História Teacher, teach me - Capítulo 4


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aluna, Amizade, Amor, Bullying, Comedia Romantica, Drama, Escolar, Gravidez Na Adolescência, Paixão, Professor, Romance
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Palavras 2.310
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Literatura Feminina, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Música do capítulo: JET – She’s a genius

Capítulo 4 - Chapter 4


Fanfic / Fanfiction Teacher, teach me - Capítulo 4 - Chapter 4

 

À todos os nossos ouvintes da Liberty School News. Lauren e Alyssa estão em pé de guerra outra vez. Quem será que fará o super descolado, e abramos um parêntesis aqui, foi expulso da sala hoje pelo novo professor de literatura… Qual das duas fará Aaron Nicholson ser seu? Aposta número um: Lauren Hamilton, a baixinha dos olhos verdes mais gostosa da escola. Ou aposta número dois: Alyssa Martinez, a intelectual mais sexy que existe. Façam suas apostas. — o locutor da voz forte fez um alarde enorme anunciando a mais nova “notícia quente” pelo sistema de altofalantes da escola.

O garoto mal terminou de falar e pode-se ouvir um grito severo de repressão, e em seguida um zumbido estridente do microfone se chocando com algo. Ele saiu correndo da sala de transmissão de rádio.

Abri um sorriso, me sentindo realmente em filme escolar, o que me fez lembrar do meu próprio tempo há 10 anos.

— Filhos da mãe do audiovisual, são piores que abutres na carniça, pelotudos de mierda. Não podem nem sentir o cheiro ou ver algo imóvel que já estão bicando o que não é deles. Vão cuidar das suas vidas, hijos de una puta. — ouvi a voz familiar alterada reclamar de forma agressiva, e o som do metal sendo acertado com um chute, que foi ainda mais familiar.

Dei mais alguns passos em direção ao outro corredor e avistei Alyssa, perdendo a calma outra vez ao dar outros chutes em sequência no armário, que não ficaria intacto por muito tempo se dependesse dela.

Ela vociferou outros palavrões e maldições um pouco mais e cansou, encostando as costas no armário, fechando os olhos para controlar a respiração. As linhas fortes e tensas de expressão entre as sobrancelhas se dissiparam e seu semblante ficou tranquilo. Posso deduzir facilmente que ela controla a raiva através da respiração. Talvez ela pratique yoga.

Alyssa me despertou curiosidade sobre por que ela parece tão indignada com tudo.

Me apoiei na quina do corredor e fiquei a observando. Seus cabelos loiros cor de ouro, agora soltos, estavam sobre os ombros e sobre os braços, encerrando o comprimento um pouco abaixo da altura do busto, e estavam um pouco rebeldes por causa dos movimentos bruscos que ela fez anteriormente para expressar sua raiva, mas isso não a fazia parecer desajeitada. Desajeitada seria a última palavra do mundo que eu usaria para descrever Alyssa.

A olhei por completo. A bota cano curto e bico fino marrom sem saltos nos pés me impressionou um pouco, conferindo a ela uma impressão de garota de fazenda, mas só nos pés. A calça jeans azul escuro era justa – ela tinha pernas bonitas. O blazer preto estava aberto deixando amostra a regata branca levemente transparente que ela usava, e, não foi por maldade que percebi, o sutiã rosa podia ser notado de forma razoável.

Tentei imaginar ela buscando inspiração espiritual para escrever poesia ou até recitando os poemas ganhadores de concursos, mas pra mim pareceu mais fácil visualizar a espanhola em um vestido justo vermelho, dançando tango e seduzindo um pobre rapaz que não faz ideia da confusão que ele estaria preste a se meter – uma visão um pouco estereotipada, mas quase deliciosa. Ela é bonita, mas eu sei que ela também é encrenca.

Me repreendi mentalmente por pensar assim de uma aluna. Ouvi ela soltar um longo suspiro, indicando que ela já estava melhor, mas ela não abriu os olhos de imediato, respirou forte mais uma vez e finalmente se virou para o armário, de onde tirou sua bolsa e colocou para dentro dela o bloco de notas colorido, que eu tinha juntado do chão no “nosso primeiro encontro”, e também um exemplar de um livro sob um título de romance. Então Alyssa é uma romântica sonhadora?!

— A vida aqui parece ser um alvoroço total. — falei me desencostando da parede e dando alguns passos até ela.

Ai, meu Deus. La puta madre... — a loira deu um salto, xingando em espanhol outra vez e pôs a mão sobre o peito, assustada de verdade. Ela não esperava que tivesse alguém por perto, e eu, confesso, fui um pouco sorrateiro – e ela fica muito sensual falando a língua nativa. — Dá pra você botar um sino no seu pescoço, camarada. Vai acabar me matando do coração. — ela se recompôs ainda mais zangada e ajeitou a bolsa no ombro, me olhando apenas para me repreender e se voltando para armário pra pegar algo mais.

