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História Teacher's Pet - Capítulo 9


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Notas do Autor


Disclaimer: eu falo um pouco sobre religião nesse capítulo por causa das ideias de Nietzsche, se for algo delicado para vocês aqui está o aviso.
Gente, me desculpem o sumiço, de verdade. Eu estava muito exausta fisica e mentalmente. Eu vou tirar um tempo para cuidar um pouco da minha saúde mental. Vou continuar postando, mas com menos frequência. Não se preocupem, eu amo essa fanfic demais para abandonar ela. Muito obrigada de verdade pelos comentários, vocês fazem o meu dia bem melhor com eles. Espero que gostem. Boa leitura!

Capítulo 9 - Books and Morality


Se o perguntassem Kakashi diria sem hesitar que seus dias favoritos eram as terças-feiras. Nas terças ele tinha dois períodos livres. Sem estudantes pelos corredores ou o chateando em sua sala.  Ele sentou na janela, apoiando uma das pernas no batente e deixando a outra encostar no chão, lendo seu Icha Icha.

O livro laranja estava chegando ao fim, ele estava cogitando trocá-lo pela companhia de sua sequência. O primeiro sempre seria seu favorito, mas ele não queria tornar a leitura dele entediante. Ele olhou pela janela considerando suas opções e logo se arrependeu com a visão de Guy em seu uniforme exageradamente verde.

O Hatake estava distante demais para escutar o colega de trabalho, mas seu cérebro estava tão acostumado a ouvir o “fogo da juventude” que ele quase pôde escutar a figura entusiasmada de Guy gritar incentivos para sua turma.

Ele notou que a classe que estava sofrendo nas mãos do Might era a de Naruto. Antes que pudesse perceber seus olhos estavam procurando os cabelos negros e longos da herdeira Hyuuga.

Como de costume, as garotas treinavam em um campo separado dos garotos. Kakashi notou que Hinata tirava os olhos algumas vezes do jogo de softball para prestar atenção no loiro na quadra ao lado. O grisalho sentiu uma pontada de irritação, mas tratou de dispensá-la mais rápido do que ela havia aparecido.

O professor de filosofia viu que Naruto e Sasuke eram os capitães dos times rivais e riu baixo. Aqueles dois não haviam mudado nada.

Ele parou e observou a interação dos garotos. Talvez algo tenha mudado. Ele falaria com Naruto quando tivesse a oportunidade.

Sua atenção voltou para a outra metade da turma quando viu Shizune se aproximar de Sakura. Ele lembrou o motivo e exasperou. Ele realmente precisava de umas distração de todos os seus problemas e o Icha Icha era sempre seu melhor escape. Kakashi ignorou tudo a sua volta e tornou sua atenção para o livro.

 

Como representante de classe Sakura era chamada com uma certa frequência até a diretoria. Ela havia aprendido a apreciar a companhia de Shizune e a enfermeira e secretária havia despertado ainda mais seu desejo em cursar medicina. Ela esperou em frente a entrada da sala de Tsunade enquanto Shizune anunciava sua chegada. Quando escutou a ordem da diretora entrou na sala, nada surpresa em ver a sua mesa repleta de garrafas de sake. Tsunade-sama tinha o hábito de trabalhar bêbada, pois era a única maneira de lidar com vários estudantes hormonais que mal podiam se segurar dentro de suas próprias calças, como ela mesma costumava dizer.

 

— Sakura, como já sabe todos os anos realizamos uma viagem a campo, para melhorar as relações entre os alunos de cada turma. — a Haruno assentiu com a cabeça.

 

— Esse ano iremos para o sul do país do fogo, para que vocês possam visitar os templos e palácios e imperiais e, claro, aproveitar as praias e fontes termais. — a loira completou, sua voz alterada pelo álcool, mas ainda séria.

