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História Tears-dropS (imagine - Taehyung) - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Estranho


Fanfic / Fanfiction Tears-dropS (imagine - Taehyung) - Capítulo 7 - Estranho

Coincidentemente o tempo que tinha para ficar dentro da pista acabou. Me levantei para despedir-me dos pequenos que me abraçaram coletivamente enquanto me agradeciam pela pequena aula que lhes dei. Eu amo crianças, simplesmente é, ou foi, o meu maior sonho, ser pai. Poder pegar um ser tão frágil e delicado em seus braços, dar carinho e amar gratuitamente. Sempre quis sentir isso. Assim que todas as crianças saíram, eu fui até você, que perseverava com a mesma expressão estranha e indecifrável, porém linda.

— O que foi? — perguntei sorrindo um pouco envergonhado. 

— Você foi extremamente gentil com as crianças — seus olhos me encaravam de uma forma tão profunda que meu coração chegava a errar as batidas — e isso foi encantador. — você abriu um sorriso, e eu faço de sua fala a minha, "foi encantador". Realmente, eu não sei como um dia poderei esquecer sua expressão e espero nunca ter que me forçar a isso. 

— Obrigada de alguma forma. Quer patinar? Dessa vez juntos? — Convidei enquanto andávamos, mas a resposta veio antes de você. A mulher do caixa começava a fechar a pista. — é, acho que vamos ter que achar outra coisa para fazer — seguimos para fora da galeria de jogos, dando de frente para a rua. 

— Eu não sei você, mas eu estou com fome. — você comentou e logo andou na minha frente a procura de alguma coisa para comer em alguma barraquinha. Apressei o passo para poder caminhar ao seu lado. Enquanto decidíamos o que comer, eu olhava das barracas para sua mão e da sua mão para as barracas, eu queria tanto segurá-la. Eu tenho um pouco, tudo bem, eu tenho muito medo da sua reação. Você me pegou encarando sua mão e me devolveu um olhar indecifrável, aproveitando o desfecho fiz um sinal perguntando se poderia segurá-las. E para minha imensa felicidade, você assentiu.

Entrelacei nossos dedos, sua mão estava quentinha e isso foi realmente muito bom de se sentir. Continuamos nosso trajeto até você decidir que comeria crepe, e bem, eu só podia te acompanhar.

— Aqui — eu me intrometi pagando os dois pedidos antes que você pudesse sequer retirar o dinheiro da carteira. Olhei para você e sorri convencido — estamos kits — revirando os olhos você foi até um banco enquanto eu esperava nossos crepes, que não demoraram muito para chegar. A noite foi repleta de bons momentos, foi sem dúvidas a melhor que eu tive em cinco anos! E como poderia ser menos que isso quando estou contigo? Nada, absolutamente nada, é melhor do que poder ficar ao seu lado. Quando me dei conta, já nem me importava em ser melhor ou pior que Jimin. Simplesmente era insignificante e imaturo pensar daquela forma enquanto eu podia apreciar o anjo que você é.

Agora estamos caminhando por uma calçada deserta que eu sei muito bem que leva até sua casa. O caminho de lajotas iniciou-se, e em vez de apontar para o buraco em forma de coração, parei ao meio fio, me abaixando e tirando do meio das lajotas um dente-de-leão. Corri até você e cutuquei seu ombro.

— Para você — entreguei a pequena flor amarela e um sorriso brotou em seu rosto.

— É lindo! — você admirou a pequena flor por alguns instantes. Em seguida se aproximou de mim, ficando perto para poder colocar o dente-de-leão no bolso superior do meu sobretudo — mas fica melhor em você. —após a frase você ergueu seus olhos para os meus, e os adormeceu em minhas pupilas. Cada pequeno e mínimo detalhe em você me preenchia. Eu te amo e eu preciso disso. Preciso de você para viver, e é tudo que eu quero. Viver com você.

Tudo o que eu quero é te tocar, te manter no meu abraço e admirar pelo resto da minha vida cada detalhe seu.

Uma lembrança nada agradável inundou minha mente.

Flashback

— Vai ficar tudo bem — eu segurava seu rosto com as duas mãos. Você estava chorando muito naquele momento, tanto que tinha as pálpebras inchadas. Eu não tinha garantias do que falava, mas quais outras palavras seriam melhores? — confie em mim.

Flashback OFF

Fechei meus olhos com força negando com a cabeça. Segurei a lateral de seus braços e te afastei um passo de mim, eu não podia fazer aquilo... Estou me esquecendo dos meus pecados, e isso não pode acontecer. São coisas que eu cometi, que vão estar comigo para todo o sempre e que seria um completo desrespeito com você se eu um dia esquecê-las.

— O que foi? — você perguntou confusa. Olhar para seu rosto agora, me doía como tiros.

— Nada, me desculpe. Vamos? — convidei para seguirmos o caminho até sua casa que não ficava muito longe. Acho que a pergunta mais frequente em minha mente tem sido: se você soubesse quem eu sou, o que eu fiz, os pecados que eu cometi, será que apesar de tudo isso… Você me perdoaria? Me amaria mesmo assim?

