História Tales of The Lightwood-Bane Family - Capítulo 5


Escrita por: e morgenddario

Postado
Categorias Os Instrumentos Mortais, Shadowhunters
Tags Lightwood Bane, Malec, Sizzy
Visualizações 66
Palavras 7.853
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


a gente eh ótima com títulos pra capítulo

Capítulo 5 - 5: Thalia's Problem


Thalia abriu a porta de casa e entrou na ponta dos pés, rezando para seu pai estar concentrado em algum jogo e não percebesse que ela estava quase duas horas atrasada do horário que deveria chegar do colégio. Felizmente sua mãe trabalhava nesse horário, então as chances de ter suas roupas queimadas eram mínimas.

— Onde você estava?

Thalia soltou a respiração e suspirou fechando a porta e se virando para seu pai, que estava encostado na coluna da sala.

— Eu? No colégio, ué — respondeu jogando suas chaves na mesa.

— Onde as aulas que já acabaram há duas horas? — Simon questionou com as sobrancelhas levantadas.

— Eu estava com a Sky.

— A Sky dificilmente atrasa mais vinte minutos para ir para casa — Simon retrucou sério. — Onde você estava, Thalia?

— Desculpa o atraso, pai. Eu parei pra conversar com alguns colegas e acabei perdendo o horário.

Não era uma mentira de fato, ela se consolou com isso enquanto tirava os tênis e os deixava atrás da porta, sem olhar para o pai. Ele ainda estava apoiado na coluna, os olhar preso em suas costas, quase queimando.

— Certo, então porque mentiu para mim? — ele perguntou ainda sério, os braços cruzados. — Você poderia ter dito isso de primeira, não é nada demais ficar conversando com seus amigos mesmo que eu tenha ficado preocupado.

Thalia ficou sem palavras. É claro que ele não acreditaria nessa assim, se amaldiçoou por ser tão ruim assim mentindo, mas não era como se ela tivesse prática.

— Eu... Só não queria... Deixar você preocupado. Eu nem achei que você estaria em casa.

— É meu dia de folga, Thalia. Você estava fazendo alguma coisa errada pra não querer ninguém aqui quando chegasse?

Thalia cometeu o grande erro de hesitar. Ela abriu a boca para falar alguma coisa, mas o olhar de seu pai a calou.

Simon se aproximou lentamente, com o senhor franzido e inspirou.

— Thalia, que cheiro é esse? — ele perguntou com a cara fechada.

— Que cheiro? — Thalia perguntou passando a mão pela nuca em um gesto nervoso.

— Cheiro de... — Simon fez uma pausa. — VOCÊ ESTAVA NA CRACOLÂNDIA?

Thalia arregalou os olhos por trás dos óculos e encarou o pai como se ele tivesse ficado louco.

— O que? É claro que não!

— Você está cheirando a drogas! — Simon trovejou. — Não brinca comigo, Thalia, o que você fez?

Uma onda de nervosismo tomou conta de Thalia. Ela simplesmente não sabia como pronunciar palavras. Nem sequer se questionou sobre como seu pai conhecia esse cheiro.

— Eu... Bem... Fica calmo, pai, eu não fiz nada.

— Não ouse mentir para mim.

Thalia começou a tremer e mordeu os lábios com força. Abaixou a cabeça e sussurrou:

— Eu estava... Fumando.

Simon a encarou furioso, ela não estava acostumada com seu pai assim. Ele nunca ficava bravo, era preciso um feito e tanto para fazê-lo perder a calma.

Bem, ela havia conseguido.

— Thalia, porque diabos você fez isso? — ele perguntou, sua voz estava muito baixa, mas isso só deixava a raiva mais visível.

Ela não ousou levantar os olhos para ele, encarando seus tênis como se fossem a coisa mais interessante do mundo.

— Eu só... Queria experimentar.

Ela o ouviu bufar, provavelmente ajeitando os óculos no rosto, porque ele sempre acabava esfregando o rosto quando ficava nervoso.

— E se você tivesse asma? Ou pior, tivesse uma rejeição do seu organismo e fosse parar num hospital?

— Pai, eu não tenho asma, não aconteceu nada. Eu estou bem.

Foi um erro olhar para ele, o rosto de Simon estava duro como uma pedra, uma expressão de puro descontentamento e raiva, e decepção. Thalia não estava preparada para isso.

— Qual foi a única coisa que eu e sua mãe sempre dissermos para você não fazer, Thalia? A única coisa? — Perguntou com o olhar preso no dela, as mãos fechadas em aperto forte ao redor do próprio braço.

—... Mexer com drogas. — respondeu com a voz baixinha.

— E o que você fez? — perguntou novamente, o mesmo tom de voz frio e raivoso.

— Fumei maconha. — disse, respirando acelerado.

Simon estava irradiando raiva. Encarava Thalia friamente, como se não reconhecesse a própria filha. Isso foi como um soco na cara dela.

— E o que você acha que eu devo fazer agora?

— Me desculpar e não contar para a mamãe? — Thalia disse baixinho, se arrependendo logo em seguida.

— Eu não estou para gracinhas!

— Desculpe.

Simon respirou profundamente, tentando recuperar a calma que já havia perdido.

— Olha, Thalia, você só tem dezesseis anos, não tem maturidade para lidar com isso... Não que eu vá aceitar que você se meta com isso quando for mais velha... Eu só não quero que você ao menos pense em se envolver com isso de novo!

— Eu sei pai, me desculpe! — Thalia sussurrou com a voz tremendo. — Eu... É... Já que você já está bravo mesmo... Não foi a primeira vez.

A raiva tomou conta de Simon, e Thalia realmente se assustou. Jamais havia visto seu pai tão bravo.

— THALIA! — ele gritou tão alto que ela pulou no lugar. — O que você quer dizer com 'não foi a primeira vez'? Quantas vezes você fez isso? Quem te deu isso?!

— Quero dizer que eu já tinha, hm... Experimentado antes, mas foi só uma vez!

