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História Tamara - Capítulo 11


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Capítulo 11 - Medos e desconfianças


Perplexa, a menina andou até a cozinha com as pernas bombas. Ao vê-la pálida e trêmula, Madalena ficou preocupada e foi logo perguntando:

-O que aconteceu, filha?

-Parece que viu assombração.-disse Expedita ao ver Tamara.

Tamara andou até a mesa e sentou com a ajuda de Expedita que teve que ampará-la para que ela não desabasse no chão.

-Minha Nossa Senhora...O que houve, menina?

Tamara ainda estava perplexa, não conseguia pronunciar uma só palavra.

-Eu acho que ela está passando mal, Madalena.

-O que você tem, filha? O que sente?

-O que o inquisidor fez com você?

Ao ouvir aquelas palavras, Tamara rompeu-se em prantos entrecortados.

-Pelo amor de Deus, menina! O que foi que sucedeu? Você está me deixando aflita!

Tamara levantou a cabeça trêmula.

-Traga água com açúcar, Expedita.-disse Madalena.

Rapidamente, Expedita trouxe um copo cheio com água e açúcar e entregou para Madalena que disse:

-Beba um pouquinho de água com açúcar, minha filha.

Tamara segurou o copo com a mão direita trêmula. Depois de tomar metade da água, a menina respirou fundo.

-Obrigada.

-Agora nos conte o que aconteceu.

Depois de segundos de hesitação, Tamara falou:

-Antes de contar o que aconteceu...quero que me prometam que não contarão a ninguém.

-Você sabe que pode confiar em nós, filha.

Tamara soltou um longo suspiro e disse:

-O inquisidor...me beijou.

-Jesus Cristo!..-exclamou Madalena atônita.

Expedita ficou estupefata.

-O frei beijou a senhorita???

-Sim, Expedita.

-Deus do céu...Um frei, um homem Santo, beijar uma moça pura! Mas é um pecado muito grande!

-Santo? Pois eu acho que de Santo "aquele" lá não tem nada!-disse Madalena.

-Deus me perdoe...Isso não é comportamento de um homem religioso. E sim de um homem safado!

-Por favor, não contém nada à minha família. Muito menos ao meu irmão Julian. Se ele souber, é bem capaz de fazer uma loucura.

-Pode ficar sossegada, filha. Nós não contaremos nada.

Nesse momento, seus pais e seus irmãos entraram em casa. De imediato, Tamara enxugou as lágrimas com as palmas das mãos. Sua mãe entrou na cozinha. 

-Boa noite. 

-Boa noite, "sinhá".

-É bom voltar para casa. Já não suportava mais as bobagens da primeira-dama.

Ao ver o rosto da filha úmido de lágrimas, Heloísa perguntou:

-Filha, o que aconteceu? Você andou chorando? 

-Não, mamãe. Não aconteceu nada. 

Heloísa pegou na mão da filha e disse:

-Meu Deus, querida...A sua mão está muito fria e trêmula. Você está bem? Está se sentindo mal?

-Não, mamãe. Eu estou bem.

Tamara levantou-se e disse antes de sair:

-Eu vou para o meu quarto.

Tamara retirou-se dali. Apreensiva, Heloísa perguntou:

-O que aconteceu com a minha filha, Madalena? Porque ela esteve chorando?

Expedita e Madalena entreolharam-se.

-E então? Não vão responder?

-Não aconteceu nada, sinhá.-respondeu Madalena.

-Ah não? Então porque eu encontrei a minha filha naquele estado?

-É que a nossa menina fica assim quando escuta falar em inquisição.-respondeu Madalena.-A coitadinha fica muito nervosa, sinhá.

Heloísa resolveu acreditar em sua escrava doméstica.

-Tenho tanto medo que ela fique doente por causa de tudo isso que anda acontecendo aqui na vila.-disse ela suspirando.

-A nossa menina é forte, sinhá.

-Eu já não sei mais, Madalena. Tamara está ficando cada vez mais fragilizada por causa dessa história toda. Essa maldita inquisição só apareceu para atormentar a cabeça dela.

Heloísa retirou-se da cozinha suspirando profundamente.

-A inquisição...e o inquisidor também!-disse Madalena.-Eu sou capaz de apostar que esse frei de uma figa vai infernizar a nossa menina.

-Será, Madalena?

-É claro que vai. Esse maldito está apaixonado por ela, Expedita. Um homem não beija uma mulher a toa. E ainda mais se esse homem é um sacerdote religioso! Ele ama a nossa Tamara.

Momentos depois, Expedita entrou no quarto de Tamara. A menina estava recostada na cabeceira da cama.

-Sinhazinha?

-O que é, Expedita?

-Eu vim ver como a sinhazinha está.

Tamara sentou-se na cama e disse com a voz alterada:

-Como você acha que estou me sentindo? Acabei de ser beijada por um frei!

Dominada pela raiva, Tamara gritou:

-É essa minha beleza amaldiçoada!!! Ela vira a cabeça dos homens! Primeiro o filho do prefeito...e agora o frei inquisidor!

-Para mim, esse frei não passa de um safado ordinário.

-Não sei se vou ter coragem de entrar na igreja novamente...

-Mas a sinhazinha não teve culpa de nada. Foi ele quem lhe beijou. 

-Mesmo assim...Eu não quero ter que olhar pra ele de novo. 

-Mas e a missa de amanhã? 

-Eu não vou, ora!

-Mas a sinhazinha nunca faltou em nenhuma missa. Sempre gostou de ir. 

-Mas o inquisidor vai estar lá, Expedita! 

-É só não olhar para ele. 

Tamara suspirou fundo de impaciência. 

No dia seguinte, Tamara passou toda a manhã dentro de casa. Estava no quarto bordando. Neste momento, seu irmão Julian entrou no quarto. 

-Com licença, minha irmã. 

Julian sentou-se na beira da cama de frente para Tamara, que olhou para ele. 

-Está tudo bem com você?

-Está.

-Mamãe me disse que você estava muito nervosa ontem a noite. E hoje você não saiu de casa para ir na missa.

-Eu estou bem. Apenas decidi ficar em casa bordando.

Miguel entrou rapidamente no quarto.

-Tamara, as crianças estão aqui perguntando por você.

-Diga-lhes que não poderei sair de casa.

-Por que? Está doente?

-Não, não é isso...Tenho muitos bordados para terminar.

-Está bem.

Miguel saiu do quarto. Julian a encarou e disse:

-Bordados? Pensa que me engana?

Tamara o encarou seriam e disse:

-Eu tenho que terminar esses bordados.

-Tamara, eu conheço você melhor que a mamãe. E sei que você está escondendo alguma coisa.

-Eu não estou escondendo nada,Julian...-Tamara espetou o dedo com a agulha e deu um grito.

Julian percebeu o nervosismo da irmã.

-Você quer me contar alguma coisa?

-O que eu teria para contar?

Tamara largou o bastidor e disse:

-Eu vou ajudar a mamãe com o jantar.

Ela deixou o quarto rapidamente.

-Aconteceu alguma coisa que ela não quer me contar....

Julian ficou por um longo período pensativo. Várias idéias passavam por sua cabeça. Notou que a irmã estava inquieta, mas não sabia porquê.



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