Continuamos até chegar a sua casa, e logo em sua porta uma surpresa desagradável nos aguardava. Jimin terminou de tragar o cigarro, e tirando o olhar do céu, ele nos encarou com tédio. Ao lado de onde ele estava sentado havia uma sacola, com o que imaginei ser comida pronta. Acho que ele deve ter ficado decepcionado se estava te esperando. Por um momento imaginei a raiva que ele sentia. Apenas tente imaginar: você comprar comida, ter o trabalho de vir até a casa de alguém especial, não encontrar ninguém. E quando encontra, essa pessoa está de mãos dadas com outro alguém. É triste de fato, mas não sinto pena dele. De forma alguma eu ficaria triste porque ele está triste, isso que sinto pode se chamar no máximo empatia.

— A noite foi boa? — ele levantou do solado de sua porta jogando a bituca de cigarro longe-  eu espero que sim. E caso tenham corrido o risco de não terem jantado, podem ficar com a comida. — ele chutou a sacola, fazendo a comida se espalhar pelo chão. Estávamos estáticos, sem nenhuma reação às atitudes dele.

— Jimin… — você me deixou e foi até ele, quando tentou se aproximar ele pediu distância com as mãos.

— Eu não preciso que você se explique. Não preciso de compaixão, isso é humilhante — ele olhou por cima do seu ombro para mim — apenas finjam que eu nunca estive aqui. — Jimin colocou as mãos nos bolsos e se virou. Ignorando o fato de ele se afastar você se voltou para mim.

— Não ligue para ele. —

Eu não sei como me sentir. Não sei se deveria sentir ciúmes, se deveria ficar bravo ou triste. Para mim, não aparentava ser nada demais, parecia uma cena comum para vocês e ambos agiram de forma tão natural frente a tudo, que eu não posso sequer pensar em sentir algo. Talvez um pouco de raiva pelo desperdício de comida.

— Acho que nosso encontro acaba aqui. — você se aproximou mais de mim e me deu um abraço, o qual eu retribuí.

— Gostou da noite? — perguntei com você ainda dentro do abraço.

— Sim, eu gostei muito. Faz um bom tempo que não faço nada parecido. — você separou o aperto — sobre o objetivo inicial do encontro, "ser melhor que Jimin", você não é melhor que ele. — uma decepção atingiu meu peito e fiz uma careta.

— Apesar de um pouco decepcionado, não me sinto mal. Um dia, eu provarei que você está errada. — eu disse numa boa.

— Isso nunca vai acontecer. Você nunca vai ser melhor que Jimin — tu fizeste uma pausa — e nem Jimin será melhor que você. Taehyung, vocês dois são completamente diferentes! Você adora crianças, pelo que eu presenciei. Jimin não as suporta. E esse é só um dos exemplos do quão opostos vocês são. Não pense muito nisso. Tenha uma boa noite — eu me despedi com um aceno e desejei-te uma boa noite também.

Enquanto voltava para casa, eu me senti melhor por saber que não preciso provar nada para você. Sou um tolo por não ter lembrado disso. Enquanto estávamos juntos, nunca precisávamos provar nada um para o outro. Se tivéssemos sentimentos, isso bastava para sustentar tudo. Quando cheguei ao meu corredor o silêncio reinava, nada de máquina de lavar ligada, nada de gemidos dos quartos aos lados, nada de música. Talvez hoje eu durma bem, sem ter que brigar com os vizinhos.

Felicidade momentânea. Escutei a máquina chacoalhando no andar de cima. Eu não vou ficar irritado, pensei antes de entrar em meu quarto. Quando abri a porta, me deparei com um lugar completamente bagunçado, por mim mesmo, é óbvio. Eram quase onze horas da noite e eu nem hesitei em parar a vontade de colocar tudo em seu devido lugar. Ao mesmo tempo que arrumar determinadas coisas me ajudava a pensar, também deixava a casa com um aspecto habitável. Então uni o útil ao agradável. Passei horas colocando coisas em seus lugares, mudando móveis e retirando peças para a doação.

Só percebi que havia adormecido quando acordei no dia seguinte, deitado no carpete da sala, com uma réstia de luz incomodando meu rosto. Levantei do chão esfregando os olhos, caminhei até o banheiro para lavar o rosto e tomar um pouco de ânimo para prosseguir com o meu dia e resto da faxina. Contudo, incrivelmente eram sete horas da manhã, o que me disponibiliza muito tempo para terminar de arrumar tudo e pensar no que deveria fazer em um sábado como esse.

Olhei meu reflexo sonolento no espelho, notei que preciso fazer a barba e cortar o cabelo. Normalmente não me preocupo tanto com isso, mas se continuar assim, serei confundido com algum mendigo. Busquei a gilete no beiral da janela do banheiro, peguei a espuma de barbear no armarinho embaixo da pia e comecei o processo.