— DUAS VEZES APARENTEMENTE! Quem te deu isso Thalia? — ele berrou, fazendo ela se encolher um pouco dentro do seu casaco.

Simon bravo era intimidante, talvez porque ele nunca ficava, então era um acontecimento marcante, talvez por ele ter razão na briga. Thalia só sabia que definitivamente odiava ele assim. Odiava olhar nos olhos dele e ver tanta decepção e raiva.

— Pai... — ela murmurou baixinho, sem saber o que dizer.

— Thalia. eu só vou perguntar mais uma vez: quem te deu isso? Com quem você tá andando?

— Foi um garoto da minha turma. — Respondeu um pouco relutante.

— Eu quero nomes. Vou falar com a diretoria da sua escola, porque não é possível que paguemos tão caro nela para deixarem drogas circularem por lá! — ele tirou os óculos do rosto por um instante, apertando os olhos. — Nós pagamos uma escola cara e muito boa para você ficar fumando ao invés de estudar?

— Não! Pai olhe, não foi na escola, por favor, se acalme. — pediu, já um pouco desesperada.

— Thalia eu não posso me acalmar quando você tá andando com pessoas que mexem com drogas!  Hoje a maconha, amanhã cocaína quando eu for ver você vai tá internada numa clínica de reabilitação!

— Foi só uma... Duas vezes, não vai acontecer de novo.

— Como eu posso ter certeza disso, Thalia? — Simon bufou colocando os óculos novamente. — Você não me contou da primeira vez e só me contou agora porque eu senti.

— Eu juro! Não precisa ficar bravo...

— Ah, mas eu estou bravo. Eu não quero você estragando seu futuro brilhante, filha!

— Eu já pedi desculpas!

Thalia estava à beira das lágrimas. Uma coisa era sua mãe brava, outra coisa era seu pai, que nunca nem levantava a voz.

— Você está de castigo. — disse ele.

— Mas pai...

— Você quer aumentar o castigo?

— Não. — Thalia suspirou.

— E eu vou contar para a sua mãe, não posso esconder isso dela.

Thalia deu de ombros, encarando seus pés que estavam cobertos apenas pelas suas meias brancas. Simplesmente não tinha coragem para encarar seu pai.

— Tudo bem, acho que é impossível ela ficar tão decepcionada quanto você, então...

Ele respirou fundo, entrando na sala. Thalia o seguiu sem saber direito o que fazer. Simon olhou para ela do sofá.

— Thalia eu não estou decepcionado com você, eu estou muito bravo e muito triste por você ter mentido e feito o que não deveria, eu não estou decepcionado com as suas atitudes. Tudo bem, eu posso entender que você é jovem e que pode ser normal querer experimentar essas coisas, mas nós sempre falamos abertamente sobre isso nessa casa e eu não esperava que você fizesse algo assim.

Ela abaixou a cabeça mexendo os dedos, nervosa. Não suportaria continuar olhando nos olhos dele.

— Não vai acontecer de novo.

— Eu espero que não mesmo, Thalia.

Eles passaram alguns minutos calados, a tensão do ar era quase palpável e Thalia sentia vontade de se enroscar no colo dele e chorar até não poder mais.

— Desculpe de novo, pai.

— Você vai ser perdoada, depois do castigo. — Ele respondeu um pouco mais suave. Parecendo meio perdido.

— E esse castigo vai ser como? Você nunca me colocou de castigo antes.

Ele tentou parecer confiante, desviando os olhos dela e focando no desenho que passava na televisão sem muito interesse.

— Eu ainda não decidi isso, mas eu vou tirar seu telefone.

— Mas... como eu vou conversar com a Sky? — Ela perguntou confusa, antes de finalmente entender e voltar a mexer nos fios soltos da sua calça jeans. — Ah, eu não vou né? Ok.

— Não, não vai.

— Ela pode vir aqui pelo menos? — Thalia questionou meio incerta. — E... Hm... Você não vai contar pra ela, não é?

Simon a olhou de soslaio e suspirou.

— Acho que você deveria contar, ela vai ficar chateada se você não disser — Simon deu de ombros e esticou a mão. — Agora me dê seu celular.

— Se eu contar ela vai ficar ainda mais chateada. — Thalia disse sem emoção, tirando o celular do bolso e entregando para seu pai.

— Eu não posso decidir isso, Thalia, mas você deveria pensar sobre isso. Sky odeia mentiras.

— Eu não quero decepcioná-la também, pai.

— Pelo o que eu a conheço, ela vai ficar mais decepcionada se você não for sincera com ela. — Simon declarou já bem mais calmo, guardando o celular no bolso. — E ela só vai poder vir até aqui porque já é praticamente da família.

— Acho que você deveria contar, ela vai ficar chateada se você não disser — Simon deu de ombros e esticou a mão. — Agora me dê seu celular.

— Se eu contar ela vai ficar ainda mais chateada. — Thalia disse sem emoção, tirando o celular do bolso e entregando para seu pai.

— Eu não posso decidir isso, Thalia, mas você deveria pensar sobre isso. Sky odeia mentiras.

— Eu não quero decepcioná-la também, pai.

— Pelo o que eu a conheço, ela vai ficar mais decepcionada se você não for sincera com ela. — Simon declarou já bem mais calmo, guardando o celular no bolso. — E ela só vai poder vir até aqui porque já é praticamente da família.

— Eu tenho medo que ela termine comigo... — Thalia sussurrou com a voz chorosa, abraçando o próprio corpo.

— Thalia eu não posso te garantir nada, mas eu estou te dando um conselho: pelo que eu conheço a Sky e a história de vocês eu duvido que ela termine com você por isso. Mas se você não for sincero com ela, e de alguma forma ela descobrir isso, ai sim você vai correr um risco maior de ficar sem ela.

Thalia deu de ombros, mordendo os lábios. Sua boca estava seca e com um gosto muito ruim.

— Tá bom. Acho que eu devo começar a ouvir você e a mamãe mesmo.

Simon assentiu os dois não sabendo o que fazer, desviando o olhar.

