História Take Me To Church - Capítulo 15


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Anti-homofobia, Crítica, Fanfic Pesada, Homofobia, Kyravee, Minjoon, Namjoon!centric, Nammin, Violencia, Yoonseok
Visualizações 136
Palavras 4.100
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sadomasoquismo, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


i love you guys ♡

Capítulo 15 - Amém, amém, amém.


Amen, amen, amen

 

2013. Parintins. AM.

21 de janeiro.

 

O desfibrilador em meu tórax; uma descarga elétrica em meu corpo para que meu coração voltasse a bombear o sangue devidamente.

Lembro de abrir os olhos com dificuldade ao sentir o pulsar da vida iluminar-me novamente. Os paramédicos sorriram em contentamento, mas permaneceram com as massagens cardíacas.

A sirene fazia a minha cabeça latejar, não era somente uma ambulância a indicar urgência.

Meu pulmão doía, e novamente senti meu coração parar. Uma pontada forte junto da sensação de um golpe em minha cabeça. O cérebro entra em pane, escuto alguns sussurros antes de voltar à estaca zero.

Em minhas memórias está nítido que a falta de ar foi a primeira coisa que senti após ter sido “acordado” pela primeira vez, e depois de ter meu pulmão quase declarado a falência eu simplesmente apaguei.

 

 

Abri meus olhos, dessa vez o desespero dominava as minhas veias. Desespero por sentir meu pulmão trabalhando com a ajuda de um aparelho de oxigênio enquanto uma descarga elétrica percorria meu corpo. O desespero de ter sido “acordado” uma segunda vez.

Consegui olhar a minha volta, estávamos em uma cidade. Turbulência em minha cabeça. As luzes me confundiam e o aparelho respiratório parecia não ser suficiente para me manter vivo. A maca se mexia, correria, muitas ambulâncias, muitos feridos, todos acompanhados pela polícia. Olhos grudados em todos nós, os pacientes da clínica de cura gay que não tinham força alguma.

Adentraram o hospital velozmente, visar o teto com tanta rapidez fez-me o coração doer novamente. Virei meu rosto para não ter de fitar o teto. Não sei se o que fez meu coração parar de bater pela terceira vez se fora a surpresa, a tristeza ou porque eu simplesmente estava tendo um ataque cardíaco, mas assim que olhei para meu lado direito tive de contemplar Hoseok com as costas ensanguentadas, gemendo de dor.

Meu olhar fora correspondido antes que eu apagasse, Jung encarou-me e parou por dois segundos de gemer, gritando assim que meus olhos se fecharam.

NAMJOON! – E o coração parou.

 

 

Eu, Kim Namjoon, sou conhecido como a drag queen que foi ressuscitada três vezes em uma noite. A descarga de 300 joules reviveu-me uma terceira vez; agora eu visava um quarto, três enfermeiros e um médico, soro em minhas veias se misturando com meu sangue, um aparelho respiratório enorme e a sensação de que eu deveria estar morto me dominando quase que totalmente.

Os minutos se passaram lentamente, dando-me a oportunidade de sentir alívio. Meus ouvidos não escutavam mais os gritos infernais e dolorosos de antes, escutavam apenas os sons do aparelho respiratório e do monitor cardíaco.

Meu sorriso se formou em total fraqueza. Um enfermeiro sorriu com minha ação, tomando cuidado com os fios conectados as minhas veias e com meus batimentos cardíacos pelo monitor. Deixei meus olhos semicerrados, não possuía forças o suficiente para continuar com eles abertos totalmente.

Um toque em minha mão esquerda, movi a cabeça perdido em dores e em confusão mental. Sorri ao fitar o moreno deitado ao meu lado em outra cama, estávamos um quarto semiprivado. Hoseok correspondeu o meu sorriso, duas lágrimas desceram por suas bochechas, uma bolsa de sangue estava ligada a seu braço esquerdo enquanto ele esticava o braço direito para unir nossas mãos. Os dedos se entrelaçaram enquanto o barulho do meu monitor preocupava o médico.

