só que... é tudo bem complicado... e eu não gosto de perder. - Revirei os olhos.

- Transem escondidos, Raquel. Vocês são adultos, ninguém precisa saber. - Disse e eu sorri.

- É perigoso, e ele tem mais medo que eu. Ele faz o tipo “filho da puta disfarçado”.

- Que tipo de filha da puta disfarçado? – Perguntou sorrindo.

- Do tipo que me atiça e depois foge sem terminar o que começou. – Disse e ela abriu a boca em surpresa e depois riu.

- Faz jus a personalidade dele. – Negou com a cabeça enquanto sorria. - E sobre transarem em segredo, não disse que não era perigoso. - Sorriu de lado. - Só que às vezes, o perigo é bom. - Piscou um dos olhos. - Porém, muito cuidado. Se alguém ficar sabendo, sua reputação e do Marquina, vão para o espaço. - Disse séria e eu assenti em concordância. - E eu creio que vocês devem valorizar bastante a vida acadêmica de vocês.

- Ele está me deixando tão louca, Alicia. - Respirei fundo.

- Tudo isso em uma semana. - Sorriu de lado e estendeu os braços para cima em uma forma de exercitá-los.

- Como o seu corpo aguenta, Alicia? - Perguntei e ela riu.

- Raquel, eu até já transei hoje de manhã. - Revirei os olhos no mesmo segundo.

- Informação demais, Alicia. Você é casada com o meu irmão. Eu não quero imaginar vocês dois. - Fiz cara de nojo. - Mas você e ele não estavam tendo problemas sexuais por falta de tempo? - Estiquei os braços para cima também, imitando os movimentos dela.

- É, mas ontem conseguimos arranjar um tempo na nossa agenda, saímos para jantar e...

- Seu limite de informações foi atingido. - Sorri e ela jogou a cabeça para trás rindo.

- Deixa de ser chata, Raquel. Seu mal é falta de sexo. - Disse e eu revirei os olhos mais uma vez. - Uma noite de sexo e você vai ficar revigorada. Sabe? Se você se sentir culpada demais por querer transar com o Marquina... Tenta sair com outro cara. - Deu de ombros. - Há muitos homens bonitos em Madri, principalmente naquela universidade. - Sorriu. - E você pode sair com professores que não são seus professores, o perrengue é menor. - Sorriu de lado.

- Eu não quero sair com outro cara. Quero o Sérgio. - Disse decididamente e ela negou com a cabeça enquanto me olhava.

- Quando você coloca uma coisa na cabeça ninguém tira, não é, Raquel? - Perguntou e eu sorri.

- Não, ninguém tira. - Disse e ela negou com a cabeça, seu olhar dizia totalmente algo como:

“Raquel, você vai se ferrar. É o último aviso.”

Era o último aviso e eu não iria ouvir.

[...]

A noite passada era como um filme colocado no modo de repetir, o tempo todo sendo exibido em minha mente. Eu mal conseguia aceitar que aquilo havia acontecido. Eu literalmente quase havia transado com uma de minhas alunas e a única coisa que fazia minha consciência pesar no momento, era justamente o fato de não termos transado, de tê-la deixado sair do meu carro sem estar satisfeita e com muita raiva de mim. Eu só acreditava que havia sido real por conta do vestido molhado que ela deixou no banco de carona do meu carro.

Assim que cheguei na sala de aula, procurei por Raquel com o olhar e ela não estava. Milhões de coisas passaram-se pela minha cabeça, principalmente quando a vi entrar na sala com uma pasta, um sorriso maldoso e algumas folhas de papel grampeadas. Raquel estava com os cabelos soltos e usava uma saia preta e uma blusa de gola alta de cor cinza.

Eu tinha que admitir: A respondona do doutorado era simplesmente belíssima, do tipo que deixa homens nervosos.

Ela passou pela minha mesa e colocou as folhas ali, senti meu coração quase sair pela boca, engoli em seco no mesmo momento. Ela parou na frente da minha mesa e me olhou como se esperasse a minha reação. Ela possuía uma expressão debochada e eu simplesmente tive medo do que podia conter naqueles papéis.

