História Taro - Uma fanfic Reylo - Capítulo 19


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Categorias Star Wars
Personagens Kylo Ren, Rey
Tags Episode Ix, Reylo, Star Wars, Stormpilot
Visualizações 121
Palavras 1.334
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Essa fanfic foi escrita com base em todos os filmes da saga Star Wars. Sua linha histórica se passa depois dos acontecimentos do episódio VIII - Os últimos Jedis, e usa como base as histórias das músicas da banda Alt-J (o link de todas as músicas são postadas nas notas finais por questões de regras do site).

Capítulo 19 - XVIII - Ms


Some things lie too deep for tears to well

We can’t lose touch but we can let go

The dark seeks dark, darker

ALT-J - MS

Haviam lhe direcionado para uma mesa extremamente comprida. O ambiente em si era um tanto peculiar para ser direcionado à refeições, mas isso não era algo que incomodava Rey. Ela já havia estado em situações piores quando precisava comer enquanto limpava o lixo das naves, ou até mesmo em cima das excreçōes de galoomps e falumpasets. Sentar em uma cadeira confortável, frente a uma mesa limpa e relativamente cheia de comida era o maior conforto que ela podia presenciar. Todavia aquilo de alguma maneira a incomodava. Eram duas pessoas se alimentando. Poderia alimentar uma região inteira com tanta comida.

Estava distraída com o material da mesa quando Kylo Ren surgiu pelas portas entreabertas na visão da garota. Vinha apressado, olhando para baixo e por um momento ela imaginou que ele não havia notado sua presença. Só que não tinha como isso acontecer. Ela havia pensado que afastou o garoto quando propôs-lhe que convivessem como pessoas normais, mas horas depois havia recebido o recado de que Ben queria jantar com ela. Sabia o quanto isso o incomodava, então não tinha como ele se esquecer. Sendo assim, concluiu que ele estava relutando com a situação e provavelmente implorando que ela não tentasse conversar com ele. Mas ela assim o fez depois de esperar o cavaleiro se sentar e se ajeitar:

— Obrigada por me arrumar um novo quarto. Eu estava começando a me acostumar com o centro médico. Ninguém vai àquele lugar.

Ela sorriu, mas o rapaz simplesmente assentiu e começou a comer, exemplificando o quão sua tentativa havia sido falha. Rey então concentrou-se também em comer, mas não desistiria e rapidamente pensou em outro assunto que pudesse compartilhar:

— Eu acho que nunca comi tão bem assim na minha vida como aqui. — Ela notou enquanto mexia na comida de seu prato. De fato havia feito as melhores refeições enquanto estava hospedada ali. — É tudo tão puro, tão gostoso... Em Jakku isso valeria pelo menos uma vida.

Pela primeira vez ele havia olhado para ela, e milagrosamente ele passou a falar:

— Esses tipos de pessoas fazem isso do planeta deles. É tudo sobre arrecadar, e acabam com a própria casa. — Ele concluiu e, por mais feliz que ela estivesse com a iniciativa dele em conversar, aquele comentário havia a desagradado.

— A guerra acaba com a própria casa de todos. — Ela o corrigiu, direcionando a culpa de toda desgraça que havia presenciado para a Primeira Ordem e suas inspirações.

— Então seria sensato que acabassem com essa guerra. Os rebeldes deveriam refletir sobre isso. — Dessa vez era ele quem havia colocado a culpa nela. Não necessariamente nela, mas na Resistência, e isso incluía ela.

— E enquanto pessoas são escravizadas e passam fome a Primeira Ordem lucra disso. — Ela retrucou.

— Pessoas eram escravizadas e passavam fome na época da República, quando a Primeira Ordem era ainda uma utopia. — Ben a respondeu depois de interromper sua refeição e, agora, encarando-a.

De fato ele estava certo, Rey refletiu. Ela mesma havia sido vendida quando não havia sequer a Primeira Ordem, e o Império já havia sido derrubado há tempos. Ele observou a reflexão da garota sobre seus dizeres e resolveu continuar:

— Isso não quer dizer que eu simpatizo com toda essa situação, mas é ilusório imaginar que as pessoas mudem independente do governo delas. — Ele concluiu, e Rey pôde analisá-los depois de aceitar que aquele assunto havia acabado. Era disso mesmo que iriam discutir? Ela pensou, decepcionada, mas então refletiu que pelo menos estavam conversando. Isso a fez sorrir.

— Obrigada por aceitar meu convite. — Ela lhe ofereceu o sorriso e ele deixou de encará-la para voltar a atenção na sua comida, talvez constrangido.

