História Teacher, teach me - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aluna, Amizade, Amor, Bullying, Comedia Romantica, Drama, Escolar, Gravidez Na Adolescência, Paixão, Professor, Romance
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Palavras 1.940
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Literatura Feminina, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Música do capítulo: Charlie Puth – The Way I Am

Capítulo 3 - Chapter 3


Fanfic / Fanfiction Teacher, teach me - Capítulo 3 - Chapter 3

POV: Ivan Smirnov.

— O que aconteceu com o senhor Browning? — a estudante loira dos olhos castanhos, em quem eu esbarrei quando me aproximei para pedir ajuda antes, perguntou espantada e com um quê sutil de indignação.

— Por questões pessoais, o professor Browning não faz mais parte do corpo docente dessa escola. — respondi, fingindo ser a primeira vez que falo com ela. Favoritismo por ter trocado uma brincadeira de nacionalidades era última coisa que eu queria pra ser acusado.

Oh! Vejam só. A nossa querida Alyssa perdeu o adorado professor e não tem mais ninguém aqui pra dar elogios mixurucas pra mendiga da Espanha. — a voz estridente de outra loira, dessa vez, com olhos verdes, do outro lado da sala me chamou atenção, mas não pela voz, e sim pelas novas informações.

Afastei alguns papéis e olhei discretamente para a ficha de frequência dos alunos que eu tinha posto em cima da mesa, e avistei o único nome sublinhado com um asterisco do lado, destacando-o com um comentário enaltecedor: Alyssa Martinez* Melhor aluna de literatura do Liberty High School, 3 vezes seguida ganhadora do concurso de contos e poesia municipal e 2 vezes ganhadora do concurso estadual de poesia sobre direitos humanos: “Pensar poético”. Indicada ao concurso de poesia e prosa nacional deste ano.

Voltei a olhar a espanhola que parecia querer estrangular a outra loira, mas, por decência, eu creio, apenas virou o rosto para o lado, a ignorando e esquecendo o comentário temporariamente.

Ela não parecia tão auto controlada e disciplinada quando eu a vi chutando o armário minutos atrás.

Deixei de lado o breve momento de observação das adolescentes que se bicavam sem disfarçar e voltei a pensar na aula. Afinal, foi pra isso que saí de Nova York. Pra lecionar literatura em uma escola de verdade e sair da sombra de uma poetisa bêbada.

— Então? Vocês têm alguma pergunta? — quis saber depois de explicar como eu discorreria sobre os assuntos da matéria, sendo que eu fui notificado que o professor anterior já tinha passado um terço da disciplina antes de sair.

Todos ficaram em silêncio. Observei Alyssa olhando para o lado, ainda aborrecida, mas notei que ela tomou nota de tudo o que falei – assim como a melhor aluna faria.

Avistei o braço erguido da mesma loira do comentário sobre o “professor de Alyssa” e voltei minha atenção para ela.

— Diga.

— Você é casado? — ela foi completamente direta, provocando risos e vaias pela sala.

Sorri distraído. Não fiquei sem jeito. E eu teria respondido “Não” da forma mais descontraída e simples, sem enrolação, se Alyssa não começasse a falar antes de mim.

Pi, pi, pi, pi. Alerta de vadia. — a garota fez os sons onomatopaicos e fingiu segurar um detector na mão, apontando na direção da outra. — Por que você simplesmente não pega um pedaço de papelão, escreve um dólar por vez e vai sinalizar em um viaduto? — Alyssa ficou ainda mais raivosa e obstinada atuando daquela forma, fazendo com que ela parecesse realmente uma espanhola irritada – e indomável –, o que me deixou levemente curioso sobre ela.

— Eu pego e não me apego. Não sou trouxa e corna que nem você. — a garota dos olhos esverdeados não gostou nada de ter sido respondida dessa vez e lançou seu próximo insulto. Alyssa se contorceu na cadeira e ainda sim respirou fundo pronta pra uma nova investida de defesa – ou ataque.