A minha teoria era de que aquele papel com certeza deveria ser uma carta de solicitação da minha presença na sala da diretoria por assédio sexual contra uma aluna. Era perfeito, ela conseguiria mudar de orientador por justa causa, e ainda acabaria com a minha reputação pelo resto de minha vida.

Ela seria tão má assim? Ao ponto de fazer calúnia? Porém, eu merecia uma vingança depois de ter sido um idiota com ela na noite passada.

Segurei as folhas em minhas mãos e me acalmei ao ler o título, era apenas o artigo sobre a obra “Lolita”.

Quanta paranoia, Sérgio. Quanta imaginação.

- É só o seu artigo. - Disse e soltei o ar que eu estava prendendo.

- Sim, é só o meu artigo. O que pensou que era? - Perguntou e eu neguei com a cabeça.

- Nada, é só que depois da noite passada...

- O que houve na noite passada? - Fingiu-se de desentendida. - Eu só me lembro de termos discutido a minha tese, e logo depois você respeitosamente me levou para casa. - Tombou a cabeça para o lado e sorriu.

- Sim, só discutimos a sua tese e eu te levei para casa. Respeitosamente. - Empurrei os meus óculos para trás.

- Foi o que eu pensei. - Disse e sentou em uma cadeira perto da minha mesa, a primeira cadeira, da primeira fileira.

Interessante.

- Como fez esse artigo tão rápido? - Perguntei e ela sorriu.

- Caso tenha esquecido, eu sou bem inteligente, professor.

- Espero que a qualidade seja tão boa quanto a velocidade. - Disse e ela assentiu com veemência.

- Pode apostar que sim. - Ela mordeu o lábio e cruzou as pernas, deixando a meia da lingerie à mostra. Era um modelo de cor preta com rendas no começo e uma cinta-liga que eu fiquei curioso para ver onde terminava. Subi o olhar e ela havia percebido o que eu estava fazendo, um sorriso logo pairou por seus lábios rosados e eu senti meu rosto esquentar, com certeza eu havia ficado vermelho.

A saia que ela estava usando não era curta, mas a forma que ela havia sentado, em um ângulo perfeito para que eu conseguisse ver aquela meia, era claramente uma provocação. Olhei em seus olhos com certa repreensão no olhar e ela ergueu uma das sobrancelhas, zombando de mim. Raquel sabia o efeito que estava possuindo sobre mim desde que havia entrado por aquela sala pela primeira vez. Limpei a garganta e me coloquei de pé, me apoiando na beirada da mesa.

- Boa noite classe, a matéria de hoje é de teoria da literatura. E como hoje é a primeira aula do semestre, gostaria de começar com análise e interpretação de poesias e poemas. - Andei pela sala e mais uma vez encontrei o olhar de Raquel. Liguei o projetor com os slides e ela me olhou interessada, por que eu não conseguia retirar os olhos dos dela?

Eu tinha medo que as pessoas começassem a perceber aqueles meus olhares, aí então eu poderia me declarar muito mais ferrado do que eu já estava naquela história toda. O bom, é que aquela era a última aula da semana que eu teria com ela.

Era bom, e ao mesmo tempo ruim.

- Irei começar falando sobre interpretações gerais e interpretações subjetivas. - Passei o slide na tela, usando um pequeno controle e alguns dos alunos me olhavam atentos e outros queriam dormir. - Há vários temas que podem ser tratados em poesias e poemas. O amor, a tristeza, a dor...

- A atração. - Raquel disse enquanto anotava algo em seu caderno. A encarei por alguns segundos e assenti em concordância, a atração sexual também era um tema recorrente entre os poetas, mas eu sabia também que ela só estava falando aquilo para poder observar a minha reação.

- Sim, a atração também é um tema muito presente em poesias, poemas...

- Em músicas. Músicas também são poesia, não? - Perguntou e eu assenti.

- Claro que são. - Disse e ela assentiu. - Porém, quero focar no meio textual. - Disse e ela sorriu.

- Falar de músicas na introdução da aula seria dinâmico. - Disse e eu a olhei sério.

