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História Take me to Church KatsuDeku - Capítulo 34


Escrita por: Marta_Tata

Notas do Autor


Este capítulo não é algo que aconteceu no mundo físico de Church.

Capítulo 34 - Reescrever.


Fanfic / Fanfiction Take me to Church KatsuDeku - Capítulo 34 - Reescrever.

“ – Kacchan, por aqui!”.

A voz familiar de Izuku chamou por ele e Katsuki abriu os olhos. Quanto tempo se tinha passado? Um ano? Por aí. Na verdade, passaram trezentos e quarenta e quatro dias. Não soube porque, não soube como, mas tinha voltado à vida no papel.

“ – Onde estamos?”.

Midoriya olhou-o com uma certa cara engraçada e agarrou a sua mão, puxando-o por um caminho envelhecido. O chão estava partido, havia pedaços onde a pedra já não existia e as paredes estavam rachadas. Os vidros já não existiam.

“ – Estamos finalmente de volta”. – Sussurrou-lhe, pausando o raciocínio. Olhou para a frente – “Basta isso”.

Bakugou acenou com a cabeça e manteve-se quieto, olhando para a atmosfera. Estavam numa espécie de local abandonado. Um shopping abandonado? Porquê um centro comercial?

“ – E porque estamos aqui?”. – Queria mais respostas. – “Porque é que voltámos aqui? E não ao sítio onde deveríamos estar?”.

“ – Por vezes”. – Iniciou, quase imediatamente, como se soubesse a resposta perfeita. Entrelaçou os dedos nos seus, continuando a guiá-lo sem o encarar. – “As coisas não correm como planeado e o mundo à nossa volta destrói-se. É horrível. Eu e tu já lá estivemos. E, agora, ela também”.

“ – Ela?”.

“ – Acho que é que nos criou. Ou, pelo menos, estas páginas”.

Katsuki não disse nada durante um minuto.

“ – E… O que lhe aconteceu?”.

“ – Perdeu tudo, tal e qual como nós”. – Respondeu. – “As coisas arruinaram-se completamente, ela isolou-se e talvez desistiu”.

“ – Bem, se estamos aqui, ela não desistiu”. – Concluiu.

Midoriya parou de andar e olhou-o nos olhos, sorrindo.

“ – Exatamente. Ela não o fez. Porque ela não pode desistir de nós, nem de quem nos lê. Muito menos do sonho dela”.

“ – Não pode? Ou não quer?”.

Izuku deu uma risada quase muda, dirigindo a mão de Katsuki ao seu rosto. Fechou os olhos e apreciou o toque, finalmente libertando o suspiro trémulo da garganta.

“ – Eu senti tanto a tua falta…”.

Bakugou mordeu o lábio e puxou-o para si um pouco mais bruscamente do que pretendia, prendendo-o completamente nos seus braços. Abraçaram-se ao lado de uma escada rolante desfeita, no último andar, com uma visão incrível para um edifício completamente abandonado à noite.

“ – Eu também, Deku”.

Midoriya afastou-se e deu-lhe um beijinho no rosto, sorrindo de orelha a orelha.

“ – Queres voltar?”.

“ – Como assim voltar? A onde estávamos?”.

“ – Exatamente. A como tudo era antes”.

“ – E eu tenho escolha?”.

Izuku gargalhou um pouco mais alto, ecoando pelo local amplo.

“ – Claro que não. A partir de agora tudo só tende a piorar”.

“ – Pois é”. – Katsuki suspirou, olhando para a vista desfeita. – “Então, é nisto que ficámos adormecidos dentro dela? Um local abandonado, desfeito, escuro e vazio?”. – Pausou o raciocínio, olhando à volta. – “Isto não é dela. Deveria ter uma aura mais alegre vindo dela, não?”.

“ – Muitas vezes, há coisas que nos afetam tanto que destroem tudo o que há de bom em nós. E precisamos de tempo para recuperar”.

Katsuki ia abrir a boca para responder, no entanto, foi interrompido quando olhou para baixo e viu uma pequena plantinha a crescer do chão de terra batida desfeito.

Colocou-se de joelhos, analisando-a.

“ – E achas que, finalmente, se recuperou?”.

Os seus olhos verdes brilharam em euforia, enchendo os pulmões de ar para, no fim, gritar em alto e bom som.

“ – Estamos de volta”.


Notas Finais


Acho que vocês merecem saber o que aconteceu.

Para começar, eu não sou uma pessoa de desistir ou desaparecer. Sou alguém extremamente otimista, feliz e positivo. Não compreendo como isto começou, logo a mim, uma pessoa que era suposto ajudar, escrever pela vida e sorrir, como sempre o fez. Então, depois de literalmente trezentos e quarenta e quatro dias sem atualizar - amanhã fará um ano por total coincidência porque eu só abri esta página agora mesmo -, estou aqui.

O meu namoro de cinco anos terminou e, honestamente, até hoje não sei dizer se foi a pior ou a melhor coisa que me aconteceu. Percebi que, afinal, não me conhecia completamente. Cresci como nunca o tinha feito, vivi, amei, diverti-me e fui livre; não que o meu namoro tenha sido mau, pelo contrário. Foi bom enquanto durou, acabou bem, mas com isso vieram as desilusões ainda piores e as verdades nuas e cruas que descem à realidade, com as mentiras finalmente desmanchadas.

