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História Tempo - Capítulo 1


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Notas do Autor


essa história vai deixar geral com cara de ??? mas essa é a intenção mesmo KKKKKKKKKK
espero que gostem <3

Capítulo 1 - Capítulo Único


A claridade invadia o quarto lentamente, de modo que os olhos negros da mulher piscassem antes que abrissem completamente.

A festa de Carmín havia sido agitada, o pessoal bebeu bastante, dançaram bastante e a mulher não conseguia lembrar nada a partir de então. O porre que havia tomado com seu namorado havia sido bem forte...

Piscando, Beatriz Urquiza olhou ao redor do quarto. A decoração era moderna, em tons acinzentados de branco e creme, mas não era o seu quarto, nem o do namorado. E definitivamente não era um dos quartos da enorme casa de Carmín. A cama era tão macia que Beatriz imaginou estar deitada em uma nuvem, sem contar a maciez do travesseiro.

Sentando-se na cama, o edredom branco escorregou, revelando sua nudez. Bia se assustou ao se cobrir rapidamente, antes de cair em si e olhar para sua direita na cama.

Um enorme homem estava dormindo de bruços, com os braços fortes sobre o travesseiro num imaculado branco. Havia uma barba por fazer marcando sua bochecha e a respiração era tão calma e suave que ele parecia viver em paz com Deus e o mundo, plenamente feliz. E... Ele não era seu namorado.

Onde estava? Por que estava nua? Que homem era aquele e por que dividiam a cama? Ela havia bebido tanto para acabar traindo seu namorado Alex e acordar na cama de um desconhecido?

Intrigada, a mulher se esticou um pouco mais na tentativa de ver o rosto de seu acompanhante, mesmo que estivesse trêmula e apavorada.

Quanto mais perto chegava, mais sentia o coração palpitar.

Os cabelos castanhos desgrenhados, aquela boca carnuda e rosada cerrada em uma linha, as sobrancelhas grossas definas, as pintinhas bem colocadas na face branca, mas corada...

Não, não, não, não... Como??? Só podia ser um sonho!

Dois segundos foram o suficiente para Beatriz engolir a seco e levantar da cama, recuando assustada.

— AAAAAAAAAAAA! – Ela berrou se enrolando nas cobertas e tropeçando nos próprios pés antes de se firmar contra a parede.

Ele caiu do outro lado da cama num susto que teria sido cômico se a situação não fosse assustadora. Essa voz rouca ela reconheceria de qualquer lugar! Era ele mesmo!

— Mas que porr... – Ela ouviu o murmúrio dele escondido no chão do outro lado da cama, onde ele puxou o lençol branco para cobrir os ombros, já que ele vestia apenas uma boxer preta.

Assim que ele levantou, a brasileira quase teve um infarto.

— MANUEL?! – Ela berrou pálida, vendo aquele homem que parecia mais um clone mais velho de seu melhor amigo.

— BIA? – Gritou ao vê-la completamente diferente da noite anterior.

O cérebro dele ainda processava o que tinha acontecido.

— ONDE A GENTE TÁ??? – Ele questionou olhando o quarto.

— EU NÃO SEI!

— E CADÊ A CARMÍN??? CADÊ TODO MUNDO???

— EU NÃO SEI! – Silêncio. Bia o olhou de cima abaixo e afastou qualquer pensamento que insinuasse a malícia em sua mente. — Você acha que nós... – Ela se escondeu no edredom ainda mais.

— NÃO! Não! – Manuel também a analisou. Nossa... O que havia acontecido com ela? — Quer dizer, eu não sei.

— O que a gente fez... – Ela murmurou horrorizada, olhando para a cama, as roupas no chão... Ela havia traído o namorado dela e o mesmo havia acontecido com o Manuel. — Puta merda, Manuel!!! – Exclamou abrindo uma porta do quarto, onde descobriu ser o banheiro.

Encostada na tábua de madeira, Bia se viu no espelho. Sua pele dourada e macia reluzia na luz branca, seu rosto estava mais fino e seus olhos com um olhar imponente que ela mesma quase não se reconheceu. Seus cabelos castanhos tinham as pontas mais claras e estavam mais lisos que as ondas que ela havia feito para a festa do dia anterior. Seu corpo maduro, formado e escultural refletiam uma vasta diferença de uma Beatriz Urquiza de 18 anos.

— Meu Deus... – Ela murmurou fazendo uma análise em seu corpo nu que nem parecia ser seu.

Ela precisou de alguns minutos para se recuperar do transe, vestindo uma roupa que achou pendurada no gancho atrás da porta.