- Quer me ensinar como eu devo dar a minha aula, Senhorita Murillo? Pensei que eu era o professor aqui. - Disse e a sala quase inteira arregalou os olhos, inclusive Raquel.

- Na verdade, eu só queria dar uma sugestão. - Disse e eu quase deixei meu coração amolecer um pouco pela forma com a qual ela me olhava.

- Guarde suas sugestões para você. - Disse e ela abriu a boca desacreditada e sorriu irônica logo depois.

- Nossa, eu achei que estava em uma aula e não em uma ditadura nazista. - Disse e eu sorri ainda mais irônico que ela.

- Enxergue como quiser, Senhorita Murillo. Mas não fique dando opiniões que eu não pedi na forma com que eu exerço a minha profissão. - Disse e ela negou com a cabeça.

- O ego às vezes derruba as pessoas, sabia, professor? - Perguntou e eu sorri.

- Sim, inclusive esse aviso serve para você. - Alguns alunos riam disfarçadamente e outros apenas observavam a cena sem demonstrar uma reação. Porém, havia se instalado um silêncio terrível enquanto eu e Raquel nos encarávamos em total enfrentamento. - Sem respostas, Senhorita Murillo? - Perguntei e empurrei meus óculos para trás.

- Sem respostas, professor. - Disse e eu assenti sorrindo.

- Sinto que devo recomeçar a aula. - Disse e ela balançou o lápis que segurava entre os dedos.

- Sinto que mesmo com os seus milhões de mestrados e doutorados você não entendeu que poesia, a gente sente. Não precisa ser um texto literário, pode ser uma música, um filme, um instrumental, ou até mesmo um sentimento. Isso é uma coisa que apenas a vida pode te ensinar. - Ela rebateu e eu respirei fundo. - Mas você não deve viver muito, estou certa?

- Olha, Raquel Murillo. Se você não está satisfeita com a forma com a qual estou abordando os assuntos na minha aula, a convido a retirar-se da minha aula. - Dei ênfase no “minha”.

- Pois bem. - Ela colocou o caderno dentro da pasta que trazia e levantou da cadeira indo em direção a porta.

- Lembre-se que são exatamente quatro faltas no seu currículo se você sair por essa porta. - Disse e ela assentiu.

- Prefiro as quatro faltas do que ter que te ouvir falando essas porcarias. - Disse e a sala mostrou uma reação de adolescentes, uns riam da situação e outros ficavam chocados com o que estava acontecendo. - E o limite são doze faltas, certo? - Sorriu irônica e saiu pela porta, eu respirei fundo e fechei as mãos em punhos vendo uns vinte pares de olhos me observando atentos.

Recomecei a aula, mas não conseguia me concentrar em absolutamente nada, a única coisa que eu conseguia pensar era em Raquel.

Assim que finalizei a aula, esperei todos os alunos saírem da sala e fui procurar por Raquel, não a encontrando em lugar nenhum do corredor de letras. Respirei fundo e desci as escadas, a vendo na sala de música pela porta entreaberta.

O que ela estava fazendo ali?

Ela estava em frente ao piano, tocando uma música que eu não conhecia, mas que era extremamente bonita. O que mais me surpreendeu foi ela saber tocar piano de forma tão bonita e calma, aquela atitude parecia contrastar-se com a personalidade dela. Ela tocava graciosamente e acompanhava o instrumental belíssimo e sedutor com algumas palavras em italiano. O idioma logo remeteu aos meus pais que eram de nacionalidade italiana.

Havia uma melancolia bela no instrumental da música. Algo nostálgico e repleto de tristeza, e ao mesmo tempo tão romântico e sedutor que chegava a ser doloroso.

- Ah, ah, ah, ciao amore. - Cantou baixinho e eu abri a porta totalmente.

- Raquel? - Perguntei e ela retirou as mãos das teclas de uma só vez durante o susto. - Desculpa, não era a minha intenção te assustar.

- É? Você chega assim na surdina e depois ainda chama meu nome nesse tom de voz autoritário e depois simplesmente diz que não queria me assustar. - Disse com um tom de mágoa na voz e eu adentrei a sala, me aproximando dela e sentando ao seu lado na frente do piano. Alguns segundos de silêncio passaram-se e eu passei os dedos por algumas teclas, acabando com o silêncio entre nós dois.

