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História Te Amo, Mas Vai Ficar Guardado - Capítulo 13


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Capítulo 13 - Capítulo 13- Lençol no chão


Enquanto ela cozinhava ainda conversávamos, e quando finalmente terminou, arrumamos tudo e colocamos lá fora, depois ela foi se trocar, e pra não deixá- la sozinha me troquei também.
Coloquei uma bermuda meio rosa meio laranja, —não sei dizer— fiquei sem camisa e fui.
Bruna por outro lado estava com um maiô amarelo que realçou muito a cor de sua pele perfeita e estava com um short de taquetel preto.
Eu não quis entrar na piscina porque minha pele ainda ardia muito, mas Bruna entrou na água e ficou com os braços cruzados na beira da piscina e eu só com os pés na água.
– Diego, você está bem?— me encarou com as sobrancelhas franzidas. No início não tinha entendido direito o motivo da pergunta, mas comecei a pensar no que estava fazendo, porque antes minha mente estava ocupada pensando em Bruna.
Eu estava mexendo muito as pernas e estava mordendo minhas pelinhas da boca, então presumi que estava nervoso por causa de Bruna e ela percebeu.
– Acho que eu estou um pouco nervoso. — olhei pra ela e abri um meio sorriso.
– Ué? Por quê? — droga.
– Bom, é o último dia do passeio e amanhã eu tenho prova de português... não sou bom em português, principalmente se tratando de produção de textos então estou meio nervoso e... Bom... acho que deu pra entender, né? — respondi ainda olhando pra ela mexendo as mãos e no cabelo. Estava suando tanto que poderia encher um balde.
– Olha, fica calmo. Você só precisa pensar com paciência. — abriu um sorriso e parei de respirar de novo. Senti minha garganta secar e tive a sensação de que meu estômago estava se mexendo muito rápido. Desviei o olhar e tentei respirar fundo. — porque você não descansa um pouco?
– O quê? Não! — gritei meio exageradamente — é seu aniversário. Vamos aproveitar!
Ela me olhou de cima abaixo como sempre faz e saiu da piscina de um jeito bem distraído. Tocou em meu ombro de forma que me levantei e comecei a segui -la.
Descemos os degraus sem falar nada.
Ela entrou na casa, pegou uma toalha seca em seu quarto, um pano grande e o seu tubo de protetor solar.
– Pra que tudo isso, gata? — perguntei com as sobrancelhas franzidas, olhando pra tudo que ela pegou.
– Você vai ver, gato! — ela disse o gato na ironia, mas eu fiquei tonto pela expressão que fez. Mordi os lábios e seguimos andando.
Bruna parou no mesmo lugar onde dei a ela feliz aniversário e abriu o lençol, ajudei a arrumar direitinho e deitamos.
Ela pegou seu celular que estava no bolso do short e tirou os fones também.
Sentou-se no lençol e me deu um lado do fone.
– O que vamos ouvir? — perguntei olhando pra ela, me distraindo com seus olhos castanhos brilhando com a luz do sol que batia sobre nós.
– O que você sugere? — olhou pra mim e virou a cabeça, com a mão no cabelo trançado.
– Não sei, hoje é seu aniversário. — ótima desculpa pra disfarçar o fato de que eu não sabia sugerir nada que não transparecesse que eu estava apaixonado e só estava ouvindo músicas românticas.
– Ok... Então Turma Do Pagode? Você gosta? — perfeita e ainda gosta de um pagodinho.
– Sim, claro que sim.
Coloquei o fone e ouvimos Deixa em Off, depois Camisa 10 e comecei a pensar que ainda que acontecesse tudo o que o vocalista canta, amaria Bruna. Independente de tudo. Depois comecei a reparar que me entrego de bandeja muito rápido.
– Me fala mais sobre você? — Bruna olhou pra mim com uma expressão de curiosidade , e em seus olhos pude sentir que queria me conhecer mais profundamente.
– Bom, o que você quer saber? — sentei e a encarei, com um sorriso torto no rosto.