Era uma calça jeans escura e um suéter de tricot creme. Prendeu seus cabelos sedosos num coque baixo em um nó e respirou fundo ainda se olhando no espelho. O banheiro em que estava era lindo e enorme, com iluminações amarelas, uma banheira e um box. Tudo trabalhado no mármore. Seja de quem fosse àquela casa, tinha uma condição financeira muito boa e ótimo gosto. Quem sabe ela não estivesse em uma das casas de Carmín.

E se, ao descer as escadas ela se encontrasse com Carmín após ter transado com o namorado dela?

Deus... Bia estava tão ferrada...

— Ok. – A brasileira quase arrancou a porta com a força que usara para abri-la. — Me diz que você lembra de alguma coisa.

Manuel, já vestido, encarava a janela do quarto, tentando juntar peças de sua cabeça.

— Eu não consigo lembrar... E eu não faço ideia de onde estamos. – Disse tristemente, virando-se para a melhor amiga. — Como você mudou tanto...

Bia agora podia ver claramente algo de errado nele também.

— Já se olhou no espelho?

Com o cenho franzido em confusão, Manuel não entendeu o que Bia quis dizer até o dado momento em que ela deu passagem a ele até o banheiro.

O espanhol deu a volta na cama indo ao encontro do espelho quando ele viu seu reflexo. Manuel parou um pouco assustado.

Sua barba estava rala, um pouco aparente, como se ele tivesse deixado para fazer pela manhã. O físico forte, os lábios grossos, os traços ponderados e os olhos levemente mais escuros, mas ainda com o mesmo tom de mel. Seus cabelos também haviam escurecido e agora estavam mais curtos que o corte que ele usava na noite passada, dando-lhe uma pose de... Adulto.

A roupa que ele usava era um pijama que ele havia achado no chão que coube perfeitamente nele: Uma calça quadriculada e uma blusa branca lisa de manga ¾ que teria ficado um pouco folgada na noite passada.

— Tudo bem, a gente precisa resolver o que aconteceu... – Manuel murmurou voltando pro quarto e se sentando na cama.

— Aí é que tá! O QUE ACONTECEU? – A brasileira poderia surtar facilmente se não descobrisse o que se passava naquele instante.

— Ei! Fica calma! – Manuel se levantou e a abraçou no momento em que viu as lágrimas brotarem nos olhos da sua amiga.

— Nós... Nós traímos eles, Manuel... – Bia murmurou. — O Alex é meu namorado e seu irmão... A Carmín é sua namorada e minha amiga, como a gente pôde? – A voz dela começou a ficar embargada e Manuel sentiu seu coração partir com ela tão frágil e culpada em seus braços.

— Talvez você esteja se precipitando, Bia... – Disse confortante. — Talvez não tenha acontecido nada demais....

— Nada demais? Manuel, a quem queremos enganar? Acordamos nus numa cama que não é nossa e numa casa que não conhecemos... – Murmurou se apertando nele ainda mais. — Nós exageramos ontem, a conclusão é óbvia.

— Ou não... Fica tranquila, ok? Vamos sair desse quarto e descobrir o que aconteceu juntos. – Se afastou da mais nova e enxugou as lágrimas dela. — E seja o que for, nós também enfrentaremos juntos.

— Obrigada, Manu. – Disse mais calma, fungando.

Ele sorriu acolhedor e segurou a mão dela ao sair do quarto.

Andaram pelo corredor com um monte de quadros traçados e bonitos. Bia chegou a parar para admirar um.

Era muito parecido com um desenho que ela havia feito aos 14 anos só que redesenhado por uma mão experiente e adulta. Ela sorriu pela primeira vez no dia.

Se a casa fosse mesmo de Carmín, Bia ficaria feliz pelo reconhecimento e carinho da amiga. Até se lembrar de que havia dormido com o namorado dela.

Desceram receosamente as escadas brancas cobertas por um carpete cinza e se depararam com uma bola de pelo preto e branca miando ao pé da escada, subindo de encontro a eles.

O gato se esfregou entre as pernas de Manuel ao miar desesperado.

O casal parou ali no meio das escadas no mesmo instante, paralisados com o felino.

— A Carmín é alérgica a gatos. – Manuel constatou ao pegar o bicho no colo, que ronronou. — Se ela chega perto de um bicho desses ela passa mal... A casa não pode ser dela. – Concluiu acariciando as orelhas do animal, que miou dengoso.

Bia se aproximou da coleira azul piscina do animal e viu o escrito na plaquinha redonda de prata entre os pelos macios.

