História Teen Angels - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anjos, Autoral, Aventura, Criseexistencial, Guerraangelical, Romance
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Palavras 2.380
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Seinen, Shoujo (Romântico), Suspense
Avisos: Álcool, Drogas, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Xazam Carai

Capítulo 1 - Nova Chance


Era um dia normal, como todos os outros até seu momento de descanso após o anoitecer. Eu estava na escola, sentado numa carteira no fundo da sala. Com o lápis dançando entre os dedos eu anotava o conteúdo das aulas, em meio as intermináveis conversas e gracinhas dos meus colegas de classe.

Foi durante uma aula de física, que estava até mesmo mesmo interessante, onde tudo aconteceu. Enquanto eu terminava de anotar algumas expressões algébricas da lousa, minha colega, Rose começou a cutucar as minhas costas com o lápis.

- Ei, Neyti, entendeu alguma coisa que o professor explicou? - Ela perguntou, cochichando no meu ouvido - Da pra me explicar o que é essa tal força de toque?

- É torque. - Corrigi - E é só aplicar a fórmula que está na lousa.

-Nem sei pra que aprender essas coisas. Nunca vou precisar usar elas. - Ela deu de ombros e voltou a escrever em seu caderno.

Alguns minutos depois o professor foi convocado pela diretoria, e teve que sair da sala. O bastante para que a algazarra dos alunos se generalizasse pela classe toda. Mesmo que eu quisesse fazer algo referente à matéria eu não poderia com todo aquele barulho, então eu fingi prestar atenção no que Rose me falava, o que com certeza era sobre gatos ou como não gostava de estudar.

Porém, algo estava me perturbando. Era uma sensação ruim, como um aperto no peito, que me deixava sem ar. Estava me deixando agoniado, e eu estava sentindo isso desde que entrei na classe. Entretanto, agora começava a ficar mais forte, uma névoa de energia negativa quase que palpável. Com certeza esse sentimento provinha de alguém, mas eu não conseguia identificar quem ao certo.

Eu estava tão concentrado nessa sensação que cheguei a me sobressaltar quando gritos de uma garota qualquer ecoaram pela classe. Ergui meus olhos para conferir o que estava acontecendo, e o que vi era uma cena inédita para mim até então. Um perfeito exemplo da estranha natureza humana.

Uma garota da minha idade, de cabelos longos que cobriam parcialmente seu rosto, apontava um revólver para outro rapaz, esse com cabelos curtos, quase raspados, e um olhar assustado. Um dos extremos resultados do bullyng.

A garota com a arma tremia, também com medo visível. Mantinha o dedo no gatilho, pronto pra atirar a qualquer momento. Ela, com medo estampado nos olhos, e também uma raiva irracional que agora explodia em um ato impulsivo. O outro, por sua vez, estava apavorado. Era o típico valentão que se torna covarde quando a situação não está sobre seu controle.

Há algum tempo que eu já observava que a aqueles dois compartilhavam um ódio mútuo. Porém, cada um deles lidava com esse sentimento à sua maneira. Um deles causava danos progressivamente, o humilhando e importunando dia após dia. A outra suprimiu esse ódio, se mantendo em silêncio, sem saber que esse ódio a consumia de dentro pra fora, e o corpo, na tentativa de se livrar da pressão interna causada pelo acúmulo desse ódio, cometia agora esse ato de justiça individual.

Observei a cena por alguns instantes, até que Rose me cutucou e sussurrou para mim:

- Não vai fazer nada?

Não respondi, apenas voltei a observar a cena. Nada do que acontecia ali era do meu interesse. O que acontecia ali era problema dos envolvidos. Mas, Rose não me deu trégua.

- Sabe que consegue parar isso com seu dom.

O "dom" ao qual ela se referia está mais para uma peculiaridade minha. Uma sensibilidade acima da média, digamos assim. Quando olho nos olhos das pessoas é como seus sentimentos e anseios são fossem transmitidos pra mim. Era como se a minha alma e a do outro conversassem, por meio da troca de olhares.

Eu não tinha motivação alguma para intervir na tragédia que se desatava ali. Porém, a situação despertou um certo sentimento em mim. Nostalgia, talvez. A garota com a arma sentia medo, angústia, raiva, mas algo me havia passado despercebido, e agora vinha à tona. Seus olhos não tinham brilho, e isso era péssimo, pois indicava que ela desistira da vida.

Os dois permaneciam na mesma posição. Ninguém ousava fazer nada, pois aquela situação era muito delicada. Qualquer bobagem levaria a um funeral. O rapaz ameaçado permanecia olhando fixamente para a arma de fogo à sua frente, estático, como um cervo fica parado na frente dos faróis de um carro, antes de ser atropelado. Quando me dei por mim, eu já estava indo até eles.

Todos prenderam a respiração com meu ato ousado e inesperado. Eu me coloquei entre a arma e sua vítima.

- Sa... sai da frente. - Ordeno a garota com a arma, sua voz estava trêmula e inconstante.

