História Tão fora da terra - Capítulo 4


Escrita por:

Postado
Categorias Saint Seiya
Personagens Afrodite de Peixes, Aiolia de Leão, Aioros de Sagitário, Aldebaran de Touro, Camus de Aquário, Dohko de Libra, Mascára da Morte de Câncer, Miro de Escorpião, Mu de Áries, Personagens Originais, Saga de Gêmeos, Shaka de Virgem, Shion de Áries, Shura de Capricórnio
Tags Camus, Cavaleiros De Bronze, Cavaleiros De Ouro, Cavaleiros Do Zodiaco, Cdz, Milo, Saint Seiya, Yaoi, Yuri
Visualizações 42
Palavras 5.412
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Lemon, LGBT, Luta, Musical (Songfic), Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Capítulo extra como prometido!

Hoje tem uma pegaçãozinha básica, rs. Considerem-se avisados

Nos vemos lá embaixo.Boa leitura ^^

Capítulo 4 - Começando


Fanfic / Fanfiction Tão fora da terra - Capítulo 4 - Começando

Dohko estava sentando em frente a cascata de Rozan, nos cinco picos antigos. Era noite, e ele podia perceber o chamado de Shion através de seu cosmo. Como era reconfortante sentir próximo seu antigo amante, hoje companheiro já há dois séculos. Elevou sua energia e começaram a conversar. Era tão forte sua união que bastavam alguns momentos para que interagissem como se estivessem frente a frente. Shion contou emocionado sobre o retorno dos novos guerreiros, suas semelhanças com os antigos cavaleiros, e sobre suas expectativas em relação a chegada de Atena.

Conversaram durante quase três horas. Era algo marcado, falavam-se uma vez por mês. Mas a saudade era enorme. Dohko lamentava não poder aproveitar o corpo de Shion, conservado pelo estado de sua raça, os jamilianos, que possuíam uma longevidade muito grande. Já ele estava velho, ainda que sobre o disfarce do Misophetamenos, mas um ancião, sem espaço para sua sexualidade. Mas o jovem tigre rugia em seu interior, ardendo de paixão cada vez que falava com Shion, cada vez que seus cosmos se tocavam. Lembrava com desejo e carinho quando ainda podiam se amar.

Enquanto Shion conversava com Dohko, os cavaleiros foram guiados por Saga e Aioros até suas respectivas casas. Os aposentos eram simples, pois eles teriam criados que estariam a sua disposição no dia seguinte, para escolherem como mobiliariam e decorariam seus ambientes. Em uma semana eles começariam os treinos complementares, Shion resolveu dar esse tempo para que eles conhecessem os arredores do Santuário.

Cada casa tinha uma particularidade. Milo gostou que a sua fosse uma suíte enorme, e um jardim com uma fonte que era a réplica daquela em que Camus havia se banhado.

Após a despedida de Aioros e Saga, Milo parou e pensou sobre os acontecimentos do dia. O que o estava deixando mais intrigado era o fato de ter visto o cavaleiro de Aquário nu, e ter ficado admirando sua beleza. Como, mil vezes ele se perguntava, como um ser bonito como aquele podia ser um dos guerreiros da elite de Atena?

Seu corpo, seu jeito quieto, seus cabelos... Seu cosmo, tão diferente do seu, mas tão familiar, os olhares trocados em silêncio, sua preocupação que ele não tivesse alguém para ajudá-lo...

Achou que sua atenção foi atraída por que estava carente. Milo sempre foi muito comunicativo, mas ultimamente, devido o treinamento de guerreiro, andava muito só, se isolava, seus amigos antigos não entenderiam seus dilemas, seus sentimentos. Sua família desaparecera quando ele era ainda muito criança, não lembrava o que era ter amor familiar. Atribuiu o fato de estar a muito tempo só essa atenção demasiada em Camus, pensou então que isso era apenas a vontade de criar laços com alguém novamente. Como o aquariano também era muito só, e isso ficou nítido nas poucas horas que compartilharam ali, talvez tal comportamento tivesse despertado sua atenção, como se agindo daquela maneira, Camus sem querer mostrasse uma brecha. Para Milo o que os outros enxergariam como barreira, ele encararia como uma forma mais fácil de se aproximar. Achou que eles iriam se entender melhor por isso.

O que aconteceu na fonte foi apenas acaso. Vê-lo pelado foi uma indiscrição, e já que ninguém comentara nada sobre ele, mesmo quando Saga pontuou sobre o banho do ruivo, talvez nem houvessem reparado sua presença admirando Camus. Era só se manter calado e tudo correria bem, então decidiu descansar e deixar essa história de lado. Sua vida começava agora, como um guerreiro de Atena.

