História Teen Wolf - As Grandes Guerras Imortais - Capítulo 51


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Categorias 2NE1, Bangtan Boys (BTS), Crystal Reed, Dylan O'Brien, Holland Roden, Lendas Urbanas, Mitologia Grega, Mitologia Japonesa, Teen Wolf, Tyler Hoechlin, Tyler Posey
Personagens Aiden, Alan Deaton, Allison Argent, Araya Calavera, Bobby Finstock, Chris Argent, Cl, Cora Hale, Derek Hale, Ethan, Hayden Romero, Isaac Lahey, Jackson Whittemore, Jennifer Blake, J-hope, Jimin, Jungkook, Kate Argent, Ken Yukimura, Kira Yukimura, Laura Hale, Liam Dunbar, Lydia Martin, Malia Tate, Marin Morrell, Mason Hewitt, Melissa McCall, Mieczyslaw “Stiles” Stilinski, Natalie Martin, Noshiko Yukimura, Personagens Originais, Peter Hale, Rafael McCall, Scott McCall, Sheriff Noah Stilinski, Suga, Talia Hale, Theo Raeken, V, Vernon Boyd
Tags Bts, Drama, Fantasia, Guerra, J-hope, Jimin, Jungkook, Romance, Sterek, Taehyung, Teen Wolf, Tragedia, Yaoi, Yoomin, Yoongi
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Palavras 17.829
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Hentai, Lemon, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


1 ano, 2 meses e 27 dias. Estou encerrando aqui uma fase da minha vida e queria agradecer a quem deu uma oportunidade a história até o fim. Agradecer a AndyLluccky porque você sempre comentou e isso me deu muitas forças pra continuar.

Não estou nem acreditando que terminei a história na verdade, passei boa parte do dia e até da madrugada, e hoje para terminar esse capítulo gigante da história. Para quem não gosta de capítulos grandes, sinto muito, esse tinha de ser postado assim, integro. Para os que gostam, será um grande prazer então kkkkkk!

Espero que gostem do fim e que possam comentar suas impressões sobre a fic! Me desculpem por qualquer erro!

Capítulo 51 - O último sobrenatural


Fanfic / Fanfiction Teen Wolf - As Grandes Guerras Imortais - Capítulo 51 - O último sobrenatural

-A confiança da nação americana sobre as Forças Armadas e o governo amanheceu abalada. O compartilhamento em massa de vídeos produzidos num raio de 200km de Beacon Hills, a apelidada “Cidade Fantasma”, geraram fortes e expressivos questionamentos por parte dos cidadãos americanos e internacionais quanto a verdadeira situação da cidade que há poucas semanas simplesmente teve todo seu sinal de vida e contato com o mundo desaparecido. -A repórter da pele negra e os olhos cor de mel disse com seriedade.

-As imagens mostram cenas de perseguição por parte de soldados do exército para com quem os responsáveis pelos vídeos e internautas afirmam ser apenas civis. Além da agressividade conforme a perseguição é feita, o desespero das pessoas em fuga é nítido e em alguns vídeos alguns imploraram para não serem levados de volta a cidade. -O segundo repórter completou.

Enquanto as imagens dos diferentes vídeos foram passando, eles prosseguiram com o anúncio da notícia.

-Há algumas semanas o porta-voz do Exército Americano, junto do ministro de segurança e seus secretários, além do próprio ministro da saúde e especialistas da área, vieram a imprensa para justificar a repentina e total perda de contato com todos os cidadãos da cidade que por meses vem passando por momentos instáveis de violência. No pronunciamento, a justificativa dada era um surto de um vírus desconhecido, que havia afetado a boa parte da população, inclusive técnicos e responsáveis pela energia da cidade, o que dava razão a falta de sinais de vida interior. -A famosa jornalista voltou a falar, seguindo suas falas na intercalada apresentação dos fatos.

-Com os vídeos e outros relatos dados por diversos cidadãos que começaram a se espalhar na madrugada de hoje, todas as palavras do governo foram reformuladas a um grande sinal de exclamação. Além disso, a forma brutal na qual os soldados envolvidos nas imagens agiram, ajudou a incrementar o sentimento de revolta que cresce a cada fato compartilhado.

-Algumas pessoas asseguraram que outros, que também testemunhavam e filmavam as perseguições, foram reprimidos fisicamente e alguns estão desaparecidos.

-Familiares de moradores da cidade já começaram a se locomover em direção a cidade e segundo dados das empresas aéreas e rodoviárias, o número de passagens em direção a área aumentou consideravelmente em horas, o que pode ser explicado pela comoção que a cidade tem gerado através dos meses.

-Sim Paul, a cidade de Beacon Hills se tornou alvo de diversas teorias da conspiração, tendo os próprios dados da prefeitura da cidade acusado um aumento na chegada de turistas na área.

-Mesmo com o perigo que se enxerga na movimentação desse grande número de pessoas para um local que está considerando de perigo, o governo ainda não se pronunciou sobre, aumentando ainda mais as dúvidas da população americana e mundial.

A televisão foi desligada abruptamente, deixando Isaac surpreso. Não pôde fazer muito, apenas olhou para o lado e viu a garota asiática com o controle em mãos, o encarando de uma forma que parecia esperar que ele a desafiasse.

O cara alto e ruivo sorriu mais uma vez para si, achando graça da situação. Isaac desviou a face e pode escutar a risadinha escapar do homem. Não sabia qual era a dele, mas sentia que ele tinha alguma fixação consigo.

Quando achasse uma oportunidade melhor, o confrontaria e descobriria qual era o problema. Quanto a asiática, resolveu que ignorá-la seria a melhor solução. Viu que não teria problemas nenhum com isso, desde que viu Jackson a observando de um canto.

Voltou a olhar para Melissa e respirou fundo, impaciente.

-Você vai entender agora… O perigo está se encaminhando para cá Isaac, temos que tirar todos dos nossos daqui, sem que nos vejam.

-E se eu quiser partir?

-Sabemos que você não vai… -O ruivo cruzou os braços e lançou-lhe o sorriso de novo. Isaac o ignorou.

-Ele está certo. -Melissa confirmou. -Sabemos que você estava prestes a enfrentá-lo... Você não se despediu de Cora atoa. Mas ainda tem uma chance de ficar com ela no final, se tudo der certo!

-O que quer dizer com isso?

-Quer dizer que você está no nosso time agora, loirinho! -O ruivo voltou a falar. Isaac se voltou para ele e recebeu uma piscada. Arregalou os olhos e se sentiu nervoso. “QUAL É A DESSE CARA!?”,

-Somos parte de uma força resistente, Isaac. Bem… Pelo menos eramos no início. Hoje somos muito mais que isso! -O garoto ao lado de Hayden respondeu. -Sou Mason, o irmão adotivo de Hayden.

-E também chefe dessa missão! -Melissa completou, abrindo um breve sorriso como se uma piada interna tivesse acabado de ser contada. -Ele é bem modesto.

-E velho… -A asiática disse com um sorrisinho provocativo. Era uma garota bonita e pelo que parecia tinha o apelido de CL… Jackson parecia ter gostado de sua beleza também, desde que seus olhos sempre encontravam uma forma de pararem nela.

Isaac então perdeu a paciência, seus olhos se fecharam enquanto tentava se controlar. Respirou fundo mais uma vez e reabriu os olhos, vendo Rafael se aproximar novamente do grupo.

-Não temos muito tempo.

-Que porra são vocês e por que vocês estão envolvidos nisso? Você não tinha desaparecido por aí? E você? -Ele indicou Rafael com a cabeça. -Não era você que estava matando seres sobrenaturais antes de voltarmos da morte e seu filho te colocar no seu devido lugar?

Alguns deles observaram Rafael com as faces fechadas, sendo CL a que menos se importava em demonstrar seu desconforto com aquilo.

-Somos a força que luta contra quem quer eliminar a ordem e seres sobrenaturais, Isaac. Lutamos contra humanos e outros seres sobrenaturais, que queiram extinguir raças ou cometer “crueldades” contra quem não deve. -Mason explicou. Ele mantinha a pose ereta e sua voz era totalmente passiva e firme. Realmente impunha uma força de líder ao seu redor.

-É uma história complicada, mas eu os encontrei quando salvei Dáli. -Melissa indicou com a cabeça o ruivo alto. Isaac voltou a observá-lo por alguns instantes. Dáli era seu nome… Isaac pensou. Seria bom sabê-lo ao forçá-lo a jogar as cartas na mesa.

-Existem mais inimigos além de Marcus, Isaac. -Hayden falou. -O exército, inacreditavelmente, é algo como uma fachada. Os genes sobrenaturais são mais requeridos do que pensávamos… E eles querem isso para eles mesmo usufruírem, como arma… Você sabe!

-Por mais que sejamos cautelosos, eles são expertos, eles já sabem que você está conosco. Quer dizer, que nós estamos com eles agora…. E mesmo se não estivéssemos, iriam nos caçar de qualquer jeito. -Jackson constatou.

-Pessoal, não há tempo! -Rafael repetiu. -Marcus e Stiles já estão se locomovendo para fora da cidade. Ele realmente vai se sacrificar se não o determos…

-E os nossos amiguinhos também estão se aproximando. É melhor nos apressarmos! Temos que buscar todos os seres sobrenaturais e os tirarmos daqui. -A menina latina disse.

Isaac queria melhores explicações, mas o tempo gritava o final e o deixava ansioso para agir. Tinha que impedir Stiles… Pelo menos uma vez tinha de fazer a coisa certa.

Agora que não estava mais sozinho, acreditou em suas chances de viver como maiores do que 50%, o que lhe deu um choque de energia.

-O que tenho de fazer?

-* - ABERTURA - *-

Tudo estava calado.

Ele estava no chão, com seus olhos fechados e totalmente imóvel, porém ele estava consciente, não ouvindo nem sequer um passo nas proximidades do quarto de hospital.

Liam não se movimentou um minuto sequer, o que deixou Scott preocupado. Tudo que queria era que ele acordasse e estivesse bem, e foi o que pensou que aconteceria após tudo se tornar pó em sua cabeça.

Ele havia o beijado… Scott pensou.

Conforme deixava sua mente descansar, não podia deixar de notar que algo parecia diferente… Mas ele não soube dizer o que era.

A sensação era estranha e nem sequer durou muito. Em poucos segundos ele nem sabia de onde tinha vindo aquele sentimento, porém o momento em que pensou estar esquecendo de alguma coisa partiu, deixando ele completamente no branco.

Tudo havia acontecido… Mais uma vez o alfa estava ali, agradecendo por estar acabado. Finalmente poderia seguir com sua vida, poderia lutar… Poderia cuidar de sua esposa e de sua filha.

Ao pensar na filha se lembrou dos tempos em que discutia com Stiles sobre se teria filhos ou não. Stiles afirmava que queria vários, o que era compartilhado por Scott. Porém sua condição financeira nunca o permitiu tirar os pés do chão. Não tinha dinheiro para criar muitos filhos, pelo menos não de uma vez.

Lydia seria sua pequena e única filha por um bom tempo, pelo menos até Scott ter se estabilizado totalmente em sua profissão.

Se tudo desse certo seria um lutador bom e ganharia campeonatos que lhe dariam uma boa grana.

Sentiu-se infeliz por Stiles não estar ali para ver as coisas acontecerem. Já iriam se completar quase dois anos desde que o acidente o levou junto a Lydia Martin. Um acidente que lhe tomou duas das pessoas mais importantes…

Nunca imaginou que acabaria sendo tão amigo de Lydia, mas ali estava ele, se lembrando dos bons momentos que teve antes que a tragédia acontecesse.

Decidiu afastar os pensamentos ruins e se levantou. Olhou para Liam e ele ainda dormia. Pelo menos ele estava vivo…

Scott tocou seus próprios lábios e no instante seguinte franziu o cenho. Por que estava fazendo aquilo? Por que estava sentindo aquilo?

Respirou fundo e observou Liam uma última vez antes de se virar para sair do quarto. Se sentia imponente tendo de apenas esperar que Liam acordasse de seu coma, sem poder fazer nada. Tinha tentado tanto…

O alfa não imaginava que sua mente estava trabalhando para criar memórias ilusórias a partir do que seus olhos viam. Tudo estava confuso e estava difícil para poder encontrar uma razão para o corredor parecer tão macabro ao não ter uma pessoa viva sequer.

As luzes piscavam de vez enquanto e sua respiração era tudo que escutava.

Scott sabia que ainda tinha poderes. Pelo menos aquilo ainda existia para si, mas já não era a mesma coisa.

Os acontecimentos dos últimos meses e anos eram um borrão que pouco a pouco se clareava de uma forma diferente. De tudo, ele conseguia afirmar apenas uma coisa: Estava cansado.

Então surgiu a ideia de simplesmente parar de procurar o que procurava. Para ele, entender era uma tarefa que não valia tanto a pena naquele momento. Só queria parar…

Lutava contra si mesmo enquanto caminhava pelo corredor, a procura de uma alma viva, considerando o que devia fazer e quem devia procurar.

Allison. Ele devia estar com Allison.

Parou subitamente quando percebeu de relance um grande quadro cheio de nomes. Eram daqueles que um dia haviam trabalhado ali.

Curioso, voltou-se para o quadro e de imediato procurou o último nome.

“Melissa McCall”.

Seu coração se acelerou, quando a questão veio a sua mente de forma instantânea. Aquilo não fazia sentido… Por que se perguntava tantas coisas que devia ter certeza? Havia algo errado!

Ele ficou olhando para o nome da mãe, abrindo e fechando suas mãos por conta do nervosismo.

Respirou fundo e tão subitamente quanto veio a dúvida se foi. Mais uma vez a sensação de esquecimento se esvaiu e Scott não sentiu mais como se o mundo fosse um quebra cabeças com peças faltando. Tinha chegado perto, porém a força do poder sobrenatural de Marcus era forte demais para falhar.

