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História Take Me To Church - Capítulo 23


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Notas do Autor


Oii! Por favor leiam o recado que vou deixar logo após esse capítulo!

Espero que gostem <3

xoxo, melissa :)

Capítulo 23 - Final: parte II


Nothing wakes you up like wakin' up alone

(Nada te desperta como acordar sozinho)

And all that's left of us is a cupboard full of clothes

(E tudo o que restou de nós é um armário cheio de roupas)

The day you walked away and took the higher ground

(O dia em que você se afastou e agiu como se fosse superior)

Was the day that I became the man that I am now

(Foi o dia em que me tornei o homem que sou agora)

- Walls, Louis Tomlinson.

 

Seis meses haviam se passado após o adeus de Ravena. Seis dolorosos meses.

Garfield estava sofrendo um efeito rebote: ao invés de melhorar, estava em decadência. Todos ainda sentiam a saída da empata, mas perder um amor foi um presente exclusivo para o metamorfo. Não se relacionou com outras mulheres, pois só de pensar no assunto lhe dava náuseas. Ele apenas conseguia se imaginar com Ravena, e estava cultivando um sentimento que beirava à loucura. Ouvia sua voz, sentia o seu cheiro e via sua imagem todos os dias. Sonhava com ela, mas sabia que não era real. Não era difícil, também, encontra-lo no quarto ao lado do seu, deitado na cama dela e lendo algum dos livros deixados para trás.

Ele odiava ler, mas amava se sentir perto do que ela significou um dia.

Algumas batidas na porta do cômodo escuro o tiraram do transe. Dick entrou sem pedir permissão ou resposta prévia, preocupado com o amigo.

- Ei, cara.

- Ei... – Respondeu.

- Quer treinar um pouco? – Essa era a sua maneira de dizer “estou angustiado com o seu comportamento, que tal tentar se distrair com seus amigos?”.

- Hoje não, Dick. – Suspirou, fechando um dos livros.

- Sabe que você não treina faz muito tempo, não é? Isso pode comprometer a equipe.

- Estamos com poucos chamados na cidade, relaxa. – Disse cabisbaixo. Sabia que sua disposição para com a equipe não estava boa.

- Não podemos relaxar nunca. – Se sentou na cama, apoiando as costas na cabeceira e esticando as pernas.

- Você é muito paranoico.

- E você é muito animado, alegre, sempre nos colocando para cima. Cadê esse Garfield? – O encarou.

- Acho que ficou com a Ravena quando ela disse que não me amava mais.

- Nem você acredita nisso.

- De início não acreditei mesmo. Mas como, depois de tanto tempo, ela não mandou nenhum sinal? Não estabeleceu nenhum tipo de contato?

- Não sei como explicar também. Aquele dia foi tudo muito peculiar. – Fechou os olhos, tentando se lembrar melhor. – Ela estava ali, eu sei que estava. Mas disse também que havia mudado, talvez quisesse nos poupar de alguma coisa.

- Bom, então a misericórdia dela não está fazendo efeito. Já passou um tempo, mas eu ainda sinto o mesmo. – O silêncio tomou conta do quarto por alguns minutos.

- Nós éramos como irmãos. Aqui, nessa cama ou na minha, já conversamos sobre muitas coisas. De madrugada, quando todo mundo estava dormindo, eu e ela estávamos acordados. E ríamos, apesar do humor dela ser esquisito. Ela, inclusive, dizia que os Titãs eram a sua família e que nos deixar estava fora de cogitação. Ser heroína era o maior orgulho dela. Espero que no final disso haja um sentido, uma explicação que possa saciar a falta dela agora. Mas também não podemos esperar para sempre, estáticos. A vida muda e não para, Garfield. Temos que seguir em frente antes que o passado nos prenda para sempre. – Se levantou da cama. – E eu não quero que você fique preso em sofrimento. Se recomponha e continue, porque apesar de termos esperança, não sabemos se ela está fazendo o mesmo enquanto nos afogamos aqui. - O alerta de crime começou a ecoar por toda a torre. – Não tinha momento melhor para isso acontecer. – Riu. – Vamos.

Garfield e Dick correram até a sala para descobrirem o motivo do alarme. Ciborgue já se encontrava lá, e Kory foi a última a aparecer.