Desperto de suas lembranças, Milo sentiu algo crescendo e explodindo. Sua atenção voltou-se para o presente. Era um cavaleiro de bronze que possuía aquela energia toda? Interessante...

-- -- --

Na casa de Libra, Shun estava cuidando de Hyoga, aquecendo seu corpo congelado com o cosmo. Shiryu e Seiya sentiram o explodir da energia de Shun, e o cosmo de Hyoga começando a oscilar, ora voltando ao normal, ora quase desaparecendo.

-Shiryu, será que o Shun vai sobreviver?

-Calma Seiya, confie no Shun. Ele chegou até aqui, mesmo sendo natural que ele queira se sacrificar pelos outros por influência da sua constelação protetora. Mas ele é irmão do Ikki. Shun é gentil demais como cavaleiro, mas se alcançou tal título é por que possui poder suficiente para isso.

-Mas...

-Seiya, essa foi a vontade do Shun. Eu sei que se fosse eu ali, você agiria de forma ainda mais dramática, não?

O cavaleiro de Pégaso pensou por um instante. Com certeza. Se fosse Shiryu a vítima de algo que ele fosse capaz de reverter, ele esqueceria tudo. Atena, seus amigos, sua vida. Como havia feito, indo buscar a água da vida. Enquanto corriam para a casa de escorpião, olhou de lado para o Dragão. Mesmo cansado, mesmo ferido, ele era lindo. Seiya não entendia por que sentia tanto amor por Shiryu. Só sabia que sentia, e sentia com toda a força. Segurou o Dragão pelo braço.

-Hum? O que foi Seiya?

O Pégaso encarou os olhos negros.

-Seiya, vamos, temos quatro horas para salvar a vida de Atena. Esqueceu disso?

-Não, não me esqueci. Mas o Shun me fez lembrar algo que eu havia esquecido.

-O Shun? Como assim?

Seiya puxou o Dragão para um abraço. Antes que houvesse tempo para alguma pergunta, ele colou seus lábios nos de Shiryu.

O chinês não acreditou a princípio. Após alguns segundos abriu a boca para respirar, mas Seiya a invadiu com a língua.

Como se o tempo houvesse parado, Shiryu abraçou o pescoço do Pégaso, e correspondeu ao beijo, que era apaixonado, intenso, forte, como se fosse a última vez que aquilo fosse acontecer.

Pégaso se afastou sem fôlego.

-Seiya, o que foi isso?

-Shiryu, eu não sei se vamos sobreviver a essa batalha. Ikki já se foi, Shun ou Hyoga podem não poder nos ajudar. Se apenas um de nós chegar a sala do Mestre, significa que o outro poderá ter morrido. Eu não posso deixar isso acontecer sem deixar claro o que eu sinto por você.

-Seiya, nós não temos tempo pra isso. Atena precisa...

-Eu sei do que Atena precisa Shiryu. E sei também do que eu preciso. Preciso falar o que sinto. Não aguento mais. Eu amo você.

-Seiya...

Não era nenhuma novidade que Seiya e Shiryu se gostavam. Bastava ver o cuidado de um pelo outro, os riscos que correram, para perceber que eles se amavam. Shiryu quase morreu para garantir a restauração da armadura de Seiya, e ficou cego para que ele não ficasse como uma estátua de pedra. Mas havia um problema.

Não dito, mas um problema.

Shiryu sabia que Seiya o amava, mas achava que essa consideração era apenas de amizade, por que quando havia uma chance de estarem juntos por um tempo, Saori aparecia precisando de ajuda, de socorro, de resgate... e Seiya era o primeiro a sair correndo desesperado atrás dela. Sempre estava preocupado com ela, correndo risco de morte o tempo todo. Isso só podia ser paixão. Todos achavam que na verdade, no final de tudo, Seiya e Saori ficariam juntos. Por isso o Dragão nunca conseguiu colocar todo o seu sentimento para fora. Ele amava Seiya, com toda a certeza, mas achava que se isso fosse exposto, ele poderia perder sua amizade. Resolveu guardar para si o que sentia. Antes tê-lo por perto como amigo, do que distante por causa de um amor não correspondido.

-Shiryu, eu já te falei mais de mil vezes, mas parece que você não me entende. Eu amo você.

-Seiya, eu ... Eu...