- Vamos conversar? Como adultos? - Perguntei a olhando sério e ela assentiu. - Não imaginei que soubesse tocar piano. - Disse e ela me olhou de lado.

- Sim, eu toco piano, danço em boates de striptease... Gosto de manter um equilíbrio. - Comentou e eu ri.

- Que música estava tocando? O instrumental é belíssimo, mas eu nunca tinha ouvido antes. - Disse e ela me olhou de lado.

- O nome da música é Salvatore, é de uma cantora jovem, Lana Del Rey. - Sorriu de lado. - Gosto muito pelo instrumental também, porém você precisa escutar na voz dela, é simplesmente perfeito. - Disse e eu assenti. - Me remete à época que morei na Itália.

- Também morei na Itália durante a minha infância e adolescência. Meus pais eram italianos. - Disse e ela assentiu.

Por que eu estava contando a minha vida pessoal para ela?

- Então, você fala italiano? É a sua língua materna? - Perguntou curiosa, me olhando atentamente.

- Falo, falo sim e é a minha língua materna. Porém, falo apenas o pouco que me lembro, me acostumei muito mais com espanhol depois que me mudei. - Sorri um pouco sem graça. - Me mudei de lá, eu ainda era muito jovem. - Disse e dei de ombros.

- Você nasceu na Itália? - Perguntou e eu assenti. - Por que se mudou? - Indagou e aquela pergunta tocou em um ponto ainda doloroso dentro de mim.

- Aconteceram coisas que... - Comecei, mas parei, eu não queria falar sobre nada daquilo. - Enfim, aconteceram coisas. - Ela assentiu, parecendo compreender o que eu sentia. - Me desculpe por mais cedo. Talvez eu tenha deixado o meu ego extrapolar os limites. - Disse e ela apenas olhava para o piano, totalmente calada, o que não era o feitio dela. Logo, quando ela se comportava assim era um pouco estranho.

- Você sempre deixa o seu ego extrapolar os limites. - Disse, ainda sem me olhar, apenas passando os dedos pelas teclas do piano. - Quando não deixa o seu ego, deixa o seu medo. - Disse e eu respirei fundo. - Porém, eu te devo desculpas por ser tão inconsequente às vezes. - Apertou uma tecla com força, fazendo um barulho agudo e eu fiz uma careta que a fez rir. Ela fez aquele movimento mais uma vez e eu segurei sua mão, a fazendo gargalhar. - Você toca algum instrumento? - Perguntou interessada.

- Piano e violino. - Disse e ela assentiu.

- Não esperava menos de você, phdeus perfeitinho. - Brincou e eu estreitei os olhos.

- Phdeus? Então é assim que você me chama? - Perguntei e ela riu.

- Também é assim que eu chamo a Alicia, o Andrés... Não se sinta exclusivo. - Sorriu de lado.

- Nossa, pensei que era um apelido só meu.

- Ficou decepcionado? - Perguntou em tom de brincadeira e eu sorri.

- Confesso que um pouco. - Disse e ela riu negando com a cabeça. - O que mais você faz além de tocar piano, ler clássicos e dançar em boates de striptease? - Perguntei e ela riu, me dando um leve tapa no ombro.

- Eu discuto com os meus professores de doutorado como se estivesse na adolescência. - Disse e eu assenti sorrindo. - Na pré-adolescência para falar a verdade. Colocou o dedo na tecla novamente e a apertou, fazendo o barulho estridente mais uma vez.

- Você gosta de me irritar, hein? - Perguntei e segurei suas duas mãos entre as minhas.

- Você fica ainda mais bonito irritado. - Disse e sorriu, colocando o lábio inferior entre os dentes, me olhando com desejo. - Fico imaginando quais são as expressões que você faz durante o sexo. - Disse e eu arregalei os olhos e engoli em seco.

- Raquel. - Repreendi e ela riu. - Estávamos pela primeira vez tendo uma conversa quase saudável e ela atrapalhou isso. Porém, eu não podia negar que havia gostado de saber que ela me imaginava durante o sexo.