- Parece que tem um atirador no shopping e fez algumas vítimas.

Sem muita conversa, Estelar e Mutano foram voando, enquanto Asa Noturna e Ciborgue usaram o carro. Chegando no local, o líder falou com algumas autoridades policiais que estavam lá. Se informou melhor sobre o caso e recebeu permissão para adentrar no shopping.

- Pelo o que mostram as câmeras, ele está no estacionamento. O plano é o seguinte: vocês dois retiram os civis de lá de dentro, enquanto eu e Ciborgue vamos atrás do cara. Temos que sermos rápidos. Titãs, atacar!

Tudo estava indo conforme o combinado. Com velocidade, a maior parte dos cidadãos já estava fora de perigo, mas o criminoso havia saído do estacionamento para a parte social do shopping. Vendo que estava sem escolha e não conseguiria fugir dali com facilidade, tentou fazer reféns para poder iniciar uma negociação com a polícia e os heróis. O homem sacou sua arma e apontou para o tigre verde que carregava duas crianças, atirando. Graças aos seus sentidos apurados, Garfield pôde perceber a situação e voltou a sua forma humana, jogando-os para o colo de Kory em uma manobra arriscada e os salvando de serem baleados. Contudo, o tiro atingiu sua perna de raspão, fazendo-o cair no chão. O criminoso, por sua vez, foi pego de surpresa por Ciborgue, e mesmo se quisesse escapar não conseguiria, tanto pela diferença de força quanto pela de altura.

- Vamos para a torre. – Kory tentou manter a calma, apesar de estar muito nervosa com a situação. Entregou as duas últimas crianças para seus pais e voltou para buscar Garfield. – Encontro com vocês lá o mais rápido possível. – Avisou aos dois rapazes, que assentiram.

 

 

- Já disse que estou bem. – Disse deitado na maca da enfermaria.

- Por sorte você não é atingido e só ficou com uma pequena queimadura, cabeçudo. E ela já vai se curar graças ao seu DNA modificado. – Advertiu Ciborgue.

- Eu vi o que você fez, Garfield. Você colocou não só a sua vida em risco, mas a das crianças também. – Dick estava sério.

- Isso não é verdade!

- Como não? Viu o jeito como você as jogou para Kory? E se ela não conseguisse pegá-las?

- É lógico que ela as pegaria.

- Ele tem razão, amigo Gar. Fui pega de surpresa...

- Mas deu tudo certo no final.

- Você tem muita sorte, isso sim. – O líder continuou. – Por isso eu avaliei bem e acho que a sua situação pode prejudicar a equipe no futuro. Sua saúde mental está debilitada e pode causar estragos agora. Você está dispensado das suas responsabilidades pelo tempo que achar melhor.

- Está me expulsando dos Titãs?

- O quê? – Riu. – Você está maluco, é claro que não! Eu só te quero bem e inteiro aqui, e não metade de você. – Garfield bufou.

- Tudo bem. No fundo eu sei que você está certo. – Se levantou da maca, ainda com a perna com um pequeno curativo. 

- Para onde vai, verdinho? – Ciborgue perguntou.

- Para um lugar especial. – Saiu da enfermaria.

 

 

Ravena contava os angustiantes dias no inferno. Cento e oitenta e dois e meio, os piores de sua vida.

Achou que pudesse se desprender dos Titãs, e principalmente de Garfield Logan, mas estava completamente enganada. Por mais que tentasse, algo em sua cabeça a fazia voltar e recapitular todos os momentos juntos com ele. Fez questão de queimar todos os objetos da cor verde que encontrava, mas aquela cor a perseguia até mesmo nos seus sonhos mais mórbidos e profundos. No fim, seu maior medo foi concretizado por ela mesma: ser abandonada.

Contudo, algo em Nevermore a perturbava, simplesmente não a deixava em paz. Martelava em sua cabeça implorando por atenção, para sua voz ser ouvida. Desde que seus amigos foram embora, não teve um segundo sequer de paz. Se colocou em posição de lótus e se concentrou para visitar o lugar em sua mente. Havia, de uma vez por todas, de entender o que estava acontecendo. Quando chegou, tudo estava diferente do que imaginara. Metade do reino se encontrava florido, ensolarado e surpreendentemente feliz. Já a outra, se afundava em chamas e escuridão e nenhuma emoção estava ali, nem mesmo Raiva.

