História Teenage Dream - Capítulo 10


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Categorias John Mayer, Katy Perry
Personagens John Mayer, Katy Perry
Tags Jaty, John Mayer, Katy Perry, Romance
Visualizações 42
Palavras 7.136
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


UHUUUL, demorei mas valeu a pena pois eis aqui um capítulo enorme!! Hoje vamos descobrir qual é a da Norah, espero que vocês gostem kkjk beijos pra vocês e até a próxima. E claro, obrigada por estarem aqui a cada capítulo dessa história

Capítulo 10 - We're Drowning in that Pool



7 de Dezembro de 1999

Minha vida parecia um filme ruim, com uma cena tipo daquelas onde as 4 perdedoras entram pelo corredor da escola, sem glamour nenhum, sem ninguém notar a presença delas ou dar um “Bom dia”. Acacia tropeçou e os livros que estavam nas suas mãos foram diretamente para o chão, os óculos dela também caíram, ela os pegou rapidamente e os colocou de volta. Eu, Julia e Briana nos abaixamos para ajudá-la a recolher seus materiais

-Relaxa, isso é normal de acontecer- respondi recolhendo alguns livros dela

-É, na minha vida esse tipo de coisa é normal- ela suspirou e ajeitou os óculos

-Você só se tropeçou, tá tudo bem- Briana respondeu colocando as mãos sobre os ombros dela -A gente tem novas amigas, mas a promessa que nós duas fizemos quando tínhamos 5 anos nunca vai mudar, você é a minha irmãzinha e nunca vou permitir que você fique triste- ela a abraçou

Juntei os livros que havia recolhido do chão e coloquei na pilha que Julia havia feito, olhei para as duas meninas abraçadas e sorri, desejando ter tido na vida uma amizade tão linda e duradoura quanto a delas

-Katy, alô...terra chamando- disse Julia

-Oi? O que houve?- respondi ainda um pouco dispersa

-É que você ficou parada aí pensativa, parecia estar viajando bem longe, na maionese- ela riu

-É, eu tava com a cabeça longe mesmo mas não se preocupa, não é nada demais- olhei pra ela e sorri

Kelly Wade parou na nossa frente com sua postura de dona do mundo, e quando isso acontecia, a gente já imaginava qual ia ser o desfecho

-Olha só, se não são as palhacinhas do circo vindo visitar a escola- ela riu e olhou pras suas robôs

Julia me entregou a pilha com os materiais da Acacia e se levantou rapidamente, se colocando frente a frente com Kelly

-Escuta aqui, a única palhaça que eu tô vendo é você, e essas suas abelhas operárias ridículas, ou seria elefanta? Você quer que eu chame o circo pra você, otária? Eles devem estar preocupadíssimos- ela continuou enfrentando Kelly com seu olhar e sua postura

-Cala sua boca sapatona, você tá tão perto de mim, quer me beijar não é? Vai ficar sonhando- Kelly respondeu

-Posso ser sapatona sim, aliás, amo mulher. Mas nem que você fosse a última da terra eu encostaria a minha boca nessa sua boca suja-

-Eu duvido muito- ela aproximou sua boca da boca de Julia e depois a empurrou rindo, vindo até mim, Briana e Acacia

Acacia ajeitava os óculos e segurava seus livros um pouco amedrontada, Briana olhava entediada para ela e eu com o maior olhar de desprezo possível. Muita gente passava pelo corredor e apenas olhava, achando aquilo super normal

-Mas olha só, que cena desprezível essa, tão medrosinhas...do jeito que eu gosto- ela riu alto, o som ecoou por quase todo corredor -E cadê aquele moreno lindo que tava conversando com vocês aquele dia? Eu queria combinar algum dia com ele pra gente se pegar de verdade, na minha casa-

-Vai pra sala ou arruma um gato e fica na sua casa cuidando das sete vidas dele Kelly- respondeu Briana

-Resolveram tirar o dia pra me enfrentar, não é fofo meninas?- ela olhou pras robôs e riu debochada -Olha, eu ainda vou descobrir qual de vocês gosta daquele garoto- ela olhou cada uma de nós dos pés a cabeça, e parou seu olhar em mim como se soubesse que eu era a garota que ela estava procurando

Dei os apelidos para as amigas, ou melhor, empregadas de Kelly Wade de Robô 1 e Robô dois. Elas permaneciam ali, rindo do mesmo jeito que Kelly

Robô 1 era uma garota negra, alta, que gostava de combinar as cores da suas roupas com as da sua chefe e tinha um piercing no umbigo
Robô 2 tinha um cabelo castanho claro e era a mais baixa das três, por isso estava sempre de salto e arrumava seu cabelo com o mesmo penteado que Kelly havia usado no dia anterior
As três pareciam muito satisfeitas com o que estavam fazendo ali, para elas, humilhar alguém as levava ao topo de mundo

-Só vou dar um conselho de amiga- ela continuou e riu com falsidade, ainda me olhando -Aquele é o tipo de garoto que vai levar vocês na lábia, vai beijar alguém como vocês uma ou duas vezes...E quem sabe até transar uma vez pra contar pros amigos- ela soltou uma risada alta e debochada sendo seguida pelas robôs -E depois, vai fingir que nunca viu-

Engoli em seco um pouco nervosa, quando ela falou essa frase, ele realmente havia transado comigo e...se a Kelly estiver certa? E se era só isso que ele queria comigo? O sinal tocou e os alunos começaram a ir para as salas