— Mozart. O nome dele é Mozart.

Manuel sorriu satisfeito, deixando o gato no chão que passou a guiá-los até o centro da sala de estar.

Não havia ninguém na sala, mas isso também não impediu os intrusos de admirá-la. Um jogo de luzes no teto, uma mesa de jantar de vidro off-white, cadeiras aveludadas e um enorme sofá acinzentado. A TV jazia grudada na parede de “madeira” e no rack havia vários livros e porta-retratos.

— Ele deve estar com fome e não tem ninguém em casa... – Manuel disse na batente que dividia a sala da cozinha. — Vou ver se tem ração ou algo do tipo, e você vê se acha alguma coisa que nos dê uma pista de onde estamos.

— Tudo bem. – Concordou olhando ao redor.

— Vamos, garotão? – Falou com o gato ao adentrar a cozinha.

Bia viu os itens decorativos na mesa de centro e reparou numa revista. Seu namorado era capa com... Carmín?

 

“O cantor Alex Gutiérrez se diverte em festa com a companheira Carmín Languardia”

 

Bia engasgou com a própria saliva, sentindo cada pelo do seu corpo se arrepiar.

Mas que porra?!

Ela chamaria Manuel, mas ela ao menos conseguia falar.

Bom, companheira poderia significar muita coisa e os tabloides sempre foram sensacionalistas quando se tratava de Alex. Mas... Bia não se lembrava dele ter ido a uma festa com Carmín e não com ela...

Ah! Mas o loiro devia muitas explicações agora!

Tentando não se distrair com a matéria da revista, Bia se virou para o rack onde viu dois porta-retratos.

Um era dela e de Manuel abraçados e sorridentes com roupas de inverno com uma vasta neve de fundo e a outra também era deles dois.

A foto era uma selfie tirada por ela fazendo uma careta enquanto ele deixava um beijo em sua bochecha direita. A fotografia transpassava felicidade e Bia não conseguiu deixar de sorrir.

Andando para a esquerda, viu mais dois porta-retratos: Uma era a Carmín, Manuel, Bia e Alex abraçados com um largo sorriso e o outro era... De Bia e Manuel, juntos...

Se beijando.

A Urquiza largou o porta-retratos assustada, o que fez o impacto do mini-quadro no carpete assustar o Gutiérrez que saiu da cozinha correndo.

— Bia! – Exclamou assustado.

— Nós... Nós... – Gaguejou.

— O que foi? Nós o quê? – Ele questionou apreensivo e então Bia teve um choque de realidade.

— Ai meu Deus, eu... isso... isso é impossível! – A morena pegou na revista em cima da mesa de centro e procurou algo específico na capa, ficando em estado de paralisia quando encontrou.

— Do que você está fal... – Manuel se interrompeu ao ver uma moldura grande na parede que dividia a escada do hall de entrada. Ele passou andando por uma Bia estática e foi de encontro ao que estava emoldurado: Uma colagem de uma mesma manchete, com reportagem, título, subtítulo, e uma foto enorme que não podia ser ignorada.

Ele despendurou o quadro e encarou os escritos em choque.

— Manuel... – Ele ouviu a voz trêmula de Bia. — Você acreditaria se eu te dissesse... – Ela engoliu a seco. — Que em 2025.... A Carmín e o Alex estarão namorando e... – Bia mal conseguia processar. — ...nós também?

— Não... – Ele balbuciou assustado.

— Manuel... – Bia tentou dizer enquanto ele negava lentamente com a cabeça totalmente perplexo. — ...e-eu... acho que... estamos em 2025. E acho que somos namorados.

 

“O diretor de fotografia Manuel Quemola Gutiérrez e sua esposa, a artista Beatriz Urquiza Gutiérrez, no tapete vermelho do Emmy Awards na noite de sua primeira indicação para Melhor Fotografia”

 

— Não, Bia. – Sua voz saiu grave e agora também trêmula após ler e reler a manchete da moldura.

Respirando, Manuel piscou com força antes de se virar e olhar nos olhos dela.

 

— Nós somos casados. 

 


Notas Finais


por ora, é só uma one, mas quem sabe eu não faça um long fic a partir daqui... é uma história que seria demasiado complexa e eu não conseguiria sozinha, então quem sabe láááááá pra frente eu arranje alguém para escrever comigo KKKKKKKKK

sei que a cabeça de vocês estão cheias de dúvidas, mas essa é a intenção. sei que fica difícil até de entender, mas vocês têm alguma teoria/ideia/noção do que aconteceu ou poderia acontecer depois disso?

até a próxima gente <3


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