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História Tattooed Love - Capítulo 1


Escrita por: e TioMonster


Notas do Autor


Oi, crianças! Como estão? Espero que bem, pois olha só quem chegou com mais uma fic cheirosinha pra esse projeto lindo.
Dessa vez não é one-shot, oq é muito estranho da minha parte, já que eu fujo de qualquer coisa que não seja kkkk.
Espero que curtam, eu tentei fazer algo bom e gostei do resultado.

- Boa leitura!

Capítulo 1 - Marcado na Pele


Park Jimin nunca foi um homem muito pessimista. Ele costumava ser bem otimista em muitas situações, para falar a verdade. Mas não quando se tratava da sua vida amorosa, afinal, estava quase chegando aos trinta anos, completamente solteiro e sem mais expectativas quanto ao que o futuro reservava para si.

Em um mundo onde almas gêmeas são assunto sério e o nome da pessoa destinada a você é marcado no pulso desde o seu nascimento, Jimin nunca sequer teve ideia de quem era a sua. Com o nome de um homem escrito no pulso esquerdo, desde novo passara por algumas discussões familiares sobre o quanto isso não era bom nem bonito. Ainda assim, Park parou de achar isso um incômodo quando entendeu que também gostava de garotos.

O problema é que tinha passado toda sua adolescência e fase adulta com esperanças de encontrar sua alma gêmea. Inúmeras foram as oportunidades de bons relacionamentos que perdeu por causa disso, mas em plenos 29 anos de idade, enquanto tudo na sua vida parecia ir bem e tomar rumos promissores, a parte amorosa continuava um desastre. Foi então que Jimin parou de criar expectativas quanto a sua alma gêmea, sequer tinha mais animação para imaginar como a sua "cara metade" poderia ser; se ele era bonito, inteligente, gentil.

Em algum momento, o nome em seu pulso começara a se assemelhar, em sua concepção, a um grilhão, que o impediu de aproveitar as inúmeras coisas boas que poderia ter vivido com outras pessoas ao longo dos anos. Então ele resolveu tomar uma decisão quanto ao que havia sido escrito em seu pulso, como uma marca de nascença na pele. Jimin decidiu que tatuaria algo por cima do nome da pessoa que tanto esperou e desejou em sua vida, e seguiria em frente sem arrependimentos.

Uma atitude muito brusca, segundo seu melhor amigo, afinal, Park ainda tinha muitos anos pela frente e sua alma gêmea poderia estar em qualquer lugar. Poderia esbarrar consigo a qualquer momento. Mas Jimin já estava decidido e, quando tinha convicção de algo, dificilmente tirava da cabeça.

Ele só queria seguir com a própria vida sem mais limitações e expectativas que sempre o derrubavam depois. Já tinha em mente o desenho que faria e, enquanto caminhava até o estúdio de tatuagem recomendado pelo seu melhor amigo, ele mantinha em mente que era o melhor a se fazer. O local se encontrava numa área menos movimentada do centro de Busan, escondida nos fundos de uma loja de conveniência comum. O estúdio era ilegal, visto que tatuadores precisavam de um diploma médico para exercer tal função e a maioria deles não o possuía.

Esperou a movimentação ao redor diminuir — como instruído pelo cara que lhe atendeu ao telefone — antes de entrar no beco à esquerda da loja, caminhando calmamente até uma porta metálica que muitos poderiam confundir com a saída dos fundos. Observando a câmera de segurança acima da porta capturar seu rosto, ele estendeu a mão para tocar o interfone e esperou alguns segundos até que uma voz masculina questionasse sua identidade. Ele respondeu:

— Sou o Park, cliente que vai cobrir a marca.

Alguns segundos após, a porta metálica se abriu e um homem alto, de cabelos loiros e tatuagens espalhadas pelos braços, abriu a porta e rapidamente o levou para dentro. O estúdio era de um tamanho mediano, mas bem organizado em tons escuros, com um sofá e alguns pufes para quem fosse esperar; nas paredes, alguns desenhos de estilos diversos emoldurados (todos modelos já usados para tatuagens). Ainda admirado e após observar que era o único cliente, Jimin se virou para o homem atrás do balcão de mármore.

— Gosta do que vê? — o loiro questionou, já acostumado com o deslumbre dos novos clientes. Park confirmou com um aceno de cabeça.

— Você é o tal JK que vai me atender? — perguntou, curioso, pois seu melhor amigo não dera a descrição física do cara, nem o nome, visto que o tatuador não o revelava para preservar sua identidade.