- Olá? – Gritou. – Estou aqui, não queriam falar comigo?

- Finalmente! – Conhecimento exclamou. – Te chamamos há meses! Quanta negligência com você mesma, Ravena.

- Não estou aqui para tomar esporro. – Cruzou os braços. – O que está acontecendo aqui?

- Não haja como uma criança birrenta. Você merece, sim, tomar esporro. O que está acontecendo aqui? – Riu. – Não percebe? – Pegou na mão da empata, caminhando junto com ela. – Você fez isso consigo mesma. São duas partes de você lutando para conseguir espaço, e pelo bem de todos, a nova emoção está ganhando.

- Nova o quê? – Conhecimento não respondeu, apenas caminhou por mais alguns minutos até encontrar com todas as emoções. Estavam meditando, com uma se destacando no meio da roda. Sua capa era prata e reluzia, fazendo os olhos de Ravena arderem. – Quem é essa?

- Bom, Ravena, conheça Amor. – Nesse momento, a nova emoção se levantou, curiosa com o seu nome sendo citado.

- Você veio! – Disse animadamente, mas ao mesmo tempo com uma voz bem serena. – Fiz de tudo para chamar a sua atenção.

- Eu... percebi. – A empata ainda estava alarmada. – O que significa isso? Quem te criou, afinal?

- Você, quem mais poderia ser? Com a ajuda de Garfield, é lógico.

- Isso só pode ser um engano. – Riu. – Eu estou longe dele há meses, não faz sentido você ainda estar aqui.

- Não faz mesmo, mas parece que é a senhorita que não para de pensar nele. E nem ele para de pensar em você. É isso que me mantém aqui, forte.

- E se eu te isolar como fiz com Raiva da última vez?

- Não vai adiantar de nada. – Amor riu deliciosamente. – Sabe o que estou fazendo aqui? Tentando impedir que você caia em desgraça. Olhe aquele lado do reino, está um caos! Ravena, você não merece isso. Nós não merecemos.

- É aí que você se engana. Eu mereço esse isolamento, preciso deixar os Titãs livres do que eu me tornei.

- Para com essa porra! – Raiva se levantou, se aproximando perigosamente da empata. – Ninguém aguenta mais esse discurso, nem você mesma consegue sustentá-lo. E daí que você gostou de matar aquele verme? Era o que ele merecia! Isso não significa que você vá perder o controle. Ravena, você está absolutamente no controle! Amor está aqui não só por conta do Garfield, ela está aqui porque você finalmente aprendeu a se amar também, amar seus poderes e o que eles podem fazer para proteger quem você quer por perto.

- Eu... –

- Você não amou acabar com Cobak? Vê-lo sofrer porque ele fez quem você ama sofrer também? Você não se sentiu poderosa?

- Sim, mas... –

- O que há de errado nisso? Eu e você não somos monstros. – Se aproximou ainda mais. – E você precisa me aceitar como parte pertinente da sua alma, da sua força. Não pode me afastar do mundo, porque, sinceramente, foi comigo que você o salvou.

- Raiva tem razão. – Prosseguiu conhecimento. – Essa é você. E mesmo depois de tudo, os Titãs, sua família, vieram até aqui para te levar para casa. Ninguém te julgou, ninguém te afastou. Mas você engoliu o seu amor próprio e os fez voltar de mãos vazias por se sentir... –

- Insuficiente. Deslocada. Uma pessoa horrível. – Disse cabisbaixa.

- Por isso estou aqui. – Amor acariciou seu rosto. – E você precisa, finalmente, me aceitar por completo. Não só por causa de Garfield, que também te ama muito, mas por você mesma.

- Eu preciso ir. – Limpou uma lágrima. – É muita coisa para assimilar, eu... –

- Vá. E tome a decisão certa. – Conhecimento terminou a conversa.

Ravena abriu os olhos e estava de volta ao castelo. Caiu no chão, abraçando seus próprios joelhos e não conseguindo prender mais o choro. Havia tomado um choque de realidade e sabia que tinha perdido muito tempo desde que se despediu dos Titãs. Temia voltar e tudo estar diferente, bagunçar a vida de Garfield e o decepcionar mais ainda.