- Desculpa, por não poder falar sobre a minha imaginação. - Sorriu de lado e alcançou a bolsa no chão, tirando de lá um isqueiro de cor prata e uma carteira de cigarros, ela a abriu e tirou um, o acendendo com o isqueiro.

- Não pode fumar dentro dos edifícios da universidade. - Disse e ela sorriu, expirando a fumaça.

- É mesmo, é? Se não vão fazer o que? Anular a minha vaga? - Zombou e eu neguei com a cabeça. - Você irá me dedurar? - Levantou as sobrancelhas.

- Você realmente gosta de brincar com o fogo. - Disse e ela assentiu.

- Sim, eu gosto.

- Mesmo sabendo que pode se queimar? - Perguntei e ela deu de ombros.

- Algumas vezes vale a pena, sabe? - Expirou fumaça mais uma vez e aquilo me atraiu de alguma forma que eu nunca saberia explicar.

- Fiquei pensando no que você disse. - Ela me olhou curiosa e estreitou os olhos para mim. - Sobre a poesia estar em muitos mais lugares do que apenas em textos. É claro que eu já sabia disso, não sou burro. - Empurrei os óculos para trás e ela riu. - Mas nunca senti isso da forma que você disse. - Ela me olhou confusa e eu respirei fundo. Eu estava me perdendo na minha própria explicação. - Digo, quando sentimos a poesia em sentimentos e não em algo escrito ou visual... é...

- Eu já entendi. - Ela pousou a mão na minha coxa como se me acalmasse. - Quando me beijou na noite passada, Sérgio... o que sentiu? Além de tesão, é claro.

- Uma sensação de... prazer? - Perguntei e ela sorriu. - Eu não sei, foram muitas sensações em poucos minutos. - Disse e empurrei os meus óculos para trás novamente.

- Você poderia facilmente escrever uma poesia sobre aquilo, não? Mesmo que não saiba descrever exatamente as sensações. Foram sensações únicas, não? - Riu. - O que eu quero dizer é que quase tudo que sentimos possui esse lado poético. - Deu de ombros e eu assenti. - Mas nem sempre estamos preparados para ver, entende? - Perguntou e eu assenti.

Queria dizê-la que já acordava pensando em qual seria a pauta de nossas brigas do dia, porque era a primeira vez em tantos anos, que eu estava me sentindo vivo. Havia poesia nisso.

- Devíamos estar começando a nossa discussão de tese. - Disse e ela assentiu.

- Sim, devíamos. Mas, não é o que queremos fazer, é? - Perguntou, aproximando-se um pouco mais de mim e passando os dedos pela minha gravata. Subindo ligeiramente pelo meu pescoço, enquanto me olhava nos olhos.

- Encontrei vocês. - Andrés entrou na sala de música e ela rapidamente retirou a mão que estava em meu pescoço. - Atrapalho algo? - Perguntou estreitando os olhos e eu levantei no mesmo segundo.

- Claro que não. Por que estava nos procurando? - Perguntei e ele sorriu.

- O reitor acabou de marcar uma reunião de última hora com os alunos de mestrado e doutorado e seus digníssimos professores. - Sorriu de lado. - Vocês estão intimados a comparecer. - Disse e eu assenti. - Boa noite, maninha. Há tempos que não te vejo. - Sorriu mais abertamente. - Está muito bonita hoje.

- Você só não me viu ontem. - Disse séria. - E hoje eu passei pela sua casa para buscar a Alicia para a nossa corrida. - Disse e ele assentiu.

- Ah, é verdade. Mas eu estava no banho. - Deu de ombros. - Só ouvi a sua voz reclamando do horário. - Riu. - Bom, estejam no auditório. - Disse e saiu da sala, me deixando sozinho com Raquel novamente.

- Vamos? - Perguntei e ela assentiu, pegando a bolsa do chão e a colocando em um dos ombros, juntamente com a pasta que ela apoiou no braço esquerdo. Saímos da sala em silêncio, um ao lado do outro e andamos até o auditório, assim que eu me direcionei para as cadeiras da primeira fileira, ela me puxou para as cadeiras do fundo da sala, onde era escuro e não havia ninguém. - Raquel. - Repreendi, mas a segui, sentando ao seu lado.