-Ah, chegou a hora de ir, tchau amiguinhas- ela mandou um beijo no ar e saiu debochando

Julia, com raiva, entregou os livros para a dona e seguimos para as nossas respectivas aulas. A sala a qual eu tinha aula de Matemática já estava praticamente cheia e barulhenta, me lembrava os tempos que estive na minha Califórnia, o que me fazia sorrir. Deitei a cabeça nos livros quieta, apenas observando os outros alunos, quem não estava conversando estava ouvindo música nos seus fones de ouvido, isso me fazia questionar se não precisava trazer de volta a música pra minha vida, pelo menos quando tivesse sozinha como agora

-Garota, você tá bem?- perguntou o menino obeso que sentava logo a minha frente


-Sim, eu só...só gosto de ficar quieta- o respondi

-É que você sempre senta aí, e nunca fala nada- ele disse dando uma mordida no seu donut

Abaixei a cabeça novamente até notar a presença da professora na sala, animada para mais um dia de aula. As TVs das salas começaram a transmitir o noticiário do colégio feito pela turma do jornal e de vídeo como todos os dias

-“Bom dia Fairfield Warde, Meu nome é Amber Moore”- ela sorria pra câmera

-“E eu sou o Scott Phillips”- disse o garoto do lado dela, a câmera se voltou para Amber

-“Hoje iremos conversar com a concorrente a representante do 1º ano Kelly Wade”- dizia a menina na TV sorridente, revirei os olhos ao ouvi-la
-“Também temos um recado especial do clube de teatro, preparação para a decoração de Natal e também para o Show de Talentos”- disse Scott

-“Primeiro a entrevista com a Kelly Wade, é com você Gina Mendez”- disse Amber sem parar de sorrir

A câmera cortou para a imagem de Gina Mendez com o microfone, ao lado de Kelly

-“Bom dia Amber e Scott, e alunos, eu estou aqui do lado da Kelly Wade, que espera conseguir o posto de representante do 1º ano”- Gina olhou para Kelly -“Fala pra gente um pouco do que você espera fazer se for escolhida a representante”-
Kelly sorriu toda exibida para a câmera, e pegou o microfone das mãos de Gina

-“Bom dia querido colégio que eu amo tanto. Certo...Gina, veja bem, se eu for a escolhida eu prometo melhorar o lanche que é servido na cantina em primeiro lugar, melhorar os serviços de limpeza e claro, fazer com que a equipe de atletas tanto do basquete quanto do futebol americano fiquem satisfeitos, melhorando o desempenho deles”- ela mordeu o lábio ao dizer essa frase, tentando sensualizar


-Será que ela vai continuar transando com todo cara que ela vê lá na sala de figurino do teatro?- gritou um garoto loiro com a jaqueta do time de basquete fazendo todo mundo rir, menos a senhorita Rose que o olhou feio e fez sinal pra que ele ficasse quieto

-Se for assim, eu voto- gritou o garoto também com jaqueta do time de basquete logo atrás dele, fazendo todos rirem novamente

-“E como você pretende solucionar os problemas da cantina e os da limpeza?”- perguntou Gina

-“Contratar alguém que limpe isso aqui direito, não é óbvio? Hoje mesmo o corredor tava sujo, achei 4 vermes nele”- Ela sorriu e olhou para Gina

Minha vontade era de pular naquela TV e quebrar cada pedacinho onde a imagem dela aparecia

-“Quanto a cantina”- ela continuou -“Eu acho que deveriam antes de tudo jogar as salsichas do mês passado que servem pra gente fora, e comprar alface pra todo mundo, servir sempre alface no almoço, imagina que economia”-

-“Certo”- Gina olhava confusa pra ela -“Bom gente essa foi Kelly Wade, volto com vocês ai no estúdio Amber e Scott”-

Como prometido, depois eles falaram rapidamente sobre a decoração de Natal, os testes para a peça de teatro que seria de o “Mágico de Oz” e o show de talentos. E até que enfim a aula de Matemática começou! Prendi o cabelo em um coque e fiz as contas com a maior concentração possível até a aula acabar

Fui até o refeitório apenas para avisar as meninas que não ia almoçar ali hoje e desci até o porão por onde ninguém circulava a fim de ir a sala de ensaio da banda, no corredor escuro só se via a luz da sala no fim dele acesa. Andei até a porta da sala onde Jack se encontrava afinando instrumentos e Samuel limpando a sujeira daquele local

-Oi, com licença, será que eu posso entrar?- perguntei assim que me aproximei da porta

Os dois me olharam e depois de olharam entre si. Jack bufou e voltou a olhar pra mim

-Entra- ele disse terminando de colocar o baixo em um suporte

Me aproximei de Samuel e ele parou de limpar as coisas logo me olhando

-Oi, você quer falar alguma coisa comigo?- ele respondeu

-Mais ou menos- disse abrindo a mochila e pegando um embrulho, o entregando -Pra você, abre aí- disse sorrindo

Ele pegou o embrulho das minhas mãos e abriu, olhando para as baquetas como se tivesse ganhado na loteria. O garoto não sabia onde colocar toda a felicidade com aquele ato simples e me abraçava

-Muito obrigado!!- ele repetiu várias vezes ainda me abraçando

-Não sabia que você ia ficar tão feliz, você merece isso e muito mais Samuel- ri enquanto ele me apertava

Jack apenas nos olhava e afinava a guitarra que não era usada por John a várias semanas