- Mas Amor disse que ele... ainda me amava. – Pensou alto. – Se concentra, Ravena, se concentra... – Respirou fundo e fez uma projeção astral. Como estava em outro plano, acabou gastando muita energia, mas se desse certo, valeria a pena.

 

- If I lay here, if I just lay here, would you lie with me and just forget the world? Forget what we’re told before we get too old, show me a Garden, that’s bursting into life. Let’s waste time chasing cars around our heads, I need your grace to remind me, to find my onw. – Garfield estava dirigindo com seus óculos escuros ray ban. “Típico”, pensou a empata.

Seu cabelo ainda se balançava ao vento como ela se lembrava, sua camisa ainda estava amarrotada e ele ainda ficava sexy com um braço para fora da janela, apesar de ser bem imprudente. Cantava Chansing Cars com a sua voz rouca, e ela nunca admitiria que ele até que cantava bem, porque ele a infernizaria com isso e provavelmente a levaria em algum karaokê.

Ravena percebeu que o banco do carona estava com uma mochila cheia. “Será que ele vai se encontrar com alguém? Porque não está na torre?”. Mas antes dela desistir de voltar, o carro fez uma curva conhecida e adentrou na floresta que ele outrora a levara, o rio em que quase se beijaram. “Ok, ele vai definitivamente se encontrar com alguém.” Mas ela ficou ali, pois dessa vez queria ter certeza antes de estragar tudo.

Para sua confusão mental ser maior, o carro passou reto pelo rio e continuou seguindo até uma pequena e charmosa cabana. Garfield desceu, pegando sua mochila e seguindo até a residência. O coração da empata batia forte, pois ela não estava pronta para vê-lo com outra pessoa. Mas ela se pegou rindo do metamorfo tentando abrir a porta, pois suas mãos grandes não conseguiam segurar com facilidade as chaves pequenas.

- Merda. – Tacou a chave no chão e passou as mãos pelo cabelo, estressado. “Desde quando ele tem esse temperamento?”. – Ok, mais uma vez. – Pegou a chave e tentou de novo, conseguindo abrir a porta. Entrou na pequena casa, e Ravena o seguiu. Os cômodos como quarto e cozinha não tinham paredes, separados apenas por uma sala. O banheiro ficava nos fundos, e a decoração era toda rústica. A empata se perguntou como ele sabia da existência da cabana, mas não se apegou à dúvida.

Garfield começou a desfazer a sua mochila, tirando dali um porta-retrato com a foto dele e de Ravena quando foram para aquela festa, onde os dois perderam o controle e se divertiram juntos. Ela sequer se lembrava da existência dessa fotografia, mas ali estava o titã verde a encarando como se fosse o objeto mais precioso do mundo.

- Eu queria que você estivesse aqui. – Suspirou. – Merda, Ravena, por que você não volta logo?

Ela não conseguiu mais sustentar a projeção, se dando conta da realidade em que estava. Precisava ser forte, engolir o choro e voltar o mais rápido possível. Não pensou em mais nada e não se despediu de ninguém, afinal, não fazia a menor questão. Criou um portal de volta para a terra, mais especificamente para a torre.

Foi correndo durante o caminho, ansiosa e um pouco nervosa. As vozes sinistras que gritavam e os demônios que atormentavam aquela via não a aterrorizavam. Estava focava em uma só coisa e nada, absolutamente nada, a atrapalharia.

Longos minutos se passaram até ela conseguir, finalmente, chegar em frente ao seu destino. Sua casa. Respirou fundo, usando sua identificação no grande portão de aço e adentrando no lugar. Subiu silenciosamente no elevador, sentindo seu estômago revirar de nervosismo. Esperava não ser tarde demais, pois havia perdido muito tempo.

O elevador parou e as portas se abriram. O dia estava próximo de entardecer, e Dick, Kory e Ciborgue estavam reunidos no sofá prestes a assistirem algo. Provavelmente alguma coisa bem chata para o interesse de Ravena. Mas os olhares curiosos saíram da televisão em direção a empata, que naquele momento se encontrava mais pálida que o normal.

- É... oi? – Se sentiu patética ao conseguir dizer apenas isso. – Ah, merda... – Disse baixo.

