História Tempo de recolorir - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


OI PESSOAL! Eu juro que minhas mãos estão tremendo nesse momento. O nervosismo de estar postando uma nova história depois de um ano tão cheio de altos e baixos é inevitável. Mas desde já, saibam que cada parágrafo foi escrito com muito carinho e foram bem pensados. O enredo inteiro, na verdade, é um dos meus favoritos em cinco anos como escritora amadora aqui no Spirit, então torço para que gostem assim como eu! ❤️

Quero deixar meu verdadeiro agradecimento à designer, @stylan, que tomou parte do seu tempo provavelmente corrido para desenvolver a capa tão linda. Já a sinopse e teaser (disponível nas notas finais) foram feitos, também com muito carinho, por mim.

E acima de tudo, eu sou grata a Deus, que tanto me amparou principalmente em 2019 e sabe do quanto pedi para que conseguisse terminar todos os capítulos dessa história, uma vez que concluir esse processo se tornou muito difícil para mim.

Antes de deixá-los à vontade, gostaria ainda de esclarecer uns breves avisos:

— A personalidade do Jeon Jungkook na fanfic pertence totalmente a mim, exceto sua imagem;
— Eu optei por não trabalhar pelo pronome “você” ou o código “___”, muito menos o “s/n”. Uso o “ela”, na verdade, mas se vocês, leitoras, quiserem se imaginar como a personagem, fiquem à vontade!;
— A história se passa em 2019, sete meses depois do show que os meninos fizeram aqui, no Brasil. Mas conforme as circunstâncias, imaginem como se, depois dele, nenhum outro show ocorreu, resultando no fim da turnê;
— A história INTEIRA (com provavelmente exceção de um cap.) é narrada pelo Jungkook;
— PLÁGIO É CRIME! Vocês são muito capazes de desenvolverem um enredo 100% exclusivo. Não precisam copiar!

partiu?! ❤️

Capítulo 1 - Por onde andei


Fanfic / Fanfiction Tempo de recolorir - Capítulo 1 - Por onde andei

GUANAJUATO, MÉXICO. 

HÁ UM TEMPO QUE DORMIR durante uma noite inteira se tornou um desafio para mim. E dormir bem, a ponto acordar tarde no dia seguinte e perceber que não aproveitei toda a manhã. Eu nunca gostei de perder essa parte do dia justamente por ser minha preferida; detalhe influenciado pelo simples saber de que iria tomar o café, seja ele mínimo ou regado. Nunca soube explicar o porquê disso, mas segundo minha mãe, é um hábito que me acompanha desde mais novo. 

Hoje em dia, não sei dizer se sinto falta desses sentimentos alegres ao acordar, porque na verdade, ou eu não durmo e, ao amanhecer, perco boa parte do meu ânimo para seguir o dia, ou eu sinto um sono tremendo desencadeado pelos remédios, a ponto de acordar só depois do almoço. Nessa rotina, de uns meses para cá desde o acidente, perdi uma quantidade de quilos tão facilmente que às vezes me pego lembrando de todos os momentos, sendo trainee ou idol, nos quais me exercitava feito louco para atingir a meta de massa dada por meus antigos superiores, antes de um show, comeback, algo do tipo. 

O que não era legal, mas diante do rumo tomado pela minha vida de hoje, confesso que, se pudesse, voltava no tempo para ao menos aproveitar mais ainda a presença dos meninos no meu dia a dia. 

Por volta de umas duas e meia da manhã, fui acordado pelo mesmo pesadelo, envolvendo a última noite dos Bangtan. Meu coração novamente batia tão forte que podia sentir dores no peito, além de mãos trêmulas e o suor me incomodando. O calor me envolvendo era grande, porém, ao conferir a temperatura da madrugada, fiquei sem vontade de mergulhar numa água gelada e não vi pra quê. Era, mais uma vez, meu emocional tendo um “colapso”, como dizia minha antiga psicóloga. 

Fiquei longos minutos sentado na beira da cama, com as mãos no rosto, procurando me acalmar em meio a um turbilhão de memórias do trauma. As risadas e sorrisos dos meninos, as quais antes me empolgavam, hoje me servem de tormento e eu praticamente imploro para que elas desapareçam e me deixem em paz. Entretanto, nem sempre isso funciona, e já está tão dentro da minha realidade que, mesmo não querendo, aos poucos vou me acostumando. 

Ao levantar, resolvo sair do cômodo e ir para a pequena varanda do apartamento. Encaro o céu e começo a observar as estrelas, tentando de todas as formas possíveis me distrair. De maneira abafada, por estar distante da rua onde moro, posso ouvir, dentro de um intervalo de tempo, os carros passando na avenida principal, em alta velocidade por conta do horário. Por morar no primeiro andar, minha vista é bem limitada. 