– Hmmm... O que você faz no tempo livre? Gosta de esportes? Trabalha? Estuda? Lê?... toca instrumentos? Aprende idiomas? — parei de respirar pra ver quanto tempo eu conseguia ficar assim até que ela parasse de falar. — Assiste novelas? De Férias Com Ex? Gosta de sair? — parou e tive vontade de rir e depois beijá-la.
– 12 segundos. — voltei a respirar e sorri pra ela.
– O quê? — Bruna parecia confusa.
– foi o tempo que consegui ficar sem respirar, até que você terminasse de falar. — passei a mão no cabelo e vi que ela gostou desse movimento, fiz de novo.
– Você não gosta que eu fale? — me olhou meio triste e com raiva ao mesmo tempo. — pode me dizer se não gosta, assim não conversamos mais. — tive vontade de rir de novo. Ela é muito direta.
– Não... quer dizer... É claro que eu gosto quando você fala. A sua voz... É linda, tem essa rouquidão, você cantando deve ser muito bonito... Me desculpa se te ofendi. Foi só uma brincadeira... E que papo é esse de não conversar mais? Já cansou de mim? Espero que não, porque nunca vou me cansar de você. — primeiro deslize dado com sucesso.
– 21 segundos. Parece que eu ganhei. — ela abriu o sorriso mais bonito que eu tinha visto sair de sua boca e me senti meio tonto, me fazendo esquecer o que tinha acabado de falar. 
– espertinha! — fiz umas leves cócegas em sua barriga definida e ela soltou uma gargalhada curta.
– Mas agora respondendo suas perguntas... trabalho num supermercado, jogo futebol as vezes com meus amigos, torço pro Corinthians, faço curso pré-vestibular, tenho inglês fluente pela Fisk, de uma bolsa que ganhei há alguns anos... O que mais... Amo novelas, meu último livro lido foi A Droga Da Obediência, que a professora pediu pra que fizéssemos um trabalho sobre... adoro sair e De Férias Com Ex é uma porcaria. — falei com uma mão no queixo e a outra em meu cabelo. Me alonguei porque estava sentado numa posição meio relaxada.
– É bastante coisa... Qual faculdade você pretende fazer?
– Engenharia de Petróleo, mas queria muito fazer no Sul. — me deitei de novo e olhei para seus olhos brilhantes e grandes.
– É um bom curso. Sabe... Eu queria muito poder trabalhar, mas estudo em tempo integral e... você podia me ensinar inglês, né?
– Of corse my darling! — respondi e soltei uma risada que se seguiu da dela.
* é claro minha querida *
– Engraçadinho.— revirou os olhos e me deu um tapinha na barriga, que fez arder muito, mas não demonstrei sofrimento.
– Esqueci de uma pergunta. Aprendi a tocar violão com meu tio. — sentei de novo e comecei a mexer nos fones de ouvido, sem olhar pra ela.
– Ei! Isso é incrível, eu fiz umas aulas de piano, mas nunca toquei muito bem. Olha, você faz muita coisa, estou impressionada. — abriu um sorriso de orgulho e precisei me esforçar muito pra não puxá-la e beijar sua boca até que minha mandíbula ficasse dormente.
– Agora é sua vez. — desafiei.
– Acho que já te contei tudo... Mas posso tentar. — dessa vez se deitou e começou a falar sem olhar pra mim. — faça suas perguntas.
– Certo... você sai bastante com seus amigos? Curte futebol? O que você tem lido? Quais suas ambições? E em relação ao amor? Já namorou ou tem algum pretendente? — parei. Já estava sem ideias.