- Amiga Ravena! – Kory veio voando em sua direção, a apertando em um dos seus típicos abraços capazes de matar um homem. – Você voltou! Finalmente! – Os dois rapazes se levantaram do sofá, indo em sua direção.

- Pensei que não voltaria nunca. – Ciborgue a abraçou também.

- Não sei se conseguiria. – Sorriu.

- Você pareceu bem decidida. – Dick cruzou os braços.

- Me desculpe, Dick. – Se aproximou. – Me desculpem, todos vocês. Eu estava fora de mim, e de alguma forma tentei proteger vocês do que pensei que havia me tornado. Um monstro. – Riu sem graça. – Não tem justificativa. Espero ainda ter lugar para mim aqui. Mesmo sem merecer, ainda espero ter uma família. – Olhou em volta. – Por favor. – Os olhos azuis por trás da máscara do líder eram complacentes. Ele a perdoaria facilmente, afinal era a Ravena. Descruzou os braços e a puxou para um abraço, tão intensamente retribuído.

- É claro que você tem lugar aqui. Na sua família. – Beijou o topo de sua cabeça. – Mas acho que agora você precisa resolver um assunto.

- Garfield. É, eu sei. – Disse enquanto se afastava em direção ao seu quarto.

- Sabe onde ele está? – Ciborgue perguntou.

- Perfeitamente. – Sorriu. – Preciso ir. – Correu para o seu antigo cômodo.

Ao entrar, percebeu que algumas coisas estavam fora dos lugares. Seus livros, por exemplo, bagunçados em uma sequência de cores (e não em ordem alfabética como costumar arrumá-los) típica do metamorfo. A sua roupa de cama estava com o perfume marcante dele, assim como seus chinelos largados no chão. Em outra época, não pensaria duas vezes antes de ter uma briga feia com ele, mas agora um sorriso estampava o seu rosto.

Resolveu tomar um banho antes de ir atrás de Garfield, afinal, acabara de voltar do inferno. Ao sair do banheiro, pôs um short e uma regata confortável, assim como pequenos acessórios e um tênis nada adequado para andar na mata. Arrumou uma pequena mochila e penteou seus cabelos com os próprios dedos. Queria o mais rápido possível estar perto do titã verde, e tinha certeza de que ele a queria também, seja com o cabelo bagunçado ou não.

Não parou para refletir se seus poderes estavam fracos ou fortes, e criou um portal para a entrada da floresta. Andou com cuidado pela trilha, tentando se lembrar especificamente do caminho que levava até a cabana. As marcas dos pneus do carro de Garfield ainda estavam frescas na terra, o que a ajudou bastante. Não demorou muito para que ela encontrasse a modesta construção. Seu coração palpitava e, por pouco, não parou por alguns segundos. Seus pés davam pequenos passos, ainda receosos apesar de animados.

- Vamos, Ravena, você consegue. – Respirou fundo. – É só o Garfield. – Bateu três vezes, talvez com mais força do que o necessário. Sua respiração já estava ofegante com dois eternos minutos de silêncio dentro da cabana, quando, no entanto, a porta se abriu bruscamente.

O olhar dele estava tão perdido quanto o dela. Garfield apertava seu maxilar, tentando prender as perguntas que entalavam sua garganta. Seus pelos se arrepiaram e Ravena pôde presenciar esse fenômeno, já que ele estava apenas com uma calça de moletom e o restante, exposto.

Sem dizer uma única palavra, ele deu espaço para que Ravena pudesse entrar, e ela o fez. Ainda estava de costas quando o ouviu falar.

- Eu senti o seu cheiro e ouvi a sua respiração do outro lado da porta. Sabia que era você, mas tive medo de ser a minha mente pregando mais uma peça. Por um segundo pensei em não te atender, mas acho que nunca perdi a esperança.

- Garfield, eu... –

- Você fez muita merda, Ravena. – Se aproximou da mulher ainda de costas, colocando seu cabelo de lado, massageando de leve seus ombros. – Mas eu não fiquei um segundo sequer com raiva, porque sabia que ainda ouviria você dizer que me amava de novo. – Ravena fechou os olhos ao sentir as mãos pesadas de Garfield. Ele tirou sua mochila das costas e a tacou no chão, virando a empata para si. – E eu preciso só disso agora. De mais nada, só ouvir... – A encarou.

