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História Tamara - Capítulo 12


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Capítulo 12 - A briga


Todos estavam na missa da noite. Laércio e sua família estavam presentes na igreja. Tamara estava do lado esquerdo com sua família. A menina trazia o Rosário enrolado na sua mão direita. Ao levantar os olhos, viu o frei inquisidor parado ao lado do altar. Ele a fitava com desejo.

Tamara podia sentir o peso do seu olhar sobre ela. Mas Emílio não era o único a admirá-la, Daniel a observava de vez em quando.

De repente, Emílio notou o olhar de Daniel sobre Tamara. Ao perceber que o filho do prefeito fitava a menina, Emílio foi dominado por um ódio profundo. Sentiu vontade de esmurrar o rapaz. Sentia um ciúme doentio quando Tamara era admirada por outros homens. Tamara porém, não olhava para nenhum dos dois. Manteve sua cabeça abaixada. Joana notou que o frei inquisidor encarava Tamara com veemência.

-Mas até o santo frei ela conseguiu enfeitiçar!-sussurrou Joana.

Momentos depois, a missa chegou ao final. Todos começaram a deixar a igreja. Nesse exato momento, padre Aurélio dialogava com a família de Tamara.

-Há muito tempo que não nos visita, padre Aurélio.-disse Heloísa.

-Eu sei, dona Heloísa. Mas é que ando muito atarefado. Mas, em compensação, frei Emílio vai em meu lugar.

-Sim, ele já nos visitou.-disse Laércio.

-Para mim é um prazer.-disse Emílio assim que se aproximou.-A família do senhor delegado é a família mais respeitável que já tive a honra de conhecer.

-É muita gentileza, reverendo.-disse Laércio.

Tamara estava escondida atrás de Julian.

-E permita-me dizer com todo o respeito, senhor delegado... O senhor tem a flor mais bela de vila Mariana.-disse Emílio, que depois fitou Tamara.

-Eu agradeço o elogio, senhor inquisidor. Realmente a nossa Tamara é a flor mais bela da vila.

-É uma excelente bordadeira.-comentou padre Aurélio.

Ao ver a filha escondida atrás de Julian, Laércio falou:

-Filha, o que está fazendo aí? Não se esconda atrás do seu irmão.

Tamara andou até o pai com os olhos abaixados.

-Está com algum problema, minha filha?-perguntou o padre, assim que notou o olhar cabisbaixo da menina. 

-Não, padre.-respondeu ela, levantando os olhos e sorrindo para o padre.-Eu estou bem. Só estou um pouco cansada.

-Realmente, já é um pouco tarde...-falou Heloísa.-Precisamos voltar para para casa.

Sem querer, os olhos de Tamara encontraram-se com o olhar lascivo do inquisidor. Por alguns segundos, os dois ficaram entreolhando-se. Rapidamente, Tamara virou o rosto para o lado oposto, fugindo do olhar penetrante do frei.

Julian cruzou os braços ao notar o olhar do frei sobre sua irmã. Havia algo de errado. Tamara estava estranha, nervosa e apreensiva. Várias perguntas cruzavam sua mente.

No dia seguinte, o sol brilhava fortemente naquela bela manhã. Tamara e Expedita deixaram a casa da costureira como de costume. Tamara havia passado lá para tirar as medidas.

-A sinhazinha vai ficar linda no vestido novo.

-Eu apenas fui encomendar um vestido novo porque a minha mãe insistiu.

-Mas linda do jeito que a sinhazinha é, precisa usar um vestido novo e bem bonito.

-Não sou apegada à vaidade.

-A sinhazinha dá tão pouco valor a sua beleza.

-Não é que eu não dê valor, Expedita. É que não gosto de ser vaidosa, só isso.

Nesse momento, Tamara acaba encontrando com Joana na rua.

-Olá, Tamara.

-Olá, Joana.

-Muito bonita a missa de ontem, não acha? Principalmente com a presença do santo frei inquisidor na igreja.

-Por que está falando comigo, Joana? Você nunca gostou de mim.

-Só estou sendo gentil, querida. Gentil com a "protegida" do inquisidor.

-Como disse?

-Não se faça de inocente, Tamara. O inquisidor não fala em outra coisa senão em você. Você o enfeitiçou com essa sua beleza tentadora!

Tamara respirou fundo e disse:

-Eu não vou perder o meu tempo ouvindo as suas besteiras.

-É claro. Pois sabe que é verdade. Você conseguiu atrair o frei Emílio com a sua beleza.

-Eu não atraí ninguém.