— Senhor... Você tem que me chamar de senhor Smirnov, senhorita Martinez. — quis atormentá-la um pouquinho pra saber como ela reagiria. — Você parece ser uma garota bem raivosa.

— Camarada Dimitricovsky... — ela bateu a porta do armário e deixou a mão pousada ali dessa vez, para não receber a mesma pancada de antes e me chamou por um nome que nem sequer existe. — Experiências de vida. Errar e ficar com raiva por não aprender. — ela jogou o cabelo para trás, deu as costas pra mim e saiu andando graciosamente pelo corredor.

Desde às nove da manhã, ela tem me tirado do tédio e me livrado do estresse de um primeiro dia quase despreparado. De uma coisa eu tenho certeza, Alyssa Martinez vai tornar a minha estadia nessa escola – ou até mesmo nessa cidade – muito interessante.

— Professor Smirnov, o clube do livro sempre era agraciado pela visita do nosso antigo professor de literatura. — uma garota baixinha de cabelos castanhos e com muitas sardas no rosto me barrou enquanto eu saía da minha última aula do dia. — Seria uma honra para nós se o senhor nos fizesse companhia no seu primeiro dia. — ela continuou entrelaçando os dedos de suas mãos juntas e piscando os olhos repetidas vezes rapidamente. Uma garota bastante fofa, por assim dizer.

— Desculpe! Qual o seu nome? — perguntei para a aluna que ainda parecia implorar pela minha presença. Não gosto de responder perguntas de pessoas que eu não sei o nome.

— Charlie Scott. Muito prazer em conhecê-lo, senhor. Sou vice-diretora do clube do livro da Liberty High School. — Charlie puxou minha mão para um aperto afobado. Sorri, me divertindo com a garota estabanada.

— Senhorita Scott, vai ser um prazer assistir a reunião do clube do livro hoje. — respondi, sorrindo amigavelmente. E ela separou minha mão da dela para dar um pequeno salto da vitória, e em seguida tomou minha mão novamente, dessa vez para me puxar na direção do clube.

Para uma garota tão baixa, ela tinha bastante força. Subimos as escadas para o segundo andar e depois mais um arremate de escadas para o terceiro. A garota parou um pouco cansada na frente da porta que tinha uma placa de metal escrita “literatura e/é arte”. Charlie passou a mão nas roupas se arrumando e tomou fôlego ao abrir a porta.

— Eu consegui. Eu disse que conseguiria. — Charlie anunciou toda sorridente assim que entrou. Entrei em seguida e observei uns 10 alunos sentados em um círculo de cadeiras na sala espaçosa.

— Disse sim! Você conseguiu. Ebaa! — a voz que eu já conhecia falou entediada e sarcástica, e a garota loira, sentada de costas para a porta, nem fez questão de se virar para saber o que Charlie tinha conseguido.

Charlie posicionou uma cadeira exatamente do lado de Alyssa e designou que eu sentasse ali, e depois seguiu para seu próprio lugar entre dois garotos.

Alyssa não se deu o trabalho de levantar os olhos do livro que estava lendo nem por um segundo quando sentei ao seu lado.

— Então… Este é o clube do livro! — falei um pouco sem jeito. Não sabia bem o que eu estava fazendo ali, mas tinha que aprender logo. — O que vamos ler hoje?

Oh! A escolha da semana foi de Alyssa. Ela escolheu Shakespeare. Otelo! — Charlie anunciou e se levantou rapidamente para me entregar um volume do livro.

— Boa escolha. — olhei para o livro em minhas mãos e depois para Alyssa, e ela apenas deu de ombros, ao estourar uma bolha de chiclete que ela mastigava. — O que vocês acharam da leitura? — me voltei para os outros alunos que eram mais meninos do que meninas.

Contando com Charlie e Alyssa, haviam mais duas outras garotas. Uma negra alta e magra cruzou as pernas e sorriu para mim ao abrir o livro, e lembrei dela da turma C do terceiro ano. A outra garota era baixa assim como Charlie, mas um pouco rechonchuda, com os cabelos pretos encaracolados e longos. Todos os outros eram garotos, nenhum parecia atleta. Magros e usando óculos, com exceção de dois garotos – um gordinho cheio de sardas e um outro muito alto de cabelos pretos e compridos –, eles eram o estereótipo perfeito de nerds, não que eu estivesse os julgando. Alyssa não parecia se encaixar muito bem entre eles.

— Acho que o racismo explícito é uma marca forte da história. — um dos garotos falou, ajeitando os óculos. Concordei com a cabeça e estava preste a comentar algo, quando a porta se abriu atrás de mim.