- Para que quer ir lá para a frente? Quando o reitor ligar o microfone, pode ter certeza que as pessoas sentadas na primeira fileira irão perder os tímpanos. - Disse e eu sorri assentindo. - Apenas estou poupando a saúde de nossos ouvidos. Quer um chiclete? - Perguntou, me oferecendo uma caixinha rosada que ela havia tirado da bolsa.

- Não, obrigado. Não sou muito fã de chiclete. - Disse e ela revirou os olhos.

- Você não é muito fã de absolutamente nada. - Disse e eu sorri.

- Sou fã de silêncio.

- Que previsível. - Disse e eu sorri.

- Em comparação a você, realmente.

- Como assim? - Perguntou estreitando os olhos.

- Quero dizer que você pode tanto estar dançando no palco de uma boate e logo depois estar tocando uma sinfonia de Beethoven no piano. - Disse e ela riu. - É sério, é uma linha bem tênue que até agora você é a única pessoa que eu conheço capaz de atingir essa linha.

- Bom ponto. - Brincou e eu sorri.

- Sou muito bom em encontrar pontos.

- Sério, tipo o ponto G? - Perguntou e eu revirei os olhos.

- Eu não consigo acreditar que você trouxe conteúdo sexual para as nossas conversas novamente. - Disse e ela sorriu.

- “Conteúdo sexual”. - Repetiu, fazendo aspas no ar e rindo, olhei ao redor, agradecendo aos céus por não ter ninguém ali ouvindo as nossas conversas. - Eu só falei sobre um ponto específico muito importante no corpo da mulher. Conhece? - Perguntou e eu revirei os olhos mais uma vez enquanto massageava as minhas têmporas.

- Sim, conheço. Agora podemos parar de falar sobre esses assuntos?

- Ah, Sérgio. É que quando você falou em encontrar pontos, eu não pude perder a piada. - Disse sorrindo.

- Perde o orientador, mas não perde a piada. - Disse e ela sorriu, buscando por algo dentro da bolsa, tirou de lá um cigarro e o isqueiro. - Raquel, estamos no auditório. - Repreendi, mas ela já havia acendido o cigarro.

- Estamos na última fileira, professor. Quem vai ver a gente aqui? - Perguntou e eu sorri de lado, a vendo inspirar e expirar a fumaça.

Por que a forma com que ela fazia aquilo era tão sexy?

- Boa noite, ouvintes. Queridos professores e professores que são alunos. - O reitor começou e Raquel revirou os olhos.

- Que piadinha engraçada, hein? Professores que são alunos... - Disse e eu ri.

- O Tamayo adora essas piadinhas, ele acha que alegra o nosso dia. - Disse e ela deu de ombros enquanto sorria.

- Esse será um semestre muito especial aqui na universidade de Madri. - Tamayo disse com um sorriso no rosto e eu e Raquel nos entreolhamos. - Fomos convidados a participar de uma premiação que acontecerá em Veneza, na Itália. O melhor projeto de doutorado ou mestrado, será o premiado da vez, e o aluno e o professor em questão irão comparecer a viagem. O evento acontecerá na maior biblioteca da cidade, “A biblioteca Nazionale Marciana”. Este grandioso evento contará com três dias de conferências e aulas que irão agregar muito no currículo de vocês, e no último dia será a premiação formal.

- Já sabemos que não irá ser o seu trabalho. - Comentei e ela me olhou de soslaio.

- Obrigada por duvidar da minha capacidade, isso foi bastante didático. - Disse com um sorriso malicioso no rosto.

- Vai começar a falar sobre a minha didática novamente?

- Que didática? A que você não tem?

- Touché, Raquel. - Disse e ela sorriu de lado.

- Veneza... – Sorriu de lado. – Soa como uma lua de mel. Mas já imaginou, eu e você sozinhos na Itália? Íamos acabar transando, hein? - Perguntou e eu coloquei dois de meus dedos sobre os lábios dela, em intenção que ela parasse.

- Se alguém ouvir isso, nós estamos ferrados. - Disse e ela revirou os olhos, como se aquilo não fosse nada.

