História Taylor - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Álcool, Bullying, Drama, Drogas, Ficção, Ficção Adolescente, Pesadelos, Psicologia, Sensibilidade, Sexo, Suspense, Violencia
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Palavras 3.373
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Consultório Brown


Fanfic / Fanfiction Taylor - Capítulo 1 - Consultório Brown

Consultório de Psicologia Brown

Tarde de Quinta-Feira, 18 de outubro

 

O azulado profundo de seus olhos caminhava contra a percepção do reflexo de um espelho frontal que havia sido colocado diante de si. Algumas mechas de longos fios enegrecidos de cabelo desprendiam-se no vazio de sua têmpora, até escorregar ligeiramente por centímetros abaixo de sua sobrancelha. Ao lado de fora, o barulho da chuva parecia ecoar gradualmente mais forte, à medida que os minutos passavam. A melodia de “Say My Name” registrava-se em segundo plano.

‒ E então, Taylor, como você se sente hoje? – perguntava o Sr. Brown.

‒ Sr. Brown, apontar a maneira como me sinto neste exato momento... – respondeu Taylor, pensativo.

‒ Ora, Taylor. Você não viria até meu consultório se não soubesse como se sente sobre as pessoas e a influência que elas registram na sua vida, correto? – respondeu Sr. Brown.

A chuva aumentara consideravelmente e chocava-se de maneira ameaçadora contra as vidraças no ápice de umas das paredes do consultório. O Sr. Brown tinha cabelos em um tom ruivo escurecido, olhos negros e uma barba à moda atual que circundava discretamente seus lábios finos. Quando sorria, sua boca simulava a representação de um traço e suas bochechas formavam pequenas curvaturas. Tinha bela aparência.

Seu consultório era relativamente simples para alguém renomado como tal. No centro, havia uma poltrona de couro marrom-escuro, onde os pacientes costumavam deitar-se para o diagnóstico e diálogo com o Sr. Brown. Ao fundo, uma pequena biblioteca formava-se com alguns livros variados em relação aos seus temas. Havia um pequeno vaso de barro sobreposto ao piso em uma das laterais da estante. Ainda restava espaço para a tímida e envelhecida cadeira de madeira onde o psicólogo costuma ouvir os frequentadores do local. Taylor havia se perdido em seus pensamentos.

‒ Taylor... – alertou o doutor.

‒ Perdoe-me, Sr. Brown. Estava admirando sua sala. Quando me olho neste espelho colocado frente a mim, vejo milhares de sensações e emoções confusas e complexas demais para serem detalhadas em um único momento. Há uma longa variedade de opiniões diversificadas e conceitos apontados sobre minha personalidade e aparência, em sua maioria, negativos. Uma parte de mim, quer acreditar na minoria positiva, mas todas as coisas ao meu redor insistem em cooperar para que eu concorde com a parcela maioritária que segue a opinião negativa a meu respeito.

‒ Taylor... Vejo que você possui uma grande variedade de problemas não resolutos até o momento. Acho que devemos marcar outros horários, por hoje, ouvi o que precisava. Antes de sair, quero que dedique sua semana a pensar em algo que precisamos responder: quando suas estruturas parecem estar completamente abaladas, há alguém em quem você pense como porto-seguro? Pense nisto. Nos vemos na semana que vêm.

‒ Está bem, Sr. Brown. Até logo. – respondeu Taylor, confuso.

Caminhar pelos corredores que direcionariam a porta de saída para as suas dúvidas, parecia estar dentro de um limite de tempo infindável. O labirinto que o cercava era, na verdade, extremamente maior do que as dimensões atribuídas a este. Suas complicações estavam em um nível de complexidade muito mais elevado do que deveria. Pensar nestas coisas, causava ânsia e inquietude.

Sentir o ar puro misturado ao sabor inexistente das gotículas de chuva, no entanto, fizeram com que uma parte dos seus pensamentos ruins partissem para alguma locação de seu subconsciente e se tornassem inacessíveis por algum tempo. Dentro de Taylor, haviam perspectivas criadas e estraçalhadas pelo círculo de pessoas que o rodeavam, ainda que ele tentasse fugir para o mais distante possível.

Absorver algo que não possui importância, é confessamente fácil. Mas aderir ao conjunto de lembranças ruins e suportar suas diferenças para com as situações ao seu redor, o tinha feito sucumbir aos seus traumas. O fato é, que não há maneira de fugir do que está dentro de você. A dor é como o amor, simplesmente, existe. Por grandes feitos ou por pequenas ações, se desenvolvem e alocam-se em lacunas não preenchidas anteriormente.