— Tudo bem, agora vá fazer seu dever de casa. Eu preciso tentar me concentrar em um trabalho.

— Eu estou indo. — murmurou desesperada para sair correndo para fora da sala. — Bom trabalho.

— Ok. Eu amo você. — Ela mordeu os lábios com mais força, os olhos lacrimejando um pouquinho.

— Eu também. — disse antes de sair pelo corredor.

Simon ouviu a porta fechando e finalmente pode respirar. Seus olhos ardiam por trás dos óculos, e ele precisou se apoiar no encosto do sofá e os fechar para não desabar em lágrimas.

Como isso aconteceu? Como ele deixou isso acontecer? Sentiu-se imediatamente culpado, embora soubesse que não era sua culpa. Só de pensar em contar isso para Izzy já fazia com que ele se sentisse à beira de um surto. Ela ficaria tão arrasada.

Definitivamente não estava preparado para isso.


{...}


— COMO É QUE É?! — Isabelle arregalou os olhos castanhos, se deixando desmoronar no sofá. — Que história é essa, Simon?!

Os dois estavam na sala, e Simon havia tentado contar a esposa, do jeito mais cauteloso possível, o que Thalia havia feito.

— Ela disse que foi um colega da escola que deu a ela, e que foram duas vezes. Ela está com muito medo de decepcionar todo mundo. — Simon explicou.

— MAS ELA JÁ DECEPCIONOU, SIMON! ESSA ERA A ÚNICA COISA QUE ELA NÃO PODIA FAZER! A ÚNICA! — Isabelle vociferou se levantando do sofá e começando a andar de um lado para o outro na sala.

— Eu falei isso pra ela, amor. Ela está muito arrependida.

— Eu vou descobrir quem é esse colega. — Isabelle disse convicta. Simon não duvidou que ela fosse mesmo. — Simon, ela não poderia ter feito isso! E se ela... Você sabe.

Simon esticou o braço e pegou na mão da esposa, puxando-a para o sofá novamente.

— Ela não vai. Nós só precisamos conversar com ela... Foi por isso que você... — Simon suspirou. — você não tinha apoio, mas ela tem. Nós vamos resolver isso.

Isabelle afundou a cabeça no ombro do marido. As lembranças de quando era ela no lugar de Thalia voltaram à tona. Ela lutou tanto para se livrar daquele maldito vício, não suportaria ver sua filha na mesma situação.

— Si eu... Eu não vou suportar isso, ela não pode fazer isso comigo! — ela sussurrou a voz chorosa, quebrada de um jeito que ele estava odiando ver novamente. — Eu sempre falei pra ela não se meter com drogas! Nós deixamos a Sky dormir quase todo dia aqui,  nós a deixamos fazer tudo o que quer... Ela tem aceitação e um futuro quase todo garantido...

— Izzy, por favor, meu amor fique calmo, nós vamos resolver isso tudo bem? Podemos falar com o Alec ou com o Magnus, colocar ela num psicólogo, qualquer coisa, vamos resolver.

— Eu tenho medo de que aconteça o mesmo com ela Simon, eu não quero a nossa filha passando por isso.

— E ela não vai, eu te prometo tá bom? Eu nunca descumpri uma promessa pra você, Isabelle. — ele beijou sua testa, fazendo carinho de leve na mão dela.

— Você não pode me prometer isso... Não há como garantir que ela não vá fazer de novo e eu digo isso por experiência.

Simon suspirou, sabia que ela estava certa. Não podia controlar aquilo, mas dói tanto ver a esposa daquele jeito. Doeria ainda mais ver Thalia se afundando em alo parecido com o que aconteceu com ela anos atrás.

— Mas não vamos deixar, nós sabemos o que aconteceu e vamos fazer de tudo pra não acontecer de novo, Izzy. Tá bom?

Ela assentiu, respirando fundo. Tentando garantir para si mesma que tudo ficaria bem.

— Onde ela está? — perguntou baixinho.

— Quarto. Quase não saiu de lá a tarde inteira.

— Eu vou falar com ela e depois vou matar o garoto deu droga pra minha filha — Isabelle se levantou firme, mas continuava com uma expressão perdida.

— Quer que eu vá com você? Sei o quanto é difícil pra você falar sobre isso. — Simon se levantou e se aproximou da esposa, afastando uma mecha de cabelo do rosto dela.

Isabelle abriu um sorriso pequeno e assentiu fracamente. Sempre gostou de parecer forte para todos. Sempre era forte para todos. Mas quando se tratava de Simon, ele simplesmente sabia quando ela estava prestes a desabar.


Ela segurou firme na mão dele e os dois caminharam pelo corredor.


Quando chegaram na porta de Thalia, Isabelle colocou a mão livre na maçaneta e respirou fundo, apertando a mão de Simon, antes de abrir a porta de supetão, fazendo-a bater na parede com um estrondo.


Thalia, que estava em cima da cama com os livros em volta, levou um susto, derrubando todos os livros e cadernos no chão.

— Que história é essa de drogas? — a voz dela era assustadoramente calma, e isso foi pior do que se ela tivesse gritado.

— Mãe, mãe desculpa — Thalia disse desesperada, se levantando da cama. — Eu... Desculpe.

— Eu só te pedi uma coisa, Thalia! Eu só te privei de uma coisa! DE UMA ÚNICA COISA!!

Isabelle tremia levemente e Simon apertou a mão dela em forma de conforto.

— Eu sei, mãe, o papai já disse isso... Desculpa!


— Quem te deu isso? — perguntou, o rosto sério.


— Um colega da escola.— Thalia murmurou, se afundando no colchão, abaixando a cabeça.


— Eu quero um nome.

— Não importa, mãe. — resmungou.

Isabelle olhou para ela ainda mais furiosa. A expressão dela já era comum, mas não a deixava menos intimidadora.


— Eu não estou para brincadeira aqui. Eu vou perguntar mais uma vez e eu quero uma resposta, está me ouvindo? — Perguntou, Thalia podia ouvir a voz dela tremendo, de raiva e mágoa, e isso a destruiu um pouquinho. — Você sabe que eu vou descobrir de qualquer jeito. Quem te deu?