- Você é tão medroso. - Ela se afundou na cadeira de couro e apagou o cigarro na parte plástica da cadeira da frente. - Eu ainda não conhecia o reitor, ele parece muito estressado.

- Isso porque você não o viu em época de formatura, ele literalmente grita por absolutamente qualquer coisa. - Tamayo continuava falando sobre as vantagens da viagem e daquela premiação reconhecida na Europa inteira e pela primeira vez, eu não estava preocupado com o próximo prêmio que eu ganharia para enfeitar a minha estante e apenas conseguia olhar para Raquel totalmente atenta aos avisos com um semblante sério.

- Sabe? Isso pode virar um código apenas nosso. - Sorriu de lado.

- Isso o que? - Perguntei confuso.

- Isso aqui. - Colocou dois dedos em cima de meus lábios e sorriu totalmente. - Agora quando quiser falar comigo, pode colocar os dois dedos ligeiramente sobre os lábios, será algo nosso. - Disse e eu sorri.

- Por que? - Perguntei um pouco confuso.

- Porque as pessoas gostam de ter sinais únicos com os amigos, Sérgio. Piadas internas... - Revirou os olhos. - Não somos amigos, amigos... É só algo entre a gente. Oras... - Revirou os olhos e eu dei de ombros, voltando a sorrir.

- Eu entendi, Raquel. Só estava brincando com você. - Disse e ela revirou os olhos.

- Seu tipo de humor é doentio. Me constrange. - Comentou e eu sorri irônico. - Vai continuar ouvindo o reitor falar sobre essa conferência em Veneza ou vamos sair de fininho e começar a aula? - Perguntou sussurrando e eu a encarei sério.

- Eu não costumo sair de fininho. - Disse e ela sorriu.

- Para tudo se tem uma primeira vez. - Ela levantou e logo se abaixou, me puxando pela mão para sairmos dali e me obrigando a fazer o mesmo que ela. Fomos até a saída e voltamos a estar de pé. - Biblioteca ou sala de aula? - Perguntou e eu pensei por alguns segundos, analisando o que nos daria mais vantagem.

- Acho que a sala de aula. Está mais perto. - Disse e ela assentiu. Andamos até as escadas e ela subiu primeiro, eu a segui com o olhar e comecei a andar também.

- Não vem não, professor? - Perguntou ao chegar no topo das escadas e eu assenti, subindo os degraus mais rapidamente.

Assim que entramos, eu fechei a porta e madre mía, por que o clima entre nós parecia ter mudado? Primeiro havíamos brigado, depois passado para um clima “amigável” e no momento... No momento eu não sabia o que estava acontecendo. Agora ela estava sentada na beirada da mesa com um livro em uma das mãos, com a maldita meia aparecendo novamente.

- Hoje ficamos para começar por onde? - Perguntei e ela deu de ombros.

- Já decidimos o tema, já fizemos algumas pesquisas, ficamos para decidir a estrutura do texto e tudo mais. - Sorriu de lado. - Aquelas burocracias... - Revirou os olhos e eu sentei em uma cadeira na sua frente, péssima ideia de ângulo. Joder.

- Acho melhor que você não fique sentada na mesa. - Disse e ela tombou a cabeça para o lado.

- Por que? - Perguntou interessada e provocante.

- Porque a mesa não foi feita para você ficar sentada nela. - Disse e ela revirou os olhos enquanto sorria.

- Você é muito careta, professor. - Mordeu o lábio inferior e descruzou as pernas, para as balançar de forma contínua e incomodativa. Coloquei a mão em seu tornozelo, na intenção de que ela parasse.

- Está tentando me seduzir novamente, Raquel? - Perguntei e ela sorriu.

- Estou conseguindo? - Perguntou e eu ainda mantinha a mão ao redor de seu tornozelo e os olhos focados nos dela.

- Qual era a dúvida que você tinha quando me mandou aquela mensagem em meu celular? - Perguntei e ela sorriu, ainda com o lábio inferior entre os dentes.

- Quer mesmo saber? - Perguntou e eu assenti.

- Se eu estou perguntando, é porque quero.