Era quase fim de tarde quando Taylor bateu de forma anêmica na porta da casa de seus avós. Uma fina voz retornava pelo corredor de acesso ao interior da casa, anunciando que já iria atender. Seus cabelos agora desgrenhavam-se por todo o rosto, devido aos pingos assíduos da grossa garoa de outubro. Todo o seu corpo estava encharcado e o sereno causava os primeiros sintomas de um provável resfriado tardio.

Em geral, sua família era consideravelmente reduzida em relação ao resto das pessoas. Sua mãe havia o deixado com seus avós após alguns dias do nascimento e nunca mais voltara. Nunca havia tido qualquer informação sobre o destino para o qual ela teria tomado após este feito. Não se importava. Talvez, a maioria das pessoas o considerasse frio e nada sentimental por agir desta maneira, mas não há como sentir falta do que jamais teve. Taylor não poderia sentir quaisquer sentimentos por uma mãe que nem se dera o trabalho de visita-lo e lhe dar explicações.

O Sr. Bryan, pai de Taylor, era um homem extremamente ocupado com os negócios da empresa. Sempre esteve presente nas fotografias espalhadas pela casa e nos certificados adquiridos ao longo de sua carreira profissional, mas raramente encontrava tempo para os “problemas adolescentes e precoces da juventude”, como costumava chamar as dificuldades de Taylor. Contudo, restava-lhe seus avós.

Nunca chegara a conhecer a mulher que o trouxe ao mundo, por consequência, jamais havia encontrado algo sobre seus avós maternos. Por outro lado, os paternos haviam suprido grande parte de seu vazio. Eram sua melhor família em toda a plenitude de essência que poderia encontrar dada a situação em que vivia.

‒ Ora, Taylor... Achei que você iria passar o final de semana em casa. Sei que seu pai não irá estar lá, sempre anda ocupado, mas na sua idade... Bom, eu daria uma enorme festa e convidaria todos os amigos possíveis – dizia sua avó, Tina.

‒ Ora, ora... Este é um bom exemplo a dar para um neto, Sra. Tina? – disse Taylor, sorrindo enquanto a abraçava.

Não houveram muito mais diálogos após este momento. Em parte, devido à falta de paciência do garoto e, em parte, por causa das dúvidas que haviam surgido na cabeça de Taylor com a pergunta feita pelo Sr. Brown. E em um tom de voz extremamente baixo, enquanto olhava para o teto esbranquiçado de seu quarto, perguntou:

‒ E então, Taylor... A alguém no mundo em quem você confiaria todas as milhares de lembranças que o causam náuseas dolorosas no estômago? A algum ser dentre os milhares existentes, a quem você deixaria que os braços o envolvessem e esqueceria por alguns segundos todos os seus medos? A alguém que exista para você, à medida que você exista reciprocamente para esta pessoa? – indagou-se.

Pensou por tanto tempo nesta questão, que acabou por adormecer em cima de seu material escolar. Uma forte pancada atingiu algo do lado de fora e o acordou de maneira rápida. Ainda desnorteado, observou o céu pintado de um azul-escuro por uma das frestas das persianas. Cambaleou até a janela, enquanto tonteava através dos passos. Chovia fragilmente. Esfregou os olhos e então contemplou o terrível cenário do qual não queria ter feito parte.

Um carro havia se chocado contra uma das árvores no canteiro e, mesmo relativamente distante, Taylor podia enxergar as gotas de sangue pingando através da extremidade inferior da porta do veículo e formando uma pequena poça no asfalto molhado e escorregadio. Correu pelas escadas e desaguou no silêncio da Rua Brem, partindo rapidamente em direção ao carro.

Estava escuro e as luzes dos postes trepidavam em uma frequência de iluminação que não era mantida de forma regular. Abriu a porta do veículo e cambaleou para trás quando observou o profundo corte que partia desde a têmpora até a lateral da cabeça de Jaya. Os longos cabelos louros da garota estavam encharcados de sangue e o cheiro de ferro misturou-se ao frescor da garoa.