-Vocês...querem ajuda pra limpar? Vão ficar por aqui? Olha, mãos a mais na limpeza nunca fizeram mal- disse e sorri pra ambos

-Sim, vamos ficar por aqui e almoçar aqui...quer almoçar com a gente?- perguntou Samuel

-Eu adoraria- respondi

-Tudo bem pra você Jack?- perguntou Samuel

-Apesar dos pesares, tudo bem sim. Ela comprou baquetas pra você, o que mais eu posso dizer depois disso?- ele respondeu

Fui até Jack e o abracei sorrindo e animada, ele continuou com cara de rabugento, mas senti que estava perto de conseguir mudar o conceito dele sobre mim

Logo, comecei a limpar as coisas junto com os garotos. Samuel começou a brincar em sua bateria com as baquetas novas e Jack ria e balançava a cabeça com o ritmo que ele fazia, logo reconheci vagamente a música que tocavam, tentei lembrar o nome, mas foi em vão. Ri da brincadeira dos dois e continuei colocando as coisas em seu devido lugar
Sem mesmo perceber, em alguns poucos minutos eu estava balançando a cabeça junto com eles e cantando o refrão de “Ironic” da Alanis Morissette que havia escutado na casa de Briana outro dia, eu finalmente consegui reconhecer a música. Jack e Sam me olharam surpresos ao me ouvir cantar e eu continuava, sem nem perceber o que estava fazendo, até Sam parar de tocar a bateria e eu voltar a realidade

-Caramba, me desculpem. Eu me empolguei- respondi envergonhada quando percebi que me olhavam

-Desculpa pelo que? Sua voz é bonita- disse Jack

Ele estava mesmo me elogiando? esse dia certamente vai entrar pra história

-Katy- Samuel largou as suas baquetas e levantou da sua bateria vindo até mim -A gente precisa de você...-

-Ah não sei, me da um tempinho pra eu pensar?- respondi

-Ô, vamos com calma ai cara- disse Jack -Precisar da Yoko a gente não precisa não, o Ringo nunca fez a besteira de chamar a japa pra fazer parte dos Beatles, porque a gente faria aqui? Mas pelo menos essa daí canta bem de verdade- ele riu

O Jack estava mesmo me comparando a Yoko Ono? Eu conhecia muito bem a história da artista plástica que ele citara. Coitada, friamente acusada até hoje por separar os tais Beatles

-Não me chama de Yoko!- respondi

-Tudo bem. Se você não gosta esse vai ser o seu novo apelido, Yoko- Jack me respondeu rindo


-Você é insuportável- ri e joguei um pano nele

-Ah é? Para de berrar Yoko- Ele riu e borrifou água em mim

-Gente, para- Samuel entrou no meio e acabou levando borrifada na cara também

Joguei uma almofada em cada um dos dois que começaram a jogar varias palhetas em mim, depois ficamos nos atacando com catchup, latinhas de refri vazias e entre outras coisas naquela sala, em meio a muitas gargalhadas. E lá se foi a nossa arrumação, mas pelo menos a gente estava se divertindo
Estávamos os três deitados em meio a pilha de almofadas coloridas, deploráveis

-Faltou só o John aqui- disse Samuel enquanto limpava o catchup dos óculos

-Sim- respondi um pouco pensativa, lembrando dos olhos dele sem brilho que eu havia visto no dia anterior

Depois da brincadeira almoçamos (um belo pacote de Doritos, hambúrguer com catchup e Coca-Cola) colocamos tudo de volta no lugar. Minha cabeça ainda tentava decidir se seria uma boa fazer parte da aventura musical desses meninos, e tentar fazer o John voltar a vir a escola
E não havia motivo para eu não participar de tudo isso com eles, eu me diverti agora como não me divertia a anos. Sim, eu iria voltar. Abri um sorriso toda manchada de catchup e tinta spray enquanto limpava por ter a decisão tomada e o peso mais leve sob meu corpo e minha alma
O último lugar da sala que precisava de arrumação era um armário. Logo que o abri, me deparei com uma caixinha roxa, com o nome de Victoria
Minha mente entrou em colapso, fui da total alegria a angústia e frustração. Não era justo eu tomar o lugar daquela garota, eu não podia. As lágrimas vinham com lentidão até os meus olhos, e eu apenas as segurei
Olhei para os garotos que estavam distraídos rindo de alguma coisa, e peguei aquela caixinha com rapidez, colocando em minha mochila, fechei o armário e fui até os dois


-Bom, eu acho que já terminei...logo o sinal vai tocar né- tentei dar um sorriso sincero a eles enquanto fungava, segurando meu choro

-Ficou muito bom isso aqui hein- disse Jack olhando ao redor

-É, já tá quase na hora- disse Samuel olhando em seu relógio -E aí, vai fazer parte da nossa equipe ou não?- ele perguntou

Fiquei calada olhando pro chão e engolindo o choro um pouco nervosa


-Sam, me desculpa mas, hoje eu acabei me iludindo achando que podia fazer parte do mundo de vocês, mas eu não posso. Jack, me desculpa também-