— Olha aqui, perra estúpida. Você vendo esses chifres? — ela apontou para cima da própria cabeça, expondo os seus “chifres” invisíveis. — Ninguém me deu eles. Eu nasci com eles. Então, se você não quiser comer o pão que el diablo amassou, devia calar essa boca de mierda. — Alyssa parecia ameaçadora misturando as línguas – o espanhol definitivamente combina com ela – e eu não me surpreenderia se as duas começassem a usar violência física.

A outra loira não se afetou em nada com a aura negra de Alyssa, apenas jogou o cabelo para o lado e torceu a boca com deboche. Por alguma razão, a cena me fez rir, como se eu estivesse assistindo um filme de adolescentes escolares entrando na puberdade.

— Do que você está rindo? — foi pra mim que Alyssa perguntou, me trazendo de volta a realidade.

— É que toda essa raiva que vocês sentem. Eu já fui assim... Mas agora vamos parar. Vamos voltar ao assunto e relaxar. Não quero parecer irresponsável por mandar minhas alunas pra diretoria no meu primeiro dia, e olha que não se passaram nem meia hora de aula. — recobrei a consciência quando percebi que estava perdendo o foco, e banquei o autoritário, olhando o relógio no final do meu mini sermão para saber que horas eram.

Sentei na cadeira atrás da mesa e peguei a frequência. Hora de descobrir qual os nomes de cada um desses rostos de alunos revoltados.

— Aaron Nicholson? — chamei o primeiro nome da lista e recebi de volta o silêncio.

Olhei para os alunos que mantinham o olhar todos sobre Alyssa e pareciam esperar que ela se manifestasse sobre o nome citado. Alyssa fechou completamente a expressão e ficou muito séria, olhando apenas para frente – para ninguém – e sem dizer nada, sabendo que estava sendo fuzilada por muitos olhares que pareciam incriminá-la.

— Desculpe o atraso, professor. — um garoto com cabelo castanho e um pouco mais comprido do que a maioria se tacou na porta fazendo uma barulheira, e passou por mim sem sequer me olhar, e foi para o fundo da sala se sentar ao lado de um outro aluno que acenou para ele.

Percebi Alyssa se tornar instável e engolir em seco, desviando o olhar e escondendo parcialmente o rosto ao ver o menino.

Tirei uma conclusão imediata: o garoto que acaba de entrar é Aaron Nicholson e ele deixa Alyssa Martinez muito descontente.

— Aaron? — chamei o garoto, não para confirmar que era ele, e sim para testar minha autoridade.

— Sim, senhor? — ele respondeu olhando rapidamente pra mim, balançando a cabeça e indicando que eu falasse, mas logo voltou a dizer qualquer coisa para o colega sentado ao lado dele.

Não sei dizer porque exatamente, mas ele me irritou muito.

— Diretoria. — falei ríspido e apontei para porta.

— O que você disse? — ele bateu a mão na mesa com força, mudando completamente de personalidade e agindo como se fosse o dono da escola.

Mauricinho metido, filho de político corrupto. Só consigo ter essa definição ao vê-lo.

— Você sabe falar, mas não sabe ouvir. Pra fora da minha sala. Dobre o corredor à esquerda. Suba as escadas e vá bater um papo com o diretor, que eu imagino, é muito amigo seu. Agora! — ordenei irritado, sem aumentar o tom de voz, dando as instruções que Alyssa tinha me ensinado, e voltei os olhos para a frequência, deixando claro que essa era minha decisão final. Encontrei o próximo nome e o chamei. — Alyssa Martinez?

— Presente. — ela respondeu rápido e sem me olhar.

Ignorei quando Aaron passou furioso pela porta, fazendo ainda mais barulho do que quando entrou, e ninguém ousou fazer mais nenhuma piada ou comentário que fosse.

Descobri no fim das contas que a garota que Alyssa detestava se chamava Lauren. Que a ruiva, se sentindo desconfortável pela tensão, sentada ao lado de Alyssa, se chamava Zoe. Que a negra entediada, serrando as unhas, sentada atrás de Zoe, se chamava Ashley. Além de que eu tentei memorizar cada rosto e associá-los aos seu devidos nomes.