– Saio com meus amigos. Não gosto muito de futebol, mas em época de Copa do Mundo me interesso um pouco. Eu não diria ambições, são mais vontades, poder ter uma vida plena e equilibrada seria bom, poder viajar todo ano e trabalhar com o que gosto, tudo isso me deixaria satisfeita, e claro, contribuir para a evolução da ciência. Olha... sobre amor... não sei muito o que falar... Nunca namorei ninguém, nunca me apaixonei e sabe... não é uma coisa que eu me preocupo, quer dizer, uma hora semore acontece né? Mas que seja antes da menopausa porque eu quero muito ter filhos. E pretendentes? E já te falei sobre isso. É algum tipo de indireta pra mim — nesse momento ela me olhou e engoli em seco — Diego você já viu meu Whatsapp? O que mais tem são machos me tratando bem até conseguirem algo comigo. — terminou e olhou pra mim com a boca meio aberta, como se estivesse fazendo algum carão pra foto ou coisa assim. 

– Nunca se apaixonou? Sério? Mas já apaixonou quantas pessoas? — fiz um olhar meio de quem está duvidando de algo.
– O que posso fazer? Sou aquariana. — deu de ombros e virou pro lado.
– Diego! Bruna! Vêm, vamos comer. — ouvi minha mãe gritando e me levantei com um pouco de dificuldade, porque ainda estava meio tonto desde o sorriso.
Bruna se levantou calmamente e andamos juntos ainda rindo e conversando sobre ela nunca ter olhado pra ninguém como eu olhava pra ela.

De certa forma me senti aliviado, porque isso era uma esperança. Não que a primeira paixão fosse A Paixão, mas ela ainda não tinha nenhuma experiência com namoro ou afeto, e se eu fosse o primeiro, faria disso a experiência perfeita.

Mas eu não queria ser o primeiro, ela precisava conhecer outras pessoas, beijar muito mais bocas, se apaixonar muito, até que olhasse pra mim um dia e visse tudo o que procurava há anos. Só que amor realmente era indiferente pra Bruna. Comecei a achar que se sentisse atraída por alguém um dia, enterraria isso dentro dela, até que esquecesse o que estava sentindo.
Peguei minhas comida e sentei ao lado de meu pai na mesa, dando um espaço para Bruna respirar, enquanto eu ainda pensava sobre minha paixão por ela.
– O que é isso na sua mão? Cortou o dedo? Ficou ótimo esse curativo! — minha mãe apontou pro meu lado do outro lado da mesa, fazendo todo mundo olhar também e Bruna se sentiu meio envergonhada, segundo seus olhos. Fiquei meio bravo comigo mesmo mas o elogio deve tê-la deixado feliz.
Minha mãe fez faculdade de enfermagem e foi lá que conheceu o meu pai, ele fazia gestão e segurança pública e hoje trabalha na prefeitura de São Paulo.
– Bom, não foi nada... — voltei ao presente — Bruna fez o curativo pra mim. —olhei pra ela e abri um sorriso tímido, que se seguiu do dela.
...
Almoçamos rápido e voltamos direto pro lençol no chão, ela falando sobre astronomia e eu prestando atenção em cada detalhe, porque aquilo também me interessava muito.
– Você acha que os polos magnéticos podem se inverter, mudando a configuração do nosso campo magnético? — olhou pra mim enquanto se deitava no lençol e mexia no cabelo.
– Sim, quer dizer... Não seria a primeira vez. O norte não é uma reta perfeita — respondi fazendo movimentos com as mãos e olhando pro céu, quando já estava deitado de barriga pra cima.
– Bom, eu sei disso. Mas um vento solar é capaz de vaporizar toda a atmosfera, tudo por causa de um simples polo magnético. — franziu as sobrancelhas e voltou a observar o céu. — sabe... É meio difícil de nós humanos aceitarmos que somos extremamente frágeis e não é só a morte pela idade que pode nos afetar. — virou pra mim de novo.
– Gata, ainda podemos morrer por idade, acidente, asteróide... — dei uma risadinha e olhei pra ela também. — Mas eu gosto de pensar que talvez exista algo depois daqui.
– Cuidado com esse pensamento. — nesse momento a encarei de verdade meio confuso, com a garganta meio seca pelo nervosismo de estar com ela, mas continuei ouvindo. — Olha, eu não gosto de duvidar da fé de ninguém, mas não existe nada depois daqui.