Sobrevivemos! – Murmurou Hoseok, sorrindo para mim.

 

 

A minha última lembrança antes de entrar em coma fora o sorriso de Jung Hoseok. Como Min Yoongi já havia dito: seu sorriso era o mais belo do universo, tirá-lo de seus lábios era praticamente impossível, meu hyung adorava sorrir, adorava transmitir que tudo podia melhorar. Portanto, essa é a minha primeira lembrança de felicidade em dois anos.

Poucos segundos de paz.

 

 

 

Tragédia e ruína. Era o que minha mente visualizava sem parar! O sofrimento se repetia, um replay eterno das surras, das agressões, do sangue perdido. Queria me mexer, mas era impossível. Sentia-me amarrado a uma cama sem que meus membros tivessem a devida liberdade.

Eu não possuía memórias alegres o suficiente para que as desgraças recentes parassem de me atormentar!

Eu ainda via a garota seminua com os vergões em suas costas levantados de tanto apanhar, a nitidez de sua vagina manchada pelo sangue de ter sido violada por um dos homens repugnantes do local.

Meu cérebro permanecia a sentir dor pelos dias na clínica. As marcas em minhas costelas que me arrancaram tanto sangue nunca sumiriam. A humilhação, a surra, o sufoco. A asfixia ainda estava em minha mente. O homem enorme amarrando inúmeras vezes inúmeras cordas, cabos, em meu pescoço, queria que eu sentisse o que era não ter ar.

Os incontáveis dias em jejum, perdendo sangue, perdendo força, perdendo saúde. As horas repassavam e repassavam pelos meus pensamentos, parecia um ciclo inacabável de dor!

Beirava em desespero. Não conseguia abrir os olhos. Não conseguia fazer nada a não ser rever e rever as cenas nojentas e imundas daquele local. Eu queria gritar, mas eu parecia ser mudo.

O filme parou.

A clínica sumiu de minha mente; o que tomou seu lugar foram imagens ainda mais dolorosas!

O caco de vidro penetrava a pele dele, penetrava suas veias que jorravam sangue e o deixavam molhado pelo liquido escarlate.

Berros com sussurros, memórias em má ordem, lembranças misturadas.

Jeongguk ensanguentado, uma menor de idade se prostituindo, me dando drogas; as shots viradas com Yoongi, os socos no Min e no Jung, o vômito no banheiro escolar enquanto Jeon era quase abusado, os beijos de Jimin se intrometiam no meio das imagens confusas; desespero.

Os golpes em Rafael para defender Jungkook, os golpes em Rafael para defender Alice, a garrafa de vodka arremessada contra os rostos de meus amigos, novamente os lábios de Jimin juntos dos meus, o socos em meu pai. Destruí sua face, a ensanguentei com sua própria dor.

As cenas completamente desajeitadas em minha mente, me faziam querer correr, mas como eu não conseguia eu apenas me visualizava correndo para o orelhão na noite em que bati em meu pai. “Eu te amo” tudo o que pude dizer para Jimin.

Um vaso de flores estiraçar-se na cabeça de meu pai. O sangue sempre voltava a ser visto.

Respire, Namjoon; respire.

Você pode respirar!

 

 

 

O cheiro de rosas fez-me perceber que eu devia acordar.

Essa é tragédia de estar em coma: você não sabe que está em um sono profundo.

 

Um toque suave em minha mão direita, dedos pequenos e gordinhos acariciando os meus calmamente. O aroma das rosas me relaxava, principalmente com o carinho lento e delicado sobre minha pele. As palavras faziam bem aos meus ouvidos, não sabia se era pela doçura do timbre conhecido ou porque meu inconsciente sabia que estar escutando significava algo bom.

Apertei os dedinhos entre minha mão, virei meu rosto calmamente na direção da voz, ainda não tinha coragem de abrir meus olhos. Queria escutá-lo mais um pouco, a voz do Jimin sempre fora encantadora!

