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História Tanjiro o retalhador - Capítulo 2


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Notas do Autor


Espero que gostem do cap!!!

Capítulo 2 - Fome


Meu corpo está sendo arremessado contra as rochas pela força da correnteza. As pedras pontiagudas que se espalham pelo rio, cortam minha pele como se não fosse nada, tento mover meus braços na intenção de me segurar em algo, porém cair na água daquela altura foi o mesmo que cair em concreto, meus ossos se quebraram no mesmo instante. As katanas que antes estavam presas em minha cintura, agora estão cravadas em minha perna esquerda, fui idiota em guarda-las sem as bainhas. A água gelada invadi meus pulmões e me impossibilita de respirar, minha consciência se esvai aos poucos, mesmo com toda a dor que estou sentindo, essa não é a pior sensação. O que está me corroendo por dentro, é essa fome insuportável que estou sentindo. Tenho vontade de lamber as minhas roupas maculadas com o sangue de meus entes queridos. Não consigo sentir nenhum cheiro além desse doce e metálico cheiro da morte. Minha mente está ficando cada vez mais confusa. O sangue parece estar deixando minha mente em branco, tenho que me controlar, em breve a água limpará qualquer vestígio de sangue em minhas roupas. Eu só preciso aguentar mais um pouco...  Fecho meus olhos enquanto as correntezas daquele riacho me levam até meu destino. Acho que eu apenas devo deixar com que essa correnteza me engula por completo, pelo menos assim não precisarei viver sem minha família. Então só dessa vez, eu irei desistir... Meu corpo começa a afundar mais e mais na água, mas algo passa pela minha cabeça. Por que eu tenho que desistir da minha vida?! Isso não é justo... Foram eles os culpados por eu estar assim, aqueles malditos exterminadores, aqueles aldeões covardes, e por último a pessoa que me transformou em uma abominação. Eu irei viver, apenas para ver os seus rostos de arrependimento. Preciso destruir o mal e a covardia que se enraizou no âmago desse mundo.

Meus braços estavam quebrados, mas agora parecem mais fortes do que nunca, usando minhas garras, eu agarro as paredes do desfiladeiro, a correnteza não é nada comparada com a minha força. Eu sou a rocha que essas águas não irão destruir. Sou a chama de fúria que o frio jamais estingará. Meu sangue parece queimar dentro das minhas veias, consigo escutar o som da água antes gélida, borbulhando a minha volta, as pedras congeladas aos poucos derretendo e criando uma névoa quente. Tento apoiar minha perna na parede, mas sinto uma dor aguda. Eu olho para baixo, mas não vejo nada além de dois cortes na minha perna esquerda, as espadas haviam sumido. Também consigo ver o ferimento na minha perna se fechando, é algo grotesco como a carne se junta e a pele é refeita. Esse sou o novo eu, não a nada aqui para ficar surpreso, sangue? Carne? Dor? Isso se tornou normal no mesmo dia em que minha família foi morta. Se tornou normal quando tiraram Nezuko de meus braços.

 

Centímetro a cada centímetro, eu subo aquele penhasco, a cada segundo distante da água o cheiro de sangue das minhas roupas se intensifica. Esse cheiro parece invadir minha mente, esse cheiro está me guiando para o topo. Eu não consigo mais suportar essa maldita fome, eu preciso me alimentar não importa do que. Então eu me seguro com uma única mão na parede do penhasco, e coloco minha mão esquerda em frente da minha boca. Com um movimento rápido eu mordo meu antebraço e puxo a cabeça para trás, retirando um grande pedaço da minha carne, sangue jorra pelas minhas artérias, o gosto é delicioso, nunca havia provado algo tão saboroso quanto aminha própria carne, mas isso só faz com que a fome aumente. Meu estômago parece se revirar dentro de mim, sinto algo subindo pela minha garganta e no instante seguinte eu vômito os pedaços do meu próprio braço. O gosto é bom, mas aparentemente meu corpo não aceita se auto devorar, que piada de mal gosto.