- Está mais ousado nas respostas. - Sorriu mais ainda. - Não era uma dúvida acadêmica. - Lambeu os lábios e eu acompanhei o movimento com o olhar.

- Era uma dúvida sobre o que? - Perguntei e ela parou de sorrir.

- Queria saber como você estava se sentindo depois daquilo na boate, se você estava excitado... - Mordeu o lábio inferior enquanto continuava olhando nos meus olhos. Nós havíamos ido ali para discutir um projeto de doutorado e agora simplesmente estávamos daquela forma. - Estava, Sérgio? - Perguntou e tombou o corpo um pouco para trás, apoiando-se nas mãos.

- Você estava? - Perguntei e ela sorriu.

- Você apenas está virando a pergunta, em vez de me responder. - Disse e sorriu de lado. - Sim, eu estava excitada pelo que aconteceu na boate, porém ontem eu fiquei mais. - Disse e eu subi um pouco mais a mão na perna dela, passando os dedos pela parte de dentro de seu joelho. - Está curioso para ver como termina essa meia, não está? - Perguntei e eu apenas a encarei.

- Digamos que eu esteja. - Disse e ela sorriu me olhando.

- Então, por que não sobe mais a sua mão? - Subi a mão por sua coxa, assim como ela havia dito e afastei para cima, a barra da saia que ela usava. Em um movimento calmo, levei a outra mão para a outra coxa dela, agora afastando a barra da saia com as duas mãos. Passei os olhos por sua pele, o tecido preto da saia muito acima das coxas – quase nos quadris – e a meia terminava ligada a uma calcinha da mesma cor, com rendas do mesmo tipo de tecido.

Acariciei a parte de cima de suas coxas, e subi até os quadris, sem conseguir parar de olhar para a pele descoberta. Eu parecia um garoto bobo que via uma mulher seminua pela primeira vez. Ela moveu uma das mãos que estava na mesa e segurou meu queixo com a ponta dos dedos, me fazendo levantar o rosto.

- Está gostando da visão, professor? - Perguntou e a puxei um pouco mais em minha direção, ela riu e mordeu o lábio em seguida.

- E você está gostando de para onde minhas mãos estão indo? Porque eu tenho certeza que você deve estar molhada. - Disse e ela arregalou os olhos em surpresa por minhas palavras.

- Por que não comprova? - Perguntou e eu movi um de meus dedos para a parte de cima de sua calcinha. Me levantei, ficando de pé e a puxei para um beijo.

Eu queria me controlar, mas estava tornando-se impossível me controlar com ela. Era difícil negar fogo, quando esse fogo estava sendo pedido por Raquel Murillo. Enrosquei minha mão em seus cabelos e a puxei ainda mais para mim, ela correspondeu e posicionou as duas mãos em meus ombros, mas logo subiu para o pescoço.

- Está excitado, professor? - Perguntou em meu ouvido. Joder.

- Sim, estou. Não era o que você queria? - Perguntei e ela riu, me empurrando para trás bruscamente e descendo da mesa.

- Pois bem, era sim. - Disse e abaixou a saia, a colocando na forma correta.

- O que você está fazendo? - Perguntei, apesar de saber a resposta.

- O que você acha? - Perguntou com um sorriso debochado. - Lição do dia, professor. - Aproximou o corpo do meu. - Não é muito ético deixar alguém excitado e não terminar o que começou. - Disse e eu a puxei pela cintura, mas ela empurrou as minhas mãos.

- Então, é vingança?

- Acerto de contas. - Disse e eu ri irônico. - Tem mais. Como lição de casa, espero que você pense muito em mim. - Levou o olhar ligeiramente para baixo, especificamente para baixo, para minha ereção. - Tenha uma noite boa, professor. - Sorriu e alcançou a bolsa e a pasta que estavam em cima da mesa.

- Eu acho que te odeio. - Disse e ela virou-se para trás com um sorriso, parando em frente a porta.

- Eu acho que o sentimento é recíproco. - Afirmou e saiu da sala, batendo a porta e me deixando sozinho. 

Era oficial, um jogo havia começado, e eu só conseguia pensar o que seriam dos próximos seis meses.



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