–Será que está tendo um pesadelo? – Sussurrou para si mesmo – Acho melhor prosseguirmos com a leitura, Joonie. “E, quando menos se espera, o sol aquece sua fronte tirando-lhe do casulo que até então o abraçava. O momento de viver chega sem aviso. Saímos das sombras das nossas próprias memórias. Deixamos as cinzas de nossos velhos corpos flutuarem nas lufadas da noite. E não acreditamos em nada, nem na guerra, nem na paz; nem nos sorrisos, nem nas lágrimas, só na incerteza de quem somos, e no...” – Acariciei sua mão com um de meus dedos o fazendo respirar de forma diferente. – “...e no bater de nossos corações.” – Finalmente abri meus olhos, mirando meu olhar no rosto atento às palavras do livro. Um copo plástico cheio de café em uma mesinha, ao longe com a coluna torta, mal posicionado em uma poltrona tentando se manter acordado mas com a cabeça caindo, Jeon Jungkook. Em uma mesa mais a frente, cinco vasos preenchidos por cinco buquês de rosas, cartas sobre a mesa e um enorme balão brilhante. Sorri. – Estou orgulhoso, Joonie, terminamos o segundo livro da trilogia de O Príncipe Gato em dois meses! – Jimin sussurrou fingindo entusiasmo, ao abaixar o livro e ver-me acordado a única coisa que fez foi gritar – OH CARALHO! – Jeon caiu da poltrona.

Jimin tinha as bochechas cheinhas coradas e os olhos transbordando em lágrimas. O cabelo tingido de rosa estava bagunçado e algumas partes já gritavam que precisavam de um retoque. Suas olheiras me preocuparam, mas não consegui manter a preocupação quando vi o seu enorme sorriso acompanhado de lágrimas brilhantes.

O rosado pulou em meu corpo, abraçando-me com toda a força que possuía. A felicidade de sentir seu coração bater sobre o meu peito era maior que a dor que me percorria. Assim que me soltou contemplei Jungkook com o semblante igual ao de Jimin, olheiras, bochechas coradas, lágrimas, entusiasmo. O que o diferenciava eram os lábios arroxeados, os de Jimin estavam vermelhos.

Foi a vez do moreno pular em meu corpo enquanto Jimin enxugava as próprias lágrimas, correspondi seu toque assim como fiz com Jimin e Jungkook também chorava. Saiu de cima de meu corpo com o maior sorriso do mundo, pedindo alguns segundos para poder respirar.

–Eu vou... Chamar... Os médicos! – Dizia pausadamente e ofegante, parecia beirar em felicidade. Fitei o Park, que apenas sorria e concordava com a cabeça. – E... a sua mãe... e-eu... – Jeongguk parecia nervoso e perdido, o que me fez sorrir. – Vou ligar para ela! – O mais novo então saiu correndo pela porta, desajeitado. Havia crescido, ganhado forma. Dois anos fizeram diferença em sua aparência.

–...Hey, you! – Murmurei ao ver Jimin me fitando. – Como chegou aqui tão rápido? – O garoto ficou cabisbaixo, sentou-se ao meu lado na cama.

–Eu cheguei há algum tempo. – Sussurrou, passou os dedos por minhas bochechas. – Eu não quero ser a pessoa que conta a você que você esteve em coma mas eu sou ela. – A voz trêmula pelo choro. – Desculpe! – Exclamou, deitando a cabeça sobre meu peitoral, chorando. Respirei fundo.

–...Há quanto tempo eu estou em coma? – Jimin apertou minha mão, estávamos com os dedos entrelaçados.

–Há dois meses e um dia. Hoje é dia 22 de março. – Suspirei. – Iam te levar para São Paulo se continuasse desacordado por mais uma semana, mas você... – Levantou a cabeça, queria enxugar suas lágrimas mas minha mão esquerda estava conectada aos aparelhos.

–Por favor, não chore! – Apertei sua mão. – Estou vivo, estou respirando. Com ajuda desses tubinhos que fazem cócegas, mas estou respirando. – Ele sorriu entre as lágrimas. – Eu estou aqui conversando com você. – Jiminie secou uma lágrima. – E vendo o quanto você não cresceu.