Assim como eu, eles têm medo do que pode acontecer. Portanto, sempre ficam atentos e tentam tomar medidas de prevenção, porém, elas nem sempre funcionam. E quando eles percebem que todo o esforço se torna em vão em questão de segundos, minutos, ao baterem o carro ou sofrerem de um infeliz assalto em plena avenida, roubando toda a dedicação, às vezes de anos, como se fosse nada, a frustração os acompanham por dias. A culpa de não ter pensado na possível chance daquilo acontecer ronda suas mentes, enquanto lá no fundo, tentam alimentar a esperança de, quem sabe, recuperarem o que tanto desejam. Seja o dinheiro através do seguro, e por uma sorte, o próprio carro. 

Admito que sinto raiva dessa facilidade. Sinto remorso dessa esperança existente no fundo do coração dessas pessoas, porque sei que não poderei ter meus amigos de volta. Não tenho para quem ligar, passar as informações e contar com um resgate, como os caras de um seguro geralmente fazem, por meio de um rastreamento. Ou me dando dinheiro equivalente ao preço do automóvel, mas nem isso a morte aceita como fiança. Ela me assaltou e ainda me deixou presentes miseráveis: a depressão, o trauma, a solidão. 

Sou como as pessoas que não pagam um seguro. Que não têm condições. Elas sofrem com a perda e possuem mínimas chances de recuperá-la. Então, sofrem das consequências com as mudanças bruscas de realidade, sem terem opções a não ser vivê-la da maneira que consegue. Ou não. Umas deixam de fazer o que costumavam fazer porque sabem que não terão mais ânimo para tal; a frustração toma o lugar da persistência. 

Nesse momento, ouço uma garrafa quebrar em algum canto da minha rua. Sendo assim, volto para a realidade abaixando o olhar e resolvo me sentar, receoso, a fim de que não me peguem no flagra caso seja alguém. 

Aqui, no México, é comum de andarem por aí em altas horas, mesmo sabendo do perigo ao que se expõem, e eu sinceramente me pergunto como podem ser tão corajosos para tal. Mas nisso, lembro-me de que, na maior parte do tempo, trata-se de pessoas bêbadas, que, dependendo do grau de álcool ingerido, não sabem ao menos os próprios nomes.

Entretanto, com cuidado do olhar, observo uma moça assustada por ter causado os barulhos indesejados, olhando para o estrago e depois, prestes a ajeitar a bainha do seu vestido de… Noiva. É até bonito, discreto, rico em rendas e com uma saia bem pouco rodada. Entretanto, por quê? 

Espremendo os olhos, posso ver também uma mancha roxa no decorrer do tecido, como se algo tenha sido derrubado ali, enquanto ela se abaixa e tenta ajeitar as garrafas quebradas, as quais, inclusive, foram postas de um jeito completamente desleixado. Nesse meio tempo, consigo ouví-la fungar bem forte e passar as costas das mãos no nariz em seguida, com certa raiva. 

E feito isso, ela simplesmente para. Desiste de ajeitar o estrago e só fica ali, preferindo se sentar no meio fio, minutos depois, e encarar fixamente um ponto qualquer. Por ter escolhido um local bem abaixo do poste de luz em frente à minha varanda, posso ver de maneira clara sua maquiagem do olho borrada, com rastros pretos das lágrimas nas suas bochechas, provavelmente causados pelo excesso de rímel. 

Diante da cena, não sei como reagir. Fui me transformando numa pessoa tão fechada no decorrer desses meses, que comecei a ficar mais tímido que o normal e desmotivado, insensibilizado, de sentir vontade gratuita de ajudar pessoas, nem que fosse só com um abraço. Acolher um outro alguém passou a me despertar uma vergonha tremenda e eu coloquei na minha cabeça que estaria sendo falso, tanto com a pessoa quanto comigo, já que cheguei ao ponto de até não achar mais necessário, ter preguiça, de ir continuamente às terapias. 

Mas essa moça… Ela parecida completamente desamparada, miserável. Tento imaginar o que deve ter acontecido horas antes. Será que ela descobriu que seu noivo a traía logo na noite de casamento? Será que ela que traía e não se sentiu digna de continuar na festa? Ou uma tragédia aconteceu com seu esposo? E por que logo às duas e tantas da manhã? 