O sinal soou assim que terminei de dizer o que precisava, eles não responderam nada. Sai da sala e fui em direção a saída do colégio, tentando não ser percebida no meio de um monte de adolescente naquele corredor
O dia estava claro e bonito, eu não conseguia parar de notar enquanto andava pelo friozinho de Dezembro de volta pra casa. Como a Norah me convidou pra ir pra piscina na casa dela com esse frio? Ela certamente tinha uma piscina aquecida dentro de casa e quem sabe até um ofurô, ou ela era algum tipo de doida que gostava de nadar na piscina no frio
Cheguei em casa e após cumprimentar meus pais e Angela também, subi pro meu quarto jogando a mochila na cama. Deitei na mesma bufando e fiquei ali por alguns longos minutos

Tirei a caixinha roxa de Victoria da mochila e a abri. Tinha varias fotos Polaroid dela com o John
Ela era uma garota extremamente linda, o cabelo ruivo e liso era sedoso e tinha um corte perfeito com o comprimento até perto dos seios. Os olhos verdes com o delineador e o rímel sempre impecável eram lindos também, e as sardas pelo rosto a deixavam ainda mais bonita. Não era à toa que John havia se apaixonado por ela
Me olhei no espelho rapidamente, eu nunca ia ser aquela garota. Nunca iria ser tão bonita e legal quanto ela 

Nas polaroids estavam registrados vários momentos dos dois. Em uma, eles estavam em algum baile do colégio, ela super bem maquiada e ele todo sorridente ao seu lado, em outra eles estavam sentados na grama de algum show, com algumas pinturas no rosto e ele beijava as bochechas dela. Na outra, ele estava com sua guitarra e ela o abraçando e lhe beijando a bochecha com uma caixa de pizza no colo, sentados no ginásio, ele com o seu uniforme de basquete, e mais algumas em vários lugares...parque de diversões, piquenique, dias ensolarados no colégio. E uma única deles se beijando em alguma rua da cidade a noite
Meu estômago se embrulhava de dor e ansiedade ao ver aquelas fotos, mas eu continuei a explorar tudo o que tinha na caixinha
O restante das Polaroid eram de fotos só dela, uma delas em que ela estava no refeitório distraída tinha escrito “Tirada por Johnny, 16/06/99”. Haviam naquela caixa também varias palhetas, um CD da banda “Blur”, várias fitas cassete, com seleções de música feitas pela própria Victoria e uma com o nome de John, ela escreveu “Mix pra você. Espero que goste”, indicando que ela fez especialmente pra ele, mas não pode entregar
Havia ainda um VHS sem etiqueta indicando o conteúdo, um cupom de desconto para um loja de discos e uma carta
Abri a carta com o coração quase saindo pela boca, e comecei a ler

“John,
Talvez você só ache essa carta daqui a muito tempo quando encontrar a minha caixinha, e se achou, é porque não tive coragem de te entregar no dia que estou indo embora
A gente viveu muitas coisas desde o começo desse ano, quando descobrimos depois de tantos anos que a gente se gostava. Tudo que a gente viveu vai ficar na minha memória pro resto da vida
Você é o garoto mais calmo, doce, preocupado com o resto das pessoas e talentoso que eu conheci, diferente de mim. Sua paixão pela música é tão evidente quando você toca a sua guitarra, você não tem ideia de quão brilhante é
Eu agradeço por ter sido um amigo incrível por tantos anos e um namorado maravilhoso nesses últimos meses
Você deve estar morrendo de raiva de mim (provavelmente agora está tocando nas cordas do seu violão irritado) por eu ter deixado pra você apenas essa carta, algumas coisas importantes pra mim e sumido no mundo. Johnny, eu recebi uma proposta de uma gravadora em Nova York, eles me descobriram e disseram que eu posso ser “a nova Debbie Gibson”
Eu preciso alçar voos maiores John, preciso crescer e estou indo por minha conta e risco e sozinha pra lá, pra me tornar grande. Eu te amo, mas eu não posso continuar estagnada e também eu sei que você vai passar um bom tempo no Japão porque com certeza vai conseguir ser escolhido pra ir pra lá. Eu preciso que você também vá conquistar algo além de Bridgeport. Lembra que me disse que eu era a pessoa mais ambiciosa que você conhecia? Você não estava errado sobre mim
Seja ambicioso também e vá atrás dos seus sonhos. Deixa um abraço pro Jack e pro Samuel tá? E pra você, um beijo daqueles inesquecíveis. Você vai estar pra sempre comigo
Victoria”


Fiquei um tempo apenas olhando pra aquela carta, ainda impressionada e eu precisava muito que o destinatário lesse tudo o que estava ali. Coloquei no bolso da calça decidida a entregar para John as palavras que lhe pertenciam, e a melhor maneira de fazer isso era colocando em sua caixa de correio quando voltasse da casa de Norah
Meu pai entrou no meu quarto sem que eu esperasse a visita e ao abrir da porta coloquei todas as coisas de volta na caixa e a escondi o mais rápido possível


-O que você tá escondendo ai Katheryn?- ele esticou o pescoço pra olhar atrás de mim

-Nada não pai, a que devo a visita do senhor ao meu quarto?- respondi

-Eu vim pra te parabenizar em como está se saindo no colégio, suas notas estão excelentes, mas você acabou subindo tão rápido pro quarto que eu nem tive a oportunidade de fazer isso na sala-

-Ah...claro, eu só precisava descansar urgentemente. Muito obrigada viu pai? Eu estudo muito pra deixar vocês felizes- sorri pra ele

-Continue assim, e se estiver escondendo alguma coisa é melhor me contar logo Katheryn, os pais sempre descobrem as coisas-