Agora usando apenas um braço, eu volto a subir aquele maldito penhasco. Mesmo ferido isso foi uma tarefa razoavelmente fácil.

Ao sair daquele penhasco eu tenho a infeliz surpresa de presenciar uma gigantesca tempestade. Os galhos das árvores se dobram com a força formidável das rajadas de vento. Mesmo com meus ferimentos já curados, talvez fosse uma boa ideia esperar a tempestade passar em um lugar seguro, mas o que é esse cheiro que estou sentindo?! Minha boca começa a salivar ao sentir aquela fragrância formidável vindo das entranhas da floresta. Preciso me controlar de alguma forma ou acabarei arrancando mais um pedaço de mim mesmo. Então eu rasgo um pedaço da minha camisa e a prendo em minha boca, como eu sou idiota. Talvez por causa da fome, eu acabei fazendo tudo no automático. Mesmo após mergulhar por horas naquela água do rio, minhas roupas ainda possuíam vestígios de sangue. Agora é tarde demais para arrependimentos, eu consigo sentir o gosto metálico do sangue da minha própria família, e como eu me odeio por dizer isso, mas esse é o melhor gosto que eu já senti em minha vida. O sangue possui um gosto metálico adocicado com um leve amargor no final. Eu preciso de mais disso, então usando meu olfato tento sentir o cheiro de tudo a minha volta, e talvez por um milagre desse meu destino negro, eu consigo sentir o cheiro de sangue. Sem que eu nem mesmo perceba, minhas pernas já haviam começado a se mover na mesma direção que vinha o odor. Eu corria em meio das densas árvores da floresta, a tempestade de neve não me permitia ver um palmo a minha frente, por isso eu me guiava somente com meu olfato. Após alguns minutos correndo sem parar eu finalmente chego no lugar, e com isso eu sinto uma enorme dor no meu peito. Aquele lugar é tão parecido com a minha casa... Eu consigo ver um corpo do lado de fora da casa, aparenta ser uma criança, ela está coberta de sangue. Eu me esqueci no meio do caminho, mas agora me recordo que o cheiro de sangue só aparece quando a felicidade é destruída.

Caminho em direção da casa, ao me aproximar posso sentir o cheiro de sangue, mas existe algo a mais. Dentro da casa posso sentir um cheiro de podre, algo nojento e asqueroso. Lentamente abro a porta e com isso eu vejo corpos do que um dia foram uma família, agachado entre os corpos estava uma criatura humanoide com a pele pálida e garras afiadas, cabelos medianos e olhos arregalados, aquilo é um Oni. Ele matou toda essa família inocente, ele tem que ser punido pelos seus atos. Eu entro na casa, o piso de madeira range com o meu peso, aquela criatura se vira para mim com um olhar primitivo.

 

—Um Oni?! Essa área é minha, cai fora.

 

Suas unhas parecem aumentar de tamanho. Dou mais um passo na direção daquele homem.

 

—Tsc, você que pediu por isso!

 

O homem investe contra mim, suas garras perfuram meu peito, mas antes que ele se afastasse, eu seguro sua mão e chuto seu cotovelo, seu braço é quebrado com o golpe.

 

—S-seu desgraçado!!!

 

O homem pula e me acerta um chute no peito, isso faz com que meu corpo seja arremessado para fora da casa. Minhas costas tocam a neve, estou sentindo meu sangue esquentar novamente, a fúria está tomando conta de mim.

 

—Vou prende-lo em alguma árvore, vamos ver se você vai gostar de ser tostado pelo sol.