Joana riu e acrescentou:

-Não me faça rir, garota. Eu vi... O frei não tirava os olhos de cima de você não missa de ontem. Vai dizer que não percebeu? Ele não parava de olhar para você! 

-Eu não vou continuar parada aqui ouvindo as suas sandices. Portanto, com licença. 

Antes que Tamara pudesse se afastar, Joana a pegou pelo braço e falou em voz baixa:

-Eu sei que seduziu o santo frei. Um homem canonizado jamais se interessaria por uma garota insignificante como você!

-Me solte!

-Você pode ter cara de Santa, mas não passa de uma garota vulgar!

Enfurecida, Tamara avançou sobre Joana. As duas começaram a se esbofetearem de maneira selvagem. Expedita tentou separar as duas, mas foi em vão. Avistando a confusão, Diogo correu para fora da igreja e agarrou Tamara por trás, afastando-a de Joana que também foi segurada. Mesmo assim, as duas continuaram com a discussão.

-Você deveria ser queimada viva!!!-bradou Joana.

-Você não passa de uma cascavel traiçoeira!-gritou Tamara.

-Acalmem-se, pelo amor de Deus!-pediu Diogo.

Algumas pessoas pararam para assistir a contenda entre as duas moças. Rapidamente, Expedita retornou trazendo o delegado.

-Que diabos está acontecendo aqui?!-perguntou Laércio quase aos berros. Em seguida, virou-se para a filha.-Brigando no meio da rua, Tamara? Que falta de compostura, filha!

-Perdão, papai.

-Pois bem, qual o motivo da baderna?

-Nada, senhor delegado...-respondeu Joana.-Nós apenas passamos do limite. Sua filha apenas me interpretou mau.

-Quero conversar com os seus pais, Joana.-disse Laércio.-Diga a eles que venham à minha casa hoje a noite.

-Sim, senhor.

Nesse momento, o inquisidor aproximou-se apressadamente e perguntou:

-Posso saber o que está acontecendo aqui? Ouvi vozes alteradas lá do meu gabinete. Logo percebi que se tratava de uma briga.

-Não foi nada, senhor inquisidor.-respondeu Laércio.-Foi apenas uma briga de meninas. Está tudo sob controle.

O inquisidor encarou Joana seriamente e disse:

-Pois eu acho bom mesmo. Não quero ser obrigado a deixar o meu gabinete novamente para ver contendas de mulheres no meio da rua.

Depois de olhar para Tamara, Emílio virou-se para Joana e disse:

-Me acompanhe até o meu gabinete, senhorita Joana. Precisamos ter uma séria conversa.

Emílio retornou para seu gabinete. Depois de encarar Tamara com ódio, Joana dirigiu-se até o gabinete do frei inquisidor. Chegando lá, ela aproximou-se da mesa de Emílio, que a fitou com seu olhar autoritário e ameaçador. 

-Senhorita Joana, a senhorita foi muito útil nesses últimos dias. Me prestou um grande serviço delatando aquelas mulheres hereges. Mas, depois do que acabei de ver, dispenso os seus serviços.

-Eu não estou entendendo...

-Mas irá entender. Agrediu a senhorita Tamara no meio da rua.

-Perdoe-me, reverendíssimo... Eu não pretendia criar uma desordem. Mas é que aquela garota...

-Eu vi tudo, senhorita Joana. Não há necessidade de mentir. Por aquela janela, consigo visualizar a vila inteira. No momento em que ouvi as vozes alteradas de vocês duas, corri até a janela e fiquei observando. Queria ver até onde chegariam com aquela discussão. No instante em que levantou a mão para a senhorita Tamara...tive vontade de estrangular a senhorita!

Joana arregalou os olhos e estremeceu diante da face demoníaca de Emílio.

-Portanto, senhorita Joana, se voltar a perturbar a senhorita Tamara mais uma vez, eu lhe juro que tomarei as minhas providências para ver a senhorita definhar nas celas do Santo Ofício.

A jovem baixou os olhos e disse:

-Como o senhor quiser, reverendíssimo.

-Muito bem. Pode se retirar agora, senhorita.

-Com sua licença, reverendo.

Joana retirou-se dali com as pernas bambas e o semblante horrorizado. Marília e Cintia, as amigas de Joana, a estavam esperando pelo lado de fora.

-E então, Joana?-perguntou Cintia.-O que o inquisidor falou?

-Ele está caído de amores por ela!

-Por ela quem?

-Como assim "quem", Marília? Pela filha do delegado! Aquela maldita o enfeitiçou...

-Você está querendo dizer que o frei Emílio está apaixonado pela Tamara?

-Está escrito na cara dele! Aquela ordinária se tornou a "protegida" do inquisidor....



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