Ainda assim, o efeito no alfa era um pouco mais lento, desde que sua força parecia absurda.

A impaciência que tinha brotado em seu peito então pareceu sem razão. “Preciso mesmo de um descanso”, ele pensou.

Sua mãe havia decidido viver sua vida, era isso! A coisa mais certa e que Scott apoiara com todo vigor. Sua mãe estava vivendo sua liberdade com seu dinheiro soado. Dinheiro que ainda tinha insistido em deixar uma parte gorda para Scott.

Pareceu tão engraçado… Por causa do dinheiro que os Argent possuíam e aquele que sua mãe havia deixado para si, o financeiro não seria um grande problema. Mas ainda assim, Scott não relaxaria e nem desistiria da sã ideia de não ter mais filhos por um tempo. Era o melhor. Não era?

De repente e finalmente, passos ecoaram as suas costas e alguém entrou no mesmo corredor que ele.

Scott se virou e o viu de pé, os olhos abertos e a expressão tão curiosa quanto a sua própria.

Sem falar nada, Scott deu passos largos em direção a Liam, que por reflexo recuou alguns passos.

O alfa ergueu os braços e parou, querendo mostrar para ele que não era uma ameaça e que estava tudo bem.

-Eu sou seu amigo! Não precisa se preocupar!

Liam arqueou as sobrancelhas, ainda desconfiado. Ele tentou fortemente, mas ainda assim não conseguiu… Não sabia quem aquele homem era.

-Como você está se sentindo? -Scott perguntou.

O jovem menino desviou o olhar para os lados, tentando se localizar. A sensação era péssima, não entendia nem sequer por qual razão não conseguia se lembrar de nada.

Fechou os olhos e esfregou a mão na face. Respirou fundo e tentou se lembrar das coisas básicas.

“1… 2… 3… A, B, C. Eu sou….. Eu sou….”, sentiu-se nervoso, não conseguia lembrar seu próprio nome. Reabriu os olhos já os arregalando, os direcionou para Scott que não sabia o que fazer.

“Eu sou...”. Tentou mais uma vez. Falhou feio, o que o fez se sentir mais decepcionado.

-Liam…

-Liam! -Ele repetiu seu nome quando Scott o disse. -Esse é meu nome? Esse sou eu?

Scott sentiu seu coração acelerar novamente.

* - * - * - * - * - * - *

Marcus fazia o corpo da menina ir flutuando logo a frente. Davam passos lentos, caminhavam sem trocar sequer uma palavra.

O sentimento era mórbido e aquilo era demonstrado tanto no olhar de Marcus quanto na atitude fria de Stiles.

Conseguia ouvir um relógio em algum lugar. Tick tock, contando seus minutos finais. Poderia mesmo ser um relógio… Um despertador. Que o acordaria de um sonho ruim…

Talvez estava em um coma. Talvez fosse como alguns fãs teorizavam com Rick em The Walking Dead. As vezes Stiles se perguntava se tudo era de fato real… Porém eram em momentos como aquele que a realidade gritava em sua face.

Stiles não tinha mais tempo para pensar naquilo. Não tinha mais tempo para si. Sabia muito bem que fazia aquilo pelos outros…

O que poderia dizer? Era assim que as coisas eram.

Marcus parou e olhou para si. Aquele era o lugar… Era ali que morreria.

-Não vai demorar muito. Eu prometo.

-Isso faz diferença?

Marcus o observou com curiosidade de repente.

-Você ainda tem fé Stiles?

Stiles desviou seu olhar dos olhos do bruxo. Respirou fundo e sentiu o vento que cortava a avenida.

-Por que eu não teria? Culpar Deus pelo que o ser humano faz é a verdadeira burrice, não acha?

Marcus não o respondeu, mas continuou o encarando da mesma forma que sempre havia o encarado, antes da batalha acontecer. Com uma admiração grande demais.

Stiles sabia onde aquele admiração estava levando… Não era iludido mais por teorias da conspiração sobre o poderoso feiticeiro das trevas que estava a sua frente.

-Deus dá a liberdade ao homem. O homem quer liberdade… Mas quando algo de ruim acontece culpa a Deus por não se interferir, mesmo ele sempre estando lá, mudando as coisas em momentos diversos do tempo. -Stiles colocou as mãos no seu bolso, dizendo tudo com uma sinistra convicção, sem aparentar em momento algum que caminhava para o abate. -O ser humano é uma máquina de culpar tudo menos a si mesmo. Tão curioso, não é mesmo? Você reconhece seus erros?

Marcus foi pego de surpresa, não esperava que Stiles fosse render uma conversa ou até mesmo perguntar algo para si.

-Pra mim mesmo, sempre… Para os outros, nem sempre tenho tempo de o fazer, já que eles acabam mortos.

-Eu imaginava.

-Então acredita num paraíso? Acredita que está indo pra lá?

Stiles refletiu por alguns segundos, pensando em sua vida num geral.

-Bem… -Ele sorriu irônico. -Se eu não for, pelo menos eu morri acreditando o contrário. Mas não creio que isso seja ilusão minha, caso contrário nem existiria a possibilidade de eu parar em algum lugar bom após a morte. Se vocês mesmos conseguiriam criar uma espécie de pós-morte temporário, por que não haveria um pós-morte real e eterno onde eu possa ir?

-Claro… -Marcus sorriu brevemente.

Caminhou até a filha e observou seu rosto novamente.

A menina estava vestida dos pés a cabeça de preto, tirando a capa vermelha, que Stiles achara interessante.

Marcus não queria que a filha só fosse, mas vestia-a para também aparentar ser poderosa.

Olhou para Stiles e o jovem se aproximou.

Era a hora do show.

* - * - * - * - * - * - *

Dáli estava feliz por Isaac ter o escolhido para irem em busca de Cora e os outros Hale. Claro que estranhara, já que o loirinho sempre o olhava da pior maneira possível, porém dava crédito, tinha sido o mesmo com Bill…

Linda estava ali também, reforçando o grupo. Isaac, em alguns momentos, trocava algumas palavras com ela, mas na maioria do tempo o que fazia mesmo era ignorar os olhares abismados de Dáli.

Mas o que o ruivo poderia fazer se era tão inacreditável assim!? Não conseguia se conter e Linda, a garota de traços latinos, conseguia entender o porquê.

-Ele vai acabar cortando seu pescoço se continuar o encarando desse jeito, Dáli!

A menina disse em um volume baixo. Estavam tentando localizar os Hale, mas nem a clínica e nem a casa de Scott McCall estavam habitadas.

Estavam agora em um beco, enquanto Isaac tentava sentir o cheiro de Cora. Tentava se lembrar de onde eles estavam, onde a casa era ou se ainda estavam no hotel.

As ruas estavam totalmente vazias, coisa de Marcus, ele tinha certeza.

Quando ouviu o que Linda disse, virou-se e percebeu Dáli o encarando mais uma vez. Dáli suspirou.

-Quando tivermos tempo, conte a ele, ou então vai parecer que está querendo-o nu.

Isaac terminou de se virar de uma só vez, seguindo em direção ao homem ruivo. Jogou sem antebraço contra seu peito, o empurrando e o prensando na parede.

-Qual é a sua comigo? O que tem de me contar? Porque sinceramente, parece muito estranho uma pessoa que nem sequer me conhece direito ficar me olhando insistentemente dessa forma.

Dáli não pode conter o sorriso mais uma vez. Mas seu sorriso teve um toque triste dessa vez.

Isaac se irritou de novo.

-Rapazes, não é o momento!

-Vocês os encontraram? X! -A voz de Melissa soou no rádio comunicador portátil.

-Ainda não. X!

-É melhor se apressarem. X!

X era o câmbio que haviam escolhido dizer, logo depois que Linda começou a se irritar com aquela mesmice da palavra padrão, o que tinha ocorrido há algumas missões atrás. Desde então, em toda missão fazia com que sua equipe trocasse câmbio por qualquer palavra ou letra aleatória.

Mason não se importava, até mesmo chegava a achar inovador e engraçado, mas CL classificava aquilo como uma besteira sem tamanho.

Linda as vezes nem acreditava que era melhor amiga dela. Eram tão diferentes… CL não tinha papas na língua para nada, porém mesmo que criticasse algumas de suas “besteiras”, sempre acabava fazendo. Por insistência e pela amizade delas.

-Anda, fala!

-Ok! -O ruivo enfim usou sua força e afastou Isaac. Sem brutalidade.

Isaac o olhava sério, as mãos posicionadas no quadril e os olhos as espera do que quer que fosse.

-Não posso me conter quando o irmão gêmeo do meu melhor amigo morto está bem a minha frente. Vocês são idênticos, Isaac. Os três devem ser por sinal!

Isaac sentiu seu estômago revirar de imediato. Um frio subiu dos pés a cabeça e o lobo teve certeza que o choque ficou mais do que aparente em sua face, el conseguiu senti-lo também no corpo.

De repente ele precisava se abaixar para não ter de cair. Precisou respirar fundo e lidar com a ideia absurda.

-Que mentira descarada…

-Se acha, porque está reagindo assim então? Sei que é difícil, foi para Bill também. Na verdade, ele chorou por horas até dormir.

Isaac fechou os olhos e respirou fundo. Sem conseguir organizar os pensamentos. Se viu totalmente perdido, quase ouvindo a risada maligna de seu pai de novo.

Depois de tudo, ele estava vivo de novo em sua vida. Mas… será que ele era mesmo seu pai?

-Isaac, eu sinto muito por só descobrir isso agora e só depois de um dos seus irmãos estar morto, mas precisa ser forte. Nós temos muito menos tempo do que acha.

Dáli se aproximou e Isaac pela primeira vez não reagiu mal. O ruivo o puxou para cima com cuidado e o segurou por um bom tempo, até que o lobo se soltou e decidiu andar.

Como conseguiria se concentrar? Ele não soube.

Isaac não sabia mais nada de sua vida. Estava assistindo a tudo se desfazer mais uma vez.

-Vamos lá, eles podem estar no hotel. -Disse enquanto limpava com as costas das mãos algumas lágrimas que estavam prestes a escorrerem de seus olhos.

Não hoje. Ele não choraria.

* - * - * - * - * - * - *

Marcus dizia as palavras do feitiço de uma forma rápida e quase cantada. Seus olhos estavam fechados e suas mãos estendidas sobre o corpo, que agora jazia no chão.

Stiles continuava em pé, apenas observando aquilo, começando a se sentir nervoso novamente.

TICK TOCK, TICK TOCK. As batidas de seu coração eram as batidas do relógio e estavam mais aceleradas do que nunca.

Seus dois punhos estavam cerrados, mas sua face continuava fria.

O vento começou a correr mais rápido e as nuvens estavam mais escuras e sombrias.

As luzes ao redor começaram a piscar sem limites após alguns minutos. O feitiço era longo e ouvi-lo dava arrepios no humano.

Marcus havia deixado aos seus pés a adaga que usaria para tirar sua própria vida para dar à Andy. Dera apenas um olhar a ela e vira as marcas estranhas que nela estavam cravadas.

TICK TOCK, TICK TOCK. As batidas estavam mais altas em seu ouvido. A adrenalina estava tomando seu corpo. Estava difícil continuar com sua frieza.

TICK TOCK, TICK TOCK. Onde estava toda a confiança que Stiles, com muito esforço, havia juntado para aquele momento?

* - * - * - * - * - * - *

Jackson observou Viktor, observando o nada, logo ao lado de Ethan e Aiden.

CL os observou curiosa.

-Estão em um tipo de transe! -Jackson afirmou. Estalou os dedos algumas vezes na frente da face do irmão, mas nada. -O que iremos fazer?

CL não o respondeu. Pensou por alguns instantes e então deu uma forte cotovelada na lateral da cabeça de Ethan.

O gêmeo levou a mão a cabeça na hora, dando alguns passos para trás, totalmente alarmado e sem entender o que tinha acabado de acontecer.

-Mas que porra foi isso? Quem diabos é você e por que me socou? -Ele ralhou com ela, totalmente indignado.

O ignorando também, CL tratou logo de socar a cabeça de Ethan e Jackson. Enquanto os três se recuperavam das pancadas, a mulher asiática pôs-se ao lado de Jackson, abrindo um breve sorriso ao notar que Jackson quase ria da situação.

-Assim! -Ela respondeu.

-Assim! -Jackson movimentou a cabeça com vontade, concordando.

-Onde você estava? -Viktor se aproximou, com o nariz escorrendo sangue.

Jackson o observou ainda com um sorriso.

-Eu estava encontrando nossa ajuda…

Viktor voltou seu olhar para CL.

-Bela ajuda. -Aiden reclamou de onde estava.

CL o observou sem vontade alguma, logo em seguida encarando Viktor e estendendo a mão para o cumprimentar. Ela tinha um aperto forte, o lobo notou aquilo.

-Sou CL. Uma das responsáveis pela Missão X, que veio resgatá-los.

-Nos resgatar? -Ethan não compreendia.

-Explicaremos no caminho, agora precisamos sair da cidade. -Foi a vez de Jackson responder. -Vocês só têm de confiar em nós, ok?

Como não havia outra opção e as coisas estavam bem confusas nas mentes dos três, eles decidiram confiar e partiram da casa estranha em que estavam. Não sabiam como haviam chegado até ali, nem o porquê… Porém podiam esperar para entender.

* - * - * - * - * - * - *

Não tinha sido difícil encontrar sua família, Derek estava se preparando para ir em algum lugar com eles, estava com um comportamento estranho, assim como sua mãe e suas irmãs.

Pensou que os encontraria com o pé atrás por conta dos tiros, que o encheriam de perguntas e que se voltariam contra ele rapidamente, porém não foi isso que aconteceu.

O mais estranho foi quando ele perguntou de Stiles para o filho e ele o observou como se fosse um louco. Derek achou que ele estava brincando, o que não compreendeu, porém deixou fluir, não tocando mais no assunto.