-Claro pai, eu não to escondendo nada- sorri novamente


-Ótimo, vou deixar você descansar um pouco então- ele foi andando até a porta e parou, se virando de volta pra mim antes de sair -Ah, eu já estava esquecendo, eu preciso de um favor urgente seu-

-Favor? Urgente?- franzi a testa -no que eu poderia ajudar o senhor?-

-Temos um casamento para celebrar amanhã, e a cantora que estaria lá acabou tendo um problema com a família. Será que você poderia ir no lugar dela? Assim de última hora, é difícil achar alguém e você já está acostumada a cantar na igreja-

-Eu posso ir sim pai- o respondi -Eu nunca cantei em casamento mas deve ser parecido com cantar no culto-

-Que ótimo- ele sorriu pra mim e me entregou um pouco de dinheiro -É pra você alugar um vestido pra amanhã, acha que até a noite consegue achar?-

-Claro- peguei o dinheiro e coloquei na mochila que ainda estava em cima da minha cama

Ele saiu do quarto e suspirei aliviada. Corri pra guardar a caixa de Victoria no lugar menos acessível do guarda-roupa. Vesti meu maiô e depois uma roupa, coloquei tudo que precisava levar pra casa de Norah na minha mochila rosa inflável e transparente. Ali estavam minha toalha, meu chinelo, roupa íntima pra trocar e apenas isso, coloquei ela nas costas e desci as escadas saindo de casa rumo a mansão de Norah
Parei em frente ao portão enorme com interfones e câmeras ao lado e logo obtive resposta. Disse que era visita de Norah e a mesma veio abrir o portão pra mim

-Não acredito que você veio!!- ela me abraçou animada ao abrir o portão -Entra, por favor-


Só o jardim daquela mansão dava duas da minha casa. Todas as plantas e flores muito bem cuidadas, certamente por algum jardineiro, havia também um pergolado e um chafariz. Norah usava uma camiseta da banda B’52s com uma saia colegial, provavelmente ainda não tinha tirado essa parte do uniforme

-Muito obrigada!! O jardim daqui é lindo- sorri olhando o jardim e a respondi, olhando pra camiseta dela novamente enquanto andávamos até a porta -Eu achei que gostava só de música clássica-

-Ah não não...eu adoro B’52s e algumas outras bandas, você os conhece?- ela disse enquanto abria a porta da mansão

-Não, mas deduzi que era alguma banda por eles estarem com instrumentos na foto- respondi e ri fraco

-Você precisa ouvir, eles são ótimos- ela disse entrando na mansão -Entra, fica a vontade-

-Obrigada- fui entrando e olhei ao redor

De longe, era o lugar mais lindo que eu já havia entrado. A casa era praticamente toda de vidro insufilm, o que não permitia ver o lado de dentro quando estivesse lá fora, mas permitia a gente ver tudo lá fora de dentro da casa. Um lustre enorme ficava no meio da sala e um piano de cauda branco, a mesa e quase todos os móveis eram brancos, as escadas também, e o piso. Violinos caríssimos ao lado de uma adega enorme toda abastecida de vinhos e vários Grammys em uma estante, um quintal gigante com uma piscina e uma área de lazer com uma casa de piscina ao lado. Do outro lado da sala estavam a TV e o sofá
Quando olhei pro sofá, meu coração quase parou de vez. John estava ali, sentado com um balde de pipoca e uma coberta, deixando à mostra apenas a sua camiseta do guitarrista John Frusciante. Ele me olhou e deu um suspiro desanimado, como se eu tivesse chegado pra acabar com a diversão dele

-Ah, eu convidei o John também, espero que não se importe- Norah disse sorridente

-Ah, não...tudo bem- sorri pra ela de volta com John ainda me encarando


-Que ótimo, achei que não ia ter problema mesmo, já que vocês já se conhecem. A gente está assistindo o VHS de “Uma babá quase perfeita”. A Georgia fez pipoca pra gente e estávamos dando muita risada com esse filme, não é John-

-É sim- ele respondeu

-Vem ver com a gente Katy- ela riu e me puxou junto com ela até o sofá, me fazendo sentar entre ela e o John

-Ótimo, com três é melhor- ela se sentou cruzando as pernas e pegou um pouco de pipoca do balde -Quer?- ela me estendeu o balde de pipocas

-Ah...sim, obrigada- sorri pra ela pegando um punhado de pipoca

Eu sentia um frio imenso na barriga por estar sentada ao lado dele. O braço dele encostando no meu me deixava muito nervosa e constrangida. Ele me encarava me olhando de canto. Norah nem sequer prestou atenção na tensão que acontecia entre nós dois, estava concentrada demais no filme

-Ele é tão ruim em cozinhar que acabou fazendo os peitos do disfarce pegarem fogo, é isso que aconteceria se eu tentasse cozinhar- Norah disse em meio a gargalhadas

Eu e John permanecíamos quietos enquanto ela fazia comentários empolgados esporadicamente durante o filme e dava risada, até o último minuto dele


-É ótimo ver filme com vocês dois, vocês não abrem a boca pra nada- ela disse, enquanto passavam os créditos -Agora sim a gente pode ir pra piscina-

Ela se levantou tirando o VHS do videocassete e o guardando na caixa, Georgia veio a sala para recolher os baldes de pipoca e copos em que tomamos refrigerante. A cumprimentei e sorri, ela cumprimentou de volta e agradeceu