Encarei ela por alguns segundos em silêncio. Vi que agora ela estava tomando consciência da gravidade da situação em que estava metida, e estava hesitante. Era só uma questão de dizer as palavras certas. Lancei-lhe o maximo de compreensão que eu podia com meu olhar, pra dizer:

- Não acabe com a sua vida só por causa de uma dor que não passa. Confia em mim, isso só vai piorar as coisas.

As palavras penetraram fundo na mente da morena, pois a raiva e a impulsividade que a consumiam diminuiram de intensidade. Deram lugar à dor e à carência, e também, à compreensão. Porém, ela apertou as mãos na coronha da arma, que agora estava apontada pra mim, e gritou:

- Por que está protegendo ele? - Ele praticamente estava cuspindo as palavras - Sabe o que eu passei por causa dele?

- Não estou protegendo ele. - Respondi, mantendo uma invejável calma diante da situação - Estou tentando te proteger de si mesma.

A tensão que ela estava sentindo foi passando, e agora eu tinha a sua atenção.

- Você sabe o que vem a seguir - Continuei - Se você levar adiante isso tudo.

Lentamente ela baixou a arma, junto do seu olhar. Lágrimas correram pelo seu rosto.

- Como sabe que eu vou... - a garota não conseguiu terminar a frase, pois estava tomada por um soluço forçado, ao tentar conter as lágrimas.

- É o que eu faria no seu lugar.

Naquele momento, duas pessoas se entendiam sem o intermédio de palavras, pois palavras não justificam emoções. Quando os sentimentos do outro são transmitidos pra mim, eu passo a senti-los também, o que me dá uma melhor compreensão das suas intenções e motivações. Entretanto, eu sempre soube distinguir os meus sentimentos daqueles que eram dos outros.

Eu tentava manter o contato visual constante com ela, pois se encontrava em um complexo tão grande de emoções que era difícil pra mim interpreta-las. Mas, de uma coisa eu sabia: aquela arma, de um jeito ou de outro, ia fazer uma vítima se eu não intervisse.

- Não faz diferença - Falou a garota - Não há mais nada que me faça querer continuar com essa droga de vida. Os motivos pra ser feliz acabaram.

Um sorriso se formou nos lábios dela. Não era um sorriso de alegria, mas sim de conformação. Ela havia aceitado que o fim era a única resposta. Era uma expressão que servia de máscara, para enganar não só os que estavam ao redor, mas também a si mesma. Ele faria o pior, era questão de tempo.

- Então encontre novos.

Essa única frase fez o sorriso falso que estava no rosto dela cair. Eu agora tinha sua total atenção, e o que eu dissesse poderia faze-la mudar de ideia.

- Encontre novos motivos que te façam feliz. Lute contra quem te humilha colocando um sorriso sincero no rosto. Faça isso por quem te ama, ela estando aqui ou não.

Seus olhos se acenderam novamente, como se eu tivesse riscado um fósforo perto de gasolina. É como se ela tivesse voltado à vida. Naquele momento, eu sabia que tinha não só evitado um homicídio, mas também, um suicídio. Havia saudade e remorso nos olhos marejados daquela garota, porém agora havia também esperança.

Senti naquele momento uma sensação que a muito eu não provava: satisfação. Eu havia salvo uma vida. Não sei por que decidi ajuda-los, mas o resultado justificou a causa. Acho que, de certo modo, me identifiquei com ela. Porém, meu esforço desmorou, como um castelo de areia levado pelas ondas.

Dois garotos, provavelmente amigos daquele ameçado, se lançaram sobre a garota com a arma, no intuito de desarma-la. Como ela ainda estava com o dedo no gatilho, o susto que tomou fez com que um disparo fosse inevitável.

O som do tiro ecoou pela escola toda. O silêncio foi profundo e agonizante. Meu corpo todo congelou e, ao mesmo tempo, um estranho calor tomou conta do meu peito. Os dois rapazes imobilizaram a garota, mas quando a adrenalina deles baixou e viram a burrada que fizeram já era tarde demais.

Todos os olhares estavam direcionados para mim, e transmitiam terror e suspense. Baixei meu olhar até encontrar meu peito, onde uma mancha vermelha se contrastava ao meu uniforme branco de gola alta. Ela crescia gradativamente sobre meu peito, e o furo da bala era visível. Minhas forças se esvairam de uma única vez, e meu corpo foi de encontro ao chão. Tudo se escureceu completamente antes que eu pudesse sentir o impacto contra o chão.

______________ Ω _______________

Daí pra frente foi tudo muito confuso. Não sei quanto tempo fiquei naquele estado, na completa escuridão. Inerte, porém consciente. Eu sentia meus membros, mas não havia nada ao redor para tocar. Até o ar parecia ter sumido. Meu corpo estava estranhamente leve, e eu não podia me mover.

Era uma situação agonizante de vulnerabilidade. Eu não sabia o que aconteceria dali pra frente, e isso me perturbava mais que tudo.

Então me senti em movimento, como se uma força invisível me atraisse para longe, e eu embarcasse em uma viagem pelo cosmos. Um sentimento tomou conta de mim. Era o medo do desconhecido.