–Se eu pudesse te bater, eu batia. – Falou entre risos baixos. Voltou a chorar. Meu coração apertou. – Eu li pra você. – Comentou manhoso com voz de choro. O que me fez sorrir, mas conforme os segundos se passavam a vontade de chorar também se tornava presente. – Dois livros, terminamos o segundo antes. Eu sei que você adora gatos, então escolhi uma trilogia nacional sobre um príncipe gato, amigo de um rato, de um panda, que vive num mundo chamado Marshmallow, e no segundo livro aparece uma gata guerreira chamada Kyra. – Sorri.

–Eu provavelmente gostei do livro. – Sorri para o pequeno. – Quem deixou as flores? – Indaguei com o intuito de fazê-lo parar de chorar, algo que não funcionou.

–Hoseok deixou no nome dele e no nome de Yoongi o buquê de rosas vermelhas, Jungkook comprou as rosas-rosas e o balão brilhante, ele disse que eu parecia triste e você o disse uma vez que eu amava brilho, a senhora Kim comprou as rosas amarelas, minha mãe comprou os lírios a meu pedido, e o buquê de rosas roxas foi comprado em nome de um lugar chamado BY. – Sorri. – Eu li as cartas para você também... – Sussurrou se encolhendo.

–Pare de chorar! – Larguei sua mão e fui em direção do seu rosto. – Não precisa chorar, eu estou aqui!

–Eu não consigo! – Todas as suas lágrimas tomaram liberdade. O menino tocou em minha mão que se encontrava em sua bochecha, posicionando uma mão sobre meus dedos e outra ao redor de meu pulso. – Eu estou muito feliz de te ver acordado, de te ver “melhor”. – Desci minha mão para seu pescoço. – Por um momento eu pensei que eu ia te perder... Não somente um momento, mas todos os dias desde que você chegou aqui no hospital. Mesmo na clínica eu não tinha o pensamento que podia te perder para sempre, mas aqui... Eu nunca tive certeza se eu ouviria tua voz uma outra vez. – Uma lágrima deslizou pela minha pele. – Eu amo você, não posso te perder.

Não era como se sua fala precisasse de uma resposta, tudo o que eu precisava fazer era beijá-lo novamente. Senti meu corpo inteiro se reanimar, como se fosse uma descarga elétrica para me manter vivo. Seus lábios tocaram os meus com extrema suavidade, uma de suas mãos se apoiou em minha barriga enquanto a outra acariciava os meus dedos colados em seu pescoço.

Era um beijo calmo, delicado, o melhor beijo de minha vida. Era Park Jimin ali, todos seus beijos eram bons, mas aquele fora o mais memorável. Não sei se pela diversidade de emoções, pela saudade imensa ou pela dor intensa que fora apagada por alguns minutos.

 

–...Há alguns procedimentos que você precisa fazer... – Murmurava entre selinhos. – Eu vou te acompanhar em todos se quiser! – Sorri, abrindo os olhos enquanto o mesmo se deitava sobre meu peito.

–O médico está esperando você se levantar, Jiminie. – Sussurrei, vendo o garoto se recompor de imediato. Fitei Jeon apoiado no batente da porta, enxugava algumas lágrimas e fingia ter força. Típico.

Surpreendente. – O homem comentou enquanto analisava o meu monitor cardíaco. – Meu nome é Marcos, muito prazer, eu sou um dos médicos que cuidou de todo o seu diagnóstico. A doutora Denise também foi sua principal médica, em alguns instantes poderá vê-la. Você precisará de uma análise psicológica devido ao coma e todo seu repertório, mas você parece demonstrar um belo avanço. – Sorriu simpático. – Precisamos de mais alguns exames de segurança para te dar alta, mas até lá continue tranquilo que todos aqui só querem te ajudar! – Assenti. – Inclusive, sei que acabou de acordar, mas sua mãe é casada?

Eu juro pela mãe do Senhor que o desgraçado teve a audácia de perguntar isso. Acabo de acordar de um coma e o meu médico pergunta se minha mãe está disponível? Sorte dele que eu estou morrendo.