 

— Kakashi e Guy ficarão responsáveis por administrar as atividades de estudos sociais e práticas de exercício físico. Você será responsável por passar essa informação e o documento de autorização dos pais para sua turma, além de manter um olho nos alunos. Confio em você mais do que confio naqueles dois. —  ela disse por fim, esperando a reação da garota.

 

— Claro, Tsunade-sama. Pode contar comigo. — ela respondeu. — Você não virá conosco dessa vez? — a rosada perguntou, curiosa, enquanto pegava a pilha de papéis em cima da mesa.

 

— Eu irei, mas não poderei ficar responsável por vocês. Vamos dizer que vou estar ocupada com outros afazeres. — respondeu Tsunade. Ela não precisou falar quais eram seus afazeres, Sakura já a conhecia há tempo suficiente para saber quais eram. O suspiro de Shizune só confirmou seus pensamentos. A Haruno fez uma última reverência e se retirou, voltando para a sua aula da tarde. Ela esperaria até a aula de Kakashi para dar o aviso para a turma. As aulas de Guy eram agitadas demais para manter a atenção dos alunos.

 

Kakashi suspirou. O tempo passava rápido demais quando estava lendo seu Icha Icha. Ele olhou para o relógio e depois para a porta, esperando a leva de alunos adentrar sua sala. A aula de hoje, particularmente, não seria nada fácil. Não importava quantas vezes ele mesmo lesse Nietzsche, sempre descobriria algo novo sobre sua filosofia, quem dirá um bando de adolescentes que nem atingiram a maioridade. Ele só esperava que eles ficassem quietos o suficiente para pelo menos escutá-lo direito.

Quando Sakura foi a primeira a entrar na sala, ele sabia que ela iria usar um tempo da sua aula para dar os avisos de Tsunade. O Hatake gemeu de frustração internamente. Ele definitivamente não teria a atenção dos alunos hoje.

 

— Kakashi-sensei, posso passar o recado de Tsunade-sama durante a sua aula? — a Haruno perguntou, esperando uma resposta positiva. Eram ordens da diretoria, não havia nada que ele pudesse fazer. Ele apenas assentiu.

 

A rosada organizou suas coisas e esperou o último aluno entrar para se dirigir ao centro da sala.

 

— Pessoal, Sakura irá repassar um recado da diretoria para vocês. — Kakashi chamou a atenção da turma e se encostou em sua escrivaninha, cruzando os braços, olhando para a Haruno como  o resto da classe.

 

— Boa tarde, pessoal. Tsunade-sama me pediu enquanto representante de classe para falar sobre a nossa próxima viagem a campo anual. — ela começou, aguardando o burburinho dos alunos que veio sem hesitação.

 

— Esse ano iremos para o sul do país do fogo, para visitarmos os templos e palácios imperiais. Os professores responsáveis por nossa turma serão Kakashi-sensei e Guy-sensei. Isso é tudo. — Sakura finalizou, andando pela sala e distribuindo a folha de autorização para seus colegas, antes de voltar à sua banca. 

 

Com as últimas palavras de Sakura Kakashi xingou Tsunade pela milésima vez só naquela tarde. Ele só queria paz. Lidar com todos aqueles estudantes já era problemático o suficiente, mas ter que lidar com eles e com Guy ao mesmo tempo o dava nos nervos. Não importava o quanto ele se fizesse de desentendido e se esquivasse das tentativas insistentes do professor de educação física, Guy nunca sabia qual era a hora de parar com suas competições sem razão. O barulho incessante dos estudantes foi o que o trouxe de volta para a sala de aula.