— Adam. — respondeu, encolhendo os ombros.

 

Izzy assentiu, respirando fundo. Simon segurou sua mão com mais força, os dedos entrelaçados e fazendo carinho com calma.

— Ótimo. — disse, levantando o rosto para olhar para ela de novo. — Agora… PORQUE DIABOS VOCÊ FEZ ISSO, THALIA CHARLOTTE? VOCÊ TEM NOÇÃO DE ALGUMA COISA PRA FAZER ISSO? PORQUE PELO VISTO NÃO!

— Desculpa mãe… desculpa. Eu só… queria experimentar.

Isabelle soltou uma risada amarga. Enxugando uma lágrima com os dedos.

— Eu te pedi tanto, filha, eu fiz de tudo pra você não cometer o mesmo erro que eu. E agora? — Thalia se afundou mais no seu lugar, o lábio inferior tremendo de segurar o choro. — E se você quiser de novo? Eu aguento muita coisa nessa vida, Thalia, mas a minha filha se afundando assim? Não.

— Me desculpa, mãe, não vai acontecer de novo e... Espera, você o que? — Thalia estalou os olhos quando processou as palavras.

— Eu o que?

— Você disse que não quer que eu cometa o mesmo erro que você, o que isso quer dizer?

Isabelle ficou tão nervosa que apertou a mão de Simon um tanto forte demais, fazendo-o arfar.

— Não quer dizer nada — disse ela, sua voz vacilando um pouco.

— Mãe, você usa drogas? — Thalia perguntou sem conseguir se segurar.

— É claro que não! — Isabelle mordeu os lábios com força e suspirou quando Simon soltou sua mão e abraçou seu ombro. — Eu... Hm... Eu já usei Thalia, eu... Era viciada.

Thalia sentiu seu corpo todo fraquejar. Nunca pensou que o motivo por sua mãe ser tão antidrogas era ela já ter usado. Sentiu-se desesperadamente uma estúpida.

— Meu Deus, mãe, eu... Não sabia. Me desculpa! — ela disse a beira das lágrimas. — Eu sei que eu sou uma péssima filha e que decepcionei muito vocês, mas me perdoa. Eu não queria que você tivesse que viver isso de novo...

Isabelle respirou fundo, tentando manter a calma. A vontade de grudar Thalia pelos cabelos passando lentamente.

— Está tudo bem. Eu deveria ter te contado isso antes, mas é tudo tão doloroso, e eu não pensei que precisaria ter essa conversa com você. Eu sei como é, Thalia, sei como parece ser bom... Mas não é. Eu tive sorte...

— Eu sei, eu juro que não vou fazer de novo. Eu nem gostei tanto assim, eu fiquei curiosa, e o Adam disse que isso ajudava a controlar a raiva, eu não queria que vocês tivessem que ir toda hora à escola por minha causa.

Ela começou a falar muito rápido, os dedos se entrelaçando em um gesto nervoso, os olhos cheios de lágrimas.

Simon soltou um suspiro. Queria apenas pegar aquelas duas meninas e proteger de tudo no mundo. Mas sabia que não era assim que funcionava.

— Thalia existem milhares de jeito de controlar a raiva! E eu não me importo de ficar indo na escola por causa disso. — a voz de Isabelle estava mais suave, mas ela ainda parecia magoada e a ponto de chorar. — Talvez seja um pouco errado, mas eu tenho orgulho de você por ser tão confiante, era assim que eu sempre sonhei que você fosse desde que eu descobri que estava grávida de uma menina.

— Desculpe, eu não sei o que eu estava pensando, mas eu nunca vou fazer isso de novo eu juro, eu não queria fazer vocês dois ficarem bravos ou tristes comigo, eu sinto muito mãe. Eu nunca… — Thalia soltou um soluço, se abraçando. A respiração rasa.

— Eu estou decepcionada, Thalia. Muito. Parece que eu fiquei todos esses anos falando com o vento. Eu sempre te dei liberdade, para que você respeitasse pelo menos o único limite que eu impus. Me dói saber disso, Thalia, dói no seu pai, dói até no seus tios, se eles souberem, porque eles estavam do meu lado, eles sabem como foi difícil, eles sabem como isso nos afeta. Eu comecei com isso para buscar refúgio por causa dos meus pais... E a gente te dá absolutamente tudo, Thalia! A gente sempre está aqui por você. Eu não consigo entender…

Thalia suspirou e abaixou a cabeça, não conseguindo mais segurar as lágrimas.

— Eu não queria decepcionar ninguém, mãe, eu sinto muito. Eu sei que vocês são os melhores pais do mundo e eu sou muito sortuda por ter vocês. Não vai acontecer de novo.

— Eu vou te dar esse voto de confiança, mas não desperdice. — Isabelle suspirou pesadamente. — Seu pai me contou sobre o castigo, e eu realmente pensei em não te deixar ver a Sky, mas talvez ela consiga pôr um pouco de juízo na sua cabeça.

— Por favor, não conte nada pra Sky. — Thalia sussurrou em meio às lágrimas.

— Não vou você vai. Senão, vai dizer pra ela que está de castigo porque? Você mais do que ninguém sabe o quanto ela odeia mentiras, Thalia.

— Eu não quero que ela termine comigo, mãe.

— Acho que tem mais chances de ela terminar se você mentir pra ela. Sky sempre foi sincera em relação a tudo com você, com a coisa dos pais delas e tal. Contar a verdade é o mínimo que você pode fazer.

— Eu não quero decepcionar ela também.

— Decepção passa Thalia. Faça o que quiser, mas vai ser pior se você mentir, isso eu garanto.

— Tudo bem. — Thalia respirou fundo. — Desculpe de novo, mãe. Eu vou resolver isso.

Isabelle assentiu e esticou a mão, pegando a de Simon e enlaçando seus dedos.