 

Ele pula na minha direção, que movimento mais lento, eu o intercepto no meio de sua investida e perfuro seu peito com a minha mão, sinto seu coração pulsando entre meus dedos, eu olho em seus olhos antes de esmagar seu coração. O Oni cai para o lado sem respirar, minha mão está coberta de sangue, eu não penso duas vezes antes de saborear o sangue que escorria entre meus dedos, o gosto não é tão bom quanto sangue da minha família, mesmo assim é mais saboroso que o meu, mas o que me surpreende não é o sabor e sim essa sensação que parece se fundir na minha alma, ao ingerir o sangue, sinto meu corpo ficando mais forte, meus olhos pareciam enxergar melhor, meu nariz sentia cheiros que antes não era nem mesmo capaz, e logo em seguida o sangue parece relaxar meu corpo, minha mente parece estar nas nuvens, aos poucos sinto antigas memórias voltando, memórias de quando eu era pequeno, apenas um garotinho correndo em meio a floresta junto da querida irmãzinha, que lido dia. Não sou capaz de impedir que algumas lágrimas escorressem pelo meu rosto.

 

—N... Nez... Nezuko...

 

Minha voz... Eu finalmente consegui dizer algo... O sangue me fez recuperar a voz?... Agora já é tarde demais... Que destino de merda...

Enquanto estou perdido em meus pensamentos o Oni que supostamente havia matado se levanta e atinge minhas costas com suas garras, o ataque me arremessa contra uma árvore, eu mal senti o ataque.

 

—Você deve ser a droga de um novato, então vou falar isso para você seu merdinha, nós Onis, não somos capazes de morrer tão facilmente, apenas as espadas dos exterminadores ou Kekkijutsus poderosos são capazes de nós matar, claro que o sol também pode reduzir nosso corpo a pó, mas isso, você vai descobrir em breve na prática.

 

Ah, então é por isso que eu não fui capaz de morrer até agora, as coisas que você pode descobrir escutando seus inimigos é realmente impressionante, me pergunto o do por que algo tentar ensinar coisas para seu inimigo... Espero não ficar assim com o tempo.

 

—Você deu sorte naquela vez, mas isso não vai acontecer de novo!

 

Aquele Oni corre em minha direção e chuta a minha garganta, meu corpo atravessa uma das árvores que estavam atrás de mim. Sinto que minhas costas eram mais resistentes do que a madeira.

 

—Vou quebrar as suas pernas e joga-lo no sol! Ver você queimar vai ser o ápice da minha manhã!

 

Aquelas espadas talvez poderiam mata-lo... Mas eu as perdi... Mas espera, o exterminador que pegou o corpo da Nezuko havia dito que eu estava usando Kekkijutsu quando ele viu as espadas dos exterminadores mudarem de cor ao tocarem meu sangue. Com esse Kekkijutsu talvez eu possa matar esse monstro. Se eu realmente possuo esse poder como posso ativa-lo? Não tenho a mínima ideia de como eu fiz da primeira vez, as espadas também não estão mais comigo, nem mesmo sei se eu realmente possuo algum poder, preciso pensar em algo, preciso tentar me lembrar, preciso tentar imaginar algo...

 

Minha mente parecia estar prestes a explodir novamente, eu sempre acabo pensando demais, acho que a indecisão sempre foi minha maior fraqueza. Meus pensamentos atormentavam minha cabeça até que o maior dos meus sentidos me apontou uma direção a qual seguir. Enquanto procurava uma solução eu senti algo com o meu olfato. O cheiro de sangue das minhas roupas ainda tentava me fisgar, sinceramente eu não me esforcei muito para impedir que novamente eu lambesse as manchas de sangue da minha família. Junto do sangue uma sequência te palavras invadem minha cabeça. Acho que já sei o que deve ser feito. Então me levanto retirando a neve de meus ombros.

 

—Resolveu lutar novato? Seja um bom garoto e se renda logo, prometo que farei isso doer o máximo possível!

 

Ele começa a andar em minha direção, mas para quando eu coloco minhas mãos sobre o meu peito.

 

—O-o que está fazendo?!

 

Sinto as batidas do meu coração, então olho na direção daquele Oni, vejo que ele está cauteloso com os meus movimentos. Típico de covardes se esconderem atrás de uma falsa coragem. Seu medo pode ser sentido por toda montanha, que odor patético.

As palavras que vieram até minha mente ao beber do sangue pareciam implorar para saírem pela minha boca, então eu respiro fundo e fecho meus olhos e logo em seguida eu digo para mim mesmo em voz alta.