-Não, não fala nada. Não precisa. Não mais. Saori é Atena. Ela é uma deusa. Que se mantém virgem através dos tempos. Ela não pode amar como eu quero amar, nem ser amada. Eu amo o seu carinho pela vida, pela terra. Somos amigos agora, ela mudou muito. Mas meu amor, o que queima no meu coração, na minha pele, nos meus sonhos, é você.

Shiryu sorriu. Mais uma vez Seiya falava o certo. Na hora errada. Não podia ter feito isso antes?

-Seiya, eu...

-Não acredita em mim... Todas as vezes que eu disse que te amava era como homem, não só como amigo. Você nunca me deu uma chance, Shiryu. Pelo menos não enquanto estava acordado...

O Dragão sentiu o sangue correr em direção a seu rosto.

-Seiya... Eu acredito em você. E sinto o mesmo.

O Pégaso sorriu satisfeito.

-Que bom. Lembre-se sempre disso.

Sorriram um para o outro.

-Escorpião está a nossa frente. Vamos.

-Sim, vamos. Temos quatro horas para salvar Atena.

Milo sentiu a energia dos dois cavaleiros de bronze se aproximando. Se preparara para recebê-los. Ele sentiu a união daqueles cosmos, e lembrou-se da união do seu cosmo com Camus... Tal intimidade entre dois cavaleiros gerava isso, quando estavam juntos, seus cosmos queimavam no mesmo ritmo, na mesma intensidade, quase. Se soubessem usar isso em batalha, os dois tendo alcançado seu sétimo sentido, ele poderia ter problemas. Mas os dois eram inexperientes. Assim como ele fora um dia.

Lembrou-se mais uma vez dos primeiros dias no Santuário após receber sua armadura...

-- -- --

Milo acordou ouvindo batidas na porta do seu quarto. O dia ainda não havia amanhecido, quem poderia ser?

Levantou-se vestindo apenas a calça de um pijama. Bem sonolento, foi cambaleando até a porta, e qual não foi sua surpresa ao ver Camus parado ali. Com uma cara de poucos amigos.

-Bom dia... Quer dizer, se houvesse dia já...

Camus o olhava com uma expressão séria.

-Antes de começarmos, quero deixar uma coisa clara, cavaleiro de Escorpião. Eu não preciso de ajuda sua, ou de quem quer que seja para fazer o que quer que seja. Trate de cuidar dos seus assuntos daqui por diante. Graças a sua intromissão, vamos ser obrigados a treinar juntos, mas não pense que isso me agrada. E eu não vou pegar leve com você, por causa dos últimos dias.

Milo ficou surpreso com a hostilidade do ruivo. Ora, ele apenas estava o ajudando, e esse era o “obrigado” que recebia? Ainda mais uma hora daquelas?

-Opa, calma aí. Eu achei estranho o Mestre esquecer de um de nós, só isso. Não fica se achando importante não, falei aquilo por impulso só. Nada especial, principalmente em questão a você. Desculpa aí se acabou te chateando.

Camus encarou o loiro com mais raiva ainda. “Não fica se achando?”. Depois do que acontecera na biblioteca? Quem havia beijado quem aqui?
Oras...

-Hum. Bem, está avisado. Eu gosto de ficar sozinho. Não me incomode além do necessário.

-Ok, já que eu te incomodo tanto assim. Pensei que...

-Pensou o que?- Camus perguntou nervoso, lembrando-se da noite anterior.

-Nada, não pensei nada.

-Hum... E por favor, não precisa ficar tão... Próximo, fisicamente falando. Não sou dado a abraços, essas coisas... Não gosto quando invadem meu espaço. Aquilo que aconteceu ontem foi... Um erro.

Milo ficou irado de vez. Erro ou não, não fora feito sozinho. Se ele realmente não quisesse nada, teria se afastado primeiro, e não foi esse o caso.

-Erro? Sim, foi um erro. Achei que você era diferente.

-Diferente do que?

-Não sei Camus. Esse seu jeito seco, falando pouco, sendo grosseiro... Isso é coisa de um cara muito estranho, isso sim.

-Estranho? Eu sou simplesmente eu... Só quero que você...

-Chega dessa história. Não quero saber mais nada. Problema seu.

E Milo fechou a porta na cara de Camus, que ficou um tempo parado ali, pensando se deveria ou não destruir aquela porta.

Camus tinha a natureza calma, muito quieta, de poucas relações. Era dedicado a leitura, música, artes. Culto, inteligente, e racional, se assustara quando percebera que estava com raiva do loiro. Por que afinal, ele fora até ali?

Virou-se e foi caminhando até a casa de Saga para iniciar seus treinos, mas lembrava-se com raiva do corpo do grego, com músculos bem definidos, peitoral e braços fortes, os longos cabelos loiros caindo pelas costas. Pés grandes, mãos também. E os olhos, aqueles incríveis olhos azuis. Como eram belos aqueles olhos.