— Você está de castigo por um mês, é daqui para a escola e da escola para cá. Seu eu descobrir que você respirou perto desse tal de Adam, eu te proíbo de ver a Sky. E você sabe que eu descubro.

Thalia assentiu fracamente. Não tinha a menor dúvida de que ela descobriria, mas não iria chegar perto de Adam de qualquer forma.

— Tudo bem.

— Eu vou ligar para a Sky vir até aqui. — Isabelle começou a puxar Simon em direção à porta.

— Tá bom. Desculpe de novo, mãe. Amo você.

Isabelle suspirou na soleira da porta, ainda de costas para a filha.

— Eu também amo você — respondeu e saiu fechando a porta, se jogando nos braços de Simon no instante seguinte.

Ela passou os braços ao seu redor, deixando-a afundar o rosto em seu pescoço e desmoronar em um choro forte. Soluços sendo abafados por sua blusa.

Ele beijou seu cabelo, esperando se acalmar completamente antes de afastá-la minimamente.

— Vamos pra sala agora, sim? — ele segurou o rosto dela, limpando suas lágrimas com o polegar, em um carinho suave. — Ligamos para a Sky e nos acalmar. Vou fazer um jantar muito gostoso pra você. Parece bom?

Não era como se ele não estivesse despedaçado, mas sabia que era mil vezes pior para Izzy. Ele não acompanhou o início do vicio dela, mas estava lá durante a sua recuperação e sabia o quão duro havia sido. Como ela sofreu. Não queria isso para Thalia e nem que a esposa passasse por toda aquela dor de novo.

— Sim.


{...}


Quando Sky chegou na casa uns quarenta minutos depois. Animada como sempre, usando um vestidinho florido e os cabelos presos em Marias - Chiquinha.

— Oi tio Simon. — ela sorriu, abraçando-o.

Simon tinha se esforçado para parecer tão animado quanto ela, mas Isabelle estava sentada no sofá com a maior cara de morte, os olhos vermelhos e os cabelos presos em um coque no alto da cabeça. Parecia desleixada, fungando baixinho e usando uma camiseta do Star Wars de Simon.

— Oh meu deus, tia, alguém morreu? — Ela perguntou preocupada, se apressando para parar ao lado de Izzy, a mão no ombro da mulher.

— Não querida, ninguém morreu. — ela se esforçou para abrir um sorrisinho para a garota, apertando sua mão. — Mas você deveria conversar com a Thalia. Ela está no quarto, de castigo.


— De castigo? — Sky perguntou incrédula. — Mas ela nunca fica de castigo.


Isabelle simplesmente deu de ombros. Sky engoliu seco e saiu correndo pelo corredor, batendo na porta de Thalia.


— Tá aberta. — a voz de Thalia ecoou do outro lado.


Sky entrou e suspirou ao ver Thalia completamente encolhida na cama, embaixo das cobertas.


— Thaly? — ela chamou se sentando na cama. — Thalia, amor, o que aconteceu? Sua mãe me disse que você está de castigo, você nunca fica de castigo e... — a ruiva se calou quando ouviu uma fungada embaixo das cobertas. — Thalia, você tá chorando?


Thalia afastou as cobertas, limpando as lágrimas do rosto. Ela se sentou na cama, de cabeça baixa.


— Sky, eu... eu sou uma pessoa horrível, eu fiz uma coisa horrível e agora meus pais estão decepcionados comigo e você também vai ficar. — Thalia disse com a voz trêmula, agarrando firme suas cobertas.


Sky já estava suficientemente nervosa, e a expressão de Thalia só piorava as coisas.


— O que você fez? — ela perguntou.


— Me desculpa, eu não devia ter feito isso eu... — Thalia abraçou Sky fortemente, escondendo o rosto no pescoço dela. — Eu não sei porque eu fiz isso.


— Thalia, você tá me deixando preocupada, o que você fez?


Thalia engoliu seco e fungou mais algumas vezes, apertando Sky em seus braços enquanto sussurrava:


— Eu fumei maconha.


— COMO É QUE É? — ela pula da cama com os olhos arregalados.

— Desculpa, por favor, me desculpa... Sky eu não... Desculpa por favor.

Ela se sentou na cama, limpando os olhos apressada. Olhando pra Sky parada no meio do quarto, os olhos arregalados e balançando a cabeça.

— Thalia que merda você tem na cabeça? Quem foi que te deu isso?

— Desculpa! Eu não sei o que deu em mim, eu só... Fiquei curiosa sei lá, por favor, me perdoa.

Sky cruzou os braços, furiosa, uma sobrancelha arqueada.

— Quem te deu?

—... o Adam — Sussurrou de volta, se encolhendo mais no lençol.

— VOCÊ ESTÁ ANDANDO COM AQUELE IMBECIL THALIA? — ela passa as mãos no rosto — Era pra isso que você queria vir pra casa sozinha? Pra se enfiar no beco com o babaca do Adam para fumar?


Thalia se levantou desesperada.


— Eu não estou andando com ele, eu juro! Foram só duas vezes! Eu só... Eu não sei... Eu não... Sky... — a voz dela estava embargada por conta das lágrimas.


— Só duas vezes, Thaly? Só? — Sky estava com a voz cansada, dando alguns passos para trás. — Você sabe o que seus pais sempre te disseram sobre drogas.


— Eu sei, eles já brigaram comigo, estou muito arrependida, me perdoa Sky, não vou fazer isso de novo.


Sky respirou fundo, abraçando o próprio corpo.


— Além disso você mentiu pra mim, Thalia. Você me dispensou pra... Para isso! E se seus pais não tivessem descoberto? Você iria continuar mentindo e andando escondida com o Adam? Você estaria arrependida?


Thalia recuou como se tivesse levado um tapa na cara. Seu coração doía e ela só queria chorar, chorar e chorar.


— Skyllyn... — ela chamou em um soluço. — Eu juro que não vou fazer de novo, eu não ia fazer de novo. Eu nunca mais vou chegar perto do Adam. Eu não queria decepcionar ninguém.


