História Tão clichê quanto suicídios aos domingos - Capítulo 1


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Categorias Bungou Stray Dogs
Personagens Osamu Dazai
Tags Osamu Dazai
Visualizações 39
Palavras 407
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia)
Avisos: Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Um morto chamado Oda


O céu brilhava em azul vívido e limpo, as nuvens que outrora marcaram presença naquele infinito cor de mar agora faziam parte de seu olhar triste, enevoado, tão cinza quanto a cidade fora de sua janela.
Era domingo. Domingo sombrio, entupido de tristezas, sentimentos jogados fora, palavras não ditas por ninguém além do cantor desconhecido cuja voz agourenta saía do rádio à pilha. No volume mínimo, porque não queria que ninguém soubesse quais músicas andava escutando. 
Era domingo, e estava sozinho em seu vazio crescente. Pensou em ir à igreja, adiantar o trabalho, salvar uma vida; ações de um bom homem, de um morto com nome de Oda. Mas optou por não fazer nada. Ele não era um bom homem, nem um morto, ainda.
-suicídios aos sábados são clichê.

- então morrerei no domingo.

- não. O domingo também é clichê.

- então o que você quer que eu faça?.

- viva.

Viva. Irônico essas palavras terem saído logo da boca de alguém que assinou conscientemente sua sentença de morte pouco tempo depois. 
Oda era o verdadeiro suicida, Dazai não passava de um adulto frustrado brincando de morrer.
A lâmina velha estava em seu bolso, embora não pretendesse usá-la, nesses casos era sempre bom ter um plano de emergência. Pegou a caixa de remédios e cuidadosamente retirou cápsula por cápsula, havia lido numa revista que o simples ato de colocar comprimidos em cartelas em vez de frascos já reduzia num bocado o número de suicídios. No momento, lhe foi menos desgostoso ignorar as pesquisas e, junto a isso, a determinação frágil dos atuais suicidas.
Olhou os comprimidos em suas mãos, se perguntando se aqueles pequeninos esbranquiçados eram fortes o bastante para levá-lo aonde queria. Não procurou pensar no que esperava do outro lado - ou se havia realmente algo à sua espera -, é pensando no além que os suicidas desistem, e ele, logo ele, não poderia voltar atrás. 
Levou a mão à boca, e os calmantes desceram como brasa por sua garganta. O locutor anunciou a nova música, e Dazai nem notou sua vista escurecendo enquanto se deliciava ao som de the sound of silence. Sem flores, sem grandes despedidas ou parabenizações pelo feito, apenas um radio a pilha e um homem cansado se despedindo do mundo do melhor jeito que pôde encontrar.
Quando o corpo caiu inerte no chão, o locutor, com sua voz cansada, anunciou o fim do programa.
O fim de uma vida.



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