-Seguinte, eu ainda preciso vestir meu biquíni, vocês dois se importam se eu abrir a porta da piscina aquecida pra vocês e voltar correndo pro meu quarto só pra colocar o meu biquíni? Vai ser rapidinho eu prometo- disse Norah

Eu não disse que ela tinha um lugar específico pra uma piscina aquecida

-Claro que não- respondi e sorri pra ela

-Ótimo!!- ela sorriu de volta -John você tá de sunga?- perguntou


-Menina, olha a pergunta que você me faz pro garoto- disse Georgia rindo e negando com a cabeça

-Não, mas não tem importância...prefiro não nadar hoje- ele respondeu

-Mas eu te avisei que a gente ia na piscina Johnny- ela foi ao lado dele -Você não quer ficar de sunga na frente da gente é isso?-


-Não, hoje só não me sinto disposto a entrar na piscina- ele deu um meio sorriso -Eu fico lá só olhando, coloco só os pés na água já que insiste tanto. Não esquenta Norah-

-Você quem sabe- ela deu de ombros e pegando a chave -Me sigam até a piscina aquecida por favor

Seguimos Norah até a área de lazer, que era basicamente uma outra casa de vidro do tamanho da minha casa, ela abriu e nós entramos. Não era só uma piscina aquecida que tinha ali. Havia mesa de sinuca, mesas ao redor da piscina, máquina de karaokê, mesa de ping pong e até um fliperama de corrida de carro e outro de Mortal Kombat. E claro, um ofurô


-Seja bem vinda ao lugar que eu chamo de “Sala de jogos com piscina aquecida- ela disse e riu -John, você que já se acostumou com esse lugar...dá ajuda pra ela se achar enquanto me troco?-

-Claro Norah- ele disse sentando na mesa

-Ótimo, é muito rápido viu? Eu volto em um instante- ela saiu apressada da sala

Tirei a camiseta e a saia que vestia ficando só de maiô e sentei na outra mesa. John continuou sem falar nada comigo, ficou descalço e se levantou indo até a piscina. Ele colocou os pés na água e ficou os balançando ali. Suspirei fundo ficando descalça também e indo até a piscina, me sentei ao lado dele, temendo sua reação

-Oi John- disse olhando pra água da piscina

-Oi Katy- ele disse e olhou pra mim de relance


-A Norah tá demorando né?- disse


-Tá- ele respondeu seco


Fiquei quieta e continuei olhando pra água da piscina que nos refletia

-Você...tem alguma coisa com ela agora?- disse tentando puxar assunto

-Não- ele me olhou como se a pergunta o tivesse incomodado -Porque o interesse nisso? Aliás, por que o interesse repentino por minha vida desde ontem? Depois de um mês sem nem passar na minha casa pra ver se eu estava bem-

-John...eu achei normal o primeiro dia que não foi a escola por eu ter te magoado..o segundo estranhei, eu nem sequer via mais você, não tinha nem um sinal seu e fiquei preocupada mas eu não queria incomodar, por isso não te procurei. Quando deu uma semana eu soube que ia fazer a pior coisa do mundo em ir procurar alguém que não queria ver a minha cara- respondi

-Não fui mais a escola por você ter me magoado? Olha só Katy, o mundo não gira em torno de você tá?- ele disse me olhando

-Não tira a minha frase de contexto, você sabe muito bem que não foi isso que eu respondi- disse erguendo um pouco a voz

-Ah não? Porque me pareceu que o que você disse foi que você foi quem teve o poder magnífico de me deixar com saco cheio daquelas pessoas fúteis e egoístas. Quando te beijei na festa da Jill eu vi algo diferente em você mas agora percebi que você é igual a qualquer um lá-
-Você é um idiota que não consegue parar um segundo pra me ouvir- respondi o olhando com raiva

-E você é medrosa, egoísta e faz tudo que o papai quer-

-Ridículo! Não sei porque a Norah tinha que convidar os dois- cruzei os braços o olhando

Paramos de nos insultar e ficamos apenas quietos um do lado do outro, até ele decidir quebrar o silêncio

-Me desculpa por tudo que eu falei, eu só to um pouco estressado e não devia ter falado com você assim- ele disse

-Eu também me exaltei com você, e também quero pedir desculpas por ter te tratado mal- abaixei a cabeça e o olhei, ele também me olhava

-Eu acho que o ensino médio acaba com a nossa sanidade mental, sério- ele disse e riu um pouco desanimado olhando pra água da piscina

Ele era adorável de todos os jeitos. o sorriso, a voz, a risada, o jeito de falar...Não importava o quanto a gente falasse coisas ruins um pro outro, ele sempre seria encantador

-É, fazer o que- ri junto com ele e suspirei -Me desculpa por...ter deixado vocês na mão-

-Eu não quero falar sobre isso agora- ele respondeu

-Ok- respondi um pouco sem jeito -John, volta pra escola, por favor- disse olhando nos olhos dele -Seus amigos sentem sua falta-
Ele me olhou e soltou um suspiro

-Eu também sinto falta deles, mas não da pra voltar a estudar. Pelo menos não agora- respondeu

-John, você precisa estudar, é importante- olhei pra ele e sorri fraco -Por favor, por você mesmo...pelos seus pais-