- Eu te amo, Garfield Logan. – Sua voz saiu trêmula, ao mesmo tempo que seus olhos marejavam. – Eu te... – Foi interrompida por um beijo, carregado de desejo, saudade, e até um pouco de fúria. Ele a esperou por todos os meses, e aquele momento era tudo o que mais queria.

Não estava a fim de conversar ou desperdiçar o tempo com desculpas. Ele já havia a perdoado, mesmo antes dela saber. O beijo não estava mais sendo o suficiente, os dois precisavam estar juntos como uma necessidade intrínseca do corpo deles.

Garfield arrancou a camisa de Ravena, jogando-a em algum lugar da cabana, e a pegou no colo. A colocou na cama, não demorando para tirar seus shorts. Apertou suas coxas enquanto beijava seu pescoço, fazendo a empata arfar. As mãos delicadas dela arranhavam as costas do metamorfo, que sentia pequenos arrepios e se deliciava com a pequena dose de dor. Ele deixou de dar atenção às pernas para poder massagear seus seios, arrancando o sutiã que tanto incomodava a sua visão.

- Daqui a pouco todas as minhas peças de roupa estarão rasgadas. – Disse em um tom de brincadeira.

- A intenção é não sobrar nenhuma. – Mordeu os lábios da empata, estimulando seu clitóris ainda por fora da calcinha, que também foi tirada com certa rispidez.

Ela, pega de surpresa, gemeu ainda com os lábios colados aos dele. Ele, a sentindo molhada, enfiou apenas um dedo em sua intimidade, sabendo que Ravena nunca havia ultrapassado essa barreira. O momento era dela e Garfield queria ser o melhor nisso, abrindo um sorriso sacana ao vê-la se contorcer em sua mão.

- Eu preciso de... mais. – Falou, extremamente ofegante.

- O quê? – Aumentou a velocidade.

- Gar... mais. – Sua voz exalava luxúria, e ele não teve como negar ou continuar com jogos.

Tirou rapidamente sua própria calça e se posicionou acima de Ravena, enfiando aos poucos seu membro. O tesão já era palpável, e a velocidade das investidas aumentava conforme os gemidos da mulher.

Ravena o empurrou bruscamente, deixando-o assustado e confuso. Mas a visão que ele teve quando ela se sentou em seu membro, fazendo movimentos de vai-e-vem, foi impagável. Era literalmente o diabo nos seus lençóis e ele se sentia completamente abençoado por isso. Garfield apertava sua cintura como incentivo e suava frio, não conseguindo pensando em mais nada. Era como se todos os seus problemas haviam desaparecido com a chegada dela, sendo que ela era a personificação deles.

O choque térmico veio quando sentiu um líquido quente escorrer de Ravena, e então se permitiu gozar junto. A empata se jogou ao seu lado da cama, enquanto recuperava a respiração assim como ele. Os dois estavam extasiados demais para conversarem, e ficaram ali até pegarem no sono.

 

 

O sol invadindo a janela bateu no rosto de Ravena, a acordando. Sorriu ao seu lembrar do dia anterior, e se surpreendeu com o tempo que passou dormindo. Olhou para o lado e não viu Garfield, então decidiu ir ao banheiro fazer todas as suas higienes matinais. Ao sair, continuou não o encontrando. Decidiu pegar uma maçã e achou um bilhete escrito com uma letra absurdamente desleixada: “me encontre no rio”. Sem pensar duas vezes, ela fez o que foi pedido. Ao chegar lá, se deparou com o metamorfo nadando tranquilamente.

- Bom dia. – Ela parou na beirada, admirada com o que via.

- Pensei que dormiria o dia inteiro! – Ele disse enquanto saía da água.

- Eu nem dormi tanto assim. – Riu.

- Dormiu sim. Acho que o fuso horário no inferno é diferente do nosso. – Depositou um selinho nela.

- Acho que precisamos falar sobre isso, não é?