— Eu realmente quero acreditar em você, mas você já fez de novo. Foram duas vezes, não?


Um silêncio mortal tomou conta do quarto, até que Thalia voltou a sussurrar.


— Foram, mas foi só.


Sky pressionou os lábios e respirou fundo.


— Acho melhor eu ir embora.


— Não... Sky por favor... Fica aqui, me perdoa — ela segurou o braço de Sky, chorando, o rosto muito vermelho, os óculos embaçados — Por favor, não termina comigo.

Sky mordeu os lábios, segurando a mão dela sobre o braço, fazendo um carinho quase automático nela.

— Eu não estou terminando com você Thaly, eu te amo... Mas você me magoou muito. Com tudo isso.

Thalia mordeu os lábios, se afundando no colchão.

— Eu sei me desculpa. Eu faço qualquer coisa pra você me perdoar, por favor, não vai embora. Eu não quero ficar aqui sozinha.

Ela ficou quieta por um tempo, o rosto impassível. Coçou a sobrancelha com os dedos, suspirando.

— Tudo bem, eu fico. — Ela deu um sorrisinho. — Mas não vou poder dormir aqui. Meus pais estão pegando no meu pé essa semana.

Thalia deu um sorriso triste, beijando sua mão com carinho, em forma de apoio.

— Me desculpa, por  favor, eu não queria que você se decepcionasse comigo. Eu sou terrível, eu sei.

— Você deveria ter pensado nisso antes. — disse simplesmente.

—... Eu sinto muito, sei disso.

— Espero que você saiba mesmo — elas ficaram um grande tempo caladas, um silêncio quase assustado, Sky abraça ela, enterrando o rosto em seu ombro. — Você é uma idiota Thalia.


— Eu sei, desculpe, eu não podia ter feito isso com você e com meus pais — Thalia sussurrou apertando a namorada.

— O que eles te falaram? Deve ter sido uma bronca e tanto, eles nunca tinham te deixado de castigo.

— Meu pai gritou comigo, nunca havia o visto daquele jeito. — Thalia suspirou — Minha mãe então... ela... ela já se envolveu com drogas quando era mais nova, Sky, ela não queria que eu errasse igual ela e olha só o que eu fiz.

— Seu pai gritando? Sua mãe mexia com drogas? — Sky arregalou os olhos — Meu Deus...

— Eu sei, eu sou uma filha horrível — Thalia suspirou ainda agarrada ao corpo de Sky.

— Seus pais são maravilhosos, já vocês estão bem de novo.

— Não sei o que vou fazer para recuperar a confiança deles.

— Não fazer de novo é uma boa opção.

— Eu não vou, prometo, já disse isso pra eles. — Thalia respirou fundo. — Eu te amo, Sky, desculpe te decepcionar.

— Eu também te amo, e me decepcionaria mais se descobrisse por outra pessoa. — Sky murmurou soltando Thalia.

Uma batida na porta ecoou e as duas se viraram para encontrar Simon parado na soleira.

— O jantar está pronto.

— Já estamos indo, papai. — Thalia deu um sorriso fraco.

— Não demorem, senão sua mãe vem buscar vocês pelo cabelo.

Thalia deu um sorriso, os olhos ainda muito vermelhos.

— Certo papai.

Ele fechou a porta de novo, antes de dar um sorriso para as duas. Sky virou para Thalia assim que ele saiu do quarto.

— Se você está de castigo porque ainda podemos nos ver?

A outra deu de ombros, tirando os óculos para poder limpar o rosto do choro, fungando baixinho.

— Não sei, meus pais acham que você vai colocar um pouco de juízo em mim.

— Eu tenho certeza que eles fizeram isso antes de eu chegar. — riu baixinho, observando ela ir até o banheiro do quarto para lavar o rosto e prender os cabelos. — Não faço ideia de porque iria precisar de mim.

— Pois é, fizeram mesmo. Mas você está reclamando?

— De jeito nenhum, gosto que eles confiem em mim pra cuidar de você. — ela sorriu, porque era verdade.

Sky se sentou melhor na cama, encostada na cabeceira e deixou Thalia deitar a cabeça no seu colo.

— Sky, eles te amam e tem muito orgulho de você. — ela disse, segurando a mão da namorada com força. Sabia que aquilo era importante pra Sky, ter pessoas que a apoiavam e se orgulhavam, porque sinceramente, não havia nada para não se orgulhar.

— Fico feliz por isso, agora vamos, não vamos deixar sua mãe esperando.

Thalia suspirou, quase rindo de nervoso.

— Vamos.


* * *


Alec estava atravessando a sala para voltar para o quarto, de pijama estampado e com um balde de pipoca na mão quando a porta começou a ser espancada.


Ele revirou os olhos e foi até a porta. Mal havia a abrido e Isabelle já havia irrompido para dentro.


— ALEC ME AJUDA, EU SOU UMA MÃE HORRÍVEL!


— O que houve? — Alec perguntou caminhando atrás dela pela sala.


Os olhos de Isabelle queimavam por lágrimas que ela se recusava deixar cair.


— A Thalia usou drogas — ela disse claramente desesperada.


Alec deixou o balde de pipoca cair no chão mas não se importou. Ele apenas abriu os braços e deixou Isabelle se jogar neles, não conseguindo mais segurar o choro.


— Mas como? Por quê? — Alec balbuciou acariciando os cabelos da irmã. — Oh, Izzy...


— Eu não sei, ela disse que queria experimentar e que queria controlar a raiva... Eu não sei o que fazer, Alec.


Alec balançou a cabeça e levou Isabelle até o sofá, sentando-se com ela, ainda a abraçando.


— O que ela disse?


— Que ela usou duas vezes, um colega da escola deu, ela falou que... Ficou curiosa e que ele disse que controlava a raiva.

Alec franziu o cenho, puxando a irmã para mais perto.

— Desde quando ela precisa controlar a raiva? Ela adora ser temida daquele jeito, igualzinha a você. — ele parecia ainda mais confuso. — Ela gostou?