-Eu prometo que vou pensar- ele respondeu em um tom de voz desanimado

Me aproximei um pouco mais e o fiquei olhando fixamente, ele também me olhava

-Obrigada por...estar sendo assim compreensivo nesse momento- sorri fraco

-De nada- ele deu um sorriso tímido, mas lindo

Quando menos esperávamos, com os nossos olhares ainda se encontrando, fomos nos aproximando cada vez mais
O calor que a água da piscina aquecida trazia aos meus pés foi se alastrando pelo resto do corpo junto com um arrepio e uma ansiedade a medida que ele se aproximava também, eu segurei nas mãos dele e ele colocava involuntariamente as dele sob a minha cintura
Parecia que eu ansiava por aquilo mais do que qualquer outra coisa
Quando estávamos tão perto que eu podia sentir a respiração dele e nossos lábios estavam quase se encostando, Norah chegou. E ao ouvir a voz dela levei o maior susto que alguém poderia me dar
O susto foi tanto que me joguei pra trás e acabei caindo na piscina, e levando John, com roupa e tudo, junto comigo

-Ai meu Deus...caramba, me desculpem- Norah disse ainda paralisada perto da porta,com as mãos na boca  -Eu não queria atrapalhar o beijo de vocês, e nem fazer vocês caírem na piscina-

-Beijo? que beijo?- respondi tentando negar enquanto tirava o cabelo molhado da cara

-Você tá vendo coisa Norah- disse John

-Não não...eu vi vocês quase se beijando, não tentem negar- ela respondeu colocando as mãos na cintura -E isso é ótimo, porque eu não trouxe os dois aqui a toa-

Eu e John nos olhamos, um pouco confusos. Norah se aproximou na piscina, se sentando na borda

-Ontem, eu vi como vocês dois se olhavam e logo percebi que tinha um sentimento ai e algo mal resolvido. John comentou algo sobre você alguma vez Katy, então quando disse seu nome, eu liguei o nome a pessoa- ela riu -Então, decidi armar pra trazer os dois aqui sem saber que o outro vinha, eu não sou genial?-

-Você é uma psicopata- John jogou água nela

-Vocês foram feitos um pro outro, não percebem? Eu quero que esqueçam qualquer mágoa que existe entre vocês- ela sorriu

Eu e John nos olhamos novamente

-A gente já conversou, estamos resolvidos- respondi

-Sim, e agora eu to todo molhado- John disse olhando pra roupa molhada no seu corpo

-Vocês são complicados demais eu heim, é só dizer “eu te perdoo”, se beijar..e pronto - disse Norah rindo -Eu vou pular na piscina, cuidado aí-
Fomos até perto da escadinha da piscina e Norah se levantou, em seguida pulou na piscina


Fiquei conversando com Norah por quase uma hora na piscina. John saiu uns 5 minutos depois dela ter entrado e ficou sentado em cima de uma das mesas enrolado na toalha, o olhar dele ainda era o mesmo que eu havia visto noite passada e não era visível nenhum sinal de animação no seu rosto
Norah me contava como era estudar em um colégio caro e ser filha do Chaykovsky. Me contou sobre a sua infância e como desenvolveu gosto pelo piano desde muito pequena
A contei sobre a minha realidade de estudante de escola pública e filha de pastores
Finalmente enjoamos da piscina e John nos entregou toalhas quando saímos, como um cavalheiro. Pegamos nossas coisas e fomos rumo a sala de casa todos enrolados em toalhas e um pouco molhados. Quando entramos, a madrasta de Norah estava ali, nos olhando como se tivéssemos cometendo algum crime por estar na casa dela

-Norah, quer dizer que a minha residência agora viu abrigo?- ela disse

-Eles são vizinhos, e meus ami...- Norah respondeu, mas foi interrompida pela madrasta


-Não quero que tenha esse tipo de amigos, tenha paciência Norah...eu volto do meu chá e te encontro com um casal de adolescentes pingando água com cloro e molhando meu piso. Ainda por cima que não tem status social nenhum-

-Vá a merda com seu status social. E essa casa é mais minha do que sua- Norah respondeu levantando a voz

-Está me insultando com palavrões?- a madrasta nos olhou -Aposto que isso é coisa de vocês dois-

Eu e John ficamos apenas quietos e morrendo de vergonha, eu me abraçava na toalha sentindo um pouco de frio

-É por isso que eu nunca tenho amigos, você é uma bruxa, bruxa!- Norah gritou com ela e subiu pro quarto muito nervosa e irritada
-Será que eu posso ir falar com ela?- perguntei

-Não, agora por favor...os dois, saiam de dentro da minha casa- respondeu a madrasta apontando pra porta de saída -Mostra a saída pra eles Georgia-

A madrasta de Norah foi pra cozinha bufando e Georgia nos levou até a porta de saída

-Desculpem por isso. Aposto que a menina Norah deve estar morrendo de vergonha dessa atitude da minha patroa, peço desculpas por ela também- disse Georgia

-Tudo bem Georgia, sempre quando eu venho aqui e ela aparece é sempre esse escândalo, desde que a gente tinha 10 anos- disse John

-Não deixem de vir aqui, a Norah é uma menina ótima e merece ter amigos- ela disse


-Não se preocupe Georgia- respondi e sorri

-Eu você já sabe que não vai deixar de ver tão cedo não é?- disse John a abraçando

-Você eu sei- ela riu ainda o abraçando -Agora é melhor vocês irem embora e eu voltar pra casa antes que ela surte-

-Manda um abraço pra Norah tá?- ele respondeu

-Manda dois- eu disse

Eu e John entregamos as toalhas pra ela e saímos da mansão de Norah, ficando parados em frente ao portão. O olhei e ele olhou pra mim de volta