Então o tal vilão tinha conseguido domá-los, ele imaginou.

Abraham estava aliviado, vendo que tudo seria mais fácil.

Entrando no jogo, eles os apressou e disse que iria junto com eles, fosse lá onde estavam indo.

Saíram do hotel e o general logo tratou de os conduzir para a saída da cidade, como havia planejado.

Logo mais tropas estariam ali e finalmente Abraham acabaria contudo. Por um momento, vendo-os ali reunidos dentro do carro e Derek em sua moto os acompanhando o fez ter pena deles, que finalmente haviam lhe cedido uma oportunidade.

Abraham não riria na cara deles, até porque desde que seu filho havia dado sua própria vida por conta da coiote, não tinha muita vontade de ficar sorrindo ou dando risadas por nada. Mas ainda assim falsificava umas.

Theo era seu filho… E somente ele. E aquela cidade estúpida o tirou dele.

Theo havia se sacrificado por amor e o General se sentia bravo consigo mesmo por não tê-lo impedido. Tudo por conta daquela missão.

Havia dado todas as suas forças e aquilo que se importava para fazer aquilo funcionar.

Abraham estava puto e cansado e queria voltar logo para casa, deixando que o resto fosse feito quando estivesse descansado.

Sabia que os odiariam por um longo tempo. Porém nem sequer sabia se vivos eles ficariam por muito tempo, então não se importou.

Abraham tinha contado as mentiras até para si mesmo, adotando a tática que fizera tudo parecer verdade.

Lá estava ele, levando seus filhos e sua ex-esposa para o poder do exército. Só lhes restava a escolha se fariam de lá sua nova casa ou o lugar onde seriam aproveitados e eliminados.

Sim, Abraham estava sendo daquele tanto frio. Não tinha mais tantas razões para se importar.

Inclusive, pensar no filho o fez se lembrar de Malia. A encontraria e a tomaria certeza que a vida do filho não fosse jogada em vão… Ela estava muito enganada se pensava que estava livre dele.

Onde quer que ela estivesse, ele iria encontrá-la.

* - * - * - * - * - * - *

Mason e Hayden adentraram o hospital e viram logo na entrada todas as pessoas paradas como se fossem estátua, sem reação nenhuma.

A garota ainda estava surpresa por vê-lo. Toda vez que o encarava parecia irreal demais, isso por conta de tantos anos que se passaram e que ela aceitou a ideia de que ele estava morto.

Agora era o pai que jazia a sete palmos dentro do chão e o irmão que estava vivo, ali, para dar a ela o suporte.

Mason era muito mais experiente e forte do que a última vez em que se viram. Era de fato um líder e ela tentava entender como ele conseguiria fugir e se manter vivo.

Ele dizia que quando estivessem livres daquela missão e em um lugar a salvo, contaria tudo que ela precisasse saber. Depois de décadas, esperar algumas horas não lhe era problema.

Só queria acabar com aquilo logo e era por isso que estava ali no hospital.

Ele seguiram o senso de lobo e partiram andares acima, sentindo o cheiro que Liam e Scott exalavam.

-Melissa, Rafael! Seu filho está no hospital! X! -Mason os informou rapidamente.

-Como sabe o cheiro dele? -Hayden se viu curiosa.

Mason sorriu.

-Estamos por perto a mais tempo do que imagina irmãzinha.

-Por que nunca apareceu então? Por que não se mostrou ao papai?

Mason lhe lançou um olhar triste e sério.

-Acha mesmo que eu não queria ter estado aqui, lutando por vocês? Eu não luto só por mim irmãzinha, eu represento toda uma Força. Também sofri ao vê-lo morrer junto aos outros, mas não consigo estar em mais de um lugar diferente e nenhum de nós era pário para aquela barreira.

Entraram no último corredor antes daquele em que o quarto de Liam ficava e se Mason se apressou.

-Vamos, não temos muito tempo. Precisamos de foco agora!

Hayden não o respondeu. Só conseguia pensar no quão diferente ele estava.

Viraram no corredor e sem pestanejar, a jovem abriu a porta do quarto onde Liam estava.

-Mason, estamos nos encaminhando para onde Stiles está! Tentem ser rápidos com Scott e Liam… Scott vai querer se despedir de Allison. X! -Melissa respondeu no exato momento em que Hayden adentrava o local.

Liam estava sentado na cama e Scott a sua frente.

A imagem dele acordado fez Hayden parar de imediato. Mason quase trombou com a irmã, mas conseguiu se desviar no último instante.

A voz da mãe chamou a atenção de Scott imediatamente, que arregalou os olhos para ele.

Liam se virou lentamente para observá-los, mas diferente do que Hayden esperava, não fez mais do que aquilo. Apenas os encarou confuso.

-Você acordou! -Ela disse ao mesmo tempo que um suspiro aliviado escapava de si.

-Ótimo! Isso faz com que sejamos mais rápidos! -Mason se aproximou de Scott. -Sou Mason, Scott McCall. Estou aqui como uma ajuda, logo vocês vão entender. Mas agora só precisam vir comigo, eu explico no caminho.

-Por que minha mãe estava falando com você por aquele rádio comunicador? -Foi tudo o que conseguiu dizer.

* - * - * - * - * - * - *

Marcus estava falando tudo de forma mais acelerada ainda. Mais rápido do que Stiles podia imaginar um rapper cantando.

Tinha perdido a frieza a poucos segundos, quando começara a movimentar um pouco mais o corpo.

Resolvera pegar a adaga e se acostumar com seu cabo.

Trocava-a de mão constantemente e cada vez mais veloz também. Cada vez mais inquieto.

Resolveu imaginar que aquilo era bom, que estava gastando toda sua agonia antes da hora H. Porém com os minutos se indo embora ele passou a considerar que ao invés de diminuir aquilo só aumentava.

Era sua reação humana, não era fácil morrer.

Pior do que ouvir o feitiço de Marcus foi ouvir o silêncio abrupto que surgiu quando ele do nada parou.

O bruxo olhou para si então, depois de muito tempo, o encarando e tendo Stiles o encarando alarmado de volta.

Achou que o homem iria dizer algo, porém o que aconteceu quase matou o humano do coração.

Do nada, uma fumaça negra começou a exalar de Marcus, aumentando gradualmente conforme os segundos se passavam.

Ela começara a formar uma espiral ao redor, se juntando ao forte vento.

Marcus gritava, aquilo parecia ser bastante doloroso. E de fato era assustador, por após pouco tempo começou a ver outras espirais, em colorações diferentes, subirem ao céu em diferentes pontos da cidade.

Stiles não conseguia compreender, mesmo com seu pensamento rápido, não tinha ideia do que acontecia e nem conseguia chutar alguma resposta.

Se ajoelhou e passou a respirar fundo continuas vezes, tampando os ouvidos, tentando se concentrar em se acalmar e não ter um ataque de pânico.

Stiles não sabia, mas o que Marcus fazia não causava dor somente a ele.

* - * - * - * - * - * - *

Antes que o feitiço do bruxo acabasse de ser pronunciado e começasse as desgraças de vez, Jackson se esforçava para tentar direcionar o irmão e os gêmeos no que acontecia.

CL o ajudava, mesmo que em alguns momentos se mostrasse mais interessada em apenas sair daquela cidade, em silêncio.

-Está me dizendo que vamos ser caçados? Pelo exército? -Ethan estava, surpreendentemente para o irmão e o amigo, mais alterado do que imaginavam. Para ele, aquilo tudo parecia ruim demais para ser verdade. Sempre um problema a mais aparecendo e nunca um momento de paz… Aquilo já estava começando a irritá-lo acima do normal.

-Basicamente, já estão sendo. Ou vocês acham que as merdas que aconteceram nessa cidade não foi alerta o suficiente para eles encontrarem vocês? Uma raça inteira foi extinta aqui! -CL disse aquela última frase de forma bastante irônica. -Você e sua namorada geraram o apocalipse, amigo! -Ela disse, lançando um olhar rápido a Viktor.

-E já estamos pagando por isso, obrigado! -Ele respondeu de imediato.

-Não estou lhe criticando. Apesar de que vocês merecem… Não… Na verdade estou sim. Não posso mentir!

Jackson achou aquela última um pouco dura demais e então resolveu interferir.

-E é por isso que eles vieram para cá.

-Como você os encontrou, Jackson? -Aiden perguntou e o irmão voltou a olhar para ele, também esperando saber.

Jackson se sentiu culpado, mas não podia esconder do irmão. E pelo seu olhar Viktor já imaginou a resposta. Pareceu desapontado.

-Depois de tudo que eu fiz, que a gente fez, para ficar junto, você ia mesmo partir?

-Você olha para mim e lembra dela, não é?

Suas memórias estavam confusas, desde que Jackson não tinha sido afetado pela modificação. Estavam brigando e talvez possuíam versões diferentes dos fatos… O irmão mais novo sabia da verdade e ela estava fazendo a cabeça dos três darem voltas com a procura da verdade. Ainda assim… Em sua realidade montada, Viktor se sentia bastante irritado com Jackson por simplesmente partir. De alguma forma ainda havia sido doloroso o caminho até ali. Era como sua cabeça se adaptava a Jackson e suas palavras.

-O que? -Viktor disse aquilo de forma confusa.

-Desculpa te decepcionar irmão, mas esse lugar não é o meu. E eu vi que você tem companhias melhores do que a minha!

Viktor bufou.

-Não precisa se preocupar mais com isso… Vamos ficar juntos agora. Parece que eu estava errado!

-Se toda a luta que nós tivemos não foi preço o suficiente para no final eu estar aqui com você, então eu não sei o que vai ser.

-Está sendo injusto! -Jackson rebateu.

-Ah vai se fuder, Jackson.

-Viktor! -Ethan segurou seu braço, forçando-o a olhar para si.

Jackson sentiu raiva por alguns instante, porém teve de entender o lado do irmão e reconheceu a culpa.

-Você pode odiá-lo depois, mas agora… Eu realmente quero sair dessa guerra maldita que não nos deixa viver. A não ser que queira que um de nós, ou todos nós acabemos como armas ou cobaias do governo, sugiro que respire fundo e deixe essa discussão para depois.

Toda conversa havia acontecido enquanto caminhavam por uma das ruas desertas, em direção a saída da cidade, onde a base do grupo de resgate estava estabelecida. CL sempre caminhava a frente e quando ouviu Ethan dizer aquilo, fez questão de se virar e dizer:

-Eu realmente gosto de você, amigo!

Ethan sorriu para a mulher, porém naquele exato instante a explosão de dor o fez perder a voz e a respiração.

Não só ele, mas Jackson, Viktor e Aiden compartilhavam de sua desgraça, o que fazia parecer ainda mais assustador.

E quando suas essências sobrenaturais começaram a serem arrancadas de si como fumaças de cores e tonalidades escuras, eles foram ao chão, torturados.

Os ex-híbridos se lembraram da dor do momento da extinção, daquela terrível madrugada.

Mais uma vez não havia como fugir do que a vida lhes preparava.

* - * - * - * - * - *

Hayden ainda olhava para Liam incrédula quando tudo aconteceu. A dor veio, a gritaria irrompeu e a vida pareceu estar sendo-lhe tirada novamente.

Pareceu a noite da batalha… Pareceu novamente a extinção e mal sabia ela que era uma. A extinção do sobrenatural no perímetro de Beacon Hills.

Estavam descendo pelas escadas a todo vapor, Liam não tinha muito compreensão das coisas, mas se agarra a presença de Scott como um voto de segurança. Sentia que podia confiar nele, mas não entendia nada do que estava acontecendo e não entendeu porque tudo começou a doer do nada, nem porque uma fumaça negra saiu de si e de Scott. As cores roxo escuro e vermelho escuro escapavam de Hayden e Mason respectivamente, mostrando a verdadeira tonalidade de seus poderes e quem eram…

Mason entendeu aquilo, mesmo sem chances para pensar direito.

-ELE ESTÁ TOMANDO NOSSO SOBRENATURAL! -Mason gritou quase num rosnado.

As fumaças subiam pelo ar, atravessando o teto e as paredes, tornando aquela cena que protagonizavam mais horripilante.

Dentre todos, Scott era o único que não soltava um som sequer além do de sua respiração acelerada. Seus olhos brilhavam e apagavam descontroladamente e uma sequência absurda de sentimentos diferentes foi passando em si, cada vez mais intensos.

Scott estava tendo seus olhos abertos pois era o que a mágica, que antes mexia com sua cabeça, já não tocava mais. Ele só pensou em uma pessoa que pudesse estar fazendo aquilo… Marcus.

Em meio aquele processo, Scott pode dizer que a pior parte de si apareceu várias vezes, sedento de sangue, sentindo-se irritado a um level absurdo ao quadrado.

-Por que ele mexeu em nossas memórias? -Scott enfim disse, rangendo os dentes de ódio e dor.

-É um acordo de Stiles para vocês viverem bem….

Scott lançou a Mason um olhar arregalado, surpreso e surpreendentemente nervoso.

-Stiles!?

-Ele vai se sacrificar Scott! -Hayden respondeu em meio a um gemido de dor.

Liam se contorcia ao lado de Scott, quase enfiando a mão no próprio peito para arrancar seu coração e acabar logo com aquilo. As coisas estavam realmente ruins.

Scott se arrastou mais para o lado e tomou a mão de Liam, o fazendo olhar para ele.

Se esforçou para dizer aquilo e parecer real, buscando convencer pelo menos ele, que não se lembrava de nada:

-Vai ficar tudo bem… Não pense sobre isso, tem acontecido nessa cidade. Você terá que confiar em mim, ok?

-OK! -Liam gritou, sofrendo. Estava totalmente impaciente com sua situação e com todas as perguntas que fazia. Se não sabia nem quem era, como iria entender tudo aquilo simplesmente do nada!? Nada daquilo parecia bom para ele… Talvez ele não queria se lembrar do que não era bom. -FAÇA ISSO PARAR!