Sem calcular seus sentidos da melhor maneira, Taylor a apanhou cautelosamente do banco frontal e folgou seu cinto de segurança, buscando retirá-la daquela situação. O sangue da garota misturava-se ao suor do corpo do garoto, não fosse a situação, aquela poderia ser uma cena extremamente romântica de uma apresentação teatral de sucesso. Não era o caso.

Taylor a colocou no asfalto frio e tentou achar sua pulsação, mas não conseguiu encontrá-la. Lágrimas escorriam por seu rosto e suas mãos realizavam uma tentativa de reanimação cardíaca, da qual não obteve resposta alguma. A sensação de tontura o desestruturou completamente, fazendo com que ele a largasse contra sua própria vontade e atingisse o chão em queda, de uma maneira dolorosa.

‒ Taylor... Taylor! Acorde, Taylor! Você está me vendo? Taylor, responda-me...  – dizia desesperadamente sua avó Tina, tentando acordá-lo.

O garoto abriu os olhos vagarosamente, tentando compreender o que havia acontecido. Sentia seu corpo suando frio e seus cabelos molhados recaídos sobre seu rosto. Sentia-se cansado e desnorteado. Sentou-se e olhou ao redor. Ainda estava em seu quarto, o mesmo que dormira algumas horas atrás. O mesmo que havia lhe proporcionado um de seus pesadelos mais horríveis. Naquele exato momento, desejou a realidade com tudo de si.

Em geral, Taylor não tinha pesadelos. Sonhar com Jaya após ter adormecido buscando respostas para a pergunta proposta pelo Sr. Brown, parecia confuso demais. Esperava que o doutor pudesse esclarecer suas dúvidas, mas isso teria de esperar mais uma semana até a próxima consulta, então decidiu adormecer os pensamentos relativos ao que ocorrera. Precisava descansar de si mesmo e isso deveria ocorrer imediatamente.

‒ Sim, vovó. Está tudo bem, era apenas um pesadelo extremamente ruim. – tranquilizou-a, Taylor.

‒ Oh, fiquei preocupada. Você estava suando de maneira assustadora. Vá tomar um banho e tente descer para comer algo do jantar, seu avô gostaria de conversar com você. Não demore, querido. – disse Tina.

‒ Tudo bem. Descerei em alguns instantes. – a informou Taylor.

Não demorou muito tempo no banho, mas aguardou debaixo da água vaporosa e quente o suficiente para que relaxasse sobre as situações que haviam acontecido durante seu dia. Vestiu-se e partiu para o andar de baixo.

A mesa estava repleta de comida, mas apenas três pratos repousavam sobre a estrutura de madeira maciça e antiga, que lembrava ligeiramente o século passado. Seu avô Billy a havia comprado em um leilão artístico nos anos passados, que costumava ocorrer tradicionalmente entre os meses de março e junho. Desde então, fazia parte da composição da casa de seus avós.

Sentou-se silenciosamente em um dos lugares, enquanto sua avó colocava a comida nos pratos e seu avô regulava o volume de seu antigo rádio, de maneira que apenas os ruídos de vozes eram ouvidos ao fundo. E então, Taylor achou que deveria começar algum tipo de diálogo, antes que o jantar acabasse sem que houvessem conversado.

‒ E então, vovô, o que gostaria de falar comigo? A vovó havia dito mais cedo que o senhor tinha algo para me dizer durante o jantar. – disse, Taylor.

‒ Hum... Bom, Taylor, você sabe que nós moramos há muitos anos na cidade e tenho muitos conhecidos pelos arredores de nossa casa, mas nada é seguro. Seu pai está sempre ocupado com as situações da empresa e sua avó viajará comigo dentro dos próximos meses. Você não terá muita companhia, por isso, pensamos em deixar nossa casa sob sua responsabilidade, para o caso de querer se divertir livremente. Confiamos em você e queremos saber se aceitaria cuidar de nossa casa em troca de usá-la livremente, mas de maneira cautelosa, enquanto estivermos fora. – disse Billy.

Em outros casos, concluiríamos que Tina e Billy Baster eram completamente insanos. Deixar uma enorme casa repleta de comida, bebida e um belo equipamento de som nas mãos de um jovem adolescente, certamente, significaria encontrar um cenário de destruição apocalíptica assim que retornassem de sua viagem. Mas Taylor não era do tipo que provocaria esses desvios joviais. Ninguém o via como uma ameaça. Estava acostumado.