– Você acha? — perguntei o óbvio.
– Sim. — voltou a observar o céu.
Encerramos esse assunto e percebi que Bruna deu uma leve cochilada.
Uns quarenta minutos depois de nossa conversa sobre futuro, seus pais vieram até nós com um bolo e notei que Bruna ficou muito tímida e com vontade de sumir daquele lugar o mais rápido possível. De certa forma acho que cantar parabéns para qualquer pessoa, independente da idade é algo constrangedor.
Enquanto cantavam a musiquinha clássica de aniversário e eu batia palmas olhando para aquele rosto perfeito, comecei a me perguntar se Bruna comeria aquele bolo, já que é vegana.
Ela olhou pra mim e esqueci de tudo que estava pensando. Seu olhar era radiante, ela estava feliz, realizada, satisfeita.
– ... Bruna! Bruna! Bruna! — terminamos em uníssono.
Ela levantou e cortou um pedaço do bolo, deu para as três primas e depois fomos a área de lazer para ficarmos mais confortáveis.
Enquanto seus pais a ajudavam a cortar o bolo — mesmo não precisando de ajuda nenhuma — fiquei olhando pra ela, admirando-a de longe, pensando em como minha vida virou de cabeça pra baixo, por causa de alguém que tem menos de 1,60m.
– Vamos tirar fotos! — sua mãe sugeriu batendo palminhas e com um sorriso muito parecido com o de Bruna no rosto.
Percebi que Bruna olhou pro visor do celular pra verificar sua aparência e como sempre, conclui que não tinha nenhum defeito, mas ela ainda ajeitou o cabelo trançado, arrumou seu maiô e o colar de pedrinhas coloridas que usava.
Seus pais tiraram foto com ela primeiro, e fiquei muito curioso pra conhecer suas outras irmãs, saber se eram tão parecidas assim com os pais como Bruna era. Mas seu pai era o mais claro dali, sua mãe tinha cabelo liso e um corpo mais magro, nada parecido com o de Bruna, e o pai era bem alto, só que tinha  mais corpo em relação a mãe de Bruna.
Tiraram uma foto linda abraçados e outra que ficou muito espontânea e perfeita, porque Bruna havia se distraído com o vento que bateu forte e começou a rir, o que deixou a foto linda.
As fotos se seguiram com a tia, o marido bonitão e as primas, e depois com os meus pais, Marcelo e eu.
– Por que não tiram uma vocês dois? — Marcelo deu essa ideia brilhante e péssima ao mesmo tempo e tive vontade de dar um soco nele, mas me contive.
Bruna olhou pra mim, meio que esperando uma reação e fui até ela.
Me posicionei ao seu lado e passei o braço por sua cintura, o que deixou seu pai meio desconfiado, me fazendo rir. Bruna virou seu rosto pra mim e fiz umas cócegas leves em sua barriga, fazendo-a rir também e deixando a foto perfeita.
Tiramos uma segunda foto, onde ela fez uma pose de meio sorriso e eu abri um sorriso de felicidade e nervosismo que exibia todos os meus dentes frontais.
Não sei como, mas pensei que precisava ter aquelas fotos, de algum jeito. E como foram tiradas no celular de Bruna, seria fácil tê-las.
– Gata, me manda as fotos, hein! — falei pra ela enquanto eu comia aquele bolo maravilhoso de chocolate com morango, que segundo Ricardo, era o preferido de Bruna, ou era, antes de ela se tornar vegana.
– Sim, claro! Me passa seu número, te mando pelo Whatsapp. — respondeu olhando em meus olhos, buscando algo. Meu nervosismo voltou a atacar e quase engasguei com o bolo.
Passei meu número para Bruna, voltamos para o lençol e meu coração estava quentinho porque 1) ela estava feliz; 2) tínhamos uma foto; 3) eu tinha seu número; 4) éramos amigos; 5) eu estava incondicionalmente apaixonado por ela. Voltar a pensar nas fotos e tive uma ideia brilhante para por em prática quando chegasse em casa.



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