_____________ Ω ______________

Eu me vi em um lugar totalmente diferente. Era um local deserto, meio montanhoso, sem vegetação alguma. Era completamente isolado, sem quaisquer sinal de vida. A única coisa que se destacava ali era um pilar, descomunalmente grande. Era branco e liso, e sua altura se perdia de vista por entre as nuvens. Era algo surreal.

Naquele momento, eu ainda me sentia estranho, eu continuava Com aquela sensação de leveza. Tentei ne mover, mas não consegui sair do lugar. Decidi olhar para baixo, para ver meu próprio corpo, e tive um choque, pois não havia nada. Era como se só meus olhos estivessem ali. Era oficial, eu estava morto.

Então, de repente, senti uma presença poderosa no local. Ela não estava ali antes, ou estava escondendo sua presença até aquele momento. O ar ficou denso e senti um medo crescente, uma sensação que nunca provei antes. Era quase certeza que essa sensação provinha daquele pilar branco, e se provou o certo, pois uma voz proveniente dele quebrou o silêncio.

- Você é Neytan Cross?

A voz era intensa, com um tom de superioridade. Não dava pra identificar se era de um homem ou de uma mulher. Confirmei que aquele era mesmo meu nome, e a voz continuou:

- Você foi morto injustamente, tentando proteger outro. Por que interveio naquela situação?

A pergunta reverberou pela minha cabeça. Nem eu mesmo sabia essa resposta ao certo, eu acabei agindo por instinto. Procurei ser sincero na minha resposta.

- Na verdade eu não pretendia ajudá-los. Ao menos não de início. Eu agi impulsivamente.

- E por que não ajudaria?

Dessa vez, notei curiosidade naquela intimidante voz. Acho que aquela entidade queria entender o motivo por trás do meu ato heróico. Talvez, aquele fosse meu julgamento divino. Pensando nisso, optei por dizer apenas a verdade e ser o mais claro possível.

- Eu já tinha problemas demais pra resolver, e assumir o conflito dos outros seria pedir demais. Mas acho que foi isso que me levou a agir.

Notando o silêncio por parte da misteriosa voz, continuei:

- Quando se tem que lidar com problemas insolúveis todos os dias, o resto se torna banal. Achei aquele conflito tão desnecessário que decidi intervir. E bastou algumas palavras para que uma tragédia fosse evitada.

- Mas no fim - Disse a voz - Tudo foi em vão, já que houve uma tragédia mesmo assim. Não se arrepende?

- A garota, os rapazes e todos os outros da minha classe estão bem?

- Sim. Mais ninguém se feriu.

- Então não foi em vão.

Um silêncio se seguiu após meu comentários. Aquilo não parecia mais um julgamento, e sim um interrogatório. Ou eu estava em um sonho, deitado numa cama de hospital em estado de coma.

Depois de alguns segundos veio a proposta:

- Gostaria de uma chance de voltar à vida?

 Isso já estava me assustando. Se me conheço bem, eu não tinha atrativo algum para que uma entidade estranha se interessasse e me desse uma oportunidade de voltar à vida.

- Quem é você é por que está me fazendo essa oferta? - Juntei toda a minha coragem pra perguntar. A possibilidade de ser vaporizado ali era provável. Entretanto, mesmo sendo uma boa oportunidade, eu tinha que ter certeza de qual seria o preço.

- Você está na presença de um dos Serafins da alta elite angelical. Sua ação altruísta foi louvável e chamou minha atenção. Por essa razão te ofereço uma segunda chance.

- Ainda bem! - Suspirei aliviado - Pensei que fosse um demônio querendo minha alma em troca de me reencarnar.

A entidade deixou escapar uma leve risada. Foi estranho, pois sua voz era imponente e dominante, mas o riso foi diferente. Foi mais... feminino, talvez. Logo, a voz continuou:

- Vou manda-lo de volta. Mas terá que seguir as exigências do seu guia, que irá te supervisionar. Ou então irei trazê-lo de volta. Aceita?

Bem, está aí o que eu disse, sempre tem uma exigência. Espero não ter que caçar demônios. Aceitei, afinal, eu não tinha nada a perder.

- Irei te mandar de volta. Uma vez lá, você encontrará uma pessoa que te acompanhará durante sua missão. Boa sorte!

- Obrigado. - Demorou um pouco para cair a ficha mas percebi o que eu temia - Espera, que missão...

Não tive tempo de perguntar. Minha visão escureceu, até tudo ficar na completa escuridão novamente. Me senti na mesma vulnerabilidade de antes, sem nada ao redor, e meu ser novamente em movimento, sendo atraído por algum tipo de força.

Me senti parar. Meu corpo pesou novamente, e pude sentir minhas costas pressionadas à algo macio, talvez um colchão. Tentei abrir os olhos, mas um extremo cansaço tomou o meu corpo, e fez com que eu adormecesse.


Notas Finais


História Original!!!!!! AEEEEE!!!! Minha carreira de escritor começa aqui!!

*Leitores* ninguém se importa!!!

:'(


Já tenho alguns capítulos prontos, então vou posta-los logo.

Qualquer dúvida, crítica ou sugestão pode deixar nos comentários, que responderei à todos (quando puder claro)


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