Por outro lado, havia Kyle e Jaya, seus únicos amigos na escola. Enfim, poderiam aproveitar algum local para se distrair sem que fossem apedrejados por quem eram. Ficariam felizes em sair de casa por algumas horas. Taylor achou que poderia se sentir melhor caso aceitasse aquela proposta, apesar de sua mente relutar contra a responsabilidade que teria de ter.

‒ Bom, vovô... Jamais esperaria por este tipo de convite. Mas sei que não há mais ninguém com quem vocês possam contar para cuidar desta casa, então irei aceitar. Alguma regra? – indagou Taylor.

‒ Não destrua a nossa casa. – disseram seus avós no mesmo instante. Todos riram.

‒ Prometo que vocês ainda terão um lugar para morar. Vou cuidar bem disto aqui, afinal, esta casa e vocês são o meu melhor lugar. – disse o garoto, levantando-se da mesa e partindo para o andar superior.

Após subir, Taylor sentia-se enérgico. Ter adormecido por algumas horas, tinha lhe retirado o sono. Pensou em telefonar para Kyle, mas o amigo estava viajando e ele não queria atrapalhar sua diversão. Restava Jaya. Mas pensar na amiga, o fazia lembrar do pesadelo tido mais cedo. Não importava, teria de falar com alguém sobre toda aquela irrupção de informações. Então, mandou mensagem.

“‒ Oi, Jaya. Você está ok?” – permitindo que o celular escorregasse por seu abdômen e mais pensamentos o invadissem completamente. Um pequeno ruído surgiu do aparelho. Apanhou-o e observou o visor.

“‒ Jamais entendi como nós temos essas conexões de pensamento. Eu iria ligar mais cedo, mas não tive como telefonar. Preciso que você venha para minha casa agora, está bem? Não pergunte a razão. Apenas venha o mais rápido possível.” – enviou Jaya.

Era verdade que Taylor não havia feito a metade dos amigos que o garoto menos popular de sua escola fizera, mas Kyle e Jaya eram as melhores exceções que poderiam ter havido. No entanto, estar próximo da amiga estava cada vez mais difícil. O tempo havia passado e o garoto temia que sentimentos houvessem sido desenvolvidos por causa da proximidade que tinham. Queria afastar essas ideias de sua mente.

Jaya era muito bonita. Seu rosto desenhava-se como uma forma geométrica decididamente quadrática, enquanto seu queixo fechava-se no mais perfeito desenho circular que poderia surgir. As maças em suas bochechas formavam pequenas covas quando sorria, à medida que seus olhos se fechavam entre um riso e outro. A cor penetrante de seus olhos verdes adentrava na alma mais superficial possível.

Seu corpo havia se desenvolvido com a juventude. O cair das roupas eram impecáveis e quando a garota andava, Taylor enxergava melodia em quaisquer movimentos que ela realizasse. Jaya era a melhor poesia que ele conhecera, mas sentia-se hipócrita por ter desenvolvido sentimentos pela garota. Amigos não deveriam sentir outro tipo de amor uns pelos outros, pensava.

Apanhou um casaco na cabeceira da cama e bateu a porta do quarto quando saiu. Seus avós estavam na sala, mas não se demorou em despedir-se. Estava frio e o tempo chuvoso, fazendo com que Taylor respirasse com certa dificuldade. Demorou algumas ruas para se acostumar com o clima, mas não demoraria tantos metros mais para chegar até a casa da garota.

Em geral, Jaya morava em duas casas. Passava parte do ano poucos quarteirões depois da casa de Taylor e a outra metade na Flórida. Seus pais eram separados e ambos haviam casado de novo. Tinha um irmão mais novo chamado Isaiah e uma irmã mais velha chamada Britney. A garota mantinha boa relação com todos os seus familiares, exceto com sua madrasta. Talvez, este fosse o único defeito que se pudesse achar na vida de Jaya.

‒ Jaya? – chamou Taylor ao chegar na imponente casa dos Valley.

A porta abriu vagarosamente e uma mão emergiu da parte interior, puxando-o para dentro.

‒ Taylor, vamos para o meu quarto. Temos que falar sobre algo. – disse a garota.

‒ Mas... – tentou relutar Taylor.

‒ Venha! – sussurrou Jaya.

Lidar com Jaya próximo de si parecia ser uma tarefa extremamente difícil, mas entrar em contato com a amiga trajando um curto vestido preto e os cabelos amarrados em um coque suave que permitia alguns fios recaírem por seu pescoço, evidenciava a dificuldade de controlar-se perante aquela beleza. A forma com que as curvaturas do corpo de Jaya desenvolviam-se debaixo do tecido fino de seu vestido, provocava Taylor sem que ele fizesse qualquer esforço para ser tocado por ela.