Ele apertou a mão de Scott, que sem se importar, o permitiu quase esmagar sua mão enquanto seus poderes de lobo eram arrancados de si.

Com poderes ou não, uma parte de si finalmente se saciaria de sangue aquela noite.

* - * - * - * - * - * - *

As mulheres Hale gritaram de susto dentro do carro quando simplesmente Derek perdeu o controle de sua moto e caiu bem a frente do carro.

Abraham teve de se virar para não acertá-lo e ao finalmente conseguir parar o carro a uma distância mínima do filho e sua moto, não compreendeu o porquê delas estarem gritando daquela forma, como se estivessem sofrido acidente elas mesmas e quebrado todos os ossos de seus corpos.

Saíram do carro e praticamente se jogaram ao chão, sem terem tempo de checar se o filho e irmão estava bem.

Derek também se contorcia no chão… E assistiu sua essência branca sair de si causando ainda mais dor. Ele nascera daquela forma, aquilo era o que ele era e então estava sendo arrancada de si.

O lobo Hale recebeu as memórias como quem recebia um tiro. Lembrou-se de Stiles falando consigo e de Marcus aparecendo na veterinária…

Derek estava se perdendo conforme aquela fumaça saia de si e por isso estava desesperado.

Não pode ver, mas chutou que não era o único. Sua família também gritava, sua família também perdia parte de si.

Depois de muitos anos de vida, aquele era o fim dos lobos Hale!

* - * - * - * - * - * - *

Kira havia finalmente dado suas caras, junto a sua mãe, para poder resolver de vez com Allison tudo que as envolvia, há pouco tempo, em tentativas falhas de assassinato.

Não puderam conter o momento estranho, mas a jovem guerreira a frente da grávida assegurou que sentia muito. Mesmo que a garota estivesse prestes a sair da cidade e praticamente sumir por aí, com a ajuda de algumas palavras incentivadoras de sua mãe, não pôde partir sem antes resolver seu último problema.

E era exatamente isso que aconteceria… Se Marcus não tivesse parado tudo e os colocado em um transe total com a maior facilidade do mundo.

A pior parte era que elas, Noshiko e Chris não tinham a menor ideia daquilo.

O tempo foi se passando, as coisas no mundo lá fora foram acontecendo, Malia chegou a passar na casa, mas como não tinha ninguém, resolveu partir mesmo sem dar adeus, pensando em mandar qualquer tipo de comunicação depois.

E então a vez deles chegou e Marcus estava lá através de seu poder, para mexer em suas memórias, assim como estava fazendo com todos.

E foi então, que uma reunião para fazer as pazes se tornou em uma visita a amiga grávida antes de uma partida, em mudança para um novo estado, onde sua mãe teria conseguido um emprego que pagasse muito bem.

Tudo em suas cabeças funcionava para adaptar os fatos da melhor forma, apagando momentos dolorosos demais e os substituindo por razões em que o sobrenatural não fosse o foco total.

As coisas estavam funcionando e Kira e Noshiko estavam prestes a partir quando tudo aconteceu.

A mesma dor que atacava aos outros seres sobrenaturais também as pegou de jeito, surpreendendo Chris.

Porém algo mais havia… Dentro da barriga de Allison, onde a bebê de crescimento anormal, filha de uma humana com um lobisomem também se envolvia no processo.

A dor também atacou Allison, pois diferente de ter uma essência nem sequer totalmente completada arrancada de dentro de sua barriga, ela sofreu algo mais assustador.

Viu que toda a parte que revestia e protegia o bebê aumentava de tamanho numa velocidade absurda, tornando aquilo uma imagem aterrorizante para ela.

A caçadora não era burra. Ver duas dos seres sobrenaturais se contorcendo no chão de seu quarto, enquanto fumaças negras saiam de seus corpos para sumir em seu teto não lhe dava ideia de coisas boas.

Carregava uma criança como gene sobrenatural… E ali, naquele instante, morava sua preocupação mortal.

De algum jeito, aquilo que afetava Kira e sua mãe, também afetava sua filha e então lhe afetava automaticamente.

A gravidez estava sendo acelerada e o corpo de Allison não estava pronto para lidar com aquilo.

Ela começou a chorar em desespero, mais por sua filha do que pela dor que sentia. Não demorou muito para sua bolsa estourar.

Chris tentava entender tudo aquilo e ajudar sua filha ao mesmo tempo, porém se via totalmente impotente, o que acabou por desesperá-lo também.

Ele tinha de fazer algo… Ele teria de fazer o parto de sua neta… Ele devia salvar sua filha, mas não tinha ideia de como o faria.

Pela primeira vez em muitos anos, Chris Argent orou.

* - * - * - * - * - * - *

Dáli não teve outra opção a não ser pegar Isaac nos braços. Tinha de correr, tinha de sair dali… Algo havia dado errado e não podiam ficar a deriva no perigo.

Os outros gritavam no rádio comunicador, revelando que algo estava tomando os poderes sobrenaturais naquela cidade e tinha um nome: Marcus, o bruxo.

Os planos então estavam mudando subitamente. Melissa teve de pensar rápido e acabou por mudar seu curso até uma localidade onde pudesse encontrar com os três.

Ele então viu qual seriam os novos planos sem qualquer dificuldade. Seria mais rápido e melhor para todos… Não havia mais a necessidade de fazê-los fugir se eles não possuíam mais o que o governo tanto presava. E mesmo que tiveram contato com eles, logo tudo seria apagado, não estava certa?

Eles não os entregariam e mesmo assim, nem tinham informações o suficiente para o fazer. Entre todos, o único que possuía a escolha era Jackson, desde que não era obrigado mais a partir com eles.

Os outros precisavam se manter a salvo de toda aquela guerra.

Naquele tempo em que havia ficado fora e acabado em meio aquilo tudo, na parte mais profunda e mundial da guerra sobrenatural, entendera aquilo. Seu filho não tinha que se envolver e agora tinha finalmente uma oportunidade gigantesca.

Melissa não perderia aquela chance.

Quando finalmente encontraram Dáli, Isaac e Linda ela ficou um pouco surpresa com o que acontecia.

Não havia como fazer parar, só lhes restava esperar que passasse. Mas o esperar devia acontecer enquanto saiam dali.

Melissa então deu a instrução e eles imediatamente a cumpriram.

Dáli e sua companheira de missão levariam Isaac para fora e mandariam o sinal que as tropas exteriores precisavam para entrar e sobrevoar a cidade para os tirarem dali.

-POR QUE ISSO DÓI? -Isaac disse com dificuldades, enquanto Dáli fazia seu melhor para correr e carregá-lo ao mesmo tempo. O ruivo teve dó do loiro, vendo sua face se contorcer e seu corpo tremer.

Aquela fumaça não estava ajudando, porém Dáli não podia parar.

-Eu não sei te dar essa resposta, mas eu posso te assegurar que vai parar. Confia em mim, Ok? Vai parar!

Isaac estava chorando… Tanto por mais uma vez ter seu mundo desmembrado a mentiras, quanto pela dor que lhe afligia.

-Ele estava procurando por mim? -Perguntou entre soluços e gemidos.

-Sempre esteve. Ele nunca parou desde que descobriu….

-Onde está o outro?

-Você quer mesmo saber agora? -Linda perguntou, com um pouco de pena.

-SIM! -Ele embalou sua resposta em um grito de dor.

-Ele faz parte do grupo que caça os sobrenaturais, Isaac.

Isaac não respondeu, o que preocupou Dáli. Ele parecia sozinho e desolado, sempre tentando parecer forte. Diferente de Bill, que sempre o teve ao seu lado e que não tinha problema nenhum em demonstrar suas reais emoções.

Bill era um cara forte… Foi até o final. Lembrar dele fez Dáli querer chorar… O grandão podia aparentar ser um daqueles caras fechados e grossos, por conta de sua altura e força física, mas na verdade obtinha uma bondade e facilidade de se expressar tão grande quanto Bill tinha.

Isaac e Bill eram completamente idênticos, mas Isaac não substituiria seu melhor amigo e irmão de desde a sua infância. Mesmo assim, Isaac era quem precisava de ajuda agora…

E Dáli ainda sofria por Bill… Tudo se conectava.

Estar perto de Isaac fazia o ruivo imaginar que uma parte de Bill ainda estava vivo. E de fato estava, em sua memória, seu coração e no fato de que ainda o amava como todas as forças, pela família que sempre foram.

-Isaac. Eu preciso que você respire fundo e fique forte. Não digo para parar de chorar ou fingir que não dói, mas eu sei que você vai aguentar até o final. Eu vou repetir e você guarde isso na sua cabeça, pois vou precisar que diga as mesmas palavras para mim depois, então se concentre nisso daqui para frente: Você está conosco agora e tem um futuro totalmente novo! -Dáli respirou fundo. -É sua missão, ok?

Isaac tinha realmente julgado Dáli errado. E mesmo que não o conhecesse nem por dez horas, se permitiu confiar nele como se fossem amigos de anos.

Guardou em sua memória e repetiu para si mesmo até que a dor passou.

“Eu estou com eles e tenho um futuro totalmente novo!”

* - * - * - * - * - * - *

Quando enfim acabou, Derek levou mais alguns minutos para poder compreender como era ser fisicamente um humano.

Sua mente estava em choque e quando tentou se levantar, seu corpo estava fraco e doído.

Tossiu um pouco, se pondo de joelhos.

Viu que seu pai olhava cada um deles com horror nos olhos.

-O que diabos aconteceu? -Ele perguntou incrédulo.

Derek não respondeu, ficou apenas o observando, assustado demais para dizer alguma coisa naquele instante.

Abraham perguntou mais uma vez e depois outra, sem ter respostas. Acabou por perder a paciência e com brutalidade se aproximou para tomar a gola de sua jaqueta e o colocá-lo de pé.

-O que está fazendo? -Talia gritou.-Não conseguiu entender? Nós acabamos de perder nosso sobrenatural… Não somos mais metade lobos metade humanos.

Abraham sentiu um frio imediato na barriga.

-O que? -Ele sussurrou, olhando para Derek sem acreditar. O empurrando para longe ele berrou, mais que irritado. -NÃO! Estávamos tão perto! DESGRAÇA!

Ele bateu a porta de seu carro com força, quebrando o vidro da janela imediatamente.

Foi a vez de Derek o observar sem acreditar.

-O que você disse? -Laura arqueou as sobrancelhas.

Abraham não respondeu.

Na cabeça de Derek muita coisa se passava ao mesmo tempo, sendo Stiles a principal delas, porém ele ainda não sabia que seu namorado estava fazendo… Só tinha uma imagem, que levava a ideia de que Stiles estivesse do lado de Marcus.

Refutava aquela ideia, a tendo como absurda, porém era o que parecia, para mais desespero.

-Isso só pode ser a porra de uma baitar sorte, Derek Hale! Mas acho que vocês são somente inúteis agora… Principalmente você. Sempre enganado por suas namoradinhas e namoradinhos.

Derek estava começando a tremer.

-Você não mudou… -Malia não podia acreditar que havia caído na dele. Com tudo aquilo sobre Theo e a ajuda que ele e seus soldados deram. -Você ia nos entregar pra humanos imbecis não ia?

-Vejo que você ainda é pelo menos experta para perceber. Sim… Os planos não mudaram minha linda ex-esposa. Exatamente como há muitos anos, se não fosse por esse fraco do Derek. -Ele apontou para o filho de sangue, o olhando com desgosto. -E eles estão vindo para cá, para pegar todos. Para apagar os rastros do sobrenatural dessa cidade… Pegaríamos vocês se não fosse mais uma vez por causa dele… Ou pelo menos, por causa do seu namorado. Eu sabia que ele estava apontando uma e não me surpreendeu que você tenha sido enganado de novo.

“Essa magia desgraçada deve ter mexido com a cabeça de vocês, pareciam uma familiazinha feliz indo ter uma vida diferente e melhor em outra cidade. Você parecia nem se lembrar dele direito. Talvez nem ele te aguentou, talvez ele teve pena de você e decidiu te dar uma chance bem longe dele, enquanto ele ficava com de putinha do tal bruxo.”

O ex-lobisomem começou a tremer de ódio, mas não queria cair na do pai.

O problema foi que Laura não se conteve e acabou partindo para cima do pai, o que acabou resultando nela ganhando um tapa forte.

Aquilo havia sido o estopim, fazendo com que Derek Hale usasse suas poucas forças para partir para cima de seu pai.

Pulou em cima de si, o jogando no chão, lhe dando um forte soco, mas não foi capaz de se manter por cima por muito tempo.

Abraham o chutou de cima de si e tratou de socá-lo de volta.

-Fiquem de fora! -Derek gritou quando elas tentaram ajudar. Por mais que soubessem lutar, não sabia se estavam fracas e temia que Abraham as machucasse ainda mais. -Vão embora, encontrem os outros e os avisem para se esconderem.

Abraham riu.

-Claro! No final sempre se escondem não é mesmo? Você é fraco! -Abraham o socou mais uma vez, o fazendo cair para trás, sentado. Seu nariz quebrou no mesmo instante e começou a jorrar sangue.

Derek viu o quanto seu corpo humano era menos resistente aqueles tipos de acontecimentos. A dor era maior.

-VÃO! -Ele berrou quando voltou a seu senso. Puxou um caco de vidro, quebrado do retrovisor de sua moto e guardou em seu bolso. Tudo de forma escondida.

Ele sabia o que aconteceria. Seria ele ou seu pai afinal…

-Como você pode trair sua família duas vezes? Como você pode nos entregar? Você não passa de um traidor desprezível. -Derek cuspiu no pai ao se levantar.

Abraham limpou a face enquanto se aproximava mais e quando chegou perto para acertá-lo de novo, foi surpreendido pelo caco de vidro largo que o filho cravou em seu braço, arrastando logo em seguida para machucá-lo mais.