–Acho melhor não tocarmos nesse assunto. – Jungkook tomou a palavra. – Namjoon vai te matar com o olhar. – Sorriu para mim, fazendo-me mostrar a língua.

–Se está pronto para piadas está pronto para a análise. – O médico falou, parando de mexer nos aparelhos. – Irá ficar tudo bem!

 

 

 

O timbre adocicado de Park Jimin era como música para meus ouvidos, estar com ele me trazia uma imensidão de sentimentos intensos. Agradecia a Deus por ter ele ao meu lado justamente em um momento como esse: estávamos dentro de uma viatura indo por uma estrada terrivelmente ruim ao lugar que a clínica de cura gay se localizava.

Ao lado do policial havia uma psicóloga, e no banco de trás eu, Jimin e minha mãe nos encontrávamos. Eu só precisava fazer isto antes de sair do estado, antes de voltar para São Paulo. Era a segunda semana acordado, consciente, fiquei uma semana em observação e agora, após medicamentos, testes e exames, eu posso voltar a minha vida normal.

Eu era um dos poucos pacientes restantes que ainda não tinham dado depoimento. E devido ao meu coma os policiais e os psicólogos se mostraram bastante “curiosos” quanto o meu quarto naquela prisão. Compreendia a curiosidade, mas não achava necessário me levar até chacina de moral.

Apertei a mão de Jimin completamente nervoso assim que adentramos uma estrada de chão batido, eu lembrava daquelas árvores, daquele barro, daquele deslize dos pneus. E isso deixava-me bambo, trêmulo e assustado. Lembranças, traumas.

Adentramos a clínica, vimos a bagunça que aquele local havia se tornado. Foi a vez de minha mãe apertar minha mão, a mulher estava extremamente nervosa, arrisco em dizer que ela estava mais nervosa que eu. Abaixei a cabeça, evitando olhar para o local até que o carro fosse estacionado.

Saímos do mesmo respirando o ar puro do lugar isolado, minha mãe preferiu soltar minha mão e segurar suas próprias, as pressionando com força. Park permanecia com a mão colada a minha, se ele a soltasse eu iria com toda certeza voltar para o carro, eu não queria estar ali.

Caminhamos entre os corredores abandonados, as alas separadas, algumas louças jogadas no chão. Subimos dois andares até chegar no meu maldito corredor, a porta de meu quarto não existia mais, estava destroçada próxima as outras portas.

–...Estávamos curiosos para entender os desenhos. – A psicóloga disse gentil, acendendo a luz do cubículo.

As paredes estavam lotadas de desenhos, escritas em coreano. Alguns dos retratos feitos com sangue, outros feitos com pedaços de madeira que eu encontrava na horta, e outros a lápis quando um dos “terapeutas” dizia para escrevermos versículos da bíblia. Segurei Jimin comigo um pouco atrás da entrada do quarto, deixei que minha mãe adentrasse por primeiro.

A mais baixa estava tomada por sentimentos ruins, pedia perdão por não ter conseguido me tirar daquele lugar a cada cinco minutos. Permiti sua passagem pois notei os lábios trêmulos, os olhos semicerrados, as bochechas vermelhas, as mãos inquietas, eu a conhecia; ela não estava bem.

O salto nude ecoou pelo corredor, a mulher demorou alguns segundos para reagir a tudo e sua reação me deixou sem chão. A mulher caiu de joelhos, a bolsa despencou de seu braço e a morena começou a chorar. Seu choro ecoava e fazia meu coração arder em chamas.

Jimin pressionou minha mão, empurrando-me na direção de minha mãe. Suspirei, largando seus dedos e me ajoelhando ao lado da mais velha, a mesma tinha o rímel borrado pelas lágrimas incessante.

Apanhei sua mão, beijando a mesma delicadamente e sorrindo tristemente para a mulher.

–Isso é você? – Indagou, fitando os desenhos.

–É a minha drag. Minha “personagem”. – Murmurei, ela sorriu entre soluços.