Mas quem ele pensava que era pra tratá-lo daquela forma? Ele fora apenas avisar que preferia o isolamento, e recebeu uma portada na cara?

Ia descontar isso no tal treinamento.

Uma semana havia se passado após a posse das armaduras, todo o Santuário havia sido apresentado aos novos cavaleiros. Cada um, claro, tinha um local favorito no solo sagrado. Afrodite possuía um jardim imenso, Mdm ficava em uma caverna no pé das colinas, Aioria e Shura gostavam de passear nos vilarejos, e logo Aldebaram passou a ir com eles. Shaka e Mu ficavam mais em suas mansões. Saga e Aioros viviam em missões, mas ficavam o tempo livre, estranhamente juntos também, por toda parte. Camus gostava da biblioteca do Santuário, que ficava perto do salão do grande Mestre. Milo ficava zanzando por todos os lados. No terceiro dia havia conhecido quase tudo. Só faltava a tal biblioteca.

Resolveu ir para lá quando estava anoitecendo, afinal, sem a luz do sol, não haveria muita coisa para fazer. Entediado, pediu permissão ao Mestre, que respondeu com uma voz um tanto emocionada que sim, que fosse para lá, que talvez o outro guerreiro que lá estava gostasse de sua companhia. Curioso por saber quem seria, entrou devagar, caminhando pelas prateleiras que mostravam jornais e revistas atuais.

Mas atrás delas, uau, aquela biblioteca era enorme. Atena deveria ser megalomaníaca, por que tudo naquele lugar era tão grande? Deveria ter, pelo menos, quatro andares, de um lado a outro estava tudo coberto por livros de todos os tipos. Ficou impressionado com a grandeza daquilo tudo, quando sentiu um cosmo familiar, estranhamente calmo, poderia dizer que até feliz, tamanha serenidade emanava dele. Foi caminhando devagar na direção desse cosmo. Ao virar um corredor comprido, percebeu uma manta de cabelos vermelhos, e estacou na hora.

Camus.

Estava ali absorto em um livro de capa marrom. Parecia não tê-lo notado. Cantarolava algo baixinho, estava concentrado no livro, ora dava risadas, ora franzia o cenho, ora resmungava consigo que aquilo era impossível. Milo deve ter ficado por volta de dez minutos o espiando escondido, quando decidiu ir embora. Mas quando se virou, deixou um livro pesado cair por ter esbarrado nele com o ombro.

O barulho cortou automaticamente o sossego do aquariano, que logo perguntou;

-Quem está aí?

-Desculpa, eu vim dar uma olhada, não queria te atrapalhar. Já estou indo.

-Há, é você.

“Voltou a vestir o jeito antipático”- pensou Milo.

-É, sou eu. O Mestre me disse que tinha alguém aqui, só não me contou que era você.

-Certo.

-É, você gosta daqui? Digo, dessa biblioteca?

-Sim.

-Hum...

Milo ficou sem assunto. O que conversaria com aquele cara? Ele queria sim conversar com ele, qualquer coisa, mas parece que a presença do cavaleiro de gelo inibia seu jeito de ser, ele se sentia com medo de fazer alguma besteira, e provocar uma briga, ou até uma confusão qualquer.

-Eh, bem, vou indo, vou te deixar só.

-Melhor assim- Camus disse e se virou, andando pelo corredor até sumir de vista.

Milo ficou bobo com aquela atitude. Cara mais frio, será que não podia conversar com ele normalmente? Decidiu que a partir do outro dia, se Camus ficava ali, iria ter que aturá-lo até começar uma conversa de maneira que ele julgasse decente. Ele ia ler, perguntar qualquer bobagem, alguma coisa tinha que acontecer. E começaria no dia seguinte.

No mesmo horário, Milo voltou a biblioteca, e encontrou o cavaleiro de Aquário sentado em uma mesa grande, lendo o mesmo livro do dia anterior. Era um livro bem grosso, e ele reparou que Camus já estava na metade. Continuava com aquela expressão no rosto, calma, tranquila, mas em dúvida de algo, que era demonstrado pela ruga em sua testa.

Milo estava com um livro que falava sobre os cavaleiros de uma das guerras anteriores. Pigarreou, e Camus levou um susto, fechando o livro com força e se levantando.

-O que você quer?

-Oi... -Milo disse sem graça, e achando divertida aquela reação exagerada de Camus.

-Olá...