Aproveitando isso, Derek aproveitou para chutá-lo no estomago.

-Você é desprezível.-Ele repetiu, tentando usar o caco pontudo novamente.

Abraham era experto e ágil, mesmo com um braço em aberto em carne viva, segurou o golpe com uma mão e usou a ensanguentada para atingir a testa de seu inimigo. Era assim que ele via o filho, um fraco inimigo.

Derek conseguiu se desviar de algumas tentativas a mais de soco, porém outras o acertarem em cheio, o deixando zonzo. Não lhe havia outra opção senão tentar cortá-lo no outro braço e assim o fez.

Permitindo que sua outra mão tomasse o pedaço de vidro, ele cravou no outro braço, atravessando-o por inteiro.

-Olha onde chegamos Derek Hale? Você agora é um humano desgraçado e fraco! Fraco e rejeitado! -Abraham berrou em meio a explosão de dor que cobria seus dois braços. -Eu posso acabar com você sem meus dois braços seu eu precisar!

-Como você consegue viver consigo mesmo, sabendo que é uma besta traidora? Eu nunca confiei em você! Você sabe qual é seu final, não sabe? Você é um merda que vai morrer sozinho!

Derek o viu arrancar o caso e em seguida caminhar até seu carro. O pai ainda possuía força o bastante para arrancar a porta do carro, mas soube que ele estava ficando mais fraco a cada instante, principalmente quando se entregava para tacar a porta contra ele.

O Hale mais novo tentou se desviar, mas ainda assim for atingido por uma ponta da porta. O corte que surgiu em sua perna havia sido profundo, mas Derek não desistiria.

Ambos estavam ficando banhados em sangue em meio aquela batalha sem fim.

Insultos eram trocados, assim como mais e mais golpes. Eles se arrastavam, se atacavam e se insultavam mais ainda enquanto recuperavam suas forças.

O tempo se passava e Derek queria encontrar Stiles, queria acabar com aquilo de vez.

* - * - * - * - * - *

Quando tudo acabou, Scott estava louco para partir daquele hospital e impedir Stiles. Mas as coisas não eram fáceis e por Liam, não pôde simplesmente sair correndo.

Sua sorte foi que o Xerife não demorou a aparecer, completamente humano novamente, ainda se recuperando.

John não se conteve ao ver Liam acordado, foi um alívio sem tamanho que tomou conta de seu peito. O puxou para um abraço e quis permanecer ali por um tempo, porém Liam se afastou após alguns segundos, nem se dando o trabalho de perguntar quem ele era.

Mais alguém de seu passado ele tentou adivinhar. Talvez… Seu pai. Julgou aquilo pelo fato do homem ter se referido a ele como “Meu filho”.

-Liam, eu preciso ir. Mas ele vai estar aqui com você! Ele é uma pessoa que pode confiar com toda certeza.

-O que está acontecendo, Scott? Como ele acordou? Por que eu não tenho mais meus poderes? -Sua última pergunta foi um tanto impaciente.

Seus olhos constantemente se voltavam para Liam, sem poder acreditar que ele estava vivo e acordado a sua frente.

-Ele não se lembra de nada Xerife. Sua mente está limpa… -Scott se aproximou e sussurrou para o homem. -Liam escolheu apagar suas memórias.

Eles se entreolharam com pesar, porém não tinham tempo.

-Eu tenho que ir atrás de Stiles! -Scott voltou a falar.

-E nós temos de ir também! Vocês terão de enfrentá-los quando vierem. Não irão mais matar vocês, porém irão mexer coma memória de vocês. O governo tem mais armas e de diversas formas e poderes do que imagina. Eles são capazes de tudo, então não os ceda as informações. Até as poucas que vocês têm podem ser valiosas para eles.

Mason lançou-lhes um movimento com a cabeça e sem esperar mais resposta, começou a seguir porta a fora.

Hayden permaneceu por alguns instantes a mais, observando Liam uma última vez. Então era assim que seria… Ele não se lembraria para contar a ela que em sua mente ela existia como sua rainha e ela seguiria em frente para um novo ponto de sua vida, como uma humana guerreira em uma guerra sobrenatural interminável.

Suas vidas existiam para se cruzarem naqueles dias que passaram juntos, se entrelaçarem, mudaram um pouco de cada um deles e simplesmente se descruzarem e partirem para destinos diferentes, onde eram completos estranhos. Bem, pelo menos um deles.

Nem todos os finais eram felizes. Hayden anotou aquilo, porém alguns finais eram a entrada de um caminho que poderia levar a felicidade.

Quem sabe o destino guardava para um dia se verem, mesmo que parecesse improvável.

Hayden era humana e teria de fazer uma limonada com os limões que tinha.

Finalmente desviou o olhar de Liam e deu um abraço em Scott, agradecendo-o silenciosamente pelo tempo que lutaram juntos.

Deu-lhe as costas e partiu junto a seu irmão.

-Você precisa se manter calmo, eu vou trazer Stiles para você. O máximo que pode fazer agora é estar aqui por Liam, para protegê-lo e ajuda-lo.

O xerife queria ir junto, mas ainda assim sabia que Scott estava certo. Confiava no ex-alfa.

Scott voltou-se rapidamente a Liam e segurou seus ombros.

-Volte a seu quarto e relaxe. Você não está com qualquer um, você está com seu pai!

Liam observou Xerife e depois voltou a olhar Scott. Estava seguindo suas palavras se questionamentos, mas pelo que tinha visto até então, não tinha razões para questionar sua confiança repentina nele.

Assistiu Scott correr para fora, ficando só com seu pai e as pessoas desnorteadas ao redor.

* - * - * - * - * - *

-O que vai fazer quando encontrar seu namoradinho na cama com outro homem Derek? Ele era comido por você ou é você que dava pra ele? -Abraham riu. -Naaa… Você aparenta ser esse machão mas devia ser você a putinha dele, não estou certo? Você é uma decepção.

Derek ferveu em ódio, mas não partiu contra o pai, deixou que ele viesse contra si. Ele tentou o socar, mas acabou por falhar.

Passou então a tentar cansá-lo, deixando-o falar suas besteiras homofóbicas e provocações, gastando sua energia com atos e palavras.

Estava dando certo, Derek estava perto, só mais um instante.

-Eles estão chegando! -Abraham quase cantarolou, já sentindo o cansaço e o peso de seu corpo. -Eles vão vir pegar vocês!

Decidiu permanecer parado por alguns instantes, deixando-o tentar uma sequência de golpes, não acertando nenhum.

-Você diz que eu sou o traidor, mas é você que acabou com a família Derek. O fogo… Você sabe que foi você!

O Hale pai não sabia que aquilo era assunto superado para o filho, continuava a o provocar, porém Derek havia decidido consigo mesmo não se deixar abalar por conta de nada que viesse do pai ou de qualquer outro inimigo…

Não seria fraco de se entregar. Daquela vez Derek Hale estava se adaptando as mudanças com um abraço rápido e apertado.

Decidiu acabar com aquilo de vez. Deixou Abraham vir em sua última investida e no limite da proximidade, no momento certo, Derek usou de sua pouca energia recarregada e se desviou, jogando Abraham no chão e partindo para cima do homem.

Derek subiu em cima do pai e sem lhe dar tempo de reação, segurou seus dois braços machucados com os pés, enquanto desferia uma sequência mortal e veloz de socos potentes.

Em algum momento os olhos de Abraham já haviam se fechado, mas Derek não viu, desde que o sangue dominava toda e qualquer parte do rosto do homem.

Seu crânio havia se partido em alguns dos impactos contra o chão, mas Derek só parou quando não aguentou mais.

Se jogando ao lado do corpo do pai, ele cuidou para que não desmaiasse e perdesse Stiles de vez, se é que já não havia o perdido.

Ele não tinha muito tempo e sabendo disso não se deu tanto tempo de descanso.

No começo ele estava engatinhando, tentando achar força para se pôr de pé correr. Eles estava a espera de seu milagre e com os segundos passando e ele se esforçando, el conseguiu um.

Se levantou e correu. Derek Hale deixou para trás seus limites e correu.

* - * - * - * - * - *

Viktor ouviu a mulher falar no rádio, mas já não se sentia tão cheio de ódio assim. Suas memórias estavam de volta, mas ele ainda assim não concordava com a tentativa de Jackson partir… Mas começava a compreender que ele tinha uma visão diferente e que não podia prendê-lo a si quando achava que seu recomeço era em outro lugar.

Jackson o observou e ele devolveu o olhar.

Viktor olhava para aquela cidade e para toda sua história naquele lugar, não podia nunca dizer que tinha sido em vão. Com os amigos que tinha ganhado, a paixão que tinha vivido e a chance de finalmente estar com seu irmão tinham provado aquilo.

Não podia ser injusto com o que tinha ganhado! Nem com o sacrifício de Lydia.

A dor já não estava mais ali… Só lhes restava fazer o que deviam.

-Eu não vou desaparecer, vou arrumar uma forma de voltar e ver você! Me perdoe, me perdoe mesmo Viktor!

-Eu entendo agora, irmão! -Viktor se aproximou para um abraço forte.

Seus olhos se enxeram d’água, estava permitindo que ele se fosse… Despedidas ainda eram difíceis, mesmo que já tivesse prática naquilo.

-Eu não posso te forçar a ficar.

-Eu não vou desaparecer da sua vida, você sabe! -Jackson se afastou um pouco, mas ainda perto o suficiente para olhar bem para ele e guardar todos os seus mínimos detalhes. -Eu te amo irmão!

-Eu te amo! -Viktor não tinha muito o que dizer além daquelas palavras, elas comportavam tudo que precisavam falar. Mas o tempo tinha pernas curtas e era veloz, imperdoável.

-Vocês terão de ser fortes e resistirem ao que exército tiver pra vocês. Terão de atuar ou achar alguma forma de se protegerem do que eles podem fazer para tirar as informações de vocês e não entregarem nada sobre nós. Eles provavelmente vão fazer uma mudança na cabeça de vocês, eu sinto muito. -CL disse com firmeza, esperando que captassem com atenção e guardassem como se fosse a informação de suas vidas.

Os três assentiram, lidando cada um de sua forma com a forma como que as coisas estavam se direcionando.

-Vamos Jackson, não temos muito tempo. -CL voltou mais uma vez para os homens. -Talvez vocês queiram seguir mais para o centro, parece que o amigo de vocês, Stiles, está lá e os outros também estão se locomovendo em direção a ele.

Deu seu primeiro e último sorriso para eles e então se virou, começando a correr.

Viktor assistiu seu irmão ir embora, se perguntando quando o veria de novo. Não estava feliz com a ideia… Mas estava conformado de que ele ficaria melhor da forma como pensava ser o melhor.

Ethan tomou sua mão, para puxá-lo em direção ao outro lado, para o caminho que deveriam seguir.

Agora como um humano, ele soube que seu futuro começava naquele exato instante, com Ethan segurando a sua mão e Aiden logo ao lado dele.

-Foi ali que você começou a gostar do papai? -Taehyung perguntou, dezessete anos no futuro.

Estavam no alto da casa, encarando as estrelas, terminando de contar a história épica.

-Ele tinha acabado de perder a Lydia, Tae. Acha mesmo que ia se apaixonar pelo papai tão rápido assim?

-Mas quem disse que não pode? -Taehyung retrucou. -Só você e o Yoongi foram lerdos demais para desenvolver essa relação de vocês.

-Eu queria lembrar vocês que… Vocês têm 14 anos. Qualquer que seja esse tipo de relação entre você e o Yoongi, que seja bem reservada.

Taehyung riu.

-Do que tá rindo rapaz? -Ethan perguntou, puxando Taehyung para perto de si com um aperto brincalhão. -Seu pai está certo.

-Eu o Yoongi sabemos disso pai. Pode ficar tranquilo, ok? Agora, termina a história.

Viktor e Ethan se entreolharam, tinham conversado sobre aquilo. Tinham se arriscado a contar, mas sabendo que eles não poderiam pensar naquilo como uma verdade… Pelo menos não até que fosse necessário, o que ambos esperavam ser nunca.

-Garotos, eu sinto lhes informar mas isso é apenas uma história! Nada disso é verdade… -Ethan mentiu da melhor forma possível. Deixando-os sem reação no primeiro instante.

-Está brincando, não é? Depois de tudo isso… Não, você tá zoando. Vai papai, termina a história REAL de vocês e dos tios logo! -Taehyung foi o primeiro a resistir.

Viktor e Ethan se entreolharam mais uma vez e então começaram a rir. Riram muito, deixando Taehyung e Jimin incrédulos, com as faces mais azedas o possível.

-Me desculpem rapazes, mas vocês queriam fazer algo interessante enquanto nós ainda não viajamos, vocês não se interessariam nos meus dotes de contar história se eu não inventasse a mentirinha de que fosse tudo real e acabasse colocando todos os nossos amigos e inventasse outros, e colocasse alguns bons fatos verdadeiros para lhes fazer acreditarem em mim.

-PAI! QUEM FALA DOTES HOJE EM DIA? -Taehyun berrou, fazendo sua melhor cara de nojo.

Jimin se debateu no chão de madeira do largo deck.

-EU ME SINTO TRAÍDO! NÃO QUERO NUNCA MAIS OUVIR SUAS HISTÓRIAS PAI!

-Pai!? -Viktor franziu a testa, tentando forçar sua cara de sério em meio a diversão.

-Eu disse que era maldade amor! -Ethan se expressou de forma dissimulada.

-VOCÊ CONTOU A HISTÓRIA JUNTO COMIGO!

Viktor partiu num ataque de brincadeira contra o marido, também sentindo-se traído naquela.

-Não vai jogar a culpa toda em mim.

-Acho que preciso jogar… Isso sim. A graça acabou por hoje senhores. -Taehyung se levantou.

