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História Tanto faz - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Capítulo 02


Ao chegarem ambos foram recebidos por um homem de meia-idade que sorriu quando os viu, proferindo boas vindas logo em seguida. Os jovens prontamente devolveram o cumprimento, a jovem animadamente e com um largo sorriso e o jovem em um tom brando que faz com que o ouvinte se questione se aquilo foi proferido de má vontade. Aquele homem não era um estranho para eles, tratava-se de um dos trabalhadores que assumiu a responsabilidade de recepcionar os frequentadores, um senhor simpático que sabe se fazer gostar.

O salão principal não estava cheio, apesar de que isso poderia ser atribuído ao seu tamanho, lá haviam duas fileiras com 15 bancos em cada lado, com cada banco sendo capaz de acomodar 6 pessoas confortavelmente. Nem todos os bancos estavam ocupados, a maioria das pessoas se sentaram nos bancos da frente e os do meio, assim, apesar de não estar lotada, os bancos onde haviam pessoas estavam cheios ou não muito longe de chegarem a esse ponto, a razão sendo bem simples: quem senta sozinho em um banco se destaca demais.Uma vez que alguém subisse ao palanque e olhasse para os espectadores, quem estivesse sozinho em um banco chamaria atenção imediatamente e por isso eram poucos os que pertenciam ao grupo seleto de pessoas que conseguem lidar com esse tipo de atenção e sentavam sozinhos nos bancos. Matheus, o jovem que se recusava a chegar atrasado por não querer ter que lidar com o constrangimento de atrapalhar os outros, certamente não pertencia a esse grupo seleto e Ana Paula, sua amiga que o acompanhava, compartilhava essa característica com ele. 

“Conseguimos chegar um pouquinho antes, felizmente.” Ele estava suado e um pouco cansado, não apenas pela caminhada, mas também pelo dia exaustivo na UnB.

“É, cansados, mas chegamos.” Ela também estava cansada e com um pouco de suor, o dia fora igualmente exaustivo para ela.

“Vamos procurar um lugar para sentar antes que esse troço comece,”

“Bora!”

Os dois se encaminharam para um dos bancos do meio da fileira à direita, lá haviam 3 pessoas, duas delas eram o que parecia ser um casal de meia idade, eles se encontravam na ponta do banco, o que queria dizer que caso eles quisessem sentar naquele banco eles precisariam passar por eles, o que incomodou Matheus imediatamente. Para ele essas pessoas que sentam na ponta antes dos outros lugares estarem cheios só pela facilidade de ir e vir e que atrapalham as outras pessoas que querem sentar no banco são uma praga semelhante às pessoas que usam mochila nas costas nos ônibus só porque não querem sujar a mochila colocando ela no chão.

A outra pessoa sentada naquele banco lhe deu uma impressão bem diferente, ela era uma jovem, parecia ter algo entre 18 e 20 anos, ela se sentava próxima à ponta oposta, o que pelo posicionamento dos bancos não era um ponto pelo qual as pessoas passariam se tentassem sentar nele, o que tornava aquele o último lugar do banco, dando a liberdade para todas as pessoas que viessem depois dela se sentarem sem dificuldades.Ela se vestia de modo simples, de um jeito que não faria ela ser taxada de excessivamente produzida para uma ocasião simples e nem mal vestida em uma ocasião especial, o que servia de contraste com Matheus, que vestia uma blusa indiana de cor vibrante junto de uma bermuda de tactel e chinelos, combinando com o fato de estar suado . Aquela não foi a primeira vez que ele a viu, ela era uma frequentadora daquela igreja e por isso ele já a havia visto em outras ocasiões, mas com exceção da primeira vez ele não reparou muito nela, ele se lembrava daquela noite em que durante a pregação ele se distraiu com os próprios pensamentos e deixou o seu olhar passear pelos bancos, olhando para as pessoas que estavam naquela igreja, até que seus olhos pousaram nela e ele ficou pensando em como o cabelo dela parecia um afro amassado, como se um afro tivesse murchado e se espalhado para os dois lados, o que era para ele uma coisa bem curiosa.

Matheus e Ana Paula se encaminharam para o banco e depois de alguns instantes ,em que passaram pelo casal, eles se sentaram ao lado da menina, no que Ana Paula teve a iniciativa de a cumprimentar e depois disso Matheus também a cumprimentou, como que sendo lembrado pelo gesto da amiga.

Dentro de poucos minutos um padre entrou e começou a fazer comentários sobre uma passagem bíblica. Já fazia mais de um mês desde que Matheus começara a acompanhar Ana Paula em suas idas a essa igreja todas as quintas-feiras, ele ainda lembrava do estranhamento que teve com essa perspectiva, “A igreja católica tem atividades durante a semana? Achei que elas só tinham coisa no domingo.”. Mais tarde ele foi esclarecido que o padre ali quis incluir essa atividade nas quintas-feiras para que as pessoas que sentem falta de um amparo religioso durante a semana possam ter ele, porque muitas coisas acontecem durante a semana e muitas vezes os fiéis não têm esse ambiente para procurarem forças e amparo. Esse procedimento também visava fortalecer o senso de comunidade naquela igreja e talvez trazer mais gente para ali, já que em um domingo de manhã apenas as pessoas mais dedicadas ou que moram perto viriam, enquanto que em um dia de semana depois do horário em que muitas pessoas saem do trabalho há uma maior facilidade para muita gente visitar.

Depois de 50 minutos foi encerrado aquele momento e as pessoas se dispunham a ir embora. Matheus quis ir ao banheiro antes de sair e Ana Paula o esperou. Pouco tempo depois, quando já haviam saído e estavam prestes a subir para a W3 Matheus percebeu ao longe que a menina do afro amassado estava andando sozinha na calçada.

 



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