 

—Kekkijutsu... Vengeful Swords.

 

Labaredas de fogo começam a sair do meu peito, e em minhas mãos espadas carmesins começam a ser materializadas com as faíscas, as chamas que se apagavam e caiam sobre a neve se tornavam gotas borbulhantes do meu sangue.

 

—Kekkijutsu?! Quem diabos é você?!

 

As espadas em minhas mãos, são as mesmas que pensei que havia perdido enquanto afundava no rio. Mesmo nunca tendo empunhando uma espada em minha vida, sinto que elas são apenas um extensão do meu próprio corpo, as movo pelo ar a minha volta, consigo sentir o cheiro do metal cortando o ar, o barulho de vibrações vinda do metal em movimento parece acalmar minha mente e meu coração.

 

—Não se ache demais garoto!!!

 

O Oni corre novamente em minha direção, ele só sabe fazer isso? Ele está atacando usando seu medo como combustível, ele não quer realmente me atacar, consigo sentir que ele quer apenas fugir. Infelizmente isso não é possível. Primeiro eu corto o braço direito do Oni, sua reação foi cômica. Girando meu corpo e usando a outra espada, eu fatio suas pernas na altura do joelho. Seus gritos de dor invadem meus ouvidos. Enquanto ele continua a gritar de dor, eu me ponho a brandir novamente minha lâmina cortando seu outro braço.

 

—E-espera!!! T-tem comida o suficiente para nós dois! M-melhor! P-pode ficar com tudo para você! Eles não estavam tão bons assim! Então pode ficar com tudo!!! Existe uma garota dentro da casa! E-ela ainda é virgem e está bem madura!

 

Eu vou te matar, irei arrancar cada gota de seu sangue, então devorarei sua carne. Esmagarei seus olhos com as pontas de meus dedos, cortarei sua língua com minha presas, irei fazer com que engula todos os seus dentes, abrirei seu crânio ao meio e cuspirei em seu cérebro, condenarei sua alma ao inferno de onde jamais escapara.

 

—Você v-vai... Pagar... P-por cada palavra.

 

Eu enfio minhas duas espadas em seu estômago, o Oni cospe uma grande quantia de sangue. Eu levanto seu corpo mutilado com as espadas e em seguida eu puxo as espadas para lados diferentes, assim partindo seu corpo em dois, antes que seu corpo pudesse tocar a neve eu me concentro o máximo possível e então eu continuo a brandir as espadas no ar, fatiando cada centímetro de carne daquele Oni. Começo o cortando por baixo e subo gradativamente fatiando tudo no caminho, minhas espadas pareciam ficar incandescentes junto da minha fúria, a cada corte o cheiro de carne sendo queimada e de sangue sendo evaporado invadia aquela área da floresta, o odor funcionava como um entorpecente que motivava a cortar cada vez mais rápido. Após fatiar completamente o corpo daquele Oni, eu pego sua cabeça e a mordo tão forte que meus dentes partem seu crânio e eu sinto o gosto de seu cérebro.

 

Onis são realmente difíceis de se matar, mas tenho que admitir que isso foi divertido. O prazer que é gerado após uma vingança com certeza é uma das melhores sensações que alguém pode vivenciar. O ódio que você libera com cada golpe faz com que cada centímetro de seu corpo se sinta em enorme prazer.

 

Olho ao meu redor e vejo que meus ataques não feriam somente o Oni. Algumas arvores e o solo, possuíam marcas de cortes e pequenas áreas sobre as arvores possuíam queimaduras. Então esse é o meu poder... Irei usa-lo bem. Por agora preciso terminar minha refeição, mas não acho que esse Oni vai ser o suficiente para me saciar, também devorarei as pessoas mortas na casa. Mamãe sempre disse que desperdício é inaceitável.


Notas Finais


Espero que tenha gostado do cap!!! Caso tenham alguma critica, dica ou elogio sobre o cap ou a fic em geral, deixem abaixo nos comentários que isso me motiva muito a continuar escrevendo!!! Até o próximo cap!!!


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