-Posso me sentar aqui? -disse Milo apontando para uma cadeira a frente da que Camus estava.

-Hum... Se você quer- Disse em um tom seco.

Milo hesitou um pouco, mas tomou assento.

-Eu queria conversar com você, é, sobre isso aqui...- Milo disse mostrando o livro que carregava.

-Comigo?- Estranhou Camus- Por quê?

-O mestre me disse que você é um dos guerreiros mais inteligentes que nós temos, e que você já está familiarizado com a história de Atena e dos cavaleiros. Eu quero saber se você pode me dar uma ajuda, quero saber que tipo de golpes meus antecessores usavam, como e onde aprenderam, essas coisas... Se não for atrapalhar...

-Vai atrapalhar sim.

Milo ficou sem graça com a resposta grossa do aquariano. Já ia se levantar e ir embora, quando o outro completou:

-Mas eu sei que você vai continuar atrás de mim se eu não fizer alguma coisa. Não sei bem o que você quer, mas se você prometer que vai me deixar em paz, eu te respondo tudo que você quiser saber.

Milo ainda estava estático, mas considerou aquilo alguma coisa. Acenou que sim com a cabeça, e apontou o livro que Camus lia.

-Está lendo o que?

Camus ficou vermelho na hora. Respondeu com uma voz zangada:

-Pergunte logo o que quer saber.

Milo gravou na memória como era o tal livro que deixava Camus tão feliz, e tão zangado ao mesmo tempo. Voltaria mais tarde e daria uma olhada, ficou curioso para saber o que afinal estava escrito ali.

-Quero saber sobre as últimas guerras, como eram os antigos cavaleiros de ouro, quais golpes usavam, como foi que venceram as batalhas... Quero saber o que nos espera.

-Hum... Certo, vou começar a explicar então o que eu sei. Mas depois me lembre de te mostrar os diários dos cavaleiros, há bastante anotações sobre o treinamento deles.

Camus começou a falar, a princípio achando que Milo não estava prestando atenção. Mas ficou surpreso quando, após quase quarenta minutos falando, interrogou o escorpiano e este respondeu suas perguntas detalhadamente.

Milo perguntou onde Camus aprendera tanto sobre aquele assunto:

-Na minha terra natal eu estudava bastante, além dos treinamentos não tinha lá muito o que fazer.

-Você vem de onde?

-Nasci na França, mas fui treinado na Sibéria. Uma das pontas frias do planeta.

-Há, entendi.

-O que?- Indagou Camus curioso.

-Por que o seu cosmo é frio. Você deve ter aprendido a manipular gelo, então?

-Água e gelo, na verdade. É herança dos cavaleiros de Aquário. Resfriar em batalha o quanto possa o cosmo ao seu redor, causando uma verdadeira muralha de gelo nos oponentes. Já você...

-Eu? Eu não sei manipular nada...

-Hum, segundo os relatos dos livros antigos, os cavaleiros de Escorpião são guerreiros com características de cosmos incandescentes, beirando ao calor vulcânico. Você não possui nenhum golpe baseado em fogo, ou coisa do tipo?

-Hum -Milo pensou um pouco- Na verdade, não. Meu golpe principal chama-se “Agulha escarlate”. Eu traço a constelação de Escorpião no corpo do adversário, e atinjo os locais com um ferrão semelhante ao de um escorpião. Dependendo da quantidade de agulhas desferidas, o inimigo morre, ou fica louco antes. Na verdade, meu sangue é venenoso. O meu ferrão, quando atinge o oponente, libera uma gota do meu sangue, que causa todo o efeito no inimigo.

-Se seu sangue é venenoso, como você podia ser tratado por alguém, caso se ferisse? Qualquer um que entrar em contato com seu sangue morre?

-Só quando meu cosmo está muito elevado. Nos meus treinamentos só morreram aqueles que se aproximavam de mim para me ajudar no calor da batalha. Mas aprendi rápido a controlar isso, senão nem meu mestre poderia me ajudar.

-Você vem de onde?

-Sou grego, mas nunca havia entrado aqui. Fui treinado em uma ilha próxima.

E foi assim que conversaram até quase duas da manhã. Para Milo falar era fácil, mas para Camus não era algo muito comum. Por isso, quando Shion apareceu por lá, os dois se assustaram.

-Eu sei que vocês tem bastante a ler, mas precisam descansar um pouco também rapazes.

-Mestre!- Os dois se assustaram e se ajoelharam.

-Levantem-se! Sabiam que já são duas da manhã?

-Como assim? -Exclamou Camus?- Tão tarde?