–E o nome dela é Ryung-So? – Assenti, sorrindo abertamente para a morena. – É o meu nome... – Enxugou algumas lágrimas.

–É, mãe... – Foi a minha vez de ter uma lágrima a percorrer o rosto. – Desde pequeno eu sempre a admirei imensamente, sempre quis impressioná-la, demonstrar que era grato por ter me dado a vida, por ter me amado. Mesmo com os últimos anos sendo de puro ódio, a senhora provou que... – A mulher abaixou a cabeça, seu pescoço começou a ficar úmido. – Que me ama acima de tudo.

–Eu amo! – Exclamou em coreano, estava se afogando nas palavras. – Eu te amo tanto! Como eu fui capaz de te privar de ser quem você é? – A mais baixa me puxou com força para um abraço, esquecendo de minhas dores e apenas tentando diminuir as dela. – Me perdoe, eu tenho orgulho de você. – Sussurrou, ainda em coreano. Correspondi seu aperto, massageei seu cabelo.

–Por favor, aceite Jimin como parte da família. – A mulher balançou a cabeça positivamente. – Eu te perdoo. – Murmurei, a fazendo apertar-me mais.

–Quando poderei ver você... “interpretando” ela? – Indagou enquanto nos distanciávamos.

–Quando formos para São Paulo, eu prometo que a verá! – Me levantei, a morena permaneceu ajoelhada. – Continuará aqui? – Perguntei, ao observar que minha mãe ainda fitava os desenhos e chorava.

–E-eu... É o sangue no meu filho nessas paredes. – Meu emocional enfraqueceu com suas palavras. – O sangue dele é a única coisa que dá cor a esse lugar... – Se colocou em pé, indo diretamente a uma das silhuetas que desenhei. Seus dedos a tocaram suavemente.

–Mãe... Vamos embora. – Aclamei, me reaproximando de Jimin e agarrando sua mão de forma desesperada. Olhei para trás, o policial e a psicóloga não se encontravam mais ali, estavam em outro corredor. – Mãe, por favor, eu estou implorando, vamos embora! – Até mesmo Jimin tremeu ao ouvir o meu timbre.

Eu estava triste, eu estava desconfortável com a situação. Tudo o que passei parecia se repetir conforme os segundos que eu permanecia dentro daquela clínica, e tudo piorava ao ver que minha mãe sentia a mesma dor e confusão que eu. Era o filho dela que foi torturado, era – como ela disse – o sangue do filho dela.

A mulher andou até a bolsa apressada, transparecia uma mistura de sentimentos, raiva, tristeza, dor, além de parecer que nem ouvira minhas palavras. Ryung-So se abaixou, procurando de dentro da bolsa uma tesoura afiada, pontiaguda, de cotar unha e voltou em passos rápidos para a parede.

–MÃE! – Exclamei, novamente assustando o Park, que se abraçou em meu braço e escondeu o rosto.

–Fique quieto. – Ordenou com a voz baixa.

De costas para nós, não nos permitia ver o que estava fazendo. Arregalei-me assim meus olhos e os olhos de meu namorado contemplaram gotas de sangue a manchar o chão. Jimin correu para perto de minha mãe junto a mim, arrancando de si a tesoura e jogando para longe. A abracei por trás, segurando seus braços firmemente enquanto o Park tampava o ferimento no pulso de minha mãe.  

–Deixe-me fazer isto, filho... – Sussurrou. Com o braço que estava sendo mal segurado, a mulher passou os dedos pigmentados de sangue pela parede sobre os meus desenhos. A única coisa que fez foi um ‘x’. Um ‘x’ sob a palavra “dor”. – Como você aguentou tudo isso? – Indagou, fitei Park Jimin amarrar um lencinho no braço da mesma, sorri com a ação gentil do menor.

–Eu pensei o tempo inteiro em uma frase que Jimin me disse. – O garoto levantou a cabeça. – “O amor prevalece.” – E a mulher reatou a chorar. – O amor realmente prevalece o ódio em certas circunstâncias! – Park sorriu, era um de seus sorrisos repletos de sentimentos difíceis de descrever, eu amava esse seu tipo de sorriso.