— Você queria conversar, então converse. — Kylo Ren respondeu de maneira seca, mas ela não se importou. Aquilo já era um ato de consideração do rapaz que a deixou animada. Ela então se pôs a questionar novamente:

— Me conte sobre sua infância. — Pediu carinhosamente, mas Ben assustou-se com sua atitude. Ele passou alguns segundos encarando-a, e Rey notou que aquilo já era pedir demais. — Okay, entendi... Eu queria conversar, então eu começo.

“Eu fui vendida pelos meus pais, eu confesso, e demorei a aceitar que eu havia sido abandonada para um grupo de escravagistas que me educariam. Passamos um bom tempo servindo-os enquanto arrumávamos peças e acessórios para venda em feiras fora do planeta. O problema é que eles resolveram abandonar toda a bagagem de prisioneiros quando sofreram uma briga com um antigo líder de gangue comercial perto do posto do Niima. Todos os escravos haviam fugido e os combatentes foram mortos, mas eu fiquei. Eu fiquei esperando que meus pais ainda viessem me buscar enquanto me estabelecia perto do cemitério das naves que haviam sido derrubadas durante a luta.”

“Eu era um pouco curiosa, eu sempre fui, e isso me rendeu um grande número de sucata, onde eu consegui que Plutt me oferecesse um espaço perto do posto. E foi assim. Eu aprendi a me defender, e eu aprendi a sobreviver.”

Ela oferece uma pausa para respirar, mas percebeu que havia chegado ao fim de sua história. Enquanto isso Ben a escutava atentamente. Ele se esquecia de considerar que não podia se julgar mais sofrido que Rey. Ela havia sofrido, e talvez Kylo Ren não fosse capaz de sobreviver um terço do que ela tinha vivido. Aquilo havia sido o bastante para que ele se sentisse obrigado a compartilhar da sua, e Rey sentiu-se contente por isso.

— Leia sempre foi política demais e Han Solo, um mercenário que não conseguia tirar as garras da boa ação. Ele sempre ia embora e voltava, e minha mãe acostumada com a solidão e o isolamento achou que eu também era. Quando Luke ofereceu a ideia da academia, eles estavam me preparando uma nave antes mesmo de eu saber da notícia. Eu cresci na academia, éramos como monges, isolados, quase como refugiados, escondidos de qualquer distúrbio que pudesse nos distrair, mas não se importavam com aqueles que pudessem nos ferir, porque foi assim que Snoke chegou até mim. Sem parentesco, sem amigos, minha infância foi sozinha e isolada tão quanto aquele lugar, e hoje é a primeira vez que eu estou acompanhado de fato por alguém.

Ele confessou e Rey pôde sentir uma ponta de afeto nos últimos dizeres do rapaz. Aquela mesma ponta que a atingia quando o encontrava, quando pensava nele, e até quando o considerava. Queria poder abraçá-lo, livrá-lo da solidão que carregava desde que era pequeno. Ele era violado, sozinho, quebrado, e ela o considerava por isso. Não porque queria consertá-lo, mas porque sabia que ela era tão quebrada quanto ele.

— Sozinho? Você não fez colegas, amigos, alguém que te acompanhasse por um bom tempo? — Ela o questionou e de começo ele negava, mas enquanto a pergunta era feita o rosto do rapaz paralisou. Haviam entrado em questões que Kylo Ren sentia-se desconfortável em falar. Sobre sua vida, seus sentimentos… — Nunca se apaixonou por alguém?

E aquilo o aterrorizou. Não conhecia paixão. Talvez estivesse conhecendo agora… Talvez… Então ele limpou rapidamente os lábios e se levantou na mesma velocidade, assustando Rey.

— Eu não consigo fazer isso. — Ben rapidamente virou-se e se direcionou à saída enquanto Rey se levantava de sua cadeira e corria atrás do rapaz para impedi-lo de ir.

— BEN! — Ela gritou para que ele pudesse escutar, mas o garoto a ignorou por completo e continuou a fugir antes que desistisse da ideia.

Agora ambos estavam de coração partido. Rey queria se aproximar de Ben. Queria conhecer o verdadeiro homem que morava ali. Talvez já não se tratava mais da Força, dos rebeldes. Sentia que sua cabeça pedia por Ben, tanto quanto seu corpo, queria sua proximidade, mental, física… E havia falhado. Kylo Ren queria se entregar. Queria poder desistir de tudo, se juntar à Rey e fugir. Queria ceder, queria conversar com ela. Ele queria fazer aquilo, só de fato não conseguia.


Notas Finais




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