-Nossa -Disse Milo- Acho que perdemos um pouco a noção de tempo.

-Um pouco? -Shion ironizou- Falavam sobre o que?

-Camus estava me falando sobre os cavaleiros das últimas guerras.

-Hum -Shion ria por baixo do elmo de mestre. Ouvira um pouco da conversa dos dois e sabia que esse assunto havia terminado há um bom tempo- Bem, acho que vocês podem continuar isso amanhã. Vão dormir rapazes.

-Sim Mestre!- Responderam juntos.

Shion saiu da sala. Saudades apertaram seu coração. Lembrou-se de Kárdia e Degél enquanto mirava os jovens pelas costas.

-Bom -Disse Camus- Espero ter ajudado.

-Sim, e muito. Amanhã podemos continuar?

Camus hesitou. Há muito não se sentia confortável para conversar assim com alguém. Fora muito bom, mas era estranho ainda.

-Você... Tem mais alguma dúvida?

-Sim, acho que nem falamos muito sobre o assunto que viemos tratar não é?

-Verdade...

Camus pensou alguns segundos e suspirou:

-Amanhã, então.

Foram descendo em silêncio. Antes de sair de Aquário, Milo passou um braço pelos ombros de Camus, e suspirando deu um "boa noite".

Camus achou engraçado alguém que mal conhecia o tratando com tanta intimidade. Normalmente ficaria bravo, mas com Milo foi diferente. Manteve sua expressão habitualmente séria, mas quando sentiu que estava só, riu sozinho.

Já Milo estava impressionado. Não era só o cosmo de Camus que era frio.

Sua pele também. Um arrepio percorreu sua espinha.

Nos outros dois dias, conversaram praticamente o tempo inteiro. Sobre tudo. Até que Milo finalmente perguntou algo que o angustiava:

-Camus, seu corpo é frio assim mesmo?

-Há? Como assim Milo?

-Quando me despedi de você anteontem, senti que você possui o corpo muito gelado, é quase cadavérico. Isso é normal?

-Há -Riu Camus- Não, eu sou “normal”, minha temperatura é como a sua. É que meu cosmo reage quando alguém se aproxima sem eu esperar, e minha temperatura abaixa, pra que eu possa me habituar ao ambiente que meu cosmo gerará. Eu não sou tão frio quanto meu cosmo.

-Há... Me assustei! Nunca havia visto ninguém assim antes... Não vivo...

-Hã... Pode ver, minha temperatura é normal- Disse isso e estendeu a mão para Milo.

Milo olhou hesitante para a mão estendida sua frente. Olhou então para Camus, diretamente naqueles olhos azuis esverdeados, e levou a mão ao seu rosto.

Camus se assustou com o toque, não esperava por aquilo. Ia recuar, mas não conseguiu. Ficou estranhamente hipnotizado por Milo e seus olhos azuis.

-Para mim ainda está fria.

-Eu não esperava...

Então Camus levou sua mão em cima da mão de Milo. Agora estava relaxado, seu toque era quente, mas estranhamente bom, suave. Milo sorriu:

-Há, agora sim. Realmente, você não é gelado como parece.

-Eu havia te dito.

E Camus sorriu também. Milo sentiu um frio no baixo-ventre, e seu membro pareceu querer reagir. Sentou-se rapidamente e perguntou a Camus, que estranhou a quebra do contato de forma tão abrupta:

-E você tem família na Sibéria, na França... Amigos, essas coisas?

-Hum? Não, tenho alguns amigos dos vilarejos onde morei, mas nada de mais profundo.

-Tem namorada, alguma mulher por quem você tenha se interessado?

-Eu? -Camus estranhou a pergunta- Não, nunca tive tempo pra essas coisas.

-Nunca namorou?

-Não -Respondeu simplesmente- E você?

-Já tive algumas mulheres na minha cama, mas não me apaixonei.

-Hum...

Camus ficou pensando um pouco, enquanto Milo o fitava curioso. Havia sido direto em sua pergunta, e não queria crer que a resposta fosse a de que um cara tão bonito fosse virgem.

O momento foi quebrado, mais uma vez, por Shion, que estava lá para avisar que Saga talvez não voltasse para treinar Milo. Obviamente ele os espiou por algum tempo antes de se anunciar e avisar os rapazes da situação.

-Ele foi em uma missão para o Santuário- Explicou o Mestre- E talvez não chegue a tempo de treinar você Milo. Caso isso aconteça, vou pedir que treine com Mu.

Mais uma vez o Mestre esquecera de Camus. Milo interveio.

-Mestre, desculpe minha ousadia, mas e quanto a Camus?