A aula finalmente acabou e um monte de adolescentes de saco cheio se levantaram ligeiramente e caíram fora da sala tão rápidos quanto o Flash seria.

Alyssa e Zoe foram as únicas a fazerem isso mais calmamente. Zoe parecia querer acompanhar a amiga que não tinha pressa, e desacelerou ao guardar o livro na bolsa. As duas sorriram para mim – Alyssa um pouco falsamente – e depois saíram.

Acabo de perceber que estou enferrujado para aturar adolescentes rebeldes.

Passei a mão no cabelo e respirei fundo, e depois voltei a tomar o café e ler as anotações que eu tinha feito para as aulas de hoje.

— Então? Como foi? — a secretária, alguns anos mais velha que eu, dos cabelos pretos levemente enrolados e amarrados em um alto rabo de cavalo, que havia me atendido anteriormente, se aproximou e puxou uma cadeira para se sentar à mesa comigo.

A sala dos professores era ampla e até calorosa, mas evitei os outros, sentando em uma mesa afastada pra ter um momento de sossego e reflexão sobre se ser professor vale tanto a pena assim – e é claro que vale, eu só estou aborrecido por achar que não estou sabendo lidar com a situação.

— Mais entusiasmo do que eu me lembrava. — respondi sorrindo e levei a xícara quase vazia à boca pra tomar o último gole.

— Eu sei. Nem me lembro se éramos assim tão enérgicos na nossa época. — ela sorriu de forma agradável e mexeu um pouco os ombros, afastando os cabelos que caiam para frente e deixando amostra seu decote.

Ela está flertando comigo, disso eu tenho certeza.

Lorraine, a secretária, se ofereceu para pegar mais café pra mim. Tentei recusar, mas ela insistiu e acabei cedendo. As mulheres conseguem ser muito persuasivas de vez em quando – e eu tenho um fraco por elas.

Puxei a pasta de assuntos da turma dos terceiros anos e a frequência da turma A estava na frente dos outros papéis, chamando minha atenção para o nome destacado de Alyssa. Li de novo os enunciados de suas vitórias e tentei imaginar a descendente latina de sangue quente em um desses concursos – pareceu quase impossível.

Me lembro da primeira vez que li isso, fiquei muito surpreso por estar sendo chamado para lecionar em uma escola que dispunha desse tipo de aluna como troféu, tornando a escola bem colocada no ranking estadual. Em suma, a escola era ótima. Muitos alunos excepcionais de diversas áreas diferentes, mas é claro que me interessei pelo que sei de melhor.

Eu já tinha lido as poesias vencedoras de Alyssa mais de uma vez quando estava em Nova York, porque quando ela ganhou o estadual, ela ficou repercutida com direito a seus poemas estarem em uma das páginas do the New York Times como uma das revelações da poesia, e eu fiquei impressionado por uma garota de 15 anos ser capaz de escrever com tanta paixão e destreza. Não sabíamos muito sobre ela, mas Allisson também concordou comigo quando eu mostrei os poemas.

Não sei bem se é a coincidência de os nomes serem parecidos, mas olhar para Alyssa, fez com que eu pense em Alisson.

— Aqui está. — Lorraine colocou a xícara de café na minha frente e eu me ajeitei na cadeira, afastando as lembranças. Agradeci e ela me encarou sorrindo em silêncio.

Me esgueirei da secretária, dizendo que ia ao banheiro e consegui chegar ao pátio dos fundos. Segui para uma parte que não havia ninguém, onde eu teria um pouco de sossego.

Observei a placa no muro que dizia “proibido fumar” e sorri irônico e divertido quando tirei o maço de cigarros do bolso. Um velho hábito.

Deixei a fumaça escapar pela boca em uma baforada e me dei por convencido de que eu não me acostumaria tão rápido com esse cotidiano inquieto.

Depois que os alunos do primeiro ano saíram da sala – alunos mais agitados do que os dos terceiros, com toda a certeza – me senti esgotado, mas eu ainda tinha mais aula.

 


Notas Finais


Beijos espaciais.


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