- Eu não faço questão... –

- Mas eu faço. – O encarou, séria. – Quando eu fiz...aquilo com Cobak, pensei ter cruzado uma linha que jamais deveria ter sido ultrapassada. Pensei que tivesse me tornado uma pessoa má, ruim, e que não merecia estar com os titãs, com você. Mesmo depois de vocês terem ido atrás de mim, mantive o meu orgulho achando que estava fazendo a coisa certa, mas adivinha só? Eu estava errada. Não pense que não senti sua falta um segundo sequer, porque foi a maior tortura da minha vida tentar me afastar. Você esteve nos meus pensamentos, nos meus sonhos, e me perseguia em todos os momentos. Mesmo sabendo que você não quer tocar no assunto, que você quer esquecer tudo isso e virar a página, eu preciso te pedir desculpas. Roubei de nós um tempo precioso e agora eu só quero compensar. – Ele ouviu atentamente à todas as palavras.

- Não quero que você se sinta mal. Estamos juntos agora, não estamos? E estamos bem. – Acariciou seu rosto.

- Você não existe. – Riu. – Obrigada por não ter desistido de mim. Eu teria.

- Eu te amo e muitas vezes fiquei puto por isso. Mas como eu posso esquecer da mulher com os olhos mais roxos que eu já vi na minha vida? – Brincou. – Como eu posso desejar você longe de mim? – Sorriu. – Por isso mesmo você tem que vir pra água comigo.

- O quê? Essa água gelada? Sem chance.

- Não pedi permissão. – A pegou no colo, ignorando os gritos da empata e os socos extremamente fortes que ela dava em suas costas. – Você é pequena, mas machuca, sabia?

- Vá se foder, Garfie... – Sem tempo de xingá-lo por completo, ela foi atirada no rio. – Por Azar, aqui está fazendo menos dois graus, eu garanto! – Abraçou seu próprio corpo, tremendo.

- Para de drama, docinho.

- Não me chame de docinho!

- Ah, hoje pode. – A puxou para um beijo.

Passaram o resto da manhã se banhando no rio, aproveitando o tempo juntos. Quando a hora do almoço se aproximou, decidiram que comeriam em algum restaurante e voltariam para a torre, porque Ravena já não aguentava mais os mosquitos e outros insetos.

- Você precisa aprender a conviver na natureza, Rae.

- Talvez essa seja a maior maluquice que você tenha me dito.

- O que há de errado nisso? – Colocou suas mochilas no carro.

- O que eu vou ficar fazendo na natureza, Garfield Logan?

- Morando comigo. – Ela não respondeu, apenas gargalhou. – Qual a graça? Você acha mesmo que eu, que sou praticamente todos os animais da fauna, vou morar para sempre na cidade grande?

- Eu acho, sim.

- Então terminamos por aqui. Preciso de liberdade, ar livre! – Imediatamente, o metamorfo se transformou em um pássaro, voando em volta de Ravena, a perturbando. Ela, já sem paciência, conseguiu prendê-lo, apertando-o até voltar a sua forma humana. – Você fica linda quando tenta matar pequenas aves. - Beijou sua testa. 

- Não pequenas aves, você! – Riu. – Vamos, o que você acha de McDonald’s?

- Carne demais.

- Tem opções vegetarianas, eu acho.

- Continua sendo capitalista demais. – Entraram no carro, e ele deu partida.

- Onde você aprendeu sobre capitalismo, por acaso?

- No seu quarto, nos seus livros. – Riu. 

- Por Azar... – Ligou o rádio, que tocava um pop qualquer.

- Podemos ir no Burguer King. – Ele complementou. – Lá tem uma opção vegetariana que eu realmente gosto.

- Eu odeio o Burguer King.

- O que você não odeia, querida? – Disse ironicamente.

- Pelo incrível que pareça, eu não odeio você tanto assim. – Ele escondeu um sorriso vitorioso.

- Então vai ser Burguer King e no final você vai me desculpar.

- Não vou mesmo!

- Se nem o inferno nos separou, não será o Burguer King que vai conseguir fazer isso. – Ela gargalhou.

Depois de todo o drama que viveram juntos, ela só queria estar ali, vendo-o cantar uma música da Taylor Swift (e como ele sabia disso?). Sentindo o vento gelado tocar seu rosto, Ravena nunca esteve tão aliviada e feliz ao mesmo tempo. O homem ao seu lado emanava boas energias, e sabia que os dois formavam uma boa dupla, apesar de diferentes. Até demais. Mas onde estaria o amor senão nas pequenas diferenças?

- Tudo bem, Gar. Eu faço mais esse sacrifício por você, então. – Sorriu.



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