-Camus? O que tem Camus?

-Ele está comigo no treinamento com Saga. O senhor se esqueceu dele.

Shion virou o rosto para um Camus um tanto vermelho. Por que Milo o estava tratando como uma criança que esqueceram de dar lanche na escola, na frente do professor?

-Camus, é verdade. Me desculpe, é que você me lembra muito alguém que conheci, que nunca precisava de muita ajuda. Perdão, vocês dois devem treinar com Saga, embora eu ache que isso não durará muito.

-Por quê Mestre?- Perguntou Milo.

-Por que vocês dois têm os cosmos mais preparados que eu vi entre aqueles que as armaduras escolheram para mostrar algo. Na verdade vocês não precisam de controle de cosmo. Vocês tem poder bastante, mas precisam reconhecer algo dentro de vocês, antes de assumirem totalmente suas armaduras.

-Reconhecer algo, Mestre? O que seria?

-Creio que logo descobrirão. Mas vão para suas casas agora. Boa noite.

Camus e Milo foram caminhando calmamente. Antes de sair de Aquário, Milo se virou e disse:

-Queria saber o que ele quis dizer com reconhecer algo.

-Eu também.

-Bom, vou indo.

-Boa noite.

Camus e Milo se encararam, e então Milo, inesperadamente, deu um beijo em Camus. Foi um roçar de lábios, na verdade. Ele aproximou o rosto, encostou os lábios, encarou um Camus que não reagia, se virou e foi embora. Camus ficou em choque. Primeiro ficou confuso, depois achou engraçado, estranho logo em seguida, e então ficou com raiva.

Abusado. Amanhã ele iria até Milo resolver isso. Não é por que estavam conversando, que em algum momento ele dera a entender que aquilo seria qualquer coisa além da cordialidade. Nem amigos eles eram.

Se bem que era impossível para Camus negar que estava sendo bom ter alguém por perto, conversando, agindo normalmente. Milo não se deixara intimidar pelo seu habitual jeito usado para distanciar os outros. Milo rompera algumas barreiras, mas beijar? Um homem beijar outro, assim, do nada? Isso já era demais.

Milo acordou ouvindo batidas na porta do seu quarto. O dia ainda não havia amanhecido, quem poderia ser?...

-- -- --

Saga ainda estava dormindo profundamente. Aioros o olhava do lado da cama. Não conseguira dormir muito, apesar de estar cansado. A noite fora muito quente, Saga era um amante incomum, Aioros era insaciável, o que resultava em uma batalha sexual. Um querendo ver até onde o outro seria capaz de aguentar. Os dois dando o máximo de si. Os dois praticamente morrendo de amor um nos braços do outro. Mas Aioros estava preocupado.

Ultimamente Saga estava cada vez mais sob influência de um lado negro. Nas últimas batalhas que presenciara junto ao geminiano, sabia que o poder do outro, qual fosse o inimigo, seria suficiente para exterminá-lo de um golpe só. Mas Saga estava torturando seus inimigos física e mentalmente. E o pior é que demonstrava um prazer enorme com isso. Quando então Aioros se aproximava, é que ele voltava a ser o ser sereno e tranquilo de sempre. Mas nem sempre Aioros estaria por perto. E era preocupado com isso que ele estava, quando resolveu acordar o amante.

-Saga...

Passava a mão em seus cabelos, acariciava seu rosto levemente. Praticamente sussurrava em seus ouvidos.

-Saga... Levante-se... É hora de nos prepararmos para treinar nossos companheiros. Vamos...

-Hum...

Saga virou-se sonolento, e quando abriu os olhos, a primeira coisa que viu foram os orbes doces do sagitariano. Poderia ficar perdido ali para sempre. Toda vez que o encarava era como se fosse a primeira, sentia seu baixo ventre gelar, depois esquentar profundamente. Aioros sorriu com a cumplicidade dos amantes, como era bom vê-lo assim, tão calmo, tão bondoso... Seu Saga...

-Já é hora de acordar, ou você está me chamando pra continuarmos de onde paramos?

-Pelo amor de Atena, Saga. Você nem acordou ainda e já está falando em sexo?

-Não falei nada, aliás, nem quero falar muito... Prefiro aceitar sua sugestão.

Como os dois estavam deitados, Aioros de barriga pra cima, e Saga de bruços, um ao lado do outro, Saga subiu em cima do grego e beijou seu mamilo esquerdo suavemente. O cavaleiro de Sagitário arfou, e Saga sentiu uma pulsação leve no pênis do amante. Indo para o lado direito, passou a ponta da língua em movimentos lentos, que fizeram com que os mamilos do sagitariano endurecessem rápido. Seus olhos estavam fechados, e ele gemia de forma rouca, suavemente. Seu pênis começava a dar sinais de vida, logo estaria completamente duro. Continuou brincando com os mamilos de Aioros, que não aguentando mais, começou a guiar a cabeça do amante para baixo, na direção de seu membro.