 

 

2014. Porto Alegre. RS.

23 de setembro.

 

Apertei Jungkook em meus braços com toda a força presente em mim, o garoto não se importava em ter maquiagem em sua camisa social branca e nem de ter que me dar apoio. Ele nunca se importou com os meus abraços, com a minha aproximação; ele era o meu melhor amigo. E era ele quem, por azar, estava comigo em um momento tão complicado.

Naquela mesma cozinha em que Jeon desmaiou após se mutilar, eu encontrava os restos do cérebro de meu pai no teto, o corpo morto estiraçado no chão. Minha respiração não estava certa, nunca ficaria realmente.

Jeon escondeu meu rosto em seu peitoral formado, me arrastou para a recepção do apartamento onde eu não enxergaria o sangue, o corpo, a arma. Resvalei junto do menor para o chão, sentado em seu colo e acolhido por seus braços quentes, Jungkook sussurrava uma música em voz baixa enquanto me balançava.

Um de meus saltos havia quebrado, o do é esquerdo. Minha meia-calça havia rasgado nas coxas após tanta correria, a peruca que minha mãe havia me dado de presente estava amassada e virada em nós, a maquiagem já estava uma confusão, um de meus cílios postiços já havia até ido embora, a única coisa intacta em mim era o vestido liso, apertado, francês, aveludado e preto.

–Vamos tirar isso aqui... Depois eu volto a cantar. – Murmurava pacientemente, tratando de remover a peruca de minha cabeça, revelando meu cabelo recém-tingido e raspado nas laterais e na parte de trás. – Vou soltar seu corpete, assim vai respirar melhor. – Suas mãos abriram o fecho de meu vestido, soltando calmamente o corpete que acentuava minha cintura. Alivio. Pelo menos assim eu conseguia respirar com mais normalidade. – Quer que eu chame o Jimin? – Neguei. – Ainda não? – Assenti. – Quer sair daqui? – Neguei.

Jeongguk suspirou, ajeitou meu corpo sobre minhas pernas e acariciou meu cabelo enquanto eu chorava. Não tenho certeza de quantas horas passei abraçado ao seu corpo, derramando todas as lágrimas que podia. O celular de Jeon vibrava, o meu também. Inúmeras ligações. A situação era caótica.

–Eu ia pedir Jimin em casamento hoje. – Sussurrei, Jeon afagava o meu cabelo. – Tinha tudo planejado. – Removi de meu olho esquerdo o cílio postiço que havia sobrado. – Após a minha apresentação no BY, eu iria ficar um pouco com vocês, apresentar o Maître a minha mãe, e após isso levar Park Jimin para um passeio pelo rio. A noite tudo fica melhor, certo? Ia ser um belo jantar, veríamos tudo de uma forma bonita, a música seria boa... – Jungkook apertou minha cintura – Mas... meu pai interrompeu as coisas, mais uma vez. A última vez.

 

Essa é a minha última história: a noite em que ia pedir Park Jimin em casamento.

 

Amen, amen, amen


Notas Finais


penúltimo capítulo ♡

sobre a trilogia O Príncipe Gato - by Bento de Luca - o meu lindo nickname "kyravee" existe graças a essa história MARAVILHOSA que me fez chorar com doze aninhos de idade, o coração ficou machucadíssimo, porque mesmo sendo uma história de fantasia os sentimentos eram muitos reais ai puta merda, enfim Kyra é o nome de uma gata guerreira e eu amo esse nome, eu amo a gata, portanto esse nome agora é o meu nick misturado com o meu nome real eh sto bj

p.s. vem fic namkook por ai uiui
p.s.2. vem parceria com a @xkardsjenx tbm rs
p.s.3. não vem att da yoonseok pq o meu bloqueio d criatividade ta uma merda

twitter: https://twitter.com/ihateyoufdp
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nyah: https://fanfiction.com.br/u/656609/
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