-Ta certíssimo. Eu vou ligar pro Yoongi e ir dormir na casa dele hoje, não sei se consigo olhar para vocês!

-Olha olha, Jimin. Cadê o respeito? Eu vou te proibir de encontrar o Yoongi em! -Viktor tentou forçar ao máximo para parecer ameaçador. Sabia que o garoto não estava sendo desrespeitoso pra valer. Era uma reação forçada, uma resposta àquilo tudo que os pais haviam lhe feito.

-Eu posso, pais? -Jimin perguntou, ainda provocando.

-Só porque eu sei que ele não vai te ver pelado por um bom tempo!

-E quem disse que ele já não viu?

Viktor se engasgou com a própria saliva e Ethan o olhou com espanto.

-Vocês são homens, eu sei que já se viram pelados. Mas não daquela forma… -Ethan tentou mais se convencer do que constatar aquilo pra Jimin.

-Acredite no que quiserem. -Jimin sorriu malicioso.

-Não faça isso com seus pais. Ser vingativo é feio Jimin, nós ensinamos isso a você. -Viktor gritou olhando para o garoto, que sumia escadas abaixo.

-Também amo vocês! -Ele gritou e eles voltaram a rir.

-Espero mesmo que Yoongi não o tenha visto pelado, daquela forma. -Viktor afirmou, esperando que Ethan lhe confortasse confirmando a ideia.

Ethan caiu na gargalhada, não acreditando no esposo e sua ingenuidade repentina.

-Você é o pai mais coruja que eu já vi e que mesmo assim ainda cai nas dos seus filhos.

Eles riram mais um pouco, voltando a se deitar com as cabeças nas almofadas, olhando para as estrelas. Suas mãos entrelaçadas…

Aos poucos os risos foram se transformando em sorrisos, que foram morrendo, conforme pensavam no que tinham acabado de fazer. As vezes mentir era necessário para proteger alguém que você ama de se machucar. Eles eram novos demais para ver a história como verdade… Ou sequer chegar ao fim delas.

-Espero que eles possam nos perdoar quando formos contar a eles. -Ethan desejou quando viu a estrela cadente. Viktor apertou sua mão.

-Eles vão… Irão entender. E talvez tenhamos que deixar tudo claro para poderem entender o porquê escondemos isso deles.

Ethan suspirou, sentindo-se triste pelo que aconteceu. Mesmo depois de tanto tempo, alguns sentimentos ainda vinham como parte de um combo com as memórias.

-A mãe e o pai deles foram guerreiros. Eles têm o características deles e nossas… As vezes chega ser assustador! -Viktor voltou a dizer. -Infelizmente eles não puderam os conhecer, mas pelo menos ouviram sobre eles.

-Mas pensam que é uma mentira. Eles sabem que são adotados, uma hora, talvez, vão querer saber dos seus pais biológicos…

-Talvez não.

-Mas nós devemos isso a eles. -Ethan sabia que não seria justo mentir para eles pra sempre. -Eles um dia vão ser grandes e maduros o suficiente para lidar com isso sozinhos. Ou pelo menos com a ajuda de seus amigos, eles são tão grudados e unidos quanto nós eramos naquele tempo.

Viktor concordou com a cabeça, se mantendo em silêncio, pensando nos pais biológicos de seus filhos. Tinham mais laços do que imaginavam…

-Como será que vão reagir quando descobrirem que o tio morto e sua namorada asiática eram na verdade seus pais de sangue? -Viktor não pode se conter de questionar.

Foi a vez de Ethan apertar sua mão.

* - * - * - * - * - * - *

-Você está pronto Stiles Stilinski? -Marcus disse, após se recuperar totalmente.

Toda a fumaça que surgira dele e dos outros lugares adentrara dentro da garota e após o que pareceu levar longos minutos, a fumaça se esvaiu por completo.

Marcus ficou no chão por alguns minutos e só então ele se levantou e olhou para Stiles, talvez se sentindo tão nervoso quanto ele.

Aquele era o momento.

Stiles respirou fundo, um pouco perdido.

Se aproximou a passos pequenos do corpo da menina e se ajoelhou ao mesmo tempo que Marcus o fez.

TICK TOCK, seu coração poderia se acalmar naquele momento, não tinha mais o que sofrer.

TICK TOCK, Stiles Stilinski encarava seu fim.

TICK TOCK, ele tomou com sua mão esquerda a mão direita de Andy.

TICK TOCK, deu sua última olhada para o céu, desistindo de lastimar que não veria as estrelas daquele mundo de novo.

Olhou para Marcus e TICK TOCK, não podia mais esperar.

Ergueu a adaga no ar finalmente sentindo as batidas de seu peito o deixarem com o silêncio.

Ele ia fazer o movimento…

-NÃO! -Derek berrou. Correndo de um lado.

Não demorou muito, pode ver Scott, vindo do outro.

Não conseguiu entender, então olhou para Marcus, que o encarava impaciente.

Ele sabia que Stiles não poderia fugir do pacto… O plano havia de fato funcionado e ele não dava a mínima se tinha sido trapaceiro.

As trevas tinham convertido seus pensamentos a justificar a volta da vida de sua filha como uma razão suficiente para fazer o que fosse preciso.

Sempre soube que tiraria a mágica deles. E com isso suas memórias voltariam.

Marcus não se importava com eles, mesmo que antes se sentira tão atraído a presença de Stiles.

Estava ali e tinha conseguido o que queria.

Stiles olhou para Derek, que estava mais perto. O Hale o olhava com pavor, implorando pelo olhar para que não o fizesse. Stiles o encarava sem acreditar, que tinha sido enganado no final. Pelo menos estava o vendo.

Foi então que o tiro o acertou com um impacto inimaginável.

Derek e Scott sentiram seus corpos esfriarem instantaneamente, ao assistirem a pior das cenas de suas vidas.

O tiro acertou Stiles no peito, arrancado sua consciência de imediato, o fazendo terminar de cair ao chão e bater a cabeça.

Marcus viu a cena em absoluto choque, assistindo sua única oportunidade ver a filha viva novamente cair imóvel no chão.

-NÃO! -Derek repetiu o grito, dessa vez com mais dor impregnada na voz.

-Não! -Marcus também disse num sussurro, olhando para filha com a pior expressão de sua vida.

Tinha de pensar rápido, eles se aproximavam e acabariam por impedi-lo. Sentiu o pacto ser desfeito sem qualquer chance de tê-lo de volta.

Observou sua filha com tristeza ao correr até Stiles e tomar de sua mão a adaga.

-Eu não podia ter feito diferente minha filha. Eu te amo… -E com sua mão na dela, Marcus cravou a arma cortante em seu próprio coração.

Derek alcançou o corpo de Stiles primeiro, buscando a todo custo um sinal de vida que lhe desse esperança.

Estava tremendo muito e não conseguia conter suas emoções, era como se ele mesmo tivesse tomado o tiro.

-Não pode ser tarde… Não pode ser tarde. -Ele tomou Stiles nos braços e continuou repetindo aquilo para si mesmo, em sussurros.

Scott chegou pouco depois, sem acreditar que podia ser tarde demais.

-Ele ainda tem pulso? Derek! Ele ainda tem pulso?

-EU ESTOU TENTANDO ENCONTRAR, SCOTT!

A afobação de ambos era quase incontrolável.

Scott procurou de onde veio o tiro quando eles apareceram de todos os cantos, invadindo casas, prédios e estabelecimentos. Enchendo as ruas novamente.

Eles estavam vindo em sua direção, com armas e tudo, prontos para os capturarem. Não sabiam que acabariam por se decepcionar.

-ELE AINDA TA VIVO! SCOTT, ELE AINDA TA VIVO! -Derek berrou, colocando sua testa na de Stiles.

Ao segurar sua cabeça, percebeu a pequena fratura que ali se encontrava. Aquilo trouxe o frio repentino do medo de novo. Precisava levá-lo para um ajuda médica, imediatamente.

Scott percebeu que alguns homens dos inimigos estavam se aproximando, prontos para os atacarem.

Sentiu seu coração acelerar e se levantou para se colocar a frente de Derek e Stiles, mesmo sem saber o que fazer.

Só então, quando eles estavam perto, Melissa e Rafael se materializaram ao seu lado, atirando naqueles que procuravam acertar seu filho.

Scott olhou a mãe com espanto antes de abraçá-la com força. Melissa se esforçou para não chorar.

-Vamos garoto, temor que levar Stiles daqui.

No mesmo instante em que se afastava do abraço, sem se dar a chance de se apagar muito a presença do filho novamente, eles assistiram Andy se levantar com de uma vez, sem saber onde estava ou o que havia acontecido.

Marcus havia conseguido, sua filha havia voltado a vida. Sua própria vida humana tinha sido o suficiente para trazê-la de volta.

-Não podemos deixá-los pegá-la! Eu tenho certeza que ela é sobrenatural, mãe. Ela estava morta antes…

-Como isso é possível? -Melissa perguntou enquanto Scott e Rafael ajudavam Derek a se levantar com Stiles no colo. - Querida… -Ela estendeu a mão para Andy, se aproximando lentamente.

Como um vulto, a menina se levantou e se afastou alguns passos, o que não foi nada bom, pois os olhos dos soldados avistaram aquilo e a tornaram um alvo.

-Nós somos ajuda e aqueles homens querem pegar você e não pra te ajudarem. Você tem apenas uma escolha para sobreviver, a outra é cair nas mãos dele. Sei que parece tudo meio imediato, mas vai ter que confiar em nós. Está dentro ou vai ficar sozinha? -Melissa sabia que estava sendo dura e veloz demais, mas em tempos de desespero, medidas desesperadas eram justificáveis.

A menina olhou para os homens e então de volta para Melissa, tudo em uma fração de segundo.

Andy avistou Stiles inconsciente e só então conseguiu se localizar. Eles eram amigos.

Os soldados inimigos ergueram suas armas e atiraram sem qualquer hesitação.

A menina agiu por impulso e em fração de segundos capturou no ar todas as balas, assistindo o mundo passar ao seu redor com lentidão.

No final, com as balas em mãos, tacou contra eles suas próprias balas, usando a força nova que obtinha. Andy acertou a todos, deixando Stiles e seu grupo a salvo por enquanto.

Aquele era o nascimento daquele do último sobrenatural de Beacon Hills.

Viktor e os gêmeos conseguiram os encontrar logo em seguida, quando a menina se voltou para eles e disse:

-Eu confio em vocês!

Quem pensou que seria fácil resistir até o fim, se enganou… Pois o grupo teve de acelerar e resistir durante todo o caminho, lutando com o que tinham.

Eles vinham de todos os cantos, invadindo todos os lugares e atacando todas as pessoas.

Tudo por conta de Andy… A nova imortal. A garota que representava o renascimento total de uma raça antes extinta.

Andy era o ser mais poderoso naquela cidade e mesmo que usasse de sua força e velocidade, ainda era inexperiente.

Mas fez o que pode e seguiu protegendo Stiles até que atingissem o hospital.

Aiden fora o primeiro a ficar pelo caminho. Todos estavam sendo bravos e corajosos e logo Ethan e Viktor também tiveram de ficar para trás.

O hospital estava a poucos metros e felizmente forças policiais já se mantinham num cerco, protegendo os pacientes daqueles homens. Xerife não estava brincando quando o assunto era proteger seu filho…

Estavam mais perto ainda… Tão próximos que acreditaram que iam chegar sem perder a vida de ninguém. Os outros haviam ficado para trás, mas Scott sabia que acabariam fugindo… Estavam sendo mais fortes do que nunca.

Rafael se locomoveu de repente para cobrir as costas de Andy e então o tiro o acertou em cheio nas costas.

Por um momento os outros pensaram em parar, mas o homem gritou da forma que pode para continuarem. Scott insistiu e puxou sua mão tentando o arrastar, porém um novo tiro acertou seu pai e o matou de vez, bem na sua frente.

Queria poder conter o choro, mas ele foi incontrolável.

Scott deu passos de costas e só depois de olhar o quanto pode o corpo caído de seu pai, se virou e correu para ultrapassar o cerco policial.

Quando entrou no hospital, já não viu mais nem Derek ou Stiles a vista.

Sua mãe se posicionava de frente a porta, o olhando com tristeza.

Abriu os braços e o permitiu abraçá-la novamente, pressionando-o contra seu corpo, querendo tomar suas dores para si, assim como toma mãe e pai desejavam ao ver seus filhos sofrendo. Ela o confortava da cena que dificilmente se apagaria de sua cabeça, afinal, ele viu seu pai tomar dois tiros...

Não pode acreditar que Rafael McCall estava morto. O choque de uma morte daquelas, bem a frente de seus olhos, era inevitável.

Ela e Andy precisavam partir e aquilo cortava seu coração. Ter de deixá-lo ali, num momento como aquele... Se fosse em qualquer outro momento passado de sua vida, teria mandado tudo pelos ares e se necessário passaria a eternidade tentando fazer seu filho se sentir melhor de novo.

Melissa o amava sem medidas e era por isso que deveria partir. Eles já haviam os visto juntos… Orava para que não fizessem mal a ele e aos outros, afinal, eles nem sequer tinham informações tão especiais.

Tentou segurar o quanto pode, mas então o rádio tocou e Dári lhe avisou que os outros já estavam prontos para partir e as tropas exteriores estavam a caminho de buscá-las. Já estavam adentrando a cidade para o cerco de fuga.

Estava prestes a se despedir mais uma vez de Scott. Dessa vez com a oportunidade de ver seus olhos abertos quando o desse uma última olhada.

Mesmo que ela fosse forte e resistente, ainda assim havia uma parte humana e mãe que odiava a ideia de ter que viver longe de seu filho, porém era necessário.

“O necessário…”, ela pensou em todos os caminhos que cada um tinha de traçar. Fazer o necessário era garantir, mesmo que por um determinado tempo, que eles ficariam livres para viver uma vida sem tantos perigos de morte os perseguindo.