Alguns segundos depois, atravessaram a porta do quarto da amiga. Ao fundo, uma cama forrava-se com um lençol disfarçadamente preto, contendo algumas rosas desenhadas no vazio. Um pequeno computador alocava-se em uma das laterais do colchão. Acima dele, três prateleiras abrigavam livros bastante conhecidos. Jamais havia sido segredo para alguém, o gosto da garota por literatura.

Jaya o puxou para a cama, onde se sentaram por alguns instantes antes que o silêncio fosse quebrado.

‒ Taylor... preciso te fazer uma pergunta que soará estranha de início, mas, eu... Eu queria saber como você se sente sobre mim? Quer dizer, nós somos amigos desde a quarta série. Sei que você sofre com todos os problemas psicológicos que as pessoas te causaram, mas nunca perguntei sobre seus sentimentos. Você também nunca se abriu para me contar sobre as garotas pelas quais se interessou. Então... – disse Jaya encarando-o profundamente.

Sentir que todos os seus segredos tinham vindo à tona em um único dia, era estranhamente confuso para Taylor. Jaya nunca houvera buscado quaisquer informações relacionadas aquele assunto, na verdade, o tema nunca tinha surgido em nenhum de seus diálogos com a amiga. Seu coração vibrava e todo o seu corpo sofria espasmos nervosos dos quais não tinha certeza da origem correta. Então a beijou. A beijou por longos segundos antes de se pronunciar.

‒ É assim que me sinto sobre você. Quero estar por perto todas as vezes em que as situações nos afastam. Eu desejo estar próximo o tempo todo, Jaya... – dizia Taylor, até ser interrompido pela amiga.

‒ Não, não, não... Taylor, você não deveria ter me beijado. – disse Jaya, confusa e com ar de impaciência.

‒ Como assim? Por que? Você me trouxe até aqui, perguntou como me sentia sobre nós durante todo este tempo e reage dessa maneira? Jaya, não a entendo. – respondeu Taylor.

‒ Não deveria ter me beijado pelo fato de eu estar namorando com o Kyle. Por esta razão te chamei aqui. Queria saber como você se sentia, pois, você nos verá andando juntos de outra maneira por aí. Não queria que as coisas fossem desta forma e, quando ele me mandou te falar sobre isso, tinha certeza que você sentia algo por mim. Eu relutei negando, mas Kyle estava certo. Acho que nós devemos nos afastar. Vá embora... Saia. Saia daqui.

Taylor fez menção de que iria falar algo, mas levantou-se e saiu batendo a porta do quarto que se fechava atrás de si. Desceu as escadas rapidamente e saiu pela mesma porta que havia entrado alguns minutos antes. Caminhou em silêncio pelo jardim, chegando até a Rua Klyor. Andou vagarosamente até sua casa, observando as estrelas e sentindo a brisa de outubro tocar-lhe os cabelos. Queria fugir para algum local do qual não tinha certeza.

Apanhou a chave reserva debaixo do tapete, abriu a porta sorrateiramente e perpetrou o vazio do silêncio da casa de seus avós. Fechou-a cuidadosamente. Retirou os sapatos e os colocou no canto da entrada, subindo para seu quarto logo depois. Encostou a porta, retirou o casaco e ligou o som. Se atirou na cama e tentou pensar nas coisas que tinham acontecido em seu dia pela segunda vez.

O som melódico de “Believer” preenchia cada parte das suas dúvidas não respondidas. E então, de maneira repentina, as respostas acenderam como uma lâmpada em sua mente. Jaya era o lugar para onde desejaria ir quando suas estruturas estavam abaladas. Mas agora, a garota era a responsável por destruí-lo. Não sabia para onde iria ou sequer para qual caminho seguir. A culpa era completamente sua. Sentia-se idiota.

As batidas da música aumentavam, não sabia ao certo se isso ocorria apenas em seu psicológico, mas sentia-se flutuar sobre todas aquelas circunstâncias. O medo invadiu seu corpo furtivamente, como quem entra de maneira predestinada em uma história. Queria fugir para o mais longe possível. Taylor adormeceu pela segunda vez naquele dia, mas agora com o propósito e desejo de não acordar novamente.

 

 



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