Se fosse em qualquer outro dia, eu estaria com você. Talvez após um encontro como o da noite passada, eu teria dormido na sua casa, em sua cama. Agora eu estaria despertando e indo fazer nosso café. Mas infelizmente, eu consegui estragar as coisas e cá estou eu: com um humor questionável enquanto faço a barba, que não passa de três ou quatro fiapos castanhos na linha do meu maxilar.

"Barba" feita, troquei de roupa e saí sem sequer tomar café. Comprei uma maçã enquanto caminhava pela rua e por ironia ou má sorte, avistei algumas pessoas reunidas em volta de algo. Me aproximei e atravessei a multidão, encontrando logo quem? Jimin, debruçado em cima de alguém, e esse alguém era… Jungkook?

Puxei Jimin, que estava mais próximo, pelo colarinho, o afastando da multidão.

— Por que diabos estava batendo no meu amigo? É mais alguma tentativa de me atingir? Tudo por que não conseguiu jantar com ela ontem? — despejei as palavras em Jimin e em resposta recebi um soco no lado esquerdo do rosto.

— Primeiro, você me respeite. Segundo, não se intrometa. E terceiro, não fui eu quem começou. — ele disse ríspido e se sentou em um banco próximo. — esse doido varrido do seu amigo, chegou me enchendo de perguntas, e hoje não estou em um bom dia.

— Doido varrido? Por acaso fui eu quem assobiou para sua irmã? Quem atropelou seu melhor amigo? — Jungkook surgiu em minhas costas totalmente alterado.

— Como é? — eu fiquei confuso.

— Sabe como é, eu te avisei para ficar longe da S/n. E vou continuar avisando. Cabe a você decidir se o que acontece quando me desobedece é coincidência ou consequência. — foi minha vez de desferir um soco no rosto de Jimin.

— Desgraçado! Eu estou com um hematoma de ponta a ponta na costela por sua causa! — eu disse ríspido e logo o menor se levantou.

— Chega dessa palhaçada. —  alguém se aproximou e notei ser o homem mais velho e bem vestido que eu ajudei outra vez na loja. Ele usava o relógio esmeralda que ofereci naquele dia. O senhor pegou Jimin pelo braço com força.

— Pai? O que 'tá fazendo aqui? — Jimin perguntou em um tom de respeito. Então ele é temente a alguém?

— Eu estava indo para a empresa, mas o meu infortúnio, vulgo você, causou mais uma das suas confusões diárias. Agora já para o carro, seu pirralho! — ele empurrou Jimin com força, e sabe que eu achei aquilo tudo engraçado? O "grande" Jimin sendo reduzido tão facilmente por um senhorzinho.

— Perdão senhor… não fazia ideia de que ele fosse seu filho — Jungkook se curvou e eu copiei o ato.

— Não se preocupe, Jeon. Espero que ele tenha levado bons socos. Jimin tem ficado impossível faz algumas semanas. Não que ele já não fosse difícil de lidar, mas agora ele dobrou a dose. De qualquer forma, até outro dia rapazes. — ele explicou rapidamente, acenou e se retirou entrando no carro que Jimin estava.

— Quem é o velinho? — perguntei de lado para Jeon que assim como eu estava focado no carro.

— Park Hee Seul, CEO de uma empresa de grãos. É ele quem faz os ligamentos daqui com a Coreia do sul. E até então, também não sabia que era pai de Jimin. — Jeon explicou com calma e caminhou junto a mim até uma sombra próxima.

— Eu achei ele engraçado. Viu como em um instante Jimin ficou medroso? — gargalhei lembrando da cena de segundos atrás.

 Quando consegui me recuperar, como se fosse automático, meus olhos voaram até você. E a cena que vi não era nada agradável.  Enquanto um homem tentava se aproximar, você se esquivava a todo custo. Deixei Jeon para trás e corri até você, quando me aproximei segurando sua cintura com a mão esquerda, te puxei para perto do meu corpo. O homem virou o rosto com rapidez, não me permitindo gravar sua face ou reconhece-la. O desgraçado correu.

— Você está bem? — perguntei analisando seu estado.

— Sim, obrigada pela ajuda. 

— Aquele cara te tocou? Fez algo com você? — indaguei em um único fôlego.

— Foi tudo muito rápido. Ele simplesmente se aproximou e me disse coisas como "quanto tempo", "você está graciosa hoje". —  seu olhar era confuso e às vezes balançava a cabeça tentando compreender os acontecimentos. 

— Bom, eu também disse isso no dia em que nos vimos na rua da sua casa — dei um leve riso.

— Mas eu não me senti mal quando elas vieram de você. Com ele, foi como se eu sentisse algum tipo de ameaça — você explicou e eu franzi o cenho olhando para o homem que já havia desaparecido na multidão.

Não sei exatamente o que pensar, mas de momento, isso é no mínimo estranho.




Notas Finais


Hahaha eu voltei! Eu gostei muito desse e tenho trabalhado tantas visões e núcleos diferentes em um único capítulo! Isso me deixa satisfeita! Ás vezes me pergunto se fica chato eu mostrar sempre o Jimin em quase todos os capítulos... Mas bem! Espero que tenha gostado!⭐

Beijos de luz!⭐
Até o próximo capítulo!⭐


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