Aioros era grosso, e também comprido. Saga quase riu ao se lembrar de como adorava envergonhar o amante, tão sisudo, dizendo que essa então era a parte do cavalo que ele havia herdado. Mas para não quebrar o clima, resolveu ficar quieto.

Começou a masturbá-lo levemente, enquanto ele afastava suas pernas. Aioros cheirava divinamente bem, o cheiro do seu sexo começou a inebriar Saga, que não aguentava mais manter o ritmo da masturbação com as mãos. Começou a colocar os lábios em volta da glande do amante, que deu um gemido longo quando sentiu a boca quente do geminiano engolindo seu sexo. Este, por sua vez, sentindo a aprovação do outro, aventurou-se a explorar com toda a boca cada centímetro do pênis grosso de seu parceiro. Aioros delirava com o trabalho de Saga, que se masturbava devagar enquanto chupava o amante, agora em ritmo mais rápido, e com muita vontade.

-Saga, ahhh... Saga, eu vou...Ohh, eu vou...

-Goza na minha boca Aioros.

Não foi preciso repetir. Com um gemido mais alto e mais rouco ainda, com uma mão agarrando o lado da cama, e a outra segurando a cabeça de Saga para que ele não saísse dali, Aioros sentiu sua glande inchando, e derramou sua semente na boca de Saga, que quase engasgou com a quantidade de líquido que havia ali.

Enquanto esperava que o amante se acalmasse, Saga limpou o pênis de Aioros com a boca, e se deitou a seu lado. Quando este conseguiu abrir o olhos, Saga engoliu tudo que havia sido despejado dentro dele. Sorriu de maneira maliciosa e atrevida enquanto gemia, e enfim disse:

-Só podia ser meio cavalo mesmo. Gozou cinco vezes essa noite e ainda consegue soltar esse tanto de...

-Saga!- Aioros era um amante excepcional, mas detestava ouvir palavrões. Saga adorava isso.

-Estou mentindo? Nenhum humano, cavaleiro ou não, goza tanto como você. Só pode ser influência astral mesmo...

-Seu bobo.

Aioros abraçou o geminiano, e começaram a se beijar delicadamente. O cavaleiro de Sagitário sentiu que o amante estava duro ainda.

-Não gozou?

-Não, pensei que você podia me ajudar com isso...

Saga levou a mão de Aioros até seu pênis. O sagitariano sorriu, e começou a beijar o pescoço do amante, que estava ereto e ansioso por gozar. Seu pênis não era tão grande quanto o de Aioros, mas isso não fazia nenhuma diferença para os dois. Podia ser uma diferença de dois ou três dedos, mais ainda assim não queria dizer que Saga não fosse dotado, por que era. Aioros que era excepcionalmente dotado.

Aioros sentou-se na cama, e colocou Saga sentado a sua frente. Beijando a nuca do geminiano, voltou a pegar em seu membro, que já estava melado tamanha a excitação, e apertou forte. Saga virou o pescoço, e Aioros começou a passar a língua de cima da sua orelha, até a base do pescoço, enquanto masturbava o parceiro com força. Saga adorava a sensação que Aioros causava quando o subjugava com a língua no pescoço, e ao mesmo tempo, com uma mão livre acariciava suas bolas, e o masturbava com a outra mão. Pela manhã Saga gostava de ser apertado com força, em um ritmo extremamente lento, tendo o saco acariciado e puxado. Sentia o calor do corpo de Aioros irradiando por suas costas, seu bafo morno, seu hálito fresco e adocicado, como se nem houvesse dormido. Aioros, só ele conseguia tirar o ar de dentro dele, fazer com que o tempo parasse. Entregue mais uma vez ao desejo, Saga se deixou levar, e gozou forte na mão do companheiro, gritando alto enquanto Aioros sussurrava em seu ouvido:

-Mostra o quanto você me deseja...


Notas Finais


Primeiro lemon, ou quase isso, tinha que ser com esses dois...hahaha
E teve casal hoje? Beijo, sexo, climinha fofo... Dia emocionante rsrsrs

Agradeço a Kameron pela presença nos comentários, te adoro querida!
E muito obrigado aos novos favoritos. Sejam mega bem vindos

Beijaço e até breve


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...