Disfarçado atrás de um vaso de plantas da minha varanda, posso vê-la, então puxar algo que, um tempo depois de esforço, reconheço ser um terço de não sei da onde e erguê-lo, sentido à luz do poste, permitindo-me reparar na sua feição de admiração misturada com medo. Ela fica o encarando por minutos, mexendo para cá, para lá… O que só aumenta minha hipótese de que algo muito ruim deve ter acontecido pouco tempo antes. 

Até que ela parece se lembrar de alguma coisa, a ponto ficar séria e jogar, com uma aparente raiva e força de vontade, o objeto longe, sem se importar aonde que ele poderia parar. A pose de durona se mantém por alguns segundos, até que ela não parece aguentar e esconde seu rosto nas mãos, desabando no choro. 

Ao mesmo tempo, de repente posso ouvir algo bater contra o vidro da porta de correr da varanda e, mais tarde, cair no chão, consideravelmente próximo a mim. 

Por ter levado um susto, sou lento para decifrar que se tratava do terço e fico receoso de pegá-lo. Além disso, sinto uma estranha vontade de rir de ironia, justamente por ter caído logo na minha varanda. Contudo, a sensação se esvai quando os soluços da noiva tornam-se mais altos e aumentam minha preocupação, a qual aos poucos dá lugar à insegurança de pensar em como poderia ajudá-la, sem ter o menor jeito para isso e logo após de ter acordado de um pesadelo maldito. 

Resolvo recolher o objeto. Ao envolvê-lo nas minhas mãos, as bolinhas escorregam sobre minha pele enquanto eu as observo minuciosamente. Todas eram diferentes uma das outras, coloridas, até que voltavam a se repetir depois de cada dezena. Na ponta, a cruz foi pintada de dourado e, de forma delicada, eu passo o dedão nele, sentido o relevo do pequeno corpo presente no meio da cruz. 

Na clássica imagem, o homem tem sua cabeça abaixada, exausto pelo o que teve que passar. Portanto, eu acabo voltando a atenção para a moça, que agora exibe seu rosto e olha para cima, assim como eu estava fazendo antes. Mesmo com os olhos provavelmente inchados e mais borrados ainda, no fundo da consciência eu torço para que ela esteja achando as estrelas bonitas, como eu acho, a fim de pelo menos encontrar graça em algo numa noite aparentemente tão conturbada. 

A possibilidade de ajudá-la me incomoda por um tempo, mas logo passa. O que fica é um estranho instinto de proteção, como se o fato de ficar aqui, sentado junto à ela, fosse impedir que mais alguma coisa pudesse acontecer. Algo puramente irracional. 

Encosto minha cabeça na grade de proteção da varanda, posicionando de forma estratégica o vaso de plantas para que continue escondido, e também volto o olhar ao céu, de vez em quando brincando com o terço. 

Eu provavelmente o entregarei à minha vizinha, uma senhora simpática que todos os domingos vai à igreja e, quando me vê todo vestido de preto, diz que sou muito bonito para ficar me arrumando com roupas de cor feia. Acho fofo o modo como ela fala e um pouco divertido, mesmo que não consiga dar tanta confiança como gostaria. 

Encarando novamente a mulher, penso que daqui a pouco ela vai se tocar de que não poderá continuar numa calçada qualquer, correndo mais riscos que o normal, e nós dois seguiremos com nossas rotinas. Perceberei que se eu tentasse a ajudar de alguma forma não iria servir de muita coisa, só nos deixar constrangidos, mas eu espero que ela melhore. Não gosto de ver pessoas chorando e, especialmente, não gosto de ver pessoas chorando e sentir vontade de abraçá-las como forma de consolo. Eu saio da minha zona de conforto e parece que desaprendi a lidar com isso. 

Pelo menos agora eu sei que não sou o único a gostar de observar o céu noturno. 

E que a tristeza acompanhada de desespero não perturba só a mim. Todos mundo sofre com seus demônios interiores em algum momento de suas vidas. 

Só não sei se uma hora tudo ficará bem, como Hoseok sempre costumava dizer. Sua falta me ensinou a achar essa frase clichê e eu sinceramente me sinto um personagem de contos de fadas quando alguém a diz pra mim. 

Não gosto dessa sensação. É mais miserável do que chorar no meio fio de calçada, às duas e meia da manhã. 


Notas Finais


Desculpem qualquer errinho! Revisei, mas alguma coisinha sempre deve escapar.

Gostaram? COMENTEM! A melhor parte de postar uma fanfic é interagir com vocês e saberem o que acharam!

CONFIRAM O TEASER: https://youtu.be/Dn5QSyzxhIM

Beijocas! ❤️❤️


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