-Será que a Norah tá bem?- o perguntei, tremendo o queixo de frio

-Ela vai ficar, a Lou sempre foi surtada desse jeito, acho que ela não esperava ver Norah com uma amiga- ele respondeu

-Pobre Norah...- disse olhando pra janela de um dos quartos da mansão que ainda estava acesa, enquanto tremia

-Você tá com frio né? Espera- ele pegou uma jaqueta de couro da sua mochila e me entregou -Veste aí-

-Muito obrigada- sorri e vesti a jaqueta dele -A gente não pôde nem se trocar-

-Pode ficar com ela, me entrega quando me ver de novo- ele disse

-E quando isso vai acontecer?- respondi vestindo a jaqueta

-Depende das circunstâncias da vida- ele disse coçando a nuca

-Falando em circunstâncias da vida- abri a mochila e peguei a carta de Victoria, esticando a mão para entregá-la a seu dono -É pra você, não é minha...não me pergunte como consegui e não leia na minha frente por favor-

-Tudo bem então...-ele disse pegando a carta e olhando confuso pra mesma

-Eu acho melhor eu ir pra minha casa agora e você pra sua, a gente precisa tomar banho e aquecer o corpo...afinal, estamos molhados, e você corre ainda mais risco de pegar gripe com essa roupa molhada no corpo- disse rindo e me aproximei dele pra beijar sua bochecha, e o fiz com um sorriso -Tchau John-

-Tchau- ele respondeu me olhando, enquanto eu andava em direção a minha casa

Voltei até a minha casa, abri a porta e encontrei Angela no sofá comendo cereais com as luzes apagadas, a única luz que se tinha era a da TV

-Oi, você voltou! Senta aqui- disse ela batendo na área desocupada do sofá

-Deixa só eu tomar um banho e me trocar primeiro ok?- sorri pra ela e corri ao banheiro

Assim que tirei a jaqueta de John do meu corpo, a peguei nas mãos para sentir o toque do couro, e depois o cheiro dele misturado com o cheiro daquele material. Me despi por inteira e tomei um banho quente e maravilhoso, saí do banheiro e fui ao meu quarto, guardando a jaqueta de John em meio às minhas roupas e vestindo minha roupa íntima e meu pijama
Sai do quarto, desci as escadas e sorri tímida indo até Angela, me sentando onde ela havia indicado

-Como foi na casa dos ricassos?- ela disse rindo, me fazendo rir também

-Ah, lá é lindo...nunca tinha entrado em um lugar assim antes, parece até um resort- respondi

-E você se divertiu?- ela perguntou

-Foi divertido sim- sorri fraco

-Eu gosto de ver você fazendo amizades e se divertindo- ela disse enquanto comia os cereais

-Obrigada, eu te amo- sorri a olhando -E como estão as coisas pra ir pra Princeton?-

Angela havia passado com honra em Princeton, por isso não estava nem indo mais ao colégio. Quando recebemos a carta de aprovação a um pouco menos de um mês foi o maior orgulho que a nossa família já sentiu

-Ainda falta um tempo pra eu ir, mas eu já estou arrumando toda a parte burocrática- ela respondeu e sorriu -Eu vou sentir muito sua falta quando eu for- o sorriso dela se desmanchou dando lugar a uma expressão triste

-Eu vou sentir mais- fiz um bico a abraçando -Ainda bem que ainda vou poder aproveitar minha irmã mais um pouco-

Ela sorriu me apertando no abraço. Ficamos vendo o programa na TV “Shop ‘til You Drop” e rindo das coisas toscas que aconteciam nele. Quando acabou, resolvi fazer uma pergunta a Angela

-Angela, o que a gente faz quando gosta de alguém que não nos pertence?- perguntei

-Ah...como assim alguém que não te pertence? Você tá falando sobre aquele menino...o filho dos vizinhos não é?- ela respondeu, e eu concordei com a cabeça -Bom, nesse caso, ele tem namorada e você tá apaixonada por ele, é isso?-

-Não exatamente, ele tinha uma namorada antes de eu aparecer, mas ela foi pra Nova York e não deu mais notícias-

-Katy, se ela deixou ele desse jeito...é porque não o ama tanto assim. Quem ama não vai embora e depois não dá nem um sinal de vida-

-Mas...ela deixou uma carta que eu encontrei, eu entreguei pra ele e me pareceu tão sincera- suspirei -Eu não quero tomar o que é dela-

-A partir do momento que ela preferiu ir pra Nova York a ficar aqui com ele, eles não se pertecem mais- ela segurou nos meus ombros -Se você ama mesmo esse menino, vá em frente...não tenha medo de tentar viver um amor. Não importam as outras pessoas, o que falem ou os medos que sua cabeça crie, você só vai saber se tentar viver esse amor de verdade, e vai por mim...é melhor se arrepender de ter feito do que não ter feito nada-

Minha cabeça deu um estalo imediato. As palavras da Angela me encheram de coragem
Deveria eu então correr atrás do amor da minha vida e seguir sem medo o som da música que me guiava para algo novo, uma nova Katheryn, aquela que eu realmente queria ser? Eu podia ouvir o som da Fender de John como uma melodia magnética, levando meus pensamentos diretamente a melodia do coração dele, que parecia machucado assim como o meu. Seriam nossas melodias juntas a única cura para nossas dores?
 


Notas Finais


Até o próximo capítulo, não esqueçam de deixar um Feedback e espalhar a fic para os amigos ❤


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