Jimin tinha apenas se baseado nas imagens enviadas por Taehyung para decidir se faria ou não a tatuagem com ele. E, falando sinceramente, o cara mandava muito bem. Ele tinha um estilo bem versátil, fazia de tudo um pouco, mas Park ficou mais atraído pelos desenhos em estilo mais sombreado, escuro e compostos principalmente de tons de preto e cinza.

— Infelizmente, não sou eu o grande JK. Sou o balconista e ajudo na administração. Me chame de Jin — disse tranquilamente, apoiando os braços no balcão. — Ele logo o atenderá, só está terminando de colocar piercings nos mamilos de um cara. Quer dar uma olhada nos modelos de tattoo? — Jimin deu de ombros para a primeira informação, mas pensou na sugestão de Jin, ainda que já tivesse uma ideia fixa em mente, para passar o tempo enquanto esperava sua vez.

— Quero sim — respondeu.

Observou o loiro pegar um caderno de desenho largo, que antes estava mais ao canto no balcão, e deixá-lo a sua frente.

Pegou o caderno e se dirigiu até o sofá de tom chumbo onde sentou, cruzou as pernas e folheou algumas páginas, parando vez ou outra para admirar um desenho que chamara sua atenção. Em alguns momentos, conseguiu ouvir alguns resmungos vindos da direção da porta preta na parede oposto a de entrada, na sala de tatuagem.

— Isso deve doer — resmungou, fechando o caderno.

— Nem tanto, mas o rapaz da vez é bem medroso. Acho que ele deve estar chorando lá dentro — comentou Jin, sentado atrás do balcão, enquanto digitava algo em um notebook.

Alguns poucos minutos depois, a porta preta se abriu e, por ela, um rapaz não muito mais alto que Jimin passou, com uma cara de choro e uma mão sobre o peito. Porém, os olhos de Park focaram na pessoa que vinha logo atrás dele. A camiseta regata branca expunha os braços fortes e a calça jeans preta com rasgos nos joelhos marcava bem as coxas grossas; o cabelo preto estava um tanto grande, preso em um pequeno coque, e ele possuía muitas — muitas mesmo — tatuagens pelo corpo bem marcado por músculos. Fora os brincos e piercings em suas orelhas.

As luvas pretas e a máscara cirúrgica parado sobre o queixo deixavam claro que aquele, sem dúvidas, era o tatuador. E Jimin quase suspirou com tamanha visão, pois JK era muito bonito.

Ele aparentava ter menos de vinte e cinco anos. Assim que o cliente saiu da sala, o moreno riu de alguma coisa antes de direcionar sua atenção para Park, que foi pego no pulo encarando o moreno. JK apenas sorriu de canto, acostumado com os olhares curiosos e, por vezes, admirados de seus clientes.  

— Esse deve ser o Park — disse, voltando-se para Jin, que terminava de acertar o pagamento com o cara. O loiro apenas assentiu com um menear de cabeça. —  Pode entrar, vamos ver o que farei por você. — Dessa vez, ele se dirigiu diretamente a Jimin, que apenas se levantou e seguiu JK para dentro da sala.

Quando a porta se fechou, o tatuador guiou Jimin até a poltrona hidráulica preta. Ainda com olhares fixos no homem tatuado, Park se acomodou e observou o homem caminhar até o outro lado da sala não tão grande e ficar de frente para uma mesa mediana, mexendo em alguns papéis. Jimin tentou não reparar tanto no quão bonito o corpo dele era, ainda que de costas.

— Mas e aí, Park? Está nervoso? Já tem alguma ideia em mente pra sua tattoo? — Sentindo o peso do olhar dele em suas costas, JK quebrou o silêncio, virando-se para o seu novo cliente.

Jimin pigarreou, tentando disfarçar que não estava encarando as belas curvas do tatuador.

— Ah, não estou, não. Já fiz algumas tatuagens antes. E, sim, tenho. Quero que cubra o nome no meu pulso esquerdo e parte do antebraço — disse e puxou o celular do bolso para mostrar a foto de exemplo que tinha baixado.

JK caminhou até ele, pegando cuidadosamente o aparelho com as mãos enluvadas. Observou atentamente os detalhes, admirando o desenho de um lobo em estilo dark, completamente preso; propositalmente em traços meio rabiscados e borrados, com detalhes em preto tanto em cima quanto embaixo que pareciam manchas na diagonal e que, com certeza, cobririam bem o que Park queria. Não era um desenho muito complexo, JK conseguiria terminá-lo sem muita demora, visto que desenhos do tipo eram seu forte.