Foi enquanto pensava nisso que um outro problema nada ignorável surgiu assim que Kira Yukumira apareceu, com as roupas rasgadas e a lateral esquerda de sua face suja de sangue.

Ainda assim, a menina parecia determinada.

-SCOTT! Até que enfim… Allison já está tendo o bebê Scott. Ela está morrendo! -Kira foi completamente direta. A pressa em sua voz combinada a mensagem causando um choque no ex-lobo.

Por um instante sentiu suas pernas bambearem, mas pensou em como não perdoaria se não estivesse lá por ela. E de fato não estava, sempre lutando, tentando acordar Liam… Mesmo que estivesse com ela todos os dias, ainda assim partira várias vezes, tomando o que ele entendia como responsabilidades de um alfa.

Tentou não se culpar, desde que não imaginava que algo como aquilo poderia acontecer. Até mesmo pensou no poder sobrenatural de Marcus que mexere com sua cabeça.

Nada iria se resolver enquanto ele se culpava.

Scott fez menção em correr a todo vapor, mas Melissa o segurou pelo braço.

-O que pretende fazer?

-Eu não sei! -Scott foi sincero, estando alarmado.

Melissa respirou fundo e sem hesitar, tomou seu rádio novamente. Deu as coordenadas para Dári e pediu que o homem mandasse a força aérea para buscá-las na casa dos Argent.

Melissa aprendera a pensar tão rápido quanto a própria Millennium Falcon quando a nave atingia a velocidade da luz.

Sentiu-se bem ao perceber que os treinamentos pesados estavam de fato fazendo o efeito que ela tanto desejava. Nunca foi burra, porém sabia separar como era realmente dominar a arte da estratégia, da guerra e da paz ao somente passar por guerras sobrenaturais usando do vinha a sua frente.

Voltando o olhar para o filho, ela foi tão sincera quanto ele:

-Nós vamos tentar salvar Allison. Mas você não vai gostar do que vai acontecer depois. -Voltou-se para Andy e disse: -Se prepare garota, você pode ser a solução agora!

Para a menina tudo estava indo rápido demais, é claro. Porém desde que vira o corpo de seu pai ao seu lado, Stiles desacordado e homens tentando acertá-los com tiros e mais tiros, soube que deveria agir primeiro e buscar pensar em tudo depois.

Andy se sentia forte, se sentia capaz de carregar um caminhão com um mão. Por outro lado, ainda sentia-se confusa e assustada com a potencialidade que aquele mundo louco tinha de jogar tantas bombas em sua face de uma vez só, com tanta facilidade

Com a ajuda de um carro emprestado da polícia eles não levaram muito tempo para chegar lá, porém Scott atropelara quatro soldados pelo caminho, tornando a viajem um tanto turbulenta.

Outra viatura os seguiu logo atrás, como um apoio e ao chegarem, eles se colocaram em frente as portas da frente e de trás, os protegendo de qualquer inimigo até que o tal cerco informado chegasse. Tudo as ordens do Xerife, que mesmo em completa agonia por seu filho mais velho, tentava continuar dando seu melhor para ajudar.

McCall sabia que se fosse em semanas atrás, alguns dos policiais não acatariam as ordens. Até mesmo chegou a se perguntar se sem os poderes eles voltariam a desrespeitá-los como antes, porém não foi o que aconteceu. Os homens pareceram honrados em protegê-los.

Scott subiu a escada em alta velocidade, adentrando o quarto como um furacão.

Allison estava na cama, com o bebê nos braços, aparentando bastante fraqueza.

Seu sorriso triste o fez congelar onde parou.

Noshiko havia feito o parto no máximo de seus conhecimentos básicos, com a ajuda de Chris, que se pusera no controle e não aceitava a possibilidade da filha morrer.

-Ela é linda Scott… - Allison disse fracamente. Seus olhos já estavam pedindo para serem fechados enquanto seu corpo gritava por um descanso final.

Ele não sabia dizer quantas vezes havia sentido um choque percorrer seu corpo naquela noite, já havia desistido de contar, porém teve de admitir que aquele fora o mais forte.

Ver sua pequenina ali… A sua frente. A garota sangue do seu sangue e sua bela mãe. Sua mãe que estava morrendo…

O coração de Scott batia cem vezes mais rápido do que o normal.

Melissa apareceu então com Andy e Kira, empunhando uma grande seringa com agulha nas mãos.

-Scott, tome sua filha nas mãos… E se tiver algo a dizer a Allison… -Melissa não precisou nem completar. Scott se aproximou rapidamente, sorrindo para a mãe de sua bebê.

-Ei meus amores… -Ele sussurrou. Sentou-se sobre a cama. Allison logo o permitiu que tomasse a pequena Lydia para si.

Ela os observou com uma verdadeira felicidade nos olhar cansado. Era aquela imagem que queria para seus últimos momentos. Pareceu que seus olhos tinham se aberto, revelando uma beleza triunfal e sem medidas.

“Valeu a pena… Por isso.”, ela pensou.

Scott observou sua filha a vendo como o ser mais precioso e maravilhoso do mundo.

-Ela tem o seu nariz. -Scott brincou, lágrimas já escorriam pelo seu rosto.

Allison sorriu.

-Eu te amo… -Ele falou, mesmo sabendo que ela não tinha forças para responder. Ela também o amava. -Eu te amo!

O barulho das hélices surgiu do lado de fora e rapidamente se tornou absurdamente alto.

Melissa se aproximou, entendendo que em momentos como aquele não havia mais palavras ou palavras melhores do que “eu te amo”.

Os olhos fixados dela diziam as palavras que sua boca não conseguia pronunciar. Sentiu dó dos três, sabendo que aquela poderia ser a única vez em que aquela família se reuniria na vida.

Com a seringa cheia do sangue de Andy, ela se aproximou um pouco mais de Allison e sorriu para ela, antes de cravar a agulha na região do coração.

Scott teve de se afastar um pouco, ainda chorando silenciosamente e observando sua filha, com todos aqueles belos traços e com toda emoção que sentia por ser pai, assim como a que sentia por assistir Allison praticamente morrer na sua frente.

O sangue de Andy tinha de funcionar… Mesmo que fosse tê-la distante de si, ele preferia tê-la viva.

Chris se aproximou para olhar a neta e após alguns segundos, com cuidado, abraçou seu genro, sorrindo para ele. O Argent ouvira de Melissa qual era o plano e mesmo que se assustasse inicialmente, teria de se acostumar com a ideia, já que era a única que podia salvar Allison.

Era melhor tê-la como uma imortal, do que não tê-la.

-Chris, vamos precisar que a pegue. O processo até ela acordar pode demorar. -Melissa disse, com pressa. Correu até a janela e viu que o helicóptero já estava praticamente pousado, a espera de cada um deles.

-Vamos! Vamos, é hora. - Ela sinalizou para Andy e Chris.

Scott teve poucos instantes com sua esposa, mas sabia que era o necessário. Com um último beijo em sua testa, a observou uma última vez, sorrindo um sorriso triste.

-Eu vou tomar conta dela, Alli. Pode confiar em mim!

Então Chris sumiu com ela porta a fora, seguida de Andy.

Tudo acontecia rápido demais… Sua mãe parou a sua frente e sem saber se um dia o veria de novo, deixou um beijo na testa do filho.

Sem dizer nada ela também partiu e logo até mesmo Kira e Noshiko já não estavam mais ali.

O quarto antes cheio, então estava quase vazio.

Lydia dormia em seus braços, agasalhada por um manto branco, sujo de sangue.

Ele foi até a janela e lá ficou, observando eles entrarem no grande e largo helicóptero, pousado bem no meio do cruzamento.

Com pressa eles adentraram o helicóptero, observados por perto pelas Yukumira, que não demoraram muito para partirem também.

O grande veículo aéreo começou então, após poucos minutos a subir no ar. De dentro, Melissa acenava para ele. Ao longe então ouviu sirenes e mais sirenes conforme eles se afastavam pelo ar.

Há pressa havia passado e Scott queria simplesmente desacelerar.

Sem ter muito o que fazer, Scott se encaminhou até a cama e observou sua filha dormir por horas, procurando não pensar em mais nada além dela.

Não tinha mais poderes… Não tinha mais sua mãe… Seu pai… Sua namorada… Alguns de seus amigos partiram e não tinha certeza se outros ficariam por ali também.

Respirou fundo e voltou seus olhinhos para ela. Tinha a ela… Sua filha.

Sua bela e pequenina Lydia…

* - * - * - * - * - *

Dentro do helicóptero, Dáli sorriu para Melissa e para os outros quando conseguiram enfim juntar todos e saírem dali.

Sentiu que alguém estava faltando e perguntou quando percebeu, onde estava Rafael.

A McCall não precisara responder com palavras, desde que apenas seu olhar fora o suficiente para lhes indicar o que acontecera.

Um silêncio triste tomou conta do local, dentro aeronave.

Dáli observou as luzes da cidade, conforma se afastavam. Haviam perdido um, mas o grupo estava maior em comparação ao tempo que foram. Aquilo era bom…

Olhou para Isaac, deitado ao seu lado. Seus olhos estavam fechados, mas sabia que ele não dormia.

Após o fim do ataque de dores e daquela fumaça estranha, Isaac entrara em um processo de silêncio, respondendo apenas com acenos da cabeça o pouco que lhe perguntavam.

Incrivelmente, Dáli o viu apegado a si e não podia mentir que gostara da confiança ganhada. Era assim que as coisas funcionavam… Com confiança.

-Isaac? -Ele chamou. -Eu preciso daquelas palavras agora. Pode me dizer?

O jovem passou ainda alguns segundos calado, mas logo se arrastou para se levantar, abrindo os olhos e observando Dáli e a vista do lado de fora.

Respirou fundo e disse, botando toda a sua fé naquelas palavras:

-Estou com vocês… E pode ter certeza que tenho um futuro totalmente novo! -Olhou para o lado e enxergou Allison Argent, seu pai, Jackson e Andy…

Olhos se encontraram por alguns segundos, até que Andy lhe desse um sorriso e Isaac respondesse com outro mais breve.

-Todos nós temos! -Ele completou. Continuando a sorrir por mais algum tempo.

* - * - * - * - * - * - *

Eles de fato vieram tentar buscá-los. Queriam arrancar deles tudo que podiam, mesmo desapontados com o sumiço repentino dos poderes que tanto lhes seria útil.

Pela primeira vez em anos o tempo pareceu funcionar ao favor daquele povo, desde que quaisquer que fossem os métodos que o governo americano estivesse buscando usar para colocá-los na linha, tinha de usá-los enquanto os curiosos e familiares não chegassem, o que não demorou muito.

Enquanto eles faziam de tudo para guardar o segredo, se remoendo pelas potenciais armas perdidas, Stiles Stilinski sofreu uma cirurgia longa e complicada na cabeça, ao passo que também tiveram de retirar a bala crava em seu peito.

Scott, Derek e o Xerife estavam aliviados quando os médicos disseram que ele ficaria vivo. Porém McCall pode notar que todos ainda se preocupavam com o que podia vir após… Se houvesse sequelas.

Tinha pena de Derek. De um lobo nascido para humano, tendo de arcar com os efeitos de um pacto em que o cara que amava se entregava para morrer, enquanto ele partia para outros tipos de vida, sem nem sequer lembrar dele como deveria.

Além daquilo, o Hale estava num estado horrível. Completamente sujo de sangue e todo machucado, por conta de uma luta até a morte com seu pai, que havia os traído.

Mesmo que o filho o odiasse, Scott não pode conter surpresa. Não esperava… Mas viu sentido em tudo que acontecia depois que o amigo lhe contou a verdade.

A cidade ficou mais calma do que nunca nos dias seguintes.

Nenhum deles soube como, mas aos poucos as pessoas passaram a viver como se aqueles dias sombrios nunca tivessem acontecido. Fosse lá o que o governo estivesse arrumando, estava dando certo… E deu certo até mesmo com eles.

Stiles ainda ficou desacordado por algumas semanas, tempo em que os Hale se juntaram a Scott, o ajudando a tomar conta da menininha.

O Xerife passou a trabalhar mais do que nunca, conforme fazia rondas e mais rondas, reforçando sua força policial em todos os cantos da cidade, em todos os momentos do dia, mesmo que ele estivesse movimentada apenas por turistas.

A desculpa esfarrapada dada pelo governo pouco tempo antes da última invasão do exército, acabou por ser confirmada por alguns dos cidadãos e surpreendentemente, nenhum dos moradores teve força ou vontade de se envolver. Ignorando totalmente aquela situação, como se nunca tivesse tido nenhuma conexão com suas vidas.

Todos os antigos seres sobrenaturais ainda tinha dificuldade em se adaptar ao corpo totalmente humano. Sabiam que só com o tempo e com foco em tocarem suas vidas para frente que eles chegariam a estabilidade novamente.

Até mesmo viver naquela cidade, com tantos dos seus amigos faltando, parecia extramente diferente a seus olhos.

Nos primeiros dias esperou que algum sinal pudesse ser dado. Quando teve o nada em resposta, começou a sentir toda a estranheza que se sente quando alguém que sempre esteve por perto simplesmente desaparece de sua vida, seja por seguir em frente e viver em outro canto do mundo, seja pela morte.

Eram muitas as coisas a se adequar, mas Scott continuou firme por sua filha.

No enterro de seu pai ele não chorara. Ouvira as condolências dos poucos presentes, assistira seu caixão ser abaixado terra adentro e depois a terra ser jogada… Tudo sem derramar mais nenhuma lágrima.

Tinha chorado nos primeiros dias tudo que deveria ter chorado… Longe da visão dos outros, onde pudesse estar demonstrando sua tristeza, raiva e frustração sem se preocupar que os outros estivessem olhando e tendo pena.

Com o passar das semanas ele começara a viver mais em silêncio.