Sinto que o que eu tinha mais era uma amizade muito íntima, porque honestamente senti mais que perdi o meu melhor amigo que namorado, acho eu. Acho. Não sei bem dizer. Dar as mãos e beijinhos para mim sempre chegou; depois, tínhamos objetivos muito diferentes, raízes opostas e desejos, sonhos completamente irreais para se viverem juntos. Eu queria A; ele queria Z e não há problema nenhum nisso. Pessoas crescem, moldam-se e estão sempre a evoluir. Tornou-se incompatível para mim.

Depois, para melhorar, perdi todos os meus amigos aqui da minha cidade. Desapareceram, ou melhor, eu desapareci. Descobri que as coisas não eram tão boas e positivas como achava que eram. Afinal, não gostavam assim tanto de mim como eu gostava deles, por exemplo. Repito, não os culpo por criarem contas falsas no Instagram a mandarem comentários de ódio ou por dizerem mal de mim nas costas. Crescemos de forma diferente, eles fizeram as escolhas deles e eu as minhas. Seguimos rumos diferentes e aquela amizade que já não era tão saudável terminou e dei por mim, sozinha, com três amigos que só conseguia ver raramente por vivermos longe e a minha irmã.

As coisas não estavam nada bem para o meu lado.

Continuei a tentar escrever, cada vez mais solitária e sozinha e isso ainda rendeu-me durante dois anos. Ao terceiro, acho que simplesmente fechei o meu computador e deixei-o a apanhar pó. Chorei, chorei, chorei.

Eu finalmente tinha admitido para mim que eu não estava bem, que me sentia sozinha e que toda aquela positividade e sorrisos começaram a desaparecer. E eu não queria isso. Lutei, a minha vida toda, para ser alguém que me orgulhasse e eu não podia estragar tudo agora.

Finalmente, percebi porque Church existia. Percebi o que eu fiz, o erro que eu cometi e como não havia volta a dar. Eu criei Church porque a história tinha os amigos que sempre sonhei ter. Tinha o namoro, a amizade e a vida que eu sempre quis. Não, não queria ter sido abusada por um padre; por amor de Deus, não é isso. As personagens, as caracterizações que eu criei eram os meus melhores amigos. Eram as amizades perfeitas, os conflitos realistas com que eu queria lidar. Eram os amigos que inventei, apesar de adaptados de uma história de mangá já existente, que eu sempre sonhei em ter e que falava, a toda a hora, para não me sentir tão só; porque eu estava sozinha durante anos e nunca admiti para mim própria. Com amigos que, lá no fundo, sabia o que diziam de mim e com um namoro há distância onde só o vi três vezes na minha vida.

Estava sozinha e, por isso, passava todas as horas do meu dia a escrever, a ler, a criar amigos imaginários no papel.

O último capítulo que escrevi, eu chorei. Não chorei em específico nalguma parte deprimente - de certeza que sim mas não é isso que quero focar. Chorei por não estar ali, por não poder viver, por não os poder abraçar, por não ter quem ir comigo a sítio x ou y. E os que tinha, por mais que os amasse e ainda os ame, na altura era tão complicado os ver.

Então, dei um basta em tudo.

Pela primeira vez na vida, tirei exatamente um ano para mim mesma. Só para mim. Por muito que me magoasse, eu precisei tanto disto que vocês não imaginam. Não escrevi Church a sério, mas também nunca parei de pensar nele.

Um dia, decidi ir a um evento anime que ia haver aqui na minha cidade, sozinha. Só com a minha irmã. Eu fui sem combinar com ninguém, porque também quem eu conhecia não tinha intimidade na época para ir com a pessoa. Fomos só nós, com o intuito de conhecer pessoas novas.

E depois, conheci a pessoa mais importante da minha vida.

Não só fiz um grupo de amigos fantástico, que me acompanharam até em viagens pelo país, que me fizeram viver, que me fizeram ter as amizades que sempre sonhei, como também conheci um certo alguém demasiado especial. Eu viajei mais do que na minha vida inteira no último ano, beijei mais do que na minha vida inteira, amei mais do que na minha vida inteira. Conheci cidades novas, pessoas novas, ri-me de coisas novas, descobri e aprendi coisas incríveis que eu nem sonhava. Nunca, em toda a minha vida, sonhei que fosse ver um dos meus grandes amigos atuais a fazer um strip de Drag Queen; ou que, os meus amigos que viviam tão longe, fossem voltar a sair muito mais comigo porque agora estudam perto de mim, porque finalmente as coisas se orientaram e temos liberdade para nos vermos quando queremos; ou até mesmo adotar uma cadela do nada e viver comigo na minha cama, onde agora mesmo ela está a dormir aos meus pés.

Este ano, digo-vos, foi quase perfeito. Mas este, meus leitores e amigos, será muito, muito melhor.

Porque eu vou lutar novamente para manter tudo isto, para continuar a crescer, para ganhar mais e mais, aprender mais, viver mais e amar mais.

Mas também vou lutar para escrever mais.

Obrigada a todos os que esperaram por mim, leram até aqui e me acompanharam até agora. Agradeço especialmente aos meus leitores mais chegados do grupo de Church, aos que deixaram aqui comentários ao longo dos tempos - irei responder aos que puder agora - e, também, obrigada à minha irmã, aos meus pais, à Kushi, Croissant, Bifes.

Ah, e claro, obrigada ao homem da minha vida, o Todoroki.

[Sim, exatamente o que vocês leram. Eu acabei por namorar com alguém que prefere Tododeku a Bakudeku. A vida dá umas voltas engraçadas, não acham?]


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