— Alyssa? — o garoto do primeiro ano, que eu lembrava se chamar Josh Smith apareceu um pouco acanhado. — Eu posso assistir.

— Claro! — foi Charlie que respondeu, se levantando e pegando uma cadeira, e a colocando do outro lado de Alyssa, pedindo para que um aluno se afastasse.

Josh se sentou ao lado dela e Alyssa lhe dirigiu um sorriso muito sincero – foi o primeiro sorriso sincero que eu a vi dar, por isso reconheci.

— Então, Josh, o que você achou do livro? — perguntei, porque percebi que ele também tinha um exemplar em sua mão, e o chamei pelo nome para inspirar confiança, como eu tinha aprendido na faculdade.

— Ciúme, traição, inveja, amor, racismo... Pareceu um choque de verdades pra mim. E mesmo que tenha sido escrito há muito tempo, parece falar sobre os dias de hoje. — Josh articulou bem cada palavra e eu pude sentir a emoção que ele sentiu ao ler o livro – a mesma que eu senti quando li esse livro pela primeira vez.

Fiquei impressionado, Josh pareceu muito inteligente, e eu memorizei esse detalhe para lhe acompanhar mais de perto nas aulas depois.

— Bem, é isso mesmo. Racismo explícito e choque de realidade. Shakespeare fala sobre viver de aparências ou amar de verdade. Em uma época de tanto preconceito, o casamento interracial de Otelo e Desdêmona, pareceu ultrajante e aceito com muita dificuldade. E não vamos esquecer que foi um casamento muito precipitado e além disso as escuras, escondido de todos. E nós podemos levantar algumas reflexões. Muitas reflexões, na verdade. Mas a questão das diferentes raças ou nacionalidades, pra vocês, nos dias de hoje, é algo que exalte ou menospreze alguém? Por que vocês acham que isso acontece? — me libertei um pouco da obrigação de estar aqui e deixei fluir meus comentários para a minha própria meditação. Sempre tive fascínio por jovens que se importavam com arte e política e não ficam presos nas correntes governamentais.

— Mesmo que todos nessa sala saibamos que raça e nacionalidade não são critérios pra definir se alguém é melhor ou pior, dizer isso para o mundo todo é impossível. — Alyssa começou a falar, e todos focaram totalmente nela, pedindo que continuasse seu raciocínio. — Todos estão tão alienados que nos sentimos inferiores ao olhar para coisas que não temos ou não somos. Foi o que aconteceu com Otelo. Talvez ele sentisse essa inferioridade muito forte e por isso duvidou da fidelidade de Desdêmona… Isso até resultou na nomeação de um distúrbio psicológico. — ela sorriu quando disse a última frase, se referindo à síndrome de Otelo. — A inveja pouco justificada de Iago é um retrato da desigualdade. Mesmo que estejamos falando de racismo, isso se encaixa na situação econômica também, o capitalismo é um alienador muito forte e nos deixa insensíveis e egoístas... Falando um pouco sobre a literatura em si, o exagero teatral da tragédia é uma marca que Shakespeare não se recusou a esconder. — fiquei boquiaberto com a capacidade de dicção que ela tinha. Uma oratória perfeita.

Agora entendo porque ela é tão aclamada. Ela é muito inteligente – e a sua beleza fica ainda mais realçada por isso. Enquanto outras garotas não se importam com isso ou sequer procuram saber a respeito, ela lê livros, reflete sobre eles e tenta não ser alienada. Olhando de perto, eu sei que ninguém jamais vai conseguir acertar de primeira o que Alyssa é ou pensa. Ora a espanhola encrenqueira, ora a erudita pessimista.

Quem é Alyssa Martinez?

 

Joguei as chaves do carro e o celular na mesa, e fechei a porta do apartamento com o calcanhar, enquanto largava minha bolsa no encosto da cadeira e pegava uma fruta na travessa em cima da mesa. Caminhei até o sofá, peguei o controle da TV e desabei em cima das almofadas. Katrina pulou em cima de mim, se deitando sobre meu peito. Comecei a alisar o pêlo marrom da gata e ela ronronou dengosa.

Não foi um primeiro dia tão ruim quanto eu esperava. Allison estava errada sobre a minha decisão de vir pra Califórnia. Ela só queria me prender com ela por mais tempo, mas eu já estava cansado de ser jogado de lado sempre que ela bem entendia.

Eu só preciso de mais um tempo pra me acostumar a essa nova vida.

Fechei os olhos e peguei no sono, ainda afagando o pêlo de Katrina, enquanto flashes de Allisson passavam pela minha mente e se embaralhavam com as perguntas que eu tinha sobre Alyssa – sobre o que ela disse, por que a garota escolheu Otelo e o que isso significava pra ela. A imagem das duas ficou confusa e até singular.


Notas Finais


Beijos espaciais...


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