 

— Ei, ei, ei, pessoal. Agora que vocês já sabem dos detalhes, vamos prestar atenção na aula. — ele tentou dispersar as conversas, sem nenhum sucesso. O grisalho suspirou e começou a explicar o assunto, tendo apenas a atenção de poucos alunos. Ele olhou para Sasuke e depois para Sakura, se perguntando se a rosada havia notado algo. Junto com o rumo de seus pensamentos seu olhar se dirigiu automaticamente para Hinata, que estava de cabeça baixa, fazendo anotações. Quando a morena ergueu a cabeça ele a encarou por alguns momentos, esperando ela desviar o olhar e ficando surpreso quando ela não o fez. Ele riu mentalmente. Por mais que ele tivesse visto-a corar, ela nunca falhava em surpreendê-lo. Kurenai não mentiu quando defendeu a integridade da sua aluna na sala de aula. Ele resolveu deixá-la relaxar por um tempo e desviou seus olhos, voltando sua atenção para os outros alunos da sala.

 

A aula extra com Hinata não havia sido muito diferente das anteriores, fora o fato de que ela realmente fez perguntas dessa vez, o que não o surpreendeu, visto a complexidade da filosofia nietzscheana.

Kakashi largou a leitura sem muito caso, ele já estava quase finalizando o livro. O grisalho se dirigiu até a banca em frente a de Hinata, afastando a cadeira e se encostando na mesa, com ambas as mãos nos bolsos da calça social. Por mais que a sala estivesse vazia a voz da garota era extremamente baixa e ele tinha que se esforçar para entender qual era sua pergunta na maior parte do tempo.

 

— Pelo que entendi, os principais pontos da teoria de Nietzsche são voltados para a crítica à moral cristã, que ele chamava de moralidade de escravo. — ela disse, soando meio incerta, com medo de falar algo de errado e ser repreendida pelo seu sensei. A sua infância a havia ensinado que nenhum tipo de erro seria permitido sem punição e por mais que ela tentasse se livrar daquele hábito, ele estava enraizado nela, graças a seu pai.

 

— Sim. — a afirmação do professor a fez relaxar um pouco.

 

— Ele também acreditava que existiam dois tipos de moralidade, a moralidade do senhor e a moralidade do escravo. Os senhores são superiores, se amam e se consideram bons. Os escravos são opostos aos senhores e são considerados ruins, porque simplesmente são assim, fracos, e não têm o que fazer a respeito. — ele começou a explicar de forma séria. Hinata até estranhou um pouco a falta de provocações dele, mas lembrou que ele estava fazendo seu papel de professor e sempre era metódico em relação a isso. Ela não pôde evitar deixar de lembrar de seu pai com as palavras de seu sensei.

 

— Então Nietzsche acreditava na superioridade de um certo grupo? — ela questionou.

 

— Não, isso é apenas uma analogia. Ele utiliza diversas delas para explicar seu pensamento, como comparar os cristãos a um gado. Mas não é exatamente sobre isso, é sobre o significado que aquilo carrega. — explicou.

 

— Por exemplo, a moral dos senhores é baseada na valoração da riqueza, glória e ambição, o que não deixa, de certa forma, de ser cruel, pois não considera pobres e pessoas sem prestígio. — a Hyuuga assentiu, fazendo anotações, sua concentração a fazendo esquecer da proximidade de Kakashi.

 

— Já a moral dos escravos é baseada na recusa de tudo que é considerado de seus senhores e valoriza sua própria fraqueza, negando a sua inveja. E isso, para Nietzsche é exatamente o que acontece na moral cristã. A fraqueza se torna bondade, impossibilidade de vingança se torna perdão, a impossibilidade de riqueza se torna humildade. Eles negam tudo aquilo que não podem ter e que desejam: o poder, a glória, a sexualidade. — aqueles questionamentos fizeram Kakashi indagar suas próprias ações e pensamentos nos últimos dias.

 

— Nietzsche acreditava que deveríamos abraçar nossa inveja, porque ela nos aponta para uma vida satisfatória, a vida que sempre desejamos. Não que ele acreditasse que isso fosse ser alcançados por todos e facilmente. — o rumo que os pensamentos de Kakashi haviam tomado o fez olhar a morena de cima abaixo. Ele era ótimos em realizar várias tarefas ao mesmo tempo e a medida em que explicava não pôde evitar pensar em quanto a Hyuuga a sua frente havia tomado uma grande parcela de seus desejos. Ele observou como os fios negros da morena pendiam para um lado, de seu rosto, enquanto seu pescoço ficava a mostra. A pele parecia tão macia quanto a de suas coxas. 