— Ela disse que não queria que eu e Simon ficássemos toda hora na escola por causa disso. Como que eu vou saber se ela gostou? Ai meu deus Alec e se ela tiver gostado?

— Você deveria ter perguntado né, mas ela se arrependeu pelo menos?

Izzy olhou feio para ele, cruzando os braços.

— Eu não lembrei estava ocupada ficando desesperada. — bufou baixinho, apoiando a cabeça no ombro dele. — Ela pediu desculpas, disse que se arrependeu e nunca mais vai fazer isso... Mas e se ela fizer Alec? Eu não vou aguentar ver minha filha passando por isso.

— Não tem nada que você possa fazer por enquanto Izzy, eu sei que é difícil, mas você tem que esperar e ir conversando com ela. Com calma. Você contou pra ela? Sobre você?

Izzy suspirou os olhos já ficando molhados novamente. Ela odiava chorar, mas parecia impossível não o fazer naquele dia.

— Contei, ela começou a chorar e ficar se desculpando. Dizendo o quanto estava arrependida por me fazer pensar nisso.

— Então talvez assim ela realmente não faça de novo. Você sabe que ela ama você e o Simon mais que tudo.


— Eu sei, mas e se ela fizer? O que eu vou fazer, Alec? Ela fez duas vezes e eu nem percebi. — Isabelle fungou enquanto as lágrimas rolavam por suas bochechas.


— Não fique se culpando, Isabelle, não tinha como você saber. Não é sua culpa. — Alec suspirou e pegou na mão da morena, acariciando-a — Você só precisa ir com calma com ela, descobrir quem deu pra ela e tentar por um fim nisso tudo.


Isabelle assentiu calmamente e limpou as lágrimas.


— Eu vou na escola amanhã resolver isso... Sky vai ficar de olho nela... Meu Deus, Alec, se ela fizer isso de novo eu sou capaz de jogar ela pela janela, juro por tudo que é mais sagrado.


— Não fale bobagens, Isabelle, eu nunca te joguei pela janela. — Alec disse seriamente. — É de ajuda que ela precisa.


Isabelle concordou com a cabeça, já arrependida das palavras.


— Você acha que eu deveria por ela em um psicólogo ou algo assim?


— Isso você deveria perguntar pro Magnus, afinal ele é um psicólogo, mas eu sinceramente acho que você e Simon que deveriam com ela, ouvi-la, sabe, sem brigas.


A morena pareceu se perder em pensamentos por alguns instantes, mas logo voltou para a realidade.


— Eu fiquei tão nervosa, Alec... O Simon estava gritando, você sabe como isso é praticamente impossível. Eu acho que estou sendo muito rude com ela mas... eu não sei mesmo o que fazer.


Ela se deixou afundar nos carinhos do irmão em seus cabelos enquanto ainda segurava sua mão.


— Eu sei que é difícil pra você Izzy, mas agora que vocês já gritaram bastante com ela, pense quando era você no que você precisava e faça pra ela. Thalia precisava da bronca? É claro que sim, mas agora ela precisa de apoio.


Eles ficaram em silêncio por um momento, Izzy se esticou um pouquinho para beijar a bochecha do irmão, deixando uma marca do seu batom vermelho desbotado.


— Ainda bem que você é a minha voz da razão Alec. Obrigada, maninho. Não sei o que eu seria sem você.


— De nada, mas não jogue ela da janela. — ele brincou, sorrindo mais leve.


— Não vou. vou conversar com ela e ajudar. E vou falar com Magnus, ele deve ter algum conselho profissional. Vamos cuidar disso do jeito certo.


— Tudo bem, e se precisar de ajuda com algo na escola o Max pode ajudar. — ele ofereceu — Tenho certeza que ela não reclamaria.


— Eu sei, mas acho que a Thalia devia falar com ele. — suspirou. — Tem que aprender a assumir as consequências do que ela faz. Se ela sabe que o Max é seu amigo e primo, e que merece honestidade dela, ela vai falar.


— Eu não acho que ela vá fazer isso, ela é igual você Isabelle, não gosta de atormentar os outros por mais que precise.

— Você acha que ela ficaria chateada se eu contasse? — perguntou. — Ou que eu estaria impedindo ela de assumir seus problemas?


— É para o bem dela, Izzy. Você é mãe, tem todo o direito de ajudar ela, se isso for difícil, você vai estar lá do lado dela. Você, Simon, eu, Magnus e com certeza todas as pessoas que amam ela.


— Mas eu não quero incomodar o Max a essa hora...


— Ele tá ali no corredor ouvindo a conversa — Alec disse sem emoção.


Um "ei!" ecoou do corredor e Isabelle se virou com um sorriso para olhar o sobrinho que havia aparecido na sala.


— Eu não tava ouvindo! Eu só tava passando! — disse ele, passando a mão pelos cachos azuis de seus cabelos.


— E ficou grudado no corredor? — Alec questionou com uma sobrancelha arqueada.


— Eu fiquei entretido com o tanto de pipoca no chão. — Max se defendeu.


— Nem você acredita nisso, Max.


— Verdade, desculpe. — ele deu de ombros — Oi tia Izzy.


— Oi, meu amor — Isabelle respondeu sorrindo.


— Eu não queria ouvir, ta? Mas já que meu nome foi citado... — ele abriu um sorrisinho e pulo no sofá entre o pai e a tia.


— Eu não te criei assim não, você aprendeu sozinho — Alec murmurou com as sobrancelhas juntas.


Max deu um sorrisinho para o pai e um tapinha no ombro dele antes de voltar a prestar atenção em Isabelle.


— Max, a Thalia usou drogas.


— Espera, o que? — o sorriso de Max sumiu. — Essa parte eu não peguei.


— Ela tava andando com um garoto chamado Adam e fumou maconha — Isabelle disse com a voz entristecida


—O Adam do terceiro ano? Esse cara é um imbecil! — Max arregalou os olhos. — Thalia sempre o odiou, porque começou a andar com esse idiota?