— Muito bom o desenho. Vou precisar do seu celular um pouquinho, beleza? — Jimin assentiu, observando o tatuador se afastar novamente até a mesinha, sentando-se dessa vez no banquinho disposto ali. Após transferir a imagem para o próprio aparelho, JK devolveu o de Park. — Farei o decalque, não vai demorar muito porque é um desenho tranquilo.

— Eu não queria nada muito exagerado, então optei por esse depois que vi o seu estilo — disse Park, observando atentamente o maior concentrado em seu trabalho.

O banquinho não era lá dos maiores, então consequentemente o tatuador precisava ficar apertando as coxas grossas uma contra a outra e Jimin mentiria se dissesse que não reparou em como elas eram torneadas e marcadas pela calça jeans. Mas tentou afastar tais pensamentos, era tudo culpa do tempo que passara sem se relacionar com ninguém. Mal tinha trocado palavras com o homem e estava ali para fazer a tatuagem. Park ergueu a manga esquerda da camisa preta que usava e voltou a observar o nome que marcava seu pulso, como uma marca de nascença.

Deixaria para pensar em seu interesse pelo tatuador depois. Isso era tudo que queria focar no momento.

Enquanto traçava linhas firmes no decalque, o tatuador pensava sobre o seu cliente atual. Park parecia ser mais velho do que ele, que tinha seus quase vinte e dois, e era bem bonito; alguns centímetros mais baixo, cabelo castanho em undercut, coxas grossas e, olhando rapidamente quando ele entrou pela porta, uma bunda bem avantajada marcada pela calça jeans. A camisa preta de mangas compridas era um tanto folgada, mas permitia o moreno avaliar que Park não era tão musculoso.

Suspirou, pois não era adequado ficar reparando demais nos clientes, por mais que o acastanhado estranhamente lhe tivesse chamado a atenção. Ele não reparava muito nas pessoas normalmente. Ainda assim, sua mente martelava no porquê daquele homem estar em seu estúdio. Tinha ouvido falar que era cada vez mais comum as pessoas cobrirem o nome da alma gêmea e seguirem suas vidas, às vezes com outras pessoas cujo nome não estava no pulso. Por alguns segundos, pensou na marca em seu próprio pulso esquerdo cuja luva preta cobria no momento. Seu braço era repleto de tatuagens, mas em momento algum da vida ele pensara em cobrir o nome de sua alma gêmea.

Poderia parecer bobo sonhar com o dia em que a encontraria. Porém, mesmo que alguns de seus amigos já tivessem largado de mão e até mesmo seus pais não fossem a alma gêmea um do outro, ele ainda acreditava. Por isso, por mais que tivesse enchido os braços de tatuagens, os pequenos caracteres coreanos em seu pulso, gravados na vertical, continuavam intactos.

— Sabe, você é a primeira pessoa que vem aqui para cobrir a marca — comentou, após alguns minutos em silêncio, já quase finalizando o decalque. — Por que decidiu isso? Não precisa responder se não quiser  — perguntou, pois estava realmente curioso para ouvir da boca dele.

Jimin negou com a cabeça, sem se incomodar com o questionamento.

— Eu cansei de procurar pela minha alma gêmea, só isso. Já estou quase na casa dos trinta e deixei muitas oportunidades amorosas passarem, pois estava esperando por ela — suspirou. — Quero seguir em frente sem mais olhar para o meu pulso e dar de cara com o nome dele.

— Então é um homem? — Park assentiu para a pergunta. — Bem, minha alma gêmea pode tanto ser homem, quanto mulher. Acho que o nome é neutro. Ainda não a encontrei também, mas tenho esperanças — disse calmamente. — Mesmo com tantas tatuagens, nunca pensei em cobrir minha marca. — Ele sorriu pequeno, sendo observado por Jimin.

Ainda que ele mesmo não tivesse muito mais expectativas, era bonito observar que JK ainda as tinha dentro de si.

O assunto não fluiu muito mais e logo o moreno estava levantando do banquinho. Com o decalque finalizado, ele mostrou rapidamente para Park. Tinha aumentado e alterado um pouco as marcas na parte de baixo, visto que o outro queria cobrir bem pulso, mas nada que mudasse muito a forma do desenho. Jimin aprovou, então o maior se levantou para preparar a máquina de tatuagem antes de passar o decalque para a pele do acastanhado.

— Melhor você tirar a blusa. Levantar a manga pode atrapalhar — alertou, já com o decalque em mãos. Jimin não fez cerimônias, já esperava que isso fosse acontecer, então tirou a camisa de manga comprida e ficou apenas com uma camiseta cinza.