 

— Então foi por isso que ele resolveu “matar Deus”, porque assim os homens poderiam ser livres? — a pergunta fez a sua atenção tornar completamente para a explicação. A Hyuuga a sua frente era perigosa e ele precisava tomar cuidado com seus pensamentos.

 

— Isso. Entretanto Nietzsche não apenas odiava o cristianismo. Por mais que ele acreditasse que Deus e a religiosidade eram muletas que o homem utilizava pelo medo da morte, ele reconhecia que alguns precisavam desses apoios para lidar com a vida. Mas ele acreditava que esse apoio deveria ser substituído pela arte e cultura. Mesmo estando insatisfeito com o que a academia estava fazendo com a cultura. — ele completou.

 

— Nossa, obrigada Kakashi-sensei. Você é ótimo explicando. Agora tudo ficou muito claro na minha mente. — ela agradeceu sincera, fazendo uma breve referência para seu sensei. Ele apenas respondeu com um breve aceno da cabeça.

 

Kakashi não precisou pedir para que Hinata apagasse a lousa. Ele acreditava que boa parte era pelo seu senso de obediência, mas se questionou se a vontade de ler o Icha Icha também teria influenciado a ação da garota. Sua resposta veio quando ele a sentiu se aproximar novamente. Dessa vez ela mal conseguia segurar a respiração que soprava em sua nuca. A garota testava seu auto-controle. Ele fechou o livro e o segurou entre seu indicador e dedo médio.

 

— Hinata, acho que depois da lição de hoje você merece uma recompensa.  — ele falou, girando a cadeira e ficando de frente para a morena. Ela olhou para o Hatake e para o Icha Icha em suas mãos, incerta do que fazer. Ele levantou uma sobrancelha e o ofereceu a garota. Hinata demorou um pouco para processar tudo aquilo e buscou hesitantemente o livro nas mãos de Kakashi. Antes que ela pudesse alcançá-lo ele puxou o livro de volta.

 

— Tenha cuidado quando ler. Não quero que os outros alunos achem que estou te tratando com favoritismo e muito menos quero problemas com Tsunade por ter emprestado material explícito para uma aluna. — ela assentiu tentando pegar o livro e tendo ele puxado para fora de seu alcance mais uma vez.

 

— E não quero ver nenhum arranhão, folha amassada, risco ou sujeira nele, compreendido? — perguntou uma última vez.

 

— Sim. — respondeu a Hyuuga, olhando para ele e esperando sua aprovação para tentar alcançar o Icha Icha novamente. Kakashi assentiu com a cabeça e o entregou para a morena.

 

— Obrigada, Kakashi-sensei. — ela falou, com um enorme sorriso em seus lábios, fazendo uma reverência e se retirando.

 

Kakashi não sabia muito bem o porquê tinha emprestado o livro para Hinata. Talvez tenham sido todos os questionamentos nietzscheanos ou o seu desejo de saber como a Hyuuga reagiria a tudo aquilo. A herdeira Hyuuga havia despertado uma curiosidade que o Hatake não havia experimentado há anos. E ele não sabia se temia ou gostava das reações que a própria Hinata estava arrancando dele.


Notas Finais


Esse capítulo me deu um trabalhinho, ele está um pouco menor que os dois últimos porque eu estava com um bloqueio criativo gigantesco. Eu tô escrevendo ele desde sábado e ainda ficou bem curtinho. Se vocês quiserem ficar mais por dentro das atualizações da minha fanfic eu sempre falo sobre no meu twitter. Eu falo muita merda lá, mas se tiverem interesse podem me seguir, é o mesmo user daqui: bakketsus. Obrigada por acompanhar a história!


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