— Eu imaginei! Mas não faço ideia de porque ela se envolveu com ele. Max, você precisa me ajudar a colocar juízo naquela cabeça.

— Eu posso até tentar tia, mas não acho que ela vai me ouvir. Thalia é teimosa.

— É claro que ela vai Max, você sabe que é o melhor amigo dela.

Max abriu um sorrisinho, segurando a mão da tia.

— Tá bom, mas ela vai saber que vocês me mandaram lá.

Alec deu de ombros.

— Tudo bem, ela não pode reclamar disso. Obrigado por ajudar. — ele colocou a mão no ombro do filho, mas então se virou pra ele coma uma expressão nervosa no rosto. — Você nunca usou drogas né?

Max fez uma careta, levantando os braços.

— NÃO! — ele franziu o cenho, e então abriu um sorrisinho. — A única droga que eu uso é o amor pela Emily.

Isabelle soltou uma gargalhada, bagunçando ainda mais os cachinhos do sobrinho. Alec olhou pra ele com uma careta.

— Não precisa gritar garoto, seu pai tá dormindo. — soltando um suspiro. — E não seja brega assim.

Max revirou os olhos, mas ainda estava sorrido, se se encostou em  Izzy para abraçar ela com carinho.

— Desculpa, mas eu nunca usei não... Às vezes eu tomo muito café, mas é só isso! E eu não sou brega, sou apaixonado.

— Ótimo, continue assim, se não eu te jogo pela janela.

— Não se aplica a você — Alec deu de ombros.

— Ainda bem que eu não uso então.

— Ainda bem mesmo, não quero passar por aquilo de novo. — Alec sussurrou.

Max arregalou os olhos para ele.

— Você usou drogas pai? — ele perguntou contendo um grito.

— O que? — Alec se amaldiçoou ao perceber o que havia dito. — Não, eu não.

Isabelle respirou fundo se afundando no sofá.

— Fui eu — disse ela.

Max a olhou incrédulo, com a boca formando um perfeito O.

— Você??? Mas tia você é a pessoa mais antidrogas que eu conheço.

— Ah, e você nunca se perguntou por quê?

— Eu pensei que era porque você é inteligente — Max deu de ombros.

— Bem, mas eu não era... Mas não adiantou muito, né, olha onde minha filha se meteu.

— Não foi culpa sua, tia Izzy. — Max acariciou a mão dela — Ela fez isso e fez sozinha, não foi sua culpa.

— Ela disse que queria controlar a raiva pra eu e o Simon não precisar ficar indo no colégio, fui eu que toquei nesse assunto.

— Ela é retardada, tia, você e o tio Simon não fizeram nada... AI PAI! — ele gritou após levar um cutucão de Alec.

— Fico feliz que queira me consolar — Isabelle disse com uma risadinha fraca. — Mas um pouco de culpa não deixa de ser minha.

— Tá bom, mas você fez o que pode pra Thalia não fazer isso, tia, então a maior parte da responsabilidade é dela, pode deixar que eu vou dar uma bronca nela.

Isabelle e Alec se entreolharam com um sorriso satisfeito e a morena assentiu.

— Nossa eu fui muito responsável agora — Max comentou — Aproveitaram? Só vou falar assim de novo daqui a cinco anos.

— Se tivermos sorte — Alec suspirou.


— Eu vou ser muito responsável quando entrar na faculdade. Vocês vão ver, vão até querer me dar um carro.

Alec olhou pra ele com um sorriso debochado no rosto, se inclinando um pouco para apertar a bochecha dele.

— Vai sonhando, garotão.

— Ai pai, que ruindade. — ele cruzou os braços, fazendo uma careta.

— Você só quer um carro pra ficar se amassando com a Emily lá dentro, todo mundo sabe.

— Eu quero um carro para poder ir aos lugares e me agarrar com a Emily nele depois. — explicou. — Vai ser útil e eu não preciso ficar incomodando você e o papa para me levarem nos lugares.

— Transporte público não existe? — Ele perguntou, dando de ombros. — E, além disso, vocês têm pernas e casa para fazer essas coisas, não precisam ir presos por atentado ao pudor.

Isabelle olhou para ele com uma sobrancelha arqueada, como se perguntasse se ele e Magnus quase foram presos por atentado a pudor quando namoravam e não contaram a ela.

— É diferente, pai.

— A gente vai pensar no seu caso um dia, ok? — ele prometeu. — Mas a questão aqui não é você e o seu futuro carro.

— Tá bom, agora eu vou dormir porque preciso ser responsável de novo amanhã pra falar com a Thalia. — ele sorriu se levantando do sofá e deixando um beijo na bochecha de cada um.

— É pra dormir mesmo tá, não pra ficar fazendo coisas impróprias com a Emily pelo telefone. — Alec mandou.

Izzy soltou uma risadinha, e Max fez uma expressão chocada para ele.

— Filho errado tá? É o Rafe que faz essas coisas, não eu.


— Não acho que o Rafe fique gemendo o nome da sua namorada — Alec deu de ombros para a expressão incrédula de Max — O que? Vocês pensam que são só vocês que ouvem as coisas nessa casa.

— Acho melhor eu ir dormir né — Max disse com as bochechas coradas, voando para o corredor. — Boa noite, pai, boa noite, tia Izzy, amo vocês.

— Boa noite — os dois responderam, mas Max já havia sumido pelo corredor.

Isabelle suspirou e se levantou calmamente, alongando os braços.

— Acho melhor eu ir, Simon deve estar preocupado apesar de eu ter certeza que ele sabe que eu vim pra cá — ela deu de ombros com um sorrisinho — Obrigada, Alec.

— Sempre que precisar — Alec sorriu e se levantou, abraçando a irmã em seguida. — Amo você, Izzy.

— Eu também amo você.

Os dois foram até a porta e assim que Isabelle saiu, Alec bocejou e trancou a porta. Ele voltou para o quarto evitando as pipocas no chão, certo de que limparia no outro dia ou obrigaria Rafe ou Max a limpar.

OoOoOoOoO


Notas Finais


ainda é Lightwood então conta


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