Visitava Stiles sempre que dava, mas não deixou que mais de dois dias se passasse entre uma visita e outra.

Estava buscando, assim como todos os outros cidadãos, tocar sua vida para frente e assim passou os dias seguintes da primeira semana arrumando toda a bagunça que sua vida estava.

Vendeu a casa dos Argent e voltara a trabalhar na veterinária em meio período, tomando conta de Lydia pelo restante do dia.

Talia, Cora, Laura e até mesmo Derek tomavam conta da baixinha enquanto ele trabalhava. Estavam na mesma casa, morando na casa que McCall sempre morou, pelo menos enquanto ele precisasse e eles não encontravam outra casa… Procuravam até mesmo uma casa próxima e com sorte, após duas semanas, acertaram o vizinho da direita a compra de seu novo lar.

Estariam próximos o suficiente para ajudar e teriam sua própria casa.

Não demorou muito Ethan estava de volta ao seu quarto, dividindo-o com Aiden enquanto Viktor ficava com o quarto de hóspedes.

Quanto a Liam, o garoto permanecera no hospital por pouco tempo, desde que seu estado de saúde tinha melhorado surpreendentemente. Ainda assim, estava tendo um acompanhamento de perto de médicos e enfermeiras, que cuidavam de sua saúde mental e do problema da perda de memória.

Infelizmente, a perda parecia definitiva, restando a aqueles que se diziam a família do garoto, buscarem de tudo para o ajudarem a se estabelecer em sua própria vida.

Aquilo significava que não poderiam deixá-lo sozinho… Lidar com uma vida na qual não se lembra absolutamente nada, onde se sente um completo estranho e ser perdido não era nada fácil. Foi por isso que mesmo ocupado o Xerife nunca perdia uma refeição com o filho, assim como não deixava de passar os domingos com ele, além de ligar para ele diversas vezes ao dia.

Scott havia o atraído para trabalhar consigo e Deaton na veterinária e quando não estavam lá, McCall vivia chamando os Stilinski para comerem juntos.

Todos estavam juntos, assim como tinha de ser… Com todas as perdas, serem família uns para os outros era a melhor forma que enxergavam de passarem por toda aquela situação sem caírem pelo caminho.

Ao invés de lhe contarem toda a história passada, que de alguma forma, com o passar dos dias, parecia cada vez mais uma época distante no tempo, eles escolheram dar lhe a chance de viver uma nova vida sem os pesos passados… Afinal, aquela tinha sido sua própria escolha.

Contudo, faltava apenas uma pessoa… Alguém que Derek Hale visitava todos os dias, mesmo que tivesse com seus sentimentos confusos.

Queria mais do que nunca que ele acordasse… Mas não podia mentir que algo estava mudado. Ele sabia que Stiles acordaria e deseja bastante aquilo, porém não sabia o que diria ou como reagiria ao que ele tinha de dizer.

E foi no que pensou durante o tempo em que o observara… Até que o grande dia chegou e Stiles Stilinski abriu seus olhos.

Derek estava lá, mesmo não pronto não encarar os olhos castanhos novamente, sabendo de seus efeitos em si. Esperou por algo, acabou por se decepcionar quando não veio.

Assistiu, em seu lugar, os olhos de Stiles procurarem algum sentido ao seu redor. Ele observou tudo do se quarto de hospital antes de achar Derek ali, sentado na poltrona ao lado.

-Pode me ajudar… -Stiles disse com dificuldade.

Derek arqueou as sobrancelhas, se aproximando.

-Pode me dizer quem sou eu?

* PARTE FINAL *

Há quem diz que o Tempo ainda brincou um pouco mais com aquelas pessoas, tratando de mudar suas vidas a cada dia, mês e ano que se passava.

O natal passara… A virada de ano trouxera um novo ano e cada um deles caminhava em frente, ainda sem saber muito do que encontrar no trajeto a frente.

Pareceu tão irônico que Stiles Stilinski recebesse, no fim, aquilo que tinha sentenciado aos outros. Se esquecer havia sido um dia um desejo… E antes de se perder no escuro, o humano sabia que sempre se devia tomar cuidado com o que desejava.

Mesmo que tivesse mudado de ideia diversas vezes e acabasse abraçando as memórias em seus últimos momentos, palavras jogadas como beijos ao vento nunca são perdidas pelo Tempo.

John Stilinski tinha seus dois filhos tendo de recomeçar do zero e aquilo acabou sendo seu presente do Tempo…. O próprio tomou certeza que com o voar dos dias, aquilo se tornasse seu próprio recomeço.

Os meses foram se passando e a cidade foi lentamente se reconstruindo para um também se tornar um novo lugar, funcionando como podia, como devia.

As pessoas andavam pelas ruas, se cumprimentavam e trocavam uma ou duas palavras e seguiam para seu destino, fosse ele o trabalho, a escola ou cinema novo que haviam aberto três meses após o Ano Novo.

Como tinha de ser, todos foram obrigados a recomeçar o ano letivo do zero, o que não foi lá algo péssimo.

Scott dividia seu tempo entre escola, trabalho e a filha, o que passou a ser bom para ele, que tinha sua cabeça cheia das responsabilidades.

Responsabilidades que amava e que o permitiam focar na vida a frente.

Não passava um momento sequer e por todos os cantos, as pessoas sempre lembravam que ele era uma figura de respeito.

Havia lutado algumas vezes e até mesmo vencera campeonatos que movimentara a cidade. Ele encaminhava sua vida e Lydia crescia cada vez mais, tornando-a maios bela do que um dia fora.

O Tempo também não deixou Viktor e Ethan para trás. E o amor foi seu presente para eles, que de melhores amigos, passaram com alguns beijos roubados, para um casal bastante conhecido e popular na escola.

Viktor havia se engajado com o Lacrosse com a matemática, enquanto Ethan usufruía o máximo de só programa de ciências.

Aiden seguia em seu próprio embalo, visitando universidades, aprendendo novas línguas… Apaixonou-se pelo cinema assim como alguém se apaixona por doce ou comia um pedaço de pizza, tão fácil e intenso que logo estava voando alto.

Os Hale restabeleceram sua força em negócios na cidade e não perdiam um dia sequer da pequenina McCall, que há muito já havia virado inquestionavelmente a sobrinha e neta da família.

O Tempo dançava entre eles com facilidade, brincando com seus destinos e sentimentos, dando risadas e mais risadas conforme lhes pagava o que devia por tantas reviravoltas e sofrimento em dias passados.

Ele era assim… Pagava e cobrava da mesma forma. Retirava e dava. Sonhava e não sonhava.

Assistindo os frutos de seus presentes na vida de cada um, ele ainda observava dois fios de vida, os seus preferidos, ainda restarem suspensos, sem se ligarem de fato a um caminho que os fizesse voar no mundo.

Derek Hale saiu daquele quarto para chamar uma enfermeira e só foi ver Stiles novamente alguns meses depois, que julgou ser o suficiente para entender, se levantar e caminhar para onde deveria ir… Para um lugar onde não tinha um Stiles.

O Stilinski era alguém que, como Liam, renasceu do nada para viver um tudo sem qualquer ligação com o passado.

Seu pai e Scott haviam lhe contado sua razão para estar ali e nos primeiros meses Stiles visitava o jardim onde Lydia Martin jazia, tentando lembrar qualquer coisa que fosse do acidente de carro que a matou e lhe arrancou as memória, assim como as de Liam também.

Enquanto Derek pintava seus quadros em sua calma solidão, olhando para o lago em frente a seu celeiro, sua casa, Stiles corria na madrugada para pensar em quem era.

Diziam muitas coisas sobre ele: Ele sempre fora elétrico e irônico, pensava em uma resposta para tudo. Era uma cara inteligente e carismático… Era alguém feliz!

Ele queria acreditar e se tornar assim, mas enquanto não conseguia se definir por si próprio, suas corridas noturnas continuavam frequentes e ele se via menos falador.

Gostava muito de Scott, que por fotos e fatos, sempre fora seu melhor amigo. Mas por mais que se sentisse bem perto dele, só se sentia completamente entendido por seu irmão, Liam. As vezes até se sentia culpado, pensando no que se a culpa do acidente não fosse dele.

O Tempo os assistiu tentarem viver uma vida distante um do outro com calma, mesmo que estivesse ansioso pelo que viria.

Esperou com paciência até que um dia eles estavam no mesmo lugar, onde não podiam passar despercebidos um ao outro.

Derek queria apenas observá-lo de longe, onde poderia matar a saudade de vê-lo.

Não entendia, mesmo com tanto tempo, seu coração e mente insistiam em não esquecê-lo… Em amá-lo. Em pensarem nele, em quererem estar perto dele.

Stiles o achava um homem absurdamente bonito, mas o que lhe interessava mais era a forma curiosa e misteriosa que os olhos verdes lhe observavam.

Tentou diversas vezes saber por Scott, mas o amigo somente dizia que ele deveria conhecê-lo por si mesmo. Até via sentido naquilo, mas não deixava de ficar impaciente e se sentir nervoso em pensar na ideia de se aproximar dele e simplesmente questionar: Por que parece que seus olhos me conhecem mais do que eu mesmo?

Naquela noite ele não descobriu. Porém ele se permitiu olhá-lo sem se esconder, lhe indicando que algo havia ali.

O Hale voltou lentamente a se envolver mais com o grupo e com o que aquele cidade possuía. O Tempo se animava cada vez mais, sentindo que a ponta dos dois fios começavam a se atrair, interessadas em desvendarem o que de tanto especial poderia ter um no outro que sempre os fazia voltar para o mesmo ponto.

Derek teve de trabalhar com o Tempo para perdoar Stiles e sua investida nas dependências de Beacon Hills era uma prova de que se esforçava.

Então logo veio o dia, que debaixo das estrelas, eles se encontraram e meio as suas corridas noturnas. O Tempo havia finalmente os encurralando, forçando os fios a finalmente se conectarem.

Stiles nunca se esqueceu do primeiro sorriso que viu nos lábios de alto e forte homem. Nem Derek esqueceu como, naquela noite, percebeu as espertezas do destino.

E meses depois, quando seus fios já estavam entrelaçados e em meio a uma dança no baile de formatura, ele contou a Stilinski:

-De alguma forma, quando eu vi o seu olhar eu compreendi… A vida, talvez? -Ele riu baixinho, suas mãos segurando Stiles contra seu corpo, seu queixo apoiado em seu ombro e seus lábios ditando só pra ele ouvir o que tinha a dizer. -Nós tínhamos vivido tantas vezes aquilo e mesmo assim eu deixei esse pequena luzinha escapar da minha cabeça, por isso foi tão difícil no início. Naquela noite em que corremos juntos, ela finalmente apareceu de novo e eu me agarrei a ela, me lembrando do como nós somos a mudança um do outro.

“Passamos por momentos difíceis Sti, quando nos encontramos pela primeira vez, eramos nossas próprias bagunças. Eu era o bad boy e você era irônico e corajoso demais. Começamos a mudar nossas vidas naquele mesmo instante, porém não mudados só uma vez… Nem sequer ficamos juntos tão cedo, porém nós chegamos lá.”

-Eu me tornei alguém com novos propósitos e você aquele que unia todos nós. Veio um tempo em que tudo que eu tinha de fazer era proteger você, porque tudo o que você queria eram coisas perigosas e, digamos, ruins para você… E veio o tempo em que era você quem me protegia. Só então a gente ficou junto, finalmente…. Nós mudados e depois mudados de novo, ganhando e perdendo, dando e retirando de nossas próprias vidas coisas e seres preciosos!

“Estávamos tão ligados, que quando as dificuldades vieram, pareceu quase impossível ficarmos longe um do outro. Nós achamos que poderíamos viver uma vida longe, como se não fossemos acabar no mesmo ponto de novo. Estávamos enganados… Foi quando você perdeu sua memória e eu perdi minha essência. Eu tive de me conhecer, da mesma forma como você está se conhecendo…”

Ele parou de falar e respirou fundo, afastando-se do ombro de seu namorado para olhá-lo nos olhos… Olhos maravilhados.

-Então nós mudados de novo Stiles Stilinski. E a toda a cidade mudou conosco. É assim que as coisas são… Ela sempre mudam… Por um motivo: Não são as mesmas coisas que sustentam o amor, ele vive constantemente mudando em cada caso e parte de nossas vidas, nos restando nos adaptar para não o perdermos. E eu quero passar a minha vida mudando se for necessário, tudo para dizer…

-Eu te amo! -Stiles foi mais rápido e completou.

Derek sorriu radiante. “Esse sorriso...”, Stiles pensou.

Eles trocaram vários beijos naquela noite, só assim deixando o Tempo finalmente satisfeito e aliviado, podendo seguir em frente para o que tinha preparado no futuro.

Eles haviam encerrado um longo e conturbado capítulo de suas vidas, onde viveram romances e guerras. Onde se apaixonaram e se odiaram…

Onde aprenderam a viver a guerra sobrenatural.

O Tempo é claro não tinha somente aquilo para eles, mas seria bom e os deixaria com diferentes guerras pelos anos que viriam.

Guerras do corpo e da alma. Da voz e da atitude… Guerras humanas, do amor e da raiva. Do cair e se levantar e do lutar diariamente para sobreviver e viver.

Sim… O Tempo seria bom e os deixaria dançar nos dias que viriam.

Porém, com um sorriso ao observá-los dançar, o Tempo soube que eles ainda encontrariam de novo, aqueles que desapareceram com a ela.

Elas voltariam, assim como no futuro ela ressurgiria.

A Guerra sobrenatural ainda tocaria suas músicas, mas naquela noite o Tempo resolveu esquecê-la por algumas danças! 


Notas Finais


E é isso. Espero que tenham gostado. Foi a última abertura e a última PARTE FINAL. UAU! kkkkk

Quem sabe um dia eu volto com mais da Guerra Sobrenatural!!!!

Fiquem com Deus! Adeeeeus!


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