Park esticou o braço no apoio da poltrona. O tatuador sentou-se no banco disposto ao lado da poltrona e encarou o de cabelos castanhos. Por algum motivo, a troca de olhares entre ambos pareceu intensa demais, longa demais. Jimin se permitiu reparar um pouco mais no rosto do rapaz e, por breves segundos, o moreno se perdeu nos olhos pequenos dele. Percebendo que aquilo estava indo além do esperado, o tatuador pigarreou e o acastanhado pareceu despertar de um pequeno transe.

— Tem mesmo certeza disso, certo? Vai ficar marcado na sua pele pro resto da vida.

Foi tudo que ele conseguiu formular, puxando para perto a mesinha móvel que usava para apoiar seus equipamentos e se esforçando para focar apenas no trabalho.

Park olhou para o pulso uma última vez, sentindo o coração estranhamente acelerado como não sentiu nos momentos em que tomara sua decisão. Voltou o olhar aos olhos atentos de JK, que segurava cuidadosamente o decalque, e suspirou uma vez mais, antes de sentenciar com certo pesar:

— Tenho. Eu não vou encontrá-lo, JK. — Ele estendeu novamente o braço, sem mais remorso.

O tatuador sorriu pequeno para ele, ergueu a máscara cirúrgica até cobrir a boca e o nariz e segurou cuidadosamente o braço de Jimin para virá-lo e expor a parte interna do antebraço e pulso. Mentiria se dissesse que não estava curioso para saber o nome que seu cliente não mencionou uma vez sequer, pois estava muito. E ele esperava tudo, menos algo como aquilo, não, só podia ser alguma coincidência bizarra. Os caracteres marcados na pele imaculada daquele homem só podiam ser alguma ilusão de ótica, foi inevitável não esfregar os olhos com o antebraço. Mas não era mentira, estava mesmo ali, marcado pelo destino desde o dia de nascimento do acastanhado.

As palavras lhe escaparam a boca quase que gaguejadas:

— Jeon Jungkook. — Ele leu, um tanto incrédulo, o próprio nome.

Jeon Jungkook. O nome que ele não revelava aos clientes que passavam por suas mãos, estava escrito no pulso daquele homem que, dias atrás, ligara para seu estúdio para marcar uma sessão, identificando-se apenas como Park.

Park. Park. Park.

O tatuador sentiu sua cabeça girar e sua mão tremeu enquanto segurava o pulso dele. Foi como se algo em sua mente estivesse tentando encaixar os fatos jogados em sua mesa. Jimin estranhou, tendo um início de preocupação ao pensar que o tatuador estivesse passando mal, dado que seu rosto estava pálido e ele tremia.

Entretanto, antes que qualquer atitude fosse tomada da sua parte, o rapaz suspirou, aprumou a postura  e, encarando-o com os olhos grandes e intensos, disse convicto:

— Park Jimin.

Desentendido e surpreso, o acastanhado continuou a encará-lo por alguns segundos, buscando entender como diabos o tatuador sabia seu nome. Afinal, ele não o tinha dito em momento algum antes ou após entrar naquele lugar.

— Como sabe meu nome? — questionou, sentindo o coração estranhamente acelerado no peito. — Eu não disse ele pra você.

Continuaram com a troca de olhares por alguns segundos, até que Jeon deixou de lado todos os materiais para a tatuagem e se pôs a tirar a luva que cobria sua mão e pulso esquerdo. Quando o fez, ainda trêmulo, ele esticou o braço até que estivesse ao lado do de Park no apoio, em direção invertida.

Jimin arregalou os olhos, incrédulo como nunca. Tentou formular alguma palavra, mas nada era pronunciado por seus lábios, pois olhar para o seu nome tatuado no pulso daquele que conhecia como JK o tinha calado por completo. Porém, o que de fato o fez perder o fôlego, de uma vez por todas, foram as palavras proferidas pelos lábios do moreno:

— Sou eu. Eu sou Jeon Jungkook.


Notas Finais


E aí? Curtiram?
Como será que o Jimin vai agir após a descoberta, hm? Será que ele vai ficar contente?
Bem, adoro um JK tatuado e de cabelo grande, não vou mentir. Dps que vi um edit no Pinterest eu precisei escrever algo assim kkk. Tentei fazer uma boa descrição dos personagens e gostei do resultado.
Quero agradecer a @Korigami, xuxuzinho, pela betagem ótima e a @Nycotine pela capa linda dms. Na moral, vcs são fodas.
Enfim, esperem pelo próximo capítulo, vou me esforçar para ser bom.
Até logo!

- Beijinhos trevosos :33


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